Sustentabilidade
Cepea: Com alta de 15,65%, indicador do Arroz no RS recupera folego impulsionado por restrição de estoques – MAIS SOJA

Agosto foi marcado por forte recuperação dos preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul. A baixa disponibilidade do cereal e a necessidade de recomposição dos estoques das indústrias sustentaram reajustes nas ofertas de compra, enquanto produtores permaneceram firmes nas pedidas.
Com o avanço das cotações, entretanto, a dificuldade de repasse ao arroz beneficiado aumentou a resistência dos compradores a novos reajustes. Na reta final do mês, mesmo com maior disponibilidade em parte das regiões, a atuação da demanda externa, sobretudo nas proximidades do Porto de Rio Grande, manteve os preços sustentados.
Nas primeiras semanas de agosto, produtores consultados pelo Cepea ofertaram poucos lotes, mantendo expectativas de valores mais elevados. Ao mesmo tempo, compradores relataram dificuldades para recompor estoques e precisaram elevar as ofertas em diferentes momentos para estimular novas vendas. A expectativa em torno das aquisições anunciadas pelo Governo Federal no final de julho também permaneceu no radar dos agentes ao longo de agosto. Até o início de setembro, porém, ainda não havia sido divulgado o edital com as regras para a operacionalização das compras, mantendo indefinições quanto à efetivação da medida.
A restrição de matéria-prima se intensificou ao longo da primeira metade do mês. Em casos pontuais, indústrias chegaram a suspender temporariamente as vendas de arroz beneficiado por não conseguirem adquirir volumes suficientes para atender aos novos pedidos. Compradores também buscaram alternativas para viabilizar aquisições e houve negociações em que aceitaram preços mais elevados, mas com prazos de pagamento mais longos. Ainda assim, a postura retraída dos vendedores limitou a liquidez.
À medida que as cotações avançaram, porém, aumentou a resistência de parte das indústrias em atender aos valores pretendidos pelos produtores. Agentes relataram dificuldade em repassar ao arroz beneficiado os reajustes observados na matéria-prima, o que reduziu o espaço para novas altas nas ofertas de compra. A diferença entre as expectativas de compradores e vendedores, que havia diminuído em semanas anteriores, voltou a aumentar, e os negócios permaneceram pontuais mesmo diante da necessidade de aquisição das indústrias.
Na reta final de agosto, a dinâmica de comercialização apresentou nova mudança. Agentes consultados pelo Cepea relataram aumento da disponibilidade de arroz em casca em parte das regiões acompanhadas, permitindo inclusive o fechamento de lotes maiores do que nas semanas anteriores. A maior oferta, contudo, não resultou em recuo das cotações. Além da manutenção de pedidas firmes pelos produtores, a demanda internacional ganhou relevância, sobretudo nas regiões próximas ao Porto de Rio Grande. O interesse externo levou compradores a elevar suas ofertas para determinados lotes e deu novo suporte aos preços.
Em regiões mais distantes do Porto, por outro lado, os custos com frete dificultaram algumas operações, ao elevar o valor final do cereal. Dessa forma, mesmo com interesse comprador, a localização dos lotes e os custos logísticos também condicionaram as negociações no período.
As condições climáticas foram outro fator acompanhado pelos agentes durante agosto. As chuvas dificultaram carregamentos e o transporte do cereal em determinadas regiões e provocaram interrupções pontuais no fornecimento de energia elétrica. Além dos impactos sobre a comercialização, as precipitações limitaram os trabalhos de preparo do solo em algumas áreas, aumentando as preocupações quanto à implantação da safra 2026/27.
Preços regionais – No acumulado de agosto, a média do Indicador CEPEA/IRGA-RS (58% de grãos inteiros, pagamento à vista) foi de R$ 74,24/saca de 50 kg, alta de 15,65% frente à média de julho, de R$ 64,20/sc.
A valorização ocorreu em todas as seis microrregiões que compõem o Indicador. A Depressão Central apresentou a maior valorização mensal, de 17,54%, com a média passando para R$ 70,24/sc em agosto. Na Campanha, a alta foi de 16,74%, para R$ 73,07/sc, enquanto, na Fronteira Oeste, o avanço foi de 16,50%, com média de R$ 74,78/sc. Na Planície Costeira Interna, a valorização chegou a 14,54%, para R$ 76,16/sc. Na Zona Sul, o preço médio aumentou 13,86%, para R$ 75,52/sc, e, na Planície Costeira Externa, a alta foi de 13,60%, com média de R$ 73,78/sc.
Para as demais faixas de rendimentos acompanhadas pelo Cepea, o preço médio do arroz de 50% a 57% de grãos inteiros no Rio Grande do Sul subiu 15,70% entre jul/26 e ago/26, a R$ 72,06/sc de 50 kg. Os grãos com 59% a 62% de inteiros se valorizaram 16,35% no período, com a média passando para R$ 75,63/sc. Já para o produto de 63% a 65% de grãos inteiros, o preço avançou 15,89% no mesmo comparativo, a R$ 76,39/sc.
Varejo – Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), divulgados pelo IBGE em 28 de julho, apontam estabilidade de 0,06% no conjunto de produtos e serviços consumidos pelas famílias brasileiras. Para o arroz, especificamente, houve queda de 0,81% na coleta realizada entre 17 de junho e 15 de julho. No acumulado dos últimos 12 meses, o recuo chega a 15,06% na média nacional.
Fonte: Cepea
Sustentabilidade
Soja sobe no mercado brasileiro, mas negócios seguem pontuais; Chicago fecha em baixa

O mercado brasileiro de soja registrou valorização dos preços nesta quarta-feira (28), mas a comercialização permaneceu limitada a negócios pontuais. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a sessão foi marcada pela volatilidade do dólar e das cotações na Bolsa de Chicago, com algumas indicações de compra mais favoráveis, principalmente nos portos.
Apesar da melhora nas ofertas, os volumes negociados permaneceram reduzidos. Os prêmios de exportação não apresentaram alterações significativas, enquanto os produtores continuaram segurando os volumes restantes de soja.
Segundo Silveira, o foco dos produtores permanece nos trabalhos de plantio da nova safra, o que também contribui para a movimentação limitada no mercado físico.
No mercado físico, os preços da saca de 60 quilos avançaram nas principais praças brasileiras, com exceção de Dourados (MS), onde as cotações permaneceram estáveis.
Soja no Brasil
- Passo Fundo (RS): subiu de R$ 151,00 para R$ 152,00
- Santa Rosa (RS): subiu de R$ 152,00 para R$ 153,00
- Cascavel (PR): subiu de R$ 146,50 para R$ 148,00
- Rondonópolis (MT): subiu de R$ 140,00 para R$ 141,00
- Dourados (MS): manteve em R$ 142,00
- Rio Verde (GO): subiu de R$ 140,00 para R$ 142,00
- Paranaguá (PR): subiu de R$ 157,50 para R$ 159,00.
- Rio Grande (RS): subiu de R$ 158,00 para R$ 159,00
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a quarta-feira em baixa para o grão e o óleo, enquanto o farelo encerrou em alta.
O mercado registrou o terceiro pregão consecutivo de perdas diante da pressão do avanço da colheita nos Estados Unidos, que amplia a oferta disponível, e das preocupações com a competitividade do produto norte-americano em meio à desvalorização do real. As perdas, contudo, foram limitadas por compras de barganha e pela perspectiva de redução da safra brasileira em um cenário de El Niño forte.
Segundo estudo da Serasa Experian, a produção brasileira de soja na temporada 2026/27 pode cair para 163,6 milhões de toneladas sob condições de El Niño forte, ante 181,2 milhões de toneladas em um cenário climático neutro.
Nos Estados Unidos, a colheita de soja atingiu 79% da área até domingo, em linha com as expectativas do mercado. A colheita de milho chegou a 60%, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Na demanda, exportadores privados norte-americanos reportaram ao USDA a venda de 120 mil toneladas de soja para destinos não revelados, com entrega prevista para a temporada 2026/27.
Contratos futuros de soja
Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam em baixa de 4,75 centavos de dólar, ou 0,38%, cotados a US$ 12,24½ por bushel. A posição janeiro encerrou a US$ 12,38 por bushel, com retração de 5 centavos de dólar, ou 0,40%.
Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com ganho de US$ 1,10 por tonelada, ou 0,32%, a US$ 335,70 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro encerraram a 65,56 centavos de dólar por libra-peso, com perda de 1,15 centavo, ou 1,72%.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão com baixa de 0,03%, negociado a R$ 5,3463 para venda e a R$ 5,3443 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,3111 e a máxima de R$ 5,3986.
Sustentabilidade
Sistema plantio direto contribui para reduzir perdas por seca na soja – MAIS SOJA

Considerando que o déficit hídrico é um dos principais fatores responsáveis por limitar a produtividade da soja, adotar estratégias que aumentem a resiliência das plantas ao estresse hídrico é fundamental para mitigar os efeitos da baixa disponibilidade de água, contribuindo para a manutenção do potencial produtivo da cultura, desde que os períodos de estiagem não comprometam significativamente o crescimento e o desenvolvimento das plantas.
Uma das principais estratégias para isso consiste no manejo do solo visando aumentar a capacidade de infiltração de água no perfil, reduzir as perdas por escoamento superficial e favorecer a distribuição das raízes no solo. Além de contribuir para um melhor aproveitamento da água, o manejo conservacionista possibilita a melhoria dos atributos químicos, físicos e biológicos do solo, promovendo um ambiente mais favorável ao desenvolvimento radicular.
O sistema plantio direto contribui efetivamente para alcançar esses benefícios. Ao seguir a premissa da cobertura permanente do solo, seja por meio da palhada residual e/ou de culturas de cobertura, inúmeros benefícios são proporcionados ao sistema de produção, incluindo maiores índices de infiltração de água no solo, menores perdas por escoamento superficial e evaporação, além da redução da erosão hídrica. Dessa forma, o plantio direto contribui, de maneira direta e indireta, para mitigar os efeitos da seca na cultura da soja.
Figura 1. Palhada em cobertura do solo, em sistema plantio direto consolidado.
Avaliando o índice de satisfação da necessidade de água da soja (ISNA) na fase reprodutiva da cultura (R1 a R6), Franchini et al. (2012), observaram a partir de um experimento de longa duração (17 safras), que existe uma correção positiva entre os valores de ISNA e a produtividade da soja no sistema plantio direto.
Os resultados observados por Franchini et al. (2012) demonstram que demonstram que a produtividade da soja no sistema plantio direto (SPD) foi menos afetada pela redução do ISNA do que no preparo convencional (PC), evidenciando maior disponibilidade de água e resiliência ao déficit hídrico. Enquanto a redução do ISNA de 0,8 para 0,6 provocou perdas de produtividade de aproximadamente 15% no SPD, no PC as perdas chegaram a 40%. Além disso, a produtividade começou a diminuir com ISNA abaixo de 0,7 no SPD, enquanto no PC essa redução ocorreu a partir de valores inferiores a 0,8, reforçando a maior tolerância da cultura ao déficit hídrico no sistema plantio direto (Debiasi; Franchini; Balbinot Junior, 2026).
O ISNA é um indicador da capacidade de oferta de água para suprir a demanda evapotranspiratória da cultura, ou seja, quando o ISNA é igual a 1 significa que a lavoura tem sua necessidade de água totalmente atendida (Debiasi; Franchini; Balbinot Junior, 2026).
Figura 2. Correlação entre a produtividade e o índice de satisfação da necessidade de água (ISNA) na fase reprodutiva (estádios: R1 a R6) da soja conduzida no sistema plantio direto (SPD) e no preparo convencional de solo (PC), a partir de dados de 17 safras de experimento de longa duração (período: 1994/1995 a 2010/2011) instalado em Londrina, PR.

Esses resultados reforçam o papel do sistema plantio direto como estratégia para mitigar os efeitos do déficit hídrico sobre a produtividade da soja, contribuindo para aumentar a resiliência das lavouras à seca em comparação ao preparo convencional do solo.

Referencias:
DEBIAISI, H.; FRANCHINI, J. C.; BALBINOT JUNIOR, A. A. MANEJO DO SOLO PARA REDUZIR PERDAS POR SECA NA SOJA. Embrapa Soja, Tópicos agronômicos sobre enfrentamento da seca na soja, Cap. 5, 2026. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1187158/1/DOC-486.pdf >, acesso em: 28/10/2026.
FRANCHINIM, J. C. et al. EVOLUTION OF CROP YIELDS IN DIFFERENT TILLAGE AND CROPPING SYSTEMS OVER TWO DECADES IN SOUTHERN BRAZIL. Field Crops Research, 2012. Disponível em: < https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/940585/1/franchini.field.crops.2012.pdf >, acesso em: 28/10/2026.

Sustentabilidade
Como fica o tempo em novembro? Temporais, granizo e chuvas de até 70 mm chegam no país

A previsão do tempo para os próximos dias indica o retorno das chuvas a algumas das principais regiões produtoras do país. No Centro-Oeste, a atuação de um canal de umidade favorece a ocorrência de temporais em regiões de soja, com possibilidade de rajadas de vento e queda de granizo. Já no Sul, a expectativa é de retorno das precipitações com maiores volumes na próxima semana.
Temporais atingem o Centro-Oeste
A atuação de um canal de umidade favorece o retorno das chuvas aos três estados do Centro-Oeste. Nesta quinta-feira (29), há previsão de temporais, com possibilidade de rajadas de vento e granizo em Mato Grosso do Sul, além de chuva forte no sul de Mato Grosso.
Nos próximos cinco dias, os volumes de chuva podem chegar a 80 milímetros em Goiás, enquanto Mato Grosso do Sul e Mato Grosso devem registrar acumulados de aproximadamente 30 milímetros. Em Mato Grosso, a distribuição das precipitações deve ser irregular, e áreas do norte do estado ainda precisam de mais chuva.
Na próxima semana, a tendência é de aumento das precipitações no sul de Mato Grosso do Sul. A segunda semana de novembro também deve manter as condições favoráveis à ocorrência de chuvas na região.
Com o retorno gradual das precipitações, o calorão tende a perder força. Nos próximos cinco dias, as temperaturas máximas não devem ultrapassar os 37 °C.
Diante da previsão de temporais, a orientação é evitar a exposição em áreas abertas durante a ocorrência de chuva intensa, especialmente em atividades no campo.
Sul terá retorno da chuva na próxima semana
No Sul do país, a previsão indica a retomada das chuvas com maiores volumes na próxima semana, especialmente no Rio Grande do Sul e no Paraná. Os acumulados podem chegar a 50 milímetros nessas áreas, favorecendo a reposição da umidade do solo.
No Rio Grande do Sul, a chuva deve voltar a ganhar força ao longo da próxima semana, após um período de menor ocorrência de precipitações.
Chuva avança sobre áreas do Matopiba
No Matopiba, a previsão indica o retorno das chuvas com volumes mais expressivos entre os dias 8 e 12 de novembro. Os maiores acumulados são esperados no Tocantins e no oeste da Bahia, onde a precipitação pode alcançar 70 milímetros.
A volta das chuvas deve contribuir para a recuperação da umidade do solo, importante para o desenvolvimento das lavouras e o avanço das atividades agrícolas.
Enquanto algumas regiões terão o retorno das precipitações, áreas do Nordeste devem continuar com pouca chuva. A previsão indica ausência de volumes significativos no agreste nordestino, mantendo o alerta para a baixa disponibilidade hídrica nessas localidades.
Norte terá chuvas passageiras
Na Região Norte, a previsão aponta chuvas passageiras em Rondônia e no Pará. Apesar da ocorrência de precipitações pontuais, os volumes ainda podem ser insuficientes para reverter os problemas relacionados à estiagem em algumas áreas.
A situação exige atenção especial na bacia do rio Tapajós, onde a falta de chuvas significativas mantém as preocupações com as condições hídricas.
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