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30 de outubro de 2026

Sustentabilidade

Risco de “Super El Niño” reacende alerta para a safra 2026/27 no Brasil – MAIS SOJA

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A Noaa (agência oceânica dos Estados Unidos) elevou para 97% a probabilidade de o El Niño atingir um patamar classificado como “muito forte” já no início da primavera no Hemisfério Sul, entre o fim de setembro e o início de outubro. Segundo o órgão, há ainda 75% de chance de que o fenômeno, entre outubro e dezembro, supere em intensidade todos os episódios registrados desde 1950, um cenário que já vem sendo chamado de “Super El Niño”. Atualmente, a temperatura da região do Pacífico usada como referência está 1,8°C acima da média histórica, no patamar “forte”, e projeções do Centro Europeu de Previsão Meteorológica (ECMWF) apontam para um aquecimento que pode chegar a 3,2°C.

A notícia reacende lembranças recentes e desconfortáveis para o produtor rural brasileiro. Em 2024, o último grande evento de El Niño provocou enchentes históricas no Rio Grande do Sul e, segundo o IBGE, o valor da produção agrícola nacional caiu 3,9% naquele ano para R$ 783,2 bilhões, enquanto o volume colhido de cereais, leguminosas e oleaginosas recuou 7,5%. Um novo episódio, ainda mais intenso, pode repetir, e agravar, esse cenário na segunda safra de 2026.

Para Douglas Vaz Tostes, técnico nacional da GIROAgro, o impacto do fenômeno vai além do que costuma dominar o noticiário. “Quando falamos em um possível Super El Niño, pensamos logo em um aumento no ciclo de chuvas no Sul, estiagens em partes do Norte e Nordeste, e uma maior irregularidade climática no Centro-Oeste e no Sudeste brasileiros. Mas existe um impacto que, muitas vezes, acaba passando despercebido, que são os efeitos dessas condições sobre a nutrição das plantas. Afinal, tanto o excesso quanto a falta de água comprometem a disponibilidade, a absorção e a assimilação dos nutrientes pelas culturas”, explica.

Segundo o especialista, o desafio se divide em duas frentes opostas. Nas regiões com excesso de chuva, aumenta a lixiviação, a perda de nutrientes do solo arrastados pela água. Já nas áreas atingidas por estiagem, a absorção de nutrientes fica limitada pela menor disponibilidade hídrica e pelo desenvolvimento reduzido do sistema radicular das culturas. “Por isso a nutrição deixa de ser apenas fornecimento de nutrientes, nesse momento, e passa a ser uma ferramenta para aumentar a resiliência da lavoura”, afirma Vaz Tostes.

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Ele reforça que, embora o clima não possa ser controlado, o manejo nutricional pode preparar as plantas para absorver melhor o impacto das oscilações climáticas. “Tecnologias que favoreçam o desenvolvimento radicular, a eficiência fotossintética e o equilíbrio nutricional das plantas ganham uma grande importância. Quem entende essa relação entre o clima, o solo e a nutrição estará mais preparado para proteger o potencial produtivo de suas lavouras.”

O El Niño é um fenômeno natural recorrente, com periodicidade média de dois a sete anos, causado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Pacífico equatorial; o oposto da La Niña. O que preocupa autoridades e especialistas desta vez é a escala: a Noaa registrou, no início do mês, um aumento de 2°C numa área oceânica equivalente a quatro vezes o território brasileiro, volume de energia suficiente para alterar padrões de circulação atmosférica nas Américas e em outros continentes.

Fonte: Assessoria de imprensa


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Sustentabilidade

Deral projeta safra de soja 2026/27 do Paraná em 22,748 milhões de toneladas, alta de 4% – MAIS SOJA

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O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, estimou, em seu relatório mensal de outubro, que a produção da safra de soja 2026/27 no Paraná deve atingir 22,7484 milhões de toneladas, crescimento de 4% em relação às 21,8016 milhões de toneladas projetadas para 2025/26.

A área plantada foi estimada em 5,7433 milhões de hectares, praticamente estável frente aos 5,7344 milhões de hectares de 2025/26. A produtividade média é projetada em 3.961 quilos por hectare, acima dos 3.802 quilos por hectare estimados para a temporada 2025/26.

Autor/Fonte: Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Agência Safras)

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Sustentabilidade

Plantio de soja alcança 10% da área no RS, mas chuvas e frio limitam avanço

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A semeadura da soja no Rio Grande do Sul alcançou 10% da área projetada, com os trabalhos mais avançados na porção Oeste do estado, segundo relatório semanal da Emater-RS, divulgado nesta quinta-feira (29). As lavouras já implantadas estão em fase de emergência e desenvolvimento vegetativo.

O avanço do plantio ocorre de forma irregular, condicionado pela elevada umidade do solo, pelas baixas temperaturas e pela reduzida luminosidade. Essas condições restringem as janelas de operação no campo e podem comprometer o estabelecimento da cultura em áreas encharcadas.

Apesar da lentidão inicial em parte do estado, as lavouras implantadas apresentam emergência satisfatória e estandes uniformes.

“A evolução da semeadura ainda depende da ocorrência de condições adequadas de trafegabilidade e umidade do solo”, destaca a Emater-RS.

A Emater/RS-Ascar estima o plantio de 6.645.384 hectares de soja no Rio Grande do Sul, com produtividade projetada em 3.183 quilos por hectare.

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Preços da soja no RS

Na comercialização, o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar indica estabilidade no valor médio da soja no estado, que permaneceu em R$ 138 por saca.

Na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, a soja disponível é cotada a R$ 144 por saca.

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Sustentabilidade

Raízes profundas aumentam a resiliência da soja aos efeitos do El Niño – MAIS SOJA

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As adversidades climáticas, especialmente aquelas relacionadas à distribuição e ao volume das precipitações, elevam os riscos associados ao cultivo de culturas de sequeiro, como a soja. Esses efeitos podem ser ainda mais expressivos sob a influência dos fenômenos que compõem o ENSO (El Niño-Oscilação Sul), capazes de alterar os padrões de chuva em diferentes regiões do Brasil.

Na safra 2026/27, a ocorrência de um El Niño de forte intensidade tem preocupado os agricultores brasileiros, reforçando a necessidade de planejamento e cautela na implantação e condução das lavouras de soja. No Brasil, o fenômeno está associado à tendência de redução das chuvas nas regiões Norte e Nordeste, além da porção norte das regiões Centro-Oeste e Sudeste, aumentando a frequência de períodos de estiagem. Esse cenário pode comprometer o desenvolvimento das lavouras e a disponibilidade hídrica, elevando o risco de perdas de produtividade, especialmente em sistemas de sequeiro (INMET, 2026).

As alterações nos padrões de precipitação podem resultar em perdas expressivas de produtividade, sobretudo quando os períodos de estiagem coincidem com fases críticas do desenvolvimento das culturas. Segundo o INMET (2026), sob influência do El Niño, a probabilidade de produtividades abaixo da média pode chegar a 80% para o trigo e a 60% para a aveia, dependendo da região de cultivo.

Em contrapartida, o El Niño costuma favorecer o aumento das precipitações na Região Sul do Brasil. Embora esse cenário geralmente reduza o risco de déficit hídrico, o excesso e a persistência das chuvas podem dificultar a implantação das lavouras, limitar a realização de práticas culturais e comprometer o desenvolvimento das plantas. Dessa forma, os impactos do fenômeno variam conforme a região, exigindo estratégias de manejo adaptadas às condições climáticas predominantes.

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Entre as principais estratégias para mitigar os efeitos do El Niño sobre a produtividade da soja, destacam-se o ajuste da época de semeadura e o manejo voltado ao aprofundamento e à melhor distribuição das raízes no perfil do solo. Essas práticas contribuem para reduzir a exposição das plantas a períodos de déficit hídrico nas fases mais sensíveis do ciclo e aumentar sua capacidade de explorar a água armazenada nas camadas mais profundas do solo. A adoção dessas estratégias é especialmente importante nas regiões em que o fenômeno tende a reduzir o volume de chuvas.

Uma análise desenvolvida pela equipe FieldCrops demonstrou que lavouras com raízes bem distribuídas ao longo do perfil do solo conseguem explorar a água disponível em camadas mais profundas, contribuindo para reduzir os impactos da estiagem. Em contrapartida, lavouras com maior concentração de raízes nas camadas superficiais tendem a apresentar perdas de produtividade mais expressivas sob condições de déficit hídrico (Ordoñez, 2026).

Figura 1. Relação entre a produtividade da soja e a distribuição das raízes da planta no perfil do solo.
Fonte: Equipe FieldCrops

Corroborando essas informações, Battisti e Sentelhas (2017) observaram que o aumento da profundidade máxima das raízes, em relação à profundidade de referência de 0,6 m, proporcionou ganhos expressivos de produtividade da soja, especialmente em regiões com maior risco de déficit hídrico. Os incrementos variaram de 210 a 1.260 kg ha⁻¹, conforme a região de cultivo e a suscetibilidade à deficiência hídrica (Debiasi; Franchini; Balbinot Junior, 2026).

Figura 2. Ganho de produtividade da soja para diferentes simulações de profundidade máxima de crescimento radicular, sendo para Cruz Alta/RS em uma condição de risco de déficit hídrico moderado, em Tapurah/MT para uma condição de risco de déficit hídrico baixo, e para a média geral de 24 localidades com diferentes níveis de risco por déficit hídrico em várias regiões sojícolas do Brasil. Foram utilizados dados climáticos dos anos de 1965 a 2016. Os incrementos de produtividade da soja foram calculados em comparação à produtividade modelada para 60 cm de profundidade máxima radicular.
Adaptado: Battisti e Sentelhas (2017), apud. Debiasi; Franchini; Balbinot Junior (2026)

Esses resultados reforçam a importância de favorecer o aprofundamento e a distribuição das raízes da soja ao longo do perfil do solo como estratégia para aumentar a capacidade das plantas de acessar a água disponível e mitigar os efeitos do déficit hídrico. Essa característica ganha ainda mais relevância em safras sob influência dos fenômenos ENSO, como El Niño e La Niña, especialmente nas regiões em que esses fenômenos favorecem a redução do volume e a irregularidade das precipitações, contribuindo para aumentar a resiliência das lavouras e reduzir os riscos de perdas de produtividade.



Referências:

BATTISTI, R.; SENTELHAS, P. C. IMPROVEMENT OF SOYBEAN RESILIENCE TO DROUGHT THROUGH DEEP ROOT SYSTEM IN BRAZIL. Agronomy Journal, 2017. Disponível em: < https://acsess.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.2134/agronj2017.01.0023 >, acesso em: 29/10/2026.

DEBIAISI, H.; FRANCHINI, J. C.; BALBINOT JUNIOR, A. A. MANEJO DO SOLO PARA REDUZIR PERDAS POR SECA NA SOJA. Embrapa Soja, Tópicos agronômicos sobre enfrentamento da seca na soja, Cap. 5, 2026. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1187158/1/DOC-486.pdf >, acesso em: 29/10/2026.

INMET. PREVISÃO DE EL NIÑO EM 2026 E POSSÍVEIS IMPACTOS NA AGRICULTURA. Instituto Nacional de Meteorologia, 2026. Disponível em: < https://portal.inmet.gov.br/uploads/notastecnicas/Nota-T%C3%A9cnica.pdf >, acesso em: 29/10/2026.

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ORDOÑEZ, M. A. G. O QUE O PRODUTOR PODE FAZER PARA SER MAIS RESILIENTE À SECA PENSANDO NO “SUPER EL NIÑO” DA PRÓXIMA SAFRA? Mais Soja, 2026. Disponível em: < https://maissoja.com.br/o-que-o-produtor-pode-fazer-para-ser-mais-resiliente-a-seca-pensando-no-super-el-nino-da-proxima-safra/ >, acesso em: 29/10/2026.



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