Agro Mato Grosso
Leonardo DiCaprio faz visita restrita ao Cacique Raoni em MT após sequência de internações

Leonardo DiCaprio faz visita restrita ao Cacique Raoni em MT após sequência de internações
A visita do ator norte-americano Leonardo DiCaprio ao Raoni Metuktire, de 94 anos, no último sábado (29), foi restrita, com a participação de poucas pessoas, conforme familiares do cacique ouvidos pela imprensa. O encontro acontece pouco mais de um mês da alta hospitalar do cacique, que chegou a ser transferido de avião do Hospital Dois Pinheiros, em Sinop, para o Hospital São Paulo.
- 🔍O líder indígena é uma das vozes mais influentes do Brasil na defesa dos indígenas e do meio ambiente. Ele iniciou seu ativismo em 1954, aprendeu português, e foi uma voz importante para o reconhecimento dos direitos dos povos indígenas na Constituição de 1988.
O cacique ficou mundialmente conhecido após encontros com famosos. Atualmente, o líder indígena está acamado e se recupera na região do Xingu, ao lado de familiares e amigos.
DiCaprio está em viagem no Pantanal e decidiu fazer uma parada Parque Indígena do Xingu, onde Raoni se recupera. O teor da conversa não foi divulgado.
Encontros com personalidades
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Leonardo DiCaprio e Gisele Bündchen durante visita ao Parque Indígena do Xingu, em 2004 — Foto: Reprodução
Esta não foi a primeira vez que Leonardo DiCaprio esteve na região. Em 2004, o ator visitou o Xingu acompanhado da então modelo Gisele Bündchen, com quem mantinha um relacionamento na época. Além de ator, DiCaprio também é ativista ambiental e possui um longo histórico de envolvimento e financiamento de pautas ligadas ao meio ambiente e à conservação global.
Ao longo de décadas de atuação em defesa dos povos indígenas, Raoni se encontrou com diversas personalidades, incluindo artistas, autoridades e líderes religiosos.
Em 2025, o cacique recebeu a atriz norte-americana Angelina Jolie, que visitou a aldeia Piaraçu, na Terra Indígena Capoto-Jarina, na região do Xingu.
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A atriz Angelina Jolie e o cacique Raoni — Foto: Mauricio Dias
No ano anterior, em 2024, Raoni esteve com o papa Francisco no Vaticano, em Roma. Durante o encontro, entregou ao pontífice uma carta na qual abordava as mudanças climáticas e os impactos de eventos extremos no Brasil.
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O cacique Raoni Metuktire, líder do povo Kayapó, entregou uma carta ao Papa Francisco — Foto: Divulgação Vaticano
O cacique também já se encontrou com a cantora Anitta e o apresentador Luciano Huck. Durante o encontro, foram discutidos assuntos como os direitos dos povos indígenas e a Conferência das Partes (COP), realizada em Belém (PA).
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Anitta e Luciano Huck visitam cacique Raoni em MT — Foto: Reprodução
Sequência de internações
No dia 15 de junho, Raoni foi internado na UTI do Hospital Dois Pinheiros, em Sinop (MT), após passal mal na aldeia onde morava. Os exames iniciais apontaram alterações na função renal e indicadores compatíveis com um processo infeccioso grave. A principal hipótese diagnóstica foi sepse com foco pulmonar, conforme o hospital.
Um mês antes, ele foi internado no mesmo hospital após sentir fortes dores na barriga devido à uma hernia antiga, mas recebeu alta médica após dois dias de tratamento. Cinco dias depois, Raoni voltou a apresentar complicações de saúde e foi novamente para a UTI para tratar um quadro de pneumonia, onde permaneceu por mais sete dias.
Em setembro de 2022, ele chegou a ficar internado por cinco dias no hospital de Sinop, após ser diagnosticado com um problema cardíaco e passar por cirurgia para implante de marcapasso. Depois, passou alguns dias no município de Colíder até voltar para a aldeia.
Além disso, em julho de 2020, o cacique foi internado em um hospital de Colíder após ter passado mal. Ele chegou a ser transferido de avião para Sinop com complicações gastrointestinais e desidratação.
Em setembro do mesmo ano, foi novamente internado com diagnóstico de pneumonia pela equipe médica de sua aldeia, no Parque Indígena do Xingu. À época, recebeu alta médica nove dias depois. Ainda neste período, também apresentou um quadro depressivo após a morte da mulher dele, Bekwyjkà Metuktire.
Agro Mato Grosso
MT concentra 6 das 10 maiores temperaturas do Brasil e possui cidade mais quente do ano

Cidades do estado aparecem nas primeiras posições de ranking provisório divulgado pelo INMET; Cuiabá registrou 41,3°C, enquanto Rondonópolis liderou com 42,3°C, a maior temperatura registrada no país em 2026 até o momento.
O município de Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá, registrou 42,3°C nesta segunda-feira (31) e aparece na primeira posição do ranking provisório das maiores temperaturas do Brasil, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). O levantamento das 17h mostra que seis dos dez municípios com as maiores temperaturas do país estão em Mato Grosso.
Além de Rondonópolis, aparecem entre os primeiros colocados Nova Xavantina, Santo Antônio do Leverger, Cuiabá, Barra do Garças e Guiratinga. Todas as cidades registraram temperaturas acima de 40°C.
A marca de Rondonópolis é, segundo o INMET, a maior temperatura registrada no país em 2026 até o momento. O recorde anterior era de 41,7°C, registrado em Nova Xavantina no domingo (30).
Em Cuiabá, os termômetros chegaram a 41,3°C nesta segunda. A temperatura superou a marca de 41,2°C registrada no domingo e passou a ser o novo recorde de calor da capital em 2026.
🥵 Ranking
O levantamento divulgado às 17h é provisório e ainda pode ser atualizado após uma nova leitura dos termômetros pelo INMET. A lista ficou assim:
- Rondonópolis (MT) – 42,3°C
- Nova Xavantina (MT) – 42,1°C
- Santo Antônio do Leverger (MT) – 41,4°C
- Cuiabá (MT) – 41,3°C
- Pedro Gomes (MS) – 41,1°C
- Aragarças (GO) – 41,0°C
- Barra do Garças (MT) – 40,8°C
- Alcinópolis (MS) – 40,8°C
- Corumbá (MS) – 40,8°C
- Guiratinga (MT) – 40,7°C
O calor intenso ocorre em meio a um período de tempo seco no estado. Mato Grosso registrou 3.691 focos de calor em agosto até esta segunda-feira (31), número que corresponde a 18,3% do total registrado no país no período, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
O número de focos registrados somente neste mês também se aproxima do acumulado de 3.744 ocorrências contabilizadas em Mato Grosso entre janeiro e julho deste ano, que representavam 14,5% do total nacional no período, conforme o INPE.
Além de Mato Grosso, outras áreas do Centro-Oeste também enfrentaram temperaturas acima dos 40°C. Segundo o INMET, Goiânia, Brasília e Cuiabá registraram novos recordes de temperatura para 2026 nesta segunda-feira.
Em Brasília, a máxima chegou a 33,6°C, a maior temperatura registrada para um dia de agosto desde 1962, conforme o instituto. Em Goiânia, os termômetros marcaram 39°C, valor que ainda precisava ser validado pelo INM
Baixa umidade
O calor é acompanhado por baixos índices de umidade relativa do ar. Segundo o INMET, grande parte do Centro-Oeste, incluindo Mato Grosso, está sob aviso de baixa umidade, com índices que podem variar entre 20% e 12%.
De acordo com o instituto, a condição aumenta o risco de incêndios florestais e problemas de saúde, como ressecamento da pele e desconforto nos olhos, boca e nariz.
⚠️ Confira os cuidados com a saúde:
- Evitar exercícios físicos e exposição ao ar livre entre as 10 e 16 horas;
- Umidificar o ambiente por meio de umidificadores, toalhas molhadas, recipientes com água, umidificação de jardins, etc.;
- Permanecer em locais protegidos do sol ou em áreas arborizadas;
- Sempre que sair ao sol, usar protetor solar, acessórios de proteção como chapéus, boné ou guarda-sol;
- Evitar aglomerações em ambientes fechados;
- Aumentar a ingestão de água e líquidos para manter as membranas respiratórias úmidas e protegidas;
- Permanecer em ambientes fechados, preferencialmente bem vedados e com conforto térmico adequado. Quando possível, buscar ambientes com ar-condicionado e filtros de ar para reduzir a exposição.
Agro Mato Grosso
Por que cidades do agro estão ganhando moradores enquanto outras encolhem em MT

Movimento populacional acompanha oportunidades de emprego, renda e serviços e reforça concentração em polos econômicos do estado.
Mato Grosso vive um movimento de concentração populacional em cidades que se destacam pelo agronegócio, agroindústria, logística e serviços, enquanto municípios menores enfrentam redução no número de moradores. Entre 2022 e 2025, cidades como Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde e Nova Mutum ganharam população, enquanto outras, como Jauru, registraram queda, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A população do estado passou de 3.893.659 para 3.950.330 habitantes em 2026 e registrou o terceiro maior crescimento populacional entre os estados brasileiros.
O professor de economia Maurício Munhoz explicou que o crescimento populacional do estado acompanha cada vez mais a concentração de oportunidades de emprego, renda e serviços.
Os dados, no entanto, são estimativas e não representam, necessariamente, o número exato de pessoas que migraram para cada município ou deixaram essas cidades. Para Munhoz, o fenômeno revela uma transformação econômica no interior de Mato Grosso: algumas cidades passaram a funcionar como polos urbanos regionais e a atrair moradores de municípios menores.
Municípios que ganharam mais de mil habitantes
Entre os municípios que mais ganharam população estão Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Primavera do Leste e Querência. Segundo o professor Munhoz, o crescimento populacional em Mato Grosso mostra uma concentração de moradores nos polos econômicos mais dinâmicos do estado, principalmente nas regiões ligadas ao agronegócio, à agroindústria, à logística e aos serviços. Para ele, esse grupo pode ser dividido entre cidades impulsionadas pelo agronegócio e grandes polos urbanos já consolidados.
Segundo ele, a agricultura altamente produtiva criou uma cadeia econômica que vai além da produção no campo. O crescimento movimenta setores como transportadoras, armazéns, frigoríficos, usinas de etanol de milho, construção civil, comércio e prestação de serviços.
“Não é simplesmente crescimento do agro. É a transformação de algumas cidades do interior em polos urbanos regionais. Uma atividade alimenta a outra”, explicou.
Confira os municípios que aumentaram mais de 1000 habitantes entre 2025 e 2026:
Municípios que tiveram crescimento de mais de mil habitantes entre 2025-2026
| Município | População estimada em 2025 | População estimada em 2026 | Crescimento populacional entre 2025-2026 |
| Sinop | 223.780 | 231.452 | 7.672 |
| Cuiabá | 691.875 | 698.917 | 7.042 |
| Rondonópolis | 263.708 | 268.202 | 4.494 |
| Sorriso | 124.665 | 128.727 | 4.062 |
| Lucas do Rio Verde | 95.792 | 99.291 | 3.499 |
| Primavera do Leste | 96.006 | 99.053 | 3.047 |
| Campo Verde | 49.053 | 51.969 | 2.916 |
| Nova Mutum | 63.455 | 65.663 | 2.208 |
| Tangará da Serra | 114.603 | 116.637 | 2.034 |
| Campo Novo do Parecis | 51.722 | 53.393 | 1.671 |
| Barra do Garças | 73.878 | 75.524 | 1.646 |
| Querência | 31.100 | 32.368 | 1.268 |
| Sapezal | 32.514 | 33.520 | 1.006 |
Outro grupo é formado pelos grandes polos urbanos, como Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis. Nesses municípios, além da atividade econômica, a concentração de hospitais, universidades, comércio, administração pública, logística e serviços especializados também contribui para atrair moradores.
Há ainda cidades como Tangará da Serra e Barra do Garças, que funcionam como polos regionais. Elas atraem moradores de municípios menores do entorno em busca de emprego, educação, saúde, comércio e serviços. Para o professor, o fenômeno pode ser explicado pela busca por oportunidades.
“As pessoas estão seguindo as oportunidades. Mato Grosso está reproduzindo internamente um fenômeno clássico das sociedades em desenvolvimento: a migração em direção aos polos que concentram emprego, renda e serviços”, explicou.
Munhoz destacou que o crescimento do agronegócio não significa, necessariamente, aumento expressivo de trabalhadores diretamente no campo, já que a produção é altamente mecanizada. O impacto populacional aparece principalmente nas cidades que prestam serviços ao setor e industrializam a produção.
Sinop é apontada por ele como um dos principais exemplos. Segundo o professor, a cidade deixou de ser apenas um centro ligado à produção agrícola e passou a concentrar universidades, serviços médicos, comércio e empresas que atendem a uma extensa região do norte de Mato Grosso.
O crescimento populacional, segundo o professor, tende a ser positivo para a economia, pois amplia o mercado consumidor, a oferta de mão de obra, os investimentos e a arrecadação. O desafio, porém, é garantir que a infraestrutura acompanhe o aumento de moradores.
“Crescer é uma boa notícia, desde que a infraestrutura cresça junto com a população”, afirmou o professor.
Municípios que perderam mais de 100 habitantes
Para o professor Munhoz, nos municípios que apresentaram redução populacional, o fenômeno é praticamente o inverso. Entre eles estão Jauru, Guiratinga, General Carneiro e outras cidades que tiveram ciclos econômicos importantes, ligados à mineração, madeira, pecuária ou agricultura, mas não conseguiram desenvolver novas atividades com capacidade semelhante de gerar empregos urbanos. Segundo ele, essa situação provoca o que os estudos demográficos chamam de migração seletiva.
Confira os municípios que apresentaram perda de mais de 100 habitantes:
Municípios que perderam mais de 100 habitantes entre 2025-2026
| Município | População estimada em 2025 | População estimada em 2026 | Decréscimo populacional entre 2025-2026 |
| São José dos Quatro Marcos | 17.721 | 17.613 | -108 |
| Guarantã do Norte | 31.209 | 31.092 | -117 |
| Cláudia | 9.301 | 9.168 | -133 |
| Denise | 6.675 | 6.536 | -139 |
| Vila Rica | 19.686 | 19.545 | -141 |
| Barra do Bugres | 29.406 | 29.238 | -168 |
| Alto Paraguai | 7.525 | 7.335 | -190 |
| Rosário Oeste | 15.041 | 14.848 | -193 |
| São José do Rio Claro | 14.455 | 14.250 | -205 |
| Guiratinga | 10.252 | 9.975 | -277 |
| Jauru | 7.881 | 7.522 | -359 |
| Cotriguaçu | 10.030 | 9.665 | -365 |
O movimento costuma começar quando jovens deixam o município para estudar em cidades maiores, como Cuiabá, Sinop, Rondonópolis e Cáceres. Depois de concluir os estudos e conseguir emprego, muitos acabam formando família e permanecendo nesses centros.
“Normalmente, são os jovens, que têm maior participação na população economicamente ativa, que apresentam maior propensão a sair”, afirmou o professor.
A perda contínua de moradores pode gerar impactos econômicos e sociais. Entre eles estão a redução do mercado consumidor, menor oferta de mão de obra, dificuldade para atrair empresas e investimentos e envelhecimento da população. O professor também aponta a possibilidade de um ciclo de perda populacional.
“Menos oportunidade, saída de jovens, mercado menor, menos investimento, menos oportunidade e nova saída populacional.”
Para ele, embora uma redução da população possa gerar algum alívio momentâneo na demanda por infraestrutura, habitação e serviços públicos, porém, a perda persistente tende a produzir mais efeitos negativos para os municípios.
Municípios ‘nem-nem’
Ainda na comparação, temos o município de Apiacás, que ficou na categoria de município ‘nem-nem’: que nem cresceu, nem diminuiu a quantidade de habitantes no último ano. Para Munhoz, isso não significa necessariamente estagnação econômica. Em cidades pequenas, diferenças de poucos habitantes podem estar relacionadas à própria metodologia utilizada nas estimativas populacionais.
O professor ressalta que os números divulgados pelo IBGE são estimativas populacionais e não representam uma contagem exata de quantas pessoas entraram ou saíram de cada município. Por isso, segundo ele, o mais adequado é falar em aumento ou redução da população estimada, e não afirmar que determinado número de pessoas migrou efetivamente para uma cidade.
O que os dados mostram sobre Mato Grosso
Na avaliação de Munhoz, o mapa populacional de Mato Grosso acompanha cada vez mais o mapa das oportunidades econômicas.
“As cidades que conseguiram transformar a riqueza do agronegócio, da agroindústria, da logística, do comércio e dos serviços estão atraindo população”, explicou.
Ao mesmo tempo, municípios que não conseguiram diversificar suas economias na mesma velocidade tendem a perder moradores, principalmente os mais jovens. Para o professor, o estado enfrenta dois desafios: garantir infraestrutura nas cidades que crescem rapidamente e criar novas oportunidades econômicas nas regiões que estão perdendo população.
Agro Mato Grosso
Por que cânion paradísiaco atrai turistas mesmo durante a seca em MT?

Fenômeno ocorre durante o período de estiagem e transforma a paisagem de um dos principais atrativos turísticos de Vila Bela da Santíssima Trindade (MT).
Um vídeo que mostra o Cânion do Jatobá, em Vila Bela da Santíssima Trindade, a 562 km de Cuiabá, completamente seco voltou a chamar a atenção nas redes sociais no últimos dias. Segundo especialistas, o baixo volume de água ocorre todos os anos durante a estiagem e transforma o visual de águas cristalinas conhecido pelos turistas, mas não impede totalmente a visitação.
A cada temporada, o cânion recebe cerca de 7 mil a 8 mil visitantes. Durante a seca, as visitas ocorrem normalmente pelas formações rochosas, que permitem conhecer o ponto turístico sem as tradicionais piscinas geradas no período chuvoso.
O guia de turismo Victor Couto destacou que as visitas ao Cânion do Jatobá não são comprometidas pela transformação na paisagem e disse que há visitantes que vão ao local justamente para conhecer o cânion seco.
“Eles ficam muito impressionados com a rapidez com que ele seca. Tem muita gente que fica curiosa e aí vem só para conhecer ele pessoalmente”, relatou.
O Cânion do Jatobá é um dos últimos atrativos da região a perder a água. No entanto, Victor acrescentou que quando o processo inicia, a mudança pode ocorrer rapidamente.
“A partir de maio, os atrativos começam a secar, e o Cânion é o que demora mais para começar a perder água. Às vezes, ele consegue ficar com água até agosto. Só que, quando começa a secar, o processo é muito rápido. Você vai em um dia e ele está com água; dois ou três dias depois, volta e ele já está totalmente seco”, detalhou.
O “sumiço” da água na superfície do cânion é um evento anual. O Cânion do Jatobá é alimentado pela Cachoeira do Jatobá e, durante a estiagem, o fluxo de água deixa de correr pela superfície e passa a seguir inteiramente por baixo das rochas.
Ao contrário do que se possa imaginar, a redução do volume de água durante a seca também pode favorecer a visitação. Para Alcindo Chaves, outro guia de turismo da região, a vazão temporária no cânion permite a exploração turística do local, já que, durante as cheias, o grande volume de água dificulta o acesso e a visitação com segurança.
“Eu acho que, para nós aqui, [a seca] também favorece, né? E eu falo isso porque o turismo aqui em Vila Bela funciona o ano todo. Porque, se a água corresse só por cima [das pedras], durante a cheia a gente não teria condições de fazer a visitação”, concluiu.
O professor de geologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Caiubi Kuhn, explicou que o cânion está associado a um tipo de aquífero, formado por rochas subterrâneas capazes de armazenar e transmitir água. Segundo ele, esse aquífero tem menor capacidade de armazenamento do que outros, como o Aquífero Guarani, presente em outras partes do estado.
“Não é um aquífero com uma capacidade tão boa quanto a de outros locais, como na região de Chapada dos Guimarães e no Vale do Rio Claro, onde os cursos d’água vêm do Aquífero Guarani. Quando há uma estiagem mais forte, o curso de água pode chegar a secar, situação que se agrava quando temos vários anos seguidos com chuvas abaixo da média”, destacou.
Segundo ele, o processo do cânion secar e encher todos os anos é natural e está associado às estações climáticas.
“Esse processo é normal e se relaciona com as estações do ano. As rochas daquela região não permitem ter uma armazenagem de grandes quantidades de água. […] Então, quando se tem uma estação de seca um pouco mais forte, esse aquífero é mais afetado e pode levar a secar completamente o curso de água”, esclareceu.
O professor ainda alertou que, embora seja comum que o cânion fique seco todos os anos, as mudanças climáticas podem intensificar o processo. Para ele, a ação humana também pode contribuir para o agravamento desses períodos.
“As mudanças climáticas podem fazer com que tenhamos secas mais severas ou, em outras regiões, chuvas mais intensas, com eventos extremos que impactam o ciclo hídrico de uma região. Então, mesmo sendo um fenômeno que, de certa forma, é natural, ele pode ser agravado pelas mudanças climáticas que tem uma influência humana”, completou.
🌄O Cânion
O Cânion do Jatobá foi moldado ao longo de milhões de anos pela força das águas da Cachoeira do Jatobá, localizada na Serra de Ricardo Franco. O percurso da trilha tem cerca de 5 km no total e é considerado de nível fácil.
O local é conhecido por ter mais de 8 metros de profundidade e formar piscinas de água cristalina que variam entre tons de azul e verde, permitindo a observação de alguns peixes, segundo Victor.
“Com a água cristalina, conforme o sol bate, a água fica azul, dependendo da época. Quando chove, por exemplo, a água fica verde. E, por volta da segunda metade de novembro, ele já costuma estar cheio”, disse.
Para quem desejar visitar Vila Bela da Santíssima Trindade, a região também reúne diversos outros pontos turísticos, como a Cachoeira do Capivari, a Trilha do Cipó e passeios de barco pelo Rio Guaporé. Alcindo ressaltou que há também um período de alta temporada, que pode favorecer a visita aos atrativos naturais.
“A nossa alta temporada inicia a partir de novembro e vai até o final de junho. Eu sempre falo que o melhor período para visitar Vila Bela é na alta temporada, porque você vai pegar as cachoeiras com volume de água intenso”, afirmou.
A Secretaria de Turismo de Vila Bela da Santíssima Trindade oferece um tour virtual pelas principais atrações turísticas do município. A iniciativa permite conhecer os locais gratuitamente pela internet e apresentar as belezas naturais da região ao público.
*Sob supervisão de Jardes Johnson.
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