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7 de outubro de 2026

Agro Mato Grosso

Valtra: Ganha protagonismo e marcam nova geração de máquinas agrícolas no biocombustíveis 

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Uma tendência que havia sido antecipada na coletiva de lançamento da Agrishow 2026 ganhou materialidade nos estandes da feira e deu pistas sobre uma mudança em curso no desenvolvimento de máquinas agrícolas no Brasil: a aposta nos biocombustíveis como alternativa viável e cada vez mais central para o funcionamento de motores no campo. São tecnologias que buscam conciliar eficiência operacional, redução de custos e menor impacto ambiental.

Segundo a organização da Agrishow, o desenvolvimento desses equipamentos ficou mais acelerado por causa das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que provocam oscilações nos preços dos combustíveis fósseis – o Brasil importa cerca de 30% de seu consumo de diesel, tradicionalmente usado nas máquinas agrícolas. Para João Carlos Marchesan, presidente da feira, o País tem condições de reduzir essa dependência apostando em sua sólida cadeia produtiva de etanol e biodiesel.

Etanol

Um dos destaques foi a apresentação do primeiro motor para tratores movido a etanol da AGCO Power, grupo do qual fazem parte empresas como a Massey Ferguson, a Valtra e a Fendt. O projeto, desenvolvido integralmente no Brasil, está sendo preparado para chegar ao mercado em 2028.

A tecnologia foi concebida ao longo de três anos e passou por mais de 10 mil horas de testes, incluindo aplicações em culturas como cana-de-açúcar e grãos. De acordo com Fernando Silva, coordenador comercial da AGCO, o motor atende a uma faixa de potência entre 200 e 300 cavalos e mantém desempenho equivalente ao do diesel, sem perda de torque ou capacidade de tração.

Além da performance, o apelo ambiental está na ordem do dia. Segundo a fabricante, o uso do etanol, que poderá ser proveniente de qualquer tipo de matéria-prima – como cana, trigo, milho, entre outros – pode reduzir em até 90% as emissões de gases de efeito estufa.

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Outro fator relevante é o impacto econômico. Com as oscilações nos preços do diesel, o etanol surge como opção competitiva, especialmente para produtores com capacidade para fabricá-lo no próprio sítio ou fazenda, o que reduz custos e aumenta a previsibilidade operacional.

A John Deere também desenvolve uma tecnologia a etanol. Trata-se de um conceito de motor que foi revelado, inicialmente, em 2023, durante a Agritechnica, na Alemanha, e depois passou a ser adaptado às condições brasileiras no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Indaiatuba (SP), voltado à agricultura tropical.

Apresentado pela primeira vez no Brasil durante a Agrishow de 2024, o projeto vem avançando. Na edição de 2025 da feira, já aparecia integrado a um trator da linha 8R. Agora em 2026, a companhia deu mais um passo ao exibir o trator equipado com o protótipo do motor acoplado a uma plantadeira, simulando operações reais no campo e reforçando a aplicação prática da solução em diferentes atividades agrícolas.

Dois protótipos operam em áreas de testes no Brasil há cerca de três anos, principalmente nos segmentos de cana-de-açúcar e grãos, setores em que o etanol possui ampla disponibilidade e infraestrutura consolidada. Segundo a empresa, a proposta busca unir sustentabilidade e desempenho, mantendo rendimento semelhante ao diesel por meio de ajustes específicos de software no motor.

 

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Biometano

Trator 'falante' é uma das novidades da Agrishow 2026 em Ribeirão Preto (SP). — Foto: Érico Andrade/g1

Trator ‘falante’ é uma das novidades da Agrishow 2026 em Ribeirão Preto (SP). — Foto: Érico Andrade/g1

A Valtra apresentou um trator equipado com motor movido a biometano, combustível renovável obtido a partir do biogás, que, por sua vez, é gerado na decomposição de matéria orgânica. Esse processo ocorre quando resíduos como esterco, restos de culturas agrícolas, lixo ou subprodutos da indústria se decompõem por digestão anaeróbica, ou seja, sem a presença de oxigênio.

É o primeiro trator a biometano da empresa voltado ao mercado agrícola. A proposta, segundo o diretor de Vendas, Cláudio Esteves, é gerar um ciclo de reaproveitamento. As usinas sucroenergéticas de cana-de-açúcar poderão utilizar a própria biomassa de cana-de-açúcar e de milho para fornecer energia aos veículos que operam em suas lavouras. A previsão é de que, na Agrishow de 2027, a máquina já esteja disponível para comercialização.

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A Valtra apresenta a Série M5: a evolução de um dos tratores mais confiáveis do Brasil, agora com mais tecnologia, eficiência operacional e conforto para o campo.

Diesel verde

A adoção de combustíveis renováveis compatíveis com motores convencionais, como o HVO100, conhecido como diesel verde, também esteve em evidência na Agrishow. A Fendt apresentou um motor preparado para operar com esse tipo de combustível, sem necessidade de modificações estruturais relevantes.

Rodrigo Bezerra, engenheiro de conformidade de emissões da AGCO, explica que essa compatibilidade permite que produtores reduzam emissões de carbono de forma imediata, utilizando combustíveis alternativos em equipamentos já disponíveis no mercado. Ao mesmo tempo, contribui para ampliar o leque de opções energéticas no campo, especialmente em regiões onde o acesso ao etanol ou biometano pode ser mais limitado.

Ainda segundo Guerra, o motor, cujo desenvolvimento começou em 2012, poderá ser adaptado para operar com qualquer tipo de combustível, como etanol, biometano e hidrogênio verde. Por causa dessa e outras funcionalidades, como 25% menos componentes, o que ajuda a reduzir a vibração e o deixa mais estreito, permitindo maior raio de giro, foi eleito o trator de 2026 pela revista britânica Powertrain International, especializada em engenharia de sistemas de propulsão.

Contexto

O avanço dos biocombustíveis nas máquinas agrícolas não ocorre por acaso. É impulsionado por uma combinação de fatores econômicos e ambientais. Se, de um lado, o aumento do custo do diesel pressiona as margens do produtor rural e estimula a busca por alternativas mais baratas e previsíveis, de outro cresce a demanda por práticas mais sustentáveis, tanto por exigências de mercado quanto por compromissos climáticos assumidos pelo setor.

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Nesse contexto, tecnologias que conciliam produtividade e redução de emissões tendem a ganhar espaço. Matheus Pintor, da Bosch, afirma que a possibilidade de gerar créditos de carbono, por exemplo, passa a ser um incentivo adicional para a adoção de soluções baseadas em biocombustíveis.

Por isso, o Brasil, com sua tradição na produção de biocombustíveis, aparece, na visão dos organizadores da feira, em posição estratégica para liderar esse movimento.

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Agro Mato Grosso

Raio mata cabeças de gado em propriedade rural durante temporal em MT

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11 cabeças de gado morreram após um raio atingir uma propriedade rural durante um temporal em Vila Bela da Santíssima Trindade, a 562 km de Cuiabá, nesSa terça-feira (6). O caso ocorreu próximo à Gleba Santa Mônica, na região de fronteira com a Bolívia. As fortes chuvas também provocaram alagamentos, falta de energia e danos em uma ponte no município. Uma descarga elétrica teria atingido a propriedade durante a chuva e matado os animais.

A reporagem entrou em contato com a Prefeitura de Vila Bela da Santíssima Trindade e com a Defesa Civil, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Nas regiões rurais de Capivari e Palmarito, produtores relataram interrupções no fornecimento de energia elétrica. Em algumas propriedades, a falta de energia durou mais de três horas.

A tempestade também causou danos estruturais ao município, danificando e comprometendo a estrutura de uma das pontes que liga a região rural ao perímetro urbano. A ponte precisou de um reparo emergencial para que o acesso não fosse restrito.

Chuva de granizo na Bolívia

Na divisa do municício, do outro lado da fronteira, San Ignacio de Velasco, na Bolívia, também foi atingida pelo temporal. Além da chuva intensa e dos ventos fortes, houve registro de granizo.

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Na região, as rajadas de vento chegaram a aproximadamente 130 km/h. Os ventos aumentaram o risco de queda de árvores, danos em estruturas e interrupções no fornecimento de energia elétrica.

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Agro Mato Grosso

Soja em MT atinge maior preço em dois anos e produtores aceleram vendas

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Saca chegou a R$ 140,85 em setembro, após permanecer abaixo de R$ 100 no início de 2026; Imea estima produção de 48,88 milhões de toneladas na safra 26/27

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Agro Mato Grosso

Dia do Algodão expõe avanço de Mato Grosso na produção e na cadeia da fibra

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Mato Grosso passou a ocupar um espaço cada vez maior na produção brasileira de algodão nas últimas duas décadas. A produção estadual cresceu 267,3% desde o início da série histórica do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), movimento acompanhado pela expansão da área e pelo ganho de produtividade.

Na safra 2007/08, primeiro ciclo acompanhado pelo instituto, foram produzidas 1,99 milhão de toneladas de algodão em caroço em 530 mil hectares. Em 2024/25, o volume chegou ao recorde de 7,32 milhões de toneladas, enquanto a área alcançou 1,55 milhão de hectares.

O avanço ajuda a dimensionar o peso que a cultura passou a ter no estado. E, neste 7 de outubro, Dia do Algodão, os números também mostram que a relevância da atividade não está restrita à produção da pluma destinada à indústria têxtil.

O crescimento ocorreu tanto pela incorporação de novas áreas quanto pela evolução da produtividade das lavouras. O rendimento, que era de 251,27 arrobas por hectare em 2007/08, alcançou 330,25 arrobas por hectare em 2025/26. O resultado representa avanço de 31,4% e estabelece o recorde da série do instituto.

“A partir daquela safra, observamos uma consolidação de um novo patamar produtivo do algodão em Mato Grosso, tanto em área quanto em produção”, explica a analista de algodão do Imea, Cíntia Teixeira, ao apontar a safra 2018/19 como um momento de mudança. Naquele ciclo, a área cultivada ultrapassou 1 milhão de hectares e a produção passou a superar 4,5 milhões de toneladas.

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Produção ganha escala e amplia aproveitamento

A dimensão alcançada pela cotonicultura também se reflete no que acontece depois da colheita. A pluma é apenas uma das partes aproveitadas da planta, enquanto caroço, línter e fibras curtas seguem para diferentes finalidades.

O caroço pode ser transformado em óleo, farelo e torta. O óleo tem utilização na alimentação e também pode servir como matéria-prima para biocombustíveis. Já o farelo e a torta são destinados principalmente à alimentação de bovinos, assim como a casca, utilizada como fonte de fibra.

O beneficiamento também separa o línter, formado pelas fibras muito curtas que permanecem aderidas ao caroço. O material não tem comprimento suficiente para a produção convencional de tecidos, mas pode ser empregado em papel-moeda, filtros, celulose e produtos farmacêuticos.

“São fibras extremamente curtas que permanecem aderidas ao caroço mesmo depois do beneficiamento do algodão. Apesar de não terem comprimento suficiente para a indústria têxtil convencional, elas possuem características que permitem seu aproveitamento em diferentes produtos”, diz Cíntia.

Outras fibras curtas podem ser destinadas à fabricação de sacaria, feltros, mantas, tapetes e materiais de isolamento. Dessa forma, o beneficiamento amplia os destinos da produção e reduz a ideia de que o algodão termina quando a pluma é separada do caroço.

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Cadeia brasileira ganha espaço no mercado mundial

O avanço de Mato Grosso ocorre dentro de uma cadeia que também ganhou espaço no mercado internacional. O Brasil é hoje o maior exportador e o terceiro maior produtor mundial de algodão, conforme dados apresentados pelo programa Sou de Algodão, da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).

A produção nacional está concentrada no Cerrado e ocorre predominantemente em regime de sequeiro, com aproveitamento da água das chuvas. A característica reduz a dependência de irrigação e está entre os aspectos considerados pelo setor nas práticas de produção mais sustentáveis.

Outro ponto é a estrutura da cadeia produtiva. O algodão brasileiro passa por etapas que vão do cultivo ao beneficiamento, com controle de qualidade ao longo do processo. No mercado interno, a fibra é a principal matéria-prima natural utilizada pela indústria têxtil, que consome cerca de 720 mil toneladas por ano.

A certificação também ganhou espaço. Na safra 2024/25, 79% do algodão brasileiro foi certificado pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), criado em 2012 e voltado a critérios socioambientais da produção.

“O algodão, e o algodão brasileiro em especial, carrega uma responsabilidade que vai além da lavoura: ele está presente na roupa que vestimos, na renda que geramos no campo e na cidade e na alternativa concreta que oferecemos frente aos impactos ambientais dos tecidos sintéticos”, afirma Marcio Portocarrero, diretor executivo da Abrapa.

Data coloca fibra natural no centro do debate

A discussão sobre o algodão também passou a envolver a origem dos materiais utilizados pela indústria e os impactos provocados depois do consumo. Nesse cenário, a Abrapa lançou, junto a outras fibras naturais, o movimento “Fim da Linha”, que chama atenção para os microplásticos liberados pelos tecidos sintéticos durante seu ciclo de vida.

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O tema se conecta à campanha “Naturalmente Presente”, do programa Sou de Algodão, escolhida para marcar o Dia Mundial do Algodão deste ano. A data é celebrada em 7 de outubro desde que foi oficialmente proclamada pela Assembleia Geral da ONU, em 2021.

Para Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa, a discussão coloca em lados diferentes os materiais sintéticos e as fibras naturais. “Se os sintéticos representam o fim de um ciclo problemático, o algodão representa uma presença natural, renovável e biodegradável na história do brasileiro”.

Em Mato Grosso, a trajetória das últimas quase duas décadas dá uma dimensão concreta desse mercado. A cultura saiu de uma produção de 1,99 milhão de toneladas para um recorde de 7,32 milhões e passou a combinar escala, produtividade e diferentes possibilidades de aproveitamento.

A estimativa atual aponta para 6,65 milhões de toneladas em 2026/27. Ainda que abaixo do recorde, o volume mantém o estado em um dos maiores patamares de sua história e sustenta a posição de Mato Grosso como principal referência da produção nacional.

Assim, o Dia do Algodão encontra no estado um dos exemplos mais expressivos da transformação da cultura no Brasil: uma atividade que cresceu em área e rendimento, mas que também diversificou os caminhos percorridos pela planta depois que sai da lavoura.

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