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22 de outubro de 2026

Sustentabilidade

Redução da produtividade da soja causada pelo milho tiguera – MAIS SOJA

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Um dos principais desafios dos sistemas de produção de grãos em que a soja é cultivada em sucessão ao milho é a presença de plantas voluntárias de milho, popularmente conhecidas como “tiguera”. Essas plantas são originadas, principalmente, a partir de sementes e espigas perdidas durante a colheita do milho que, sob condições favoráveis de umidade e temperatura, germinam e originam novos fluxos de emergência em meio à cultura da soja.

Figura 1. Espiga de milho proveniente de perdas de colheita germinando.
Fonte: HRAC-BR

Nesse contexto, uma espécie cultivada na safra anterior passa a assumir o papel de planta daninha na lavoura subsequente. O milho voluntário compete diretamente com a soja por recursos essenciais ao crescimento e ao desenvolvimento das plantas, como água, radiação solar, nutrientes e espaço.

Embora as colhedoras modernas, quando corretamente reguladas, apresentem baixos índices de perdas, do ponto de vista técnico são considerados toleráveis níveis de até 1% de perdas durante a colheita. Mesmo que esse percentual não represente, isoladamente, um impacto econômico expressivo sobre a rentabilidade da cultura do milho, as sementes e espigas remanescentes no campo podem originar populações de milho voluntário capazes de interferir significativamente no crescimento da soja.

Dependendo da densidade e da distribuição das plantas voluntárias, a interferência pode reduzir o crescimento e o potencial produtivo da cultura e, em situações mais severas, comprometer significativamente o estabelecimento e a viabilidade produtiva da lavoura.

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Conforme observado por Piasecki (2015), a perda de rendimento de grãos de soja varia em função da competição com populações individuais de milho ou competição com touceiras de milho, assim como a densidade dessas populações. Na competição com plantas voluntárias de milho, Piasecki (2015) constatou perda de rendimento de 22,2%, 36,5% e 53,9% com populações de milho de 0,5; 1 e 2 plantas por m-2 respectivamente (figura 2).

Figura 2. Perdas percentuais no rendimento de grãos da soja em função da interferência de populações de plantas individuais de milho voluntário RR® F2.
Fonte: Piasecki (2015)

Já na matocompetição com touceiras de milho, as perdas de produtividade de soja foram ainda superiores, variando entre 46,4% para populações de 0,5 touceira m-2; 64,5% para população de 1 touceira m-2 e até 80,3% para população de 2 touceiras de milho m-2 (Piasecki, 2015).

Figura 3. Perdas percentuais no rendimento de grãos de soja em função da interferência de populações de touceiras de milho voluntário RR® F2.
Fonte: Piasecki (2015)

Dada a relevância do impacto do milho tiguera sobre a produtividade da soja, o manejo adequado do milho voluntário, principalmente das touceiras torna-se fundamental para reduzir a competição e preservar o potencial de rendimento da soja. No entanto, o controle do milho tiguera é ainda mais complexo se tratando de híbridos de milho com a tecnologia RR® (Roundup Ready), tornando necessário estratégias de manejo além do controle pós-emergente com o glifosato.

Confira o estudo completo desenvolvido por Piasecki (2015) clicando aqui!


Veja mais: Controle do milho tiguera deve ocorrer antes do estabelecimento da lavoura


Referências:

HRAC-BR. MILHO TIGUERA: UM DESAFIO NO MANEJO DE PLANTAS DANINHAS. Comitê de Ação a Resistência aos Herbicidas, 2026. Disponível em: < https://www.hrac-br.org/post/milho-tiguera-um-desafio-no-manejo-de-plantas-daninhas >, acesso em: 01/09/2026.

PIASECKI, C. INTERFERÊNCIA E CONTROLE DE MILHO VOLUNTÁRIO RESISTÊNTE AO GLIFOSATO NA CULTURA DA SOJA. UPF, Dissertação de Mestrado, 2015. Disponível em: < https://repositorio.upf.br/server/api/core/bitstreams/bcf7daa6-699e-4404-928f-c8b078f87d75/content >, acesso em: 01/09/2026.

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Sustentabilidade

Ferrugem-asiática em soja voluntária acende alerta para lavouras próximas – MAIS SOJA

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Com o avanço da semeadura da soja na safra 2026/2027, o monitoramento das condições ambientais, climáticas e fitossanitárias das áreas de cultivo torna-se indispensável para o planejamento das práticas de manejo e o ajuste de estratégias que favoreçam o crescimento, o desenvolvimento e a produtividade da cultura. Entre as principais práticas de manejo ao longo do ciclo da soja, destaca-se o posicionamento de fungicidas no programa fitossanitário, que deve considerar fatores como a suscetibilidade das cultivares às doenças, o histórico fitossanitário da área, a presença de patógenos e as condições ambientais favoráveis à ocorrência de doenças.

Nesse contexto, acompanhar a evolução dos casos de ferrugem-asiática (Phakopsora pachyrhizi) é fundamental para orientar o posicionamento dos fungicidas e planejar estratégias de manejo que contribuam para reduzir os danos causados pela doença, especialmente em áreas com condições favoráveis ao seu desenvolvimento. Dependendo da suscetibilidade da cultivar e da severidade da doença, as perdas de produtividade decorrentes da ferrugem-asiática podem chegar a 90%, reforçando a importância do monitoramento e da adoção de medidas preventivas e de controle adequadas (Godoy et al., 2024).

Figura 1. Soja acometida pela ferrugem-asiática (Phakopsora pachyrhizi).
Foto: Godoy, C. V.

O fungo causador da ferrugem-asiática é considerado policíclico (com vários ciclos de infecção ao longo do desenvolvimento da cultura), e, é classificado como biotrófico, ou seja, depende de tecidos vivos do hospedeiro para sobreviver e se multiplicar (Oliveira et al., 2020). Além disso, pode acometer a soja em qualquer estádio do desenvolvimento das plantas, do período vegetativo até o final do ciclo. Essas características reforçam a necessidade da intensificar o monitoramento e manejo da ferrugem-asiática, especialmente em áreas com presença do patógeno em plantas voluntárias de soja, e/ou próximas a áreas com relato da doença.

Ainda que não tenham sido relatados casos de incidência da ferrugem-asiática em lavouras de soja na safra 2026/2027, Paraná e Rio Grande do Sul, já concentram casos de ferrugem-asiática em soja voluntária (figura 2). No Paraná, os principais casos foram relatados em Irati, Palmeira, Ponta Grossa, Rio Branco do Ivaí e Santana do Itararé. Já no Rio Grande do Sul, o caso relatado foi em Santo Antônio das Missões.

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Figura 2. Dispersão dos casos de ferrugem-asiática na safra 2026/2027. Casos relatados apenas em soja voluntária. Atualização do Consórcio Antiferrugem de 21 de outubro de 2026.
Fonte: Consórcio Antiferrugem.

A progressão desses casos serve de alerta aos sojicultores brasileiros, especialmente em uma safra marcada pela influência do Fenômeno El Niño, caracterizado pelo aumento do volume de chuvas no Sul do Brasil. Isso reforça a necessidade de um monitoramento contínuo das áreas agrícolas, especialmente sob condições adequadas ao desenvolvimento da ferrugem, como molhamento foliar e temperaturas amenas. A evolução dos casos de ferrugem-asiática na safra 2026/2027 pode ser acompanhada clicando aqui, no site do Consórcio Antiferrugem.



Referências:

CONSORCIO ANTIFERRUGEM. Consórcio Antiferrugem: Parceria público-privada no combate à ferrugem asiática da soja, 2026. Disponível em: < http://www.consorcioantiferrugem.net/#/main >, acesso em: 21/10/2026.

GODOY, C. V. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA FERRUGEMASIÁTICA DA SOJA, Phakopsora pachyrhizi, NA SAFRA 2023/2024: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa Soja, Circular Técnica n. 206, 2024. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1165843/1/CT-206-Claudia-Godoy.pdf >, acesso em: 21/10/2026.

OLIVEIRA, G. M. et al. COLETOR DE ESPOROS: DESCRIÇÃO, USO E RESULTADOS NO MANEJO DA FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA. Embrapa, Circular técnica, n. 167, 2020. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1129482/1/Circ-Tec-167.pdf >, acesso em: 21/10/2026.

 

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Sustentabilidade

O que a soja tem a ver com chiclete? Você pode estar mascando o grão sem saber!

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A soja está muito além do campo e pode fazer parte de produtos que consumimos no dia a dia, inclusive daqueles que muita gente nem imagina. Um exemplo é o chiclete, que pode conter lecitina de soja em sua composição. O ingrediente atua como emulsificante e ajuda a manter a mistura dos componentes da fórmula.

A lecitina é obtida durante o processamento do óleo de soja e tem a função de facilitar a mistura de ingredientes que normalmente teriam dificuldade de permanecer combinados, como gorduras e outros componentes. Na indústria de alimentos, ela contribui para a estabilidade e a uniformidade das formulações.

No chiclete, a lecitina de soja pode ajudar a manter os ingredientes bem misturados e contribuir para uma textura uniforme. É uma aplicação que mostra como o grão pode estar presente em produtos que vão muito além daqueles tradicionalmente associados à agricultura.

E não para por aí. A lecitina de soja também pode ser utilizada na fabricação de chocolates e biscoitos, auxiliando na mistura dos ingredientes e na manutenção das características dos alimentos.

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A presença da soja nesses produtos evidencia a versatilidade do grão e sua importância para diferentes setores da indústria. Além de ser uma das principais commodities agrícolas do Brasil, a soja fornece matérias-primas utilizadas na elaboração de diversos produtos presentes na rotina dos consumidores.

Assim, da lavoura à indústria alimentícia, a soja percorre um caminho que nem sempre é percebido pelo consumidor. E aquele chiclete mascado no dia a dia pode ser uma oportunidade para descobrir mais uma das aplicações desse grão tão importante para a economia brasileira.



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Sustentabilidade

Anfavea alerta para avanço de máquinas importadas; compras de tratores agrícolas da China crescem 117% no ano – MAIS SOJA

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As importações de tratores agrícolas da China cresceram 117% de janeiro a setembro de 2026, para cerca de 5,2 mil unidades, enquanto as vendas de tratores no mercado interno caíram 14,1% até agosto, segundo levantamento da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

A Índia despontou como outro relevante competidor, empatando com a China com um volume semelhante de unidades vendidas. Somados, os dois países responderam por 93% dos tratores importados. As compras públicas funcionaram como um importante fator de mudança no mercado. Segundo levantamento da entidade com base no PNCP (Portal Nacional de Contratações Públicas), 65% dos 3.318 tratores agrícolas licitados em 2025 foram importados.

Entre as 10,6 mil máquinas agrícolas e rodoviárias licitadas no ano, no valor de R$ 3,7 bilhões, as de origem chinesa ficaram com 33,5% das unidades e 26% do valor, cerca de R$ 960 milhões. Os demais países estrangeiros, somados, não chegaram a 1%. O estudo classifica as máquinas pelo local de produção: marcas estrangeiras com fábrica no Brasil entram como produção nacional. O avanço das importações ocorre em um mercado que encolhe desde 2021.

As vendas internas de máquinas agrícolas no varejo somaram 27 mil unidades até agosto, queda de 15,8%, e as de colheitadeiras recuaram 39,4%. Já as importações de máquinas agrícolas subiram 42% de janeiro a setembro, para 11,2 mil unidades, mais que o dobro das 5 mil exportadas no período.

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Para a Anfavea, além do preço de aquisição, as compras públicas devem considerar o custo total de propriedade ao longo da vida útil do equipamento. “Uma máquina não termina sua relação com o comprador no momento da entrega. É um ativo que precisa operar por muitos anos, e isso depende de peças, assistência técnica, manutenção e capacidade de atendimento. Nas licitações, é importante considerar o custo total de propriedade, e não apenas o menor preço de aquisição”, afirma Igor Calvet, presidente da Anfavea.

Mercado interno

As importações de tratores cresceram 42% entre janeiro e setembro de 2026, mesmo com a retração das vendas nacionais de máquinas agrícolas. Entre os tratores importados no período, 90% têm potência de até 100 HP. A faixa entre 50 e 100 HP concentra 6.412 máquinas importadas e registra expansão de 56%. O movimento ocorre em um cenário de dificuldades para o agronegócio, com aumento da inadimplência, menor rentabilidade diante da queda dos preços das commodities e custo ainda elevado do crédito.

Na construção, por outro lado, lançamentos imobiliários e investimentos em infraestrutura têm sustentado a demanda por máquinas rodoviárias, como escavadeiras, motoniveladoras e pás carregadeiras. O que mais pesa O endividamento elevado e a baixa rentabilidade do produtor rural desestimulam a compra de máquinas novas. A Selic estava em 13,75% ao ano em setembro, e a inadimplência do crédito rural de pessoas físicas chegou a 9,7% em agosto, segundo dados do Banco Central compilados pela entidade.

Na outra ponta, fabricantes instalados no Brasil enfrentam aumento dos custos de produção. Entre os pontos de pressão estão os componentes plásticos, afetados pela alíquota de 20% sobre resinas e polímeros e por medidas antidumping aplicadas a determinados produtos. Segundo estimativas das associadas, o impacto sobre componentes plásticos utilizados nas máquinas pode variar de 4% a 7%.

Para a Anfavea, o cenário reforça a necessidade de condições equilibradas de concorrência. A entidade não defende restringir a entrada de novas marcas ou tecnologias, mas que fabricantes nacionais e importadores concorram sob requisitos compatíveis de qualidade, segurança, assistência técnica e responsabilidade sobre o produto.

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Fonte: Agência Safras



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