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Livro lançado na Expointer resgata momentos marcantes da trajetória de Francisco Turra

“Eu queria fugir de Brasília.” A frase de Francisco Turra resume parte dos desafios enfrentados pelo ex-ministro ao assumir a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O episódio é um dos relatos que ajudam a contar a trajetória do gaúcho no livro O Embaixador do Agro, lançado nesta terça-feira (1º), durante a 49ª Expointer, em Esteio (RS).
Em entrevista ao projeto Memórias do Brasil Rural, do Canal Rural, Turra contou que encontrou uma Conab marcada por denúncias e problemas de gestão. Durante sua passagem pela estatal, foram encaminhados à Polícia Federal cerca de 100 processos relacionados a desvios, segundo o ex-ministro.
A situação também trouxe ameaças. “Meus assessores vieram embora. […] Nós sofremos ameaças permanentes”, relatou. Apesar do cenário, Turra afirma que a gestão terminou com o reconhecimento da Conab como a melhor entidade pública do Brasil.
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Meta de 100 milhões de toneladas
O trabalho na Conab levou Turra ao Ministério da Agricultura, no governo de Fernando Henrique Cardoso. Ao assumir a pasta, ele conta que estabeleceu uma meta considerada ousada para a época: elevar a produção brasileira de grãos de 75 milhões para 100 milhões de toneladas.
A marca foi superada. Segundo o ex-ministro, o país encerrou o governo FHC com produção acima de 110 milhões de toneladas.
Entre as medidas adotadas durante a gestão, Turra também destaca ações para modernizar a frota de máquinas agrícolas, apoiar cadeias como leite, frutas e hortaliças e avançar na abertura de mercados para a proteína animal.
Carne brasileira ganha espaço
A atuação internacional foi um dos pontos marcantes da carreira de Turra. Ele relembra as negociações para retirar restrições impostas ao Brasil por causa da febre aftosa e ampliar a venda de carne para outros países.
“60 países assinaram um acordo num dia querendo comprar carne brasileira”, contou no Memórias do Brasil Rural.
A experiência internacional continuou depois do Ministério da Agricultura. A partir de 2008, Turra liderou entidades que contribuíram para a criação da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Segundo ele, foram mais de 80 países visitados em missões para promover os produtos brasileiros.
O livro também recupera a infância de Turra em Marau (RS), a carreira política e a participação da família em sua trajetória. Nascido em 1942, filho de um pequeno produtor rural e açougueiro, ele foi prefeito, deputado estadual e ministro da Agricultura.
Para Turra, revisitar essa história representa mais do que recordar cargos e conquistas. “É um exercício de profunda gratidão”, afirmou. “Com trabalho, paciência e, acima de tudo, diálogo, somos capazes de construir pontes e levar o campo brasileiro a alimentar o mundo.”
O Embaixador do Agro, da Critério Editorial, tem 172 páginas. Após o lançamento na Expointer, a obra será apresentada em Marau, cidade natal de Turra, em 11 de setembro.
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AgResource projeta safra recorde de soja do Brasil em 184,1 milhões de toneladas

A AgResource Brasil estima a safra nacional de soja 2026/27 em 184,1 milhões de toneladas. A projeção foi divulgada nesta terça-feira (1º), em São Paulo, e representa um recorde, com alta de 3,6 milhões de toneladas, ou 2,0%, sobre as 180,5 milhões de toneladas estimadas para 2025/26. O cálculo considera área estável na comparação entre as duas temporadas.
Segundo a consultoria, a projeção fica 1,9 milhão de toneladas abaixo das 186 milhões de toneladas projetadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A diferença, de acordo com a AgResource, decorre de duas premissas centrais: ausência de expansão de área em 2026/27 e desconto climático de 4,9 milhões de toneladas atribuído ao El Niño.
Com área estável, todo o crescimento estimado para a próxima safra viria de produtividade, e não de aumento de hectares cultivados. A consultoria afirma que a manutenção da área não está associada a uma leitura climática. Segundo a empresa, se a área não avançar em 2026/27, a explicação está em margem, custo e crédito.
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Do total descontado pelo efeito climático, o Matopiba responde por cerca de 3,9 milhões de toneladas, Mato Grosso por 2,7 milhões e Goiás por 1,0 milhão. Parte dessas perdas seria compensada por ganho de aproximadamente 2,5 milhões de toneladas no Rio Grande do Sul, no Paraná e em Santa Catarina.
Em nota, a AgResource afirmou que o El Niño não reduz a safra brasileira de forma linear, mas desloca a produção entre regiões do País. A consultoria também citou estudo anterior segundo o qual a expansão da soja ocorreu nos sete plantios sob eventos fortes de El Niño dentro de uma amostra de 47 safras.
A empresa destacou ainda que a primeira estimativa de safra deve ser tratada como uma faixa. No histórico de 18 safras, o erro absoluto médio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) frente ao resultado final foi de 5,5% em dezembro, 2,5% em março e 1,1% em maio.
A AgResource informou que revisará a projeção de 184,1 milhões de toneladas à medida que o plantio avance e conforme se confirme o regime de chuvas entre janeiro e março.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Greening registra menor avanço em 9 anos em cinturão citrícola

O greening registrou em 2026 a menor taxa de avanço dos últimos nove anos no cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro, conforme levantamento do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus).
O estudo mostra que a incidência passou de 47,63%, em 2025, para 48,08% neste ano, elevação de 0,45 ponto percentual, significativamente abaixo dos 3,28 pontos percentuais registrados anteriormente.
Mesmo com a pontual desaceleração, o cenário ainda exige cuidado. Principal doença dos citros no mundo, causa o amarelamento das folhas, a deformação e a queda prematura dos frutos em plantas cítricas, além de levar à morte da árvore afetada.
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Maior produtor individual de laranja do mundo, o estado de São Paulo responde por 80% de tudo o que o Brasil colhe e tem buscado manter uma estrutura permanente de enfrentamento ao greening. A ideia é reunir defesa agropecuária, assistência técnica, pesquisa e crédito para apoiar os produtores no manejo da doença, na renovação dos pomares e, quando necessário, na mudança de cultura.
Em 2025, o grupo de sucos foi o terceiro principal segmento das exportações do agronegócio do estado, com US$ 2,98 bilhões em vendas externas, dos quais 97,9% corresponderam ao suco de laranja.
“Estamos falando de uma das cadeias mais importantes do agro paulista, de uma atividade em que São Paulo exerce uma liderança absoluta e que tem peso significativo na nossa balança comercial, geração de empregos e desenvolvimento regional. Esse resultado é positivo, mas aumenta ainda mais a nossa responsabilidade de manter uma política permanente de sanidade, pesquisa e apoio ao produtor”, afirma o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho.
Em 2025, a Defesa Agropecuária inspecionou aproximadamente 222,7 milhões de plantas e eliminou cerca de 4,42 milhões.
As equipes fiscalizam propriedades, acompanham a situação sanitária dos pomares, atuam no controle da produção e comercialização de mudas e verificam o cumprimento das medidas destinadas à eliminação de plantas contaminadas e ao controle do psilídeo, inseto vetor da bactéria causadora do greening.
“O enfrentamento do greening exige atuação permanente e integrada. Entre 2024 e 2025, o avanço da doença desacelerou, refletindo os resultados das ações de manejo e fiscalização. Em parceria com o Instituto BioSistêmico (IBS), a Defesa Agropecuária utiliza ferramentas de inteligência e análise territorial para priorizar áreas de maior risco, otimizar as inspeções e fortalecer a proteção da citricultura paulista”, relata a diretora da Defesa Agropecuária, Erika Ramos Mello.
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96% da área de cacau no Brasil está apta a exportar para a UE, diz Abicab

A crescente demanda por rastreabilidade e comprovação da origem sustentável da matéria-prima tende a ampliar a competitividade do cacau brasileiro no mercado europeu. A avaliação é do presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab), Jaime Recena.
A fala do executivo aconteceu durante a ExpoCacau 2026, realizada entre 25 e 27 de agosto, na Bahia.
Segundo ele, 96% da área atual de cacau no Brasil está apta a produzir para exportação à União Europeia, reforçando o potencial do país em ampliar sua presença no mercado internacional.
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“O Brasil tem condições únicas de atender às exigências de sustentabilidade e rastreabilidade do mercado europeu. Isso nos coloca em posição estratégica para ampliar nossa participação e transformar a sustentabilidade em vantagem competitiva”, afirmou Recena.
O tema foi discutido no episódio “Cacau do futuro: ciência, sustentabilidade e bioeconomia para gerar valor no campo”, parte da programação do podcast da Nestlé na ExpoCacau 2026.
Entre os destaques da cacauicultura nacional estão a capacidade de rastreabilidade da produção e o potencial de expansão do cultivo em áreas já degradadas. No Pará, por exemplo, 80% da área plantada com a amêndoa está localizada em áreas desmatadas até 1998, contribuindo para a recuperação da paisagem, melhoria da estrutura do solo, aumento da matéria orgânica e sequestro de carbono.
Nesse cenário, Recena enfatizou que a sustentabilidade ganha também uma dimensão comercial: além de contribuir para a conservação ambiental e geração de renda no campo, práticas de produção e rastreabilidade se tornam diferenciais estratégicos para o acesso a mercados internacionais.
Em 2025, o Brasil exportou 90,3 mil toneladas de produtos da cadeia do cacau, movimentando US$ 804,9 milhões, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
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