Sustentabilidade
JCB mira dobrar de tamanho até 2030

A JCB tem suas origens no contexto do pós-Segunda Guerra Mundial. Fundada em 1945 no Reino Unido, a empresa nasceu da criatividade e da escassez: seu primeiro equipamento foi um reboque construído com peças reaproveitadas de destroços de guerra. Da necessidade, surgiu a inovação — e em 1953 a JCB apresentou ao mundo a primeira retroescavadeira já fabricada, equipamento que se tornaria sinônimo da própria marca décadas depois. Hoje, com 22 fábricas espalhadas pelo mundo e mais de 25 anos de operação no Brasil, a multinacional britânica carrega essa trajetória de reinvenção como parte de sua identidade — e é com esse mesmo espírito que chega à Agrishow 2026 anunciando sua meta mais ambiciosa até o momento: dobrar de tamanho no país até 2030.
Meta 2030: crescimento acelerado e geração de empregos
Em 2024, a JCB anunciou um investimento de R$ 500 milhões para o ciclo que vai até 2030. Do total, R$ 360 milhões estão destinados à modernização da planta de Sorocaba (SP), responsável pelo abastecimento de toda a América Latina. O plano prevê ainda a geração de 1.000 novos empregos, sendo 300 diretos e 700 indiretos.
Os resultados do primeiro bimestre de 2026 sustentam o otimismo. Segundo Adriano Merigli, presidente da JCB América Latina, a empresa registrou crescimento de 13,8% no total de suas linhas de produtos em relação ao mesmo período de 2025. No segmento de escavadeiras, o avanço foi de 41,2%, superando a média do mercado, que ficou em 27,8%.
“Nosso plano de dobrar de tamanho até 2030 está ancorado em uma estratégia de lançamentos constantes e na expansão da nossa capacidade produtiva”, afirmou Merigli durante a coletiva de imprensa na feira.
A trajetória histórica da empresa ajuda a contextualizar essa ambição. Criada no pós-guerra, a JCB construiu seu primeiro equipamento a partir de destroços de guerra. Em 1953, inventou a primeira retroescavadeira do mundo. Mais recentemente, em 2025, introduziu no mercado europeu um motor a combustão movido a hidrogênio — tecnologia que, por ora, ainda não tem viabilidade no Brasil pela falta de infraestrutura de distribuição do combustível.
Agronegócio: de 15% a 20% do negócio e crescimento expressivo
O setor agropecuário representa entre 15% e 20% dos negócios globais e nacionais da JCB. Para Rafael Cardoso, diretor comercial do agronegócio da JCB para a América Latina, esse não é apenas mais um segmento — é parte da origem da empresa, que nasceu na área agrícola há mais de 80 anos.
No primeiro bimestre de 2026, as vendas de escavadeiras para o agronegócio cresceram 200%, triplicando o volume em relação ao ano anterior. Esse dado se alinha a uma tendência mais ampla observada nos últimos anos: o uso de escavadeiras no campo cresceu quatro vezes nos últimos nove anos, impulsionado por serviços de drenagem, abertura de canais e construção de reservatórios.
A Pá Carregadeira 437ZX AGRI, consolidada em 2025, é destacada pela empresa como uma solução de alta performance para movimentação de carga pesada no campo. Outro produto em evidência é a linha de manipuladores telescópicos Loadall, segmento no qual a JCB detém 80% de market share no Brasil.
Cardoso ressalta a aplicação prática do Loadall na rotina da fazenda: o equipamento pode reduzir entre 40% e 50% o tempo de movimentação de cargas na lavoura em comparação com outras máquinas na mesma aplicação. O uso vai desde o manejo de big bags até a alimentação de colheitadeiras. No primeiro bimestre de 2026, as vendas da linha Loadall cresceram 69,4%.
“O manipulador telescópico está deixando de ser opcional para se tornar uma decisão econômica na fazenda”, afirmou Cardoso.
A rede de distribuição da JCB no Brasil conta com 13 grupos de distribuidores e 66 pontos de venda espalhados pelo território nacional.
Pós-vendas: estoque ampliado, telemetria e plano de manutenção nacional
Para sustentar o crescimento da frota, especialmente no agronegócio, a JCB anunciou um investimento de R$ 35 milhões realizado em 2025 para ampliar em mais de 70% o estoque de peças de reposição. Hoje, o Centro de Distribuição (CD), localizado em Jundiaí (SP), com 4,5 mil m² de estrutura, conta com mais de 40 mil itens estocados — todos peças genuínas.
A expansão logística tem data marcada. A partir de julho de 2026, a JCB passará a operar em novas instalações em Louveira (SP), com capacidade 50% superior à atual.
“A manutenção de um ótimo nível de estoque é uma atividade permanente para nós. As novas instalações asseguram a expansão esperada do nosso negócio e ampla disponibilidade de itens”, explicou Felipe Battistella, diretor de pós-venda da JCB.
No campo da conectividade, o sistema de telemetria JCB LiveLink monitora atualmente 17 mil máquinas no Brasil, permitindo diagnósticos em tempo real e ações preventivas. Globalmente, o centro de disponibilidade da JCB monitora mais de 570 mil máquinas. Para a América Latina, o Latam Uptime Centre complementa esse trabalho com suporte remoto a toda a frota da região, com o objetivo de maximizar a disponibilidade dos equipamentos e reduzir paradas não programadas.
Para o atendimento técnico em campo, a JCB conta com os JTC – JCB Technical Champions, especialistas que atuam como elo entre a fábrica e os distribuidores, com foco em manutenção preventiva e diagnósticos precisos.
Plano de Manutenção Nacional
Um dos destaques comerciais da JCB na Agrishow é o Plano de Manutenção Nacional. Desenhado para clientes que transitam com suas máquinas entre diferentes regiões — cenário comum no agronegócio brasileiro —, o plano oferece cobertura para lubrificantes, filtros, mão de obra e deslocamento técnico em qualquer distribuidor autorizado da rede.
O serviço é contratado mediante mensalidade fixa paga diretamente à fábrica. Nas anotações da coletiva, o custo citado foi de 15 parcelas de R$ 999,90 para cobrir 2.000 horas de trabalho.
Campanha com Cafu e condições especiais de financiamento
Na comunicação, a novidade é a parceria com Cafu, capitão da seleção brasileira campeã em 2002. A campanha, com o mote “A maior invenção inglesa depois do futebol”, foi lançada em 27 de abril e está sendo veiculada em grandes portais e canais de TV.
“Cafu simboliza valores que são o DNA da JCB: liderança, alto desempenho, resiliência e credibilidade”, destacou Carlos França, diretor de vendas e marketing da JCB.
Para quem fechar negócio durante a Agrishow, a empresa preparou pacotes de incentivo:
- Campanha Fórmula 1: clientes que adquirirem uma cota de consórcio a partir de R$ 450 mil ganham uma viagem para o GP Brasil de Fórmula 1, com passagem, hospedagem e ingresso incluídos para uma pessoa.
- Comprou, Ganhou: aquisições de cotas até R$ 500 mil geram um voucher de R$ 1 mil para uso na loja oficial da marca (JCB Shop). Para cotas acima desse valor, o voucher é de R$ 2 mil.
No financiamento, o JCB Finance, em parceria com o Bradesco Financiamentos, oferece redução de 50% no valor das primeiras 12 parcelas para quem adquirir cotas convencionais, com taxas a partir de 0% ao ano e entrada reduzida a partir de 10%.
O consórcio, operado em parceria com a Rodobens, também está em evidência. Com faixas de crédito que chegam a R$ 1,5 milhão, a modalidade é apresentada como alternativa diante do cenário de juros elevados. O Plano Pontual — modalidade híbrida do consórcio — permite que o cliente solicite a carta de crédito já na sexta parcela, garantindo previsibilidade na aquisição do equipamento.
Presença consolidada, estratégia em curso
A JCB reafirma uma posição construída ao longo de mais de duas décadas no Brasil: a de fornecedora de equipamentos e suporte técnico para um setor que exige cada vez mais eficiência operacional.
Com investimentos em logística, telemetria, formação técnica e condições comerciais adaptadas à realidade do produtor rural, a empresa dá passos concretos em direção à meta de dobrar de tamanho até 2030 — e o agronegócio segue como um dos pilares centrais dessa trajetória.
Redação: Equipe Mais Soja com informações da Assessoria de Imprensa JCB
Sustentabilidade
Semeadura do arroz irrigado alcança 75,70% da área prevista no Rio Grande do Sul. – MAIS SOJA

A semeadura do arroz irrigado para a Safra 2026/27 avança no Rio Grande do Sul. Conforme levantamento atualizado em 5 de novembro, 652.207,5 hectares já foram semeados, o equivalente a 75,70% da intenção de semeadura prevista para o ciclo, de 861.778,96 hectares.
Entre as regiões produtoras, a Zona Sul soma 98,7% da área prevista semeada. Na sequência, a Fronteira Oeste registra 92,54% da área prevista.
Nas demais regiões, a Campanha contabiliza 65,51% da intenção regional, enquanto a Planície Costeira Externa registra 64,10%. A Planície Costeira Interna soma 63,02% da área prevista, e a Região Central registra 45,58% da intenção regional.
O acompanhamento da evolução da semeadura é realizado por meio de levantamentos periódicos das equipes regionais, com consolidação dos dados pela Diretoria de Assistência Técnica e Extensão Rural (Dater) do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). As informações permitem monitorar o andamento das operações de campo nas principais regiões produtoras do Estado ao longo da safra.
Fonte: IRGA

Sustentabilidade
Para 2026/27, Rabobank projeta estabilidade na área plantada de soja do Brasil – MAIS SOJA

Embora 2026 tenha sido um ano de margens mais apertadas para os produtores de grãos no Brasil, a cadeia da soja deverá encerrar a temporada com volumes recordes. A combinação de uma safra excepcional com uma demanda global ainda robusta sustentou exportações e processamento doméstico em níveis historicamente elevados.
Na safra 2025/26, a área plantada com soja no Brasil avançou para aproximadamente 49 milhões de hectares, mesmo diante de juros elevados e condições de crédito mais restritivas. Somada a uma produtividade acima da tendência, essa expansão levou a produção a cerca de 182 milhões de toneladas, um novo recorde para o país. A produção acima das expectativas iniciais trouxe algum alívio à rentabilidade dos produtores, mas foi insuficiente para compensar integralmente a deterioração das margens em relação ao que se projetava no início da safra.
O desempenho excepcional não ficou restrito à produção. As exportações brasileiras de soja em grão caminham para atingir 114 milhões de toneladas, favorecidas principalmente pela menor presença dos Estados Unidos no mercado chinês. Com os embarques norte-americanos para a China limitados a aproximadamente 12 milhões de toneladas entre setembro de 2025 e agosto de 2026, os compradores chineses ampliaram sua dependência da oferta sul-americana. Esse movimento sustentou a demanda pelo produto brasileiro e contribuiu para a valorização dos prêmios de exportação ao longo dos meses.
No mercado doméstico, a indústria processadora também operou em ritmo recorde. O esmagamento deverá alcançar 63 milhões de toneladas, sustentado pelas margens robustas observadas sobretudo ao longo do primeiro semestre.
A valorização do petróleo, em meio à persistência das tensões geopolíticas, estimulou a demanda por óleo vegetal e fortaleceu a rentabilidade do setor. Embora o adiamento da implementação da mistura obrigatória B16 tenha reduzido parte do otimismo inicial, as margens permaneceram historicamente atrativas durante boa parte do ano. Esse cenário começou a perder força na segunda metade da temporada, à medida que a recuperação dos prêmios de exportação intensificou a competição pela matéria-prima.
Apesar desse ambiente favorável do lado da demanda, a evolução dos preços foi bastante distinta quando observada em dólares e em reais. Entre janeiro e outubro de 2026, as cotações da soja na CBOT avançaram cerca de 15%, enquanto os preços em reais registraram alta de apenas 1%. A principal explicação para essa divergência foi a valorização do real frente ao dólar, que limitou a transmissão da recuperação das cotações internacionais para os preços domésticos. Esse movimento contribuiu para manter a rentabilidade do produtor brasileiro mais pressionada, mesmo em um contexto de melhora dos preços internacionais.
Para a safra 2026/27, o RaboResearch projeta estabilidade na área plantada de soja, em torno de 49 milhões de hectares. Após os resultados excepcionais da temporada anterior, a expectativa é de retorno da produtividade para níveis mais próximos da tendência, levando a produção brasileira a aproximadamente 178 milhões de toneladas, o segundo maior volume da série histórica. Embora os elevados custos financeiros continuem pressionando os produtores que ainda atravessam um processo de desalavancagem, a soja preserva sua atratividade relativa e deverá seguir como a principal opção de cultivo em grande parte das regiões agrícolas do país.
As informações são do Rabobank – RaboResearch Food and Agribusiness – Novembro 2026.
Fonte: Agência Safras
Autor:Revisão: Rodrigo Ramos (rodrigo@safras.com.br) / Agência Safras
Site: Agência Safras
Sustentabilidade
Bioinsumos, drones e controle biológico fortalecem a produção de algodão no semiárido – MAIS SOJA

Tecnologias apresentadas na ExpoCariri 2026 buscam reduzir perdas provocadas pela seca e pelas pragas, ampliar a eficiência do manejo e tornar a cotonicultura mais sustentável. O uso de bioinsumos, o controle biológico de pragas e as tecnologias de agricultura de precisão estão entre as estratégias para aumentar a resiliência e a sustentabilidade da produção de algodão no semiárido brasileiro. Esses temas foram apresentados por pesquisadores da Embrapa durante a ExpoCariri 2026, realizada em 30 de outubro, no Ceará, em uma programação voltada ao fortalecimento da cadeia produtiva do algodão e à difusão de tecnologias para pequenos, médios e grandes produtores.
As apresentações abordaram alternativas para enfrentar dois dos principais desafios da cotonicultura na região: a irregularidade das chuvas, associada às altas temperaturas, e a pressão de insetos-praga, especialmente o bicudo-do-algodoeiro. A proposta é integrar conhecimentos sobre solo, plantas e organismos benéficos, combinando práticas de manejo, biotecnologia e ferramentas digitais para reduzir perdas e melhorar o aproveitamento dos recursos disponíveis.
O pesquisador Paulo Barroso, da Embrapa Algodão, destacou que a biodiversidade presente no solo e nas plantas representa uma importante fonte de soluções para a agricultura. Segundo ele, os bioinsumos são produtos, processos ou tecnologias de origem biológica que incluem microrganismos, macrorganismos e substâncias produzidas por seres vivos, capazes de favorecer o desenvolvimento das plantas e contribuir para o controle de pragas e doenças.
O pesquisador explicou que o solo abriga milhares de espécies de microrganismos e pequenos organismos que interagem entre si e desempenham funções essenciais para o equilíbrio dos sistemas produtivos. Bactérias que fixam nitrogênio, fungos que controlam insetos e organismos que disponibilizam nutrientes são exemplos de recursos biológicos que podem ser incorporados ao manejo agrícola.
“Quanto mais próximo a gente conseguir chegar com boas produtividades de um ambiente natural, melhor vai ser para o meio ambiente e maior sustentabilidade a gente vai ter”, ressaltou Barroso. Para ele, a agricultura precisa aproveitar a biodiversidade existente para reduzir os impactos ambientais sem comprometer a produtividade necessária ao abastecimento de alimentos e à produção de fibras.
Projeto CaatÁgua busca microrganismos adaptados à seca
Uma das iniciativas apresentadas foi o projeto CaatÁgua, desenvolvido com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em parceria com a Rede Borborema de Agroecologia e três unidades da Embrapa: Algodão, Recursos Genéticos e Biotecnologia e Meio Ambiente.
A pesquisa busca identificar bactérias associadas a plantas da Caatinga, especialmente cactáceas e algodoeiros mocó e herbáceo, capazes de ajudar as culturas agrícolas a enfrentar o estresse hídrico. A estratégia considera que os microrganismos presentes nas raízes e no solo próximo a elas, região conhecida como rizosfera, podem contribuir para a adaptação das plantas às condições ambientais adversas.
De acordo com Barroso, dezenas de bactérias das centenas inicialmente isoladas apresentaram resultados promissores em experimentos com tomateiro. Sob estresse hídrico moderado, plantas inoculadas mantiveram o turgor, enquanto aquelas sem inoculação apresentaram murcha. O processo de seleção das melhores bactérias continua com experimentos em casa de vegetação e deverão orientar novas etapas de seleção e testes em outras culturas e condições de campo.
A equipe também investiga fungos entomopatogênicos, capazes de infectar e matar insetos, para desenvolver alternativas de controle do bicudo-do-algodoeiro. Em testes de laboratório, isolados de Metarhizium da coleção da Embrapa apresentaram mortalidade superior a 80% dos insetos expostos ao fungo. O desafio agora é aprimorar as estratégias para que os organismos entrem em contato com a praga nas condições de cultivo.
Barroso explicou que o desenvolvimento de novos bioinsumos exige avaliações de eficácia e segurança para as pessoas e o meio ambiente, além de procedimentos para obtenção de registro. A expectativa apresentada é que soluções para o controle do bicudo, incluindo alternativas biológicas, possam estar disponíveis em um horizonte de três a seis anos, dependendo dos resultados das pesquisas e dos processos regulatórios.
O pesquisador também chamou a atenção para os cuidados necessários na produção de bioinsumos nas propriedades rurais, modalidade conhecida como on-farm. Embora a legislação permita essa produção, o processo exige conhecimento técnico, infraestrutura e controle de qualidade para evitar contaminações por microrganismos patogênicos e assegurar a concentração adequada dos organismos desejados.
Auras contribui para a tolerância das plantas ao estresse climático
Outro destaque da programação foi a tecnologia Auras, desenvolvida pela Embrapa em parceria com a empresa NOOA e apresentada por Lucas Carvalho, representante da empresa. O produto utiliza a bactéria Priestia aryabhattai, anteriormente classificada como Bacillus aryabhattai, isolada no contexto de pesquisas sobre a adaptação de plantas da Caatinga às condições de seca.
A bactéria apresenta mais de 126 genes relacionados à resposta ao estresse abiótico. Aplicada às sementes ou no sulco de plantio, ela atua em associação com as raízes e contribui para o desenvolvimento radicular, a retenção de água nos tecidos vegetais, a ativação de enzimas antioxidantes e a disponibilização de nutrientes.
“Segundo Lucas Carvalho, a tecnologia procura ampliar a capacidade de resposta das plantas diante de condições adversas, como deficiência hídrica, temperaturas elevadas e excesso de água. A associação entre a planta e os microrganismos benéficos pode ajudar a preservar as estruturas celulares durante o estresse e favorecer a retomada do crescimento quando as condições ambientais melhoram.
Na cultura do algodão, a resposta média de proteção produtiva apresentada foi de aproximadamente 18 arrobas por hectare em condições de estresse. A recomendação de uso informada é de 200 mililitros por hectare no sulco de plantio ou quatro mililitros por quilo de sementes. O produto também apresenta resultados em soja e milho.
O palestrante ressaltou que o produtor não consegue controlar o clima, mas pode preparar melhor a lavoura para enfrentar suas variações. Nesse sentido, o manejo biológico complementa o melhoramento genético e as práticas agronômicas, ajudando a reduzir perdas de produtividade. O palestrante ressaltou que o produtor não consegue controlar o clima, mas pode preparar melhor a lavoura para enfrentar suas variações. Nesse sentido, o manejo biológico complementa o melhoramento genético e as práticas agronômicas, ajudando a reduzir perdas de produtividade.
Manejo integrado busca reduzir perdas com o bicudo
O manejo integrado de pragas (MIP) foi apresentado pelo pesquisador Fábio Aquino de Albuquerque, da Embrapa Algodão, que chamou a atenção para a importância de combinar diferentes estratégias de controle. O algodoeiro pode abrigar cerca de 30 espécies de insetos, mas aproximadamente meia dúzia representa ameaça econômica relevante nas condições brasileiras.
Entre elas está o bicudo-do-algodoeiro, praga que se estabeleceu no País na década de 1980 e teve papel importante na enorme redução da área de algodão no Nordeste. Altamente adaptado à cultura, o inseto pode permanecer em plantas voluntárias e áreas antigas de algodão, mesmo depois de muitos anos sem cultivo comercial.
Para Albuquerque, uma das medidas mais importantes e econômicas de prevenção é o vazio sanitário, período em que não deve haver plantas vivas de algodão nas áreas de produção. A eliminação de rebrotas e plantas remanescentes interrompe a disponibilidade de alimento e locais de reprodução para o bicudo, reduzindo a população da praga entre as safras.
Experimentos apresentados pelo pesquisador demonstraram a importância dessa prática. Em uma área na qual foi simulada a ausência do vazio sanitário, permitindo a rebrota de plantas podadas, a infestação inicial de bicudos chegou a aproximadamente 40% na primeira amostragem. Isso ocorre porque plantas adultas rebrotam rapidamente e voltam a emitir estruturas reprodutivas, oferecendo condições para a multiplicação do inseto.
O pesquisador também destacou a importância de preservar inimigos naturais presentes no ambiente, como parasitoides e predadores. Entre os organismos de interesse estão Bracon vulgaris e Catolaccus grandis, este último associado à tecnologia de controle biológico conhecida como Jaliscoa.
Outro desafio é a resistência de insetos às tecnologias de controle. Albuquerque observou que o uso intensivo de cultivares com tecnologia Bt, sem áreas de refúgio adequadas, contribuiu para aumentar a pressão de seleção sobre populações de lagartas. Em algumas regiões produtoras, isso tem levado à necessidade de cinco a oito aplicações de inseticidas para o controle dessas pragas, em particular de Spodoptera.
A orientação é que o controle químico seja utilizado de forma racional, somente quando o monitoramento indicar que a população da praga atingiu o nível de controle, evitando pulverizações preventivas sucessivas que podem prejudicar organismos benéficos e provocar desequilíbrios no ambiente.
Drones ampliam eficiência do controle biológico
O pesquisador Tardelly de Andrade Lima, doutorando da Embrapa, apresentou tecnologias de drones para diferentes operações agrícolas, com destaque para a liberação de macrorganismos utilizados no controle biológico. Além dos equipamentos de imageamento e dos drones de pulverização, a Embrapa trabalha com uma tecnologia específica para dispersar insetos benéficos nas lavouras.
O sistema utiliza pequenos tubetes para acondicionar os organismos e realizar a liberação durante o voo. A tecnologia permite distribuir parasitoides e outros agentes de controle biológico sem a necessidade de deslocamento manual de trabalhadores por toda a área cultivada.
Segundo Lima, com o equipamento é possível cobrir um hectare em aproximadamente oito minutos, reduzindo o tempo e o esforço operacional. Entre os organismos que podem ser liberados estão Jaliscoa grandis, utilizada no controle do bicudo, e espécies de Trichogramma, empregadas contra lagartas.
Para o controle do bicudo, a recomendação apresentada considera a liberação de aproximadamente 730 parasitoides por hectare. Cada tubete contém 30 indivíduos, sendo necessários cerca de 25 tubetes para cobrir um hectare. As liberações devem começar com o aparecimento dos primeiros botões florais, antes que a população da praga alcance o nível de controle.
O pesquisador também explicou que drones multiespectrais podem auxiliar no monitoramento das lavouras. Por meio de índices de vegetação, como o NDVI e o NDRE, é possível identificar diferenças de vigor e localizar áreas com possíveis problemas, como falhas no desenvolvimento, ataques de insetos ou doenças.
Esses mapas não identificam necessariamente a causa da anomalia, mas ajudam a direcionar as equipes de campo para os pontos que precisam de avaliação. Com isso, o monitoramento se torna mais eficiente e permite intervenções localizadas e oportunas.
Tecnologias voltadas também à agricultura familiar
A adaptação das tecnologias à realidade dos pequenos produtores foi um dos pontos destacados durante a programação. Lima apresentou resultados de pesquisas para reduzir os custos de produção de parasitoides, substituindo materiais importados por alternativas mais acessíveis e reutilizáveis.
Em um dos experimentos, a substituição de um material utilizado na criação dos insetos permitiu reduzir custos e ampliar a capacidade de produção. Com uma equipe de duas pessoas, foi possível produzir cerca de 2.500 parasitoides por semana, segundo os dados apresentados.
O pesquisador Paulo Barroso também ressaltou que o Campo Experimental da Embrapa em Barbalha deverá funcionar como polo de testes e validação de tecnologias para a agricultura familiar, incluindo soluções para o controle do bicudo e para a tolerância das plantas à seca.
A integração entre bioinsumos, monitoramento por drones, controle biológico e práticas culturais representa um caminho para tornar a cotonicultura mais eficiente e menos dependente de aplicações sucessivas de produtos químicos. A expectativa é que a aproximação entre pesquisa, produtores e parceiros regionais contribua para ampliar o acesso às inovações e fortalecer a produção de algodão no semiárido.
Fonte: Embrapa
Autor:Cristina Tordin (MTb 28.499/SP) Embrapa Meio Ambiente
Site: Embrapa
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