Sustentabilidade
“Estamos fugindo da contratação”: o que tem levado o produtor a evitar Seguro Rural? – MAIS SOJA

O ano de 2025 terminou com um marco negativo para o Seguro Rural no Brasil. O país atingiu o menor nível de área segurada dos últimos 10 anos, com apenas 3,3 milhões de hectares frente aos mais de 97,8 milhões de hectares plantados. O recuo dos últimos anos é reflexo de uma “fuga” relatada por produtores.
É o caso do agricultor de Ouro Verde do Oeste (PR), Aluir Dalposso. Ele e a família administram uma propriedade de 100 hectares e, nas últimas cinco safras, já acionaram o seguro em pelo menos três ocasiões, por perdas com trigo, soja e milho. Apesar disso, hoje ele afirma que os produtores não estão vendo vantagem na contratação devido a uma série de problemas.
“O produtor está fugindo da contratação. Porque ela acaba não trazendo nenhum benefício”, aponta à reportagem. Um dos principais motivos elencados por ele é o custo do seguro. “Hoje, mais ou menos, custa em torno de 14% a 15%. Em alguns casos, 17% do custo da lavoura. Então ela [contratação] ficou bastante cara para você manter”, explica.
Segundo ele, algumas questões ajudam a entender esse movimento de alta no custo do seguro. Uma delas foi a surpresa negativa enfrentada por produtores nos meses finais do ano passado, quando tiveram que pagar a parcela do prêmio que deveria ser coberta pelo governo federal.
O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) estabelece limites de subvenção que variam entre 20% e 45%, dependendo da cultura e da localização. No entanto, o governo executou apenas R$ 581 milhões do montante de R$ 1,06 bilhão previsto inicialmente para o pagamento da subvenção em 2025.
A consequência é a redução do interesse do produtor na adesão ao seguro. Com menos apólices contratadas, aumenta a concentração de risco para as seguradoras e, consequentemente, o custo da proteção pode subir.
“Muitos [produtores] foram cobrados, as seguradoras repassaram a subvenção que o governo federal deveria ter pago pelo produtor. Por isso que hoje a gente acaba, eu particularmente, faço em última opção a contratação do seguro”, diz Dalposso.
Mudanças no Proagro e processos burocráticos
Outro ponto que agrava a situação da proteção das lavouras no país são as mudanças feitas nos últimos anos no Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro). Dalposso relata que muitos produtores ficaram desenquadrados do programa, mas não conseguiram aderir ao PSR devido aos custos do seguro.
“O Proagro, praticamente não atua mais [aqui]. E, aí, o pequeno produtor, o pronafiano [beneficiário do Pronaf], que tinha lá esse acesso ao programa, ele via aquilo como uma garantia de sobrevivência na propriedade. E, hoje, ele não consegue mais”, comenta.
De acordo com estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Agro), as modificações no Proagro retiraram mais de 116 mil produtores do programa.
Além disso, questões operacionais no acionamento do seguro em caso de sinistro também têm afastado produtores. Dalposso cita como exemplo a atuação dos peritos responsáveis pela verificação das perdas.
“Os peritos sempre foram pessoas da nossa região, num raio bem próximo […] Mas agora estão vindo profissionais de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, de Ribeirão Preto (SP). O que isso impacta? Eu tenho colegas que comentaram que houve uma demora, porque vem de muito longe, e a soja que estava ali para ser colhida acabou indo para o chão, porque precisava esperar a perícia e passou do tempo de colheita. Então os prejuízos foram ampliados drasticamente”, conta o produtor.
Ele acrescenta que, nesses casos, o efeito pode atingir inclusive a cultura seguinte. Isso porque sementes que caem no solo podem rebrotar. Como há períodos de vazio sanitário, foi necessário um gasto adicional para eliminar essas plantas remanescentes.
Renegociação: cenário evitável
O agricultor também aborda a questão da renegociação das dívidas. Para ele, o quadro atual poderia ter sido evitado se houvesse maior compromisso com programas como o PSR e o Proagro.
“Está se tratando da prorrogação da dívida. Isso [renegociação] não deveria acontecer. Tem que ter um seguro para que custeie, para não ficar com as contas atrasadas. Porque essas contas que nós estamos arrastando aí que muitos produtores que vêm, por exemplo, tem um relato aqui tem colegas de três safras consecutivas sem produção. Então ele tá numa insolvência de contas muito profunda, drástica e não têm a contratação de seguro”, afirma.
Dalposso não defende o fim das medidas de renegociação, mas explica que o Seguro Rural tem papel importante para evitar o acúmulo de dívidas após perdas causadas por situações como intempéries climáticas.
“São programas muito importantes que nos dão uma certa tranquilidade. Porque assim, a renda [após uma perda de safra] nós acabamos continuando não tendo. Porque o seguro não visa a renda do produtor. Ele visa o pagamento das despesas do custeio da lavoura. Então você não fica com dívidas”, complementa o produtor.
Projeto traz soluções para problemas do Seguro Rural
O agricultor do Paraná também afirma que tem acompanhado a tramitação do Projeto de Lei 2.951/2024. Na última semana de esforço concentrado antes das eleições, o Senado Federal aprovou a proposta após articulação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) para pautar o tema. Agora, a iniciativa aguarda sanção presidencial.
A proposição traz uma série de melhorias para o Seguro Rural no Brasil. Uma delas é o incentivo à ampliação da base de segurados no país. Produtores que contratarem seguro poderão ter vantagens como juros mais atrativos, financiamento do prêmio e acesso preferencial ao crédito.
Outro ponto incluído no texto foi a obrigatoriedade dos recursos destinados ao PSR, condicionada à indicação de fontes compensatórias. A proposta também trata de questões operacionais, como a definição de prazo máximo para a liquidação dos sinistros e a inclusão do seguro entre as garantias admitidas em operações de crédito rural.
Autor/Fonte: Frente Parlamentar da Agropecuária
Autor:https://agencia.fpagropecuaria.org.br/2026/09/09/estamos-fugindo-da-contratacao-o-que-tem-levado-o-produtor-a-evitar-seguro-rural/
Site: FPA
Sustentabilidade
O que derruba a eficiência de fungicidas mesmo com aplicações no timing correto? – MAIS SOJA

O emprego de fungicidas é uma ferramenta indispensável para o manejo fitossanitário da soja em áreas comerciais. Entretanto, a eficiência e a eficácia desses produtos no controle dos patógenos podem variar significativamente em função de uma série de fatores, com destaque para as condições climáticas e ambientais, além do momento de aplicação (timing) e a sensibilidade dos patógenos aos ingredientes ativos utilizados.
No manejo de doenças de maior complexidade e que exigem estratégias predominantemente preventivas, como a ferrugem-asiática da soja, causada por Phakopsora pachyrhizi, o momento de controle exerce papel central na proteção da cultura (FRAC, 2018). Embora o aumento do número de aplicações de fungicidas esteja associado, até determinado nível, ao incremento da produtividade da soja (Tura, 2023), a definição precisa do timing, isoladamente, não é suficiente para assegurar o máximo desempenho dos fungicidas.
Essa limitação é particularmente relevante no manejo de doenças policíclicas, como a ferrugem-asiática e a mancha-alvo, causada por Corynespora cassiicola, nas quais novos ciclos de infecção podem ocorrer sucessivamente ao longo do ciclo da cultura. Nessas situações, atrasos no controle, condições ambientais favoráveis à infecção, baixa deposição do produto no dossel inferior ou a utilização de ingredientes ativos com menor desempenho podem comprometer a proteção da lavoura, mesmo quando a aplicação é realizada dentro de uma janela de controle adequada.
Além disso, a interação entre patógeno, hospedeiro e ambiente, associada à pressão de seleção exercida pelo uso frequente de fungicidas, pode modificar a sensibilidade das populações de patógenos aos diferentes ingredientes ativos entre safras. Esse processo reforça a necessidade de um posicionamento criterioso dos fungicidas, considerando não apenas o momento de aplicação, mas também a escolha dos ingredientes ativos e seus mecanismos de ação, sendo imprescindível a rotação dos mesmos.
Dessa forma, o sucesso do controle químico das doenças da soja não depende exclusivamente de aplicar no momento correto, mas da integração entre timing, escolha do fungicida, sensibilidade do patógeno, condições ambientais e qualidade da aplicação. Mesmo uma aplicação tecnicamente realizada no momento adequado pode apresentar desempenho limitado quando outros componentes desse sistema de manejo não são corretamente considerados.
Atrelado a isso, a elevada pressão de doenças no momento da aplicação pode comprometer significativamente a eficiência dos fungicidas. Situações caracterizadas por elevada quantidade de inóculo, condições ambientais altamente favoráveis à infecção e rápida velocidade de progresso da doença podem reduzir o desempenho do controle, mesmo quando o fungicida é posicionado dentro da janela adequada. Na mancha-alvo, por exemplo, o agente causal Corynespora cassiicola apresenta elevada capacidade de sobrevivência em restos culturais e pode completar múltiplos ciclos de infecção ao longo do desenvolvimento da soja, favorecendo o aumento da pressão da doença e tornando mais desafiador o seu controle.
Além da pressão de doença, diversos fatores relacionados à aplicação e às características da lavoura podem interferir diretamente no desempenho dos fungicidas. A tecnologia de aplicação, a qualidade e a uniformidade da cobertura do dossel, as condições climáticas e ambientais durante e após a pulverização, especialmente a ocorrência de chuvas, a arquitetura das plantas, a dose utilizada e as características da formulação podem determinar a quantidade de ingrediente ativo efetivamente depositada e disponível para atuar sobre o patógeno. Dessa forma, mesmo uma aplicação realizada no timing adequado pode apresentar desempenho inferior quando esses fatores não são adequadamente manejados.
Nesse contexto, a escolha do fungicida deve considerar não apenas a doença predominante no momento da aplicação, mas também o complexo de doenças presente na área, o histórico fitossanitário da propriedade e a capacidade de desempenho dos produtos sob diferentes níveis de pressão. A priorização de fungicidas de maior performance, associada ao correto posicionamento dos ingredientes ativos e à adoção de boas práticas de tecnologia de aplicação, contribui para ampliar a proteção do dossel e reduzir o risco de falhas de controle. Assim, o timing é um componente essencial do manejo, mas sua efetividade depende da integração entre produto, dose, cobertura, ambiente e pressão da doença.
Uma vez adotadas as medidas necessárias para preservar a eficiência do fungicida, a definição de qual produto utilizar é tão importante quanto estabelecer o momento correto de aplicação, especialmente no manejo de doenças policíclicas, nas quais sucessivos ciclos de infecção podem ocorrer ao longo do desenvolvimento da cultura. Nesse contexto, fungicidas com características que favoreçam maior desempenho e consistência de controle assumem papel estratégico no manejo fitossanitário da soja.
Entre essas ferramentas, destaca-se o SEIV, da IHARA. A tecnologia da sua formulação favorece a absorção do produto pelas estruturas foliares e sua distribuição no tecido vegetal, além de proporcionar maior resistência à remoção pela chuva ou irrigação após a aplicação. Essas características contribuem para ampliar a proteção das folhas e conferir maior consistência ao desempenho do fungicida sob diferentes condições de campo.
Embora seja especialmente posicionado para o manejo da mancha-alvo, o SEIV também apresenta ação sobre a ferrugem-asiática, ampliando sua versatilidade dentro do programa de manejo fitossanitário da soja. Dessa forma, suas características de formulação e espectro de ação fazem do produto uma ferramenta de extrema relevância para estratégias que buscam maior eficiência e consistência no controle de doenças.
Além do SEIV, outra solução de alta performance desenvolvida pela IHARA para o manejo de doenças de difícil controle na cultura da soja, como a ferrugem-asiática e a mancha-alvo, é o FUSÃO FIX. O fungicida conta com uma formulação que favorece a rápida absorção e a distribuição uniforme dos ingredientes ativos na planta, sendo especialmente indicado para o fechamento do programa fitossanitário da cultura e contribuindo para a manutenção da eficiência no controle das doenças até as fases finais do ciclo.
Os resultados obtidos nos experimentos cooperativos reforçam o desempenho da tecnologia. Conforme Godoy et al. (2026), entre os fungicidas em fase de registro avaliados na safra 2025/2026 para o controle da ferrugem-asiática, o FUSÃO FIX apresentou o maior desempenho, alcançando 66% de controle da doença. Esses resultados evidenciam o potencial da ferramenta como uma importante alternativa para compor programas de manejo fitossanitário da soja, especialmente em estratégias que buscam elevada eficiência no controle das doenças e proteção da cultura durante o período final do ciclo.
Vale destacar que a busca por maior eficiência no manejo de doenças da soja não deve se concentrar exclusivamente em “quando aplicar”, mas também em “o que aplicar, como aplicar e em qual cenário epidemiológico aplicar”. Mesmo fungicidas de elevada eficácia dependem de um conjunto de condições para expressar seu potencial de controle. O melhor timing somente se converte em eficiência quando o produto atinge adequadamente o alvo, na dose necessária e sob condições que favoreçam sua ação, dentro de um programa de manejo coerente e integrado.
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Referências:
FRAC. RECOMENDAÇÃO DE BOAS PRÁTICAS DE MANEJO DA FERRUGEM DA SOJA. Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas, 2018. Disponível em: < https://3f2c8573-584c-4b16-985f-14dc48f9ab81.filesusr.com/ugd/6c1e70_3d59f8587b214c9bae67d6c309adc3c5.pdf >, acesso em: 27/08/2026.
GODOY, C. V. Eficácia de fungicidas para o controle da ferrugem-asiática da soja, Phakopsora pachyrhizi, na safra 2025/2026: Resultados sumarizados dos ensaios cooperativos. Rede Fitossanidade Tropical. Séries Técnicas Fitossanidade Tropical, Comunicado Técnico, n. 7, 2026. Disponível em: < https://periodicos.ufv.br/STFT/article/view/24340/12470 >, acesso em: 01/09/2026.
GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA, Phakopsora pachyrhizi, NA SAFRA 2024/2025: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa Soja, Circular Técnica, n. 219, 2025. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1177349/1/Circ-Tec-219.pdf >, acesso em: 27/08/2026.
TURA, E. F. EXPLICANDO A CONTRIBUIÇÃO DO NÚMERO DE APLICAÇÕES DE FUNGICIDAS FOLIARES NA PRODUTIVIDADE DE LAVOURAS DE SOJA. Universidade Federal de Santa Maria, Dissertação de Mestrado, 2023. Disponível em: < https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/30300/DIS_PPGEA_2023_TURA_ENRICO.pdf?sequence=1&isAllowed=y >, acesso em: 27/08/2026.
Redação: Equipe Mais Soja.
Sustentabilidade
Arroz/RS: Semeadura ganha ritmo em Uruguaiana e Itaqui com tempo seco – MAIS SOJA

Arroz: Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, há intenção de plantio de 361.027 hectares, representando redução de 6% na comparação com a safra passada. Com a abertura da janela do Zoneamento Agrícola em 01/09 (terça-feira), e devido à sequência de mais de duas semanas sem registro de precipitações significativas, os produtores da Fronteira Oeste iniciaram a semeadura.
Nota-se, de maneira geral, bom número de áreas previamente preparadas nos municípios como reflexo das condições de tempo mais seco antes da chegada do inverno. Em Uruguaiana, mesmo com redução estimada de 5% na comparação com a safra anterior, deve ser cultivada a maior área do Estado, com 67.625 hectares. A janela de tempo adequado associada à expressiva capacidade operacional nas grandes propriedades do município, várias com mais de 10 plantadoras simultâneas e em turnos prolongados, garantiram o início da semeadura com grande rendimento, alcançando em torno de 6.000 hectares de área plantada. Também ocorreu operação de semeadura em Itaqui, com mais de 1.000 hectares plantados, e em São Borja e Quaraí com 400 e 330 hectares semeados
respectivamente.
Na de Pelotas, os produtores deverão retardar o começo das semeaduras planejadas para o início de setembro devido ao grande volume de água nas lavouras e ao encharcamento excessivo do solo, o que impede qualquer movimento de máquinas. Muitas áreas estão dessecadas e, assim que melhorarem as condições de umidade nos solos, deve iniciar o plantio.
Na de Santa Rosa, com a diminuição das chuvas, os produtores pretendem retomar as atividades de preparo do solo para garantir boas condições para a implantação da cultura no início de outubro.
Na de Soledade, continua o manejo das áreas destinadas ao cultivo de arroz prégerminado. Nas áreas para o cultivo em sistema de semeadura em solo seco, também foi iniciado o manejo com enterrio da palhada.
Comercialização (saca de 50 quilos)
O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, aumentou 1,77%, passando de R$ 75,74 para R$ 77,08.
Fonte: Emater/RS
Sustentabilidade
Canola no RS entra na fase final de ciclo com colheita no Noroeste e monitoramento de geadas – MAIS SOJA

A canola evolui para as fases reprodutivas e de maturação, especialmente no Noroeste do Estado, onde algumas lavouras foram colhidas. As temperaturas mais altas e a radiação solar direta foram favoráveis aos cultivos, que continuam, de maneira geral, com bom potencial produtivo. No entanto, as geadas, ocorridas no final do período, podem ter causado danos, a serem avaliados, nas lavouras em floração.
O estado fitossanitário continua satisfatório. São realizados manejos para traça-dascrucíferas e, em algumas regiões, para mofo-branco. A área cultivada de canola está estimada em 353.397 hectares, e a produtividade média em 1.619 kg/ha.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, as condições ambientais do período foram favoráveis aos cultivos. Foram realizados tratos culturais direcionados à proteção contra doenças fúngicas. As lavouras estão predominantemente em fase reprodutiva. Em Maçambará, dos 13.868 hectares cultivados 40% estão em enchimento dos grãos e 60% em floração. De maneira geral, o desenvolvimento da cultura está satisfatório, exceto nas lavouras plantadas/replantadas tardiamente e nas áreas estabelecidas em solos arenosos na região leste do município, as quais sofreram impacto significativo em decorrência do excesso de umidade e da baixa luminosidade, que afetaram o desenvolvimento vegetativo e aumentaram a incidência de doenças foliares.
Na de Erechim, 10% da área está em floração e 90% em formação de síliquas. Na de Ijuí, quase 70% da área cultivada está em estádio de formação de grãos, com plantas de tamanho menor do que em anos anteriores, além de menor número de ramos laterais. Estão 10% dos cultivos em maturação, e pequenas áreas maduras. Houve redução da incidência de traça-das-crucíferas, possivelmente em razão dos manejos, realizados nas semanas anteriores. A ocorrência de geada nas primeiras horas da manhã de 06/09 (domingo) não provocou danos acentuados nas síliquas e nos grãos, mas pode ter comprometido o seu crescimento.
Na de Passo Fundo, as lavouras estão nas fases de formação de vagens e enchimento de grãos, e continuam com boa condição sanitária. Na de Pelotas, a maior parte dos cultivos está em florescimento. Apesar do adequado estande de plantas, o desenvolvimento está abaixo do esperado, devendo resultar em menores produtividades.
Na de Santa Rosa, a cultura segue com desenvolvimento satisfatório. Os cultivos se encontram entre as fases de enchimento de grãos e maturação. As lavouras mais avançadas se aproximam da época de colheita. Os produtores têm dessecado as áreas após o início da maturação para uniformizar o amadurecimento das síliquas, considerando que as estruturas localizadas na parte basal das plantas normalmente atingem a maturação antes das síliquas superiores, contribuindo para maior eficiência na colheita.
Nas lavouras mais tardias, o foco está voltado ao monitoramento fitossanitário e à realização dos tratos culturais necessários para a manutenção do potencial produtivo. As condições climáticas do período favoreceram essas operações, permitindo o acompanhamento adequado das áreas e a identificação precoce de eventuais problemas.
A incidência de pragas e de doenças segue dentro dos níveis normalmente observados para a cultura, sem registros de danos expressivos ou necessidade de intervenções extraordinárias. Essas áreas mais tardias continuam em enchimento de grãos, e não foram relatados danos pela geada ocorrida em 07/09. Nas áreas colhidas, principalmente as implantadas mais precocemente, os resultados obtidos têm ficado abaixo das expectativas iniciais. Há relatos de produtividades de cerca de 1.200 kg/ha como reflexo dos efeitos das adversidades climáticas ao longo do ciclo, especialmente durante as fases mais sensíveis da cultura.
Na de Soledade, as condições climáticas do período foram favoráveis à cultura tanto em relação à incidência de radiação solar quanto à temperatura, com médias altas para a época. A maior parte das áreas está em enchimento de grãos (90%), e 10% em florescimento e formação de síliquas. As lavouras, de maneira geral, expressam ótimo padrão produtivo com plantas bem formadas, vigorosas e ramificadas com satisfatória densidade de síliquas. Os agricultores estão monitorando doenças e pragas, sobretudo mofo-branco e traça-dascrucíferas, efetuando controle, quando necessário.
Comercialização (saca de 60 quilos)
O preço médio praticado na região de Ijuí é de R$ 134,80; na de Santa Maria, R$ 132,50; na de Santa Rosa, R$ 136,35; na de Passo Fundo, R$ 140,00; e na de Erechim, R$ 130,00. A cotação da saca em Bagé apresenta elevação, alcançando R$ 135,00, puxada pela alta da soja nas últimas semanas. Em Santana do Livramento, o preço é de R$ 129,00 e em Maçambará, R$ 140,00.
Fonte: Emater/RS
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