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8 de julho de 2026

Agro Mato Grosso

Valtra: Ganha protagonismo e marcam nova geração de máquinas agrícolas no biocombustíveis 

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Uma tendência que havia sido antecipada na coletiva de lançamento da Agrishow 2026 ganhou materialidade nos estandes da feira e deu pistas sobre uma mudança em curso no desenvolvimento de máquinas agrícolas no Brasil: a aposta nos biocombustíveis como alternativa viável e cada vez mais central para o funcionamento de motores no campo. São tecnologias que buscam conciliar eficiência operacional, redução de custos e menor impacto ambiental.

Segundo a organização da Agrishow, o desenvolvimento desses equipamentos ficou mais acelerado por causa das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que provocam oscilações nos preços dos combustíveis fósseis – o Brasil importa cerca de 30% de seu consumo de diesel, tradicionalmente usado nas máquinas agrícolas. Para João Carlos Marchesan, presidente da feira, o País tem condições de reduzir essa dependência apostando em sua sólida cadeia produtiva de etanol e biodiesel.

Etanol

Um dos destaques foi a apresentação do primeiro motor para tratores movido a etanol da AGCO Power, grupo do qual fazem parte empresas como a Massey Ferguson, a Valtra e a Fendt. O projeto, desenvolvido integralmente no Brasil, está sendo preparado para chegar ao mercado em 2028.

A tecnologia foi concebida ao longo de três anos e passou por mais de 10 mil horas de testes, incluindo aplicações em culturas como cana-de-açúcar e grãos. De acordo com Fernando Silva, coordenador comercial da AGCO, o motor atende a uma faixa de potência entre 200 e 300 cavalos e mantém desempenho equivalente ao do diesel, sem perda de torque ou capacidade de tração.

Além da performance, o apelo ambiental está na ordem do dia. Segundo a fabricante, o uso do etanol, que poderá ser proveniente de qualquer tipo de matéria-prima – como cana, trigo, milho, entre outros – pode reduzir em até 90% as emissões de gases de efeito estufa.

Outro fator relevante é o impacto econômico. Com as oscilações nos preços do diesel, o etanol surge como opção competitiva, especialmente para produtores com capacidade para fabricá-lo no próprio sítio ou fazenda, o que reduz custos e aumenta a previsibilidade operacional.

A John Deere também desenvolve uma tecnologia a etanol. Trata-se de um conceito de motor que foi revelado, inicialmente, em 2023, durante a Agritechnica, na Alemanha, e depois passou a ser adaptado às condições brasileiras no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Indaiatuba (SP), voltado à agricultura tropical.

Apresentado pela primeira vez no Brasil durante a Agrishow de 2024, o projeto vem avançando. Na edição de 2025 da feira, já aparecia integrado a um trator da linha 8R. Agora em 2026, a companhia deu mais um passo ao exibir o trator equipado com o protótipo do motor acoplado a uma plantadeira, simulando operações reais no campo e reforçando a aplicação prática da solução em diferentes atividades agrícolas.

Dois protótipos operam em áreas de testes no Brasil há cerca de três anos, principalmente nos segmentos de cana-de-açúcar e grãos, setores em que o etanol possui ampla disponibilidade e infraestrutura consolidada. Segundo a empresa, a proposta busca unir sustentabilidade e desempenho, mantendo rendimento semelhante ao diesel por meio de ajustes específicos de software no motor.

 

Biometano

Trator 'falante' é uma das novidades da Agrishow 2026 em Ribeirão Preto (SP). — Foto: Érico Andrade/g1

Trator ‘falante’ é uma das novidades da Agrishow 2026 em Ribeirão Preto (SP). — Foto: Érico Andrade/g1

A Valtra apresentou um trator equipado com motor movido a biometano, combustível renovável obtido a partir do biogás, que, por sua vez, é gerado na decomposição de matéria orgânica. Esse processo ocorre quando resíduos como esterco, restos de culturas agrícolas, lixo ou subprodutos da indústria se decompõem por digestão anaeróbica, ou seja, sem a presença de oxigênio.

É o primeiro trator a biometano da empresa voltado ao mercado agrícola. A proposta, segundo o diretor de Vendas, Cláudio Esteves, é gerar um ciclo de reaproveitamento. As usinas sucroenergéticas de cana-de-açúcar poderão utilizar a própria biomassa de cana-de-açúcar e de milho para fornecer energia aos veículos que operam em suas lavouras. A previsão é de que, na Agrishow de 2027, a máquina já esteja disponível para comercialização.

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A Valtra apresenta a Série M5: a evolução de um dos tratores mais confiáveis do Brasil, agora com mais tecnologia, eficiência operacional e conforto para o campo.

Diesel verde

A adoção de combustíveis renováveis compatíveis com motores convencionais, como o HVO100, conhecido como diesel verde, também esteve em evidência na Agrishow. A Fendt apresentou um motor preparado para operar com esse tipo de combustível, sem necessidade de modificações estruturais relevantes.

Rodrigo Bezerra, engenheiro de conformidade de emissões da AGCO, explica que essa compatibilidade permite que produtores reduzam emissões de carbono de forma imediata, utilizando combustíveis alternativos em equipamentos já disponíveis no mercado. Ao mesmo tempo, contribui para ampliar o leque de opções energéticas no campo, especialmente em regiões onde o acesso ao etanol ou biometano pode ser mais limitado.

Ainda segundo Guerra, o motor, cujo desenvolvimento começou em 2012, poderá ser adaptado para operar com qualquer tipo de combustível, como etanol, biometano e hidrogênio verde. Por causa dessa e outras funcionalidades, como 25% menos componentes, o que ajuda a reduzir a vibração e o deixa mais estreito, permitindo maior raio de giro, foi eleito o trator de 2026 pela revista britânica Powertrain International, especializada em engenharia de sistemas de propulsão.

Contexto

O avanço dos biocombustíveis nas máquinas agrícolas não ocorre por acaso. É impulsionado por uma combinação de fatores econômicos e ambientais. Se, de um lado, o aumento do custo do diesel pressiona as margens do produtor rural e estimula a busca por alternativas mais baratas e previsíveis, de outro cresce a demanda por práticas mais sustentáveis, tanto por exigências de mercado quanto por compromissos climáticos assumidos pelo setor.

Nesse contexto, tecnologias que conciliam produtividade e redução de emissões tendem a ganhar espaço. Matheus Pintor, da Bosch, afirma que a possibilidade de gerar créditos de carbono, por exemplo, passa a ser um incentivo adicional para a adoção de soluções baseadas em biocombustíveis.

Por isso, o Brasil, com sua tradição na produção de biocombustíveis, aparece, na visão dos organizadores da feira, em posição estratégica para liderar esse movimento.

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Agro Mato Grosso

‘O sojicultor está descapitalizado. A prioridade não é investir, mas conseguir produzir’, afirma Ilson Redivo

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Vice-presidente regional da Aprosoja MT avalia que o Plano Safra não atende às necessidades do setor, critica redução dos recursos e alerta para a dificuldade financeira

O presidente do Sindicato Rural de Sinop e vice-presidente regional da Aprosoja MT da região Norte, Ilson Redivo, avaliou ao Soja News que o Plano Safra 2026/27 ficou abaixo das necessidades do setor produtivo. Segundo ele, embora o governo tenha anunciado um aumento nominal dos recursos, o valor disponibilizado não acompanhou a inflação, reduzindo o poder de compra do crédito rural.

Na avaliação da entidade, os R$ 525 bilhões anunciados são insuficientes para atender à demanda dos produtores. Além disso, Redivo criticou a redução dos recursos destinados ao custeio e à comercialização da produção, justamente a modalidade de crédito considerada mais importante para o atual momento do setor.

“O Plano Safra teve um aumento de recursos, mas esse aumento não cobriu a inflação. Os bilhões anunciados não são suficientes para atender à demanda do produtor”, afirmou. “O principal gargalo hoje é a redução dos recursos para custeio e comercialização. É justamente onde o produtor mais precisa de apoio neste momento”, complementou.

'O Plano Safra 26/27 não corresponde à demanda do produtor rural', diz Redivo

Segundo Redivo, o setor atravessa um período de forte descapitalização após três anos consecutivos de preços baixos das commodities, somados ao aumento dos custos de produção. A alta dos fertilizantes, dos insumos e do óleo diesel, aliada aos reflexos do cenário internacional, reduziu significativamente a margem de lucro dos produtores.

“O produtor está descapitalizado. Após três anos de preços baixos das commodities e aumento dos custos de produção, a prioridade não é investir, mas conseguir produzir”, comentou. “Muitos produtores estão com financiamentos atrasados e sem recursos para cobrir seus compromissos. A alta dos fertilizantes, dos insumos e do óleo diesel reduziu a margem de lucro da atividade.”

O diretor afirmou que, diante desse cenário, muitos agricultores enfrentam dificuldades para manter a atividade e honrar seus financiamentos. Para ele, ampliar os recursos para investimentos, enquanto se reduz o crédito para custeio, não atende à realidade vivida no campo.

“O produtor é eficiente da porteira para dentro, mas fica vulnerável às ações governamentais e ao cenário internacional, que impactam diretamente os custos de produção e a rentabilidade da atividade”, concluiu.

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DDG ganha espaço no mercado e amplia oportunidades para a cadeia do milho em MT

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O subproduto avança como alternativa para fortalecimento da sustentabilidade no agronegócio

Os grãos secos de destilaria ou também conhecidos como “Distillers Dried Grains” (DDG), subproduto gerado a partir da produção de etanol de milho, têm ganhado cada vez mais relevância no cenário agroindustrial brasileiro ao agregar valor à cadeia do milho e fortalecer a economia dentro do agronegócio.

O crescimento do DDG acompanha a expansão da indústria do etanol de milho no estado, que hoje concentra grande parte das usinas em operação no país. Esse movimento fortalece a integração entre agricultura e pecuária, oferecendo aos produtores uma alternativa estratégica de alimentação animal com alto valor proteico e energético, ao mesmo tempo em que amplia a competitividade da cadeia produtiva.

Para o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Lucas Costa Beber, a abertura de novos mercados e a consolidação do DDG como produto comercial reforçam a tendência de valorização desse coproduto nos próximos anos.

“Ano passado, a China abriu o mercado para a importação do DDG brasileiro, e eu tenho uma visão de que ele vai ganhar espaço ao lado do farelo de soja. Existe uma discussão sobre qual será o principal produto brasileiro nesse cenário, e eu acredito que essa mudança é inevitável. Também não há como deixar de considerar o aspecto mercadológico e de sustentabilidade”, salientou.

O presidente também destacou que o sistema produtivo brasileiro, especialmente em Mato Grosso, reúne características que tornam a cadeia do milho e seus derivados uma das mais sustentáveis do mundo.

“Pesquisas mostram que, no sistema soja-milho em sucessão, há um balanço positivo, com sequestro médio de cerca de 1,9 tonelada de carbono. Além disso, a soja, por ser uma leguminosa, realiza a fixação biológica de nitrogênio, e cerca de um terço do nitrogênio aproveitado pela cultura vem desse processo. No caso do milho, grande parte do nitrogênio utilizado também é beneficiado por essa dinâmica, o que torna a produção, incluindo o etanol de milho, uma das mais sustentáveis do mundo, assim como a produção de carnes de frango e suína. Diante dessa concorrência e evolução do mercado, a tendência é que, no futuro, o milho ganhe ainda mais relevância, especialmente na produção de combustíveis mais limpos e de alta qualidade”, explicou Lucas Costa Beber.

O setor já consome cerca de 20 milhões de toneladas de milho por ano para a produção de aproximadamente 10 bilhões de litros de etanol, volume que representa cerca de um quarto de toda a produção nacional do biocombustível. Somente em Mato Grosso, as usinas consomem aproximadamente 13,5 milhões de toneladas de milho anualmente, demonstrando a importância dessa indústria para a economia regional.

Na avaliação do conselheiro fiscal da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Luiz Otavio Tatim, o avanço do DDG representa uma oportunidade importante para diversificar a cadeia produtiva do milho e ampliar a geração de valor dentro da propriedade rural.

“O crescimento das usinas de etanol de milho e da produção de DDG no Brasil é muito positivo, principalmente para Mato Grosso. Esse movimento ampliou significativamente a demanda pelo grão, contribuindo para maior estabilidade dos preços recebidos pelos produtores e reduzindo a dependência exclusiva das exportações. Em vez de exportarmos apenas matéria-prima, transformamos o milho em combustível renovável, proteína animal e desenvolvimento regional, gerando empregos, renda e investimentos no interior do país. O etanol de milho contribui para uma matriz energética mais sustentável e para a redução das emissões, mostrando que é possível conciliar segurança alimentar, competitividade do produtor e transição energética em benefício de toda a sociedade”, avaliou.

Hoje, Mato Grosso já produz cerca de 3 milhões de toneladas de DDG por ano e as usinas consomem aproximadamente 13,5 milhões de toneladas de milho, consolidando uma nova dinâmica econômica para o setor. Segundo o conselheiro da Abramilho, o DDG pode ampliar a competitividade da cadeia do milho e consolidar o estado como referência nacional nesse mercado.

“Esse modelo agrega valor dentro do próprio estado, gera empregos, atrai investimentos e reduz a necessidade de transportar insumos por longas distâncias. A integração entre lavoura, pecuária e bioenergia é uma das grandes vantagens competitivas do Brasil. O produtor deixa de depender exclusivamente da venda do grão e passa a participar de uma cadeia mais diversificada, resiliente e sustentável. Acreditamos que Mato Grosso reúne todas as condições para se consolidar como referência nacional nesse modelo, mostrando que é possível produzir alimentos, proteína animal e energia renovável de forma complementar e com geração de riqueza para o interior do país”, pontuou Luiz Otavio Tatim.

Com a crescente demanda por coprodutos voltados à alimentação animal, o DDG se consolida como uma alternativa estratégica para o agronegócio mato-grossense. Além de agregar valor ao milho, o produto fortalece a integração entre lavoura e pecuária, amplia mercados e posiciona Mato Grosso como protagonista em uma cadeia cada vez mais alinhada à eficiência produtiva e à sustentabilidade.

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Agro Mato Grosso

Fendt oferece crédito em dólar para compra de máquinas

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Linhas de financiamento também estão disponíveis em euro para aquisição de equipamentos agrícolas

Em um cenário de margens apertadas e volatilidade no preço das commodities, a Fendt, fabricante alemã de máquinas e inovações agrícolas de alta tecnologia, destaca suas linhas de crédito em moeda estrangeira (dólar e euro). A iniciativa tem como objetivo oferecer ao produtor rural alternativas atrativas que visam transformar a aquisição de alta tecnologia agrícola em um investimento mais rentável e estratégico.

Para o ciclo 2025/2026, o grande desafio do campo não é apenas produzir mais, mas gerir melhor os custos de capital. Diante do encarecimento das linhas de crédito em real, o crédito em dólar apresenta um custo financeiro mais atrativo e permite o chamado “hedge natural”, em que o produtor que recebe pela sua safra em moeda estrangeira, liquida suas parcelas na mesma base monetária, eliminando o risco de descasamento de caixa.

De acordo com Julio Hercules, gerente comercial da AGCO Finance, banco da fábrica, entre os principais atrativos da linha de crédito em moeda estrangeira estão as taxas de juros mais competitivas e os prazos estendidos, que contribuem para mitigar os impactos das oscilações cambiais ao longo do financiamento.

Quando alinhada ao fluxo de receitas em moeda estrangeira, essa modalidade ajuda a preservar o poder de compra e o equilíbrio do contrato. “Como o produtor vende sua safra com base no preço do dólar, ele possui uma proteção natural contra a variação cambial. Se o dólar sobe, a dívida da máquina encarece, mas a safra dele também passa a valer mais. O risco cambial, portanto, tende a ser neutralizado”, ressalta Hercules.

O executivo destaca ainda a tecnologia de ponta como ativo para o produtor, “pois esse tipo de linha de crédito facilita o acesso a equipamentos como o maquinário da Fendt, cujos ganhos de eficiência operacional compensam o investimento em poucas safras”.

Além disso, o produtor dispensa a espera e a dependência de linhas de crédito estatais. “O recurso é do banco de fábrica, disponível imediatamente, direto na concessionária, sem venda casada ou burocracia bancária tradicional”, finaliza Hercules.

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