Agro Mato Grosso
Safra de milho em MT bate novo recorde de produção e chega à 58 milhões de toneladas

A safra de milho 2025/26 terminou com novo recorde de produção em Mato Grosso. De acordo com os dados consolidados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgados nesta segunda-feira (31), o estado produziu 58,04 milhões de toneladas do cereal, volume 4,69% superior às 55,43 milhões de toneladas registradas na temporada anterior.
Conforme aponta o novo relatório de Oferta e Demanda, esse resultado foi sustentado pelo aumento da área cultivada e também pelo bom desempenho das lavouras ao longo do ciclo. A área plantada foi consolidada em 7,43 milhões de hectares, crescimento de 2,41% em relação à safra 2024/25. Já a produtividade média alcançou 130,11 sacas por hectare, alta de 2,23% ante as 127,27 sacas por hectare da temporada passada.
A colheita do milho segunda safra 2025/2026 foi concluída em Mato Grosso no dia 21 de agosto. Neste ano, o prolongamento das chuvas nas principais regiões produtoras favoreceu o desenvolvimento das plantas e o enchimento dos grãos. Mesmo com perdas pontuais em áreas semeadas fora da janela ideal, o desempenho das lavouras foi suficiente para elevar a produtividade média estadual e levar Mato Grosso a um novo patamar de produção.
Para o analista de milho do Imea, Gabriel Brandão, o resultado mostra a capacidade produtiva das lavouras mato-grossensses, e as boas condições climáticas para o desempenho do milho.
“Tivemos uma combinação bastante favorável nesta temporada, com aumento de área e uma produtividade acima da observada no ciclo anterior. Isso permitiu que Mato Grosso atingisse um novo recorde de produção”, explica.
Como deve ser a próxima temporada?
O relatório de Oferta e Demanda, publicado nesta segunda-feira, aponta um cenário cauteloso para os produtores na safra 2026/27. A área cultivada deve crescer 0,59% na próxima temporada, passando para 7,48 milhões de hectares.
Por outro lado, a produtividade inicialmente estimada é de 119,64 sacas por hectare, recuo de 8,05% em relação ao resultado consolidado da safra atual. Com isso, a produção inicial projetada é de 53,68 milhões de toneladas, o que representaria uma queda de 7,50% ante as 58,04 milhões de toneladas da atual safra.
De acordo com Gabriel, um dos principais pontos de atenção para o próximo ciclo está relacionado ao clima e à janela de plantio. A possibilidade de atuação do El Niño pode atrasar o plantio da soja, reduzindo o período disponível para a semeadura do milho dentro da janela considerada ideal.
“Para a próxima safra, o produtor precisa estar mais atento ao planejamento. Um eventual atraso na soja pode encurtar a janela do milho e, posteriormente, uma antecipação do fim das chuvas, acompanhada de temperaturas elevadas, pode aumentar o risco de estresse hídrico. Por isso, neste primeiro momento, trabalhamos com uma perspectiva de produtividade mais conservadora”, afirma o analista.
Além das condições de produção, o mercado do milho no estado passa por uma mudança com o avanço da industrialização. Na safra 2025/26, o consumo interno de Mato Grosso foi estimado em 23,27 milhões de toneladas, impulsionado principalmente pelas indústrias de etanol de milho.
Para a safra 2026/27, o Imea projeta que esse consumo avance para 27,04 milhões de toneladas, crescimento de 16,23%. Com isso, o consumo interno deverá superar as exportações do estado, pela primeira vez.
A expectativa é de que os embarques externos caiam de 24,10 milhões de toneladas na safra 2025/26 para 17,50 milhões de toneladas em 2026/27, redução de 27,39%.
Na avaliação de Gabriel Brandão, o avanço da indústria de etanol representa uma mudança estrutural no mercado mato-grossense.
“O milho produzido no estado está encontrando cada vez mais espaço dentro de Mato Grosso. A expansão da indústria cria uma demanda interna mais firme e muda a relação entre o que é destinado ao mercado doméstico e o que segue para exportação”, destaca.
Com maior consumo interno e uma produção inicialmente projetada em patamar menor, os estoques finais também devem ficar mais enxutos. Para 2026/27, o Imea estima estoque de 285,08 mil toneladas, 55,77% abaixo do volume projetado para o encerramento da safra 2025/26.
“Estamos entrando em uma temporada em que a oferta tende a ser menor, enquanto a demanda interna continua crescendo. Esse cenário reforça a necessidade de acompanhamento do mercado, tanto por parte do produtor quanto dos demais agentes da cadeia”, conclui Gabriel.
Agro Mato Grosso
Bayer amplia pipeline com foco em soja, milho e defensivos

Intacta 5+ mira 2027/28; Plenexos avança no Brasil e Icafolin tem lançamento previsto para 2028
A Bayer avança na execução de um plano voltado ao lançamento de dez produtos agrícolas com potencial de vendas superior a 500 milhões de euros cada no pico comercial. A estratégia reúne sementes, biotecnologia, defensivos agrícolas e ferramentas digitais. Para o Brasil, os projetos mais próximos incluem a soja Intacta 5+, o inseticida Plenexos e o herbicida Icafolin. A companhia apresentou as informações durante o Bayer Innovation Showcase, realizado em Huxley, Iowa, nos Estados Unidos.
Segue mantida a previsão de comercialização no Brasil da soja Intacta 5+ a partir da safra 2027/28. A Bayer apresentou a tecnologia no país em novembro de 2025, no centro de inovação da empresa em Paulínia, São Paulo. A biotecnologia já recebeu autorização brasileira. A chegada comercial depende ainda de aprovações em países importadores. A companhia pretende iniciar a oferta com pelo menos 13 variedades adaptadas às principais regiões produtoras. Nos dois primeiros anos, o portfólio poderá superar 200 variedades.
A plataforma combina tolerância a cinco herbicidas: glifosato, dicamba, mesotriona, glufosinato e 2,4-D. O pacote de proteção contra insetos utiliza cinco proteínas e amplia o manejo para nove espécies de lagartas. A proposta busca aumentar as alternativas para programas de controle de plantas daninhas e insetos nas condições brasileiras.
Vyconic nos Estados Unidos
A Bayer também prepara a introdução da Vyconic nos Estados Unidos e no Canadá. O lançamento tem previsão para 2027. A plataforma reunirá tolerância aos mesmos cinco herbicidas e utilizará materiais do programa de melhoramento da empresa. A companhia pretende ampliar a flexibilidade no manejo de plantas daninhas resistentes. Intacta 5+ e Vyconic integram uma estratégia global para novas gerações de soja. Segundo a Bayer, o conjunto dessas tecnologias e de futuras características de tolerância a herbicidas e proteção contra insetos apresenta potencial de vendas superior a 3 bilhões de euros no pico.

Falando sobre Vyconic, Brian Naber, presidente da Bayer Crop Science para América do Norte e Austrália, aponta dois fatores por trás do desenvolvimento de novas tecnologias para manejo de plantas daninhas: avanço da resistência aos herbicidas e maior dificuldade para realizar aplicações nos momentos adequados.
Segundo Naber, resistência e tolerância cresceram ao longo do tempo para praticamente todas as moléculas químicas disponíveis. As condições meteorológicas também passaram a limitar operações no campo. Na área onde explicou a questão, em Huxley, o volume de chuva no ano atingiu 1.117 milímetros. Para o executivo, esse cenário levou produtores a perder janelas de aplicação.
A Viconic busca ampliar a flexibilidade operacional. O sistema permite ao agricultor trabalhar com diferentes alternativas de controle quando condições meteorológicas impedem o plano inicial.
A Bayer também prepara novas etapas para seu portfólio. A tecnologia HT5 deverá incorporar uma característica (trait) de tolerância a herbicidas inibidores de PPO. A HT6 deverá incluir o Icafolin.
Segundo Naber, produtores já demonstram interesse pela Viconic. O executivo afirma que produtividade aparece como principal fator de decisão, seguida pela flexibilidade no manejo de plantas daninhas.
O lançamento deverá abranger diferentes ambientes de produção. A Bayer pretende ofertar cultivares adaptadas desde as regiões produtoras mais ao norte dos Estados Unidos e Canadá até as áreas mais ao sul do cinturão de soja norte-americano. A estratégia busca posicionar germoplasmas conforme cada ambiente produtivo.
Inseticidas: Plenexos
No segmento de inseticidas, o Plenexos já entrou no mercado colombiano. México, Brasil e Estados Unidos aparecem entre os próximos mercados previstos pela empresa. No Congresso Andav 2026, realizado em agosto, a Bayer informou que o produto permanecia em fase final de registro no Brasil. A plataforma contém espidoxamato e tem foco inicial no manejo de mosca-branca. O portfólio previsto para o país inclui soja, algodão, citros, tomate, batata e feijão. Os alvos também incluem pulgões e psilídeo dos citros.
A empresa destaca a atuação do Plenexos sobre diferentes fases de ninfa e a seletividade a organismos benéficos. Essa característica permite integração com programas de manejo integrado de pragas e controle biológico. A plataforma também apresenta ação sistêmica e prevê diferentes formas de aplicação, conforme cultura e alvo.
Ensaios apresentados pela Bayer indicaram redução de até 75% na quantidade de ingrediente ativo em comparação com outros produtos. A avaliação considerou mais de 600 experimentos internos e externos conduzidos no Brasil entre 2021 e 2025. Em trabalhos com mosca-branca na soja, Plenexos utilizou 24 gramas de ingrediente ativo por hectare. O tratamento comparativo com imidacloprido utilizou 100 gramas de ingrediente ativo por hectare. A empresa projeta potencial de vendas de 500 milhões de euros para Plenexos em meados da década de 2030.

E por que a estreia do produto ocorreu no mercado colombiano? Maurício Rodrigues, presidente da Bayer Crop Science na América Latina, explicou que foi em razão de oportunidade do ambiente, do trabalho da equipe, mas não de uma decisão específica da companhia. Ele avaliou a estreia naquele mercado como algo importante, pois permitiu aprendizado em área com tamanho considerável, algo fundamental para a preparação do lançamento do produto nos demais mercados.
Herbicida: Icafolin
Outro projeto com impacto direto no mercado brasileiro envolve o Icafolin. A Bayer prevê lançamento no país em 2028. O Brasil deverá receber a tecnologia antes dos demais mercados. A empresa já protocolou pedidos regulatórios no país. A molécula recebeu enquadramento no Grupo 23 do Comitê de Ação à Resistência aos Herbicidas, o HRAC, e atua sobre a organização dos microtúbulos das plantas daninhas.
A Bayer apresenta o Icafolin como primeiro novo modo de ação em mais de 30 anos para controle pós-emergente de plantas daninhas em grandes culturas. O desenvolvimento busca ampliar as opções contra populações resistentes ao glifosato e a outros herbicidas. A molécula possui potencial de vendas estimado em 750 milhões de euros no pico comercial, previsto para meados da década de 2030.
O Icafolin também integra uma nova etapa do desenvolvimento de características biotecnológicas. A Bayer passou a desenvolver de forma integrada o herbicida e a característica (trait) genética de tolerância ao produto. A estratégia busca reduzir o intervalo tradicional entre a descoberta de uma molécula para proteção de cultivos e a criação de uma característica biotecnológica compatível.

Segundo Mike Graham, líder de pesquisa e desenvolvimento de ciência de cultivos da Bayer, o modelo histórico começava pela química. A equipe avaliava primeiro o desempenho do herbicida. O desenvolvimento da característica de tolerância surgia depois, com uma diferença significativa de tempo entre as duas frentes.
A nova abordagem parte da sequência genética das plantas daninhas. Os pesquisadores usam esses dados para identificar proteínas produzidas pela planta e possíveis alvos para novos herbicidas. A mesma informação orienta o desenho da característica biotecnológica destinada a conferir tolerância ao mecanismo de ação selecionado.
As equipes de química e biotecnologia passaram a trabalhar sobre a mesma base de dados. Um grupo identifica o alvo e desenvolve o herbicida. O conhecimento sobre o mecanismo de ação segue para a equipe responsável pela característica genética. Esse grupo desenvolve uma solução capaz de tolerar a ação do produto.
Graham classifica essa integração como uma mudança relevante no processo de pesquisa. Segundo ele, o avanço depende de recursos computacionais e inteligência artificial. Essas ferramentas permitem converter informações de sequência genética em proteínas, identificar alvos e apoiar o desenvolvimento de produtos para proteção de cultivos.
Biotecnologia e resistência
A combinação de biotecnologia com soluções de proteção de cultivos pode reduzir a velocidade de avanço da resistência no campo, segundo Graham. A estratégia prevê o uso simultâneo de diferentes modos de ação contra um mesmo alvo.
Graham cita a ferrugem-asiática da soja como exemplo. Segundo ele, algumas moléculas antigas usadas na proteção de cultivos já não apresentam hoje o mesmo desempenho observado no passado.
Na avaliação do pesquisador, a associação entre uma solução de proteção de cultivos e uma solução biotecnológica pode ampliar as opções de manejo. O objetivo envolve evitar a dependência de um único modo de ação sobre a praga ou doença de interesse.
A empresa trabalha com a proposta de ampliar o espectro de controle por meio de múltiplos mecanismos aplicados ao mesmo problema. Graham relaciona essa abordagem às inovações em fungicidas.
O executivo também cita a edição genômica como uma possibilidade para o manejo da ferrugem-asiática da soja. Nesse cenário, a ferramenta poderia atuar em conjunto com soluções de proteção de cultivos.
Segundo Graham, o uso de duas abordagens contra o mesmo problema pode criar um espectro diferente de manejo da resistência em comparação com estratégias adotadas no passado.
Plataforma CropKey
O desenvolvimento do Icafolin utilizou a plataforma CropKey. O sistema aplica inteligência artificial na descoberta de modos de ação e no desenho de moléculas. A abordagem avalia eficácia, segurança e sustentabilidade desde etapas iniciais da pesquisa. Segundo a Bayer, mais de 15 novos modos de ação encontram-se na fase de pesquisa do pipeline de proteção de cultivos.
Entre os projetos aparece um novo fungicida de amplo espectro para soja. O produto avançou para a fase dois do pipeline e possui potencial para integrar o grupo de blockbusters da empresa. A Bayer também desenvolve um novo fungicida triazol para milho, soja e cereais. O projeto busca ampliar o controle de doenças foliares e prolongar a atividade residual.
Preceon Smart Corn
No milho, o sistema Preceon Smart Corn é comercializado no México, Itália, Espanha e Estados Unidos. A tecnologia utiliza plantas de menor estatura. A proposta busca reduzir riscos associados a ventos fortes e ampliar o acesso de máquinas terrestres durante o ciclo. O sistema também permite ajustes de densidade de plantio e integra recomendações agronômicas ao FieldView. No conjunto, envolve a menor estatura das plantas e, também, recomendações específicas para cada talhão em relação à alocação de produtos e a densidade de plantio.
A Bayer Crop Science prevê dobrar, na próxima safra, a área cultivada com a tecnologia de milho Preceon nos Estados Unidos. A empresa mantém hoje cerca de 81 mil hectares no campo e projeta alcançar 2,02 milhões de hectares até 2030, segundo Brian Naber, presidente da Bayer Crop Science para América do Norte e Austrália.
O milho Preceon apresenta plantas cerca de um terço mais baixas. Enquanto híbridos convencionais alcançam de 2,7 a 3,7 metros de altura nos Estados Unidos, os materiais com a tecnologia chegam a 1,8 a 2,1 metros.
A mudança também envolve o sistema radicular. Segundo Naber, a planta direciona menos energia para o crescimento da parte aérea e desenvolve raízes maiores, mais profundas e com crescimento mais rápido. Essa característica amplia a capacidade de absorção de água e nutrientes.
A inserção da espiga também ocorre mais próxima do solo. O menor centro de gravidade aumenta a resistência da cultura a eventos de vento intenso. A empresa posiciona o sistema para produção sob condições climáticas extremas.
A arquitetura da planta também permite elevar a população. A recomendação envolve aumento de 10% a 20% no número de plantas por hectare. O manejo da fertilidade acompanha essa mudança. Híbridos modernos demandam maior aporte de nutrientes em fases mais avançadas, com ajustes no momento e na posição das aplicações.
A menor altura ainda facilita aplicações de fungicidas com máquinas já disponíveis nas propriedades. Em lavouras de milho alto, segundo Naber, algumas intervenções exigem equipamentos aéreos.
A tecnologia entrou no terceiro ano de comercialização. As áreas atuais deverão passar pela colheita nas próximas semanas.

Também nos Estados Unidos, a Bayer mantém ainda o desenvolvimento da quarta geração de proteção contra larva-alfinete do milho, identificada como CRW4. A tecnologia combina um modo de ação aprimorado baseado em RNA de interferência com duas novas proteínas voltadas ao intestino da praga. Segundo a empresa, uma dessas proteínas representa o primeiro novo modo de ação baseado em proteína contra o inseto em mais de duas décadas.
Edição genômica
O pipeline de soja inclui ainda edição genômica. A Bayer trabalha em plantas com arquitetura voltada à redução do acamamento. O projeto busca conciliar maior potencial produtivo com melhor sustentação das plantas. A empresa aplica edição genômica nas etapas iniciais do programa de melhoramento e prevê novos conceitos comerciais no começo da próxima década.
A companhia informa lançamento anual de 400 a 500 novos híbridos e variedades. A Bayer atribui esse ritmo a uma plataforma de melhoramento de precisão apoiada por inteligência artificial. Segundo a empresa, o sistema duplica a taxa de ganho genético em comparação com o melhoramento histórico e acelera em três vezes a chegada dos materiais ao mercado.
Os investimentos em pesquisa integram o Five-Year Framework, plano apresentado pela Bayer em 2025 para ampliar crescimento, resiliência e rentabilidade da divisão agrícola. A companhia informa redução de custos próxima de 400 milhões de euros e diminuição de estoques de 500 milhões de euros. Também vendeu cinco ingredientes ativos e retirou mais de 100 formulações de seu portfólio de proteção de cultivos.
Uso das tecnologias
Ao lado das questões de pesquisa e desenvolvimento, existe a necessidade de garantir o uso correto dos produtos. A Bayer destaca a adoção de novos defensivos, sementes e biotecnologias com orientação aos agricultores. A empresa mantém cerca de 25 mil produtores mapeados no Brasil e utiliza equipes técnicas e promotores para explicar o uso das novas soluções, explica Marcio Santos, CEO da Bayer Brasil.

“O papel do nosso time diariamente é estar em contato com o agricultor, mostrando como que cada inovação funciona. Inovação ela é algo diferente do que existia, logo requer uma maneira nova de usar. Então o que a gente mais fala com o nosso time é sobre o nosso papel de levar o produtor à melhor experiência com o nosso produto. Tudo para que ele possa, no final do dia, obter o retorno econômico esperado”, explica.
Agro Mato Grosso
Massey Ferguson apresenta plantadeira Série N nos EUA

Modelo para linhas estreitas e divididas combina tecnologias de plantio de precisão e plataforma modular
A Massey Ferguson apresentou a nova linha de plantadeiras Série N para plantio em espaçamentos estreitos e divididos durante a Farm Progress Show 2026, nos Estados Unidos. A linha combina tecnologias da Precision Planting instaladas de fábrica com uma plataforma modular, oferecendo seis configurações: 23-15, 24-15, 31-15, 32-15, 24-20 e 24-22.
Segundo a empresa, o projeto foi desenvolvido para oferecer flexibilidade de configuração e facilitar a operação e a manutenção, mantendo recursos voltados à precisão na distribuição e à uniformidade de emergência das plantas.
“Os agricultores querem tecnologia comprovada, sem complexidade desnecessária”, disse Forrest Francis, gerente de Marketing Tático de Plantadeiras da Massey Ferguson América do Norte. “A Série N oferece o desempenho que os produtores precisam hoje, ao mesmo tempo que lhes proporciona a flexibilidade para se adaptarem à medida que suas operações crescem. Trata-se de colocar a tecnologia para trabalhar onde ela pode fazer uma diferença significativa, mantendo a plantadeira simples de possuir, operar e manter.”
Entre os recursos instalados de fábrica estão as tecnologias 20|20 Gen3, vSet2, vDrive e DeltaForce, que atuam na colocação das sementes, no controle da profundidade de plantio e na uniformidade da emergência.
A Série N conta ainda com dois reservatórios centrais de sementes, com capacidade de 45 bushels cada, além de opção para até 500 galões de fertilizante líquido. O sistema de transferência manual de peso, com controle a partir da cabine, permite ajustar a distribuição de carga de acordo com as condições do campo.
Plataforma modular
A plataforma da Série N permite a inclusão de tecnologias opcionais conforme as necessidades do produtor. Entre elas estão WaveVision, SpeedTube, CleanSweep, EMHD e Pump Stack.
De acordo com a Massey Ferguson, a proposta é permitir a atualização da plantadeira ao longo do tempo, sem a necessidade de substituir toda a máquina. A linha também conta com unidades de plantio Heads Up, operação sem lubrificação e ajustes simplificados, além de não exigir assinaturas ou desbloqueios para o uso dos recursos disponíveis.
A Série N foi uma das novidades apresentadas pela Massey Ferguson no estande da AGCO, número 1002, durante a Farm Progress Show. O espaço também reuniu atualizações em outras máquinas da marca, como os tratores MF 9S, que receberam o Sistema de Gerenciamento de Implementos para Tratores (TIM) e o MF AutoHeadland.
Outro destaque foi a linha MF 5S, que passou a contar com a transmissão continuamente variável Dyna-VT, além de novos recursos para a enfardadeira dupla da Massey Ferguson.
Agro Mato Grosso
Aprosoja MT leva produtores do mercado de Chicago à lavoura americana nos EUA

Agenda técnica reuniu análises sobre commodities, cenários geopolíticos, além da visita a uma propriedade familiar que soma mais de 170 anos
A Missão Estados Unidos 2026, organizada pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), teve seu primeiro dia de programação técnica nesta segunda-feira (31.08), com um roteiro que uniu a leitura do mercado global de grãos à observação prática do campo norte-americano. O propósito da viagem é levar os associados a conhecer de perto as práticas de produção de soja e milho no país, comparar custos e tecnologias e trazer aprendizados aplicáveis à realidade mato-grossense.
Pela manhã, o grupo esteve em Chicago para palestras sobre o mercado global de commodities e a dinâmica da Chicago Board of Trade (CBOT), no CME Group, e para uma reunião com analistas do The Matthews Group, escritório de consultoria em comercialização de grãos. A pauta incluiu as relações entre Estados Unidos e China e seus reflexos nas exportações brasileiras, as perspectivas do esmagamento e do biodiesel, o panorama das safras norte-americanas, os impactos previstos do El Niño, os cenários de exportação e os efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia sobre o preço dos fertilizantes.
Para o analista de grãos e oleaginosas da Marex Spectron, Lonn Taffel, esse tipo de aproximação sustenta a própria qualidade das análises de mercado. “É sempre importante promover essa troca de ideias, seja no Brasil, na Argentina, na China ou aqui nos Estados Unidos. Certamente, a tecnologia e essas trocas de conhecimento são muito importantes para o desenvolvimento e o avanço de todo o setor agrícola”, afirmou, em tradução livre.
Segundo ele, estimativas realistas sobre a safra brasileira, feitas a milhares de quilômetros de distância, só se tornam possíveis a partir da rede de clientes e do fluxo constante de dados vindos do Brasil.
A tarde, a comitiva seguiu para a Fazenda Crystal Creek Enterprises, em Moline, propriedade familiar com mais de 170 anos de história e referência na produção de grãos. O proprietário apresentou a área de armazenagem e o parque de máquinas, além das tecnologias usadas para conservar os grãos durante o inverno rigoroso da região e do sistema de plantio praticado pelos produtores locais.
A forma de gestão da fazenda chamou a atenção do grupo. “É um modelo de cooperativa dentro dos Estados Unidos, onde juntam alguns produtores que fazem o plantio da área própria deles”, explicou produtor rural do Núcleo de Cláudia, Diogo Molina. Segundo ele, esses produtores também terceirizam as máquinas para colheita e produção em outras áreas, num arranjo que combina arrendamento de equipamentos e de terras.
O presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber, explica que nem tudo o que se vê no campo norte-americano cabe na realidade mato-grossense, e que o ganho da missão está justamente em identificar o que pode ser adaptado. “O principal intuito da missão é justamente o intercâmbio de informações. O produtor brasileiro vem aqui, aprende. Claro que nem todas as técnicas dá para replicar, mas ele pode aprimorar aquilo que faz e também ele traz informação daqui para lá, assim como nós sempre recebemos eles”, afirmou.
A reciprocidade tem histórico. O proprietário da Crystal Creek já esteve em Mato Grosso a convite da Aprosoja MT, o que transformou a recepção desta segunda-feira na contrapartida de uma relação construída nos dois sentidos. Para o presidente, o retorno mais imediato está na comparação entre os sistemas produtivos dos dois países. “Para nós é sempre importante tanto para a evolução, quanto para conhecer os custos deles e poder fazer os comparativos”, completou.
Diogo Molina, que participou da agenda da manhã em Chicago, resumiu o primeiro dia. “O conhecimento foi 10, a tecnologia maravilhosa, tem muita coisa para a gente aprender e levar para o Brasil”.
Até sexta-feira (04.09), a comitiva ainda passa por instituições de ensino, empresas de tecnologia e entidades representativas, além da Farm Progress Show, uma das maiores feiras agrícolas do mundo. A missão encerra a agenda técnica no fim da semana, com o retorno dos participantes ao Brasil.
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