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14 de agosto de 2026

Sustentabilidade

Ceema/Soja: USDA eleva estimativas de oferta, demanda chinesa oscila e STF valida moratória – MAIS SOJA

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A cotação da soja, para o primeiro mês cotado, voltou a recuar em parte da semana, chegando a US$ 11,47/bushel no dia 11/08. Já a partir do dia 12/08, após o anúncio do relatório de oferta e demanda do USDA, o mercado subiu. Com isso, o fechamento desta quinta-feira (13) ficou em US$ 11,68/bushel, contra US$ 11,57 uma semana antes.

O relatório do USDA foi até baixista para o mercado, pois aumentou mais um pouco a estimativa de colheita nos EUA, colocando a mesma em 123 milhões de toneladas, contra 121,8 milhões em julho. Ou seja, o clima quente e seco de julho não teria provocado quebras na safra estadunidense. Os estoques finais nos EUA, para o ano 2026/27, subiram um pouco, chegando a 8,7 milhões de toneladas estimadas. Por sua vez, a produção mundial aumentou para 442,2 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais globais ficariam em 124,2 milhões de toneladas.

A demanda por importação, por parte da China, foi mantida em 115 milhões de toneladas, enquanto a produção brasileira e argentina foi mantida em 186 milhões e 50 milhões de toneladas respectivamente. Assim, o preço médio aos produtores estadunidenses de soja ficou mantido em US$ 11,40/bushel para o novo ano comercial.

Por outro lado, no dia 09/08 as condições das lavouras de soja dos EUA haviam recuado para 62% entre boas a excelentes, contra 68% no mesmo período do ano passado. Apesar disso, a formação de vagens chegava a 74% da área semeada, contra a média de 69%. Isso significa que o desenvolvimento das lavouras, neste ano, está mais adiantado.

Enquanto isso, as exportações de soja, por parte dos EUA, chegaram a 399.000 toneladas na semana encerrada em 06/08, fato que levou o acumulado do atual ano comercial a 39,8 milhões de toneladas, representando 18% abaixo do volume exportado no mesmo período do ano passado.

Pelo lado da demanda, a China registrou recuo de 1,6% nas suas importações de soja em julho, em relação ao mesmo mês do ano anterior, com o volume ficando em 11,48 milhões de toneladas (cf. Alfândega Chinesa). As compras recuaram devido a expectativa de menor demanda por ração, diante da diminuição do rebanho de matrizes suínas. Assim, entre janeiro e julho as compras chinesas de soja atingiram a 61,05 milhões de toneladas, registrando um aumento de apenas 0,7% sobre o mesmo período do ano anterior. Talvez este quadro melhore diante da retomada das compras de soja dos EUA. Nos primeiros seis meses do ano a China comprou apenas 9,31 milhões de toneladas do país norte-americano. O problema é que, diante da redução no consumo de ração, os estoques de farelo de soja estão se acumulando no país asiático.

Em tal contexto, a empresa estatal chinesa Sinograin teria vendido mais 516.000 toneladas de soja importada, em um terceiro leilão nas últimas semanas, visando liberar espaço nos estoques para a entrada da soja estadunidense, a qual está sendo comprada em função dos acordos comerciais entre EUA e China. Segundo os chinesas, a soja leiloada era originária das safras 2022 a 2024.

E no Brasil, os preços se mantiveram relativamente estáveis, embora o Real tenha sofrido uma desvalorização que o colocou em R$ 5,19 por dólar durante o pregão da quinta-feira (13) e os prêmios se mantenham ao redor de US$ 1,50/bushel para agosto. Assim, no Rio Grande do Sul as principais praças permaneceram em R$ 123,00/saco, enquanto nas demais praças nacionais os valores oscilaram entre R$ 122,00 e R$ 131,00/saco. Vale destacar que o valor FOB, nos portos, continuou entre R$ 145,00 e R$ 155,00/saco. Ou seja, os preços continuam próximos dos melhores níveis do ano, fato que leva a um avanço na comercialização da soja por parte dos produtores brasileiros.

Em Rio Grande, a soja 2026, “com entrega entre outubro e novembro, e pagamento em janeiro/27, esteve a R$ 151,50/saco. E se o pagamento for em 25 de maio, chega a R$ 157,00 por saco. Para a soja 2027, os indicativos variam de R$ 138,50 a R$ 144,00/tonelada, também a depender dos prazos de pagamento e entrega” (cf. Brandalizze Consulting). E

m condições iguais de câmbio e prêmio, o preço ao produtor de soja gaúcho, na próxima safra, a partir desta realidade no porto, tem indicativo de R$ 106,00 a R$ 110,00/saco. Enfim, o STF, nesta semana, reconheceu a legalidade da Moratória da Soja. Esta Moratória é um pacto voluntário, firmado em 2006, entre empresas exportadoras (tradings), indústrias e organizações civis, pelo qual estaria proibido a compra de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas após julho de 2008, mesmo que o desmatamento ocorra dentro dos limites permitidos pelo Código Florestal.

O setor produtivo, diante disso, argumentava que o acordo restringe a produção legal autorizada pelo Código Florestal e gera prejuízos bilionários ao comércio, exigindo indenizações. Já os ambientalistas defendem que a iniciativa foi essencial para reduzir drasticamente o avanço do desmatamento na floresta amazônica ao impor uma barreira comercial. O STF entendeu que o setor privado tem autonomia para definir critérios comerciais e escolher de quem comprar.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).


FONTE

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ

Site: Ceema/Unijuí

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Sustentabilidade

Ceema/Milho: Cotações em Chicago reagem ao USDA e Mato Grosso finaliza safrinha recorde – MAIS SOJA

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O primeiro mês cotado, em Chicago, após recuar para US$ 4,36/bushel no dia 11/08, subiu para US$ 4,57 no dia 12/08, após o anúncio do relatório de oferta e demanda do USDA. Já o fechamento do dia 13/08 (quinta-feira) registrou novamente um recuo, ficando em US$ 4,48/bushel, contra US$ 4,39 uma semana antes.

O relatório manteve, para 2026/27, a estimativa da safra estadunidense em 406 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais ficaram em 42 milhões, com um recuo de quase 3,5 milhões de toneladas sobre julho. Em termos mundiais, o volume a ser colhido aumentou dois milhões de toneladas, atingindo a 1,299 bilhão de toneladas, enquanto os estoques finais globais sofreram um pequeno recuo, para 274,7 milhões de toneladas. A produção brasileira de milho está projetada em 139 milhões de toneladas e a da Argentina em 55 milhões. Com isso, o preço médio ao produtor do cereal nos EUA registraria US$ 4,50/bushel neste novo ano comercial.

Dito isso, as condições das lavouras de milho nos EUA, em 09/08, recuaram para 61% entre boas a excelentes, contra 72% no mesmo período do ano anterior. Enquanto isso, os embarques de milho pelos EUA, na semana encerrada em seis de agosto, atingiram a 1,74 milhão de toneladas, levando o total acumulado no ano a 79,02 milhões, ou seja, 25% acima do registrado em igual período do ano anterior. Naquela semana, tais embarques foram historicamente os melhores, para uma semana de agosto. A Espanha foi o principal destino, representando 21% do total exportado pelos EUA em milho.

Ainda no exterior, a França aponta que sua produção de milho deverá recuar 35% em 2026 diante dos problemas climáticos vividos pelo país. Com isso, o volume a ser colhido cai para 9 milhões de toneladas, sendo este o mais baixo desde 1980. Já analistas privados estimam uma safra ainda menor, ficando ao redor de 6,9 milhões de toneladas, ou seja, a menor desde 1976 (cf. Argus Media). A produção francesa de trigo igualmente será menor, devendo cair 4% em relação ao ano anterior, ficando em 31,9 milhões de toneladas. Já a produção de canola foi revisada para cima, podendo alcançar 4,7 milhões de toneladas (2% acima do registrado no ano anterior) e a de girassol ficando em apenas 1,4 milhão de toneladas, sendo este o menor volume desde 1980.

E aqui no Brasil, os preços do milho pouco oscilaram, mais uma vez. No Rio Grande do Sul as principais praças trabalharam com valores de R$ 58,00/saco, enquanto no restante do país os preços oscilaram entre R$ 45,00 e R$ 62,50/saco.

Dito isso, as exportações brasileiras de milho começam a acelerar em agosto. Segundo a Secex, após o Brasil ter exportado 1,94 milhão de toneladas do cereal em julho/26, contra 2,4 milhões em junho do ano passado, deixando a média diária 20,2% abaixo da média de julho/25, para agosto a projeção é de vendas externas muito maiores. O mês iniciou já com 2,5 milhões de toneladas nomeadas para exportação. Isso demonstra que, a partir de agora, as exportações estão realmente disputando milho com a demanda interna. Nos quatro primeiros dias úteis de agosto o país já exportou 481.000 toneladas, sendo 72.000 para o Vietnã, outras 79.000 para a Arábia Saudita, e 75.000 toneladas para a China, demonstrando que o milho brasileiro está competitivo no mercado mundial (cf. Agrinvest).

Também aqui a Espanha aparece como um importante comprador para o conjunto do ano. O mercado chega a considerar que, se a Espanha comprar mais de 600.000 toneladas em agosto, o total a ser exportado pelo Brasil, no atual ano comercial, tenderá a ultrapassar as 40 milhões de toneladas.

Lembrando que o relatório do USDA, deste dia 12/08, aponta exportações brasileiras do cereal em 44 milhões de toneladas para 2026/27. Enfim, a colheita da safrinha de milho 2026, no Centro-Sul brasileiro, teria atingido a 79% da área semeada no dia 06/08, contra 88% um ano antes (cf. AgRural). Já o Mato Grosso, maior produtor nacional de milho e soja, chega ao final da colheita da safrinha estimando um volume de 57,4 milhões de toneladas, com alta de 3,5% sobre o ano anterior. A área total plantada ficou em 7,43 milhões de hectares, com alta de 2,4% sobre o ano anterior, e a produtividade média estável em 128,7 sacos/hectare.

A demanda, sustentada pelas usinas de etanol, chegaria a 57,2 milhões de toneladas em 2025/26, sendo que o consumo interno ficaria em 22,1 milhões de toneladas, com alta de 9,1% sobre o ano anterior. Já as vendas para outros Estados brasileiros chegaria a 11 milhões de toneladas, com 6,2% de aumento sobre o ano anterior. Com isso, o Estado projeta exportar 1,1% a menos neste ano, com o volume ficando em 24,1 milhões de toneladas. Por outro lado, os produtores de milho do Mato Grosso encerraram julho com 64,3% da safra 2025/26 vendida.

Já para a safra 2026/27 a comercialização atingiu a 10,6% do volume a ser colhido. Para a soja, a safra 2025/26 alcançava 93,1% vendida e, para a safra 2026/27, as vendas da oleaginosa atingiam 30,2% de forma antecipada (cf. Imea).

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).


FONTE

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ

Site: Ceema/Unijuí

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Ceema/Trigo: Chuvas no sul ameaçam qualidade e custo de importação pressiona moinhos no Brasil – MAIS SOJA

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A cotação do trigo, para o primeiro mês, após cair para US$ 6,30/bushel no dia 11/08, se recuperou e fechou a quinta-feira (13) em US$ 6,52, contra US$ 6,31 uma semana antes. O relatório de oferta e demanda do USDA, anunciado no dia 12/08, trouxe uma leve redução na produção e nos estoques finais estadunidenses para 2026/27. No primeiro caso, o volume estimado é de 41,7 milhões de toneladas (um recuo de 23% sobre o ano anterior) e, no segundo caso, o volume é de 19,5 milhões (uma queda de 22% sobre o ano 2025/26). A produção mundial do cereal, após atingir a 843,4 milhões de toneladas no ano anterior, deverá cair para 819,3 milhões neste novo ano comercial.

Um recuo de 2,8%. Os estoques finais mundiais sobem levemente, atingindo a 273,2 milhões de toneladas. A colheita da Argentina foi mantida em 21 milhões de toneladas e a do Brasil reduzida para 6,1 milhões. Assim, o preço médio estimado ao produtor estadunidense de trigo, neste novo ano comercial, sobe para US$ 6,20/bushel.

Ao mesmo tempo, na semana encerrada em 06/08, os EUA exportaram 421.000 toneladas, atingindo a 3,3 milhões de toneladas exportadas de trigo no atual ano comercial, iniciado em 1º de junho passado. Este volume é 25% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior.

Por sua vez, a colheita do trigo de inverno, nos EUA, atingia a 91% da área no dia 09/08, ficando exatamente dentro da média histórica. Já o trigo de primavera, na mesma data, alcançava 24% de área colhida, contra 19% na média.

Enquanto isso, as exportações russas de trigo, em agosto, tendem a ser as mais baixas em quase uma década. Isso se deve aos problemas de transporte no Mar Negro devido ao recrudescimento da guerra entre Rússia e Ucrânia. Segundo a Sovecon, tais exportações poderão recuar para algo entre 3 a 3,4 milhões de toneladas, o mais baixo volume para um mês de agosto desde o ano 2016/17. Em tal contexto, o volume total a ser exportado pela Rússia, em 2026/27, foi revisto para baixo, devendo atingir a 44,5 milhões de toneladas (cf. Ikar).

Ao mesmo tempo, a Ucrânia reduziu sua previsão de exportação de grãos para a safra de julho a junho de 2026/27 para algo entre 38 a 40 milhões de toneladas, o que representa uma queda de até 12% em relação à projeção anterior, devido aos ataques ao seu centro portuário de Odessa, no sul do país (cf. Reuters).

Já no Brasil, os preços se mantiveram estáveis, com o Rio Grande do Sul registrando valores entre R$ 69,00 e R$ 70,00/saco, enquanto no Paraná os mesmos permaneceram em R$ 75,00.

Dito isso, as vésperas de iniciar uma nova colheita do cereal, o Paraná indica que está prestes a enfrentar o maior déficit de abastecimento de trigo de sua história. Com uma produção estadual projetada em apenas 2,2 milhões de toneladas, diante de uma moagem prevista em 3,85 milhões de toneladas, o Estado terá que recorrer a importações substanciais. Lembrando que o Paraná responde por 30% da produção nacional de farinha de trigo. Além disso, os moinhos vêm de um período de margens apertadas pela dificuldade de repassar a alta do grão para o preço da farinha.

Aliás, a safra brasileira, que era projetada em 7,2 milhões de toneladas no início do ano, deverá ficar entre 5,5 a 5,9 milhões de toneladas. Com isso, o Brasil deverá registrar a maior importação de trigo de sua história neste novo ano comercial. A Argentina segue como a origem mais competitiva pela proximidade logística e pela inserção no Mercosul, mas carrega um problema de qualidade em seu trigo.

A safra atual, que abastece o mercado até novembro, apresenta baixo teor de proteína e de glúten úmido, resultado direto do menor uso de fertilizantes nitrogenados nas lavouras vizinhas, os mesmos que encareceram a produção no Brasil. “E buscar qualidade em outras origens eleva drasticamente os custos. O trigo estadunidense chega a custar cerca de R$ 300,00 a mais por tonelada em relação ao argentino, pressionado pela menor safra dos Estados Unidos desde 1970 e pelo menor saldo exportável registrado desde 1960, segundo a série histórica do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

No Mar Negro, o recrudescimento dos conflitos entre Rússia e Ucrânia, com ataques a navios cargueiros e graneleiros no Mar de Azov e no Mar Negro, inflacionou fretes e seguros marítimos. O Paraguai, parceiro tradicional que costuma enviar trigo ao Paraná, também projeta redução em seu saldo exportável: de 600 mil toneladas no ciclo anterior para no máximo de 350 mil toneladas agora. A única variável que tem amenizado parcialmente o custo das importações é o câmbio.

Com um dólar oscilando entre R$ 5,00 e R$ 5,20, o trigo negociado em dólares fica mais barato em reais. A escalada dos preços internacionais, no entanto, tem eliminado parcialmente esse ganho cambial, resultando em custos de importação mais elevados nesta temporada” (cf. Safras & Mercado).

Além disso, o sul do país volta a enfrentar problemas climáticos, como excesso de chuvas e granizo, acompanhado, agora, de calor e alta umidade, fato que reduz o potencial produtivo do cereal, devendo trazer a colheita final para um volume ainda mais baixo do que o já reduzido número esperado.

Diante disso, as importações brasileiras de trigo e centeio, nestes primeiros dias de agosto, apontam para um volume de 126.200 toneladas, com crescimento médio de 7,7% sobre igual momento do ano anterior. E os gastos com importação, apesar do câmbio favorável, aumentam devido a melhoria dos preços externos. O preço médio obtido até aqui, em agosto, ficou em US$ 241,40/tonelada, contra US$ 231,80 no mesmo período de 2025, ou seja, uma alta de 4,1%. Com isso, a despesa média diária com as compras externas chegou a US$ 6,09 milhões, ante US$ 5,43 milhões há um ano, ou seja, um crescimento de 12,2% (cf. Secex).

Por outro lado, este quadro apertado de oferta em volume e qualidade vem aumentando os preços internos do trigo, mesmo que de forma lenta e insuficiente. Efetivamente, com a necessidade de recompor estoques, compradores vêm elevando gradualmente as ofertas na tentativa de encontrar lotes de melhor qualidade, enquanto vendedores ainda apresentam disponibilidade limitada de trigo da safra 2025 e a colheita 2026 apenas está iniciando.

Enfim, com a produção nacional em queda, estoques restritos e riscos climáticos sobre a nova safra, a evolução das importações deverá ser um dos indicadores importantes para acompanhar o abastecimento e a formação dos preços do trigo no Brasil nos próximos meses, havendo potencial para os preços pagos aos produtores aumentarem mais para o final do ano e início de 2027.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).


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Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ

Site: Ceema/Unijuí

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Sustentabilidade

El Niño, agro e a nova agenda de previsibilidade produtiva – MAIS SOJA

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Por Vinicius Bof Bufon, Pesquisador da Embrapa Meio Ambiente

O possível retorno do El Niño deve ser tratado com atenção pelo agro brasileiro, mas não apenas como um fenômeno climático. O ponto central é que ele chega em um momento no qual o setor já convive com margens mais apertadas, preços de commodities mais incertos, juros elevados, custos relevantes de produção e instabilidade global. A combinação entre clima mais volátil e ambiente econômico mais frágil torna o risco maior.

As previsões mais recentes indicam forte aumento da probabilidade de formação de El Niño em 2026. A NOAA/CPC aponta 82% de chance de El Niño entre maio e julho de 2026; o IRI/Columbia estima probabilidade de 98% para o mesmo período; e a Organização Meteorológica Mundial também indica desenvolvimento esperado do fenômeno a partir de meados de 2026, com impacto sobre padrões globais de temperatura e chuva.

No Brasil, os efeitos não são uniformes. Em parte do Sul, a preocupação costuma estar mais associada ao excesso de chuva, encharcamento, doenças e perda de janelas de plantio, manejo e colheita. Em regiões do Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste, o risco pode estar mais ligado a calor, veranicos, atraso ou irregularidade das chuvas e estresse das lavouras em fases críticas. Para a agricultura, não basta saber se vai chover mais ou menos no ano. O que importa é quando chove, como chove e em que fase da cultura isso acontece.

O evento atual preocupa, mas preocupa ainda mais a possibilidade de sequências de eventos ruins. As projeções climáticas indicam maior exposição a extremos, incluindo secas mais frequentes ou severas em várias regiões, além do aumento de temperatura. Para a agricultura, temperatura mais alta não é detalhe: eleva a demanda de água das plantas, aumenta perdas no solo, intensifica estresse térmico e pode afetar florescimento, enchimento de grãos, qualidade, sanidade e produtividade.

Também cresce o risco de incêndios em períodos de seca e calor. Essa é uma preocupação real do produtor moderno. A visão antiga de que o agricultor usa ou se beneficia do fogo está cada vez mais distante da realidade. Hoje, o fogo é visto como destruição de patrimônio: queima palhada, pasto, lavoura, cercas, máquinas, biodiversidade, matéria orgânica e parte da própria resiliência produtiva da propriedade.

É por isso que o El Niño precisa ser analisado junto com o mercado. Quando os preços estão bons, parte de uma perda produtiva pode ser compensada por receita. Quando os preços estão pressionados, a mesma perda atinge diretamente o caixa, o crédito, a renovação das lavouras, a compra de insumos e a capacidade de investimento. O El Niño é climático, mas seu impacto no agro é também econômico.

Esse aperto ficou mais claro nos últimos anos. O índice de preços de alimentos da FAO ainda estava 18,4% abaixo do pico de março de 2022, e o Banco Mundial projeta nova queda dos preços agregados de commodities em 2026, o quarto ano consecutivo de recuo. Ao mesmo tempo, custos importantes seguiram elevados: o dólar saiu de uma média próxima de R$ 3,3 em 2015 para patamar ao redor de R$ 5,0 nos anos recentes, alta nominal superior a 50%; e o diesel S-10 chegou a R$ 7,16 em maio de 2026, valor próximo do dobro da referência média de R$ 3,62 por litro usada após maio de 2018.

Nesse ambiente, a recomendação de curto prazo não é simplesmente “cortar custo”. Reduzir despesas que protegem a lavoura pode aumentar a vulnerabilidade e sair mais caro depois. O objetivo não deve ser gastar menos por hectare a qualquer custo, mas reduzir o custo por unidade produzida. Em algumas situações, a decisão correta pode ser trocar uma prática que funciona bem em condições ideais por outra que aumente a tolerância da cultura à seca, ao calor, ao excesso de chuva ou à perda de janela operacional.

Mas a gestão emergencial tem limite. As ações realmente estruturantes exigem médio e longo prazo. O agro brasileiro se superou muitas vezes nas últimas décadas, ampliando produção, tecnologia e sustentabilidade. Agora, o momento exige um novo ciclo de decisões: mais planejamento climático, mais previsibilidade, mais eficiência no uso dos recursos e maior proteção da produção contra extremos.

Esse ponto é especialmente importante na irrigação. Sistemas irrigados eficientes não se implantam de uma safra para outra. Exigem diagnóstico, projeto, infraestrutura, energia, adequação das áreas, planejamento financeiro, treinamento de equipes e integração com a estratégia produtiva da propriedade. Irrigação eficiente não é improviso; é infraestrutura de previsibilidade.

O Brasil ainda irriga uma área relativamente pequena diante de seu potencial. O Atlas Irrigação indica 8,2 milhões de hectares equipados para irrigação no país; 35,5% desse total corresponde à fertirrigação com água de reúso, efluentes ou resíduos agroindustriais, sinal de sofisticação, circularidade e sustentabilidade já disponível no Brasil. Ainda assim, é pouco frente ao potencial sustentável estimado para o país, frequentemente apontado em torno de 55 milhões de hectares. Para comparação, China e Índia têm mais de 70 milhões de hectares equipados para irrigação cada uma, e os Estados Unidos têm cerca de 26 milhões de hectares.

A resposta, porém, não é irrigar tudo. Em muitos sistemas, o caminho mais inteligente é lastrear uma fração estrategicamente selecionada da produção com sistemas irrigados eficientes. Essa fração protegida reduz a exposição aos extremos, aumenta a estabilidade do resultado e melhora a gestão da propriedade como um todo. Também não se trata, necessariamente, de repor 100% da demanda hídrica da cultura. Em várias situações, inclusive na cana-de-açúcar, a recomendação técnica é trabalhar com irrigação suplementar ou deficitária bem manejada: aplicar a fração ótima de água, no momento certo, buscando máxima eficiência produtiva, econômica e ambiental.

Essa é uma virada importante. Sistema irrigado moderno não é simplesmente colocar água em uma lavoura conduzida como se fosse sequeiro. É outro sistema de produção. Exige solo bem preparado, escolha adequada de cultivares, nutrição equilibrada, manejo cuidadoso, monitoramento, planejamento da colheita e uso eficiente da água. A tecnologia isolada não resolve. O que resolve é o sistema.

Além da previsibilidade, sistemas mais verticais trazem ganhos econômicos e ambientais. Produzir mais na mesma área, com critério técnico, é uma alternativa objetiva à expansão horizontal sobre novas áreas, inclusive áreas de vegetação nativa. Quando conduzida com boa engenharia, bom manejo e boa agronomia, a verticalização reduz custo unitário, melhora logística, aumenta eficiência no uso da água, dos insumos e da terra, e favorece menor pegada hídrica e de carbono.

Em culturas perenes e semiperenes, há ainda um ponto adicional: o prejuízo de um evento extremo não termina necessariamente quando a chuva volta. Se a planta permanece no campo por vários anos, a perda de vigor, a morte de plantas, a redução de população ou a necessidade de replantio podem gerar efeito cascata por várias safras. Em culturas anuais, esse efeito biológico pode ser menor, mas o efeito financeiro continua: uma safra ruim reduz caixa, posterga investimentos e aumenta a vulnerabilidade do ciclo seguinte.

O El Niño, portanto, deve ser visto como um alerta importante, não como uma sentença. Ele reforça a necessidade de continuar uma trajetória que o agro brasileiro já conhece bem: responder a novos desafios com ciência, tecnologia, gestão e capacidade de adaptação. O próximo passo é ampliar investimentos estruturantes em resiliência climática, para produzir com mais previsibilidade, menor custo unitário e maior eficiência ambiental.

Em um ambiente de commodities, o produtor não controla o preço internacional. O que ele pode controlar é eficiência, risco, custo por unidade produzida e capacidade de atravessar os anos ruins. O novo patamar de competitividade do agro brasileiro será transformar informação climática em decisão produtiva e investimento de longo prazo.

Fonte: Embrapa



 

FONTE

Autor:Por Vinicius Bof Bufon Pesquisador da Embrapa Meio Ambiente

Site: Embrapa

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