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Suspensão da UE às importações de carne, frango, ovos, mel e peixe começa a valer; entenda o que muda para o agro

A suspensão das importações de produtos brasileiros de origem animal pela União Europeia começa a valer nesta quinta-feira (3), atingindo carnes bovina e suína, carne de frango, ovos, mel, pescados e animais vivos destinados à produção de alimentos.
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A decisão impede que esses produtos sejam exportados para os 27 países do bloco e está relacionada às exigências europeias para o controle do uso de antimicrobianos na produção animal. A medida não decorre da identificação de irregularidades nos produtos brasileiros, mas da avaliação da União Europeia de que os mecanismos de controle adotados pelo Brasil ainda são insuficientes para atender às regras do bloco.
A União Europeia proíbe o uso de antimicrobianos para estimular o crescimento dos animais e também restringe, na produção animal, substâncias reservadas ao tratamento de seres humanos. O Brasil foi excluído, em maio, da lista de países considerados em conformidade com essas exigências.
Desde então, governo e setor privado tentam evitar a interrupção do comércio. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) adotou novas regras e o setor produtivo criou protocolos de controle e rastreabilidade. Apesar das medidas, a União Europeia não suspendeu a entrada em vigor da restrição.
Entidades das cadeias atingidas acompanham as negociações e avaliam os impactos. As consequências, porém, variam entre os setores.
O que muda para a carne bovina?
A carne bovina está entre os produtos brasileiros mais diretamente afetados pela suspensão. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirma que vê a interrupção dos embarques com preocupação e trabalha para que o Brasil seja reincluído na lista de países autorizados a fornecer o produto à União Europeia.
O mercado europeu não é o principal comprador da carne bovina brasileira em volume, mas tem importância estratégica devido ao maior valor agregado dos produtos comercializados.
Em 2025, o Brasil exportou 108,6 mil toneladas de carne bovina para a União Europeia, equivalentes a cerca de 3,5% do volume total embarcado pelo setor. Em receita, entretanto, o bloco respondeu por aproximadamente 5,5% das exportações.
Segundo a Abiec, a carne que deixa de ser enviada ao bloco pode ser direcionada a outros países nos quais o Brasil está habilitado a exportar. A substituição, porém, não ocorre automaticamente, já que cada mercado demanda tipos de cortes e produtos diferentes.
Uma das principais mudanças está na rastreabilidade do uso de antimicrobianos. Em junho, foi anunciado um novo protocolo para comprovar que determinadas substâncias não foram utilizadas durante a vida do animal. Todas as empresas associadas à Abiec habilitadas a exportar para a UE já aderiram ao protocolo desenvolvido em parceria com a Associação Brasileira das Certificadoras por Auditoria e Rastreabilidade (ABCAR) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Para a bovinocultura, entretanto, uma eventual retomada tende a ser mais demorada devido ao próprio ciclo de produção. Um animal que passe a seguir agora os novos protocolos pode levar entre 24 e 36 meses para chegar ao abate dentro das novas exigências.
Frango pode ter retomada mais rápida
Na avicultura, a expectativa é de que uma eventual retomada possa ocorrer mais rapidamente.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirma que os frangos destinados à União Europeia já são produzidos sem o uso dos antimicrobianos vetados pelo bloco. Segundo a entidade, a discussão está relacionada principalmente ao nível adicional de fiscalização exigido pelos europeus.
O setor também afirma que historicamente mantém segregada a produção destinada à União Europeia daquela enviada para outros mercados. A principal mudança está no reforço das fiscalizações em fábricas de ração, granjas e frigoríficos.
Uma missão europeia está no Brasil nesta semana para avaliar os controles adotados nas cadeias de frango e mel. A auditoria deve ser concluída até sexta-feira (4), mas o resultado ainda terá de passar pela análise das autoridades europeias.
O presidente da ABPA, Ricardo Santin, avaliou como satisfatória a missão realizada no país e afirmou que o setor aguarda o resultado das negociações entre Brasil e União Europeia.
O ciclo mais curto da avicultura também pode facilitar a adequação. Enquanto na bovinocultura são necessários anos entre o nascimento e o abate, no frango esse intervalo é de aproximadamente 45 dias.
Caso a suspensão permaneça por mais tempo, a ABPA avalia que parte da produção destinada à Europa poderá ser direcionada ao mercado interno ou aos cerca de 150 países que já importam o frango brasileiro.
Mel tenta tratamento específico
A cadeia do mel também busca uma solução para voltar a acessar o mercado europeu.
A Confederação Brasileira de Apicultura (CBA) afirma que apresentou a situação ao Ministério da Agricultura ainda em julho e defende que o produto brasileiro receba tratamento específico.
Segundo o presidente da entidade, Sergio Farias, não há registros do uso de antibióticos ou de outros medicamentos relacionados às exigências levantadas pela União Europeia na produção brasileira de mel. A avaliação do setor é de que o produto acabou incluído na restrição por fazer parte do conjunto de produtos de origem animal.
A cadeia agora aguarda os resultados da missão europeia que avalia os sistemas brasileiros de controle.
Peixe não terá impacto imediato
Embora os pescados estejam entre os produtos abrangidos pela nova restrição, a piscicultura brasileira não espera impacto imediato.
Isso porque as exportações brasileiras de pescado para a União Europeia já estão suspensas desde 2018. Portanto, atualmente não há volume comercializado pelo setor com o bloco que possa ser diretamente interrompido pela nova decisão.
A preocupação está no médio e longo prazo. Uma missão europeia esteve recentemente no Brasil para avaliar as condições de produção justamente com o objetivo de avançar em uma possível retomada das importações.
Por que a União Europeia adotou a suspensão?
A decisão foi anunciada depois que a União Europeia retirou o Brasil da lista de países considerados em conformidade com suas regras para o uso de antimicrobianos na pecuária.
Em abril, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria proibindo o uso de substâncias como avoparcina, virginiamicina e bacitracina. Posteriormente, o Brasil propôs um período de transição para adequação às exigências europeias, mas a proposta não foi aceita pelo bloco.
Em junho, o governo anunciou um novo protocolo de controle, incluindo a rastreabilidade dos animais para comprovar o cumprimento das exigências relacionadas aos antimicrobianos.
Apesar das mudanças, o Brasil permanece fora da lista de países autorizados, e a suspensão entra em vigor enquanto continuam as negociações para tentar reverter a decisão.
Quanto o agro pode perder?
Apesar de a União Europeia representar uma parcela relativamente pequena do volume total das exportações brasileiras de carnes, o bloco é considerado estratégico pelo setor, especialmente pelo perfil e pelo valor agregado dos produtos comercializados.
Estimativas apontam que a suspensão envolvendo carnes, ovos e mel pode colocar em risco cerca de US$ 1,8 bilhão por ano em exportações brasileiras. Além do efeito financeiro, representantes das cadeias atingidas acompanham possíveis reflexos da decisão sobre a imagem dos produtos brasileiros em outros mercados compradores.
Agora, a expectativa do setor está concentrada nas negociações entre o governo brasileiro e as autoridades europeias e nos resultados das auditorias realizadas no país. A reversão da suspensão dependerá do reconhecimento, pela União Europeia, de que os controles brasileiros atendem às exigências estabelecidas pelo bloco.
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Aliança do Setor Produtivo de Mato Grosso entrega carta com prioridades a candidatos ao governo

A Aliança do Setor Produtivo de Mato Grosso, formada pela Famato, Fecomércio-MT e Fiemt, entregou nesta quinta-feira (3) uma carta com prioridades e propostas para o desenvolvimento do estado aos candidatos ao governo de Mato Grosso. Entre as principais demandas do setor do agronegócio está a criação de uma Secretaria de Estado que represente a produção agropecuária. O documento, com 44 páginas, foi apresentado durante o evento Diálogo com os Candidatos ao Governo do Estado.
A iniciativa reuniu os principais nomes que devem disputar as eleições de 2026 para apresentar propostas e debater prioridades para o desenvolvimento de Mato Grosso. O encontro também permitiu ao setor produtivo avaliar o posicionamento dos candidatos diante das demandas econômicas e sociais do estado.
A carta é organizada em oito temas considerados estratégicos: Desenvolvimento Humano e Trabalho; Infraestrutura; Ambiente Econômico; Eficiência do Estado e Ambiente de Negócios; Relações Internacionais; Tecnologia e Inovação; Economia Verde; e Viver Melhor em Mato Grosso.
Para o presidente do Sistema Famato, Vilmondes Tomain, o encontro representa uma oportunidade de aproximar o setor produtivo do processo eleitoral e avaliar o preparo dos candidatos. “É a oportunidade de ouvir os candidatos, a gente fazer um balanço da fala de cada um deles, olhar o comprometimento de cada um, conhecimento e responsabilidade”, destaca ao Canal Rural Mato Grosso.
Segundo ele, a avaliação considera não apenas as propostas voltadas à economia, mas também o compromisso dos candidatos com as demandas sociais. A intenção é levar a discussão aos representantes dos diferentes segmentos que integram a cadeia produtiva de Mato Grosso.
Vilmondes destaca que a participação de lideranças de sindicatos rurais, indústria e comércio amplia o alcance da iniciativa. Para ele, o encontro também permite que os candidatos apresentem suas propostas diretamente aos representantes dos setores.
Famato apresenta agenda própria para o setor agropecuário
Paralelamente à carta elaborada pela Aliança do Setor Produtivo, a Famato entregou um documento próprio com 10 temas considerados prioritários para o setor agropecuário. Entre as propostas está a criação de uma Secretaria de Estado de Agricultura e Pecuária voltada à representação do setor.
A carta da federação também inclui a garantia do fim do Fethab II e a implantação, em Mato Grosso, da Reforma Tributária de forma a preservar a competitividade das cadeias agropecuárias e agroindustriais. Outro pedido é a atuação junto ao Governo Federal para a desburocratização do crédito rural.
Para Vilmondes, a criação da secretaria está entre os pontos de maior relevância para o segmento. “Nós fizemos uma carta da Famato, fizemos uma também junto com o Fórum. Ali existem propostas e uma das mais importantes que eu vejo é a criação de uma secretaria que nos represente, e nos dê a oportunidade de ter mais proximidade com o governo”, pontua.
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Paraguai lança oficialmente plantio de soja da safra 2026/27 nesta sexta-feira

O Paraguai realiza, nesta sexta-feira (4), o lançamento oficial do plantio da safra de soja 2026/27, em Maracaná, no departamento de Canindeyú. A região foi escolhida para sediar o evento em razão do crescimento registrado na produção nos últimos anos.
Segundo o presidente da União de Grêmios da Produção (UGP), Héctor Cristaldo, a produção de grãos é a principal atividade geradora de renda para agricultores com propriedades de menos de 20 hectares no país.
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O presidente da Federação de Cooperativas da Produção (Fecoprod), Alfred Fast, também ressaltou a relevância da soja para a economia paraguaia. De acordo com ele, a cultura contribui para a geração de divisas e integra uma cadeia produtiva capaz de transformar a produção agrícola em proteínas de maior valor agregado.
Entre os produtores paraguaios, o sentimento para a temporada 2026/27 é de otimismo. As expectativas apontam para a possibilidade de rendimentos superiores aos obtidos na última safra, o que pode favorecer o desempenho da produção nacional.
As informações são da Safras LatAm.
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Focos de calor disparam em Mato Grosso e acendem alerta no campo

Produtores rurais de Mato Grosso estão em alerta com o aumento dos focos de calor durante o período de seca e estiagem. Entre janeiro e agosto, o estado registrou mais de 7,4 mil ocorrências, alta de 8,1% em relação ao mesmo período de 2025, conforme dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Com a vegetação mais seca e as condições favoráveis à propagação das chamas, a preocupação é evitar que novos incêndios avancem sobre áreas produtivas, pastagens e reservas.
Em Jangada, os efeitos do fogo são sentidos tanto no campo quanto na área urbana. O secretário municipal de Infraestrutura, Maykon Alves dos Santos, afirma que os prejuízos atingem proprietários rurais e também moradores.
“Teve um prejuízo incalculável para muitos proprietários de áreas rurais, até mesmo na zona urbana”, afirma ao Canal Rural Mato Grosso.
Para Maykon, além das perdas materiais, os incêndios provocam impactos ambientais e atingem toda a comunidade. Ele também chama atenção para o comportamento de quem inicia o fogo de maneira irregular.
“Um fogo inconsequente que começa por uma mão inconsequente acaba com esse prejuízo enorme tanto para o meio ambiente, tanto para o produtor. É um prejuízo para todo mundo”, destaca.
Produtores reforçam alerta para áreas próximas às rodovias
A preocupação também faz parte da rotina de quem trabalha com pecuária. Em Campo Verde, o produtor rural Fernando Ferri relembra as perdas provocadas por um incêndio no ano passado, quando 400 hectares de pastagem foram atingidos.
“Na pecuária ano passado tivemos a perda de 400 hectares de pasto, com um fogo que começou na beira da rodovia da MT-140 e andou vários quilômetros por áreas de reservas, de pastagens”, relata ao Patrulheiro Agro.
Agora, com a estiagem, novos focos próximos à região voltam a deixar o produtor em alerta. Ferri afirma que a proximidade de novos focos aumenta o receio de que as chamas novamente cheguem à propriedade. Para ele, as margens das rodovias precisam receber atenção especial durante o período de seca.
“Todos esses focos começam às margens de rodovias e esses focos entram em áreas de reservas e é onde temos maior dificuldade para apagar”, avalia.
O produtor defende uma atuação conjunta entre governo estadual, União, municípios e setor produtivo para melhorar a manutenção dessas áreas. Uma das propostas é permitir que produtores cuidem das faixas próximas às propriedades, com algum tipo de compensação pelos custos de manutenção.
A medida, na avaliação dele, ajudaria a manter as áreas roçadas e limpas e poderia reduzir as condições para que o fogo iniciado às margens das rodovias avance para dentro das propriedades.
Prevenção ganha força durante a estiagem
Com o período seco, o trabalho preventivo passa a ser ainda mais importante para o setor produtivo. O monitoramento das propriedades e a preparação para o combate fazem parte das estratégias adotadas para reduzir os riscos.
Ferri conta que produtores também buscam aperfeiçoar as técnicas de prevenção e manter a articulação com o Corpo de Bombeiros. A intenção é evitar que um foco se transforme em um incêndio de grandes proporções. “Eu estou com todo um trabalho de monitoramento, de aperfeiçoamento de técnicas, com o Corpo de Bombeiros, produtor. A gente trabalha para que isso não aconteça”.
A preocupação dos produtores também envolve as consequências jurídicas relacionadas aos incêndios. A ADPF 743, julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu medidas mais rígidas contra incêndios criminosos e desmatamento ilegal.
A perda da propriedade não ocorre automaticamente em razão de qualquer incêndio. A responsabilização depende da apuração e da comprovação de crime ambiental e de responsabilidade pelo ato.
Por isso, Ferri ressalta a importância de registrar as ações de prevenção e a origem do fogo quando o incêndio começa fora da propriedade. Ele cita a necessidade de reunir documentação para comprovar que o produtor não foi responsável pelo foco.
“A propriedade que tiver foco de incêndio, ele tem que contratar hoje um engenheiro, uma ata notarial para provar que aquele fogo que começou muitas das vezes às margens da rodovia não foi ele que colocou”, frisa.
O produtor considera que o avanço do fogo representa perda de produtividade e prejuízo para toda a sociedade. “Onde entra um fogo isso é um atraso para a sociedade, para o meio ambiente”, completa.
+Confira todos os episódios da série Patrulheiro Agro
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