Agro Mato Grosso
Abandono escolar entre alunos da educação especial cresce 185% em MT, diz TCE

Estudo também apontou a ausência de profissionais de apoio e a falta de atendimento especializado.
O abandono escolar entre estudantes da educação especial na rede estadual de Mato Grosso aumentou em 185%, segundo um levantamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT). O estudo também identificou a ausência de profissionais de apoio para 414 alunos e a falta de Atendimento Educacional Especializado (AEE) em 117 escolas estaduais.
A reportagem procurou a Secretaria Estadual de Educação (Seduc-MT), mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
A pesquisa, divulgada em junho deste ano, avaliou as condições de atendimento de 5.641 estudantes com deficiência, transtorno do espectro autista (TEA), altas habilidades ou superdotação.
Entre os principais problemas apontados, estão:
- Falta de profissionais de apoio escolar: 414 estudantes que necessitam desse acompanhamento estão sem atendimento. Esses profissionais auxiliam os alunos nas atividades diárias, promovendo autonomia, acessibilidade e participação nas atividades pedagógicas.
- Ausência de Atendimento Educacional Especializado (AEE): 117 escolas estaduais não oferecem o serviço, que complementa o ensino regular e busca eliminar barreiras à aprendizagem dos estudantes da educação especial.
- Aumento do abandono escolar: o número de estudantes da educação especial que abandonaram a escola cresceu quase 185%, segundo o levantamento do TCE-MT.
Os dados levaram o TCE a homologar uma nota recomendatória com medidas para aprimorar a política estadual de educação inclusiva. Com isso, a Seduc deve apresentar, em até 90 dias, um relatório à Comissão Permanente de Educação e Cultura (Copec) com as providências adotadas para solucionar os problemas.
O documento deverá conter um cronograma de implementação das medidas, os responsáveis por cada ação e indicadores que permitam acompanhar a execução e os resultados das iniciativas.
Para a Amanda Acerma, mãe de Murilo, de 5 anos, o acompanhamento de um profissional de apoio faz diferença no desenvolvimento e na rotina escolar do filho.
“Ele tem acompanhamento. É fundamental ter uma acompanhante para o desenvolvimento e para o dia a dia dele. Faz toda a diferença. É um momento de aprendizagem, mas ele tem dificuldades, às vezes para escrever ou realizar alguma atividade”, relata.
Agro Mato Grosso
Instituições ambientais recorrem ao STF para anular lei que proíbe pesca comercial por 5 anos em MT

A lei que entrou em vigou em 2024 restringe a captura, o transporte, o armazenamento e a comercialização das principais espécies de peixes de interesse comercial no estado.
Entidades ambientais protocolaram uma petição no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (29), pedindo que seja declarada a inconstitucionalidade da Lei da Cota Zero, em vigor em Mato Grosso desde 2024. O documento foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator das ações que discutem a validade da norma.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
A lei restringe a captura, o transporte, o armazenamento e a comercialização das principais espécies de peixes de interesse comercial no estado.
A manifestação foi apresentada nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) por Instituto Gaia, Instituto Centro de Vida, Fórum Nacional da Sociedade Civil na Gestão de Bacias Hidrográficas e Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso.
Segundo as entidades, não existem evidências técnico-científicas que comprovem que a proibição resultou na recuperação dos estoques pesqueiros desde que entrou em vigor, e gerou impactos econômicos e sociais para comunidades que dependem da pesca.
Na petição, as entidades afirmam que diversos órgãos federais já se manifestaram pela inconstitucionalidade da lei, entre eles a Defensoria Pública da União, a Procuradoria-Geral da República, a Advocacia-Geral da União, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.
As organizações também citam um estudo da WWF-Brasil, que aponta que a Cota Zero pode gerar prejuízos sociais e econômicos de até R$ 187 milhões por ano. O levantamento estima ainda uma perda média anual de R$ 5,85 mil por pescador, o equivalente a cerca de 39% da renda anual desses trabalhadores.
Para as entidades, a legislação impôs uma restrição severa a uma atividade que movimenta a economia de diversas comunidades ribeirinhas, sem atacar os principais fatores que afetam os estoques pesqueiros
As organizações também sustentam que a norma criou um “padrão de exclusão distributiva”, ao concentrar os impactos da política ambiental sobre populações tradicionais “marginalizadas e que atuam reconhecidamente como guardiões do meio ambiente”.
Para as entidades, embora a proteção ambiental seja um objetivo legítimo, a atual política não demonstrou eficácia na recuperação das populações de peixes e, por isso, viola princípios constitucionais como a proporcionalidade, a liberdade profissional e a dignidade das populações tradicionais.
Agro Mato Grosso
STF valida plano para acelerar regularização de imóveis rurais em MT

Projeto prevê agilizar a análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR) com um sistema automatizado e fortalecer a fiscalização ambiental.
O Supremo Tribunal Federal (STF) homologou o plano de Mato Grosso para acelerar a regularização ambiental de imóveis rurais, nesta sexta-feira (26). A decisão, reconhece que o estado atendeu às exigências da Corte ao apresentar medidas para agilizar a análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR).
A medida foi tomada no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 743, que acompanha ações de prevenção e combate aos incêndios na Amazônia e no Pantanal. O STF também homologou o plano do Pará, determinou que a União apresente, em até 20 dias, informações técnicas sobre as bases de dados utilizadas na análise dos cadastros e deu prazo de 30 dias para que os demais estados adequem seus projetos.
Segundo Flávio Dino, Mato Grosso e Pará atenderam às diretrizes definidas pelo Supremo ao apresentarem metas, cronograma, estrutura técnica e ferramentas para execução da política de regularização ambiental.
No caso de Mato Grosso, o ministro destacou a implantação do sistema CAR Digital 2.0, que automatiza a análise dos cadastros, o envio de notificações aos produtores rurais e a integração das informações com as ações de fiscalização ambiental.
A decisão também estabelece que a União será responsável pelos cadastros que incidam sobre terras indígenas e unidades de conservação federais, enquanto os estados continuarão encarregados da análise dos demais registros pendentes.
Agro Mato Grosso
Veja como era a estrutura do garimpo dominado por facção em terra indígena MT

Reportagem acompanhou operação na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, onde facção controla áreas de mineração ilegal, usa ouro para negociar armas e drogas e impõe uma rotina de violência às aldeias.
O Fantástico revelou como o Comando Vermelho expandiu sua atuação ao invadir a Terra Indígena Sararé, no oeste de Mato Grosso, e transformar o garimpo ilegal em uma nova fonte de renda para a facção. A reportagem mostrou que a estrutura montada ia muito além da extração clandestina de ouro: havia túneis escavados com sistema de energia, alojamentos, depósitos de alimentos e equipamentos novos.
As investigações da Polícia Federal apontam que o esquema era altamente organizado e financiado para manter a atividade funcionando em meio à floresta.
Túneis de até 30 m com fiação elétrica
Dentro das minas, os túneis eram largos o suficiente para que uma pessoa conseguisse caminhar em pé em alguns trechos. As galerias se ramificavam por diferentes direções e escondiam poços com até 30 m de profundidade.
Segundo os agentes que acompanham a operação, a construção exigia conhecimento técnico. Nas paredes das minas, ainda era possível encontrar materiais usados para detonações, como explosivos e equipamentos empregados na perfuração das rochas.
Além das escavações, a estrutura contava com tubulações, fiação elétrica e geradores para abastecer tanto a iluminação das minas quanto o funcionamento do maquinário utilizado na extração do ouro.
Durante a vistoria, a equipe encontrou equipamentos praticamente novos, indicando que havia investimento constante para manter a atividade funcionando, mesmo diante das ações das forças de segurança.
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Túneis com energia, depósitos de alimentos e alojamentos: como era a estrutura do garimpo dominado por facção em terra indígena — Foto: Reprodução/TV Globo
Alimentos e base para permanência
Os policiais também encontraram um depósito improvisado com alimentos, como sacos de farinha de trigo e garrafas de vinagre. Para os investigadores, os itens indicam que o local servia como base de permanência dos trabalhadores, que passavam longos períodos dentro do garimpo.
Mesmo com a megaoperação em andamento desde março, os investigadores afirmam que os garimpeiros insistiam em retomar as atividades, repondo motores, mangueiras e outros equipamentos destruídos durante as ações policiais.
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Túneis com energia, depósitos de alimentos e alojamentos: como era a estrutura do garimpo dominado por facção em terra indígena — Foto: Reprodução/TV Globo
Esconderijo para armas e ouro
A estrutura também servia aos interesses do crime organizado. Segundo a Polícia Federal, túneis e galerias eram usados para esconder armas, munições e ouro extraído ilegalmente, dificultando a localização do material durante as operações.
Após mapear a área, a PF destruiu os 33 túneis encontrados no território para impedir que voltassem a ser utilizados. A avaliação dos investigadores é que inviabilizar as minas é uma das formas de enfraquecer a logística do garimpo ilegal e reduzir a capacidade de atuação da facção criminosa que passou a controlar a exploração de ouro na região.
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Túneis com energia, depósitos de alimentos e alojamentos: como era a estrutura do garimpo dominado por facção em terra indígena — Foto: Reprodução/TV Globo
Estrutura em meio à floresta
A Terra Indígena Sararé ocupa cerca de 67 mil hectares e, segundo as autoridades, chegou a concentrar mais de mil pontos de garimpo ilegal. No Garimpo Cururu, um dos principais da região, havia uma estrutura comparada a um pequeno vilarejo, com bares, comércio e farmácia para atender os trabalhadores.
O esquema foi revelado pelo Fantástico, que acompanhou uma megaoperação coordenada pela Casa Civil e por forças federais. Desde março, a ofensiva já apreendeu 153 quilos de ouro e 42 mil litros de óleo diesel, destruiu quase quatro toneladas de explosivos, mais de 800 motores, 31 máquinas de escavação, 200 acampamentos e 33 túneis, além de prender 72 pessoas.
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