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6 de novembro de 2026

Sustentabilidade

Clima extremo pode aumentar a produção de soja, mas reduzir sua qualidade, aponta estudo do CeMEAI – MAIS SOJA

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Maior produtor de soja do mundo, o Brasil tem sua balança comercial fortemente atrelada ao grão. Além da importância econômica, a cultura da soja é considerada um pilar fundamental para a segurança alimentar no mundo, sendo amplamente utilizada na produção de alimentos, ração animal, biocombustíveis e em insumos da indústria cosmética. Diante dessa relevância, pesquisadores da USP São Carlos uniram suas expertises para prever como a cultura pode ser afetada por condições como altas temperaturas, seca e níveis elevados de gás carbônico – características cada vez mais presentes no contexto da emergência climática. 

Publicado na revista Food Research International, o estudo contou com a participação da pesquisadora Cibele Russo, do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), e combinou experimentos biológicos com modelagem estatística e inteligência artificial (IA).

“A pesquisa inova ao articular uma modelagem estatística tradicional, baseada em modelos lineares generalizados e planejamento de experimentos, com técnicas de aprendizado de máquina, utilizadas para simular cenários que não podem ser reproduzidos com facilidade em laboratório”, explica a docente do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos.

A expectativa dos pesquisadores era que os efeitos combinados dos estresses ambientais iriam reduzir drasticamente a produção do grão. No entanto, segundo a doutoranda Janaina da Silva Fortirer, do Programa Interunidades de Pós-graduação em Bioinformática, a simulação revelou um comportamento diferente. 

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“O aumento da concentração de gás carbônico impulsiona a produção de soja, ao mitigar parte dos danos causados pelas altas temperaturas e pela seca. Entretanto, se por um lado há aumento da biomassa e do rendimento dos grãos, por outro esse ganho vem acompanhado de uma queda na qualidade nutricional”, relata a primeira autora do artigo. 

Compreender essa dinâmica, segundo a pesquisadora, é fundamental para orientar estudos futuros e antecipar os impactos das mudanças climáticas na agricultura do país.

Como a pesquisa foi feita

Para chegar a esses resultados, os pesquisadores partiram de experimentos conduzidos em condições que simulavam cenários futuros, com variações de temperatura, disponibilidade de água e concentração de gás carbônico, tanto de forma isolada quanto em combinações duplas. A plantação foi acompanhada durante todo o ciclo de desenvolvimento da planta, com dados sendo coletados no início, na fase intermediária e ao final, com 125, quando foi feita a colheita.

Os grãos da soja passaram então por uma análise bioquímica detalhada, que incluiu a medição de proteínas, lipídios, açúcares, amido e aminoácidos. Essa etapa permitiu avaliar não apenas a produtividade, mas também as alterações na qualidade nutricional da soja sob diferentes condições ambientais.

Com base nesses dados, os pesquisadores aplicaram modelos lineares generalizados, uma abordagem estatística capaz de lidar com relações não lineares entre as variáveis. “Levando em conta as especificidades dos dados, propus o uso desses modelos, o que nos permitiu avaliar a interação entre os diferentes fatores e seus efeitos sobre a produção e a qualidade do grão”, explica Cibele.Entretanto, os pesquisadores também queriam analisar o chamado “efeito triplo”, que envolve a ação simultânea de gás carbônico elevado, altas temperaturas e seca. Segundo Janaina, reproduzir essas três condições ao mesmo tempo em laboratório ainda é difícil em muitos contextos. “Tínhamos os dados de cada condição separadamente, mas não era possível reunir os três fatores ao mesmo tempo no laboratório. Simular os três agentes ao mesmo tempo exige uma estrutura complexa, além de alto investimento e tempo para implementação”, afirma.

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Diante desse desafio, a equipe recorreu à ciência de dados. Utilizando os resultados dos experimentos duplos como base, foram aplicados algoritmos de aprendizado de máquina para simular o efeito combinado dos três fatores. Entre os modelos testados, o XGBoost apresentou maior precisão nas previsões.

As simulações indicaram que, sob o efeito triplo, a soja apresentaria aumento de 35% nos açúcares solúveis e de até 175% nos aminoácidos. Por outro lado, os resultados apontaram uma redução de 20% no amido e de cerca de 6% no teor de proteína dos grãos, evidenciando o impacto direto das mudanças climáticas na qualidade nutricional da soja.

“Essa perda é um ponto de atenção tanto para a segurança alimentar quanto para as políticas de exportação, já que o valor nutricional é um fator estratégico para a competitividade da soja brasileira”, afirma Janaina.

Aplicação das Ciências de Dados 

O avanço da pesquisa conduzida pela doutoranda Janaina Fortirer só se tornou possível a partir da incorporação de ferramentas da ciência de dados. Formada em Biologia, ela buscou, em 2024, o MBA em Ciências de Dados do ICMC e do CeMEAI para aprofundar seus conhecimentos em estatística e aprendizado de máquina e, assim, conseguir lidar com a análise de um conjunto de dados experimentais.

“Os experimentos haviam sido realizados entre 2019 e 2020, mas as informações permaneceram sem exploração por anos. Faltava, até então, uma abordagem metodológica capaz de extrair respostas mais complexas desses dados”, comenta Janaina.

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Foi nesse contexto que surgiu a parceria com a professora Cibele, que atuou como orientadora no MBA e passou a colaborar diretamente com a pesquisa.  

“O trabalho ficou muito interessante porque a gente conseguiu mobilizar diferentes abordagens ao longo do processo. Eu costumo dizer aos alunos que o cientista de dados constrói uma espécie de caixa de ferramentas, que vai sendo ampliada ao longo da formação. E quanto mais ferramentas ele tem, melhor tende a ser a qualidade dos modelos e das previsões”, explica Cibele. 

Para a doutoranda, o tipo de abordagem proposta na pesquisa abre caminho para aplicações práticas no campo. “A partir de dados coletados ainda nas fases iniciais do cultivo, produtores podem estimar a produtividade da lavoura e antecipar decisões de manejo, reduzindo riscos e perdas. Além disso, os resultados contribuem para o desenvolvimento de cultivares mais resistentes a condições extremas, cada vez mais frequentes em cenários de mudanças climáticas”, diz.

A pesquisa também reforça que a qualidade do grão é tão estratégica quanto a quantidade produzida. Para consumo alimentar, o teor de proteína é um dos principais critérios. Já na produção de óleo, outros componentes ganham relevância.

“Dependendo da finalidade, as características da soja ganham pesos diferentes. No caso do óleo, por exemplo, o teor de ácido linolênico precisa ser monitorado, porque variações podem afetar o odor e a qualidade do produto final”, explica Janaina.

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Para a docente do MBA em Ciências de Dados, a publicação do estudo em uma revista de alto impacto, com fator de impacto 8.0 e classificação Qualis A1 na área de Ciência de Alimentos, reforça a relevância da pesquisa e o potencial da integração entre diferentes áreas do conhecimento para enfrentar desafios complexos como os impostos pelas mudanças climáticas.

Fonte: Assessoria de imprensa



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Sustentabilidade

Semeadura do arroz irrigado alcança 75,70% da área prevista no Rio Grande do Sul. – MAIS SOJA

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A semeadura do arroz irrigado para a Safra 2026/27 avança no Rio Grande do Sul. Conforme levantamento atualizado em 5 de novembro, 652.207,5 hectares já foram semeados, o equivalente a 75,70% da intenção de semeadura prevista para o ciclo, de 861.778,96 hectares.

Entre as regiões produtoras, a Zona Sul soma 98,7% da área prevista semeada. Na sequência, a Fronteira Oeste registra 92,54% da área prevista.

Nas demais regiões, a Campanha contabiliza 65,51% da intenção regional, enquanto a Planície Costeira Externa registra 64,10%. A Planície Costeira Interna soma 63,02% da área prevista, e a Região Central registra 45,58% da intenção regional.

O acompanhamento da evolução da semeadura é realizado por meio de levantamentos periódicos das equipes regionais, com consolidação dos dados pela Diretoria de Assistência Técnica e Extensão Rural (Dater) do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). As informações permitem monitorar o andamento das operações de campo nas principais regiões produtoras do Estado ao longo da safra.

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Fonte: IRGA



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Sustentabilidade

Para 2026/27, Rabobank projeta estabilidade na área plantada de soja do Brasil – MAIS SOJA

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Embora 2026 tenha sido um ano de margens mais apertadas para os produtores de grãos no Brasil, a cadeia da soja deverá encerrar a temporada com volumes recordes. A combinação de uma safra excepcional com uma demanda global ainda robusta sustentou exportações e processamento doméstico em níveis historicamente elevados.

Na safra 2025/26, a área plantada com soja no Brasil avançou para aproximadamente 49 milhões de hectares, mesmo diante de juros elevados e condições de crédito mais restritivas. Somada a uma produtividade acima da tendência, essa expansão levou a produção a cerca de 182 milhões de toneladas, um novo recorde para o país. A produção acima das expectativas iniciais trouxe algum alívio à rentabilidade dos produtores, mas foi insuficiente para compensar integralmente a deterioração das margens em relação ao que se projetava no início da safra.

O desempenho excepcional não ficou restrito à produção. As exportações brasileiras de soja em grão caminham para atingir 114 milhões de toneladas, favorecidas principalmente pela menor presença dos Estados Unidos no mercado chinês. Com os embarques norte-americanos para a China limitados a aproximadamente 12 milhões de toneladas entre setembro de 2025 e agosto de 2026, os compradores chineses ampliaram sua dependência da oferta sul-americana. Esse movimento sustentou a demanda pelo produto brasileiro e contribuiu para a valorização dos prêmios de exportação ao longo dos meses.

No mercado doméstico, a indústria processadora também operou em ritmo recorde. O esmagamento deverá alcançar 63 milhões de toneladas, sustentado pelas margens robustas observadas sobretudo ao longo do primeiro semestre.

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A valorização do petróleo, em meio à persistência das tensões geopolíticas, estimulou a demanda por óleo vegetal e fortaleceu a rentabilidade do setor. Embora o adiamento da implementação da mistura obrigatória B16 tenha reduzido parte do otimismo inicial, as margens permaneceram historicamente atrativas durante boa parte do ano. Esse cenário começou a perder força na segunda metade da temporada, à medida que a recuperação dos prêmios de exportação intensificou a competição pela matéria-prima.

Apesar desse ambiente favorável do lado da demanda, a evolução dos preços foi bastante distinta quando observada em dólares e em reais. Entre janeiro e outubro de 2026, as cotações da soja na CBOT avançaram cerca de 15%, enquanto os preços em reais registraram alta de apenas 1%. A principal explicação para essa divergência foi a valorização do real frente ao dólar, que limitou a transmissão da recuperação das cotações internacionais para os preços domésticos. Esse movimento contribuiu para manter a rentabilidade do produtor brasileiro mais pressionada, mesmo em um contexto de melhora dos preços internacionais.

Para a safra 2026/27, o RaboResearch projeta estabilidade na área plantada de soja, em torno de 49 milhões de hectares. Após os resultados excepcionais da temporada anterior, a expectativa é de retorno da produtividade para níveis mais próximos da tendência, levando a produção brasileira a aproximadamente 178 milhões de toneladas, o segundo maior volume da série histórica. Embora os elevados custos financeiros continuem pressionando os produtores que ainda atravessam um processo de desalavancagem, a soja preserva sua atratividade relativa e deverá seguir como a principal opção de cultivo em grande parte das regiões agrícolas do país.

As informações são do Rabobank – RaboResearch Food and Agribusiness – Novembro 2026.

Fonte: Agência Safras

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FONTE

Autor:Revisão: Rodrigo Ramos (rodrigo@safras.com.br) / Agência Safras

Site: Agência Safras

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Bioinsumos, drones e controle biológico fortalecem a produção de algodão no semiárido – MAIS SOJA

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Tecnologias apresentadas na ExpoCariri 2026 buscam reduzir perdas provocadas pela seca e pelas pragas, ampliar a eficiência do manejo e tornar a cotonicultura mais sustentável. O uso de bioinsumos, o controle biológico de pragas e as tecnologias de agricultura de precisão estão entre as estratégias para aumentar a resiliência e a sustentabilidade da produção de algodão no semiárido brasileiro. Esses temas foram apresentados por pesquisadores da Embrapa durante a ExpoCariri 2026, realizada em 30 de outubro, no Ceará, em uma programação voltada ao fortalecimento da cadeia produtiva do algodão e à difusão de tecnologias para pequenos, médios e grandes produtores.

As apresentações abordaram alternativas para enfrentar dois dos principais desafios da cotonicultura na região: a irregularidade das chuvas, associada às altas temperaturas, e a pressão de insetos-praga, especialmente o bicudo-do-algodoeiro. A proposta é integrar conhecimentos sobre solo, plantas e organismos benéficos, combinando práticas de manejo, biotecnologia e ferramentas digitais para reduzir perdas e melhorar o aproveitamento dos recursos disponíveis.

O pesquisador Paulo Barroso, da Embrapa Algodão, destacou que a biodiversidade presente no solo e nas plantas representa uma importante fonte de soluções para a agricultura. Segundo ele, os bioinsumos são produtos, processos ou tecnologias de origem biológica que incluem microrganismos, macrorganismos e substâncias produzidas por seres vivos, capazes de favorecer o desenvolvimento das plantas e contribuir para o controle de pragas e doenças.

O pesquisador explicou que o solo abriga milhares de espécies de microrganismos e pequenos organismos que interagem entre si e desempenham funções essenciais para o equilíbrio dos sistemas produtivos. Bactérias que fixam nitrogênio, fungos que controlam insetos e organismos que disponibilizam nutrientes são exemplos de recursos biológicos que podem ser incorporados ao manejo agrícola.

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“Quanto mais próximo a gente conseguir chegar com boas produtividades de um ambiente natural, melhor vai ser para o meio ambiente e maior sustentabilidade a gente vai ter”, ressaltou Barroso. Para ele, a agricultura precisa aproveitar a biodiversidade existente para reduzir os impactos ambientais sem comprometer a produtividade necessária ao abastecimento de alimentos e à produção de fibras.

Projeto CaatÁgua busca microrganismos adaptados à seca

Uma das iniciativas apresentadas foi o projeto CaatÁgua, desenvolvido com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em parceria com a Rede Borborema de Agroecologia e três unidades da Embrapa: Algodão, Recursos Genéticos e Biotecnologia e Meio Ambiente.

A pesquisa busca identificar bactérias associadas a plantas da Caatinga, especialmente cactáceas e algodoeiros mocó e herbáceo, capazes de ajudar as culturas agrícolas a enfrentar o estresse hídrico. A estratégia considera que os microrganismos presentes nas raízes e no solo próximo a elas, região conhecida como rizosfera, podem contribuir para a adaptação das plantas às condições ambientais adversas.

De acordo com Barroso, dezenas de bactérias das centenas inicialmente isoladas apresentaram resultados promissores em experimentos com tomateiro. Sob estresse hídrico moderado, plantas inoculadas mantiveram o turgor, enquanto aquelas sem inoculação apresentaram murcha. O processo de seleção das melhores bactérias continua com experimentos em casa de vegetação e deverão orientar novas etapas de seleção e testes em outras culturas e condições de campo.

A equipe também investiga fungos entomopatogênicos, capazes de infectar e matar insetos, para desenvolver alternativas de controle do bicudo-do-algodoeiro. Em testes de laboratório, isolados de Metarhizium da coleção da Embrapa apresentaram mortalidade superior a 80% dos insetos expostos ao fungo. O desafio agora é aprimorar as estratégias para que os organismos entrem em contato com a praga nas condições de cultivo.

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Barroso explicou que o desenvolvimento de novos bioinsumos exige avaliações de eficácia e segurança para as pessoas e o meio ambiente, além de procedimentos para obtenção de registro. A expectativa apresentada é que soluções para o controle do bicudo, incluindo alternativas biológicas, possam estar disponíveis em um horizonte de três a seis anos, dependendo dos resultados das pesquisas e dos processos regulatórios.

O pesquisador também chamou a atenção para os cuidados necessários na produção de bioinsumos nas propriedades rurais, modalidade conhecida como on-farm. Embora a legislação permita essa produção, o processo exige conhecimento técnico, infraestrutura e controle de qualidade para evitar contaminações por microrganismos patogênicos e assegurar a concentração adequada dos organismos desejados.

Auras contribui para a tolerância das plantas ao estresse climático

Outro destaque da programação foi a tecnologia Auras, desenvolvida pela Embrapa em parceria com a empresa NOOA e apresentada por Lucas Carvalho, representante da empresa. O produto utiliza a bactéria Priestia aryabhattai, anteriormente classificada como Bacillus aryabhattai, isolada no contexto de pesquisas sobre a adaptação de plantas da Caatinga às condições de seca.

A bactéria apresenta mais de 126 genes relacionados à resposta ao estresse abiótico. Aplicada às sementes ou no sulco de plantio, ela atua em associação com as raízes e contribui para o desenvolvimento radicular, a retenção de água nos tecidos vegetais, a ativação de enzimas antioxidantes e a disponibilização de nutrientes.

“Segundo Lucas Carvalho, a tecnologia procura ampliar a capacidade de resposta das plantas diante de condições adversas, como deficiência hídrica, temperaturas elevadas e excesso de água. A associação entre a planta e os microrganismos benéficos pode ajudar a preservar as estruturas celulares durante o estresse e favorecer a retomada do crescimento quando as condições ambientais melhoram.

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Na cultura do algodão, a resposta média de proteção produtiva apresentada foi de aproximadamente 18 arrobas por hectare em condições de estresse. A recomendação de uso informada é de 200 mililitros por hectare no sulco de plantio ou quatro mililitros por quilo de sementes. O produto também apresenta resultados em soja e milho.

O palestrante ressaltou que o produtor não consegue controlar o clima, mas pode preparar melhor a lavoura para enfrentar suas variações. Nesse sentido, o manejo biológico complementa o melhoramento genético e as práticas agronômicas, ajudando a reduzir perdas de produtividade. O palestrante ressaltou que o produtor não consegue controlar o clima, mas pode preparar melhor a lavoura para enfrentar suas variações. Nesse sentido, o manejo biológico complementa o melhoramento genético e as práticas agronômicas, ajudando a reduzir perdas de produtividade.

Manejo integrado busca reduzir perdas com o bicudo

O manejo integrado de pragas (MIP) foi apresentado pelo pesquisador Fábio Aquino de Albuquerque, da Embrapa Algodão, que chamou a atenção para a importância de combinar diferentes estratégias de controle. O algodoeiro pode abrigar cerca de 30 espécies de insetos, mas aproximadamente meia dúzia representa ameaça econômica relevante nas condições brasileiras.

Entre elas está o bicudo-do-algodoeiro, praga que se estabeleceu no País na década de 1980 e teve papel importante na enorme redução da área de algodão no Nordeste. Altamente adaptado à cultura, o inseto pode permanecer em plantas voluntárias e áreas antigas de algodão, mesmo depois de muitos anos sem cultivo comercial.

Para Albuquerque, uma das medidas mais importantes e econômicas de prevenção é o vazio sanitário, período em que não deve haver plantas vivas de algodão nas áreas de produção. A eliminação de rebrotas e plantas remanescentes interrompe a disponibilidade de alimento e locais de reprodução para o bicudo, reduzindo a população da praga entre as safras.

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Experimentos apresentados pelo pesquisador demonstraram a importância dessa prática. Em uma área na qual foi simulada a ausência do vazio sanitário, permitindo a rebrota de plantas podadas, a infestação inicial de bicudos chegou a aproximadamente 40% na primeira amostragem. Isso ocorre porque plantas adultas rebrotam rapidamente e voltam a emitir estruturas reprodutivas, oferecendo condições para a multiplicação do inseto.

O pesquisador também destacou a importância de preservar inimigos naturais presentes no ambiente, como parasitoides e predadores. Entre os organismos de interesse estão Bracon vulgaris e Catolaccus grandis, este último associado à tecnologia de controle biológico conhecida como Jaliscoa.

Outro desafio é a resistência de insetos às tecnologias de controle. Albuquerque observou que o uso intensivo de cultivares com tecnologia Bt, sem áreas de refúgio adequadas, contribuiu para aumentar a pressão de seleção sobre populações de lagartas. Em algumas regiões produtoras, isso tem levado à necessidade de cinco a oito aplicações de inseticidas para o controle dessas pragas, em particular de Spodoptera.

A orientação é que o controle químico seja utilizado de forma racional, somente quando o monitoramento indicar que a população da praga atingiu o nível de controle, evitando pulverizações preventivas sucessivas que podem prejudicar organismos benéficos e provocar desequilíbrios no ambiente.

Drones ampliam eficiência do controle biológico

O pesquisador Tardelly de Andrade Lima, doutorando da Embrapa, apresentou tecnologias de drones para diferentes operações agrícolas, com destaque para a liberação de macrorganismos utilizados no controle biológico. Além dos equipamentos de imageamento e dos drones de pulverização, a Embrapa trabalha com uma tecnologia específica para dispersar insetos benéficos nas lavouras.

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O sistema utiliza pequenos tubetes para acondicionar os organismos e realizar a liberação durante o voo. A tecnologia permite distribuir parasitoides e outros agentes de controle biológico sem a necessidade de deslocamento manual de trabalhadores por toda a área cultivada.

Segundo Lima, com o equipamento é possível cobrir um hectare em aproximadamente oito minutos, reduzindo o tempo e o esforço operacional. Entre os organismos que podem ser liberados estão Jaliscoa grandis, utilizada no controle do bicudo, e espécies de Trichogramma, empregadas contra lagartas.

Para o controle do bicudo, a recomendação apresentada considera a liberação de aproximadamente 730 parasitoides por hectare. Cada tubete contém 30 indivíduos, sendo necessários cerca de 25 tubetes para cobrir um hectare. As liberações devem começar com o aparecimento dos primeiros botões florais, antes que a população da praga alcance o nível de controle.

O pesquisador também explicou que drones multiespectrais podem auxiliar no monitoramento das lavouras. Por meio de índices de vegetação, como o NDVI e o NDRE, é possível identificar diferenças de vigor e localizar áreas com possíveis problemas, como falhas no desenvolvimento, ataques de insetos ou doenças.

Esses mapas não identificam necessariamente a causa da anomalia, mas ajudam a direcionar as equipes de campo para os pontos que precisam de avaliação. Com isso, o monitoramento se torna mais eficiente e permite intervenções localizadas e oportunas.

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Tecnologias voltadas também à agricultura familiar

A adaptação das tecnologias à realidade dos pequenos produtores foi um dos pontos destacados durante a programação. Lima apresentou resultados de pesquisas para reduzir os custos de produção de parasitoides, substituindo materiais importados por alternativas mais acessíveis e reutilizáveis.

Em um dos experimentos, a substituição de um material utilizado na criação dos insetos permitiu reduzir custos e ampliar a capacidade de produção. Com uma equipe de duas pessoas, foi possível produzir cerca de 2.500 parasitoides por semana, segundo os dados apresentados.

O pesquisador Paulo Barroso também ressaltou que o Campo Experimental da Embrapa em Barbalha deverá funcionar como polo de testes e validação de tecnologias para a agricultura familiar, incluindo soluções para o controle do bicudo e para a tolerância das plantas à seca.

A integração entre bioinsumos, monitoramento por drones, controle biológico e práticas culturais representa um caminho para tornar a cotonicultura mais eficiente e menos dependente de aplicações sucessivas de produtos químicos. A expectativa é que a aproximação entre pesquisa, produtores e parceiros regionais contribua para ampliar o acesso às inovações e fortalecer a produção de algodão no semiárido.

Fonte: Embrapa

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FONTE

Autor:Cristina Tordin (MTb 28.499/SP) Embrapa Meio Ambiente

Site: Embrapa

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