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Emanuelle Calgaro expõe série de desenhos inspirados no cotidiano das abelhas

A artista Emanuelle Calgaro apresenta, em Cuiabá, a exposição “Laboriosas”, uma série inédita de desenhos inspirada na rotina e no universo das abelhas. A mostra será aberta no dia 4 de setembro, às 20h, no Museu de Arte e de Cultura Popular da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), e permanecerá em cartaz pelos próximos meses. A visitação é gratuita e poderá ser feita de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.
Reconhecida nacional e internacionalmente, Emanuelle reúne na exposição 52 desenhos inéditos, além de poemas e colagens. Nas obras, as abelhas aparecem inseridas em diferentes contextos, assumindo um protagonismo que, segundo a artista, permite estabelecer relações entre a vida silvestre e as experiências do cotidiano.
“Desenho abelhas pousadas em diferentes contextos, livres na natureza, nas colmeias, sozinhas ou acompanhadas de seus pares. Rainhas, operárias. Aproximadas ou distantes do olhar de quem observa. Foco em detalhes da estrutura do corpo, nas cores, nos pelos, asas, antenas e pontos de luz dos olhos, acompanhados pela geometria da colmeia, que representa trabalho, casa, lar”, explica.
Para criar as obras, Calgaro utiliza lápis de cor de mina macia e giz pastel seco sobre papel de alta gramatura. O processo criativo é marcado pela relação da artista com a natureza e pela busca de simbolismos presentes na vida silvestre, que acabam se transformando em metáforas para situações e desafios de seu próprio cotidiano.
“Mergulho na realidade das abelhas, que durante todo o processo de produção dessa série, me ensinaram sobre a frequência do trabalho, harmonia, organização, dedicação e prosperidade. Bem como, também sobre a produtividade, onde às vezes fazemos demais, e em outras não o suficiente”, relata.
Segundo a artista, a observação das abelhas também trouxe reflexões sobre a necessidade de equilíbrio entre trabalho e descanso.
“Elas me ensinaram sobre a ética de trabalho, mas também sobre a importância de parar e sentir o perfume das flores, quando há um tempo para apreciar o néctar da vida e um tempo para o trabalho intenso e o equilíbrio entre os dois”, destaca.
Reconhecimento
A crítica de arte e animadora cultural Aline Figueiredo também destaca a força do trabalho de Emanuelle Calgaro. A artista foi escolhida como favorita do público no Prêmio Arte Anima Latina 2024.
Para Aline, a produção de Emanuelle ultrapassa o domínio técnico e estabelece uma relação direta com quem observa as obras.
“Os desenhos de Emanuelle se comunicam muito bem. Os traços e combinações de cores constatam o talento inegável de Emanuelle Calgaro, mas seus desenhos vão além da técnica. Seu trabalho nos causa uma estranha sensação de que estamos vendo uma fração da natureza em pleno espaço expositivo, e isso é incrível”, avalia.
Moradora de Cuiabá, Emanuelle tem na natureza de Mato Grosso uma de suas principais fontes de inspiração. A diversidade e a abundância da fauna e da flora presentes no Estado aparecem como elementos recorrentes em suas criações.
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Bombeiros salvam bebê de 24 dias engasgado após pais pedirem socorro em quartel de Comodoro

Militares utilizaram a Manobra de Heimlich para desobstruir as vias aéreas do recém-nascido, que voltou a respirar normalmente em poucos instantes
O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) salvou a vida de um bebê de 24 dias, na noite desta quarta-feira (21.10), após um episódio de engasgo, em Comodoro (a 639 km de Cuiabá).
A ação foi conduzida pela equipe do 5º Núcleo Bombeiro Militar (5º NBM) após os pais pedirem socorro na unidade operacional pela situação de emergência do recém-nascido, um menino de 24 dias.
Os bombeiros agiram de forma imediata, utilizando a Manobra de Heimlich para desobstrução das vias aéreas.
Logo após os procedimentos, o bebê voltou a respirar normalmente e foi devolvido aos pais que foram orientados a levar a criança para a uma unidade hospitalar para avaliação médica.
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Neurociência cognitiva e pobreza na infância

Muitos grupos de pesquisa estão estudando a relação entre o status socioeconômico e o desenvolvimento infantil sobre a perspectiva da neurociência. Algumas pesquisas têm mostrado diferenças estruturais e funcionais de cérebros de crianças de diferentes status socioeconômico.
Diferenças no volume do hipocampo de crianças pobres tem sido atribuída ao estresse e comportamento materno, o que sustentaria a hipótese de que o desenvolvimento cerebral seja vulnerável aos efeitos da pobreza, embora a neurociência defenda que o cérebro possa se modificar em resposta aos ambientes em qualquer idade.
Toda pesquisa tem sua motivação. A atividade científica não começa com a coleta de dados. O cientista, como todos os indivíduos, é guiado por suas crenças. A observação, a coleta de dados, e as experiências são feitas de acordo com determinados interesses e, conforme certas expectativas ou ideias preconcebidas. Não existem, portanto, observações puras, sem ideias preconcebidas.
É fácil identificar a intenção original dos pesquisadores de mapear os impactos da pobreza no cérebro infantil como uma estratégia para justificar investimentos e políticas públicas. O que, do ponto de vista de desenho da pesquisa e sua validade, não constitui um problema. Mas, alguns críticos apontam para riscoséticos, conceituais e metodológicos que devem ser levados em consideração (Veja DeJoseph, Meriah et al, 2024).
Ao focar excessivamente em imagens cerebrais que mostram menor volume cortical ou menor atividade no córtex pré-frontal de crianças de baixa renda, cria-se a narrativa de que o cérebro do pobre é “defeituoso”, “danificado” ou “biologicamente inferior”, o que geraria uma patologização da pobreza. Se existe mobilidade social, como alguns indivíduos conseguem sair dessa condição se seus cérebros têm problemas?
Um impacto social da formulação de neurocientistas é que esse determinismo biológico pode reforçar estereótipos racistas e de classe, levando educadores e a sociedade a acreditarem que essas crianças têm uma limitação intrínseca e irreversível na capacidade de aprender.
Além disso, a neurociência pode desviar a atenção das causas sociológicas, macroeconômicas e políticas da desigualdade, transferindo a responsabilidade exclusivamente para o indivíduo.
Vários cientistas da educação argumentam que esses estudos trazem de volta a antiga teoria do “déficit cultural” sob uma nova roupagem biológica. Essa teoria defendeque o fracasso escolar e social de grupos de baixa renda ou minorias ocorre porque suas culturas de origem possuem deficiências, lacunas de estímulos ou falta de valores educacionais adequados, em comparação com a cultura dominante.
O déficit cultural atribui o baixo desempenho dos alunos a supostos ambientes familiares pobres em estímulos verbais, afeto ou interesse pela escola. Ou seja, transforma uma desigualdade estrutural e socioeconômica em um suposto “defeito” ou incapacidade intrínseca do aluno e de sua família.
Durante a década de 1970, a teoria do déficit cultural teve forte influência no Brasil. A infância das classes populares passou a ser vista sob a ótica da carência (nutricional, afetiva, cultural e linguística). Isso moldou o formato das creches e pré-escolas da época.
E ajudou a criar e difundir o estereótipo do “aluno carente”: consolidou-se no imaginário docente a ideia de que o aluno da escola pública era alguém “sem cultura”, “sem limites” e com famílias “desestruturadas”. Sabemos que esta ideia não se sustenta enquanto generalização.
A pobreza não é um fator isolado. Embora ela se manifeste junto com violência no bairro, instabilidade familiar e poluição, sua manifestação social não coincide com sua expressão econômica. Isolar o que é “efeito da pobreza” no cérebro em modelos estatísticos é extremamente complexo, e muitos estudos falham ao tentar simplificar essa teia causal.
Dizer que, em média, o grupo de menor renda tem menor volume em certas áreas cerebrais não significa que toda pessoa pobre tenha essa alteração. Há uma enorme sobreposição de dados entre indivíduos ricos e pobres, mas o discurso público costuma ignorar essa variação individual.
O interesse dos neurocientistas que estudam a relação entre desenvolvimento do cérebro e pobreza tem motivações nobres, mas, na ciência, isso não é suficiente para se chegar a resultados falsificáveis e reconhecidos pela comunidade científica.
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André L. Ribeiro-Lacerda é psicólogo social, ecologista do comportamento e professor de ciência, tecnologia e sociedade na UFMT, campus Várzea Grande.
Agro Mato Grosso
Alunas de escola do campo em MT produzem seis tipos de pomadas com plantas medicinais

Projeto em Barra do Garças reúne três estudantes e pesquisa o uso de espécies vegetais do Cerrado mato-grossense.
Alunas da Escola Estadual de Campo Heronides Araújo, localizada na zona rural de Barra do Garças, a 516 km de Cuiabá, estão desenvolvendo pomadas naturais a partir de plantas medicinais como parte de um projeto de pesquisa sobre os saberes tradicionais do Cerrado mato-grossense. A iniciativa reúne três estudantes e investiga o uso de espécies vegetais na produção de seis tipos de pomadas.
A iniciativa começou há cerca de quatro meses. O diretor da escola, Eugênio Marcos de Sousa, informou que a equipe já tinha uma horta com plantas medicinais e decidiu pesquisar formas de utilizá-las na produção das preparações.
“Esse projeto começou com uma ideia que tivemos assim que a Fapemat divulgou o edital. Nós já havíamos pensado nessa questão das plantas medicinais na escola, tanto que temos uma horta”, contou.
O projeto é desenvolvido por Eugênio e pela professora de matemática e bióloga Fabiane Borges de Souza, com a participação de três estudantes: Marcela Matos Luz Vieira, do 8º ano das salas anexas; Yasmin Lorraine Queiroz Nero, do 8º ano; e Gabrielle Mutzenberg Morais, do 2º ano do ensino médio, ambas da sede da escola.
As estudantes fazem parte do grêmio estudantil. De acordo com o diretor, a professora Fabiane teve a ideia inicial e mobilizou as alunas para participar da pesquisa.
Os produtos são feitos de forma caseira, em um espaço adaptado na escola, e não possuem regulamentação sanitária para comercialização. As pomadas fazem parte do projeto de pesquisa e, até o momento, não são produtos regularizados para venda.
Seis tipos de pomadas
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Projeto produz seis tipos de pomadas naturais, incluindo versões para dores musculares, queda capilar e ação repelente. — Foto: Escola Estadual de Campo Heronides Araújo
As estudantes produzem seis preparações: pomada para dores musculares, antiqueda capilar, anti-idade, repelente, cicatrizante e uma versão chamada de “Vick natural”, inspirada em produtos tradicionais usados para aliviar desconfortos respiratórios.
Os ingredientes variam conforme a finalidade de cada preparo. A pomada para queda capilar, por exemplo, leva folhas de goiaba e amora, além de canela e cravo. Já a versão repelente utiliza citronela e eucalipto.
A pomada cicatrizante contém açafrão e barbatimão. Para a preparação chamada de “Vick natural”, são utilizadas folhas de hortelã, eucalipto e poejo.
O diretor explicou que a escolha dos ingredientes e a consistência das preparações foram definidas a partir das pesquisas realizadas pela equipe.
“Para dar consistência à pomada, tivemos a ideia de usar a cera de abelha. Dependendo da preparação, também mudamos os óleos utilizados, conforme as pesquisas feitas pelas meninas”, relatou.
Além das pomadas, as estudantes também começaram a pesquisar a extração dos óleos vegetais para disponibilizá-los separadamente.
Produção dentro da escola
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Pomadas são produzidas de forma caseira em espaço adaptado na escola estadual, em Barra do Garças. — Foto: Escola Estadual de Campo Heronides Araújo
As pomadas são produzidas em um espaço improvisado na biblioteca da escola, adaptado para funcionar como laboratório. Inicialmente, a equipe utilizava um fogão elétrico de duas bocas, mas, com os recursos do projeto, comprou um equipamento de quatro bocas.
Segundo o diretor, as primeiras preparações foram apresentadas a familiares, professores e integrantes da Diretoria Regional de Educação (DRE). A equipe recebeu avaliações positivas e pedidos de novas unidades.
“Por exemplo, a nossa pomada mágica, que é para dor muscular, já disseram que é muito boa, excelente. Inclusive, já nos solicitaram mais”, destacou.
Entre os produtos que receberam comentários favoráveis também estão as versões para queda capilar e cicatrização, conforme o diretor.
Planos para o futuro
Atualmente, parte das plantas utilizadas no projeto é cultivada na própria escola, como hortelã, goiaba, poejo, guaco, eucalipto, capim-limão e babosa. A equipe pretende ampliar o cultivo com novas espécies para dar continuidade às pesquisas.
O objetivo inicial é divulgar o projeto e compartilhar o conhecimento produzido pelas estudantes. No futuro, a equipe pretende buscar um espaço próprio para a fabricação das pomadas e avaliar a possibilidade de comercializá-las para a comunidade.
“Quem sabe, lá na frente, a gente consiga fazer na escola um local próprio para isso e comercializar essas pomadas para a comunidade, com um preço acessível a todas as pessoas”, afirmou Eugênio.
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A horta inclui plantas como hortelã, babosa, guaco, poejo e eucalipto. — Foto: Escola Estadual de Campo Heronides Araújo
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