Agro Mato Grosso
Sumitomo lança TopGrain para soja e milho

Tecnologia à base de ácido abscísico integra nova estratégia de manejo fisiológico da companhia
A Sumitomo Chemical apresentou nesta semana, em São Paulo (SP), o TopGrain, nova solução bioracional desenvolvida para atuar no manejo fisiológico de soja e milho, com foco na fase de enchimento de grãos. O lançamento foi o principal destaque de um encontro que reuniu fisiologistas, produtores rurais e parceiros da companhia nos dias 2 e 3 de setembro para discutir o uso da fisiologia vegetal como ferramenta de manejo.
À base de ácido abscísico, o TopGrain foi desenvolvido para atuar sobre processos metabólicos relacionados à formação e ao enchimento dos grãos. Segundo a Sumitomo Chemical, a tecnologia busca melhorar a eficiência metabólica da planta e favorecer o direcionamento de assimilados para os grãos, especialmente em períodos considerados críticos para a definição da produtividade.
A expectativa apresentada pela empresa é de que o uso da tecnologia possa proporcionar incrementos de produtividade de até 5% em soja e milho. Em situações tomadas como referência pela companhia, esse percentual representaria aproximadamente três sacas adicionais de soja e sete sacas de milho por hectare. Na cultura da cana-de-açúcar, onde a tecnologia já é utilizada há várias safras, o incremento é de quatro a sete toneladas por hectare.
A Sumitomo tem confiança de que os resultados obtidos pelo produtor durante a primeira safra de utilização, sirvam de base para que eles passem a incorporar a ferramenta ao manejo das lavouras nos ciclos seguintes.
Foco no enchimento de grãos
O TopGrain integra o portfólio de manejo fisiológico da empresa e foi direcionado para uma das etapas determinantes na formação da produtividade de soja e milho. Durante o enchimento de grãos, condições como altas temperaturas e restrição hídrica podem interferir na capacidade da planta de sustentar o desenvolvimento dos grãos.
De acordo com a companhia, o produto atua na eficiência metabólica e na translocação de assimilados, favorecendo o transporte de açúcares para os grãos. A proposta inclui ainda preparar a planta para utilizar de forma mais eficiente a água disponível em períodos críticos e os principais nutrientes absorvidos do solo.
“O TopGrain representa na prática aquilo que estamos propondo com a fisiologia, ou seja, olhar para a planta, entender o que acontece em cada fase do seu desenvolvimento e criar uma tecnologia específica para atuar naquele processo. No caso de soja e milho, estamos direcionando a solução para o enchimento de grãos, uma etapa determinante para o resultado final da lavoura”, afirmou Henrico Bizão, gerente de BioRacionais Brasil da Sumitomo Chemical.
A tecnologia utiliza o ácido abscísico dentro dessa estratégia de manejo. O objetivo apresentado pela empresa é atuar sobre o funcionamento da planta para melhorar sua capacidade de converter os recursos disponíveis em produção de grãos, buscando maior estabilidade diante de condições ambientais desfavoráveis.
Fisiologia entra na estratégia de manejo
O lançamento ocorre em um momento em que a Sumitomo busca ampliar o espaço do manejo fisiológico dentro de seu portfólio de bioracionais. A proposta é integrar esse tipo de tecnologia às práticas já utilizadas nas lavouras, e não substituir ferramentas de proteção de cultivos ou outras estratégias agronômicas.
“A fisiologia não substitui as tecnologias que já transformaram o campo, mas integra esse conhecimento e acrescenta uma nova dimensão ao manejo: entender melhor a planta para ajudá-la a expressar seu potencial produtivo”, explicou Luciano Jaloto, diretor de Marketing Brasil da Sumitomo Chemical.
Segundo o executivo, a maior frequência de condições ambientais adversas e a necessidade de explorar de forma mais eficiente o potencial genético das cultivares e híbridos estão ampliando a atenção sobre os processos fisiológicos das culturas.
Na prática, esse manejo procura interferir em processos relacionados ao aproveitamento de água e nutrientes, desenvolvimento vegetativo, formação dos componentes de rendimento e respostas da planta a situações de estresse.
O tema orientou o encontro realizado pela companhia em São Paulo, com o conceito “Nova Onda da Agricultura – Máxima Potência através da Fisiologia”. Além da programação presencial, com palestras, painéis, mesas-redondas e apresentação de experiências de campo, o evento teve transmissão para 85 pontos distribuídos em 14 estados brasileiros.
Mercado de bioracionais avança no Brasil
A aposta em manejo fisiológico ocorre dentro de um mercado de bioracionais que vem apresentando crescimento acima de outros segmentos da agricultura. Conforme dados apresentados pela Sumitomo Chemical durante o encontro, esse mercado tem avançado, em média, cerca de 15% ao ano no Brasil.
Na operação brasileira da própria companhia, o faturamento obtido exclusivamente com produtos classificados como bioracionais cresceu 17% em 2025, depois de registrar expansão de 14% em 2024. Atualmente, o Brasil responde por 76% das vendas da categoria realizadas pela Sumitomo Chemical na América Latina.
O desempenho faz parte de uma estratégia mais ampla de expansão da companhia. A Sumitomo projeta crescimento entre 7% e 8% em 2026 e trabalha com a meta de dobrar de tamanho até 2030.
“O Brasil ocupa uma posição estratégica nessa expansão porque reúne uma agricultura tecnificada, diversificada e cada vez mais aberta à integração de diferentes ferramentas para proteger e potencializar o desempenho das culturas”, afirmou Alexandre Pires, diretor-geral Brasil da Sumitomo Chemical.
A empresa utiliza a denominação BioRacionais para um portfólio que reúne diferentes tecnologias, incluindo produtos de biocontrole, microrganismos, substâncias de origem natural, reguladores de crescimento e soluções direcionadas ao manejo fisiológico das culturas.
Mais de seis décadas de desenvolvimento
A atuação da Sumitomo Chemical nesse segmento tem origem em tecnologias desenvolvidas há mais de seis décadas. Em 2000, a companhia ampliou sua presença na área com a aquisição global do negócio de produtos agrícolas e de saúde pública da Abbott, incorporando ao portfólio produtos como o regulador de crescimento ProGibb, lançado originalmente em 1962, e o bioinseticida DiPel, de 1971.
Mais recentemente, em 2025, a Valent BioSciences passou a se chamar Sumitomo BioRational Company, movimento inserido na estratégia global de consolidação dessa área de negócios.
A companhia informa investir 7,5% de seu faturamento global em pesquisa e desenvolvimento. Na área de proteção de cultivos, a estrutura de pesquisa avalia aproximadamente 150 moléculas por semana, ou cerca de 7,8 mil por ano, e registra, em média, o lançamento de um novo ativo a cada dois anos.
Parte das pesquisas relacionadas aos bioracionais é concentrada no Centro Global de Excelência para Inovação em BioRacionais, localizado em Libertyville, Illinois, nos Estados Unidos. O centro trabalha com soluções biológicas, microrganismos, extratos naturais, reguladores de crescimento e tecnologias voltadas à fisiologia vegetal.
Integração com o manejo convencional
A estratégia apresentada pela Sumitomo não trata produtos químicos e bioracionais como ferramentas concorrentes. A companhia defende o uso integrado das tecnologias de acordo com a cultura, o estádio de desenvolvimento, as condições ambientais e os problemas observados em cada área.
“O agricultor brasileiro é atento à eficiência do sistema produtivo. Nosso papel é oferecer tecnologias que façam sentido dentro dessa realidade e que possam ser integradas ao manejo. O crescimento dos BioRacionais mostra que existe uma demanda concreta por soluções que ampliem as possibilidades de atuação sobre a planta e sobre o ambiente de produção”, disse Pires.
Para a empresa, a maior previsibilidade da produção é um dos pontos que devem ganhar importância na adoção dessas ferramentas, particularmente em um cenário de pressão sobre as margens, juros elevados e aumento dos custos de produção.
Agro Mato Grosso
Missão EUA 2026 da Aprosoja MT promove intercâmbio de conhecimento entre produtores

Comitiva visitou a Universidade de Iowa e a Summit Agricultural Group, com debates sobre produção, tecnologia, logística e biocombustíveis
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) deu continuidade, nesta terça-feira (01.09), à Missão Estados Unidos 2026, com uma programação voltada à troca de experiências e ao conhecimento de diferentes modelos de produção. No segundo dia da missão, a comitiva visitou a Universidade de Iowa e a Summit Agricultural Group, grupo empresarial privado norte-americano com sede em Alden, no estado de Iowa, que atua nos setores de agronegócio, investimentos agrícolas e energia renovável.
Durante a manhã, os participantes conheceram a estrutura da Universidade de Iowa, uma das instituições de ensino e pesquisa do estado, e puderam esclarecer dúvidas sobre formação acadêmica, intercâmbio e oportunidades para estudantes brasileiros. A visita também permitiu aos produtores conhecer iniciativas desenvolvidas pela universidade e avaliar possibilidades de levar novas experiências e conhecimentos para suas propriedades em Mato Grosso.
O presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber, acompanhou a visita e destacou a importância do intercâmbio entre produtores, pesquisadores e instituições dos dois países. “Alguns participantes, têm interesse em proporcionar essa experiência aos seus filhos, para que possam conhecer a universidade, estudar aqui e, posteriormente, levar esse conhecimento de volta para o Brasil”, comenta o presidente da Aprosoja MT.
Durante o encontro, o professor e doutor Dirk Maier, do Departamento de Engenharia Agrícola e de Biossistemas, ressaltou a importância da aproximação entre produtores brasileiros e norte-americanos. Para ele, apesar das diferenças entre os sistemas produtivos e da concorrência por alguns mercados, os dois países possuem um papel estratégico no abastecimento mundial de alimentos e na produção de proteína animal.
“Obrigado pela oportunidade de compartilhar algumas ideias com o grupo da Aprosoja MT que está nos visitando. É sempre bom trocar informações para que possamos aprender uns com os outros em termos de colaboração que vai desde a produção no campo até a produção de carne, leite e ovos dos nossos animais”, agradeceu, em tradução livre.
No período da tarde, a comitiva seguiu para a Summit Agricultural Group, onde conheceu a estrutura da empresa e seu modelo de atuação, principalmente investimentos em energia renovável. O grupo também está entre os principais investidores da FS, empresa que atua no Brasil na produção de biocombustíveis a partir de milho.
“Durante a tarde os produtores puderam conhecer um pouco mais da realidade dos produtores norte-americanos, entender a cultura, os custos de produção, as dificuldades e também as vantagens que eles enfrentam no dia a dia. Foi um importante intercâmbio de informações entre os dois países, permitindo que todos conhecessem diferentes realidades e pudessem trocar experiências”, salienta Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja MT.
A visita permitiu aos produtores mato-grossenses conhecer de perto uma empresa que possui atuação diretamente relacionada à cadeia produtiva do milho. O encontro também abriu espaço para discutir perspectivas para o setor de biocombustíveis, mercado do milho e oportunidades de integração entre produção agrícola e indústria. O vice-presidente Oeste da Aprosoja MT, Luiz Otavio Tatim, destacou a importância do contato direto com os representantes da empresa e da troca de informações sobre os investimentos realizados no Brasil.
“Fomos muito bem recebidos pelo CEO da empresa, que conhece muito bem tanto a logística mato-grossense quanto a nossa capacidade de armazenagem. Ele também conhece muito bem a parte agrícola, especialmente quando falamos de milho. Então, tivemos a possibilidade e a oportunidade de dialogar com alguém que tem a intenção e que já está fazendo etanol de milho dentro do estado de Mato Grosso”, afirmou Tatim.
A programação do segundo dia da missão reforçou a importância da troca de experiências para compreender diferentes modelos de produção e identificar oportunidades que possam contribuir para o desenvolvimento do agronegócio mato-grossense. A Missão Estados Unidos 2026 segue até sexta-feira (04.09), com visitas a empresas de tecnologia, instituições e entidades representativas do agro norte-americano. A programação também inclui a participação na Farm Progress Show, uma das maiores feiras agrícolas do mundo, onde os produtores poderão conhecer novas tecnologias, máquinas, soluções e tendências para o setor.
Agro Mato Grosso
Inteligência artificial ganha espaço na engenharia agrícola

Tecnologia permite testar alternativas de projeto e acelerar o desenvolvimento de máquinas
A inteligência artificial está mudando uma etapa pouco conhecida da agricultura: o desenvolvimento das máquinas que chegam às lavouras. Utilizada por equipes de engenharia para analisar dados, realizar simulações e avaliar diferentes alternativas de projeto, a tecnologia vem ajudando fabricantes a acelerar a criação de tratores, pulverizadores, colheitadeiras e plantadeiras.
Na AGCO, responsável por marcas como Massey Ferguson, Valtra e Fendt, a inteligência artificial passou a fazer parte do processo de desenvolvimento de novos produtos, ao lado de ferramentas digitais já utilizadas pela engenharia. O objetivo é tornar mais ágil a avaliação de soluções e ampliar a capacidade de testar cenários antes mesmo da construção dos primeiros protótipos.
Segundo Paulo Vilela, diretor de Engenharia da AGCO, estudos recentes realizados em ambientes de engenharia e desenvolvimento de software indicam ganhos de produtividade entre 20% e 40% em atividades de análise, simulação e desenvolvimento assistidas por inteligência artificial. Na engenharia de máquinas agrícolas, a tecnologia permite avaliar mais alternativas de projeto, acelerar simulações e antecipar a identificação de potenciais problemas ainda nas fases virtuais do desenvolvimento, reduzindo o tempo necessário para transformar conceitos em soluções para o campo.
Embora a tecnologia esteja ganhando espaço, desenvolver uma nova máquina agrícola continua sendo um trabalho complexo. Um projeto pode levar de três a quatro anos até chegar ao mercado e mobilizar mais de 300 engenheiros, além de especialistas de áreas como manufatura, qualidade, validação, compras, marketing e atendimento ao cliente.
“O desenvolvimento de uma máquina começa muito antes da fase de produção. Ouvimos produtores, estudamos as necessidades das diferentes operações agrícolas e avaliamos diversas possibilidades técnicas até chegar à solução final”, afirma Paulo Vilela.
Grande parte desse trabalho acontece atualmente em ambientes virtuais. Antes que qualquer componente seja fabricado, engenheiros utilizam modelos digitais para avaliar o comportamento de estruturas, sistemas e componentes em diferentes condições de operação. A inteligência artificial complementa esse processo ao permitir análises mais rápidas de grandes volumes de informações, apoiando decisões ao longo do desenvolvimento.
A participação dos produtores rurais também é fundamental. As equipes coletam informações diretamente no campo para entender desafios enfrentados pelos operadores e identificar oportunidades de melhoria. Essas contribuições ajudam a transformar necessidades práticas em características que serão incorporadas aos novos equipamentos.
Depois das etapas virtuais, começam os testes físicos. Os protótipos passam por avaliações em laboratório e em condições reais de trabalho para verificar desempenho, durabilidade e confiabilidade. Os ensaios reproduzem situações encontradas em diferentes regiões agrícolas do Brasil, considerando fatores como clima, relevo, tipos de solo, poeira, umidade e intensidade de uso.
Em alguns projetos, a validação acumula milhares de horas de operação. Durante os testes, sensores instalados nos equipamentos registram continuamente informações sobre o funcionamento das máquinas. Os dados coletados retornam para as equipes de engenharia, que utilizam essas informações para aperfeiçoar componentes, sistemas eletrônicos e softwares embarcados.
Vale destacar que a inteligência artificial também está presente nas próprias máquinas. Recursos de conectividade, sensores, processamento de imagens e automação permitem que os equipamentos interpretem informações em tempo real e executem operações com maior precisão. O desenvolvimento dessas tecnologias faz parte de uma série de pesquisas voltadas para aumentar a eficiência das atividades agrícolas.
O Brasil ocupa posição estratégica nesse processo. A AGCO mantém centros de pesquisa e desenvolvimento em Mogi das Cruzes (SP), Canoas (RS) e Ibirubá (RS), responsáveis pela criação e validação de tecnologias para tratores, pulverizadores, colheitadeiras, plantadeiras e motores. Alguns projetos concebidos por equipes brasileiras são produzidos e comercializados globalmente.
“A adoção da inteligência artificial no desenvolvimento de máquinas agrícolas acompanha um movimento observado em diversos setores da indústria. No agronegócio, a tecnologia vem contribuindo para acelerar análises, ampliar a capacidade de testes e apoiar a criação de equipamentos preparados para os desafios de uma agricultura que exige produtividade, precisão e eficiência operacional”, finaliza Vilela.
Agro Mato Grosso
Bayer aposta em integração para acelerar inovação agrícola

Empresa combina melhoramento, edição gênica, biotecnologia, química e ferramentas digitais para ampliar ganhos no campo
A Bayer aposta na integração entre melhoramento genético, edição gênica, biotecnologia, proteção de cultivos e ferramentas digitais para acelerar o desenvolvimento de tecnologias agrícolas. A estratégia conecta essas plataformas a um mesmo sistema de dados e ciência. Segundo Axel Trautwein, líder de ciência regulatória da companhia, essa estrutura permite reduzir ciclos de desenvolvimento, ampliar o ganho genético e criar novos modos de ação para o manejo de pragas, doenças e plantas daninhas. As informações foram apresentadas durante o Bayer Innovation Showcase, em Huxley, Iowa, Estados Unidos.
A empresa coloca o sistema de dados e ciência no centro de quatro plataformas de pesquisa e desenvolvimento: melhoramento de precisão, edição gênica associada ao melhoramento, biotecnologia e desenho de moléculas. A estrutura utiliza dados acumulados durante décadas, além de modelos desenvolvidos pela companhia.
No melhoramento genético, a Bayer afirma ter substituído um processo linear por um ciclo genético contínuo. O modelo fornece linhagens e dados para o desenvolvimento de produtos de forma permanente.
Trautwein apresentou o híbrido DKC 68-35 como resultado desse sistema. O material reúne genética proveniente da Tailândia, México, Argentina e Estados Unidos. A companhia atribui essa composição à amplitude de seu banco de germoplasma. O híbrido apresenta características relacionadas à tolerância, qualidade de grãos e força radicular.
Edição gênica
A edição gênica ocupa outra frente da estratégia. A Bayer integrou essa tecnologia ao programa de melhoramento. A companhia busca modificar diferentes características das plantas, entre elas processos associados à fotossíntese, resiliência e arquitetura vegetal. Um dos objetivos envolve plantas adaptadas a maiores densidades.
A empresa prevê a primeira classe comercial de materiais provenientes de edição gênica no início da década de 2030. Mais de 50 alvos já passaram por ativação dentro do pipeline apresentado. A estratégia busca complementar o desenvolvimento de características transgênicas e ampliar a introdução de variação genética nos programas de melhoramento.
Na biotecnologia, a companhia informou acumular mais de 30 anos de experiência em plantas. Seus produtos alcançam mais de 15 países. Há previsão de cinco novos lançamentos até 2029 e mais de 16 tecnologias no pipeline para 2030 e anos posteriores.
Proteção de cultivos
Na proteção de cultivos, a Bayer adota uma estratégia baseada na identificação prévia do alvo biológico. O processo parte de uma proteína de interesse presente na planta daninha, praga ou patógeno. Os pesquisadores desenvolvem moléculas com capacidade de atuar sobre esse alvo.
O método difere da abordagem baseada na síntese de grandes volumes de moléculas seguida por testes de atividade biológica. Segundo Trautwein, a nova estratégia amplia o número de alvos acessíveis para pesquisa. Cada novo alvo pode abrir caminho para um novo modo de ação.
A resistência constitui um dos principais pontos considerados no desenvolvimento. Um novo modo de ação pode atuar sobre organismos resistentes sem exposição anterior ao mecanismo. A empresa também procura antecipar informações relacionadas à segurança e à possibilidade de registro. Conforme a apresentação, a abordagem permite obter informações de segurança até cinco anos antes no processo de desenvolvimento.
A formulação e a tecnologia de aplicação integram o mesmo sistema. A companhia considera esses componentes necessários para levar o ingrediente ativo ao alvo e reduzir doses. O processo conecta descoberta, desenvolvimento molecular, avaliação de segurança, registro, formulação e aplicação.
Um candidato a fungicida em fase 2 exemplifica a estratégia. A Bayer desenvolve a molécula para o manejo da ferrugem-asiática da soja no Brasil. Os primeiros ensaios ocorreram em sete locais no país.
Segundo os resultados apresentados, o candidato proporcionou cerca de 17% de aumento em massa em comparação com o padrão comercial sob pressão da doença. Os dados vieram de condições de campo, conforme Trautwein.
Ferramentas digitais
A estratégia digital busca transformar informações geradas durante o desenvolvimento dos produtos em recomendações agronômicas. As ferramentas fornecem orientações sobre posicionamento de produtos e densidade de plantas. Os mesmos modelos empregados no desenvolvimento podem apoiar decisões no campo.
A plataforma também possui compatibilidade com sistemas de máquinas agrícolas. O objetivo consiste em transferir recomendações e decisões agronômicas para os equipamentos utilizados na lavoura.
A companhia pretende conectar cada produto comercializado a uma recomendação digital no futuro. Trautwein afirmou que a empresa ainda não alcançou esse estágio, mas apontou essa integração como direção do desenvolvimento.
A Bayer também trabalha no desenvolvimento simultâneo de características de tolerância a herbicidas, moléculas para controle de plantas daninhas e ferramentas digitais. A proposta difere do modelo no qual uma empresa desenvolve tolerância para um herbicida já disponível.
Nesse sistema, a companhia busca combinar genética, herbicida e recomendações de manejo desde o início do desenvolvimento. A apresentação cita maior flexibilidade na época de aplicação, uso de aplicações direcionadas e redução da quantidade de produto necessária para alcançar o controle.
Segundo Trautwein, a integração dessas tecnologias forma a base da estratégia de pesquisa e desenvolvimento da empresa para a próxima década. A companhia pretende avançar simultaneamente em ganho genético, características para proteção contra insetos e plantas daninhas, novos modos de ação em defensivos e sistemas digitais destinados ao manejo dos produtos no campo.
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