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‘Existe saída’, diz advogado sobre leilões de imóveis rurais terem crescido mais de 30%

O endividamento de produtores que atravessaram safras afetadas por eventos climáticos, custos maiores e redução das margens fez com que, em 2025, 14,1 mil imóveis rurais fossem levados a leilão no Brasil, montante que envolveu o total de R$ 78,6 bilhões em operações, conforme dados da plataforma Leilão Imóvel.
Os números representam aumentos de 30,6% na quantidade de propriedades e de 88,9% no valor em relação ao ano anterior.
Para o advogado da HBS Advogados, Frederico Buss, uma dívida vencida não significa que o produtor tenha como únicas alternativas aceitar as condições apresentadas pelo credor ou submeter o patrimônio aos procedimentos de cobrança.
“A definição dos caminhos possíveis depende de uma análise individualizada da operação, das garantias constituídas e das circunstâncias que levaram à dificuldade de pagamento”, salienta.
De acordo com ele, entre os pontos que precisam ser examinados estão a natureza e a finalidade do financiamento, a origem dos recursos, os encargos cobrados e a incidência das normas do crédito rural.
Segundo Buss, também é necessário documentar perdas provocadas por estiagem, excesso de chuvas, enchentes ou outros eventos adversos e verificar a regularidade dos procedimentos de cobrança extrajudicial e judicial.
O tratamento jurídico varia conforme o tipo de obrigação assumida pelo produtor. Operações de crédito rural, Cédulas de Produto Rural (CPRs), Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), contratos com fornecedores e dívidas com cooperativas possuem características próprias, e os mecanismos previstos para o crédito rural não se aplicam automaticamente a todas essas situações.
O advogado lembra que o Manual de Crédito Rural (MCR) prevê hipóteses de prorrogação diante de frustração de safra por fatores adversos, dificuldades de comercialização e problemas de fluxo de caixa decorrentes do acúmulo de perdas em safras anteriores.
De acordo com ele, a medida exige a comprovação da dificuldade temporária para pagamento, a demonstração da necessidade do alongamento e a capacidade do mutuário de cumprir a obrigação nas novas condições.
Prorrogação da dívida
A possibilidade de prorrogação também aparece na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A Súmula 298 estabelece que o alongamento de dívida originada de crédito rural constitui direito do devedor quando preenchidos os requisitos legais, mas isso não significa que qualquer inadimplência gere automaticamente o direito à extensão do prazo.
Com o aumento das propriedades levadas a leilão, Buss aponta que a análise do passivo antes do avanço da cobrança pode ampliar as alternativas disponíveis.
“A atuação nessa fase permite verificar eventual direito à prorrogação ou renegociação, revisar encargos e garantias, reunir documentos sobre perdas de safra e estruturar uma negociação com os credores antes da consolidação da garantia fiduciária, do ajuizamento da execução ou da designação do leilão”, observa o advogado.
Cobrança já em curso
Quando a cobrança judicial já começou, a avaliação passa a considerar também o título executivo, a exigibilidade da obrigação, os encargos aplicados, as garantias e a regularidade dos atos de execução e expropriação.
Para o especialista, o tratamento do endividamento precisa considerar de forma conjunta os aspectos jurídicos, financeiros, agronômicos e patrimoniais de cada produtor.
Segundo o advogado, a análise não deve ter como objetivo apenas adiar o pagamento das obrigações. “O trabalho deve buscar uma reestruturação do passivo compatível com a capacidade de pagamento e com a continuidade da atividade produtiva, observando os direitos do devedor e do credor”, conclui.
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nova regra muda corte de laranjeiras conforme nível da doença

São Paulo adota novas regras para o corte de laranjas contaminadas pelo greening; trata-se de um controle de pragas que incide na plantação conforme a presença da doença em cada município. Nos lugares mais afetados, a eliminação somente é obrigatória às plantas que estejam infectadas e com até três anos de idade. Em locais cuja enfermidade ainda é baixa, todas as árvores devem ser cortadas.
As áreas mais impactadas são Limeira (82,1%), Porto Ferreira (72,43%) e Avaré (69,5%). Diante do levantamento mais recente do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), a regulamentação tem ganhado cada vez mais relevância.
Neste ano (2026), o greening atingiu 48% das plantações de laranja do cinturão formado por São Paulo e pelo Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. Em 2025, havia uma presença de 47,63% nas lavouras.
O crescimento (0,45) foi o menor da última década, o que significa que a disseminação do inseto se tornou morosa, permitindo ao agricultor a renovação dos pomares.
A doença ainda está presente na maior parte das árvores, tornando-se mais severa nas plantas que estão no campo. Contudo, a severidade e a letalidade de tal ocorrência subiu de 22,7% para 27%, de um ano a outro (2025-2026). Nas áreas produtivas, passou de 25,9% para 31%. Isso mostra que, apesar do avanço, parte da safra contaminada apresenta comprometimento maior da copa e da capacidade produtiva.
Manejo
Para o CEO da GiroAgro, Leonardo Sodré, o uso de fertilizantes líquidos de alta concentração é uma das chaves para garantir a competitividade da citricultura brasileira.
“O manejo adequado por meio da utilização de fertilizantes líquidos é o ponto de partida para obter produtividade, qualidade e rentabilidade. Quando aplicados de forma eficiente, os fertilizantes melhoram o desempenho das plantas e ajudam a controlar problemas fitossanitários, garantindo frutos de excelência e fortalecendo a imagem do Brasil como líder mundial na produção de cítricos”, afirma o executivo.
Nas frutíferas com mais de dez anos, a incidência é ainda maior: de 58,43% para 63,27%. Já entre as unidades que têm entre três e cinco anos, caiu de 39,18% para 29,5%. Ou seja, o resultado é mais efetivo em pomares jovens do que nos antigos, devido à eliminação de plantas doentes e ao controle do inseto transmissor.
A regra considera de baixa incidência os municípios cuja plantação apresente até 10% de contaminação. Sendo assim, respeitando a norma paulista, todas as árvores do recinto devem ser arrancadas, impedindo novas brotações.
Em locais cuja incidência é superior a 10%, a eliminação compulsória alcança apenas as plantas sintomáticas que chegam a três anos. Anteriormente, a obrigação se estendia a plantas de até oito anos. Isso aumentava o potencial de perdas econômicas em regiões cujos pomares já apresentavam a doença.
O monitoramento do inseto ainda deve ser realizado a cada 15 dias. Portanto, o agricultor ainda terá de registrar as inspeções, bem como os produtos utilizados, a dosagem e as aplicações.
E a documentação deverá estar disponível para órgão fiscal durante cinco anos. As unidades retidas da lavoura serão custeadas pelo próprio produtor, sem haver indenização pela perda.
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Grunner investe R$ 19,5 milhões em plataforma de máquinas e lança motores a etanol e biometano

A Grunner anunciou investimento de R$ 19,5 milhões em uma nova plataforma de máquinas agrícolas e no lançamento de motores a etanol e biometano. Criada em 2018 pelos irmãos Belei, produtores de cana-de-açúcar de Lençóis Paulista (SP), a empresa afirma que a mudança amplia as alternativas de gestão energética, sobretudo para usinas que já produzem esses combustíveis e podem usá-los nas próprias operações.
Do total anunciado, R$ 4 milhões foram destinados à adoção de uma plataforma específica para aplicação nas máquinas da fabricante. Desenvolvida em parceria com a Mercedes-Benz, a estrutura passa a servir de base para o desenvolvimento e a montagem das soluções agrícolas da companhia.
Até então, os equipamentos utilizavam como ponto de partida uma plataforma concebida originalmente para aplicações rodoviárias e depois customizada pela Grunner para uso no campo. Com a nova arquitetura, a base passa a ser projetada desde a concepção com foco nas características e exigências das operações agrícolas.
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A Mercedes-Benz segue como parceira responsável pela plataforma e pelo fornecimento de motorizações a diesel. A MWM passa a integrar a arquitetura como fornecedora dos motores a etanol e biometano.
Segundo a Grunner, a estratégia amplia o aproveitamento de fontes renováveis geradas dentro das próprias unidades e reduz a exposição às oscilações do diesel nas máquinas usadas intensivamente no campo. O direcionamento é voltado principalmente às usinas que já produzem etanol ou biometano e podem utilizar esses combustíveis na frota própria.
Na nota, o gerente nacional de Vendas e Marketing da Grunner, André Torquetti, afirmou que etanol e biometano ampliam as alternativas para a definição da estratégia energética das usinas. Segundo ele, quem produz o próprio combustível pode avaliar, de acordo com o cenário operacional e econômico, quando utilizá-lo na frota e quando destiná-lo ao mercado.
Com a nova plataforma e a incorporação de motores a etanol e biometano, a Grunner reposiciona sua arquitetura de máquinas agrícolas com foco em operações de campo e em alternativas energéticas para o setor sucroenergético.
Fonte: Estadão Conteúdo
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produtor agrega valor em cada etapa da produção

A produção de milho ganhou uma função estratégica na diversificação dos negócios da família Vesz em Mato Grosso. Em Campo Verde, parte dos grãos é destinada à alimentação do gado, que passa por recria e engorda na própria fazenda antes de chegar ao mercado da família na forma de carne.
Esse modelo integra agricultura, pecuária e comércio em diferentes etapas da cadeia produtiva e é resultado de uma trajetória iniciada em 1984, quando a família chegou à região de Campo Verde. Além da produção rural, o grupo mantém negócios no comércio e estruturou a sucessão familiar ao longo das décadas.
A combinação entre comércio e produção rural acompanhou a trajetória da família desde então. O supermercado surgiu tanto pela necessidade de atender os moradores que chegavam à nova fronteira agrícola quanto pela oportunidade de negócio. Nos primeiros anos, a loja comercializava alimentos, roupas, calçados, bicicletas e outros produtos que eram difíceis de encontrar na região.
A atividade comercial cresceu junto com a chegada de produtores vindos principalmente do Paraná e do Rio Grande do Sul. Muitos traziam recursos para abrir áreas próprias ou arrendadas e precisavam de um local para se abastecer. O supermercado chegou a receber clientes de municípios e fazendas distantes de Campo Verde, em uma época em que as opções de comércio ainda eram restritas.
O início, porém, exigiu adaptações. Sem fornecedores que circulassem pela região, Vitor Vesz precisava viajar até Cuiabá para comprar produtos como mussarela e mortadela. Enquanto um dos irmãos ajudava na abertura das áreas agrícolas, ele ficava mais ligado ao comércio e às compras.
“Eu fui filho de agricultor, neto de agricultor e me criei na roça. Com sete anos, oito anos, a gente já estava trabalhando na roça”, conta Vitor ao Especial Mais Milho, ao recordar a infância no Rio Grande do Sul. A experiência familiar no campo acabou se tornando uma das bases para a expansão dos negócios após a mudança para Mato Grosso.
Da fronteira gaúcha à nova fronteira agrícola
Antes de chegar a Campo Verde, Vitor e a esposa, com quem se casou em 1970, mantinham atividades de comércio e agricultura no Rio Grande do Sul. A decisão de mudar para Mato Grosso ganhou força depois da Guerra das Malvinas, em 1982, que afetou diretamente os negócios da família na região de fronteira com a Argentina.
A desvalorização da moeda argentina reduziu o poder de compra dos clientes que movimentavam boa parte do comércio da família. Mesmo com a loja cheia e uma estrutura já estabelecida, o produtor rural e empresário passou a procurar alternativas para continuar crescendo. As informações sobre a expansão da fronteira agrícola em Mato Grosso ajudaram a direcionar a mudança.
Durante uma viagem, ele recebeu novas referências sobre a região da BR-070 e decidiu conhecer o local. Antes mesmo de retornar ao Sul, ligou para a esposa para contar que havia encontrado uma possibilidade para a família. A resposta dela acabou sendo decisiva: “Se isso for bom para ti, vai ser bom para nós, para a nossa família”.

A família chegou a Campo Verde em 1984 e, desde então, ampliou a atuação tanto no comércio quanto na produção agropecuária. Atualmente, as áreas agrícolas estão concentradas em Campo Verde e também em Juara, onde a família iniciou uma frente mais recente de produção.
Em Campo Verde, são cultivadas soja, milho e algodão. Parte da produção agrícola passou a contar com maior estrutura de logística com a proximidade de uma ferrovia na região. Na Fazenda Brasil, a busca por maior segurança produtiva também levou à implantação de irrigação.
A propriedade conta atualmente com 12 pivôs, que atendem 1,5 mil hectares hectares, além de uma outorga para outros 500 hectares. A irrigação permite produzir milho para consumo, milho destinado à produção de sementes para empresas e outras culturas em uma área em que parte dos solos apresenta maior arenosidade.
Milho conecta lavoura e pecuária
A diversificação ganhou uma função ainda mais direta quando o milho passou a ser utilizado dentro da própria propriedade. Parte da produção é destinada à alimentação do gado, enquanto a outra parcela é comercializada. O sistema também inclui sorgo e milho produzido fora das áreas irrigadas.
Na avaliação de Vitor, a expansão das usinas de etanol de milho em Mato Grosso alterou o cenário para a cultura, ao ampliar as alternativas de comercialização e gerar coprodutos utilizados na alimentação animal. “Essas usinas de etanol que estão vindo para o Mato Grosso nos ajudaram demais a alavancar o nosso milho”, afirma ao Canal Rural Mato Grosso.
Na última safrinha, a Fazenda Brasil alcançou média de 135 sacas de milho por hectare para produção de grãos destinados ao consumo. Em Juara, onde as condições de chuva e solo favoreceram a lavoura, a média no milho chegou a 155 sacas por hectare.

A pecuária também foi incorporada à propriedade a partir de uma iniciativa da própria família. Quando a Fazenda Brasil foi comprada, em 1988, havia apenas cinco vacas e um cavalo. Valtair Vesz, filho mais velho de Vitor, insistiu para que a atividade fosse desenvolvida junto à agricultura.
O trabalho com gado ganhou escala e passou a envolver melhoramento genético, inseminação e confinamento. Segundo Valtair, a propriedade trabalha com animais abatidos antes dos 24 meses e realiza o acabamento do gado na própria fazenda. Cerca de 900 a 1.000 cabeças são abatidas por ano para abastecer o mercado da família.
A integração também permite aproveitar parte do milho produzido na lavoura e resíduos gerados durante o processo de secagem. “A gente transforma o milho em carne e ajuda a agregar muito valor”, resume Valtair.
A escolha pelo Senepol também faz parte da estratégia da pecuária. Valtair destaca a capacidade da raça taurina de trabalhar em condições de campo e o desempenho dos animais no sistema adotado pela propriedade. Para ele, a integração entre lavoura e pecuária tende a continuar avançando dentro da atividade da família.
Gestão familiar e continuidade dos negócios
A divisão das atividades entre os filhos ocorreu de forma gradual. O filho do meio permaneceu ligado ao supermercado, o mais novo assumiu a agricultura e Valtair ficou à frente da pecuária. A filha caçula, Marcele, também participa dos negócios da família, de acordo com Vitor.
A organização passou a ser estruturada por meio de uma holding familiar, com participação definida entre os integrantes. A intenção é manter a gestão conjunta e preparar a continuidade dos negócios para as próximas gerações.
A trajetória também foi construída com apoio financeiro para a expansão das atividades. Vitor conta que, antes da chegada do Sicredi a Campo Verde, a família dependia de instituições financeiras de outras cidades. Posteriormente, participou da formação da cooperativa no município e manteve uma relação de crédito ao longo dos anos.
“Com certeza, a gente sozinho não é ninguém. Tem sempre que ter os parceiros, porque para tocar essa vida tem que sempre ter apoio”, afirma o produtor rural. Segundo ele, o acesso ao crédito foi importante para investimentos em máquinas, estrutura e capital de giro.
A gerente de negócios agro do Sicredi em Campo Verde, Leidiane Freitas, relata que a relação com a família começou ainda na implantação da cooperativa no município. O atendimento, pontua ela, envolve visitas à propriedade e identificação das necessidades de cada produtor para definir as modalidades de financiamento.
A gerente de agência Kely Lewandowski destaca ainda a ligação histórica da cooperativa com o setor agropecuário e a atuação junto à comunidade. No caso da família Vesz, a relação financeira acompanha diferentes momentos da expansão dos negócios, incluindo investimentos ligados à agricultura e à pecuária.
Para Vitor Vesz, a continuidade passa principalmente pela organização dos sucessores e pela manutenção da união entre os integrantes da família. A estrutura societária já foi definida e os filhos participam dos negócios em diferentes áreas.
“Eu tenho muita confiança nesse futuro e talvez nós não vamos acompanhar uma parte desse futuro aí. Mas, como diz o outro, as coisas estão muito bem encaminhado”, afirma.
A perspectiva do produtor rural e empresário, portanto, é de continuidade de um modelo construído desde a chegada a Mato Grosso: comércio, agricultura e pecuária funcionando em diferentes etapas do mesmo negócio e com a participação das novas gerações.
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