Sustentabilidade
Cepea: Mesmo com safra recorde, preço do milho dispara 7,6% em agosto no Brasil – MAIS SOJA

Mesmo com a colheita da segunda safra na reta final e estimativas de produção recorde, os preços do milho avançaram de forma expressiva em agosto. De modo geral, compradores e vendedores estiveram retraídos, e as negociações ocorreram apenas de forma pontual. O impulso veio sobretudo, da posição retraída de produtores, que limitaram o volume de negócios no spot, fundamentados nas altas dos valores internacionais (que elevam a paridade de exportação), no atraso da colheita no Brasil em relação à temporada anterior e nas preocupações com o clima no final do ano, devido aos possíveisimpactos do El Niño.
Do lado da demanda, compradores se depararam com os preços altos pedidos por vendedores e acabaram aceitando esses valores em alguns casos, devido à necessidade de adquirir lotes no curto prazo. Outra parte dos consumidores, por sua vez, recorreu aos estoques.
PREÇOS – No acumulado de agosto, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa avançou consideráveis 7,6%, fechando a R$ 70,23/saca de 60 kg no dia 31. A média mensal de agosto também subiu 3%. Na média das regiões pesquisadas pelo Cepea, o cereal se valorizou 9,6% no mercado de balcão (ao produtor) e 6,6% no de lotes (negociação entre empresas), também no acumulado do mês.
Os contratos negociados na B3 subiram em agosto, impulsionados pelo forte avanço dos preços internacionais. Os vencimentos Set/26 e Nov/26 avançaram 3% e 5%, fechando a R$ 71,06 e R$ 77,60/sc de 60 kg no dia 31, respectivamente.
ESTIMATIVAS – A Conab apontou, em agosto, que devem ser produzidas 142,95 milhões de toneladas na temporada 2025/26, 1,3% superior à safra 2024/25 e um recorde, caso se concretize. As altas refletem os aumentos na área destinada ao cereal nesta temporada, além da melhora na produtividade da safra de verão.
A área plantada da primeira safra 25/26 deve ser 8,7% superior à atual temporada, com produção de 29,48 milhões de toneladas (+18%). Para a segunda safra, a produção foi estimada em 111 milhões de toneladas, leve queda de 1,9% em relação à temporada anterior, mas com área 2% maior. Já a produção da terceira safra deve ter forte queda de 18,6% entre as duas temporadas, estimada em 2,43 milhões de toneladas para 2025/26.
As estimativas de consumo foram elevadas pela Conab para 95,04 milhões de toneladas, refletindo a maior demanda para fabricação de etanol, enquanto as exportações se mantêm projetadas em 46,5 milhões de toneladas. Com isso, os estoques internos, ao final de janeiro/27, devem ser de 15,58 milhões de toneladas, acima dos 12,46 milhões de toneladas da safra anterior e 80% superiores à média das últimas cinco safras.
Para a safra mundial 2026/27, o USDA estima produção de 1,298 bilhão de toneladas, acima das 1,297 bilhão de toneladas indicadas em julho, mas inferior às 1,32 bilhão de toneladas da temporada 2025/26. O consumo mundial também foi ajustado para cima pelo USDA, levando à redução dos estoques finais, atualmente projetados em 274,66 milhões de toneladas, contra 275,26 milhões no relatório de julho e, sobretudo, abaixo dos 298,83 milhões de 2025/26.
CAMPO – A colheita da segunda safra chegou a 94,1% da área nacional até o dia 28 de agosto, abaixo dos 94,4% registrados na média das últimas cinco safras, segundo a Conab. Em Mato Grosso, a colheita foi finalizada na segunda quinzena de agosto, e a estimativa de produção para a safra 2025/26 está em 57,39 milhões de toneladas, um novo recorde, segundo o Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária).
Dentre os estados com atividades que ainda devem ser finalizadas, no Paraná, o Deral/Seab indicou que, até o dia 31, a colheita havia alcançado 89% da área estimada. Em Mato Grosso do Sul, a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) indica que foram colhidas 87,2% das lavouras até o dia 28.
INTERNACIONAL – Na Bolsa de Chicago (CME Group), os contratos do milho avançaram principalmente pelas preocupações com a produtividade nos Estados Unidos e pelas incertezas quanto ao abastecimento global, diante das incertezas nas exportações de grãos na região do Mar Negro. Com isso, os contratos Set/26 e Dez/26 avançaram fortes 17% e 15% entre 31 de agosto e 31 de julho, ao fecharem no dia 31 cotados a US$ 5,15/bushel (US$ 202,74/t) e a US$ 5,3775/bushel (US$ 211,7/t), respectivamente.
Na Argentina, a colheita do milho atingiu 88% da área, beneficiados pela melhora das condições climáticas. A previsão de produção permanece em 64 milhões de toneladas, segundo a Bolsa de Cereales.
Fonte: Cepea
Sustentabilidade
Cepea: Com alta de 15,65%, indicador do Arroz no RS recupera folego impulsionado por restrição de estoques – MAIS SOJA

Agosto foi marcado por forte recuperação dos preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul. A baixa disponibilidade do cereal e a necessidade de recomposição dos estoques das indústrias sustentaram reajustes nas ofertas de compra, enquanto produtores permaneceram firmes nas pedidas.
Com o avanço das cotações, entretanto, a dificuldade de repasse ao arroz beneficiado aumentou a resistência dos compradores a novos reajustes. Na reta final do mês, mesmo com maior disponibilidade em parte das regiões, a atuação da demanda externa, sobretudo nas proximidades do Porto de Rio Grande, manteve os preços sustentados.
Nas primeiras semanas de agosto, produtores consultados pelo Cepea ofertaram poucos lotes, mantendo expectativas de valores mais elevados. Ao mesmo tempo, compradores relataram dificuldades para recompor estoques e precisaram elevar as ofertas em diferentes momentos para estimular novas vendas. A expectativa em torno das aquisições anunciadas pelo Governo Federal no final de julho também permaneceu no radar dos agentes ao longo de agosto. Até o início de setembro, porém, ainda não havia sido divulgado o edital com as regras para a operacionalização das compras, mantendo indefinições quanto à efetivação da medida.
A restrição de matéria-prima se intensificou ao longo da primeira metade do mês. Em casos pontuais, indústrias chegaram a suspender temporariamente as vendas de arroz beneficiado por não conseguirem adquirir volumes suficientes para atender aos novos pedidos. Compradores também buscaram alternativas para viabilizar aquisições e houve negociações em que aceitaram preços mais elevados, mas com prazos de pagamento mais longos. Ainda assim, a postura retraída dos vendedores limitou a liquidez.
À medida que as cotações avançaram, porém, aumentou a resistência de parte das indústrias em atender aos valores pretendidos pelos produtores. Agentes relataram dificuldade em repassar ao arroz beneficiado os reajustes observados na matéria-prima, o que reduziu o espaço para novas altas nas ofertas de compra. A diferença entre as expectativas de compradores e vendedores, que havia diminuído em semanas anteriores, voltou a aumentar, e os negócios permaneceram pontuais mesmo diante da necessidade de aquisição das indústrias.
Na reta final de agosto, a dinâmica de comercialização apresentou nova mudança. Agentes consultados pelo Cepea relataram aumento da disponibilidade de arroz em casca em parte das regiões acompanhadas, permitindo inclusive o fechamento de lotes maiores do que nas semanas anteriores. A maior oferta, contudo, não resultou em recuo das cotações. Além da manutenção de pedidas firmes pelos produtores, a demanda internacional ganhou relevância, sobretudo nas regiões próximas ao Porto de Rio Grande. O interesse externo levou compradores a elevar suas ofertas para determinados lotes e deu novo suporte aos preços.
Em regiões mais distantes do Porto, por outro lado, os custos com frete dificultaram algumas operações, ao elevar o valor final do cereal. Dessa forma, mesmo com interesse comprador, a localização dos lotes e os custos logísticos também condicionaram as negociações no período.
As condições climáticas foram outro fator acompanhado pelos agentes durante agosto. As chuvas dificultaram carregamentos e o transporte do cereal em determinadas regiões e provocaram interrupções pontuais no fornecimento de energia elétrica. Além dos impactos sobre a comercialização, as precipitações limitaram os trabalhos de preparo do solo em algumas áreas, aumentando as preocupações quanto à implantação da safra 2026/27.
Preços regionais – No acumulado de agosto, a média do Indicador CEPEA/IRGA-RS (58% de grãos inteiros, pagamento à vista) foi de R$ 74,24/saca de 50 kg, alta de 15,65% frente à média de julho, de R$ 64,20/sc.
A valorização ocorreu em todas as seis microrregiões que compõem o Indicador. A Depressão Central apresentou a maior valorização mensal, de 17,54%, com a média passando para R$ 70,24/sc em agosto. Na Campanha, a alta foi de 16,74%, para R$ 73,07/sc, enquanto, na Fronteira Oeste, o avanço foi de 16,50%, com média de R$ 74,78/sc. Na Planície Costeira Interna, a valorização chegou a 14,54%, para R$ 76,16/sc. Na Zona Sul, o preço médio aumentou 13,86%, para R$ 75,52/sc, e, na Planície Costeira Externa, a alta foi de 13,60%, com média de R$ 73,78/sc.
Para as demais faixas de rendimentos acompanhadas pelo Cepea, o preço médio do arroz de 50% a 57% de grãos inteiros no Rio Grande do Sul subiu 15,70% entre jul/26 e ago/26, a R$ 72,06/sc de 50 kg. Os grãos com 59% a 62% de inteiros se valorizaram 16,35% no período, com a média passando para R$ 75,63/sc. Já para o produto de 63% a 65% de grãos inteiros, o preço avançou 15,89% no mesmo comparativo, a R$ 76,39/sc.
Varejo – Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), divulgados pelo IBGE em 28 de julho, apontam estabilidade de 0,06% no conjunto de produtos e serviços consumidos pelas famílias brasileiras. Para o arroz, especificamente, houve queda de 0,81% na coleta realizada entre 17 de junho e 15 de julho. No acumulado dos últimos 12 meses, o recuo chega a 15,06% na média nacional.
Fonte: Cepea
Sustentabilidade
Soja: Demanda global, clima e conflitos internacionais elevam preços no Brasil em agosto – MAIS SOJA

A firme demanda global, as condições climáticas irregulares no Hemisfério Norte e as incertezas quanto aos possíveis efeitos do fenômeno climático El Niño sobre a safra 2026/27 impulsionaram as cotações de soja no Brasil, em agosto. A intensificação dos conflitos no Oriente Médio também deu suporte às cotações.
A alta nos preços foi reforçada pela retração de uma parte dos vendedores, que, atentos a esses fatores, mostraram preferência por postergar novas negociações. No entanto, para comercializar no mercado spot, muitos desses agentes aceitaram um prazo de pagamento mais alongado, mas a preços maiores. Do lado da demanda, indústrias brasileiras intensificaram as aquisições para recompor e garantir os estoques.
Além disso, com o fim do período do vazio sanitário no Paraná, produtores já iniciaram a semeadura da nova safra (2026/27) na primeira semana de setembro. Parte do estado de São Paulo e o estado de Mato Grosso também já encerraram o período obrigatório da medida fitossanitária. Com isso, o mês de setembro deve ter o foco no clima e no avanço das atividades de campo.
Quanto aos preços, o Indicador CEPEA/ESALQ – Paranaguá se valorizou expressivos 5,7% entre as médias de julho e agosto e 6,9% entre ago/25 e ago/26, encerrando o último período em R$ 150,15/sc de 60 kg, o maior valor desde dezembro de 2023 em termos reais (IGP-DI de julho/26). O Indicador CEPEA/ESALQ – Paraná avançou significativos 5,9% entre os dois últimos meses e 6,3% no comparativo anual, a média de R$ 142,55/sc 60 kg em agosto, o maior valor desde novembro/24, em termos reais.
Na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, entre julho e agosto, os preços da oleaginosa subiram 6,3% no mercado de balcão (valor pago ao produtor) e 7% no de lotes (negociações entre empresas). No comparativo anual, os aumentos foram de 5,8% no balcão e de 6,7% no de lotes.
A alta no mercado nacional, por sua vez, foi limitada pela diminuição da demanda externa pela soja do Brasil. De acordo com a Secex, o Brasil exportou 9,8 milhões de toneladas do grão, queda de 26,8% frente ao mês passado e aumento de 5,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. É o menor volume embarcado desde fevereiro deste ano, o que é comum para este período de aproximação da entrada da safra norte-americana. Porém, vale ressaltar que, na parcial deste ano (de janeiro a agosto), o Brasil exportou 92,79 milhões de toneladas de soja em grão, um recorde para o período.
Na CME Group (Bolsa de Chicago), o contrato de primeiro vencimento da soja avançou 0,03% de julho para agosto, a US$ 11,9890/bushel (US$ 26,43/sc de 60 kg). De agosto/25 a agosto/26, no entanto, houve avanço de 19,2%.
FARELO DE SOJA – A maior disputa pelo farelo de soja disponível elevou o prêmio de exportação no Brasil e o preço FOB, dando suporte também às cotações internas. De acordo com a Secex, o Brasil exportou 2,34 milhões de toneladas de farelo de soja em agosto, 0,8% a mais que o embarcado em julho e 23% acima do escoado há um ano.
Com isso, em Paranaguá (PR), o preço FOB do farelo de soja referente ao embarque do primeiro vencimento foi de US$ 405,32/tonelada em 28 de agosto. Este é o maior patamar desde setembro/24. Diante disso, no spot nacional, o preço do farelo de soja na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, se valorizou 6,8% de julho para agosto e 13,4% de agosto/25 a agosto/26, em termos reais.
Já na CME Group, o contrato de primeiro vencimento do farelo de soja teve média de US$ 316,12/tonelada curta (US$ 348,46/t) em agosto, recuo de 1,1% frente a julho. No comparativo anual, por sua vez, o contrato de primeiro vencimento avançou significativos 11,7%.
ÓLEO DE SOJA – As cotações do óleo de soja também avançaram no mercado brasileiro em agosto. Embora a demanda externa tenha reduzido 36,2% de julho para agosto, o volume escoado no último mês, de 197,22 mil toneladas, é 30% superior ao exportado há um ano. Além disso, na parcial deste ano (até agosto), o Brasil embarcou 1,5 milhão de toneladas de óleo de soja, 43,4% a mais que o escoado em período equivalente do ano passado.
Diante disso, levantamento do Cepea mostra que o óleo de soja posto na região de São Paulo, com 12% de ICMS, se valorizou 2,7% de julho para agosto, para R$ 6.703,75/t. No comparativo anual, porém, observa-se queda de 7,6%, em termos reais.
Na Bolsa de Chicago, o contrato de primeiro vencimento do óleo de soja teve média de US$ 0,6893/lp (US$ 1.519,65/t) em agosto, queda de 3,5% frente a julho. Frente a agosto de 2025, contudo, houve expressiva alta de 29,7%.
Fonte: Cepea
Sustentabilidade
Cepea: Seca nos EUA e alta do petróleo impulsionam cotações do algodão no Brasil em agosto – MAIS SOJA

A cotação do algodão em pluma subiu em agosto, impulsionada pela postura firme dos vendedores, que estiveram atentos às valorizações no mercado internacional. Mesmo com o avanço, após operar acima da paridade de exportação por sete meses consecutivos, o preço doméstico ficou, em média, 1,5% abaixo desse parâmetro em agosto, situação que não era observada desde dezembro/25.
No cenário externo, os preços foram impulsionados pelas condições desfavoráveis das lavouras dos Estados Unidos, especialmente no Texas, onde o calor intenso e a seca aumentam os riscos de redução da produção e, consequentemente, da oferta global. A valorização do petróleo no mercado internacional também sustentou os valores da pluma.
No Brasil, agentes estiveram atentos aos avanços da colheita e do beneficiamento da safra 2025/26, priorizando os contratos a termo, especialmente os destinados à exportação. Além do cumprimento das programações, parte dos players aproveitou a alta dos valores para firmar novos contratos e fechar negócios que estavam em aberto.
Assim, a disponibilidade de lotes permaneceu limitada no spot, levando compradores com necessidade imediata a pagar mais por novas aquisições, sobretudo quando encontravam a qualidade desejada. A maior liquidez, contudo, continuou limitada pelo desacordo entre compradores e vendedores.
Nesse cenário, entre 31 de julho e 31 de agosto, o Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma (pagamento em oito dias) avançou 3,83%, fechando em R$ 4,3648/lp no dia 31 – o maior valor nominal desde 13 de julho de 2025, quando havia atingido R$ 4,3750/lp. A média mensal do Indicador CEPEA/ESALQ foi de R$ 4,2393/lp em agosto, elevação de 3,17% em relação a julho/26 e a maior média real desde junho/25 (R$ 4,4053/lp). Na comparação com agosto de 2025, o aumento real foi de 4,03%, considerando-se os valores deflacionados pelo IGP-DI de julho/26.
Em dólar, a média à vista do Indicador foi de US$ 0,8194/lp em agosto, 3,8% abaixo da média do primeiro vencimento negociado na Bolsa de Nova York (ICE Futures), de US$ 0,8518/lp, e 14,3% inferior à média de US$ 0,9561/lp do Índice Cotlook A, referência internacional para a pluma posta no Extremo Oriente.
MERCADO INTERNACIONAL – Entre 31 de julho e 31 de agosto, o Índice Cotlook A avançou significativos 14,14%, fechando a US$ 1,0130/lp no dia 31 – o maior valor nominal desde 12 de março de 2024 (US$ 1,0160/lp). No mesmo período, a valorização de 2,13% do dólar frente ao Real, cotado a R$ 5,182 nessa segunda-feira, também contribuiu para a alta expressiva de 16,9% da paridade de exportação (FAS), calculada pelo Cepea. Assim, a paridade ficou em R$ 4,5755/lp (US$ 0,8830/lp) no porto de Santos (SP) e em R$ 4,5860/lp (US$ 0,8850/lp) no porto de Paranaguá (PR).
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures), os quatro primeiros contratos também subiram em agosto. Entre 31 de julho e 31 de agosto, o contrato Outubro/26 avançou 13,91%; o Dezembro/26, 13,88%; o Março/27, 14,13%; e o Maio/27, 14,04%. Vale considerar que, para o contrato mais líquido, o Dezembro/26, o encerramento de agosto, de US$ 0,9314/lp, é o maior desde a sua abertura, em janeiro de 2024.
COLHEITA E BENEFICIAMENTO – No campo, a colheita da safra 2025/26 no Brasil alcançou 82% da área até 27 de agosto, segundo a Abrapa, avanço de 16 pontos percentuais em relação à semana anterior. Dentre os principais estados produtores, Mato Grosso havia colhido 88% da área, enquanto na Bahia o percentual era de 57%. O beneficiamento, por sua vez, atingiu 39% da produção brasileira até a mesma data, também conforme dados da Abrapa, avanço de sete pontos percentuais em comparação com 20 de agosto. Em Mato Grosso, o beneficiamento alcançou 22% da produção, e na Bahia, 38%.
ICAC – Segundo os últimos dados divulgados pelo Comitê Consultivo Internacional do Algodão (Icac), a produção mundial de algodão na safra 2026/27 está estimada em 26,2 milhões de toneladas, volume 3% inferior ao da temporada anterior. Essa estimativa resulta de uma área cultivada de 30,34 milhões de hectares, aumento de 0,56% em relação à safra 2025/26, e de uma produtividade de 863,49 kg/ha, que deve ser 3,55% menor que a da safra anterior.
O consumo mundial foi projetado pelo Comitê em 25,89 milhões de toneladas, apenas 0,24% maior do que o previsto para a safra 2025/26 e 1,15% abaixo da oferta global. As exportações mundiais são estimadas em 9,66 milhões de toneladas, com retração de 1,65% em relação à temporada anterior. Sendo assim, os estoques finais mundiais devem atingir 18,23 milhões de toneladas, alta de 1,67% em relação à projeção para a safra 2025/26.
Para o Brasil, o Icac estima que a área cultivada com algodão deve recuar 5,53%, para 2,05 milhões de hectares. Somado ao recuo de 2,86% na produtividade (1,9 t/ha), o volume produzido pode ser 8,24% inferior ao da safra 2025/26, ficando em 3,9 milhões de toneladas na temporada 2026/27. O consumo, por sua vez, pode ser 4,72% maior, atingindo 754 mil toneladas na safra 2026/27. No entanto, as exportações brasileiras podem recuar 7,39% em relação à safra anterior, para 3,12 milhões de toneladas na temporada 2026/27, ainda assim o segundo maior volume da série histórica. Nesse cenário, os estoques finais podem subir 2,23% na safra 2026/27, atingindo 1,24 milhão de toneladas.
CAROÇO DE ALGODÃO – O mercado de caroço registrou negociações pontuais em agosto, com agentes acompanhando o avanço do beneficiamento da safra 2025/26 e o cumprimento dos contratos a termo. Além disso, compradores estiveram cautelosos em realizar novas aquisições, diante do receio de que o aumento da oferta pudesse pressionar os preços e dificultar as vendas de farelo e torta de algodão.
Em Lucas do Rio Verde (MT), a média foi de R$ 744,58/t, quedas de 3,2% frente a julho e de 4,3% em relação a agosto/25, dados deflacionados pelo IGP-DI de julho/26. Em Campo Novo do Parecis (MT), a média atingiu R$ 774,11/t, com retrações de 6,1% no comparativo mensal e de 11,4% no anual. Em Primavera do Leste (MT), o valor médio foi de R$ 789,85/t, baixas de 14,3% frente ao mês anterior e de 13,1% em relação a agosto de 2025.
Em Barreiras (BA), a média foi de R$ 1.026,77/t, com ligeira elevação de 0,1% frente a julho, mas recuo de 12,8% em relação a agosto/25. Em São Paulo (SP), a média foi de R$ 1.244,06/t, 8% inferior ao mês anterior e 10,1% menor que no ano anterior.
Fonte: Cepea
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