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15 de outubro de 2026

Agro Mato Grosso

Inteligência artificial ganha espaço na engenharia agrícola

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Tecnologia permite testar alternativas de projeto e acelerar o desenvolvimento de máquinas

A inteligência artificial está mudando uma etapa pouco conhecida da agricultura: o desenvolvimento das máquinas que chegam às lavouras. Utilizada por equipes de engenharia para analisar dados, realizar simulações e avaliar diferentes alternativas de projeto, a tecnologia vem ajudando fabricantes a acelerar a criação de tratores, pulverizadores, colheitadeiras e plantadeiras.

Na AGCO, responsável por marcas como Massey Ferguson, Valtra e Fendt, a inteligência artificial passou a fazer parte do processo de desenvolvimento de novos produtos, ao lado de ferramentas digitais já utilizadas pela engenharia. O objetivo é tornar mais ágil a avaliação de soluções e ampliar a capacidade de testar cenários antes mesmo da construção dos primeiros protótipos.

Segundo Paulo Vilela, diretor de Engenharia da AGCO, estudos recentes realizados em ambientes de engenharia e desenvolvimento de software indicam ganhos de produtividade entre 20% e 40% em atividades de análise, simulação e desenvolvimento assistidas por inteligência artificial. Na engenharia de máquinas agrícolas, a tecnologia permite avaliar mais alternativas de projeto, acelerar simulações e antecipar a identificação de potenciais problemas ainda nas fases virtuais do desenvolvimento, reduzindo o tempo necessário para transformar conceitos em soluções para o campo.

Embora a tecnologia esteja ganhando espaço, desenvolver uma nova máquina agrícola continua sendo um trabalho complexo. Um projeto pode levar de três a quatro anos até chegar ao mercado e mobilizar mais de 300 engenheiros, além de especialistas de áreas como manufatura, qualidade, validação, compras, marketing e atendimento ao cliente.

“O desenvolvimento de uma máquina começa muito antes da fase de produção. Ouvimos produtores, estudamos as necessidades das diferentes operações agrícolas e avaliamos diversas possibilidades técnicas até chegar à solução final”, afirma Paulo Vilela.

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Grande parte desse trabalho acontece atualmente em ambientes virtuais. Antes que qualquer componente seja fabricado, engenheiros utilizam modelos digitais para avaliar o comportamento de estruturas, sistemas e componentes em diferentes condições de operação. A inteligência artificial complementa esse processo ao permitir análises mais rápidas de grandes volumes de informações, apoiando decisões ao longo do desenvolvimento.

A participação dos produtores rurais também é fundamental. As equipes coletam informações diretamente no campo para entender desafios enfrentados pelos operadores e identificar oportunidades de melhoria. Essas contribuições ajudam a transformar necessidades práticas em características que serão incorporadas aos novos equipamentos.

Depois das etapas virtuais, começam os testes físicos. Os protótipos passam por avaliações em laboratório e em condições reais de trabalho para verificar desempenho, durabilidade e confiabilidade. Os ensaios reproduzem situações encontradas em diferentes regiões agrícolas do Brasil, considerando fatores como clima, relevo, tipos de solo, poeira, umidade e intensidade de uso.

Em alguns projetos, a validação acumula milhares de horas de operação. Durante os testes, sensores instalados nos equipamentos registram continuamente informações sobre o funcionamento das máquinas. Os dados coletados retornam para as equipes de engenharia, que utilizam essas informações para aperfeiçoar componentes, sistemas eletrônicos e softwares embarcados.

Vale destacar que a inteligência artificial também está presente nas próprias máquinas. Recursos de conectividade, sensores, processamento de imagens e automação permitem que os equipamentos interpretem informações em tempo real e executem operações com maior precisão. O desenvolvimento dessas tecnologias faz parte de uma série de pesquisas voltadas para aumentar a eficiência das atividades agrícolas.

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O Brasil ocupa posição estratégica nesse processo. A AGCO mantém centros de pesquisa e desenvolvimento em Mogi das Cruzes (SP), Canoas (RS) e Ibirubá (RS), responsáveis pela criação e validação de tecnologias para tratores, pulverizadores, colheitadeiras, plantadeiras e motores. Alguns projetos concebidos por equipes brasileiras são produzidos e comercializados globalmente.

“A adoção da inteligência artificial no desenvolvimento de máquinas agrícolas acompanha um movimento observado em diversos setores da indústria. No agronegócio, a tecnologia vem contribuindo para acelerar análises, ampliar a capacidade de testes e apoiar a criação de equipamentos preparados para os desafios de uma agricultura que exige produtividade, precisão e eficiência operacional”, finaliza Vilela.

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Agro Mato Grosso

Dia Internacional da Mulher Rural: Mulheres do campo transformam legado para novas gerações

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Aprosoja MT destaca trajetória de mulheres que ajudaram a abrir espaço para novas gerações na agricultura

Mulheres vão e vêm todos os dias nas lavouras do Brasil, pilotando maquinários, analisando o plantio e a colheita, fazendo pagamentos e todos os trabalhos administrativos de uma propriedade. Muitas delas se inspiraram nas mães ou até tiveram que ser as primeiras mulheres da família a comandar toda a empresa, mas tudo foi possível por causa das mulheres corajosas que iniciaram os trabalhos. Neste dia 15 de outubro, se comemora o Dia Internacional da Mulher Rural, e a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) reforça o compromisso com todas as que já foram, que estão trabalhando e as que ainda se tornarão profissionais do campo.

Para ter hoje muitas mulheres inseridas na agricultura, foi preciso que muitas outras tivessem a coragem de iniciar, como contou a delegada do núcleo de Campo Novo do Parecis, Andreia Cervo Stefanello. Ela explicou que, no início, ficou preocupada em cursar Engenharia Agronômica por ser, na época, uma área predominantemente masculina.

“Quando eu decidi fazer a agronomia, eu sempre tive a vontade de ajudar o pai na lavoura. E sempre tive muito medo de como seria uma mulher em um meio tão masculino como a agricultura. E daí eu descobri que a agricultura, ela não tem preferência por masculino ou feminino, ela tem preferência por apaixonados. E quando eu me vi apaixonada pela lavoura, eu consegui entender que a gente, quando gosta de algo, a gente consegue fazer cem por cento”, afirmou.

A história escrita por ela na agricultura não começou há 30 anos, quando se formou, começou antes mesmo de ela nascer. Andreia contou que a família saiu da Itália nos anos de 1800 e, ao chegar ao Brasil, continuaram as atividades na lavoura, assim como já faziam. Foram longos anos vivendo da terra e aprimorando as técnicas, para chegar aos tempos de hoje.

Apaixonada pelo processo do plantio e dos cuidados com a lavoura, Stefanello afirma que fica muito feliz ao ver os resultados de cada decisão que ela toma no escritório se refletindo no campo. Esse esforço também mostra como o papel da mulher está nos mínimos detalhes e no resultado da safra.

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“Você olha um plantio agora, você entende que aquela semente é uma sementinha que você está plantando para colher um fruto que vai representar todo o teu esforço dentro de um período. E quando eu penso nisso, eu penso também em tantas outras mulheres, mulheres que têm suas próprias histórias, próprias famílias, seus próprios desafios. Mulheres que todos os dias elas estão ali, fazendo parte das decisões, dos planejamentos, cuidando, produzindo, ajudando o campo a seguir em frente. Hoje eu olho para tudo isso e eu sei que existe um pouco de muitas mulheres nessa história. E é por causa de cada uma dessas mulheres, aquelas que já vieram e aquelas que ainda virão, que vale a pena continuar”, disse.

O Dia Internacional da Mulher Rural é uma data para relembrar as pioneiras de cada família que foram corajosas em continuar as atividades no campo, para homenagear as que estão atualmente trabalhando no campo e para incentivar que outras meninas e mulheres sigam seus sonhos. Nenhum presente se constrói sem a presença das mulheres do passado.

“Hoje eu olho para tudo isso e eu sei que existe um pouco de muitas mulheres nessa história. E é por causa de cada uma dessas mulheres, aquelas que já vieram e aquelas que ainda virão, que vale a pena continuar”, finalizou Andreia.

Entre gerações, a coragem de ocupar espaços e seguir trabalhando no campo mantém viva uma história construída por muitas mulheres. São trajetórias que ajudam a transformar a agricultura e mostram que, no campo, o futuro também é construído pelas mãos femininas.

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Agro Mato Grosso

Mercado de defensivos para algodão em MT cresce 14% safra 25/26

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Levantamento da Kynetec aponta movimentação recorde de R$ 8,217 bilhões

A movimentação de defensivos agrícolas para algodão registrou recorde na safra 2025/26, atingindo R$ 8,217 bilhões, ante R$ 7,190 bilhões da temporada anterior (+14%). Na moeda americana, em virtude do câmbio, houve alta de 10% no período, de US$ 1,341 bilhão para US$ 1,478 bilhão. Os dados foram divulgados hoje (14/10) no estudo FarmTrak Algodão, da Kynetec.

De acordo com o especialista em pesquisas da empresa, Felipe Lopes Abelha, dois fatores principais tracionaram os agroquímicos no algodão: o número de tratamentos e o custo dos tratamentos. O primeiro passou da média de 95, em 2024/25, para 107, com variação positiva de 13%. Já o preço médio dos tratamentos subiu 21%, de R$ 3.472 para R$ 4.209.

Conforme Abelha, o indicador PAT ou área potencial tratada, correspondente à soma de todos os tratamentos realizados pelos produtores na safra, alcançou a marca de 209,07 milhões de hectares em 2025/26, contra 196,31 milhões de hectares do ciclo passado, uma elevação de 6%.

Inseticidas seguem na liderança

Importância no mercado – segmentos agrupados; Mercado total | algodão 25/26
Importância no mercado – segmentos agrupados; Mercado total | algodão 25/26

Entre as categorias de produtos, destaca o executivo, os inseticidas seguiram na dianteira do mercado. Ocuparam 50% do total ou R$ 4,119 bilhões, salto de 14% na comparação a 2024/25 (R$ 3,606 bilhões). Ganharam ainda 2% em representatividade em área tratada, para 87.657 milhões de hectares.

Segundo Abelha, os inseticidas aplicados visaram, sobretudo, o controle do bicudo do algodoeiro e de lagartas. O bicudo demandou a média de 18 tratamentos por propriedade, ao custo da ordem de R$ 2 bilhões. As lagartas equivaleram a R$ 928 milhões, 15% acima da safra 2024/25 (R$ 795 milhões). “O segmento de lagartas, conhecidas por ‘pragas de sistema’, que provocam impactos desfavoráveis crescentes à produção, está em franca expansão”, salienta Abelha.

Segunda categoria no ranking de agroquímicos do algodão, a dos fungicidas registrou o maior crescimento proporcional, de 19%, para R$ 1,98 bilhão ou 24% do total do mercado, face a R$ 1,617 bilhão de 2024/25. Esse segmento, acrescenta Abelha, recebeu impulso representativo dos chamados produtos ‘premium’.

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Herbicidas, na terceira posição, apresentaram elevação de 6,3%, perfazendo R$ 1,143 bilhão ou 14% do montante total do mercado, ante R$ 1,075 bilhão de 2024/25.

Somados, nematicidas, produtos para tratamento de sementes e outros obtiveram 12% de participação ou R$ 986 milhões.

Estudo representa 97% da área culutivada no país

Segundo a Kynetec, o levantamento FarmTrak Algodão 2025/26 percorreu quase 270 propriedades e teve origem em entrevistas presenciais com produtores em toda a fronteira agrícola da cultura. A cobertura da pesquisa representa 97% da área cultivada no país, de 1,952 milhão de hectares. Das regiões abrangidas, Felipe Abelha destaca a constatação de uma queda de 8% no plantio de algodão no estado de Mato Grosso, de 1,502 milhão de hectares para 1,376 milhão de hectares.

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Agro Mato Grosso

Etanol de milho: MT projeta crescimento de 18,67% na produção

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Projeção indica crescimento de 18,67% na produção estadual; em Lucas do Rio Verde, representantes da indústria e do setor agropecuário conheceram as operações da FS

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