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27 de outubro de 2026

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Etanol pode ganhar novos mercados em navios, aviões e máquinas agrícolas

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

O etanol brasileiro pode ampliar seu espaço para além dos veículos leves e ganhar novas aplicações em navios, aviões, veículos híbridos e máquinas agrícolas. A expansão desses mercados é apontada como uma das possibilidades para aumentar a demanda pelo biocombustível e sustentar novos investimentos no setor.

Na safra 2026/27, a produção brasileira deve chegar a cerca de 41 bilhões de litros de etanol, considerando cana e milho. Desse volume, aproximadamente 30 bilhões de litros devem vir da cana e 11 bilhões de litros do milho.

Mato Grosso tem participação relevante nesse cenário. O estado responde por cerca de 25% do etanol total produzido no país e por aproximadamente 62% do etanol de milho.

A expansão, porém, não depende apenas da disponibilidade de matéria-prima. Para o diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Bioenergia do Estado de Mato Grosso (Bioind-MT), Wellington Andrade, novos projetos precisam estar associados ao comportamento do mercado. “Todo o investimento vai passar pela demanda”, resume em entrevista ao programa Direto ao Ponto.

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Transporte marítimo pode abrir grande mercado

Uma das principais possibilidades está no transporte marítimo. O etanol de milho brasileiro de segunda safra já foi reconhecido pela Organização Internacional dos Transportes Marítimos como uma molécula eficiente para a descarbonização do setor, mas ainda depende de regulamentação.

A utilização poderia ocorrer em embarcações que já trabalham com tanques de metanol. Nesse caso, conforme Andrade, a estrutura existente reduziria a necessidade de adaptações. “O etanol ele é mais eficiente em termos de descarbonização do que o próprio metanol”, afirma.

O potencial de consumo é expressivo. Se o etanol representar 10% do combustível utilizado no transporte marítimo, a demanda adicional poderia chegar a 50 bilhões de litros por ano, volume superior à atual produção brasileira.

A perspectiva também se estende ao setor aéreo, com projetos de produção de combustível sustentável para aviação a partir do etanol. Entre as alternativas está o chamado Alcohol-to-Jet (ATJ), tecnologia que utiliza o biocombustível como matéria-prima para a produção do SAF.

Wellington Andrade, diretor executivo Bioind MT etanol foto Israel Baumann Canal Rural Mato Grosso
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Veículos híbridos entram no radar

No mercado interno, o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina também pode gerar consumo adicional. Atualmente, a mistura está em 32%, enquanto a legislação do combustível do futuro permite chegar a 35%.

O avanço para o E35 ainda depende da realização de testes. O protocolo para essa avaliação foi validado em reunião recente do subcomitê dos teores de misturas do Ministério de Minas e Energia, de acordo com Andrade.

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A elevação da mistura já mostrou impacto sobre a demanda. Na passagem do E30 para o E32, foram acrescentados cerca de 1 bilhão de litros de etanol anidro ao consumo, ao mesmo tempo em que se reduz em volume equivalente a necessidade de gasolina.

Além do aumento da mistura, os veículos híbridos flex aparecem como outra frente de expansão. A tecnologia combina a motorização elétrica com a possibilidade de utilizar gasolina ou etanol e, na avaliação do diretor executivo do Bioind-MT, pode se adequar à matriz energética brasileira.

“Em termos de Brasil, logicamente, o mais correto seriam os elétricos híbridos flex”, pontua. Segundo ele, já existem projetos nessa direção.

Máquinas agrícolas também podem usar etanol

O uso do etanol não se limita aos veículos de passeio, frisa o entrevistado ao programa do Canal Rural Mato Grosso. Projetos para conversão de motores a diesel para o biocombustível também estão em desenvolvimento, incluindo uma iniciativa de pesquisa da Bosch.

A proposta envolve um retrofit dos motores, com a conversão necessária para que possam operar com etanol. Para Andrade, a tecnologia pode se tornar mais uma possibilidade de consumo do biocombustível no setor agropecuário.

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A diversificação dos usos ganha importância diante do crescimento da produção. Para a safra atual, a estimativa é de um estoque de passagem de aproximadamente 4 bilhões de litros, o que indica uma oferta superior à demanda no mercado brasileiro.

Nesse cenário, as exportações ainda representam uma parcela pequena da produção. A previsão é de embarques de cerca de 1,5 bilhão de litros, tendo a Coreia do Sul como principal compradora, com aproximadamente 770 milhões de litros, seguida pelos Estados Unidos, com 253 milhões, e pelos Países Baixos, com 221 milhões.

Mato Grosso concentra expansão no etanol de milho

A disponibilidade de milho mantém Mato Grosso como um dos principais polos para a expansão da produção. As indústrias já instaladas foram implantadas em regiões com oferta suficiente de matéria-prima, e novos investimentos precisam considerar essa relação entre produção agrícola e capacidade industrial.

O estado ainda possui projetos e possibilidades de ampliação, mas o cenário atual aponta maior tendência para usinas dedicadas ao milho. As chamadas plantas flex, que combinam cana e milho, também são uma alternativa, principalmente pela possibilidade de compartilhar estruturas e aproveitar subprodutos.

Nesse modelo, o bagaço da cana pode ser utilizado como biomassa para a operação da indústria de milho, aumentando a eficiência da planta. “Você tem ali um reaproveitamento dos coprodutos”, explica Andrade.

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A escolha entre ampliar uma unidade de cana, investir em uma planta de milho ou adotar uma estrutura flex depende, portanto, das condições econômicas e da disponibilidade de matéria-prima. Em Mato Grosso, a tendência predominante atualmente é a instalação de usinas full de milho.

DDG amplia aproveitamento do milho

Além do etanol, o processamento do milho gera coprodutos que ajudam a sustentar a viabilidade econômica das plantas. Entre eles está o DDG, que também encontra mercado dentro e fora do Brasil.

Mato Grosso deve produzir cerca de 3,4 milhões de toneladas de DDG na próxima safra. A abertura do mercado chinês para o produto amplia as possibilidades de comercialização, considerando o potencial de consumo daquele país. “Tem o mercado da China que se abriu para o DDG e toda vez que a China faz um movimento de consumo, é um movimento muito grande”, pontua Andrade ao Canal Rural Mato Grosso.

Parte dessa produção também é absorvida pelos próprios produtores ligados às usinas. Há unidades de etanol de milho formadas por sociedades de produtores nas quais os associados utilizam o DDG produzido pelas próprias indústrias em seus contratos.

Com novas aplicações em desenvolvimento e a possibilidade de avanço da mistura na gasolina, o setor passa a trabalhar com diferentes caminhos para ampliar o consumo do etanol. Para Mato Grosso, a expansão continua diretamente ligada à disponibilidade de milho, à demanda e à viabilidade dos investimentos em novas plantas.

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Brasil deve importar até 14% menos fertilizantes em 2026

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As importações brasileiras de fertilizantes podem recuar entre 12% e 14% em 2026, mesmo diante da expansão de 2,3% na área cultivada do país na safra 2026/27, segundo projeção feita pelo Canal Rural baseada em dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Segundo o levantamento, o Brasil deve encerrar o ano com aproximadamente 40,2 milhões de toneladas de fertilizantes importados, no cenário mais favorável às compras externas. O volume representa uma redução de 5,3 milhões de toneladas em relação a 2025, quando as importações atingiram o recorde de 45,5 milhões de toneladas.

A estimativa considera os dados acumulados até a terceira semana de outubro e uma projeção para os meses restantes do ano. Ferreira avalia que a retração poderá ser ainda maior, chegando a 13% ou 14%, caso o ritmo das importações fique abaixo do observado no mesmo período de 2025.

A redução chama atenção pela elevada dependência brasileira do mercado externo. Atualmente, mais de 85% das matérias-primas utilizadas na produção de fertilizantes consumidos no país são importadas, segundo o analista.

Custos de produção explicam redução nas compras

A expectativa de queda nas importações está relacionada principalmente à necessidade de reduzir os custos de produção nas propriedades rurais. Diferentemente do cenário observado após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, quando os preços internacionais dos fertilizantes dispararam, o recuo projetado para 2026 não é explicado por uma nova escalada das cotações.

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Entre 2021 e 2023, o preço médio da tonelada importada chegou a superar US$ 700, aproximadamente o dobro dos US$ 340 a US$ 350 registrados antes do conflito. Já em 2026, o valor médio retornou a aproximadamente US$ 350 por tonelada.

Com isso, a pressão para reduzir o uso de fertilizantes está associada aos custos totais da atividade agrícola e à necessidade de preservar as margens de rentabilidade.

A redução da aplicação de insumos deve ocorrer de maneira planejada, com base em análises de solo e tecnologias de aplicação em taxas variáveis, para evitar prejuízos à produtividade.

Porto de Paranaguá perde participação nas importações

Outro destaque do levantamento é a redução da participação do Porto de Paranaguá, no Paraná, na entrada de fertilizantes no Brasil.

Em 2024, o terminal respondeu por aproximadamente 25% do volume nacional importado. A participação caiu para 24% em 2025 e deve atingir 22% em 2026.

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Parte dessa mudança está relacionada ao crescimento da movimentação de fertilizantes pelos portos do Arco Norte, que vêm ganhando espaço na logística de abastecimento do agronegócio brasileiro.

A retração no volume total importado também tende a afetar Paranaguá, devido à sua relevância na movimentação desses produtos.

Planejamento da adubação ganha importância

Com a perspectiva de menor utilização de fertilizantes, é necessário um planejamento técnico para a implantação das próximas safras.

A adoção de ferramentas de agricultura de precisão, especialmente a aplicação de fertilizantes em taxas variáveis, pode contribuir para ajustar as doses às necessidades de cada área.

O objetivo é reduzir desperdícios e despesas sem comprometer a nutrição das lavouras e o potencial produtivo da safra 2026/27.

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Mato Grosso lidera produção de etanol de milho no Brasil e concentra 60,72% do volume

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Mato Grosso respondeu por 60,72% da produção brasileira de etanol de milho entre julho e setembro de 2026, com 1,76 milhão de metros cúbicos. O volume coloca o estado à frente dos demais polos industriais do país, em um cenário de expansão do uso do cereal na fabricação de biocombustíveis.

Os dados foram apresentados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em seu boletim semanal da cultura do milho, com base em informações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

No Brasil, a produção de etanol de milho somou 2,90 milhões de metros cúbicos no terceiro trimestre de 2026, alta de 23,71% em relação ao mesmo período do ano anterior. O avanço ocorreu em um ritmo superior ao da produção total de etanol, que chegou a 14,51 milhões de metros cúbicos, com crescimento de 0,80% na comparação anual.

O desempenho indica uma ampliação da participação do milho na indústria brasileira de biocombustíveis. Em um ano, a parcela do etanol produzido a partir do cereal passou de 16,29% para 20% do total nacional no período de julho a setembro.

A mudança também reforça a importância de Mato Grosso para o abastecimento das usinas e para a demanda industrial pelo grão, que ganha outra finalidade além da alimentação animal e de outros usos já consolidados no mercado.

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Mato Grosso reúne a maior parcela da produção

Além de Mato Grosso, outros três estados se destacaram na produção de etanol de milho no período. Mato Grosso do Sul registrou 539,22 mil metros cúbicos, seguido por Goiás, com 262,02 mil metros cúbicos, e Maranhão, com 220,29 mil metros cúbicos.

Juntos, os quatro estados concentraram 95,92% da produção brasileira estimada do biocombustível à base de milho entre julho e setembro. A concentração evidencia o peso desses polos na atividade industrial e, especialmente, a posição de Mato Grosso nesse mercado.

O avanço nacional de 23,71% na produção de etanol de milho, diante do crescimento de menos de 1% no volume total de etanol, mostra que o cereal ampliou sua participação na composição da oferta brasileira.

Esse movimento aumenta a relevância do milho como matéria-prima industrial e fortalece a conexão entre a produção agrícola e o setor de energia, especialmente nos estados que concentram as usinas.

Estoques favorecem o abastecimento das usinas

Uma das características que favorecem o uso do milho na produção de etanol é a possibilidade de armazenamento do grão. Diferentemente da cana-de-açúcar, cuja disponibilidade para processamento está mais ligada ao ciclo de colheita, o cereal pode ser estocado e utilizado ao longo do ano.

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Essa condição permite que as usinas organizem o abastecimento para além dos períodos de colheita, contribuindo para a continuidade das operações industriais. A disponibilidade de matéria-prima armazenada também ajuda a reduzir a dependência da sazonalidade agrícola.

Para Mato Grosso, onde a produção de milho tem grande relevância, a transformação do grão em biocombustível representa mais um canal de demanda interna. Na safra 2025/26 o estado colheu 58 milhões de toneladas, volume superior as 51 milhões de toneladas registradas na soja. O setor industrial passa a integrar o conjunto de mercados que absorvem a produção estadual.


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Campo Mourão recebe evento sobre produção orgânica nesta quinta-feira

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Campo Mourão, no Centro-Oeste do Paraná, recebe nesta quinta-feira (29) a 5ª edição do Caminhos da Produção Orgânica. O evento será realizado das 08h30 às 17h, na Praça Bento Munhoz da Rocha Neto, conhecida como Praça do Fórum, com expectativa de público de cerca de 2 mil pessoas. A proposta é ampliar o conhecimento sobre cultivo de orgânicos, manejo sustentável e oportunidades de comercialização.

A iniciativa é realizada em parceria pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Ministério Público do Estado do Paraná (MPPR), Núcleo Regional de Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo (Gaemae) e Prefeitura de Campo Mourão.

A programação é voltada à cadeia produtiva de orgânicos e inclui orientações técnicas, apresentação de práticas sustentáveis, informações sobre certificação, comercialização e políticas públicas. O público-alvo reúne agricultores, cooperativas, instituições de ensino e agentes de financiamento.

Quer ficar por dentro da previsão do tempo e dos alertas meteorológicos? Acesse a página do tempo do Canal Rural e planeje-se!

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Paraná lidera a produção de orgânicos e soma 4.516 produtores. Em Campo Mourão, a atividade passou de 12 produtores orgânicos há cinco anos para 70 atualmente, de acordo com o chefe regional do IDR-Paraná no município, Jairo Quadros. A meta apresentada é chegar a 300 produtores.

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Quadros afirmou que a ampliação da produção orgânica é estratégica para atender à demanda por alimentos, especialmente na alimentação escolar. Ele destacou que Campo Mourão tem mais de 100 mil habitantes e que mais de 20 mil são atendidos pela agricultura familiar, principalmente por meio da merenda escolar com alimentos orgânicos.

De acordo com o engenheiro agrônomo e extensionista rural do IDR-Paraná, Paulo Lizarelli, o acesso à orientação técnica e à certificação é um ponto central para ampliar a entrada de agricultores na atividade e expandir mercados. O evento também terá exposição e comercialização de alimentos produzidos na região, além de ações de extensão rural, educação ambiental, conhecimentos científicos, equipamentos e tecnologias voltados à produção orgânica.

A 5ª edição do Caminhos da Produção Orgânica terá entrada gratuita e será realizada na Rua Santa Cruz, 972, no Jardim Flórida, em Campo Mourão, com programação aberta ao público ao longo desta quinta-feira (29).

Fonte: agricultura.pr.gov.br

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