Sustentabilidade
Case IH leva ecossistema completo de tecnologia e soluções para a Agrishow 2026 – MAIS SOJA

Foto de capa: Assessoria
A Case IH, marca da CNH, participa de mais uma edição da Agrishow apresentando um ecossistema integrado de produtos, soluções digitais e serviços. Para isso, são mais de 20 máquinas expostas, além de ativações imersivas no estande de mais de 8 mil m², o maior da feira.
“A Agrishow é a principal feira para nós na América Latina. É nela que reunimos e apresentamos o que há de mais tecnológico e vanguardista tanto para o agro de agora quanto para o futuro, em uma jornada de produtividade e sustentabilidade no campo”, diz Paulo Arabian, vice-presidente de Vendas da CNH para América Latina.
Com a proposta de guiar os visitantes para essa jornada em todas as etapas do ciclo produtivo, o estande terá em seu centro o espaço dedicado para Inovação e Tecnologia, com demonstrações de soluções digitais e serviços voltados para conectividade, gestão de dados e de frota, manutenção preventiva e treinamentos.
Em sua volta, será possível seguir conhecendo as máquinas da Case IH que estarão divididas em soluções de plantio, com tratores e plantadeiras; soluções em pulverização, com pulverizadores autopropelidos, drone de aplicação e tecnologias; colheita de grãos, com colheitadeiras e plataformas; além da colheita de cana, com um espaço dedicado para as máquinas movidas a etanol, que apresentará novidades sobre o projeto.
“Tudo foi pensado para mostrar, de forma prática, como estamos ao lado dos produtores rurais com soluções que geram resultados reais no campo”, complementa Arabian.
Entre os destaques da Case IH na Agrishow 2026 estão:
Austoft 9000 Model Year 2026
Pioneira no desenvolvimento de colhedoras de cana-de-açúcar, a Case IH apresenta a nova Austoft 9000 Model Year 2026. Disponível em três modelos, com motor Cursor 11 de 420cv, conectividade embarcada de fábrica e Controle Inteligente de Alimentação, a colhedora ganhou atualizações importantes para oferecer mais performance e confiabilidade operacional.
Entre as evoluções estão:
- Nova arquitetura hidráulica dos rolos transportadores: com remoção dos motores dos rolos tombadores e alimentadores do circuito fechado do picador. Com isso, os rolos alimentadores estão mais rápidos, garantindo maior performance, simplicidade operacional e uma maior variação de comprimento de rebolo, o que deixa a máquina preparada de fábrica para a colheita de muda.
- Válvula do elevador: para aprimorar a confiabilidade das colhedoras, foi incorporada uma válvula antichoque ao circuito hidráulico de giro do elevador, atuando na absorção de picos de pressão gerados durante a operação.
- Sistema elétrico renovado: novo alternador Heavy Duty, que apresenta construção brushless, reforçada e totalmente vedada, além da nova bateria sem manutenção que garante maior capacidade de ciclos e durabilidade e a adição de melhorias das proteções, conexões elétricas e sensores, garantindo durabilidade e desempenho elétrico.
- Sistema de ar-condicionado: recebeu melhorias como tubos metálicos e revisão dos torques das conexões das mangueiras e dos pressostatos do sistema.
- Telemetria e Software: também ganharam melhorias com conectividade vitalícia para envio e recebimento de informações via Case IH FieldOps e acesso ao Manual do Operador de forma on-line, com link direto no display da máquina.
Axial-Flow série 160 Automation
A Case IH oferece uma família completa de colheitadeiras, das classes 5 a 10, com tecnologia e automação. A série 160, que compõe das classes 5 a 7 da marca, foi lançada em 2024, tendo sido eleita Machine Of the Year na ocasião, e recebe agora atualizações significativas em termos de servicibilidade, tecnologia e automação real.
O sistema industrial dessa linha já usa recursos de machine learning e inteligência artificial, para se autorregular, por meio de sensores, podendo realizar até 1.800 intervenções diárias na máquina durante a operação de colheita e assumindo até 90% das operações sem a necessidade de intervenções humanas.
A Axial-Flow série 160 Automation ganha agora também outros recursos autônomos embarcados, como a manobra de cabeceira automática e o compartilhamento de mapa entre as máquinas. Além de duplo monitor de última geração e o portal FieldOps que permite o monitoramento remoto da performance da máquina.
Saiba mais sobre as novas tecnologias:
- AccuTurn: função de manobra de cabeceira automática, que permite ao operador programar como prefere que a máquina execute a manobra, definindo parâmetros como direção e velocidade da curva, gatilho de giro automático e raio mínimo de giro – tudo sem intervenção manual. Esse sistema opera juntamente com o compartilhamento de dados entre as máquinas, evitando que a máquina manobre para uma área onde uma outra máquina está transitando ou já foi colhida.
- Accusync: permite o compartilhamento de dados e informações entre diversas máquinas em operação em tempo real, como dados de colheita, linhas A-B, bordaduras dos campos e mapas de cobertura.
- RowGuidance: exclusiva para a colheita de milho, o piloto automático permite a orientação da máquina entre as linhas de forma mais eficaz, evitando o amassamento o amassamento da cultura. Usando sensores instalados nas linhas, o sistema de direcionamento da máquina corrige qualquer desalinhamento da colheita em tempo real.
- Monitores Pro 1200: possuem capacidade de processamento superior e torna a operação ainda mais fácil e precisa. Como trabalham com o sistema Android, o mesmo usado em celulares, tornam a operação mais amigável, rápida e intuitiva. É possível configurar o sistema conforme a necessidade da operação, contando também com a troca facilitada de dados e diagnóstico e visualização remota. Isso abre possibilidade para decisões mais rápidas e eficientes.
Plataforma de grãos Draper FD2
A Case IH passa a produzir no Brasil as plataformas Draper FD2 da MacDon, permitindo a marca oferecer a mais completa gama de plataformas de corte do mercado, com modelos de 25, 50 e 61 pés. Para o projeto, foi investido mais de U$20 milhões em melhorias na linha de produção da fábrica em Curitiba (PR) e qualificação de mão de obra.
Com a nacionalização da produção, há maior disponibilidade mecânica e de performance do implemento, além de acesso facilitado à assistência técnica e peças de reposição, contando com a toda a rede de concessionários Case IH espalhados por todo o país.
Indicadas para as principais culturas de grãos, para colheitadeiras classes 5 a 11, as novas Plataformas Draper FD2 Case IH oferecem tecnologia de ponta com facilidade operacional. Elas possuem chassis articulado, ângulo de ataque ajustável e velocidade de esteira regulável. Em comparação com o antigo modelo da MacDon, a nova plataforma FD2 possui uma área de corte 25% maior, além de caixa de transmissão de alta velocidade e 43 cm de flutuação nas extremidades.
Plataformas de Milho
Na colheita de milho, a novidade fica por conta da nova linha de plataformas, em parceria com a MethalC. Preparadas para atender diferentes perfis de produtores, em diversas regiões e necessidades de colheita, a nova linha amplia a cobertura de portfólio da Case IH com robustez e durabilidade.
Serão três modelos oferecidos, com opções de 4 a 30 linhas e espaçamento de 45cm a 90cm, que oferecem proteção do acionamento lateral em alumínio com lubrificação contínua, piso em aço inox e abertura em 180º para facilitar o acesso às linhas laterais.
Saiba mais sobre os modelos oferecidos:
- BM+: com opções de 4 a 15 linhas, é considerada família de entrada da linha. Traz uma configuração técnica orientada à robustez e simplicidade com caixa de transmissão manual em ferro fundido, corpo da unidade de linha em aço, sem-fim único, cardan reforçado, chassi mais leve, piso em chapa de inox, deck do despigador com ajuste manual e sensor de altura opcional.
- Premium: com opções de 5 a 27 linhas, é para quem busca mais tecnologia embarcada e recursos operacionais. Possui o ajuste hidráulico do deck despigador feito de dentro da cabine e chapa defletora lateral, que contribui para reduzir perdas.
- Evolution: partindo de 23 linhas x 45 cm e 21 linhas x 50cm até 30 linhas , é voltada para operações que exigem maior escala, com robustez estrutural e máxima produtividade operacional. Possui acionamento central e híbrido, caixa e corpo de linha em alumínio, sem-fim triplo e chassi reforçado com aplicação em aço de alta resistência.
A 31ª edição da Agrishow será realizada entre os dias 27 de abril e 1º de maio, em Ribeirão Preto. O estande da Case IH fica na rua B, estande A14a.
A Case IH é líder global em equipamentos e soluções agrícolas, com mais de 180 anos de história e o compromisso de oferecer inovações com propósito, que tornam todas as operações mais produtivas, eficientes e rentáveis. Presente em mais de 170 países, a Case IH apoia produtores profissionais por meio de uma rede dedicada de concessionários e distribuidores experientes.
A Case IH oferece equipamentos avançados, tecnologia de precisão integrada e suporte confiável — todos desenvolvidos para ajudar os clientes a maximizar produtividade e desempenho. No Brasil, a Case IH disponibiliza um portfólio completo para otimizar as operações, incluindo colheitadeiras de grãos, colhedoras de cana, além de tratores com uma ampla faixa de potências, pulverizadores autopropelidos e plantadeiras.
A Case IH é uma marca da CNH Industrial N.V. (NYSE: CNH). Saiba mais em www.caseih.com.
Fonte: Assessoria de imprensa CASE IH
Sustentabilidade
Semeadura do arroz irrigado alcança 75,70% da área prevista no Rio Grande do Sul. – MAIS SOJA

A semeadura do arroz irrigado para a Safra 2026/27 avança no Rio Grande do Sul. Conforme levantamento atualizado em 5 de novembro, 652.207,5 hectares já foram semeados, o equivalente a 75,70% da intenção de semeadura prevista para o ciclo, de 861.778,96 hectares.
Entre as regiões produtoras, a Zona Sul soma 98,7% da área prevista semeada. Na sequência, a Fronteira Oeste registra 92,54% da área prevista.
Nas demais regiões, a Campanha contabiliza 65,51% da intenção regional, enquanto a Planície Costeira Externa registra 64,10%. A Planície Costeira Interna soma 63,02% da área prevista, e a Região Central registra 45,58% da intenção regional.
O acompanhamento da evolução da semeadura é realizado por meio de levantamentos periódicos das equipes regionais, com consolidação dos dados pela Diretoria de Assistência Técnica e Extensão Rural (Dater) do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). As informações permitem monitorar o andamento das operações de campo nas principais regiões produtoras do Estado ao longo da safra.
Fonte: IRGA

Sustentabilidade
Para 2026/27, Rabobank projeta estabilidade na área plantada de soja do Brasil – MAIS SOJA

Embora 2026 tenha sido um ano de margens mais apertadas para os produtores de grãos no Brasil, a cadeia da soja deverá encerrar a temporada com volumes recordes. A combinação de uma safra excepcional com uma demanda global ainda robusta sustentou exportações e processamento doméstico em níveis historicamente elevados.
Na safra 2025/26, a área plantada com soja no Brasil avançou para aproximadamente 49 milhões de hectares, mesmo diante de juros elevados e condições de crédito mais restritivas. Somada a uma produtividade acima da tendência, essa expansão levou a produção a cerca de 182 milhões de toneladas, um novo recorde para o país. A produção acima das expectativas iniciais trouxe algum alívio à rentabilidade dos produtores, mas foi insuficiente para compensar integralmente a deterioração das margens em relação ao que se projetava no início da safra.
O desempenho excepcional não ficou restrito à produção. As exportações brasileiras de soja em grão caminham para atingir 114 milhões de toneladas, favorecidas principalmente pela menor presença dos Estados Unidos no mercado chinês. Com os embarques norte-americanos para a China limitados a aproximadamente 12 milhões de toneladas entre setembro de 2025 e agosto de 2026, os compradores chineses ampliaram sua dependência da oferta sul-americana. Esse movimento sustentou a demanda pelo produto brasileiro e contribuiu para a valorização dos prêmios de exportação ao longo dos meses.
No mercado doméstico, a indústria processadora também operou em ritmo recorde. O esmagamento deverá alcançar 63 milhões de toneladas, sustentado pelas margens robustas observadas sobretudo ao longo do primeiro semestre.
A valorização do petróleo, em meio à persistência das tensões geopolíticas, estimulou a demanda por óleo vegetal e fortaleceu a rentabilidade do setor. Embora o adiamento da implementação da mistura obrigatória B16 tenha reduzido parte do otimismo inicial, as margens permaneceram historicamente atrativas durante boa parte do ano. Esse cenário começou a perder força na segunda metade da temporada, à medida que a recuperação dos prêmios de exportação intensificou a competição pela matéria-prima.
Apesar desse ambiente favorável do lado da demanda, a evolução dos preços foi bastante distinta quando observada em dólares e em reais. Entre janeiro e outubro de 2026, as cotações da soja na CBOT avançaram cerca de 15%, enquanto os preços em reais registraram alta de apenas 1%. A principal explicação para essa divergência foi a valorização do real frente ao dólar, que limitou a transmissão da recuperação das cotações internacionais para os preços domésticos. Esse movimento contribuiu para manter a rentabilidade do produtor brasileiro mais pressionada, mesmo em um contexto de melhora dos preços internacionais.
Para a safra 2026/27, o RaboResearch projeta estabilidade na área plantada de soja, em torno de 49 milhões de hectares. Após os resultados excepcionais da temporada anterior, a expectativa é de retorno da produtividade para níveis mais próximos da tendência, levando a produção brasileira a aproximadamente 178 milhões de toneladas, o segundo maior volume da série histórica. Embora os elevados custos financeiros continuem pressionando os produtores que ainda atravessam um processo de desalavancagem, a soja preserva sua atratividade relativa e deverá seguir como a principal opção de cultivo em grande parte das regiões agrícolas do país.
As informações são do Rabobank – RaboResearch Food and Agribusiness – Novembro 2026.
Fonte: Agência Safras
Autor:Revisão: Rodrigo Ramos (rodrigo@safras.com.br) / Agência Safras
Site: Agência Safras
Sustentabilidade
Bioinsumos, drones e controle biológico fortalecem a produção de algodão no semiárido – MAIS SOJA

Tecnologias apresentadas na ExpoCariri 2026 buscam reduzir perdas provocadas pela seca e pelas pragas, ampliar a eficiência do manejo e tornar a cotonicultura mais sustentável. O uso de bioinsumos, o controle biológico de pragas e as tecnologias de agricultura de precisão estão entre as estratégias para aumentar a resiliência e a sustentabilidade da produção de algodão no semiárido brasileiro. Esses temas foram apresentados por pesquisadores da Embrapa durante a ExpoCariri 2026, realizada em 30 de outubro, no Ceará, em uma programação voltada ao fortalecimento da cadeia produtiva do algodão e à difusão de tecnologias para pequenos, médios e grandes produtores.
As apresentações abordaram alternativas para enfrentar dois dos principais desafios da cotonicultura na região: a irregularidade das chuvas, associada às altas temperaturas, e a pressão de insetos-praga, especialmente o bicudo-do-algodoeiro. A proposta é integrar conhecimentos sobre solo, plantas e organismos benéficos, combinando práticas de manejo, biotecnologia e ferramentas digitais para reduzir perdas e melhorar o aproveitamento dos recursos disponíveis.
O pesquisador Paulo Barroso, da Embrapa Algodão, destacou que a biodiversidade presente no solo e nas plantas representa uma importante fonte de soluções para a agricultura. Segundo ele, os bioinsumos são produtos, processos ou tecnologias de origem biológica que incluem microrganismos, macrorganismos e substâncias produzidas por seres vivos, capazes de favorecer o desenvolvimento das plantas e contribuir para o controle de pragas e doenças.
O pesquisador explicou que o solo abriga milhares de espécies de microrganismos e pequenos organismos que interagem entre si e desempenham funções essenciais para o equilíbrio dos sistemas produtivos. Bactérias que fixam nitrogênio, fungos que controlam insetos e organismos que disponibilizam nutrientes são exemplos de recursos biológicos que podem ser incorporados ao manejo agrícola.
“Quanto mais próximo a gente conseguir chegar com boas produtividades de um ambiente natural, melhor vai ser para o meio ambiente e maior sustentabilidade a gente vai ter”, ressaltou Barroso. Para ele, a agricultura precisa aproveitar a biodiversidade existente para reduzir os impactos ambientais sem comprometer a produtividade necessária ao abastecimento de alimentos e à produção de fibras.
Projeto CaatÁgua busca microrganismos adaptados à seca
Uma das iniciativas apresentadas foi o projeto CaatÁgua, desenvolvido com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em parceria com a Rede Borborema de Agroecologia e três unidades da Embrapa: Algodão, Recursos Genéticos e Biotecnologia e Meio Ambiente.
A pesquisa busca identificar bactérias associadas a plantas da Caatinga, especialmente cactáceas e algodoeiros mocó e herbáceo, capazes de ajudar as culturas agrícolas a enfrentar o estresse hídrico. A estratégia considera que os microrganismos presentes nas raízes e no solo próximo a elas, região conhecida como rizosfera, podem contribuir para a adaptação das plantas às condições ambientais adversas.
De acordo com Barroso, dezenas de bactérias das centenas inicialmente isoladas apresentaram resultados promissores em experimentos com tomateiro. Sob estresse hídrico moderado, plantas inoculadas mantiveram o turgor, enquanto aquelas sem inoculação apresentaram murcha. O processo de seleção das melhores bactérias continua com experimentos em casa de vegetação e deverão orientar novas etapas de seleção e testes em outras culturas e condições de campo.
A equipe também investiga fungos entomopatogênicos, capazes de infectar e matar insetos, para desenvolver alternativas de controle do bicudo-do-algodoeiro. Em testes de laboratório, isolados de Metarhizium da coleção da Embrapa apresentaram mortalidade superior a 80% dos insetos expostos ao fungo. O desafio agora é aprimorar as estratégias para que os organismos entrem em contato com a praga nas condições de cultivo.
Barroso explicou que o desenvolvimento de novos bioinsumos exige avaliações de eficácia e segurança para as pessoas e o meio ambiente, além de procedimentos para obtenção de registro. A expectativa apresentada é que soluções para o controle do bicudo, incluindo alternativas biológicas, possam estar disponíveis em um horizonte de três a seis anos, dependendo dos resultados das pesquisas e dos processos regulatórios.
O pesquisador também chamou a atenção para os cuidados necessários na produção de bioinsumos nas propriedades rurais, modalidade conhecida como on-farm. Embora a legislação permita essa produção, o processo exige conhecimento técnico, infraestrutura e controle de qualidade para evitar contaminações por microrganismos patogênicos e assegurar a concentração adequada dos organismos desejados.
Auras contribui para a tolerância das plantas ao estresse climático
Outro destaque da programação foi a tecnologia Auras, desenvolvida pela Embrapa em parceria com a empresa NOOA e apresentada por Lucas Carvalho, representante da empresa. O produto utiliza a bactéria Priestia aryabhattai, anteriormente classificada como Bacillus aryabhattai, isolada no contexto de pesquisas sobre a adaptação de plantas da Caatinga às condições de seca.
A bactéria apresenta mais de 126 genes relacionados à resposta ao estresse abiótico. Aplicada às sementes ou no sulco de plantio, ela atua em associação com as raízes e contribui para o desenvolvimento radicular, a retenção de água nos tecidos vegetais, a ativação de enzimas antioxidantes e a disponibilização de nutrientes.
“Segundo Lucas Carvalho, a tecnologia procura ampliar a capacidade de resposta das plantas diante de condições adversas, como deficiência hídrica, temperaturas elevadas e excesso de água. A associação entre a planta e os microrganismos benéficos pode ajudar a preservar as estruturas celulares durante o estresse e favorecer a retomada do crescimento quando as condições ambientais melhoram.
Na cultura do algodão, a resposta média de proteção produtiva apresentada foi de aproximadamente 18 arrobas por hectare em condições de estresse. A recomendação de uso informada é de 200 mililitros por hectare no sulco de plantio ou quatro mililitros por quilo de sementes. O produto também apresenta resultados em soja e milho.
O palestrante ressaltou que o produtor não consegue controlar o clima, mas pode preparar melhor a lavoura para enfrentar suas variações. Nesse sentido, o manejo biológico complementa o melhoramento genético e as práticas agronômicas, ajudando a reduzir perdas de produtividade. O palestrante ressaltou que o produtor não consegue controlar o clima, mas pode preparar melhor a lavoura para enfrentar suas variações. Nesse sentido, o manejo biológico complementa o melhoramento genético e as práticas agronômicas, ajudando a reduzir perdas de produtividade.
Manejo integrado busca reduzir perdas com o bicudo
O manejo integrado de pragas (MIP) foi apresentado pelo pesquisador Fábio Aquino de Albuquerque, da Embrapa Algodão, que chamou a atenção para a importância de combinar diferentes estratégias de controle. O algodoeiro pode abrigar cerca de 30 espécies de insetos, mas aproximadamente meia dúzia representa ameaça econômica relevante nas condições brasileiras.
Entre elas está o bicudo-do-algodoeiro, praga que se estabeleceu no País na década de 1980 e teve papel importante na enorme redução da área de algodão no Nordeste. Altamente adaptado à cultura, o inseto pode permanecer em plantas voluntárias e áreas antigas de algodão, mesmo depois de muitos anos sem cultivo comercial.
Para Albuquerque, uma das medidas mais importantes e econômicas de prevenção é o vazio sanitário, período em que não deve haver plantas vivas de algodão nas áreas de produção. A eliminação de rebrotas e plantas remanescentes interrompe a disponibilidade de alimento e locais de reprodução para o bicudo, reduzindo a população da praga entre as safras.
Experimentos apresentados pelo pesquisador demonstraram a importância dessa prática. Em uma área na qual foi simulada a ausência do vazio sanitário, permitindo a rebrota de plantas podadas, a infestação inicial de bicudos chegou a aproximadamente 40% na primeira amostragem. Isso ocorre porque plantas adultas rebrotam rapidamente e voltam a emitir estruturas reprodutivas, oferecendo condições para a multiplicação do inseto.
O pesquisador também destacou a importância de preservar inimigos naturais presentes no ambiente, como parasitoides e predadores. Entre os organismos de interesse estão Bracon vulgaris e Catolaccus grandis, este último associado à tecnologia de controle biológico conhecida como Jaliscoa.
Outro desafio é a resistência de insetos às tecnologias de controle. Albuquerque observou que o uso intensivo de cultivares com tecnologia Bt, sem áreas de refúgio adequadas, contribuiu para aumentar a pressão de seleção sobre populações de lagartas. Em algumas regiões produtoras, isso tem levado à necessidade de cinco a oito aplicações de inseticidas para o controle dessas pragas, em particular de Spodoptera.
A orientação é que o controle químico seja utilizado de forma racional, somente quando o monitoramento indicar que a população da praga atingiu o nível de controle, evitando pulverizações preventivas sucessivas que podem prejudicar organismos benéficos e provocar desequilíbrios no ambiente.
Drones ampliam eficiência do controle biológico
O pesquisador Tardelly de Andrade Lima, doutorando da Embrapa, apresentou tecnologias de drones para diferentes operações agrícolas, com destaque para a liberação de macrorganismos utilizados no controle biológico. Além dos equipamentos de imageamento e dos drones de pulverização, a Embrapa trabalha com uma tecnologia específica para dispersar insetos benéficos nas lavouras.
O sistema utiliza pequenos tubetes para acondicionar os organismos e realizar a liberação durante o voo. A tecnologia permite distribuir parasitoides e outros agentes de controle biológico sem a necessidade de deslocamento manual de trabalhadores por toda a área cultivada.
Segundo Lima, com o equipamento é possível cobrir um hectare em aproximadamente oito minutos, reduzindo o tempo e o esforço operacional. Entre os organismos que podem ser liberados estão Jaliscoa grandis, utilizada no controle do bicudo, e espécies de Trichogramma, empregadas contra lagartas.
Para o controle do bicudo, a recomendação apresentada considera a liberação de aproximadamente 730 parasitoides por hectare. Cada tubete contém 30 indivíduos, sendo necessários cerca de 25 tubetes para cobrir um hectare. As liberações devem começar com o aparecimento dos primeiros botões florais, antes que a população da praga alcance o nível de controle.
O pesquisador também explicou que drones multiespectrais podem auxiliar no monitoramento das lavouras. Por meio de índices de vegetação, como o NDVI e o NDRE, é possível identificar diferenças de vigor e localizar áreas com possíveis problemas, como falhas no desenvolvimento, ataques de insetos ou doenças.
Esses mapas não identificam necessariamente a causa da anomalia, mas ajudam a direcionar as equipes de campo para os pontos que precisam de avaliação. Com isso, o monitoramento se torna mais eficiente e permite intervenções localizadas e oportunas.
Tecnologias voltadas também à agricultura familiar
A adaptação das tecnologias à realidade dos pequenos produtores foi um dos pontos destacados durante a programação. Lima apresentou resultados de pesquisas para reduzir os custos de produção de parasitoides, substituindo materiais importados por alternativas mais acessíveis e reutilizáveis.
Em um dos experimentos, a substituição de um material utilizado na criação dos insetos permitiu reduzir custos e ampliar a capacidade de produção. Com uma equipe de duas pessoas, foi possível produzir cerca de 2.500 parasitoides por semana, segundo os dados apresentados.
O pesquisador Paulo Barroso também ressaltou que o Campo Experimental da Embrapa em Barbalha deverá funcionar como polo de testes e validação de tecnologias para a agricultura familiar, incluindo soluções para o controle do bicudo e para a tolerância das plantas à seca.
A integração entre bioinsumos, monitoramento por drones, controle biológico e práticas culturais representa um caminho para tornar a cotonicultura mais eficiente e menos dependente de aplicações sucessivas de produtos químicos. A expectativa é que a aproximação entre pesquisa, produtores e parceiros regionais contribua para ampliar o acesso às inovações e fortalecer a produção de algodão no semiárido.
Fonte: Embrapa
Autor:Cristina Tordin (MTb 28.499/SP) Embrapa Meio Ambiente
Site: Embrapa
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