Sustentabilidade
MILHO/CEPEA: Cotações têm leves ajustes em meio à cautela de agentes – MAIS SOJA

Os preços do milho no mercado brasileiro registraram apenas pequenos ajustes na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea nos últimos dias. De modo geral, compradores e vendedores vêm mantendo postura cautelosa.
De acordo com o Centro de Pesquisas, após chuvas excessivas nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, agricultores têm avançado com a semeadura, ao mesmo tempo em que seguem preocupados com o clima para os próximos meses, devido aos possíveis impactos do El Niño. Neste contexto, produtores limitam a oferta para negociações no spot.
Pesquisadores do Cepea destacam que, no entanto, a demanda é pontual, pois consumidores relatam ter estoques para o curto prazo. Além disso, eles acreditam que, com a maior disponibilidade atual, a exportação em ritmo lento e os trabalhos de campo avançando nas áreas brasileiras e nos Estados Unidos, produtores possam ter necessidade de venda nas próximas semanas. Consequentemente, isso poderia aumentar o volume de mercadoria disponível para negociações e pressionar os valores.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
Sustentabilidade
Agronegócio registra maior volume histórico de pedidos de recuperação judicial e exige atenção à gestão do endividamento – MAIS SOJA

A recuperação judicial no agronegócio é um mecanismo de reestruturação financeira que permite ao produtor rural ou à empresa reorganizar suas dívidas e buscar condições para manter a atividade em funcionamento. Porém, a atuação de escritórios de advocacia e tomadas de decisões precipitadas estão banalizando esse movimento. O aumento do endividamento no setor tem ampliado a utilização desse recurso. Embora possa ser uma ferramenta legítima de reestruturação, a recuperação judicial não representa uma solução automática para o endividamento e pode gerar impactos sobre credores, fornecedores e sobre a própria oferta de crédito ao setor. O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com 1.990 pedidos de recuperação judicial, maior volume da série histórica iniciada em 2021 e alta de 56,4% em relação a 2024, segundo levantamento da Serasa Experian. No primeiro trimestre de 2026, foram registrados 474 pedidos, aumento de 21,9% na comparação com os 389 casos registrados no mesmo período de 2025.
“A recuperação judicial não pode ser apresentada como uma saída simples ou vantajosa para qualquer situação de endividamento. Quando utilizada sem uma análise criteriosa da capacidade de recuperação da operação, ela pode prolongar o problema, aumentar as perdas dos credores e dificultar o acesso a novas linhas de crédito. Antes de tomar essa decisão, o produtor precisa entender a origem do endividamento, avaliar sua capacidade de geração de caixa e identificar quais medidas podem preservar a atividade produtiva. Não se trata apenas de reorganizar dívidas, mas de criar condições para que o negócio continue funcionando. Antes de judicializar, é importante entrar em contato com a instituição credora, avaliar possíveis alternativas e manter a comunicação direta com os sócios tomadores do crédito”, afirma Pedro Boldrin, CEO do Agrocrédito São Pedro.
A expansão das recuperações judiciais também afeta a disponibilidade de crédito. O aumento da inadimplência e da insegurança sobre a recuperação dos valores emprestados estão levando instituições financeiras a adotar critérios mais restritivos, encarecendo ou reduzindo a oferta de recursos para produtores que precisam financiar plantio, máquinas e insumos.
Confira cinco pontos que Pedro Boldrin destaca para a recuperação judicial no agronegócio:
Identificar a origem do endividamento
O primeiro passo é entender como a dívida foi formada. Crédito rural, financiamentos bancários, fornecedores, aquisição de máquinas, CPRs e outros compromissos possuem características, prazos e garantias diferentes. Mapear o passivo permite identificar os principais pontos de pressão sobre o caixa da propriedade ou empresa.
Avaliar a capacidade real de recuperação da operação
Antes de recorrer à recuperação judicial, é necessário analisar se a atividade continua economicamente viável. Produção, custos, margens, fluxo de caixa, patrimônio e capacidade de geração de receita fazem parte desse diagnóstico. A medida precisa estar baseada em uma perspectiva concreta de recuperação e retomada da produção, e não apenas na tentativa de postergar o pagamento de obrigações.
Mapear dívidas, prazos e garantias
O produtor precisa ter uma visão consolidada dos compromissos financeiros, sabendo de seus deveres em cumprir os prazos de pagamentos assumidos na tomada do crédito. Levantar credores, valores, vencimentos, taxas e garantias ajuda a dimensionar o problema e estruturar uma estratégia de negociação compatível com a realidade do negócio. Em hipótese alguma, o produtor deve terceirizar a administração desse passivo sem que o diálogo com essas instituições tenha sido iniciado. Esse diagnóstico também é importante para preservar a relação com instituições financeiras e demais credores, que dependem de previsibilidade e segurança para continuar oferecendo crédito.
Avaliar alternativas antes do agravamento da crise
A recuperação judicial pode fazer parte de uma estratégia de reestruturação. A análise também pode considerar renegociação de contratos, alongamento de prazos e reorganização do passivo. Buscar alternativas antes da judicialização pode reduzir perdas para as partes envolvidas e evitar que uma crise individual contribua para restringir o crédito disponível para toda a cadeia do agronegócio. A identificação antecipada do desequilíbrio financeiro amplia o espaço para negociação, pois o aumento das recuperações judiciais está restringindo ainda mais o desembolso de crédito no setor.
Preservar a capacidade de produção
A reorganização das dívidas precisa considerar a continuidade da atividade rural. Plantio, aquisição de insumos, mão de obra, manutenção de máquinas e outros custos operacionais continuam existindo durante uma crise financeira. A estratégia de reestruturação precisa preservar o capital necessário para manter o ciclo produtivo. Ao mesmo tempo, é necessário considerar a sustentabilidade da relação com os credores, já que a manutenção de um ambiente de crédito saudável depende do equilíbrio entre a necessidade de financiamento do produtor e a segurança de quem fornece os recursos.
“O produtor não pode olhar apenas para o tamanho da dívida. É preciso entender o fluxo financeiro da operação, os ativos disponíveis, as garantias envolvidas e, principalmente, quanto o negócio consegue gerar para continuar produzindo e cumprir seus compromissos. A recuperação judicial não deve ser tratada como uma solução sem custos. Quando utilizada de forma indiscriminada, pode prejudicar o próprio produtor no longo prazo ao restringir o acesso ao crédito e aumentar a percepção de risco sobre toda a cadeia, uma vez que o capital de terceiros, principalmente dos bancos, é extremamente importante para a cadeia produtiva do setor”, afirma Boldrin.
Fonte: Assessoria de imprensa
Sustentabilidade
Plantio de soja 26/27 ganha ritmo e alcança 3,4% no Brasil; saiba qual estado lidera avanço

O plantio de soja para a safra 2026/27 alcançou 3,4% da área estimada no Brasil até quinta-feira (24), segundo levantamento da AgRural. Na semana anterior, o índice era de 1,2%. No mesmo período do ano passado, o percentual chegava a 3,2%.
O Paraná segue na liderança dos trabalhos de campo, apesar do excesso de chuva registrado em algumas regiões. Em Mato Grosso, o plantio ainda avança de forma mais lenta devido à distribuição irregular das precipitações.
Além dos dois principais Estados produtores, também há trabalhos pontuais de semeadura em Rondônia, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Milho
No milho, o plantio da primeira safra do ciclo 2026/27, conhecido como milho verão, atingiu 34% da área estimada para o Centro-Sul do país até quinta-feira. O percentual representa avanço em relação aos 27% registrados uma semana antes e também supera os 32% observados no mesmo período do ano passado.
De acordo com a AgRural, o plantio do milho continua concentrado nos três estados da região Sul. Os demais estados do Centro-Sul seguem um calendário de plantio mais tardio.
O avanço das operações no campo ocorre em meio a condições climáticas distintas entre as regiões produtoras, com excesso de chuva em alguns pontos e distribuição irregular das precipitações em áreas como Mato Grosso.
Sustentabilidade
IIPR tem alta de 5,56% em agosto – MAIS SOJA

Esta é a primeira vez que os preços recebidos pelos produtores superam o IPCA Alimentos em 26 meses
Foi divulgado nesta sexta-feira (25/09), pela Assessoria Econômica da Farsul, os Índices de Inflação dos Custos de Produção (IICP) e dos Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR) referentes a agosto de 2026. O resultado indicam importantes sinais de virada de cenário para o campo gaúcho, impulsionados principalmente pelo avanço expressivo no preço do arroz e pela recuperação dos valores pagos aos agricultores.
O grande destaque do mês foi o IIPR, que registrou uma alta expressiva de 5,56%. Com esse resultado, o índice engata a terceira alta consecutiva e retorna ao campo positivo no acumulado de 12 meses, atingindo 4,04%, a primeira taxa positiva desde abril de 2025.
Outro marco apontado pelo relatório é que o IIPR superou o IPCA de Alimentos (3,53%) pela primeira vez em 26 meses. Apesar do alento, a equipe econômica da Farsul pondera que se trata de uma recuperação a partir de uma base bastante deprimida. Em um horizonte de dois anos, o preço recebido pelo produtor ainda acumula queda de 4,8%, enquanto os alimentos pagos pelo consumidor final subiram 11,2% no mesmo período.
Os motores da alta
Entre os produtos que lideraram a alta no campo em agosto, o arroz disparou 16,1% no mês, um ritmo muito acima do padrão sazonal do período. Com isso, o cereal acumula alta de 40,6% no ano, refletindo a precificação do mercado diante de uma expectativa de menor oferta para a próxima safra.
A soja (4,1%) e o leite (2,5%) também registraram avanços importantes, ao passo que o boi gordo renovou o seu patamar nominal recorde. Na contramão, a suinocultura recuou 6,2% no mês devido a um cenário de excesso de oferta no mercado.
Custos de produção em alerta
Do lado dos custos, o IICP subiu 0,24% em agosto, interrompendo uma sequência de duas quedas mensais consecutivas. O índice veio abaixo do padrão histórico para o mês, puxado por despesas ligadas diretamente aos preparativos para a safra, como sementes e royalties (2,9%), irrigação (6,1%) e fungicidas (3,6%). Os fertilizantes e o diesel recuaram no período, contrariando a sazonalidade típica.
No acumulado de 12 meses, o IICP acelerou para 1,65%, com os fertilizantes respondendo isoladamente por 1,39% dessa alta.
Apesar da modéstia na variação mensal dos custos, a Assessoria Econômica da Farsul faz um alerta estratégico para os próximos meses. As recentes altas internacionais no preço do petróleo devem impactar o mercado de fertilizantes. Além disso, o preço do diesel no mercado interno (situado abaixo do custo de importação) tende a sofrer correções em breve, o que deve pressionar diretamente os custos de frete e das operações mecânicas nas lavouras gaúchas.
Confira o relatório completo.
Fonte: Farsul
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