Sustentabilidade
Projeções indicam chuvas acima da média na Região Sul em setembro, enquanto o Norte do Brasil deve registrar redução nos volumes de precipitação – MAIS SOJA

As mudanças nas condições climáticas podem exercer forte influência sobre o desenvolvimento das culturas agrícolas, impactando diretamente a produtividade e a rentabilidade dos sistemas de produção. Nesse contexto, o acompanhamento das previsões e projeções climáticas é ferramenta importante para o planejamento e o melhor posicionamento das estratégias de manejo no campo. Essas informações podem auxiliar na tomada de decisões e, quando possível, na adoção de medidas capazes de reduzir ou mitigar os efeitos causados por adversidades climáticas.
Para setembro de 2026, o professor do Departamento de Engenharia da Esalq, Fábio Marin, apresenta atualizações no Boletim Agrometeorológico do sistema Tempo Campo. Os efeitos associados à presença do El Niño já começaram a ser observados em agosto, período em que houve predominância de chuvas na Região Sul do Brasil.
Em relação às precipitações previstas para setembro, a tendência é de maior volume acumulado na Região Sul, com valores que podem ficar acima da média histórica para o período, refletindo, principalmente, os efeitos do El Niño sobre o regime de chuvas no Brasil. Em algumas áreas da região, o volume acumulado de precipitação ao longo do mês poderá ultrapassar 200 mm.
Figura 1. À Esquerda: Precipitação total prevista para Setembro. À direita, anomalia das precipitações para Setembro de 2026.
Embora as previsões climáticas de longo prazo apresentem menor acurácia, caso as projeções se confirmem, o professor Fábio Marin chama a atenção para a possibilidade de um cenário semelhante em outubro, com predominância de chuvas acima da média histórica na Região Sul do Brasil.
Para novembro, por sua vez, o maior impacto previsto concentra-se na Região Norte, onde são esperados volumes de precipitação significativamente inferiores à média. Caso esse cenário se confirme, a redução das chuvas poderá comprometer a disponibilidade hídrica e impactar de forma substancial o desenvolvimento das culturas de verão.
Em relação ao fenômeno El Niño, as projeções indicam uma intensificação gradual a partir de setembro, com expectativa de que o fenômeno atinja seu pico de intensidade durante o mês de novembro. Embora haja algumas variações entre os diferentes modelos climatológicos, a tendência de fortalecimento do El Niño é consistente entre as projeções, indicando a possibilidade de um evento com potencial para provocar impactos significativos sobre as condições climáticas.
Esse cenário reforça a importância do planejamento estratégico para as culturas de verão, com a adoção de práticas de manejo capazes de reduzir os riscos e mitigar possíveis perdas de produtividade e rentabilidade decorrentes dos efeitos adversos associados ao fenômeno. Para informações mais detalhadas, assista abaixo ao Boletim Agrometeorológico do Sistema Tempo Campo de setembro de 2026.
Inscreva-se agora no Canal Prof Fábio Marin clicando aqui!
Referências:
INMET. CLIMA. Instituto Nacional de Meteorologia, 2026. Disponível em: < https://clima.inmet.gov.br/progp/0 >, acesso em: 03/09/2026.

Sustentabilidade
Soja/MT: custo da safra 26/27 sobe 6,96% enquanto Conab prevê menor produtividade no estado – MAIS SOJA

Segundo o projeto Custo de Produção Agropecuária em Mato Grosso (Senar-MT e Imea), o custo total da safra 26/27 de soja no estado em out/26, foi consolidado em R$ 8.210,31/ha, aumento de 6,96% frente a safra 25/26.
Esse movimento foi impulsionado, principalmente, pela alta no investimento com operações
mecanizadas, que cresceu 23,85% em relação à safra anterior, reflexo dos conflitos no Oriente Médio, somado à valorização de 10,10% nos preços dos defensivos agrícolas. Com isso, o custeio do ciclo fechou em R$ 4.324,87/sc, aumento de 3,43% (R$ 143,61/ha) no comparativo entressafras. A alta só não foi mais expressiva em razão da queda de 21,96% no preço das sementes, item que aliviou parte da pressão sobre o orçamento do produtor. Com isso, a alta no custo de produção e a perspectiva de menor produtividade em virtude dos riscos associados ao El Niño tendem a reduzir a receita bruta do produtor, que deve focar especialmente no valor de venda da produção.
Confira os principais destaques do boletim:
- AVANÇO: com a melhora nas condições climáticas no estado, a semeadura recuperou o atraso inicial, fechando em 51,86% da área prevista para a temporada.
- REDUÇÃO: com avanço da colheita da safra 26/27 da soja norte-americana, o preço da oleaginosa na CME fechou a semana com queda de 1,90%, encerrando na média de US$ 12,75/bu.
- RETRAÇÃO: pressionado pela colheita dos EUA somado à moagem abaixo do esperado, o óleo de soja em MT recuou 1,16% frente à semana passada, fechando em média de R$ 6.268,22/t.
1ª estimativa da safra 26/27 de soja indica queda na produtividade frente à safra 25/26 (Conab).
Diante dos riscos climáticos associados ao El Niño, o rendimento da soja em MT foi revisado para baixo em relação à temporada 25/26. A produtividade projetada foi de 64,82 sc/ha (-2,02%), levando a uma produção total de 50,89 mi de t (-1,43%). Esse recuo ocorre apesar da elevação de 0,60% na área cultivada (o menor crescimento de toda a série histórica), que deve atingir 13,08 mi de ha.
Em contraste, o cenário nacional é de alta: a produção brasileira de soja para a safra 26/27 foi estimada em 181,62 mi de t (+0,67%), impulsionada pela expansão de 1,43% na área total do país, que deve somar 49,31 mi de ha. Já a demanda deve crescer 2,07% (185,51 mi de t), impulsionada pela perspectiva de maior esmagamento para o aumento do B16 e pela procura externa, especialmente pela China.
Com isso, a relação estoque/uso indica um balanço mais ajustado para a safra 26/27, exigindo atenção ao equilíbrio do mercado ao longo do ciclo.
Fonte: IMEA
Sustentabilidade
Arroz/BR: semeadura atinge 33,2% da área, mas excesso de chuva desacelera trabalhos no Sul – MAIS SOJA

Arroz/BR: 33,2% semeado. No RS, a semeadura ocorreu, mas em ritmo lento. As precipitações ao longo da semana, inclusive com episódios de chuvas intensas, levaram a um excesso de umidade em muitas áreas, o que dificultou as operações de plantio. Ainda assim, quase 40% da área prevista está semeada, com bom desenvolvimento inicial da cultura.
Em SC, pouco mais da área total prevista está semeada com a cultura. Porém, o avanço das operações tem sido diminuto por conta das chuvas e do excesso de umidade nos solos.
No MA, a semeadura do arroz irrigado está em fase final, com concentração no Norte e Centro. No PR, as precipitações recentes interromperam o plantio, uma vez que as áreas se encontram com excesso de umidade, limitando as atividades no campo.
Fonte: Conab
Autor:Conab
Site: Conab
Sustentabilidade
Vigor das sementes: o atributo fisiológico que pode estar limitando a produtividade da sua lavoura – MAIS SOJA

O número de plantas por área é um dos principais componentes de rendimento da soja. No entanto, além de definir a população adequada para a semeadura, é preciso utilizar sementes com boa qualidade fisiológica, genética, física e sanitária, que possibilitem um bom estabelecimento do estante de plantas. Nessas circunstâncias, um o vigor de sementes figura como um dos atributos fisiológicos mais importantes para a obtenção de altas produtividades de soja.
Ainda que que a germinação das sementes desempenhe um papel fundamental no estabelecimento da lavoura, estudos demonstram uma interação positiva entre vigor das sementes e produtividade da soja, destacando a importância desse atributo para a obtenção de boas produtividades. O vigor está relacionado a habilidade das sementes em germinarem sob condições não necessariamente adequadas. Sendo assim, o vigor das sementes afeta diretamente a capacidade de estabelecimento da lavoura.
Ao avaliar o desempenho produtivo de culturas de soja, em resposta ao uso de lotes de sementes com níveis crescentes de vigor, Bagateli et al. (2019) observaram que os lotes de sementes com alto nível de vigor formam comunidades de plantas com maior taxa de crescimento, resultando em uma melhor estrutura da lavoura ao final do ciclo da cultura.
De acordo com Bagateli et al. (2019), o desempenho produtivo das plantas de soja aumenta à medida que se eleva o vigor dos lotes de sementes, sendo que, para cada ponto percentual de aumento no nível de vigor de um lote de sementes de soja, a produtividade de grãos pode aumentar em 28,0 kg por hectare. No entanto, os autores destacam que o impacto do vigor das sementes sobre a produtividade da soja pode variar de acordo com a cultivar.
Figura 1. A – Produtividade de plantas de soja cultivadas a partir de lotes de sementes de dois genótipos, com níveis crescentes de vigor, avaliados pelo teste de envelhecimento acelerado. Safra 2014/2015. B – Produtividade de plantas de soja cultivadas a partir de lotes de sementes do genótipo Syn 1158RR, com níveis crescentes de vigor, avaliados pelo teste de envelhecimento acelerado. Safra 2015/2016.
Resultados similares reforçando a influência do vigor das sementes sobre a produtividade da soja também foram observados em ensaios realizados pela Cooperativa Central Gaúcha Ltda – CCGL. Conforme destacado por Corassa & Seidel (2019), a análise de 70 amostras de sementes cultivadas na safra 2018/2019, demonstrou que para cada percentual de vigor reduzido, deixaram de ser acrescidos cerca de 24 kg haˉ¹ sobre a produtividade final.
Ou seja, entre uma lavoura cultivada com sementes com 90% de vigor e outra com 70% de vigor poderão ser deixados de colher, apenas em virtude da qualidade das sementes, aproximadamente 480 kg haˉ¹ ou 8 sacos de soja por hectare (Corassa & Seidel, 2019).
Figura 2. Relação entre a produtividade de grãos na cultura da soja (kg haˉ¹) e o vigor de sementes (%) obtida a partir de 70 amostras cultivadas na safra 2018/2019. CCGL – Cooperativa Central Gaúcha Ltda, Cruz Alta, RS.

Esses resultados demonstram a relação entre o vigor das sementes e a produtividade da soja, e reforçam a necessidade da utilização de sementes de alta qualidade para a obtenção de altos rendimentos de soja. Vale destacar que além de elevado vigor, sementes de alta qualidade devem apresentam bons atributos fisiológicos, sanitários físicos e genético.
Veja mais: O que os dados de lavouras de soja nos dizem sobre lucratividade?

Referências:
BAGATELI, J. R. et al. PRODUCTIVE PERFORMANCE OF SOYBEAN PLANTS ORIGINATED FROM SEED LOTS WITH INCREASING VIGOR LEVELS. Journal of Seed Science, 2019. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/jss/a/G9f467vnfW7cL4NzMsQPkZS/?format=pdf&lang=en&ilang=pt_BR >, acesso em: 20/10/2026.
CORASSA, G. M.; SEIDEL, G. VIGOR DE SEMENTES X PRODUTIVIDADE DE SOJA. Mais Soja, 2019. Disponível em: < https://maissoja.com.br/vigor-de-sementes-x-produtividade-de-soja/ >, acesso em: 20/10/2026.

Sustentabilidade15 horas agoChina volta a comprar soja dos EUA e reduz importações brasileiras
Business8 horas agoCusto de produção da soja e do milho dispara em MT e pressiona rentabilidade do produtor, diz Imea
Business13 horas agoSoja sobe em Chicago com compras técnicas e alta do petróleo
Sustentabilidade15 horas agoBactérias reduzem em cerca de 60% a severidade de sintomas provocados por fungo no trigo – MAIS SOJA
Sustentabilidade8 horas agoTrigo/BR: colheita atinge 45,5% da área, mas chuvas prejudicam a qualidade dos grãos no Sul e em SP – MAIS SOJA
Featured12 horas agoPolícia Civil cumpre nova prisão preventiva contra suspeito de roubo na Grande Cuiabá
Featured12 horas agoVereadores de Cuiabá negam integrar suposto esquema de compra de votos investigado pelo Gaeco
Featured6 horas agoProjeto mapeia impactos econômicos e sociais do turismo de observação da onça-pintada no Pantanal

















