Sustentabilidade
Entidades do Agro pedem “senso de urgência” para destravar MP – MAIS SOJA

Mais de 40 entidades representativas do setor agropecuário encaminharam ao Congresso Nacional uma carta em que pedem ajustes e empenho para destravar a implementação da Medida Provisória 1.376/2026. A principal preocupação apresentada é a dificuldade que produtores rurais têm enfrentado para acessar as linhas de repactuação previstas na MP da renegociação das dívidas.
“Cabe ao Congresso Nacional garantir que a MP 1.376/26 tenha os instrumentos, as condições e a segurança jurídica necessárias para que a renegociação efetivamente aconteça”, afirmam as entidades na carta divulgada nesta quinta-feira (03).
No último dia 12, a Comissão Mista da MP foi instalada e teve a eleição do presidente do colegiado, senador Renan Calheiros (MDB-AL) e a indicação do relator da matéria, deputado Paulo Pimenta (PT-RS). No entanto, desde a instalação, não houve andamento nos trabalhos do grupo e o receio é de que isso atrase uma resolução dos problemas na implementação da Medida Provisória.
Entre os pontos de atenção elencados pelas entidades, estão:
- a necessidade de simplificar e uniformizar a exigência de comprovação das perdas;
- dar segurança jurídica aos profissionais responsáveis pelos laudos;
- reduzir ou flexibilizar a exigência de entrada para produtores sem capacidade de desembolso;
- estabelecer critérios claros e nacionais de enquadramento;
- impedir exigências adicionais que descaracterizem a renegociação;
- assegurar que a operação renegociada não inviabilize o acesso futuro do produtor ao crédito necessário à continuidade da atividade.
As organizações cobram ainda uma atuação dos parlamentares junto ao governo federal para que o fundo garantidor, previsto na MP, saia do papel. “As entidades também apelam para que o Congresso tome iniciativas de fiscalizar e cobrar o cumprimento daquilo que foi acordado no consenso de construção da Medida Provisória”, pontuam.
Outro aspecto ressaltado é a execução da medida nas instituições financeiras. A solicitação é para que os deputados e senadores ajudem na cobrança por “celeridade, uniformidade e transparência na análise dos pedidos”.
Por se tratar de uma medida provisória, a norma tem um tempo de validade — neste caso, 12 de novembro é o prazo máximo. Até lá, o Congresso analisa e pode aperfeiçoar o texto da MP. Caso não haja uma aprovação pelo parlamento, a medida caduca e perde validade após esse prazo.
Produtor fica sem crédito para safra 27/26
Na região de Guamiranga (PR), o produtor de grãos e tabaco, Dalnei Menon, afirma que não conseguiu crédito para financiar o custeio da safra que tem início agora. Há três anos, ele plantava em uma área total de 250 hectares, incluindo propriedade própria e arrendada. Desde então, vem diminuindo o tamanho e esta temporada será a primeira plantando apenas na área própria, aproximadamente 60 hectares.
“Hoje eu estou sem custeio desta safra que está entrando. Nenhum dos bancos que eu trabalhava com parceria e eram clientes quiseram me subsidiar hoje o custeio”, aponta como um dos motivos da diminuição da área.
Ele conta ainda que passou por uma série de perdas por diferentes eventos climáticos. Um deles, na safra 2024/2025, chegou a perder mais de 80% da produção de trigo devido ao excesso de chuvas. Em outro período, perdeu quase toda plantação de tabaco por causa da geada e temperaturas que chegaram a -4ºC. Além disso, passou por períodos de seca e estiagem em plena safra de soja.
“Hoje eu estou sofrendo um endividamento rural estimado de R$ 2,5 milhões, a maior parte é de financiamentos de compra de máquinas”, revela. Ele também afirma que poderia vender parte do patrimônio, mas não consegue compradores. “Eu tenho patrimônio para pagar essa dívida, porém hoje eu não consigo liquidar nada para fazer esse pagamento. Eu não consigo vender uma máquina ou um trator”.
Menon afirma que procurou os bancos e que tem os laudos agronômicos e contábeis que comprovam a perda. Porém, as instituições financeiras não enquadraram o produtor dentro das condições da MP por ser uma dívida já alongada. “Me falaram que eu teria que ser inadimplente por dois anos para conseguir acessar a renegociação”, comenta.
Além disso, Menon é presidente do Sindicato Rural de Guamiranga e diz que a maioria dos produtores tem situação parecida: adimplentes, porque alongaram as dívidas, mas com crédito suspenso. Também há os inadimplentes, que esbarram em problemas de laudos, já que instituições não têm aceitado laudos retroativos.
“Uma pessoa fica indignada com o sistema hoje, com o sistema governamental por não dar amparo a uma cadeia que realmente levanta o PIB e que sustenta a economia do nosso país”, enfatiza.
Fonte: FPA

Autor:FPA
Site: FPA
Sustentabilidade
Soja/MT: custo da safra 26/27 sobe 6,96% enquanto Conab prevê menor produtividade no estado – MAIS SOJA

Segundo o projeto Custo de Produção Agropecuária em Mato Grosso (Senar-MT e Imea), o custo total da safra 26/27 de soja no estado em out/26, foi consolidado em R$ 8.210,31/ha, aumento de 6,96% frente a safra 25/26.
Esse movimento foi impulsionado, principalmente, pela alta no investimento com operações
mecanizadas, que cresceu 23,85% em relação à safra anterior, reflexo dos conflitos no Oriente Médio, somado à valorização de 10,10% nos preços dos defensivos agrícolas. Com isso, o custeio do ciclo fechou em R$ 4.324,87/sc, aumento de 3,43% (R$ 143,61/ha) no comparativo entressafras. A alta só não foi mais expressiva em razão da queda de 21,96% no preço das sementes, item que aliviou parte da pressão sobre o orçamento do produtor. Com isso, a alta no custo de produção e a perspectiva de menor produtividade em virtude dos riscos associados ao El Niño tendem a reduzir a receita bruta do produtor, que deve focar especialmente no valor de venda da produção.
Confira os principais destaques do boletim:
- AVANÇO: com a melhora nas condições climáticas no estado, a semeadura recuperou o atraso inicial, fechando em 51,86% da área prevista para a temporada.
- REDUÇÃO: com avanço da colheita da safra 26/27 da soja norte-americana, o preço da oleaginosa na CME fechou a semana com queda de 1,90%, encerrando na média de US$ 12,75/bu.
- RETRAÇÃO: pressionado pela colheita dos EUA somado à moagem abaixo do esperado, o óleo de soja em MT recuou 1,16% frente à semana passada, fechando em média de R$ 6.268,22/t.
1ª estimativa da safra 26/27 de soja indica queda na produtividade frente à safra 25/26 (Conab).
Diante dos riscos climáticos associados ao El Niño, o rendimento da soja em MT foi revisado para baixo em relação à temporada 25/26. A produtividade projetada foi de 64,82 sc/ha (-2,02%), levando a uma produção total de 50,89 mi de t (-1,43%). Esse recuo ocorre apesar da elevação de 0,60% na área cultivada (o menor crescimento de toda a série histórica), que deve atingir 13,08 mi de ha.
Em contraste, o cenário nacional é de alta: a produção brasileira de soja para a safra 26/27 foi estimada em 181,62 mi de t (+0,67%), impulsionada pela expansão de 1,43% na área total do país, que deve somar 49,31 mi de ha. Já a demanda deve crescer 2,07% (185,51 mi de t), impulsionada pela perspectiva de maior esmagamento para o aumento do B16 e pela procura externa, especialmente pela China.
Com isso, a relação estoque/uso indica um balanço mais ajustado para a safra 26/27, exigindo atenção ao equilíbrio do mercado ao longo do ciclo.
Fonte: IMEA
Sustentabilidade
Arroz/BR: semeadura atinge 33,2% da área, mas excesso de chuva desacelera trabalhos no Sul – MAIS SOJA

Arroz/BR: 33,2% semeado. No RS, a semeadura ocorreu, mas em ritmo lento. As precipitações ao longo da semana, inclusive com episódios de chuvas intensas, levaram a um excesso de umidade em muitas áreas, o que dificultou as operações de plantio. Ainda assim, quase 40% da área prevista está semeada, com bom desenvolvimento inicial da cultura.
Em SC, pouco mais da área total prevista está semeada com a cultura. Porém, o avanço das operações tem sido diminuto por conta das chuvas e do excesso de umidade nos solos.
No MA, a semeadura do arroz irrigado está em fase final, com concentração no Norte e Centro. No PR, as precipitações recentes interromperam o plantio, uma vez que as áreas se encontram com excesso de umidade, limitando as atividades no campo.
Fonte: Conab
Autor:Conab
Site: Conab
Sustentabilidade
Vigor das sementes: o atributo fisiológico que pode estar limitando a produtividade da sua lavoura – MAIS SOJA

O número de plantas por área é um dos principais componentes de rendimento da soja. No entanto, além de definir a população adequada para a semeadura, é preciso utilizar sementes com boa qualidade fisiológica, genética, física e sanitária, que possibilitem um bom estabelecimento do estante de plantas. Nessas circunstâncias, um o vigor de sementes figura como um dos atributos fisiológicos mais importantes para a obtenção de altas produtividades de soja.
Ainda que que a germinação das sementes desempenhe um papel fundamental no estabelecimento da lavoura, estudos demonstram uma interação positiva entre vigor das sementes e produtividade da soja, destacando a importância desse atributo para a obtenção de boas produtividades. O vigor está relacionado a habilidade das sementes em germinarem sob condições não necessariamente adequadas. Sendo assim, o vigor das sementes afeta diretamente a capacidade de estabelecimento da lavoura.
Ao avaliar o desempenho produtivo de culturas de soja, em resposta ao uso de lotes de sementes com níveis crescentes de vigor, Bagateli et al. (2019) observaram que os lotes de sementes com alto nível de vigor formam comunidades de plantas com maior taxa de crescimento, resultando em uma melhor estrutura da lavoura ao final do ciclo da cultura.
De acordo com Bagateli et al. (2019), o desempenho produtivo das plantas de soja aumenta à medida que se eleva o vigor dos lotes de sementes, sendo que, para cada ponto percentual de aumento no nível de vigor de um lote de sementes de soja, a produtividade de grãos pode aumentar em 28,0 kg por hectare. No entanto, os autores destacam que o impacto do vigor das sementes sobre a produtividade da soja pode variar de acordo com a cultivar.
Figura 1. A – Produtividade de plantas de soja cultivadas a partir de lotes de sementes de dois genótipos, com níveis crescentes de vigor, avaliados pelo teste de envelhecimento acelerado. Safra 2014/2015. B – Produtividade de plantas de soja cultivadas a partir de lotes de sementes do genótipo Syn 1158RR, com níveis crescentes de vigor, avaliados pelo teste de envelhecimento acelerado. Safra 2015/2016.
Resultados similares reforçando a influência do vigor das sementes sobre a produtividade da soja também foram observados em ensaios realizados pela Cooperativa Central Gaúcha Ltda – CCGL. Conforme destacado por Corassa & Seidel (2019), a análise de 70 amostras de sementes cultivadas na safra 2018/2019, demonstrou que para cada percentual de vigor reduzido, deixaram de ser acrescidos cerca de 24 kg haˉ¹ sobre a produtividade final.
Ou seja, entre uma lavoura cultivada com sementes com 90% de vigor e outra com 70% de vigor poderão ser deixados de colher, apenas em virtude da qualidade das sementes, aproximadamente 480 kg haˉ¹ ou 8 sacos de soja por hectare (Corassa & Seidel, 2019).
Figura 2. Relação entre a produtividade de grãos na cultura da soja (kg haˉ¹) e o vigor de sementes (%) obtida a partir de 70 amostras cultivadas na safra 2018/2019. CCGL – Cooperativa Central Gaúcha Ltda, Cruz Alta, RS.

Esses resultados demonstram a relação entre o vigor das sementes e a produtividade da soja, e reforçam a necessidade da utilização de sementes de alta qualidade para a obtenção de altos rendimentos de soja. Vale destacar que além de elevado vigor, sementes de alta qualidade devem apresentam bons atributos fisiológicos, sanitários físicos e genético.
Veja mais: O que os dados de lavouras de soja nos dizem sobre lucratividade?

Referências:
BAGATELI, J. R. et al. PRODUCTIVE PERFORMANCE OF SOYBEAN PLANTS ORIGINATED FROM SEED LOTS WITH INCREASING VIGOR LEVELS. Journal of Seed Science, 2019. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/jss/a/G9f467vnfW7cL4NzMsQPkZS/?format=pdf&lang=en&ilang=pt_BR >, acesso em: 20/10/2026.
CORASSA, G. M.; SEIDEL, G. VIGOR DE SEMENTES X PRODUTIVIDADE DE SOJA. Mais Soja, 2019. Disponível em: < https://maissoja.com.br/vigor-de-sementes-x-produtividade-de-soja/ >, acesso em: 20/10/2026.

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