Sustentabilidade
‘O Soja Brasil nasceu para acompanhar de perto o que acontece com a principal cultura do agro’, diz Julio Cargnino

O Projeto Soja Brasil completa 15 anos em setembro. A trajetória será celebrada durante a Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27, marcando uma história construída lado a lado com produtores de diferentes regiões do país.
Criado pelo Canal Rural, o projeto nasceu com a proposta de acompanhar de perto o desenvolvimento da principal cultura agrícola do Brasil, levando informação, orientação técnica e respostas aos desafios enfrentados no campo.
Segundo Julio Cargnino, presidente do Canal Rural, a criação do Soja Brasil surgiu da necessidade de estruturar um acompanhamento mais próximo e frequente da safra.
“O projeto nasceu com o objetivo de fazer um acompanhamento de tudo o que acontecia na safra do principal produto do agro. O Canal Rural sempre cobriu a soja, mas sentimos a necessidade de ter um trabalho estruturado, com rigor técnico e acompanhamento direto com os produtores, formando uma grande comunidade preocupada com o tema e que nos ajudasse a refletir sobre os problemas e a levantá-los com velocidade”, afirma.
De acordo com Cargnino, a iniciativa também foi construída a partir da união entre diferentes representantes da cadeia, incluindo associações de produtores, Embrapa e empresas parceiras.
“O Soja Brasil é uma aliança estratégica. Com essa parceria, pudemos conectar os principais atores da cadeia da soja e, ao longo de todo o período, durante toda a safra, manter uma grande mobilização de comunicação para que as informações relevantes fluíssem rapidamente”, destaca.
Informação em momentos decisivos
Um dos episódios mais marcantes da história do projeto ocorreu durante o avanço da Helicoverpa armigera, praga que provocou grandes prejuízos em lavouras de diferentes regiões do país e gerou uma corrida por soluções de manejo.
Para Cargnino, o Soja Brasil teve papel importante naquele momento ao ajudar a identificar e disseminar rapidamente informações sobre a presença da praga e as alternativas disponíveis aos produtores.
“Talvez um dos casos mais importantes ao longo desses 15 anos tenha sido na época da Helicoverpa, aquela lagarta que chegou às lavouras em várias regiões do país. Era uma coisa nova e houve uma corrida por soluções agronômicas e manejos para combater o problema. O Soja Brasil foi muito importante para avisar e informar quando havia detecção de problemas em regiões do país e levar orientação aos produtores, em uma parceria muito forte com a Embrapa”, ressalta.
Ao longo de 15 anos, o projeto consolidou uma atuação voltada à informação e à aproximação com quem está no campo, acompanhando diferentes momentos da produção e os desafios enfrentados a cada safra.
“Ao longo desses anos, o projeto cumpriu esse papel de ser parceiro do produtor, estar ao lado dele, acompanhando o sojicultor, entendendo suas dores e sendo um canal de comunicação para toda a cadeia da soja”, comenta Cargnino.
Para o presidente do Canal Rural, uma das marcas do projeto foi justamente contribuir para aproximar produtores de diferentes regiões. “O Soja Brasil ajudou a unir os produtores de soja de todo o país”, conclui.
Uma história que também está na memória
A trajetória do projeto também foi resgatada pelo Memórias do Canal Rural, que reúne histórias e momentos importantes da cobertura do agronegócio ao longo dos anos. Entre os registros estão os primeiros passos do Soja Brasil e a realização do primeiro fórum que ajudou a consolidar a proposta de aproximar produtores, especialistas, pesquisadores e representantes da cadeia da soja.
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Sustentabilidade
Disparada do petróleo, incentivos a biocombustíveis, demanda e preocupação com clima fazem soja subir mais de 2% em Chicago – MAIS SOJA

Os contratos futuros da soja fecharam em forte alta na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), nesta terça-feira, atingindo os melhores patamares em mais de dois anos e meio. O mercado foi sustentado por uma combinação de fatores: a disparada do petróleo, anúncio positivo sobre biocombustíveis pelo governo americano, piora nas condições das lavouras e firme demanda chinesa.
A tensão entre Estados Unidos e Irã aumentou no dia de hoje, com novos ataques americanos ao país e promessa de resposta pelo governo iraniano. Como consequência o barril operava com ganhos em torno de 5% quando do fechamento da Bolsa de Chicago.
A Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos concedeu na segunda-feira isenções a pequenas refinarias em relação às exigências nacionais de mistura de biocombustíveis, totalizando 1,76 bilhão de créditos de combustível renovável para o ano de conformidade de 2025 quase o dobro do volume que a agência esperava inicialmente isentar.
A Casa Branca tem tentado aliviar a pressão sobre os preços da gasolina, que subiram acentuadamente durante o conflito envolvendo EUA, Israel e Irã. As refinarias buscaram as isenções para reduzir os custos de produção de combustíveis, enquanto legisladores de estados agrícolas alertaram que a medida pode reduzir a demanda por culturas utilizadas na fabricação de biocombustíveis.
Hoje, os exportadores privados norte-americanos reportaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 136.000 toneladas de soja à China, que serão entregues na temporada 2026/27.
Ontem, o USDA divulgou dados sobre as condições das lavouras americanas de soja. Segundo o USDA, até 30 de agosto, 58% estavam entre boas e excelentes condições, 29% em situação regular e 13% em condições entre ruins e muito ruins. Na semana anterior (23 de agosto), os índices eram de 60%, 28% e 12%, respectivamente. A previsão de clima seco e de altas temperaturas pode vir a comprometer o potencial produtivo da safra americana.
Preços
Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com alta e 29,75 centavos de dólar ou 2,3%, a US$ 13,17 3/4 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 13,32 3/4 por bushel, com elevação de 29,50 centavos de dólar ou 2,26%.
Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com alta de US$ 7,30 ou 2,11% a US$ 352,60 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 72,63 centavos de dólar, com ganho de 1,49 centavo ou 2,09%.
Fonte: Agência Safras
Sustentabilidade
Nova geração da biotecnologia reduz dependência de fatores de manejo no campo – MAIS SOJA

A expansão dos bioinsumos no agronegócio brasileiro trouxe também um desafio: garantir que o desempenho observado em condições controladas se mantenha até o campo. Armazenamento, compatibilidade de misturas, condições ambientais e precisão na aplicação historicamente estiveram entre os fatores capazes de interferir no resultado.
A evolução da biotecnologia, porém, começa a reduzir essa dependência ao incorporar formulações e tecnologias desenvolvidas para conferir maior estabilidade e flexibilidade ao manejo.
Na modalidade de produção on-farm (realizada na própria propriedade), os principais desafios estão no rigor metodológico durante o processo de multiplicação. Deficiências no controle de qualidade, falta de padronização dos procedimentos e problemas nas medidas de biossegurança podem resultar na contaminação do lote ou na degradação da matéria-prima, comprometendo a viabilidade dos organismos inoculados.
Já nas soluções desenvolvidas em ambiente industrial, o controle de qualidade na origem não elimina os cuidados necessários nas etapas seguintes. Mesmo com os avanços de formulação, logística, armazenamento e aplicação na fazenda seguem relevantes para o resultado no campo. Historicamente, fatores como armazenamento, compatibilidade de misturas, condições ambientais e precisão na aplicação estiveram entre os pontos capazes de interferir no desempenho dos bioinsumos no campo.
Quando uma solução é mais vulnerável a essas variáveis, uma falha no processo pode comprometer a eficiência e o retorno esperado pelo produtor. A nova geração da biotecnologia vem justamente buscando reduzir essa dependência, com tecnologias desenvolvidas para ampliar a estabilidade e a flexibilidade do manejo sem eliminar a importância da aplicação correta”, explica Carlos Augusto Corniani, engenheiro agrônomo e diretor comercial da Síntese Agro Science.
Na prática, quando a tecnologia não entrega o desempenho esperado, o impacto pode ir além do valor do produto aplicado: envolve tempo operacional, perda da janela ideal de aplicação, avanço de pragas ou doenças, necessidade de retrabalho e possível redução da produtividade, pressionando a margem da lavoura. Historicamente, fatores como armazenamento, mistura e condições ambientais tiveram grande peso no desempenho dos bioinsumos no campo.
A nova geração da biotecnologia vem sendo desenvolvida justamente para reduzir essa dependência, com soluções mais estáveis e flexíveis ao manejo, sem eliminar a importância da aplicação correta”, analisa Corniani. Parte dos problemas observados no campo começa antes mesmo de a solução ser aplicada.
A escolha predominantemente pelo preço, sem considerar se a formulação e as características da tecnologia são compatíveis com o manejo proposto, pode afetar o resultado. Nas tecnologias mais sensíveis às condições de uso, incompatibilidade de misturas, armazenamento inadequado e condições ambientais desfavoráveis estão entre os fatores que podem limitar o desempenho.
“O produtor precisa começar com uma tecnologia de qualidade e preservar essa condição até o momento da aplicação. São detalhes que fazem toda a diferença no resultado”, afirma Corniani. Mesmo com tecnologias mais estáveis e flexíveis ao manejo, boas práticas continuam sendo importantes para preservar a viabilidade biológica e favorecer o desempenho agronômico.
Entre os cuidados estão condições adequadas de estocagem, respeito às dosagens recomendadas, testes de compatibilidade de caldas e aplicação nas janelas indicadas pelos fabricantes.
Sobre a Síntese Agro Science
Fundada em 2018, a Síntese Agro Science é uma empresa brasileira de biotecnologia aplicada no agro, com atuação nacional, dedicada ao desenvolvimento de soluções que ampliam a eficiência produtiva com menor impacto ambiental.
A empresa desenvolve tecnologias para nutrição vegetal, bioestimulação e aplicação agrícola, transformando pesquisas em soluções práticas que aumentam a produtividade no campo com mais previsibilidade e eficiência. Suas soluções não deixam resíduos tóxicos nos grãos e nas culturas tratadas, atendendo e superando os principais protocolos internacionais de exportação na Europa, Ásia e América do Norte, alinhadas a práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) e desenvolvidas com foco na biodiversidade e na saúde humana e animal.
Com base em biotecnologia de nova geração, a Síntese Agro Science investe em pesquisa e estrutura laboratorial para desenvolver soluções a partir de microrganismos e processos biológicos controlados, antecipando, em ambiente industrial, respostas que tradicionalmente ocorreriam no campo. A companhia tem como objetivo contribuir para a evolução do modelo produtivo do agro, integrando biotecnologia ao manejo agrícola para aumentar a eficiência, reduzir desperdícios e ampliar a competitividade do produtor brasileiro.
Fonte: Assessoria de imprensa
Sustentabilidade
Redução da produtividade da soja causada pelo milho tiguera – MAIS SOJA

Um dos principais desafios dos sistemas de produção de grãos em que a soja é cultivada em sucessão ao milho é a presença de plantas voluntárias de milho, popularmente conhecidas como “tiguera”. Essas plantas são originadas, principalmente, a partir de sementes e espigas perdidas durante a colheita do milho que, sob condições favoráveis de umidade e temperatura, germinam e originam novos fluxos de emergência em meio à cultura da soja.
Figura 1. Espiga de milho proveniente de perdas de colheita germinando.
Nesse contexto, uma espécie cultivada na safra anterior passa a assumir o papel de planta daninha na lavoura subsequente. O milho voluntário compete diretamente com a soja por recursos essenciais ao crescimento e ao desenvolvimento das plantas, como água, radiação solar, nutrientes e espaço.
Embora as colhedoras modernas, quando corretamente reguladas, apresentem baixos índices de perdas, do ponto de vista técnico são considerados toleráveis níveis de até 1% de perdas durante a colheita. Mesmo que esse percentual não represente, isoladamente, um impacto econômico expressivo sobre a rentabilidade da cultura do milho, as sementes e espigas remanescentes no campo podem originar populações de milho voluntário capazes de interferir significativamente no crescimento da soja.
Dependendo da densidade e da distribuição das plantas voluntárias, a interferência pode reduzir o crescimento e o potencial produtivo da cultura e, em situações mais severas, comprometer significativamente o estabelecimento e a viabilidade produtiva da lavoura.
Conforme observado por Piasecki (2015), a perda de rendimento de grãos de soja varia em função da competição com populações individuais de milho ou competição com touceiras de milho, assim como a densidade dessas populações. Na competição com plantas voluntárias de milho, Piasecki (2015) constatou perda de rendimento de 22,2%, 36,5% e 53,9% com populações de milho de 0,5; 1 e 2 plantas por m-2 respectivamente (figura 2).
Figura 2. Perdas percentuais no rendimento de grãos da soja em função da interferência de populações de plantas individuais de milho voluntário RR® F2.

Já na matocompetição com touceiras de milho, as perdas de produtividade de soja foram ainda superiores, variando entre 46,4% para populações de 0,5 touceira m-2; 64,5% para população de 1 touceira m-2 e até 80,3% para população de 2 touceiras de milho m-2 (Piasecki, 2015).
Figura 3. Perdas percentuais no rendimento de grãos de soja em função da interferência de populações de touceiras de milho voluntário RR® F2.

Dada a relevância do impacto do milho tiguera sobre a produtividade da soja, o manejo adequado do milho voluntário, principalmente das touceiras torna-se fundamental para reduzir a competição e preservar o potencial de rendimento da soja. No entanto, o controle do milho tiguera é ainda mais complexo se tratando de híbridos de milho com a tecnologia RR® (Roundup Ready), tornando necessário estratégias de manejo além do controle pós-emergente com o glifosato.
Confira o estudo completo desenvolvido por Piasecki (2015) clicando aqui!
Veja mais: Controle do milho tiguera deve ocorrer antes do estabelecimento da lavoura

Referências:
HRAC-BR. MILHO TIGUERA: UM DESAFIO NO MANEJO DE PLANTAS DANINHAS. Comitê de Ação a Resistência aos Herbicidas, 2026. Disponível em: < https://www.hrac-br.org/post/milho-tiguera-um-desafio-no-manejo-de-plantas-daninhas >, acesso em: 01/09/2026.
PIASECKI, C. INTERFERÊNCIA E CONTROLE DE MILHO VOLUNTÁRIO RESISTÊNTE AO GLIFOSATO NA CULTURA DA SOJA. UPF, Dissertação de Mestrado, 2015. Disponível em: < https://repositorio.upf.br/server/api/core/bitstreams/bcf7daa6-699e-4404-928f-c8b078f87d75/content >, acesso em: 01/09/2026.

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