Connect with us
15 de outubro de 2026

Agro Mato Grosso

Comunicação química abre caminho para ampliar controle biológico

Published

on

Análise reúne semioquímicos, receptores e lacunas para uso de inimigos naturais no manejo integrado de pragas

Compostos químicos liberados por plantas, insetos e microrganismos podem orientar parasitoides e predadores na localização de suas presas e hospedeiros. O conhecimento acumulado sobre esses sinais cria perspectivas para novas estratégias de controle biológico. Porém, a aplicação prática ainda enfrenta obstáculos. A maior parte dos estudos permanece concentrada na identificação de compostos, em bioensaios de laboratório e em experimentos de campo de pequena escala.

Pesquisadores chineses analisaram trabalhos publicados entre 1971 e 2025 (doi 10.1127/entomologia/3525). O levantamento concentrou-se nas relações entre plantas, insetos herbívoros e inimigos naturais. Também incluiu estudos sobre receptores envolvidos na percepção química de parasitoides, joaninhas, crisopídeos e outros artrópodes benéficos.

Voláteis induzidos por herbivoria

Um dos principais grupos de sinais envolve os voláteis vegetais induzidos pela herbivoria, conhecidos pela sigla HIPVs. A alimentação do inseto altera o metabolismo da planta e induz a liberação de compostos orgânicos voláteis. Parasitoides e predadores usam parte desses compostos durante a busca pelo hospedeiro. Entre as substâncias estudadas aparecem salicilato de metila, (Z)-3-hexenol, (Z)-3-hexenil acetato, linalol, octanal, alfa-pineno e indol.

A resposta depende da espécie envolvida e da composição do odor. Em milho atacado por Spodoptera frugiperda, octanal e 2-heptanona atraíram o parasitoide Cotesia ruficrus. A combinação dos dois compostos aumentou o parasitismo de larvas da praga em experimentos. Em outro sistema, cis-jasmona e (Z)-3-hexenil acetato atraíram Campoletis chlorideae, parasitoide associado a Helicoverpa armigera.

Isolados e misturas

Misturas também podem produzir respostas distintas em relação aos componentes isolados. O besouro predador Stethorus punctum picipes apresentou resposta mais forte a uma combinação de salicilato de metila, (Z)-3-hexenol e benzaldeído. Os cientistas destacam ainda diferenças entre espécies. Um mesmo composto pode atrair um inimigo natural e repelir outro. Esse comportamento dificulta o desenvolvimento de formulações de uso amplo.

Advertisement

A variedade da planta e a identidade do herbívoro também modificam os sinais emitidos. Microplitis tuberculifer mostrou preferência pelos voláteis de algodão Bt atacado por Spodoptera exigua em comparação com algodão não Bt. O mesmo parasitoide respondeu aos voláteis induzidos por Spodoptera exigua, mas não apresentou resposta equivalente aos sinais produzidos após ataque de Helicoverpa armigera. Esses resultados reforçam a necessidade de avaliar cada combinação entre cultura, praga e inimigo natural.

Inimigos naturais

Os inimigos naturais também exploram feromônios produzidos pelas próprias pragas. Feromônios sexuais, de alarme e de agregação podem funcionar como cairomônios. O (E)-beta-farneseno, conhecido como componente do feromônio de alarme de várias espécies de afídeos, atrai diferentes parasitoides, sirfídeos, joaninhas e besouros predadores. A resposta não ocorre de forma uniforme. Chrysopa pallens, por exemplo, apresentou forte repelência ao composto em um dos trabalhos reunidos pelos pesquisadores.

Fezes e hidrocarbonetos cuticulares fornecem outras pistas. Compostos presentes nas fezes de larvas podem atuar na localização do hospedeiro a curta ou longa distância. O parasitoide Cotesia rubecula apresentou maior atração pelas fezes de Pieris rapae em comparação com material de outras espécies avaliadas. A idade da larva também influenciou a resposta. Hidrocarbonetos presentes na cutícula oferecem sinais adicionais para reconhecimento específico do hospedeiro.

Ação de microrganismos

Microrganismos ampliam essa rede química. Bactérias e leveduras presentes no néctar alteram odores, açúcares, aminoácidos e outras características do recurso alimentar. O parasitoide Aphidius ervi apresentou preferência inata por néctar fermentado pela levedura Metschnikowia reukaufii. Estudos apontaram efeitos microbianos sobre longevidade, sobrevivência e comportamento de inimigos naturais. Os pesquisadores consideram esse componente ainda pouco estudado.

Avanços em genômica e transcriptômica também permitiram mapear genes ligados à quimiorrecepção. Os grupos incluem receptores de odor, receptores gustativos, receptores ionotrópicos, proteínas ligadoras de odorantes e proteínas quimiossensoriais. O número desses genes varia entre espécies. Em parasitoides himenópteros, algumas linhagens apresentam centenas de receptores de odor.

Advertisement

A caracterização funcional começa a revelar a ligação entre moléculas específicas e comportamento. Em Campoletis chlorideae, um receptor responde à cis-jasmona. Em Hippodamia variegata, diferentes receptores reconhecem compostos associados às plantas e às presas. Em Eupeodes corollae, um receptor participa da percepção de (E)-beta-farneseno. A alteração do correceptor Orco nessa espécie eliminou a preferência pelo composto e reduziu parâmetros ligados ao acasalamento, postura e eclosão.

Ligantes conhecidos

Apesar do avanço molecular, grande parte dos receptores identificados ainda não possui ligantes conhecidos. Também faltam evidências sistemáticas sobre os mecanismos neurais envolvidos na codificação do olfato e do paladar dos inimigos naturais.

Os cientistas identificam outro gargalo para o uso agrícola. Ensaios já comprovaram atração de inimigos naturais por vários HIPVs em condições experimentais e alguns trabalhos testaram armadilhas no campo. Mesmo assim, os pesquisadores não registraram aplicação prática desses voláteis para atrair inimigos naturais com finalidade de controle de pragas na produção agrícola. O ambiente de campo contém numerosas fontes de odor. Esses compostos podem competir com o atrativo, inibir a resposta ou produzir sinergias.

Os pesquisadores defendem estudos sobre combinações de HIPVs e feromônios. A avaliação de misturas pode apoiar estratégias como “push-pull”, com repelência da praga em determinadas áreas e atração de inimigos naturais em outras. Também recomendam ampliar a investigação sobre microrganismos benéficos ou prejudiciais e identificar os mecanismos moleculares envolvidos na percepção dos produtos da fermentação.

A identificação dos ligantes dos receptores quimiossensoriais completa essa agenda. Conforme os cientistas, esse conhecimento pode orientar o desenvolvimento de atrativos mais seletivos para parasitoides e predadores. Antes da adoção em escala agrícola, porém, há necessidade de compreender as interações dentro do sistema ecológico completo, com planta, herbívoro, inimigo natural e microbiota considerados em conjunto.

Advertisement
Continue Reading
Advertisement

Agro Mato Grosso

Dia Internacional da Mulher Rural: Mulheres do campo transformam legado para novas gerações

Published

on

Aprosoja MT destaca trajetória de mulheres que ajudaram a abrir espaço para novas gerações na agricultura

Mulheres vão e vêm todos os dias nas lavouras do Brasil, pilotando maquinários, analisando o plantio e a colheita, fazendo pagamentos e todos os trabalhos administrativos de uma propriedade. Muitas delas se inspiraram nas mães ou até tiveram que ser as primeiras mulheres da família a comandar toda a empresa, mas tudo foi possível por causa das mulheres corajosas que iniciaram os trabalhos. Neste dia 15 de outubro, se comemora o Dia Internacional da Mulher Rural, e a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) reforça o compromisso com todas as que já foram, que estão trabalhando e as que ainda se tornarão profissionais do campo.

Para ter hoje muitas mulheres inseridas na agricultura, foi preciso que muitas outras tivessem a coragem de iniciar, como contou a delegada do núcleo de Campo Novo do Parecis, Andreia Cervo Stefanello. Ela explicou que, no início, ficou preocupada em cursar Engenharia Agronômica por ser, na época, uma área predominantemente masculina.

“Quando eu decidi fazer a agronomia, eu sempre tive a vontade de ajudar o pai na lavoura. E sempre tive muito medo de como seria uma mulher em um meio tão masculino como a agricultura. E daí eu descobri que a agricultura, ela não tem preferência por masculino ou feminino, ela tem preferência por apaixonados. E quando eu me vi apaixonada pela lavoura, eu consegui entender que a gente, quando gosta de algo, a gente consegue fazer cem por cento”, afirmou.

A história escrita por ela na agricultura não começou há 30 anos, quando se formou, começou antes mesmo de ela nascer. Andreia contou que a família saiu da Itália nos anos de 1800 e, ao chegar ao Brasil, continuaram as atividades na lavoura, assim como já faziam. Foram longos anos vivendo da terra e aprimorando as técnicas, para chegar aos tempos de hoje.

Apaixonada pelo processo do plantio e dos cuidados com a lavoura, Stefanello afirma que fica muito feliz ao ver os resultados de cada decisão que ela toma no escritório se refletindo no campo. Esse esforço também mostra como o papel da mulher está nos mínimos detalhes e no resultado da safra.

Advertisement

“Você olha um plantio agora, você entende que aquela semente é uma sementinha que você está plantando para colher um fruto que vai representar todo o teu esforço dentro de um período. E quando eu penso nisso, eu penso também em tantas outras mulheres, mulheres que têm suas próprias histórias, próprias famílias, seus próprios desafios. Mulheres que todos os dias elas estão ali, fazendo parte das decisões, dos planejamentos, cuidando, produzindo, ajudando o campo a seguir em frente. Hoje eu olho para tudo isso e eu sei que existe um pouco de muitas mulheres nessa história. E é por causa de cada uma dessas mulheres, aquelas que já vieram e aquelas que ainda virão, que vale a pena continuar”, disse.

O Dia Internacional da Mulher Rural é uma data para relembrar as pioneiras de cada família que foram corajosas em continuar as atividades no campo, para homenagear as que estão atualmente trabalhando no campo e para incentivar que outras meninas e mulheres sigam seus sonhos. Nenhum presente se constrói sem a presença das mulheres do passado.

“Hoje eu olho para tudo isso e eu sei que existe um pouco de muitas mulheres nessa história. E é por causa de cada uma dessas mulheres, aquelas que já vieram e aquelas que ainda virão, que vale a pena continuar”, finalizou Andreia.

Entre gerações, a coragem de ocupar espaços e seguir trabalhando no campo mantém viva uma história construída por muitas mulheres. São trajetórias que ajudam a transformar a agricultura e mostram que, no campo, o futuro também é construído pelas mãos femininas.

Advertisement
Continue Reading

Agro Mato Grosso

Mercado de defensivos para algodão em MT cresce 14% safra 25/26

Published

on

Levantamento da Kynetec aponta movimentação recorde de R$ 8,217 bilhões

A movimentação de defensivos agrícolas para algodão registrou recorde na safra 2025/26, atingindo R$ 8,217 bilhões, ante R$ 7,190 bilhões da temporada anterior (+14%). Na moeda americana, em virtude do câmbio, houve alta de 10% no período, de US$ 1,341 bilhão para US$ 1,478 bilhão. Os dados foram divulgados hoje (14/10) no estudo FarmTrak Algodão, da Kynetec.

De acordo com o especialista em pesquisas da empresa, Felipe Lopes Abelha, dois fatores principais tracionaram os agroquímicos no algodão: o número de tratamentos e o custo dos tratamentos. O primeiro passou da média de 95, em 2024/25, para 107, com variação positiva de 13%. Já o preço médio dos tratamentos subiu 21%, de R$ 3.472 para R$ 4.209.

Conforme Abelha, o indicador PAT ou área potencial tratada, correspondente à soma de todos os tratamentos realizados pelos produtores na safra, alcançou a marca de 209,07 milhões de hectares em 2025/26, contra 196,31 milhões de hectares do ciclo passado, uma elevação de 6%.

Inseticidas seguem na liderança

Importância no mercado – segmentos agrupados; Mercado total | algodão 25/26
Importância no mercado – segmentos agrupados; Mercado total | algodão 25/26

Entre as categorias de produtos, destaca o executivo, os inseticidas seguiram na dianteira do mercado. Ocuparam 50% do total ou R$ 4,119 bilhões, salto de 14% na comparação a 2024/25 (R$ 3,606 bilhões). Ganharam ainda 2% em representatividade em área tratada, para 87.657 milhões de hectares.

Segundo Abelha, os inseticidas aplicados visaram, sobretudo, o controle do bicudo do algodoeiro e de lagartas. O bicudo demandou a média de 18 tratamentos por propriedade, ao custo da ordem de R$ 2 bilhões. As lagartas equivaleram a R$ 928 milhões, 15% acima da safra 2024/25 (R$ 795 milhões). “O segmento de lagartas, conhecidas por ‘pragas de sistema’, que provocam impactos desfavoráveis crescentes à produção, está em franca expansão”, salienta Abelha.

Segunda categoria no ranking de agroquímicos do algodão, a dos fungicidas registrou o maior crescimento proporcional, de 19%, para R$ 1,98 bilhão ou 24% do total do mercado, face a R$ 1,617 bilhão de 2024/25. Esse segmento, acrescenta Abelha, recebeu impulso representativo dos chamados produtos ‘premium’.

Advertisement

Herbicidas, na terceira posição, apresentaram elevação de 6,3%, perfazendo R$ 1,143 bilhão ou 14% do montante total do mercado, ante R$ 1,075 bilhão de 2024/25.

Somados, nematicidas, produtos para tratamento de sementes e outros obtiveram 12% de participação ou R$ 986 milhões.

Estudo representa 97% da área culutivada no país

Segundo a Kynetec, o levantamento FarmTrak Algodão 2025/26 percorreu quase 270 propriedades e teve origem em entrevistas presenciais com produtores em toda a fronteira agrícola da cultura. A cobertura da pesquisa representa 97% da área cultivada no país, de 1,952 milhão de hectares. Das regiões abrangidas, Felipe Abelha destaca a constatação de uma queda de 8% no plantio de algodão no estado de Mato Grosso, de 1,502 milhão de hectares para 1,376 milhão de hectares.

Continue Reading

Agro Mato Grosso

Etanol de milho: MT projeta crescimento de 18,67% na produção

Published

on

Projeção indica crescimento de 18,67% na produção estadual; em Lucas do Rio Verde, representantes da indústria e do setor agropecuário conheceram as operações da FS

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT