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15 de outubro de 2026

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Etanol pode ganhar novos mercados em navios, aviões e máquinas agrícolas

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

O etanol brasileiro pode ampliar seu espaço para além dos veículos leves e ganhar novas aplicações em navios, aviões, veículos híbridos e máquinas agrícolas. A expansão desses mercados é apontada como uma das possibilidades para aumentar a demanda pelo biocombustível e sustentar novos investimentos no setor.

Na safra 2026/27, a produção brasileira deve chegar a cerca de 41 bilhões de litros de etanol, considerando cana e milho. Desse volume, aproximadamente 30 bilhões de litros devem vir da cana e 11 bilhões de litros do milho.

Mato Grosso tem participação relevante nesse cenário. O estado responde por cerca de 25% do etanol total produzido no país e por aproximadamente 62% do etanol de milho.

A expansão, porém, não depende apenas da disponibilidade de matéria-prima. Para o diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Bioenergia do Estado de Mato Grosso (Bioind-MT), Wellington Andrade, novos projetos precisam estar associados ao comportamento do mercado. “Todo o investimento vai passar pela demanda”, resume em entrevista ao programa Direto ao Ponto.

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Transporte marítimo pode abrir grande mercado

Uma das principais possibilidades está no transporte marítimo. O etanol de milho brasileiro de segunda safra já foi reconhecido pela Organização Internacional dos Transportes Marítimos como uma molécula eficiente para a descarbonização do setor, mas ainda depende de regulamentação.

A utilização poderia ocorrer em embarcações que já trabalham com tanques de metanol. Nesse caso, conforme Andrade, a estrutura existente reduziria a necessidade de adaptações. “O etanol ele é mais eficiente em termos de descarbonização do que o próprio metanol”, afirma.

O potencial de consumo é expressivo. Se o etanol representar 10% do combustível utilizado no transporte marítimo, a demanda adicional poderia chegar a 50 bilhões de litros por ano, volume superior à atual produção brasileira.

A perspectiva também se estende ao setor aéreo, com projetos de produção de combustível sustentável para aviação a partir do etanol. Entre as alternativas está o chamado Alcohol-to-Jet (ATJ), tecnologia que utiliza o biocombustível como matéria-prima para a produção do SAF.

Wellington Andrade, diretor executivo Bioind MT etanol foto Israel Baumann Canal Rural Mato Grosso
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Veículos híbridos entram no radar

No mercado interno, o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina também pode gerar consumo adicional. Atualmente, a mistura está em 32%, enquanto a legislação do combustível do futuro permite chegar a 35%.

O avanço para o E35 ainda depende da realização de testes. O protocolo para essa avaliação foi validado em reunião recente do subcomitê dos teores de misturas do Ministério de Minas e Energia, de acordo com Andrade.

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A elevação da mistura já mostrou impacto sobre a demanda. Na passagem do E30 para o E32, foram acrescentados cerca de 1 bilhão de litros de etanol anidro ao consumo, ao mesmo tempo em que se reduz em volume equivalente a necessidade de gasolina.

Além do aumento da mistura, os veículos híbridos flex aparecem como outra frente de expansão. A tecnologia combina a motorização elétrica com a possibilidade de utilizar gasolina ou etanol e, na avaliação do diretor executivo do Bioind-MT, pode se adequar à matriz energética brasileira.

“Em termos de Brasil, logicamente, o mais correto seriam os elétricos híbridos flex”, pontua. Segundo ele, já existem projetos nessa direção.

Máquinas agrícolas também podem usar etanol

O uso do etanol não se limita aos veículos de passeio, frisa o entrevistado ao programa do Canal Rural Mato Grosso. Projetos para conversão de motores a diesel para o biocombustível também estão em desenvolvimento, incluindo uma iniciativa de pesquisa da Bosch.

A proposta envolve um retrofit dos motores, com a conversão necessária para que possam operar com etanol. Para Andrade, a tecnologia pode se tornar mais uma possibilidade de consumo do biocombustível no setor agropecuário.

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A diversificação dos usos ganha importância diante do crescimento da produção. Para a safra atual, a estimativa é de um estoque de passagem de aproximadamente 4 bilhões de litros, o que indica uma oferta superior à demanda no mercado brasileiro.

Nesse cenário, as exportações ainda representam uma parcela pequena da produção. A previsão é de embarques de cerca de 1,5 bilhão de litros, tendo a Coreia do Sul como principal compradora, com aproximadamente 770 milhões de litros, seguida pelos Estados Unidos, com 253 milhões, e pelos Países Baixos, com 221 milhões.

Mato Grosso concentra expansão no etanol de milho

A disponibilidade de milho mantém Mato Grosso como um dos principais polos para a expansão da produção. As indústrias já instaladas foram implantadas em regiões com oferta suficiente de matéria-prima, e novos investimentos precisam considerar essa relação entre produção agrícola e capacidade industrial.

O estado ainda possui projetos e possibilidades de ampliação, mas o cenário atual aponta maior tendência para usinas dedicadas ao milho. As chamadas plantas flex, que combinam cana e milho, também são uma alternativa, principalmente pela possibilidade de compartilhar estruturas e aproveitar subprodutos.

Nesse modelo, o bagaço da cana pode ser utilizado como biomassa para a operação da indústria de milho, aumentando a eficiência da planta. “Você tem ali um reaproveitamento dos coprodutos”, explica Andrade.

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A escolha entre ampliar uma unidade de cana, investir em uma planta de milho ou adotar uma estrutura flex depende, portanto, das condições econômicas e da disponibilidade de matéria-prima. Em Mato Grosso, a tendência predominante atualmente é a instalação de usinas full de milho.

DDG amplia aproveitamento do milho

Além do etanol, o processamento do milho gera coprodutos que ajudam a sustentar a viabilidade econômica das plantas. Entre eles está o DDG, que também encontra mercado dentro e fora do Brasil.

Mato Grosso deve produzir cerca de 3,4 milhões de toneladas de DDG na próxima safra. A abertura do mercado chinês para o produto amplia as possibilidades de comercialização, considerando o potencial de consumo daquele país. “Tem o mercado da China que se abriu para o DDG e toda vez que a China faz um movimento de consumo, é um movimento muito grande”, pontua Andrade ao Canal Rural Mato Grosso.

Parte dessa produção também é absorvida pelos próprios produtores ligados às usinas. Há unidades de etanol de milho formadas por sociedades de produtores nas quais os associados utilizam o DDG produzido pelas próprias indústrias em seus contratos.

Com novas aplicações em desenvolvimento e a possibilidade de avanço da mistura na gasolina, o setor passa a trabalhar com diferentes caminhos para ampliar o consumo do etanol. Para Mato Grosso, a expansão continua diretamente ligada à disponibilidade de milho, à demanda e à viabilidade dos investimentos em novas plantas.

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Milho e sorgo: pesquisa busca mais produtividade e resistência ao clima

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O Brasil tem potencial para ampliar a produtividade do milho e fortalecer o cultivo do sorgo com o apoio de tecnologias voltadas à resistência climática, ao aproveitamento da água e à melhoria das condições do solo. Os desafios relacionados ao calor e à irregularidade das chuvas, porém, seguem limitando o desempenho das lavouras.

O chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo, Vinícius Pereira Guimarães, avalia que o país dispõe de genética e tecnologias capazes de elevar os patamares produtivos. Nos últimos levantamentos, entretanto, milho e sorgo registraram pequenas reduções de produtividade por área, associadas principalmente aos desafios climáticos.

“Temos condições, temos tecnologia disponível para isso”, afirma o pesquisador ao programa Direto ao Ponto, ao destacar que o avanço da produção depende também da capacidade de enfrentar as adversidades climáticas.

Segundo o especialista, o Brasil pode alcançar resultados próximos aos registrados nos Estados Unidos, especialmente nas regiões com capacidade de irrigação. Nas áreas de sequeiro, a dependência das chuvas aumenta a exposição das lavouras aos períodos de estiagem.

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Foto: Canal Rural Mato Grosso

Genética e manejo do solo são estratégias para enfrentar a seca

A pesquisa trabalha no desenvolvimento de materiais genéticos mais tolerantes ao calor e ao estresse hídrico. Entre as ferramentas utilizadas estão a edição gênica e outras tecnologias de melhoramento, que buscam ampliar a resiliência das plantas diante de condições adversas.

Outra frente envolve o uso de bioinsumos para melhorar a capacidade das culturas de suportar períodos de calor e baixa disponibilidade de água. A combinação dessas soluções pode contribuir para aumentar a eficiência do uso da umidade presente no solo.

O manejo da terra também é determinante para expressar o potencial produtivo das lavouras. A manutenção da matéria orgânica, o desenvolvimento das raízes e a formação de palhada ajudam a conservar a água e melhorar as condições para o crescimento das plantas.

“O solo é a maior infraestrutura”, ressalta Guimarães ao programa do Canal Rural Mato Grosso. Para ele, a qualidade do solo deve ser tratada como base da produção agrícola, com práticas que favoreçam a permanência da água e o aproveitamento do potencial genético das culturas. “Quando a gente começa a pensar em produção agrícola, o produtor precisa ter o solo como a sua base, como seu alicerce”.

Sorgo amplia espaço diante dos desafios climáticos

O sorgo também ganha relevância como alternativa para regiões em que as condições de plantio do milho se tornam mais desafiadoras. A cultura apresenta maior tolerância à disponibilidade limitada de água e pode atender diferentes mercados, como alimentação animal, silagem, pastejo, alimentação humana e produção de etanol.

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De acordo com Guimarães, a área cultivada com sorgo cresceu 32,9% na safra anterior, enquanto a produção aumentou 20% em relação ao ciclo precedente. O avanço reflete, conforme ele, uma mudança na percepção dos produtores sobre o potencial econômico da cultura.

“Hoje o sorgo tem mercado. O sorgo é demandante, ele tem mais tolerante a condições hídricas”, pontua o pesquisador, ao apontar que a cultura pode apresentar desempenho favorável em situações nas quais o milho enfrenta maiores limitações.

O planejamento da semeadura continua sendo essencial para aproveitar essa oportunidade. O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) é uma das ferramentas que auxiliam os produtores na definição das janelas de plantio mais adequadas às condições de cada região, salienta.

El Niño exige atenção ao planejamento das lavouras

As preocupações em torno dos possíveis efeitos do El Niño na temporada 2026/27 são acompanhadas pela Embrapa em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que juntos elaboraram um documento com 164 medidas para orientar os produtores no gerenciamento dos riscos climáticos.

As recomendações consideram que os impactos não serão iguais em todas as regiões. Segundo Guimarães, Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba podem enfrentar condições mais desafiadoras de calor e seca, enquanto o Sul do país está sujeito a episódios de excesso de chuva e tempestades.

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Nesse cenário, o acompanhamento das previsões meteorológicas, o uso do Zarc e o planejamento da janela de plantio ganham importância para reduzir a exposição das lavouras às condições adversas.

A nota técnica com as orientações está disponível no site da Embrapa. Para o pesquisador, a adoção das ferramentas de manejo e o monitoramento das condições climáticas serão fundamentais para que os produtores tomem decisões mais assertivas ao longo das próximas safras.

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Café tem segundo maior início de safra da história nas exportações

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As exportações brasileiras de café atingiram o segundo maior volume para o primeiro trimestre de uma safra desde 1990, início da série histórica do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Os embarques totais, incluindo café verde, torrado e solúvel, somaram 11,2 milhões de sacas de 60 kg entre julho e setembro, alta de 15,5% frente ao mesmo período de 2025/26.

O desempenho trimestral foi impulsionado principalmente pela espécie robusta, com os embarques somando 2,6 milhões de sacas de julho a setembro, expressivo avanço de 66,6% sobre a temporada anterior.

O Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea) avalia que o que sustentou as vendas foi a grande disponibilidade do grão e a demanda aquecida, cenário que já vinha melhorando desde que os Estados Unidos retiraram as tarifas extras sobre o café solúvel, em junho.

Para o arábica, o ritmo também segue positivo. No trimestre, os embarques somaram 7,6 milhões de sacas, alta de 4,2% frente a 2025/26. Em setembro, porém, as exportações somaram 2,8 milhões de sacas, retrações de 6,5% em relação a agosto e de 7,1% frente a setembro do ano passado.

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Apesar disso, o Cepea alerta para as dificuldades da safra atual: produtores mais capitalizados limitam as vendas para quando precisam de caixa, enquanto os problemas de qualidade relatados por colaboradores do Centro de Estudos reduzem a oferta de lotes dentro do padrão exigido pelos importadores.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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Falhas na energia travam irrigação e expansão do agro em Gaúcha do Norte

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A qualidade do fornecimento de energia elétrica se tornou um dos principais entraves à expansão do agronegócio em Gaúcha do Norte, em Mato Grosso. As oscilações na rede comprometem o funcionamento de pivôs de irrigação e secadores de grãos, elevam os custos de produção e dificultam novos investimentos em armazenagem, em um município com potencial para ampliar significativamente a área agrícola.

A energia que abastece Gaúcha do Norte vem de Paranatinga, e a estrutura existente já não atende plenamente à demanda do setor produtivo. A deficiência afeta propriedades rurais de diferentes tamanhos e obriga parte dos produtores a recorrer à geração própria para manter as operações.

O problema ocorre em um cenário de expansão das lavouras de soja, algodão e milho. Atualmente, o município planta cerca de 250 mil hectares, mas a área pode ultrapassar 400 mil hectares, conforme estimativa apresentada pela prefeitura. Para aproveitar esse potencial, o setor produtivo aponta a necessidade de reforçar a infraestrutura elétrica.

O impacto também chega à armazenagem. Segundo representantes do setor rural, o custo de secar grãos com motores a diesel já levou ao fechamento de um armazém, reduzindo a capacidade de atendimento à produção local.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Oscilações elevam custos e prejudicam a irrigação

Nas propriedades rurais, as falhas no fornecimento provocam interrupções frequentes e podem danificar equipamentos. O produtor Adalberto Grando relata que as oscilações de tensão afetam os sistemas de irrigação e os secadores, exigindo manutenção e substituição de componentes ao longo da safra.

“A parte irrigada é difícil você passar um ciclo de irrigação sem ter uma troca de um relê, de um disjuntor. Oscila, a tensão oscila muito”, afirma ao Patrulheiro Agro.

Segundo Grando, as falhas também comprometem o funcionamento dos secadores durante a operação e podem interromper a irrigação sem que o problema seja percebido imediatamente. Mesmo com uma usina solar instalada para atender parte da demanda, o produtor gasta entre R$ 60 mil e R$ 80 mil por mês com energia destinada à irrigação.

O produtor afirma também que a infraestrutura necessária para levar energia até a propriedade exigiu investimentos próprios, mas a qualidade do fornecimento continua sendo um problema. Ele ressalta que a equipe local da concessionária atende às solicitações, mas aponta a subestação como um dos pontos que precisam ser melhorados.

A situação também limita o aproveitamento dos equipamentos instalados. Para evitar danos provocados pelas oscilações, Grando relata que, em determinados períodos, os painéis dos pivôs são retirados e guardados, o que acrescenta dificuldades à operação.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Falta de energia limita armazenagem e novas safras

A deficiência na rede elétrica também afeta a capacidade de recebimento e secagem da produção. De acordo com Valdomiro Schulz, presidente do Sindicato Rural de Gaúcha do Norte, o custo de operar equipamentos com motores a diesel inviabilizou a atividade de um armazém no município.

“Até um armazém já fechou por falta de energia porque o custo para fazer a secagem de grãos a motor a diesel se torna muito alto”, conta Schulz à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Atualmente, o município conta com apenas duas empresas de armazenagem, de acordo com o representante do sindicato. A instalação de novas unidades é considerada importante para ampliar a capacidade de recebimento e permitir que os produtores organizem melhor o calendário agrícola.

Com mais armazéns disponíveis, seria possível acelerar o plantio da soja e antecipar a colheita, favorecendo a janela para a semeadura do milho de segunda safra, destaca o setor produtivo. A limitação da infraestrutura, portanto, interfere não apenas na operação das propriedades, mas também no planejamento de toda a produção.

A prefeitura também aponta dificuldades no atendimento às fazendas. Segundo Davi Ismael Widmann, gerente do Índice de Participação dos Municípios (IPM), um levantamento realizado em conjunto com uma empresa identificou que, entre 35 propriedades analisadas, apenas uma tinha atendimento integral às necessidades de energia, conforme os dados apresentados.

Widmann comenta ainda que propriedades rurais chegam a consumir 700 litros de óleo diesel por dia no pico da colheita para gerar a própria energia. O cenário, segundo ele, prejudica diferentes atividades agrícolas, incluindo a produção de algodão e milho, além da soja. “O nosso município está muito carente. E não é só soja, produção de algodão também. Já somos o terceiro maior produtor da região e um dos maiores produtores de milho segunda safra da região também”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Irrigação pode ampliar produtividade

A expansão da irrigação é outra frente diretamente condicionada à melhoria do fornecimento elétrico. A propriedade de Adalberto Grando possui outorga de água para irrigar 1.260 hectares, dos quais 520 hectares já contam com o sistema instalado. Outros 740 hectares poderão ser incorporados à estrutura.

O potencial de ampliação é significativo porque a irrigação permite maior controle sobre o fornecimento de água às lavouras e pode favorecer a realização de mais de um ciclo produtivo ao longo do ano. No entanto, a instabilidade da energia impede o pleno aproveitamento da estrutura.

“Como que eu vou ter uma despesa dessas, um investimento desses e se não me entregam o mínimo de qualidade?”, questiona Grando, ao apontar a diferença entre os custos assumidos pelo produtor e o serviço recebido.

Para o prefeito Ari do Prado, a capacidade de ampliar a produção está diretamente relacionada à melhoria da infraestrutura elétrica. Ele afirma que a meta é viabilizar condições para aumentar a produtividade e atrair novas atividades econômicas para o município.

“Onde tem um pivô você sabe que consegue fazer três safras dentro do ano, e hoje a gente não está conseguindo fazer isso, porque a energia é muito fraca”, declara.

energia elétrica gaúcha do norte foto pedro silvestre canal rural mato grosso1
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Município pede reforço da rede elétrica

Além de atender à demanda atual do campo, a ampliação da infraestrutura é considerada necessária para sustentar o crescimento econômico de Gaúcha do Norte. O aumento da produção pode impulsionar a arrecadação municipal, gerar empregos e favorecer a instalação de empresas ligadas ao agronegócio.

O prefeito defende que a rede elétrica seja reforçada para acompanhar o avanço das atividades produtivas. Entre as demandas apresentadas está a chegada de uma linha de 138 kV ao município, apontada como importante para ampliar a capacidade de atendimento.

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A expansão da rede também é vista como condição para atrair indústrias e novos empreendimentos de armazenagem e processamento. Sem energia suficiente e de qualidade, parte do potencial agrícola pode continuar limitada pelos custos operacionais e pela dificuldade de ampliar a infraestrutura das propriedades.

“Gaúcha do Norte como município é pequeno, 10 mil habitantes, mas grande na extensão. Está plantando 250 mil hectares, porém pode passar de 400 mil hectares. Temos um bom relacionamento aqui com a Energisa. A perfeição é difícil, mas tenho certeza, Gaúcha já melhorou bastante a energia”, diz o prefeito.

Embora representantes locais reconheçam avanços no fornecimento e mantenham diálogo com a concessionária, o setor produtivo considera que a estrutura atual precisa acompanhar o ritmo de crescimento do município. A expectativa é que os investimentos permitam ampliar as áreas irrigadas, melhorar a logística da produção e criar condições para o desenvolvimento de novas atividades econômicas.

A reportagem do Canal Rural Mato Grosso entrou em contato com a Energisa e a empresa informou que recentemente operou em contingência na região em função de chuvas e ventos fortes. A companhia informou ser necessário avaliar cada caso individualmente. O que não foi possível até o fechamento desta edição.

+Confira todos os episódios da série Patrulheiro Agro

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