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Plantio da soja começa em MT com produtor de olho nas chuvas e no El Niño

O plantio da soja 2026/27 começou em Mato Grosso em meio à atenção dos produtores para o comportamento das chuvas e às projeções de um El Niño de alta intensidade. A distribuição e a regularidade das precipitações podem definir o ritmo de avanço da semeadura, além de influenciar as janelas para a soja e para o milho segunda safra.
O cenário exige cautela porque o início das chuvas não significa, necessariamente, que todas as áreas estejam prontas para receber as sementes. A umidade disponível no solo precisa ser suficiente para garantir o estabelecimento das lavouras, enquanto períodos de estiagem ao longo do ciclo podem aumentar os riscos para a produção.
Para a safra 2026/27, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) projeta o cultivo de 13,05 milhões de hectares no estado. A produtividade estimada é de 62,44 sacas por hectare, redução de 5,43% em relação à temporada anterior.
Com esse rendimento, a produção deve chegar a 48,88 milhões de toneladas, queda projetada de 5,19%. Diante desse cenário, o comportamento do clima ganha peso nas decisões tomadas pelo produtor desde a implantação da lavoura.
Em Nova Mutum, na fazenda Bom Princípio, áreas irrigadas já foram semeadas, enquanto os talhões de sequeiro ainda aguardam novas chuvas. A propriedade deve cultivar 1.230 hectares de soja nesta safra e já acumula 32 milímetros nas principais áreas de sequeiro.
“Começamos com o plantio dos pivôs, graças a Deus já finalizamos. São 150 hectares de área irrigada”, conta o gerente de produção Bruno Miguel Pancini Nunes ao Patrulheiro Agro. Segundo ele, uma nova chuva de 20 a 25 milímetros pode ser suficiente para dar início ao plantio das áreas sem irrigação.
Chuva define o momento de entrar no campo
A decisão sobre quando plantar considera mais do que o volume de uma chuva isolada. A condição da palhada e a capacidade do solo de conservar a umidade também entram na avaliação, principalmente em um momento de custos elevados para implantação da lavoura.
O agrônomo Cledson Guimarães Dias Pereira, da Cowboy Consultoria, explica que produtores de algumas regiões já iniciaram a semeadura depois de receber volumes entre 70 e 90 milímetros. Em outras áreas, porém, a recomendação é esperar uma nova precipitação.
“Tem áreas que a gente tem boa uma palhada. Então, chover 40 milímetros com a palhada boa você já pode dar o start”, explica.
Quando a cobertura do solo é menor, a mesma quantidade de chuva pode não oferecer segurança suficiente, frisa o especialista. “Em uma área com baixa palhada, choveu 30 milímetros, calma. Se você tiver 30 milímetros só na área, espera uma próxima chuva, deixa essa umidade pelo menos dobrar”, orienta.
A preocupação está relacionada principalmente ao risco de perder o investimento feito na implantação da lavoura. Sementes e tratamento industrial representam custos que, em caso de falha no estabelecimento da cultura, podem se somar às despesas de um eventual replantio.
“Qualquer replantio ele não fica bom, a semente já foi paga, o TSI está ali, tem 7, 8 sacas de investimentos de custo que estão ali. Você não pode errar nisso, principalmente com as nossas margens cada vez mais apertadas”, afirma Cledson.
Produtor leva experiência de outros períodos de estiagem
A cautela com a umidade também está relacionada à experiência acumulada em anos de comportamento irregular das chuvas. Em Mato Grosso, períodos de veranico entre novembro e dezembro fazem parte do histórico observado pelos produtores.
“Em Mato Grosso, ao longo dos tempos, sempre tivemos veranicos em novembro e dezembro”, destaca Cledson. Para ele, justamente por não ser possível prever com precisão quando uma nova chuva chegará, o produtor precisa aproveitar uma boa condição de umidade sem comprometer o estabelecimento da lavoura.
O gerente de produção da fazenda Bom Princípio também já enfrentou períodos prolongados de estiagem. De acordo com Bruno, houve uma temporada em que a propriedade ficou 25 dias sem chuva, experiência que reforçou a necessidade de preparação para situações de estresse hídrico.
“Tivemos épocas aí de ficar 25 dias sem chuva, foi um ano bem complicado, mas graças a Deus a gente estava bem preparado, conseguimos passar com sucesso por esse período”, relata.
Na propriedade, a estratégia inclui o uso de produtos biológicos e nutricionais para auxiliar as plantas depois do retorno das chuvas. “Assim que passar o período de seca dela e der a primeira chuva, a gente vem com esses produtos nutricionais para ajudar a planta a sair desse estresse mais rápido”, explica.
A diferença observada neste início de safra em relação ao ciclo anterior também chama a atenção. Bruno conta que a propriedade começou a semeadura das áreas irrigadas na mesma época da temporada passada, mas agora já conta com chuva acumulada no sequeiro.
“Na safra passada nós começamos na mesma data, nas áreas de pivôs tudo igual, o que mudou foram as chuvas. Até agora estamos com 32 milímetros na área de sequeiro e o ano passado não tinha nada”, compara.
El Niño aumenta preocupação com as próximas etapas
O comportamento das chuvas nos próximos meses é acompanhado não apenas para definir o início da semeadura, mas também por causa dos possíveis efeitos do El Niño sobre o calendário agrícola.
O fenômeno pode alterar a distribuição das precipitações e criar períodos de menor regularidade. Para o produtor, isso significa observar o clima desde a implantação da soja e pensar também no momento em que a lavoura será colhida e dará lugar à segunda safra.
O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, destaca que o produtor está atento à janela inicial de chuvas e à continuidade das precipitações. “O produtor já começa a acelerar e preparar o plantio da safra de soja aqui no estado de Mato Grosso de olho principalmente nessa janela inicial de chuvas”, afirma.
Conforme ele, a preocupação também está no longo prazo. “Com as perspectivas de um El Niño de alta intensidade, volumes de chuvas e janelas prejudicadas para algumas regiões aqui no estado, o produtor também não está só olhando para a safra de soja”.
A possível alteração do regime de chuvas pode afetar ainda o calendário do milho segunda safra. Por isso, a antecipação do plantio da soja, quando houver condições adequadas, passa a ser considerada dentro de um planejamento que envolve as duas culturas.
Janela do milho entra no planejamento da safra
A segunda safra tem um papel importante na decisão sobre o momento de semear a soja. Quanto mais tarde a oleaginosa for plantada e colhida, menor tende a ser a janela disponível para o milho.
Cledson ressalta que o produtor não pode desperdiçar uma condição adequada de umidade, justamente porque não há garantia sobre quando ocorrerá a próxima precipitação. “Tem que plantar na umidade correta e aí o Pai lá em cima fazer o resto. Nós não controlamos isso, então não pode perder uma umidade boa para plantar porque você não sabe quando vai ter”.
Cleiton Gauer também aponta a necessidade de organizar o calendário diante da possibilidade de um El Niño persistente. A estratégia é tentar posicionar a soja de maneira que o milho possa ser implantado dentro de uma janela mais favorável.
“O produtor também está preparando essa antecipação para tentar organizar melhor janela possível do milho segunda safra em Mato Grosso”, salienta.
O cenário climático, portanto, coloca o produtor diante de uma decisão que precisa considerar tanto as condições atuais quanto os riscos dos próximos meses. Em Nova Mutum, enquanto os pivôs já avançam com o plantio, o sequeiro depende de novas chuvas para que a semeadura comece com segurança.
Para Bruno, apesar da apreensão natural neste período, a expectativa é de uma boa temporada. “Nós somos seres humano, a gente fica apreensivo, mas o principal para mim é acreditar em Deus, ter confiança e ter fé, que isso é a base da agricultura hoje em dia”, afirma.
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Ex-presidente da John Deere comandará Agricultura do Rio Grande do Sul

O ex-presidente da John Deere no Brasil, Paulo Herrmann, será o novo secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul a partir de janeiro de 2027. O anúncio foi feito nesta terça-feira (27) pelo governador eleito Luciano Zucco (PL), durante a apresentação dos primeiros integrantes de sua equipe de governo.
Com mais de 40 anos de experiência no agronegócio, Herrmann foi escolhido para comandar uma das áreas estratégicas da administração estadual. A nomeação faz parte da formação do secretariado de Zucco, que assumirá o governo gaúcho em 6 de janeiro de 2027.
Quem é Paulo Herrmann?
Engenheiro agrícola formado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Paulo Herrmann possui MBA em Gestão de Negócios e construiu sua carreira no setor de máquinas e tecnologias agrícolas.
O executivo ingressou na John Deere em 1999 e ocupou diferentes cargos de liderança, incluindo funções nas áreas de vendas e marketing para a América Latina. Entre 2012 e 2022, presidiu as operações da multinacional no Brasil.
Herrmann também atuou como CEO da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) entre 2024 e 2025. Posteriormente, passou a trabalhar com consultoria estratégica e iniciativas ligadas à gestão e à inovação no agronegócio.
Zucco anuncia primeiros nomes do governo
Além de Herrmann, Luciano Zucco anunciou outros integrantes do futuro secretariado estadual.
Para a Secretaria da Educação, o governador eleito escolheu Roni Miranda Vieira, atual secretário da Educação do Paraná.
Na Secretaria da Cultura, a escolhida foi Liliana Cardoso, que atualmente ocupa o cargo de secretária municipal da Cultura e Economia Criativa de Porto Alegre e possui trajetória ligada ao tradicionalismo e à gestão cultural.
Já a Secretaria da Segurança Pública será comandada pelo general da reserva Mauro Sinott Lopes, que participou da intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro e comandou a 3ª Divisão do Exército, em Santa Maria.
Segundo Zucco, as indicações seguem o compromisso assumido durante a campanha eleitoral de formar uma equipe com experiência administrativa e conhecimento técnico.
“Durante a campanha, assumi o compromisso de montar uma equipe técnica, qualificada e preparada para enfrentar os desafios do Rio Grande do Sul. Estamos cumprindo essa promessa”, afirmou.
O governador eleito acrescentou que pretende conduzir a administração com planejamento e foco na entrega de resultados à população.
Quando começa o novo governo?
Luciano Zucco foi eleito governador do Rio Grande do Sul no primeiro turno das eleições de 2026, realizado em 4 de outubro, com 58,05% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A posse do novo governador e o início da gestão estão previstos para 6 de janeiro de 2027, quando os secretários anunciados também deverão assumir suas funções.
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Brasil deve importar até 14% menos fertilizantes em 2026

As importações brasileiras de fertilizantes podem recuar entre 12% e 14% em 2026, mesmo diante da expansão de 2,3% na área cultivada do país na safra 2026/27, segundo projeção feita pelo Canal Rural baseada em dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Segundo o levantamento, o Brasil deve encerrar o ano com aproximadamente 40,2 milhões de toneladas de fertilizantes importados, no cenário mais favorável às compras externas. O volume representa uma redução de 5,3 milhões de toneladas em relação a 2025, quando as importações atingiram o recorde de 45,5 milhões de toneladas.
A estimativa considera os dados acumulados até a terceira semana de outubro e uma projeção para os meses restantes do ano. Ferreira avalia que a retração poderá ser ainda maior, chegando a 13% ou 14%, caso o ritmo das importações fique abaixo do observado no mesmo período de 2025.
A redução chama atenção pela elevada dependência brasileira do mercado externo. Atualmente, mais de 85% das matérias-primas utilizadas na produção de fertilizantes consumidos no país são importadas, segundo o analista.
Custos de produção explicam redução nas compras
A expectativa de queda nas importações está relacionada principalmente à necessidade de reduzir os custos de produção nas propriedades rurais. Diferentemente do cenário observado após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, quando os preços internacionais dos fertilizantes dispararam, o recuo projetado para 2026 não é explicado por uma nova escalada das cotações.
Entre 2021 e 2023, o preço médio da tonelada importada chegou a superar US$ 700, aproximadamente o dobro dos US$ 340 a US$ 350 registrados antes do conflito. Já em 2026, o valor médio retornou a aproximadamente US$ 350 por tonelada.
Com isso, a pressão para reduzir o uso de fertilizantes está associada aos custos totais da atividade agrícola e à necessidade de preservar as margens de rentabilidade.
A redução da aplicação de insumos deve ocorrer de maneira planejada, com base em análises de solo e tecnologias de aplicação em taxas variáveis, para evitar prejuízos à produtividade.
Porto de Paranaguá perde participação nas importações
Outro destaque do levantamento é a redução da participação do Porto de Paranaguá, no Paraná, na entrada de fertilizantes no Brasil.
Em 2024, o terminal respondeu por aproximadamente 25% do volume nacional importado. A participação caiu para 24% em 2025 e deve atingir 22% em 2026.
Parte dessa mudança está relacionada ao crescimento da movimentação de fertilizantes pelos portos do Arco Norte, que vêm ganhando espaço na logística de abastecimento do agronegócio brasileiro.
A retração no volume total importado também tende a afetar Paranaguá, devido à sua relevância na movimentação desses produtos.
Planejamento da adubação ganha importância
Com a perspectiva de menor utilização de fertilizantes, é necessário um planejamento técnico para a implantação das próximas safras.
A adoção de ferramentas de agricultura de precisão, especialmente a aplicação de fertilizantes em taxas variáveis, pode contribuir para ajustar as doses às necessidades de cada área.
O objetivo é reduzir desperdícios e despesas sem comprometer a nutrição das lavouras e o potencial produtivo da safra 2026/27.
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Mato Grosso lidera produção de etanol de milho no Brasil e concentra 60,72% do volume

Mato Grosso respondeu por 60,72% da produção brasileira de etanol de milho entre julho e setembro de 2026, com 1,76 milhão de metros cúbicos. O volume coloca o estado à frente dos demais polos industriais do país, em um cenário de expansão do uso do cereal na fabricação de biocombustíveis.
Os dados foram apresentados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em seu boletim semanal da cultura do milho, com base em informações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
No Brasil, a produção de etanol de milho somou 2,90 milhões de metros cúbicos no terceiro trimestre de 2026, alta de 23,71% em relação ao mesmo período do ano anterior. O avanço ocorreu em um ritmo superior ao da produção total de etanol, que chegou a 14,51 milhões de metros cúbicos, com crescimento de 0,80% na comparação anual.
O desempenho indica uma ampliação da participação do milho na indústria brasileira de biocombustíveis. Em um ano, a parcela do etanol produzido a partir do cereal passou de 16,29% para 20% do total nacional no período de julho a setembro.
A mudança também reforça a importância de Mato Grosso para o abastecimento das usinas e para a demanda industrial pelo grão, que ganha outra finalidade além da alimentação animal e de outros usos já consolidados no mercado.
Mato Grosso reúne a maior parcela da produção
Além de Mato Grosso, outros três estados se destacaram na produção de etanol de milho no período. Mato Grosso do Sul registrou 539,22 mil metros cúbicos, seguido por Goiás, com 262,02 mil metros cúbicos, e Maranhão, com 220,29 mil metros cúbicos.
Juntos, os quatro estados concentraram 95,92% da produção brasileira estimada do biocombustível à base de milho entre julho e setembro. A concentração evidencia o peso desses polos na atividade industrial e, especialmente, a posição de Mato Grosso nesse mercado.
O avanço nacional de 23,71% na produção de etanol de milho, diante do crescimento de menos de 1% no volume total de etanol, mostra que o cereal ampliou sua participação na composição da oferta brasileira.
Esse movimento aumenta a relevância do milho como matéria-prima industrial e fortalece a conexão entre a produção agrícola e o setor de energia, especialmente nos estados que concentram as usinas.
Estoques favorecem o abastecimento das usinas
Uma das características que favorecem o uso do milho na produção de etanol é a possibilidade de armazenamento do grão. Diferentemente da cana-de-açúcar, cuja disponibilidade para processamento está mais ligada ao ciclo de colheita, o cereal pode ser estocado e utilizado ao longo do ano.
Essa condição permite que as usinas organizem o abastecimento para além dos períodos de colheita, contribuindo para a continuidade das operações industriais. A disponibilidade de matéria-prima armazenada também ajuda a reduzir a dependência da sazonalidade agrícola.
Para Mato Grosso, onde a produção de milho tem grande relevância, a transformação do grão em biocombustível representa mais um canal de demanda interna. Na safra 2025/26 o estado colheu 58 milhões de toneladas, volume superior as 51 milhões de toneladas registradas na soja. O setor industrial passa a integrar o conjunto de mercados que absorvem a produção estadual.
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