Agro Mato Grosso
Abelhas melíferas dominam flores e afastam outros polinizadores

Estudo identifica competição direta de Apis mellifera por recursos florais compartilhados
A maior densidade de abelhas melíferas (Apis mellifera) reduziu a abundância de outros visitantes florais e aumentou a frequência de disputas por alimento em áreas do Reino Unido. Os pesquisadores registraram perseguições, deslocamentos e comportamentos de esquiva durante encontros sobre flores. As observações apontam a competição por interferência como um mecanismo relevante na disputa entre abelhas manejadas e outros polinizadores.
O trabalho acompanhou visitantes de Rubus fruticosus e Hedera helix. As duas plantas fornecem recursos importantes em períodos com menor disponibilidade de outras flores. As observações ocorreram em Cambridgeshire, no Reino Unido, durante 2023 e 2024. Os locais ficavam a até 300 metros de colônias conhecidas de Apis mellifera. Os pesquisadores acompanharam 300 pares de interações durante 93 horas (doi 10.1111/een.70139).
A equipe classificou o resultado de cada encontro conforme o acesso ao recurso floral. Um indivíduo recebia a classificação de vencedor quando conseguia ocupar a flor e provocava perda de oportunidade de forrageamento para o outro visitante. Os cientistas também registraram situações de compartilhamento, quando dois insetos utilizavam o recurso sem confronto.
Associação negativa
A presença de Apis mellifera apresentou associação negativa com a abundância dos demais polinizadores nas duas espécies vegetais. Em Rubus fruticosus, o levantamento contabilizou 1.789 visitantes florais. Abelhas melíferas responderam por 57% desse total. Mamangavas representaram 23%, sirfídeos 11%, abelhas solitárias 7% e outros visitantes 2%. A maior densidade de Apis mellifera apresentou relação significativa com menor abundância relativa de visitantes não pertencentes ao gênero Apis. O efeito apareceu com maior força entre as mamangavas.
Em Hedera helix, os pesquisadores registraram 2.232 visitantes distribuídos em 30 grupos taxonômicos. Abelhas solitárias formaram 41% do total, com predominância de Colletes hederae. Abelhas melíferas representaram 27%. O aumento da densidade de Apis mellifera acompanhou uma redução na abundância de abelhas solitárias e sirfídeos. O número de unidades florais também influenciou a abundância dos visitantes.
Os pesquisadores registraram 171 pares de interações durante 43 horas de observação em Rubus fruticosus. Abelhas melíferas participaram de 53,3% dos encontros. Elas obtiveram acesso ao recurso em 65,7% das interações nas quais ocorreram disputas. A proporção de vitórias superou o valor esperado pela análise estatística. Abelhas solitárias perderam acesso ao recurso em 61,5% dos encontros. Sirfídeos perderam em 66,6%.
Frequência das disputas
A frequência das disputas em Rubus fruticosus cresceu com o aumento da densidade e do número de visitas de Apis mellifera. O estudo também encontrou influência de variáveis ambientais. Temperatura e umidade apresentaram associação positiva com as interações competitivas em algumas análises. Velocidades maiores do vento acompanharam menor número de disputas.
Os comportamentos observados reforçaram a hipótese de competição por interferência. Em Rubus fruticosus, outros visitantes evitaram abelhas melíferas em 28,4% das vitórias registradas para Apis mellifera. O deslocamento físico do outro visitante ocorreu em 20,1% das vitórias. Perseguições apareceram em 6,1%. Em 14 episódios com perseguição, a abelha melífera iniciou a ação em 80% dos casos.
O padrão também apareceu em Hedera helix. O levantamento somou 129 interações durante 50 horas. Abelhas melíferas alcançaram o maior número de vitórias competitivas e ocuparam o recurso em 50,6% dos encontros. Outros visitantes evitaram Apis mellifera em 35,6% das vitórias da espécie. Deslocamentos responderam por 15% e perseguições por 5,5%.
Maior vulnerabilidade
Os sirfídeos mostraram maior vulnerabilidade nos encontros. Em interações com abelhas melíferas sobre Hedera helix, metade dos sirfídeos evitou a abelha, 44% sofreram deslocamento e 6% sofreram perseguição. No conjunto das interações nessa planta, o grupo perdeu o recurso em 60,4% dos casos. A análise dos comportamentos também apontou associação significativa entre o grupo de polinizadores e o tipo de interação. Deslocamentos e perseguições executados por Apis mellifera tiveram contribuição importante para esse resultado.
Padrão diverso
Nem todas as abelhas solitárias apresentaram o mesmo padrão diante de Apis mellifera. Em Hedera helix, indivíduos de Colletes hederae conseguiram obter o recurso em parte dos encontros com abelhas melíferas. Quando Apis mellifera ocupava previamente a flor e uma abelha solitária chegava ao local, o grupo das solitárias venceu com frequência superior à registrada para a abelha melífera. Os pesquisadores apontam a necessidade de novos estudos sobre características de Colletes hederae capazes de reduzir os efeitos da competição por interferência.
O estudo diferencia esse processo da competição por exploração. Na competição por exploração, um visitante consome néctar ou pólen e reduz a disponibilidade para outros insetos. Na competição por interferência, a interação ocorre de forma direta. Um visitante afasta, desloca ou impede o acesso de outro ao recurso. Os resultados indicam participação dos dois mecanismos, mas destacam uma importância possivelmente subestimada da interferência nas comunidades de polinizadores.
Os cientistas ressaltam o foco das observações em duas espécies vegetais e em interações na escala de manchas florais. O trabalho não avaliou efeitos populacionais de longo prazo. A equipe propõe estudos adicionais em outros recursos, inclusive áreas cultivadas, além da análise de fatores ambientais e da paisagem. Segundo os pesquisadores, uma compreensão mais detalhada da competição por interferência pode apoiar medidas voltadas à redução dos efeitos de altas densidades de abelhas melíferas sobre outros polinizadores.
Agro Mato Grosso
Dia Internacional da Mulher Rural: Mulheres do campo transformam legado para novas gerações

Aprosoja MT destaca trajetória de mulheres que ajudaram a abrir espaço para novas gerações na agricultura
Mulheres vão e vêm todos os dias nas lavouras do Brasil, pilotando maquinários, analisando o plantio e a colheita, fazendo pagamentos e todos os trabalhos administrativos de uma propriedade. Muitas delas se inspiraram nas mães ou até tiveram que ser as primeiras mulheres da família a comandar toda a empresa, mas tudo foi possível por causa das mulheres corajosas que iniciaram os trabalhos. Neste dia 15 de outubro, se comemora o Dia Internacional da Mulher Rural, e a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) reforça o compromisso com todas as que já foram, que estão trabalhando e as que ainda se tornarão profissionais do campo.
Para ter hoje muitas mulheres inseridas na agricultura, foi preciso que muitas outras tivessem a coragem de iniciar, como contou a delegada do núcleo de Campo Novo do Parecis, Andreia Cervo Stefanello. Ela explicou que, no início, ficou preocupada em cursar Engenharia Agronômica por ser, na época, uma área predominantemente masculina.
“Quando eu decidi fazer a agronomia, eu sempre tive a vontade de ajudar o pai na lavoura. E sempre tive muito medo de como seria uma mulher em um meio tão masculino como a agricultura. E daí eu descobri que a agricultura, ela não tem preferência por masculino ou feminino, ela tem preferência por apaixonados. E quando eu me vi apaixonada pela lavoura, eu consegui entender que a gente, quando gosta de algo, a gente consegue fazer cem por cento”, afirmou.
A história escrita por ela na agricultura não começou há 30 anos, quando se formou, começou antes mesmo de ela nascer. Andreia contou que a família saiu da Itália nos anos de 1800 e, ao chegar ao Brasil, continuaram as atividades na lavoura, assim como já faziam. Foram longos anos vivendo da terra e aprimorando as técnicas, para chegar aos tempos de hoje.
Apaixonada pelo processo do plantio e dos cuidados com a lavoura, Stefanello afirma que fica muito feliz ao ver os resultados de cada decisão que ela toma no escritório se refletindo no campo. Esse esforço também mostra como o papel da mulher está nos mínimos detalhes e no resultado da safra.
“Você olha um plantio agora, você entende que aquela semente é uma sementinha que você está plantando para colher um fruto que vai representar todo o teu esforço dentro de um período. E quando eu penso nisso, eu penso também em tantas outras mulheres, mulheres que têm suas próprias histórias, próprias famílias, seus próprios desafios. Mulheres que todos os dias elas estão ali, fazendo parte das decisões, dos planejamentos, cuidando, produzindo, ajudando o campo a seguir em frente. Hoje eu olho para tudo isso e eu sei que existe um pouco de muitas mulheres nessa história. E é por causa de cada uma dessas mulheres, aquelas que já vieram e aquelas que ainda virão, que vale a pena continuar”, disse.
O Dia Internacional da Mulher Rural é uma data para relembrar as pioneiras de cada família que foram corajosas em continuar as atividades no campo, para homenagear as que estão atualmente trabalhando no campo e para incentivar que outras meninas e mulheres sigam seus sonhos. Nenhum presente se constrói sem a presença das mulheres do passado.
“Hoje eu olho para tudo isso e eu sei que existe um pouco de muitas mulheres nessa história. E é por causa de cada uma dessas mulheres, aquelas que já vieram e aquelas que ainda virão, que vale a pena continuar”, finalizou Andreia.
Entre gerações, a coragem de ocupar espaços e seguir trabalhando no campo mantém viva uma história construída por muitas mulheres. São trajetórias que ajudam a transformar a agricultura e mostram que, no campo, o futuro também é construído pelas mãos femininas.
Agro Mato Grosso
Mercado de defensivos para algodão em MT cresce 14% safra 25/26

Levantamento da Kynetec aponta movimentação recorde de R$ 8,217 bilhões
A movimentação de defensivos agrícolas para algodão registrou recorde na safra 2025/26, atingindo R$ 8,217 bilhões, ante R$ 7,190 bilhões da temporada anterior (+14%). Na moeda americana, em virtude do câmbio, houve alta de 10% no período, de US$ 1,341 bilhão para US$ 1,478 bilhão. Os dados foram divulgados hoje (14/10) no estudo FarmTrak Algodão, da Kynetec.
De acordo com o especialista em pesquisas da empresa, Felipe Lopes Abelha, dois fatores principais tracionaram os agroquímicos no algodão: o número de tratamentos e o custo dos tratamentos. O primeiro passou da média de 95, em 2024/25, para 107, com variação positiva de 13%. Já o preço médio dos tratamentos subiu 21%, de R$ 3.472 para R$ 4.209.
Conforme Abelha, o indicador PAT ou área potencial tratada, correspondente à soma de todos os tratamentos realizados pelos produtores na safra, alcançou a marca de 209,07 milhões de hectares em 2025/26, contra 196,31 milhões de hectares do ciclo passado, uma elevação de 6%.
Inseticidas seguem na liderança

Entre as categorias de produtos, destaca o executivo, os inseticidas seguiram na dianteira do mercado. Ocuparam 50% do total ou R$ 4,119 bilhões, salto de 14% na comparação a 2024/25 (R$ 3,606 bilhões). Ganharam ainda 2% em representatividade em área tratada, para 87.657 milhões de hectares.
Segundo Abelha, os inseticidas aplicados visaram, sobretudo, o controle do bicudo do algodoeiro e de lagartas. O bicudo demandou a média de 18 tratamentos por propriedade, ao custo da ordem de R$ 2 bilhões. As lagartas equivaleram a R$ 928 milhões, 15% acima da safra 2024/25 (R$ 795 milhões). “O segmento de lagartas, conhecidas por ‘pragas de sistema’, que provocam impactos desfavoráveis crescentes à produção, está em franca expansão”, salienta Abelha.
Segunda categoria no ranking de agroquímicos do algodão, a dos fungicidas registrou o maior crescimento proporcional, de 19%, para R$ 1,98 bilhão ou 24% do total do mercado, face a R$ 1,617 bilhão de 2024/25. Esse segmento, acrescenta Abelha, recebeu impulso representativo dos chamados produtos ‘premium’.
Herbicidas, na terceira posição, apresentaram elevação de 6,3%, perfazendo R$ 1,143 bilhão ou 14% do montante total do mercado, ante R$ 1,075 bilhão de 2024/25.
Somados, nematicidas, produtos para tratamento de sementes e outros obtiveram 12% de participação ou R$ 986 milhões.
Estudo representa 97% da área culutivada no país
Segundo a Kynetec, o levantamento FarmTrak Algodão 2025/26 percorreu quase 270 propriedades e teve origem em entrevistas presenciais com produtores em toda a fronteira agrícola da cultura. A cobertura da pesquisa representa 97% da área cultivada no país, de 1,952 milhão de hectares. Das regiões abrangidas, Felipe Abelha destaca a constatação de uma queda de 8% no plantio de algodão no estado de Mato Grosso, de 1,502 milhão de hectares para 1,376 milhão de hectares.
Agro Mato Grosso
Etanol de milho: MT projeta crescimento de 18,67% na produção

Projeção indica crescimento de 18,67% na produção estadual; em Lucas do Rio Verde, representantes da indústria e do setor agropecuário conheceram as operações da FS
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