Sustentabilidade
Trigo/RS: Bom potencial produtivo se mantém, mas produtores monitoram impacto das geadas – MAIS SOJA

As lavouras de trigo se encontram principalmente em floração (39%) e em enchimento de grãos (33%). Apenas 2% das áreas estão em maturação. A boa disponibilidade de radiação solar e as temperaturas mais amenas permitiram a realização de adubação nitrogenada e de tratamentos fitossanitários, principalmente para controle de doenças fúngicas.
As geadas, no final do período, podem ter causado algum dano às lavouras em período reprodutivo, que ainda será avaliado. Já nas áreas em desenvolvimento vegetativo, não há perspectiva de danos, como nos Campos de Cima da Serra.
De maneira geral, o potencial produtivo continua satisfatório. A área projetada pela Emater/RS-Ascar para Safra 2026 é de 814.220 hectares, e a produtividade média de 2.701 kg/ha.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, muitas lavouras de trigo estão em fase inicial de floração, e a maior disponibilidade de radiação solar tem sido bastante benéfica para o desenvolvimento da cultura, bem como o tempo seco, que permitiu a realização de pulverizações para a prevenção contra giberela. Os volumes de chuva próximos da média histórica durante o mês de agosto têm refletido em lavouras com boa sanidade em São Borja e Manoel Viana. Em São Gabriel, algumas áreas apresentam maior incidência de manchas foliares, mas, até o momento, sem impacto significativo sobre o potencial produtivo.
Ao longo dos próximos dias, os produtores devem monitorar a situação das lavouras já espigadas nos municípios onde houve formação de geadas para estimar possíveis danos. O tempo predominantemente seco, ao longo do período, foi crucial para a realização dos tratos culturais que estavam atrasados nas lavouras implantadas em julho, como a aplicação de ureia e o controle de plantas daninhas.
Como observado em safras anteriores, os produtores enfrentam dificuldades para manejar infestações de azevém. Nos cultivos mais adiantados, o foco está na proteção contra doenças fúngicas, com ênfase em manchas foliares nas áreas em alongamento, além do cuidado adicional com as doenças de espiga nas lavouras em fase reprodutiva. Na de Caxias do Sul, nos Campos de Cima da Serra, as baixas temperaturas, inclusive com formação de geadas nos dias 06 e 07/09, não causaram danos às lavouras de trigo, que ainda estão em desenvolvimento vegetativo.
Na de Erechim, 60% das lavouras estão em estado vegetativo e 40% em floração. Na de Ijuí, a cultura está evoluindo rapidamente para o estádio reprodutivo, ultrapassando 40% em floração, com espigas contendo mais de 14 espiguetas por planta. Estão 15% das áreas em enchimento de grãos, e aproximadamente 2% colhidos. Os produtores realizaram aplicações de fungicidas, visando à proteção contra doenças de espiga.
As temperaturas amenas e a insolação direta foram favoráveis às áreas em floração. No entanto, será necessário observar possíveis danos decorrentes da geada ocorrida nas primeiras horas da manhã de 06/09 (domingo), especialmente nas áreas em estádios mais suscetíveis e nos pontos mais baixos do relevo. Na de Passo Fundo, estão 30% dos cultivos na fase de emborrachamento, 30% em floração e 40% em espigamento.
Os produtores já concluíram a adubação em cobertura com nitrogênio. São realizados controles fitossanitários, quando as condições ambientais permitem. Na de Pelotas, em Canguçu, maior município em área plantada, estão cultivados 775 hectares. Na região, 45% dos cultivos estão na fase de desenvolvimento vegetativo e 55% em início de florescimento. O mês de agosto foi marcado por dias nublados, chuvas frequentes e pouca radiação solar direta, atrasando o desenvolvimento das plantas.
Os produtores não puderam realizar os tratamentos preventivos para doenças devido ao encharcamento do solo, que impediu o tráfego de tratores e pulverizadores. A alternativa poderá ser o uso de drones. Na de Santa Maria, as lavouras se encontram, em sua maioria, entre os estádios de alongamento, emborrachamento e espigamento, com desenvolvimento e potencial produtivo satisfatórios. A umidade e a incidência de doenças foliares baixas contribuíram para a manutenção do estado fitossanitário das plantas. Em lavouras mais avançadas, o frio intenso e as geadas têm exigido o monitoramento das áreas principalmente em floração, fase mais sensível à ocorrência de baixas temperaturas. Ainda não há relatos de perdas.
Na de Santa Rosa, estão 13% dos cultivos em desenvolvimento vegetativo, 46% em floração, 38% em enchimento de grãos e 3% maduro. A maior parte das lavouras da região apresenta boas condições. A sanidade adequada tem sido uma das expectativas de bons resultados para a safra. As condições climáticas favoráveis, durante a maior parte do desenvolvimento da cultura, tendem a compensar o baixo aporte de recursos na implantação das lavouras, devendo garantir alguma lucratividade. No final de semana e no amanhecer do dia 07/09, foram registradas geadas de intensidade variável, principalmente em áreas de baixada. Embora haja preocupação quanto a possíveis danos aos grãos e às estruturas reprodutivas da cultura, ainda não é possível quantificar eventuais perdas, sendo necessárias avaliações mais detalhadas ao longo dos próximos dias. A expectativa inicial é de que os prejuízos sejam limitados, uma vez que grande parte das lavouras se encontra em fase de enchimento de grãos, estágio em que a sensibilidade às baixas temperaturas tende a ser menor em comparação às fases anteriores.
Na de Soledade, as temperaturas amenas e a radiação solar foram favoráveis à cultura, que apresentou ótimo desempenho vegetativo e reprodutivo. Em razão dessas condições, o
ciclo da cultura se acelerou, e a maior parte dos cultivos entraram no estádio reprodutivo. Muitas lavouras apresentam ótimo padrão produtivo, mas, em algumas, o padrão está baixo, com presença de plantas invasoras, como azevém. Estão 35% das áreas em elongação do colmo, 45% em espigamento/florescimento e 20% em enchimento de grãos.
Apesar da janela estreita para a entrada nas lavouras com máquinas agrícolas, os manejos fitossanitários têm sido realizados, sobretudo as aplicações de fungicidas para ferrugem, oídio e preventivamente para a giberela. As condições climáticas têm sido favoráveis para a incidência dessas doenças fúngicas.
Comercialização (saca de 60 quilos)
O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, reduziu 0,07%, passando de R$ 69,93 para R$ 69,88 com PH padrão 78. Na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, é de R$ 80,00 para produto disponível.
Fonte: Emater/RS
Sustentabilidade
Plantio de milho atinge 54% no RS com alerta para cigarrinha e geadas pontuais – MAIS SOJA

A implantação de milho avançou no período, chegando a 54% da área. As condições climáticas foram favoráveis ao incremento de área plantada, mas o frio intenso, com geada
no final do período, pode ter causado danos em algumas lavouras.
Os produtores realizaram as aplicações de herbicidas. Também aplicaram inseticidas para controle de cigarrinha, cuja incidência aumentou. A estimativa realizada pela Emater/RS-Ascar aponta o plantio de 896.401 hectares de milho, produtividade projetada de 7.711 kg/ha e produção de aproximadamente 6,91 milhões de toneladas.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, estima-se o plantio de 63.682 hectares, e a semeadura está em ritmo acelerado em Manoel Viana, onde os produtores estão buscando compensar o atraso no planejamento inicial de implantação da cultura, causado pelo tempo chuvoso das semanas anteriores. Estão sendo realizadas aplicações de herbicidas, e a incidência de cigarrinha, em algumas áreas, tem exigido a utilização de inseticidas para eliminar o inseto, que pode transmitir enfezamentos e viroses desde a emergência das plantas.
Os produtores avaliam os impactos das geadas sobre as lavouras. De maneira geral, é baixa a probabilidade de danos, pois a intensidade do evento foi limitada nos municípios onde a semeadura está avançada, e as áreas mais adiantadas ainda se encontram em estágios iniciais de desenvolvimento. Porém, a queda acentuada nas temperaturas pode atrasar o processo de germinação e emergência, bem como a uniformidade do estande das últimas lavouras semeadas.
Na de Caxias do Sul, a estimativa é de 96.052 hectares cultivados, e iniciaram-se as práticas de preparo do solo, como dessecação para o início da semeadura, que está previsto para setembro. Contudo, os agricultores estão aguardando a elevação das temperaturas para iniciar o plantio.
Na de Erechim, projetam-se 44.915 hectares. Cerca de 60% estão implantados, principalmente nas áreas das costas de rios. Em virtude da alta umidade do solo, o plantio
atrasou neste ciclo.
Na de Ijuí, a semeadura da cultura foi retomada no dia 04/09 (sexta-feira), quando a umidade do solo estava adequada para a operação. Os produtores deram sequência à semeadura até o dia 08/09, chegando a 88% da área projetada. As lavouras semeadas entre 25 e 30/08 emergiram uniformemente, e seu desenvolvimento inicial é rápido. As semeadas no início de agosto receberam a adubação nitrogenada em cobertura. No dia 07/09, houve registro de geada, que ocasionou queimadura nas folhas das plantas cultivadas em relevo mais baixo, causando danos variáveis, desde queimadura na parte superior das folhas até morte de plantas.
Nas armadilhas para monitoramento de cigarrinha, houve maior captura de insetos nos municípios próximos a Ibirubá. Na de Santa Maria, iniciou-se o plantio, previsto em 60 mil hectares. Foi possível realizar os preparos de solo e o plantio de lavouras.
Na de Santa Rosa, a semeadura alcançou 87% da área prevista de 174.288 hectares. As condições climáticas e de solos foram boas para a continuidade do plantio, restando algumas áreas baixas e mais úmidas. Em relação a pragas, as lavouras em fase inicial de desenvolvimento apresentam alta população de cigarrinhas, e os produtores realizam o controle da praga com aplicações de inseticidas. Ainda não é possível verificar os danos causados pela formação de geadas na madrugada de 07/09. As plantas com até quatro folhas sofreram danos por geada, os quais são em sua maioria reversíveis. Porém, o desenvolvimento da planta será retardado de forma significativa. Como a chuva ocorrida no início da semana foi irregular na região, e em algumas localidades já é observada a redução da umidade do solo, os produtores iniciam as atividades de irrigação, principalmente em lavouras na fase de germinação e emergência, a fim de garantir o bom estande de plantas.
Na de Soledade, houve avanço satisfatório na semeadura para 35% do total previsto. A alta umidade do solo continua sendo um fator limitante para a operação. O maior avanço de semeadura ocorre no Baixo Vale do Rio Pardo, onde a maioria dos municípios está finalizando o plantio. As temperaturas elevadas dos últimos dias do período favorecem a germinação/emergência e o desenvolvimento inicial das lavouras implantadas.
Comercialização (saca de 60 quilos)
O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, aumentou 0,83%, passando de R$ 61,09 para R$ 61,60. Bolsa de Cereais de Cruz Alta R$ 75,00 para produto disponível.
Fonte: Emater/RS
Sustentabilidade
‘Quero morrer Chico Bento’: a frase de Almir Sater que faz a sociedade repensar o que é ser caipira

Tem uma palavra que durante muito tempo foi usada de forma pejorativa: o termo caipira. Em conversa com o Soja Brasil, Almir Sater afirma que ser caipira é, simplesmente, ser “morador do mato” e deixa claro que não enxerga vergonha alguma nisso. Pelo contrário, o cantor diz ter orgulho e honra em se considerar caipira e destaca a vida próxima ao ar puro, aos pássaros e à natureza como uma das maiores riquezas do interior.
“Ser caipira é ser morador do mato”, comenta Sater, deixando claro que, para ele, o termo está muito mais ligado a uma forma de viver do que aos estereótipos que durante anos foram associados à palavra. A declaração ganha ainda mais peso porque Sater conhece de perto a realidade do campo e trabalha com integração lavoura-pecuária, unindo culturas como soja e milho à criação de gado.
Para o artista, o caipira carrega conhecimentos e valores que poderiam servir de inspiração para toda a sociedade. Sater também defende cada vez mais a preservação das matas e afirma que o homem do interior tem muito a ensinar quando o assunto é conservação. Na visão do cantor, enquanto grandes cidades convivem com poluição e um distanciamento cada vez maior da natureza, o caipira mantém uma relação direta com aquilo que existe de mais bonito no Brasil.
E essa identidade aparece ainda na viola caipira, instrumento que Sater transformou em uma das grandes marcas de sua trajetória. Segundo o artista, basta ouvir o som da viola para ser transportado “para o interior do Brasil”, para uma mata virgem e para perto de um riacho cristalino. Para ele, a viola caipira é muito mais do que um instrumento musical e representa “uma verdadeira bandeira brasileira”.
Suas músicas também eternizaram imagens do campo, da boiada e do velho boiadeiro que enfrenta a longa estrada da vida, retratando simplicidade, sabedoria, trabalho e uma maneira diferente de enxergar o mundo. A palavra caipira, porém, está longe de ter o mesmo significado para todo mundo e continua despertando diferentes interpretações entre quem vive no campo e quem acompanha de fora essa realidade.
O caipira dentro do coração
O agricultor ainda carrega um estereótipo construído ao longo dos anos, segundo Ricardo Nicodemos, presidente da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA) e convidado do Radar Rural. Ele lembra que personagens como Jeca Tatu e Chico Bento ajudaram a criar uma imagem simplificada do homem do campo, estereótipo que ainda aparece em situações como as festas juninas escolares. “Essa imagem não existe”, afirma.
Ireneu Orth, produtor de soja e presidente da Aprosoja Rio Grande do Sul, afirma que o agricultor atual não se encaixa mais no antigo estereótipo. Para Orth, o produtor rural de hoje tem formação, conhecimento, tecnologia e acesso à informação, com muitos agricultores possuindo até curso superior.
Ao mesmo tempo, Orth reconhece que o termo pode carregar preconceito quando é usado para diminuir alguém. Por isso, comenta que prefere não chamar outras pessoas de caipiras, justamente para evitar que a expressão seja interpretada de forma ofensiva. Para ele, a realidade do campo mudou e o produtor rural passou a ocupar um espaço cada vez mais ligado à tecnologia e ao conhecimento.
Preconceito e orgulho
No fim, a discussão mostra que o caipira de hoje está muito distante da imagem de atraso que ainda aparece em alguns estereótipos. Ele pode estar diante de uma lavoura de soja, conduzindo uma boiada, preservando uma mata, tocando uma viola ou usando tecnologia para produzir mais e melhor.
A origem do Brasil está profundamente ligada ao agro, ao rural e ao caipira, como destaca Ferreira, que defende esse legado como motivo de orgulho e não de desprezo. Para ele, carregar as raízes do interior significa preservar valores que continuam presentes na vida de milhões de brasileiros e que ajudaram a construir a identidade do país.
E é justamente aí que surge a frase capaz de resumir toda a provocação dessa história. Se ser caipira significa carregar os valores do trabalho, da simplicidade, da natureza e das raízes brasileiras, Ferreira afirma que quer “morrer Chico Bento”. A frase transforma o que já foi motivo de preconceito em uma declaração de orgulho sobre as próprias origens.
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Agro Mato Grosso
Famato informa sobre reforma tributária, crédito rural e dívidas a cinco municípios de MT

Produtores rurais de Lucas do Rio Verde, Boa Esperança do Norte, Sorriso, Cláudia e Apiacás terão acesso, em setembro, a informações atualizadas sobre temas que impactam diretamente a gestão das propriedades e o planejamento da atividade agropecuária. A programação é promovida pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), em parceria com os Sindicatos Rurais dos municípios.
O circuito de palestras aborda três assuntos de interesse do setor: os impactos da Reforma Tributária para o produtor rural, as alternativas de crédito rural e os mecanismos para prorrogação e renegociação de dívidas. A proposta é aproximar os produtores de informações técnicas e práticas para auxiliar na tomada de decisões diante das mudanças nas regras tributárias e financeiras.
O analista tributário da Famato, José Cristovão, aborda as principais mudanças trazidas pela Reforma Tributária e seus possíveis reflexos para o produtor rural. Entre os pontos estão a transição para o novo modelo de tributação sobre o consumo, a criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), além das novas exigências fiscais que deverão ser observadas pelo setor.
Já o analista de Agricultura da Famato, Alex Oliveira Rosa, trata do crédito rural, apresentando informações sobre linhas de financiamento, critérios de acesso e planejamento para utilização dos recursos. A orientação busca contribuir para que o produtor avalie as opções disponíveis e utilize o crédito de forma mais estratégica na propriedade.
Entre os dias 09 e 11 de setembro, a programação também conta com o professor universitário e advogado, Max Mendes, que aborda a prorrogação de dívidas no agronegócio. A palestra apresenta informações sobre as possibilidades previstas nas normas do crédito rural, os direitos dos produtores e os procedimentos que podem ser adotados para solicitar a prorrogação ou renegociação das operações junto às instituições financeiras.
Levar a informação diretamente aos municípios fortalece a atuação da entidade junto aos Sindicatos Rurais e amplia o acesso dos produtores a orientações que podem fazer diferença no planejamento da atividade.
Confira a programação:
9 de setembro
Cidade: Lucas do Rio Verde
Local: Sindicato Rural de Lucas do Rio Verde
Horário: 18h30
10 de setembro
Cidade: Boa Esperança do Norte
Local: Sindicato Rural de Boa Esperança do Norte
Horário: 18h
11 de setembro
Cidade: Sorriso
Local: Sindicato Rural de Sorriso
Horário: 7h30
24 de setembro
Cidade: Cláudia
Local: Sindicato Rural de Cláudia
Horário: 18h
25 de setembro
Cidade: Apiacás
Local: Sindicato Rural de Apiacás
Horário: 18h30
(com Assessoria Famato)
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