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28 de outubro de 2026

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Enquanto Brasília briga, quem vai plantar o Feijão?

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Imagem gerada por IA para o Canal Rural

O preço do feijão começou novamente a reagir no campo. É preciso dizer com clareza: já entramos em um período de inflação do prato feito. O feijão, por exemplo, está no maior preço registrado para um mês de setembro nos últimos dez anos, pelo menos.

Ainda não há uma explosão generalizada na gôndola, mas quem acompanha esse mercado sabe que a inflação da comida não começa no supermercado. Ela surge muito antes, quando o produtor decide se vai plantar, quanto vai plantar e se conseguirá assumir os riscos da atividade.

É exatamente aí que o Brasil está falhando.

Enquanto Brasília consome energia numa guerra aparentemente interminável entre direita e esquerda, a produção de alimentos básicos segue, em grande parte, entregue à própria sorte. O feijão talvez seja o melhor exemplo.

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Não estou dizendo que não existe Plano Safra ou crédito rural. Existem. O problema é a falta de uma política consistente que responda à pergunta central: quem continuará produzindo os alimentos que o brasileiro precisa colocar diariamente no prato?

A soja tem mercado mundial. O milho tem múltiplos destinos. As grandes commodities contam com escala, liquidez e cadeias estruturadas.

E o feijão?

O produtor precisa decidir praticamente sozinho:

Planto ou não planto? Vai chover? Conseguirei crédito? O preço daqui a três ou quatro meses cobrirá os custos? Se houver seca, excesso de chuva ou geada, estarei protegido? Se a produção for grande e o preço desabar, o que acontecerá comigo?

O que está em jogo não é apenas a renda de quem planta. É segurança nacional.

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Estamos falando de um dos alimentos mais importantes da mesa de mais de 200 milhões de brasileiros. Mesmo assim, a decisão de produzi-lo continua sendo tomada por milhares de agricultores que assumem quase sozinhos os riscos climático e de mercado.

Seguro rural insuficiente, crédito caro ou difícil de acessar, falta de previsibilidade e ausência de planejamento formam uma combinação perigosa. Quando produzir Feijão deixa de fazer sentido econômico, o produtor planta outra coisa.

Depois nos surpreendemos quando o preço sobe.

O roteiro é conhecido: primeiro diminui a disposição de plantar; depois a oferta se aperta; o preço reage no campo, passa pelo atacado e chega ao supermercado. Quando aparece nos índices de inflação, começam as reuniões emergenciais.

Mas os efeitos dessa falta de planejamento já estão presentes. A inflação do prato feito deixou de ser uma ameaça distante e começou a pesar no orçamento das famílias. O Feijão, no maior preço para setembro em pelo menos uma década, mostra que o problema já chegou à mesa do consumidor.

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Quando o preço aparece na gôndola, a decisão que poderia ter evitado a alta foi tomada meses antes.

Feijão não pode continuar sendo tratado como emergência. Arroz também não.

Os alimentos que formam o prato feito brasileiro deveriam ser considerados infraestrutura estratégica do país.

O Brasil planeja petróleo, energia, defesa, fertilizantes e logística. Precisa tratar a produção de alimentos essenciais com a mesma seriedade.

Isso não significa tabelar preços ou garantir lucro ao produtor, mas criar condições para que ele continue disposto a plantar: seguro agrícola eficiente, crédito na hora certa, pesquisa, sementes, tecnologia, informação de mercado, instrumentos de comercialização e, acima de tudo, previsibilidade.

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Brasília também parece subestimar a importância da comida acessível para a estabilidade de um país. A sociedade pode suportar por muito tempo disputas partidárias, conflitos ideológicos e crises políticas. Quando falta dinheiro para colocar comida na mesa, porém, a natureza da insatisfação muda.

A inflação de alimentos e a insegurança alimentar ampliam tensões econômicas e sociais. Por isso, é perigoso deixar a produção dos itens básicos depender do mercado, do clima e da coragem individual de quem planta.

Não quero ver o governo descobrindo a importância do feijão quando o consumidor encontrar um preço assustador na gôndola. É preciso agir agora, enquanto ainda há tempo para garantir que alguém plante.

Direita e esquerda podem continuar discutindo suas diferenças. Isso faz parte da democracia.

Mas feijão não é de direita nem de esquerda. Arroz também não. O prato feito brasileiro tampouco.

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Governar significa antecipar problemas antes que cheguem à mesa da população. No caso do feijão, o problema já começou a chegar.

E não faltam medidas concretas. O Brasil deveria começar por seis decisões.

  • Primeiro: criar um programa permanente de seguro rural específico para os alimentos básicos, com orçamento protegido e contratação antes do plantio, sem depender de contingenciamentos e improvisos anuais.
  • Segundo: estabelecer linhas de crédito direcionadas para Feijão, arroz e outros alimentos essenciais, com recursos disponíveis no momento da decisão de plantar e condições compatíveis com a rentabilidade dessas culturas.
  • Terceiro: implantar um sistema nacional de planejamento de oferta. Governo, Conab, produtores, cooperativas, indústria e varejo deveriam acompanhar, antes de cada safra, área plantada, estoques, consumo e necessidade de abastecimento. Se houver risco de falta, o alerta precisa surgir antes do plantio, não depois que o preço dispara.
  • Quarto: construir instrumentos de proteção de renda e comercialização. O produtor não pode ser estimulado a aumentar a produção quando o preço está alto e depois ficar sozinho quando uma boa safra derruba as cotações.
  • Quinto: criar uma política nacional do prato feito, tratando Feijão, arroz e proteínas básicas como componentes estratégicos da segurança alimentar. Isso significa estimular produção, pesquisa e consumo, além de monitorar permanentemente o custo dessa refeição para as famílias brasileiras.
  • Sexto: criar um conselho permanente de segurança dos alimentos básicos, com participação do governo e da cadeia produtiva. O órgão deveria se reunir antes de cada plantio e apresentar cenários para os seis e doze meses seguintes.

Nada disso exige reinventar o Estado. Exige prioridade. Talvez esteja na hora de Brasília olhar menos para sua própria guerra e mais para o prato dos brasileiros.

A inflação do prato feito já começou. A segurança alimentar não começa no supermercado. Começa no campo, antes do plantio.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Agricultura regenerativa precisa sair do discurso e entrar nos indicadores, diz especialista

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A agricultura regenerativa está nas discussões sobre produtividade, clima, financiamento, cadeias de fornecimento e futuro da agricultura. “Ela ganhou um espaço que dificilmente perderá”, diz a CEO da Vitalforce, Sheilla Albuquerque.

Segundo ela, o desafio agora é mostrar, na prática, o que está sendo regenerado e quais resultados essa mudança produz dentro da fazenda. “Tenho acompanhado de perto essa discussão e acredito que um dos desafios seja definir com clareza o que, de fato, caracteriza uma agricultura regenerativa.”

A executiva salienta que práticas como plantio direto, rotação de culturas, cobertura do solo, integração de sistemas, aplicação de bioinsumos e conservação da água podem contribuir para esse processo, mas a adoção destas ferramentas, por si só, não comprova que uma área esteja se regenerando.

“A pergunta que precisamos fazer é mais objetiva: o sistema está melhor do que estava há alguns anos? Responder exige medir e, na agricultura, isso começa pelo diagnóstico”, pontua.

Sheilla diz que antes de discutir qual tecnologia adotar, é preciso entender qual problema se está tentando resolver. “Parece básico, mas um bom diagnóstico muda a qualidade da decisão e permite direcionar melhor o manejo e os investimentos”, diz. “Quando começamos pela tecnologia e só depois procuramos o problema que ela poderia resolver, corremos o risco de investir sem atacar a principal limitação da área.”

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De acordo com a executiva, a agricultura regenerativa não é um conjunto fechado de práticas, mas uma estratégia de evolução do sistema produtivo a partir das necessidades de cada área. “E o solo deixa isso muito claro. Uma análise química pode indicar bons níveis de fertilidade e, ainda assim, haver compactação, baixa infiltração de água ou restrições ao desenvolvimento das raízes”, exemplifica.

De mesma forma, Sheilla salienta que uma área com boa cobertura vegetal pode apresentar desequilíbrios nutricionais ou baixa atividade biológica. “Se olharmos apenas para um indicador, podemos ter uma leitura incompleta do que está acontecendo naquela área.”

Influência do clima

A capacidade analítica do solo é ainda mais importante diante da irregularidade climática. Conforme a especialista, em períodos prolongados sem chuva, por exemplo, a diferença entre dois solos pode aparecer de maneira muito clara. Isso porque estrutura, profundidade das raízes, cobertura e capacidade de armazenar água interferem diretamente na forma como a planta atravessa o estresse.

“Não conseguimos controlar o clima, mas podemos atuar sobre algumas das condições que determinam como o sistema produtivo responderá a períodos de seca, calor excessivo ou chuvas intensas. E, principalmente, podemos medir se as decisões tomadas estão tornando aquela lavoura menos vulnerável ao longo do tempo.”

Sheilla ressalta que é nesse acompanhamento que a agricultura regenerativa ganha consistência, uma vez que não basta registrar quais práticas foram adotadas. “Precisamos entender o que mudou no solo, na eficiência do uso de recursos, na resposta das plantas e na estabilidade da produção”, completa.

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A especialista acredita que a agricultura regenerativa somente amadurecerá quando o agro conseguir tratá-la menos como uma classificação da propriedade e mais como uma trajetória que pode ser acompanhada. “No fim, regenerar uma área precisa fazer sentido também para quem assume o risco de produzir nela”, finaliza.

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Chuvas e frio adiam tosquia no RS; produção de lã tem previsão de 8 milhões de quilos

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As chuvas e as baixas temperaturas atrasam a tosquia em algumas propriedades do Rio Grande do Sul, enquanto a produção estadual deve chegar a 8 milhões de quilos nesta safra. Apesar da preocupação com a qualidade da fibra, os prejuízos provocados pelo excesso de umidade ficaram abaixo do esperado, segundo a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco).

De acordo com o coordenador do Programa de Lã Certificada da Arco, Sérgio Muñoz, produtores têm aguardado condições climáticas mais favoráveis para retomar a atividade. Em Herval, no Rio Grande do Sul, uma equipe de tosquia está parada enquanto produtores esperam a elevação das temperaturas para retirar a lã dos rebanhos.

Problemas

O atraso também pode aumentar a exposição da fibra a plantas contaminantes, como a flechilha, que aparece com maior frequência em novembro e compromete a qualidade do produto. A flechilha é um capim cuja semente parece uma pequena flecha afiada. Quando ovelhas pastam em campos cheios desse capim, essas sementes se soltam e grudam intensamente na lã.

O excesso de chuva registrado em agosto também gerou preocupação com a qualidade da lã, especialmente em relação à coloração e à ocorrência de fungos. Muñoz avalia, no entanto, que os prejuízos foram menores do que se previa, mesmo em regiões onde o volume acumulado chegou a 600 ou 700 milímetros.

Estimativa

A Arco calcula que a produção total de lã no Rio Grande do Sul alcance cerca de 8 milhões de quilos nesta safra. Desse volume, a projeção é de 2 milhões a 3 milhões de quilos de lã com bom valor têxtil, embora a entidade reconheça dificuldade para dimensionar essa parcela.

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O motivo principal foi a redução da qualidade de parte de rebanhos que foram cruzados com raças destinadas à produção de carne após a queda dos preços da lã durante a pandemia e nos anos seguintes.

Trabalho executado

Atualmente, há 12 equipes cadastradas no site da Arco, mas nem todas devem atuar com certificação durante toda a temporada. Algumas também tosquiam rebanhos cujos produtores não aderiram ao programa, enquanto equipes do Uruguai participam dos trabalhos, principalmente na Fronteira Oeste. A quantidade de lã que será certificada ao final da safra ainda não está definida.

Mercado internacional

Apesar dos desafios na produção, Muñoz afirma que o cenário internacional para a lã é favorável, impulsionado pela redução dos rebanhos e da oferta mundial da fibra. Em encontro recente no Uruguai, com representantes de compradores e da indústria internacional, o coordenador observou que a demanda por lã certificada mantém exigências rigorosas de qualidade.

Sérgio Muñoz afirma que o mercado de lã certificada mantém exigências rigorosas de qualidade. Por isso, orienta os produtores a certificar a lã e seguir os procedimentos adequados de acondicionamento, de modo a atender às exigências dos compradores e agregar valor ao produto.

No mercado interno, as aquisições de lã certificada pela indústria brasileira ainda avançam lentamente, mas a expectativa é de que as compras acompanhem as exigências do mercado.

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Indea inicia campanha de atualização de rebanhos em MT neste domingo

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Mato Grosso inicia neste domingo (1º de novembro) mais uma campanha de atualização de rebanhos, procedimento que reúne informações sobre os animais criados no estado. A declaração deve ser feita pelos produtores rurais até 10 de dezembro, conforme o calendário do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT).

Na última campanha, realizada em maio, o levantamento alcançou 106 mil estabelecimentos rurais e contabilizou 31,1 milhões de bovinos. O volume manteve Mato Grosso na liderança nacional em número de animais dessa espécie.

A atualização também contempla bubalinos, ovinos, caprinos, equídeos, suínos, aves, peixes e abelhas. Os criadores devem informar os dados dos animais e das propriedades, por meio do Módulo do Produtor, pela internet, ou presencialmente em uma das unidades do Indea-MT.

Quem ainda não possui acesso à plataforma precisa solicitar o cadastro em uma unidade do instituto e assinar o Termo de Compromisso de Utilização do Sistema Informatizado. O documento pode ser encontrado no site do órgão, na seção Sanidade Animal, em Atendimento não Presencial.

Pendências podem restringir emissão de guia

Os produtores de bovinos, bubalinos, suínos criados em sistemas tecnificados e aves comerciais precisam observar também o prazo de 9 de novembro. A partir dessa data, quem não tiver atualizado as informações ficará impedido de emitir a Guia de Trânsito Animal (GTA), com exceção dos casos de transporte para abate.

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A GTA é utilizada para acompanhar o deslocamento de animais e integra os controles sanitários da produção. A restrição pode, portanto, interferir na movimentação dos rebanhos das categorias abrangidas pela medida.

Já o descumprimento da obrigação de declarar o estoque até o fim da campanha sujeita o produtor a multa única, calculada proporcionalmente à quantidade de animais mantida na propriedade.

As declarações são realizadas duas vezes por ano. As orientações para regularização e acesso ao sistema estão disponíveis no site do Indea.


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