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29 de outubro de 2026

Business

Kresko® chega à soja com tecnologia hormonal da Innovak

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A busca por maior produtividade na cultura da soja passa não apenas pelo fornecimento adequado de nutrientes, mas também pelo desenvolvimento equilibrado das plantas e pela preservação das estruturas responsáveis pela formação dos grãos.

Com foco nesses processos, a Innovak apresenta ao mercado brasileiro o Kresko®, regulador de crescimento hormonal que recebeu recentemente registro para utilização na cultura da soja.

O produto combina a ação da citocinina, hormônio vegetal associado à divisão e à diferenciação celular, com a tecnologia exclusiva ECCA Carboxy®, desenvolvida pela Innovak para potencializar e tornar mais eficiente a resposta hormonal nas plantas.

A proposta é favorecer a estruturação da soja ao longo do ciclo produtivo, estimulando o desenvolvimento de gemas laterais, a formação de ramos e a retenção de estruturas reprodutivas, fatores que podem contribuir para o potencial produtivo da lavoura.

Segundo a Innovak, a tecnologia já apresenta resultados de efetividade em condições de campo, reforçando sua aplicação como ferramenta de manejo para produtores de soja e consultores agronômicos.

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Como funciona o Kresko® na planta?

O diferencial do Kresko® está na combinação de ingredientes ativos e tecnologias que atuam sobre processos fisiológicos relacionados ao crescimento e ao desenvolvimento vegetal.

A formulação contém cinetina, uma citocinina apresentada em alta concentração e caracterizada pela estabilidade, segurança de uso e eficácia de sua ação hormonal.

As citocininas participam de processos importantes do desenvolvimento das plantas, especialmente da divisão celular e da atividade de gemas. Por isso, sua utilização no manejo agrícola está relacionada à busca por melhor organização da estrutura vegetativa e pelo desenvolvimento das estruturas que sustentam a produção.

A Innovak explica que o mecanismo de ação do Kresko® ocorre em duas etapas complementares. Na primeira, a citocinina alcança seu local de ação na planta e desencadeia uma sequência de respostas fisiológicas associadas ao crescimento e à diferenciação celular. Já na segunda, a tecnologia ECCA Carboxy® atua como bioestimuladora, amplificando e modulando a resposta hormonal para proporcionar um efeito mais equilibrado e eficiente.

Essa combinação busca favorecer um desenvolvimento mais homogêneo das plantas, com melhor aproveitamento do potencial produtivo da cultura.

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Tecnologia exclusiva potencializa a ação hormonal

Um dos principais diferenciais do Kresko® é a presença da tecnologia ECCA Carboxy®, exclusiva da Innovak.

Segundo a empresa, essa tecnologia contribui para aumentar a estabilidade da citocinina e proporcionar uma absorção mais efetiva e gradual, favorecendo a continuidade de sua ação fisiológica.

Na prática, a proposta é potencializar os efeitos do regulador de crescimento sem depender apenas da concentração hormonal presente na formulação.

A Innovak destaca que a combinação entre citocinina e ECCA Carboxy® permite uma resposta mais equilibrada da planta, estimulando processos importantes para o desenvolvimento vegetativo e reprodutivo.

Para o produtor rural, o objetivo é oferecer uma ferramenta que contribua para a formação de plantas mais bem estruturadas e com maior capacidade de sustentar seu potencial produtivo.

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Melhor estruturação e preservação das estruturas reprodutivas

A estrutura da planta é um dos fatores que influenciam o desenvolvimento da soja e sua capacidade de formar e manter estruturas reprodutivas ao longo do ciclo.

Nesse contexto, o Kresko® foi desenvolvido para atuar sobre diferentes processos fisiológicos, incluindo o encurtamento dos entrenós, a diferenciação celular e o estímulo ao desenvolvimento de gemas axilares e laterais.

Segundo a Innovak, esses efeitos favorecem uma arquitetura vegetal mais equilibrada, com maior desenvolvimento de ramificações e melhores condições para a formação das estruturas responsáveis pela produção.

Outro benefício destacado pela fabricante é o estímulo à formação e à retenção de estruturas reprodutivas, com o objetivo de reduzir o abortamento de flores e outras estruturas durante o desenvolvimento da cultura.

A preservação dessas estruturas é especialmente relevante porque perdas durante a fase reprodutiva podem comprometer a quantidade de vagens e, consequentemente, o rendimento final da lavoura.

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Ao combinar a regulação do crescimento com a ação bioestimuladora, a Innovak busca oferecer uma solução voltada tanto à estruturação vegetativa quanto à manutenção do potencial produtivo da soja.

Registro para soja amplia possibilidades de manejo

O Kresko® já possui registro para a cultura do algodão e a recente habilitação para a cultura da soja representa uma nova etapa na disponibilização da tecnologia ao mercado brasileiro. Com a novidade, a Innovak amplia seu portfólio de soluções voltadas ao manejo fisiológico das lavouras, oferecendo aos produtores e às empresas de consultoria agronômica uma alternativa para trabalhar a estruturação das plantas e a preservação das estruturas reprodutivas.

A empresa destaca que a efetividade da tecnologia já foi observada em condições de campo, com resultados relacionados ao desenvolvimento vegetal e ao potencial produtivo.

A adoção do produto deve considerar as recomendações técnicas, as condições da lavoura e as orientações de uso previstas em seu registro. Assim, com a chegada do Kresko® à cultura da soja, a Innovak reforça sua atuação no desenvolvimento de tecnologias voltadas à fisiologia vegetal, associando regulação hormonal, bioestimulação e estratégias de manejo para a busca de maior produtividade no campo.

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Agro Mato Grosso

Projeto busca ampliar industrialização da soja em MT

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Biorrefinaria em Mato Grosso deve produzir proteína isolada e outros seis produtos de valor agregado

O Grupo MJFEO, de Mato Grosso, representa no Brasil a tecnologia israelense para implantação de uma biorrefinaria voltada à produção de proteína isolada de soja e outros seis produtos de valor agregado. O projeto prevê capacidade mínima de processamento de 30 mil toneladas por ano e busca ampliar a industrialização da soja no país, agregando valor à produção agrícola.

A tecnologia é desenvolvida pela israelense Robtech LLP, empresa que atua na implantação de unidades industriais de proteína isolada de soja em diferentes países. O Grupo MJFEO é seu representante na América Latina e ficará responsável pelos projetos no modelo turnkey, que abrange desde a estruturação da captação de recursos até a execução das obras.

A planta projetada terá capacidade para produzir 25 mil toneladas anuais de proteína isolada de soja e, segundo o grupo, deverá se tornar a maior unidade brasileira dedicada a esse produto.

Industrialização da soja

A iniciativa busca ampliar a participação brasileira nas etapas de processamento industrial da soja. Embora o Brasil seja um dos principais produtores mundiais do grão, parte expressiva da produção ainda é exportada sem processamento adicional.

Na safra 2025/26, a produção brasileira de soja foi estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 180,6 milhões de toneladas. Segundo os dados apresentados pelo Grupo MJFEO, cerca de 60% do volume ainda é exportado em grão.

O projeto também mira o mercado de proteína isolada de soja, ingrediente utilizado pela indústria de alimentos e pela nutrição animal. De acordo com as projeções citadas pela empresa, o mercado mundial do produto poderá crescer de US$ 4 bilhões para US$ 9,3 bilhões até 2035, com a produção atualmente concentrada na China.

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Segundo o diretor executivo do Grupo MJFEO, Cleber Breancini, a tecnologia já acumula mais de 15 anos de operação em nove plantas. A empresa afirma que o abastecimento da unidade projetada exigiria menos de 0,1% da safra brasileira. “Há dez anos, esse projeto seria uma aposta. Hoje, é uma decisão de execução”, afirma Breancini.

Sete produtos a partir do grão

Além da proteína isolada de soja, que apresenta teor mínimo de 90% de proteína, a biorrefinaria deverá gerar outros seis produtos: óleo de soja, lecitina, proteína concentrada, farelo, melaço e fibras.

A proteína isolada é utilizada na fabricação de carnes processadas, produtos de panificação, bebidas, fórmulas infantis e suplementos para nutrição esportiva. Na alimentação animal, pode ser empregada em dietas de alta digestibilidade e como alternativa à farinha de peixe na aquicultura e na nutrição de animais jovens.

Os demais produtos também atendem a diferentes segmentos industriais. O óleo pode ser destinado à indústria alimentícia e à produção de biodiesel; a lecitina atua como emulsificante nos setores de alimentos, cosméticos e farmacêutico; e a proteína concentrada é utilizada na fabricação de alimentos e rações.

O farelo constitui uma fonte proteica para a alimentação de bovinos, suínos e aves. Já o melaço, rico em açúcares, pode ser utilizado na nutrição de bovinos, enquanto as fibras encontram aplicação na alimentação animal.

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Participação de produtores rurais

O Grupo MJFEO apresenta o empreendimento como uma oportunidade para ampliar a participação dos produtores rurais na cadeia de valor da soja. O modelo proposto permite que agricultores participem como investidores da unidade industrial, com o objetivo de obter retorno também sobre o processamento do grão.

“A onda do etanol de milho ensinou o agronegócio brasileiro a industrializar uma das commodities mais valiosas do país. Agora chegou a vez da soja passar por essa transformação”, afirma Breancini.

Para Mato Grosso, a proposta é ampliar a geração de renda, empregos e arrecadação por meio da industrialização próxima às regiões produtoras. Segundo a empresa, o projeto já foi apresentado a agricultores do estado, e a primeira reunião com investidores registrou adesão significativa.

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Insatisfação dos eleitores marca eleições e pressiona lideranças políticas

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A insatisfação dos eleitores com a polarização política e a falta de respostas para os problemas do país colocam a governabilidade, a economia e a atuação das instituições entre os desafios após as eleições de 2026. A avaliação é de que a disputa foi marcada pela rejeição aos grupos políticos, sem espaço suficiente para discutir propostas e os rumos do Brasil.

O analista político João Henrique Hummel avalia que a campanha ficou concentrada na disputa entre os grupos ligados ao presidente Lula e ao bolsonarismo, em vez de aprofundar questões econômicas e prioridades para o país. “Não foi uma eleição para discutir o Brasil. Foi uma discussão para aprovar ou rejeitar grupos políticos”, afirma.

O resultado eleitoral também deixa em evidência a necessidade de enfrentar questões fiscais e recuperar a confiança no financiamento do governo. Para Hummel, Executivo e Legislativo terão de discutir propostas diante dos riscos de agravamento das dificuldades econômicas.

Além da economia, a insatisfação com instituições e a cobrança por respostas de representantes políticos devem influenciar a relação entre a sociedade e o Congresso. O analista avalia que a capacidade de articulação parlamentar e a mobilização dos eleitores serão importantes para o encaminhamento dessas questões.

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Foto: Canal Rural Mato Grosso

Contas públicas preocupam

O déficit fiscal está entre os pontos que exigirão atenção do Executivo e do Legislativo, de acordo com ele, que defende a apresentação de propostas para enfrentar o problema e recuperar a confiança no financiamento do governo. Sem isso, frisa em entrevista ao programa Direto ao Ponto, o custo dos recursos pode aumentar, com reflexos sobre a atividade econômica.

“Essa é uma coisa que precisa ser discutida, precisa ser colocada e o Executivo vai ter que buscar e propor propostas ao Legislativo para fazer esse debate”, diz. O analista alerta que a falta de encaminhamentos pode agravar o cenário econômico, com riscos de recessão, desemprego e inflação.

A pressão também pode chegar ao cotidiano das famílias, caso as dificuldades econômicas comprometam o poder de compra. Hummel questiona se o governo conseguirá lidar com o descontentamento popular diante de uma eventual piora nas condições de vida.

Ao comparar o cenário atual com a transição do primeiro para o segundo mandato de Dilma Rousseff, o analista chama atenção para os riscos de desgaste político associados à economia. “A economia vai mal, o povo vai para rua. O povo passa a reclamar. Será que esse governo está preparado?”, questiona.

Congresso e cobrança por respostas

A insatisfação com o Supremo Tribunal Federal (STF) e as cobranças relacionadas ao caso Banco Master também foram apontadas por Hummel como questões que mobilizam parte da sociedade. Para ele, o crescimento da bancada de direita não significa que o grupo tenha votos suficientes para aprovar mudanças sem negociar com outras forças políticas.

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A composição do Congresso, especialmente do Senado, exige articulação para avançar em propostas relacionadas às instituições. Nesse cenário, o especialista avalia que as decisões dependerão tanto dos acordos entre parlamentares quanto da disposição dos representantes de assumir posições diante das cobranças públicas.

Hummel também questiona se eventuais acordos políticos para reduzir a pressão sobre esses temas serão aceitos pela população. Na avaliação dele, a ausência de respostas pode ampliar a insatisfação com os representantes eleitos.

“Eu não acredito que vai ter um movimento dos políticos se não tiver uma reação da população”, afirma ao programa do Canal Rural Mato Grosso. Por isso, defende que os eleitores acompanhem a atuação dos parlamentares e cobrem posicionamentos depois da votação, mantendo a pressão sobre as pautas que consideram prioritárias.

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juros pressionam produtores de Mato Grosso

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O acesso ao crédito e as condições para renegociar dívidas estão entre os desafios enfrentados por produtores rurais de Mato Grosso na safra 2026/27. Com juros elevados, custos de produção em alta e dificuldades para obter financiamentos, agricultores buscam alternativas para manter as lavouras e evitar que o endividamento comprometa a continuidade dos negócios.

Uma proposta de renegociação com juros de 3,63% ao mês levou o produtor rural Adalberto Grando a comparar as condições oferecidas por uma instituição financeira às de um agiota. A taxa equivale a quase 50% ao ano, considerando a capitalização dos juros. “A gente não está pedindo um perdão de dívidas, a gente está pedindo uma condição de pagar nossas dívidas em uma condição que nos mantenha produzindo”, afirma.

A pressão financeira também interfere nas decisões sobre o plantio, a compra de insumos e os investimentos nas propriedades. Sem conseguir recursos bancários em condições consideradas viáveis, produtores recorrem a fornecedores para financiar a produção e assumem compromissos de pagamento vinculados à colheita.

Em Gaúcha do Norte, município que tem a economia fortemente ligada à agricultura, esse cenário aparece tanto na dificuldade para renegociar débitos quanto na redução dos investimentos nas lavouras. Os relatos locais exemplificam um problema que afeta a atividade rural em Mato Grosso: a necessidade de manter a produção mesmo com margens apertadas e acesso restrito ao crédito.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Financiamento depende de alternativas fora dos bancos

A dificuldade de obter crédito bancário faz com que parte dos produtores dependa de tradings e revendas de insumos para custear a safra. Nesse modelo, empresas fornecem sementes, fertilizantes e defensivos, com pagamento previsto para depois da colheita, frequentemente em grãos.

Adalberto Grando está entre os agricultores que precisaram recorrer a essa alternativa. Na propriedade dele, onde a soja ocupa 2,1 mil hectares nesta temporada, os recursos para financiar a operação vêm principalmente dessas empresas.

“Não teve recurso de banco, basicamente trading e revenda que estão bancando hoje a nossa operação aqui”, relata ao Patrulheiro Agro.

O presidente do Sindicato Rural de Gaúcha do Norte, Valdomiro Schulz, também aponta a escassez de recursos e as exigências para a liberação de financiamentos como obstáculos ao planejamento dos produtores. Além da apresentação de avalistas, as instituições financeiras podem exigir garantias sobre a produção e os imóveis rurais.

“Além de avalista, eles também querem pegar o penhor do grão e também a hipoteca da terra para se garantir para receber essas contas”, afirma Schulz.

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A dependência de crédito privado, nesse contexto, não elimina o risco financeiro. Os compromissos assumidos precisam ser pagos mesmo diante de eventuais perdas de produtividade, oscilações de preços ou problemas climáticos, fatores que tornam o resultado da safra decisivo para a capacidade de quitar as dívidas.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Endividamento muda o planejamento das lavouras

A necessidade de controlar as despesas já afeta o manejo da soja. O produtor Josenei Zemolin, que cultivou 1.080 hectares nesta safra, prevê diminuir entre 10% e 20% os investimentos em adubação em comparação com o ciclo anterior.

A quantidade de fertilizante aplicada por hectare também será menor. Zemolin utilizava 400 quilos de fósforo por hectare e prevê trabalhar com volumes entre 330 e 350 quilos nesta temporada.

A decisão, pontua à reportagem do Canal Rural Mato Grosso, busca preservar recursos em um momento de incerteza sobre a rentabilidade. O agricultor relata que o endividamento se arrasta há mais de um ano e que as taxas de juros dificultam a reorganização financeira das propriedades.

“Essa que vamos plantar agora é uma safra de custo muito puxado”, afirma. A estratégia é ajustar os gastos para manter a atividade sem comprometer ainda mais o caixa, embora a redução de insumos exija atenção às necessidades do solo e da cultura.

O quadro financeiro se soma ao aumento das despesas para produzir. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontam que o custo total da soja para a safra 2026/27 supera R$ 8,2 mil por hectare, alta de quase 7% em relação ao ciclo anterior.

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As operações mecanizadas registraram aumento próximo de 24%, enquanto os defensivos agrícolas ficaram cerca de 10% mais caros. Mesmo com a redução de quase 22% no custo das sementes, o conjunto das despesas continuou pressionando o orçamento dos produtores.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Efeitos ultrapassam os limites das propriedades

A dificuldade financeira no campo também preocupa municípios cuja economia depende da atividade agropecuária. Em Gaúcha do Norte, o prefeito Ari do Prado relaciona o momento atual às perdas de produção, à queda dos preços agrícolas e ao aumento dos custos enfrentados pelos produtores.

O reflexo pode alcançar empresas e outros setores que dependem da circulação de recursos gerados pela agricultura. O prefeito também demonstra preocupação com o preço dos combustíveis, que, conforme ele, já ultrapassa R$ 8 por litro no município, com perspectiva de novas altas.

A dependência do crédito para sustentar investimentos amplia a preocupação. Quando produtores encontram dificuldades para financiar o plantio ou renegociar compromissos anteriores, a restrição financeira pode afetar não apenas as propriedades, mas também os negócios que fornecem produtos e serviços ao setor.

Para o presidente da Cooprosoja, Fernando Cadore, preservar a capacidade de produção dos agricultores é importante para a manutenção da força brasileira no mercado internacional. “Para o Brasil continuar com esse protagonismo na agricultura mundial, para ter uma exportação forte, nós precisamos de um produtor forte também dentro de casa”, frisa.

O empresário e produtor rural Dayan Della Justina Vieira defende maior credibilidade na condução da economia e mudanças que contribuam para melhorar o ambiente de negócios. Já Grando aponta a necessidade de avanços na infraestrutura e de mecanismos de proteção para reduzir a vulnerabilidade dos produtores diante das perdas na atividade.

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O desafio, para os agricultores, é conciliar o pagamento das dívidas com a manutenção da produção. Sem condições de financiamento compatíveis com a capacidade de pagamento das propriedades, o acesso ao crédito continua sendo um dos fatores que podem limitar os investimentos e a continuidade dos negócios rurais em Mato Grosso.

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