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Bolsa de Rosário eleva projeção da área de milho na Argentina para 10,6 milhões de hectares

A Bolsa de Comércio de Rosário (BCR) elevou em 200 mil hectares a estimativa para a área semeada com milho na Argentina na temporada 2026/27, para 10,6 milhões de hectares. O número foi divulgado nesta sexta-feira (11) e, embora ainda represente queda de 3,6% ante os 11 milhões de hectares do ciclo anterior, indica um recuo menor do que o projetado no mês passado.
Segundo a BCR, a revisão da área de milho reflete principalmente o comportamento esperado no Norte do país e na região pampeana. Técnicos relataram que a cigarrinha-do-milho não tem sido observada e que promoções, bonificações, descontos e condições oferecidas na compra de sementes devem limitar a redução da área.
Para a safra 2026/27, a bolsa estima que a produção argentina de milho poderá alcançar 67,5 milhões de toneladas. A BCR afirmou ainda que as previsões indicam a ocorrência de um fenômeno El Niño muito forte, cenário que amplia as chances de a safra superar essa projeção e se aproximar de 70,5 milhões de toneladas, volume que igualaria o recorde registrado no ciclo passado.
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No caso da soja, a estimativa de área plantada para 2026/27 foi fixada em 16,7 milhões de hectares. Considerando uma área não colhida dentro da média e produtividade média de 2,91 toneladas por hectare, a produção argentina poderá chegar a 47,8 milhões de toneladas, de acordo com a bolsa.
Para o trigo, a BCR elevou sua projeção de produção de 20,5 milhões para 21 milhões de toneladas. A revisão foi atribuída às condições classificadas como boas a muito boas para as lavouras.
As novas projeções da Bolsa de Comércio de Rosário indicam ajuste positivo para a área de milho e para a produção de trigo na Argentina, enquanto a estimativa para a soja mantém o país com uma área de 16,7 milhões de hectares e potencial de 47,8 milhões de toneladas em 2026/27.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Três mercados ampliam compras de carne bovina de MT em agosto; EUA avançam 50%

Três mercados aumentaram as compras de carne bovina de Mato Grosso em agosto, em um movimento de maior diversificação dos destinos da proteína produzida no estado. Estados Unidos, Rússia e Filipinas registraram crescimento nos embarques em relação a julho, com altas de 50,4%, 80,62% e 57,11%, respectivamente.
O resultado ajudou a ampliar a participação de países fora da China nas exportações mato-grossenses. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), os embarques para esses mercados cresceram 31,11% na comparação mensal.
Para a pecuária de Mato Grosso, ampliar o número de compradores representa uma alternativa para o escoamento da produção e reduz a exposição às oscilações de um único mercado. É nesse contexto que o desempenho de diferentes destinos ganha relevância para as exportações do estado.
A avaliação é compartilhada pelo diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade. “Quando diferentes mercados ampliam suas compras, a cadeia ganha mais alternativas para o escoamento da produção e fica menos exposta às oscilações de um único destino”.
Os dados de agosto mostram essa diversificação em números. Os Estados Unidos receberam 8,2 mil toneladas de carne bovina de Mato Grosso, contra 5,4 mil toneladas em julho.
Mercados com diferentes perfis
A movimentação de agosto também reforça a capacidade da pecuária mato-grossense de atender compradores com diferentes demandas. Para Andrade, a combinação de capacidade produtiva, qualidade e escala permite ao estado ampliar sua presença internacional.
“A pecuária de Mato Grosso tem capacidade produtiva, qualidade e escala para atender compradores com diferentes perfis e exigências”, diz.
No mês, os frigoríficos de Mato Grosso exportaram 72,30 mil toneladas equivalentes-carcaça (TEC) de carne bovina, movimentando US$ 351,34 milhões.
Além do impacto sobre o volume comercializado, a presença em diferentes mercados pode contribuir para a construção de relações comerciais de longo prazo. “Estar presente em diferentes mercados mostra a capacidade da pecuária de Mato Grosso de atender demandas distintas”, afirma Andrade.
A diversificação, segundo o diretor, também ajuda a posicionar a carne mato-grossense entre compradores de diferentes regiões do mundo. “Essa presença internacional é importante não apenas para o volume comercializado, mas para construir relações comerciais de longo prazo e posicionar a carne mato-grossense entre compradores de diferentes regiões do mundo”.
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Dia do Cerrado: ciência e tecnologia transformaram o bioma em potência agrícola

O Cerrado nem sempre foi visto como uma região com grande potencial para a agricultura. Solos ácidos e de baixa fertilidade natural eram alguns dos principais obstáculos para a produção. A mudança veio com pesquisa, tecnologia e adaptação das lavouras às condições do bioma.
Neste 11 de setembro, Dia Nacional do Cerrado, a transformação ajuda a explicar por que a região se tornou uma das principais áreas agrícolas do país. A ciência desenvolvida para as condições tropicais, com destaque para o trabalho da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), permitiu avançar na correção dos solos e no desenvolvimento de cultivares adaptadas ao clima.
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O resultado aparece na dimensão atual da agricultura brasileira. Na safra 2025/26, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima produção de 360,8 milhões de toneladas de grãos no país, em uma área de 83,5 milhões de hectares. Soja, milho e sorgo estão entre as culturas que contribuem para o resultado.
Embora esse número seja nacional, uma parcela importante dessa produção está concentrada no Cerrado, que reúne algumas das principais regiões produtoras de grãos do país.
Tecnologia mudou a produção
A correção da acidez do solo com o uso de calcário e a aplicação de nutrientes foram fundamentais para viabilizar a agricultura em áreas que apresentavam limitações naturais.
Ao longo das décadas, outras tecnologias passaram a fazer parte do sistema produtivo, como o plantio direto e a integração entre lavoura, pecuária e floresta.
O Sistema Plantio Direto ganhou escala no Brasil justamente por reduzir a movimentação do solo e manter resíduos vegetais sobre a superfície. Segundo a Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação (Febrapdp), a tecnologia já ocupava cerca de 22 milhões de hectares, o equivalente a aproximadamente metade da área explorada com agricultura intensiva no país, em levantamento divulgado pela entidade.
No Cerrado, o manejo é especialmente importante para a conservação do solo e da água. A manutenção da palhada ajuda a reduzir a exposição do solo à chuva e ao calor, além de contribuir para a retenção de umidade.
Outra frente é a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). O modelo permite combinar diferentes atividades na mesma área e é apontado como uma das estratégias para aumentar a eficiência do uso da terra.
No projeto Rural Sustentável – Cerrado, coordenado cientificamente pela Embrapa por meio da Rede ILPF, foram contabilizados 300 mil hectares de propriedades com tecnologias de baixa emissão de carbono, além de mais de 3 mil propriedades envolvidas.
Conservação também faz parte da conta
A produção agrícola não é a única dimensão do Cerrado. O bioma concentra nascentes e áreas importantes para o abastecimento de grandes bacias hidrográficas brasileiras, o que torna a conservação do solo e da vegetação nativa estratégica para a própria atividade rural.
O Código Florestal estabelece que imóveis rurais mantenham Reserva Legal. Nas regiões fora da Amazônia Legal, o percentual mínimo é de 20% da área do imóvel. Já nas propriedades localizadas na Amazônia Legal com vegetação de Cerrado, o percentual é de 35%.
Isso significa que não é correto afirmar, de forma geral, que todo produtor do Cerrado precisa manter entre 20% e 35% de Reserva Legal. O percentual depende da localização da propriedade.
A trajetória do Cerrado mostra como a pesquisa conseguiu transformar as limitações naturais do bioma em uma agricultura altamente produtiva. Agora, o desafio é avançar em produtividade e eficiência sem perder de vista os recursos naturais que sustentam essa produção.
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Agro Mato Grosso
Exportações de algodão MT já alcançam quarto maior volume da série histórica

As cotações do algodão em pluma seguem oscilando no mercado brasileiro, mas acumulam alta na parcial de setembro, sustentadas principalmente pela oferta restrita no mercado spot nacional e pela postura firme de parte dos vendedores. O cenário ocorre em um momento em que os agentes priorizam o cumprimento de contratos negociados antecipadamente.
Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a disponibilidade limitada de algodão para comercialização imediata tem ajudado a dar sustentação aos preços, enquanto compradores e vendedores encontram dificuldades para chegar a acordos.
Além da questão da oferta, as negociações também são influenciadas pelas diferenças de percepção em relação aos preços e à qualidade dos lotes disponíveis.
Mercado externo traz cautela
No cenário internacional, o movimento é diferente. As novas quedas nas cotações do algodão no mercado externo levaram agentes a adotar uma postura mais cautelosa.
Diante das incertezas, compradores e vendedores passaram a postergar novas negociações à espera de uma definição mais clara sobre a direção dos preços internacionais.
Esse comportamento também contribuiu para limitar o ritmo das negociações no mercado brasileiro. De acordo com pesquisadores do Cepea, os negócios permaneceram pontuais ao longo do período, em meio à dificuldade de conciliação entre as expectativas das duas pontas do mercado.
Enquanto vendedores demonstram maior resistência nas negociações, compradores avaliam os preços e a qualidade dos lotes antes de avançar com novas aquisições.
Exportações recuam em agosto, mas avançam no ano
Apesar da cautela no mercado internacional, as exportações brasileiras de algodão em pluma continuam em patamar expressivo.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil embarcou 106,35 mil toneladas de algodão em pluma em agosto de 2026. O volume representa uma queda de 31,4% em relação a julho, mas ficou 37,3% acima do registrado em agosto de 2025.
A redução mensal, portanto, não elimina o desempenho positivo na comparação anual.
No acumulado de janeiro a agosto de 2026, os embarques brasileiros chegaram a 2,075 milhões de toneladas.
O número chama atenção porque o ano ainda está longe de terminar. Restando quatro meses para o encerramento de 2026, o volume acumulado já representa o quarto maior registrado em um ano completo na série histórica da Secex.
O resultado evidencia a força que o algodão brasileiro vem conquistando no comércio internacional e mostra que, mesmo com oscilações mensais, a demanda externa continua sendo um importante canal de escoamento para a produção nacional.
Para os próximos meses, o comportamento das cotações internacionais, a disponibilidade de algodão no mercado brasileiro e a evolução das negociações devem continuar no radar dos agentes. No mercado interno, a oferta mais limitada ajuda a sustentar os preços, enquanto, no exterior, a sequência de quedas mantém os participantes mais seletivos e cautelosos.
O equilíbrio entre esses dois ambientes será determinante para o ritmo da comercialização e das exportações brasileiras até o fim do ano.
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