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30 de outubro de 2026

Sustentabilidade

Tratamento de sementes é ferramenta no manejo da cigarrinha-do-milho – MAIS SOJA

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A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) é o principal vetor da transmissão dos enfezamentos para o milho, e, portanto, o controle dessa praga é de suma importância para a manutenção do potencial produtivo da cultura. Sabe-se que dependendo da suscetibilidade do híbrido e período de desenvolvimento do milho em que ocorre a infecção dos enfezamentos, perdas de produtividade de até 70% podem ser observadas (Cota et al., 2021).

A capacidade de transmissão dos enfezamentos está relacionada a quantidade de cigarrinhas infectadas, e não a necessariamente a densidade populacional da praga, o que dificulta a definição de um nível de ação, dada a dificuldade de identificar indivíduos infectados. Nesse contexto, a presença da cigarrinha durante a fase crítica do desenvolvimento do milho justifica o controle da praga, principalmente em áreas com histórico de ocorrência dos enfezamentos, e/ou áreas próximas a outras lavouras de milho mais adiantadas.

O período crítico para o controle da praga varia de VE a V5, podendo se estender a V8 para híbridos mais suscetíveis. Sobretudo, as recomendações de manejo, sugerem que o controle da cigarrinha-do-milho deve ocorrer até os 40 dias após a emergência. Após esse período, não são observadas vantagens em função do controle do vetor (Cota et al., 2021).

Figura 1. Período Crítico de controle da cigarrinha-do-milho.

Considerando a importância do controle da cigarrinha-do-milho nos estádios iniciais de desenvolvimento da cultura, o tratamento de sementes com inseticidas é uma das estratégias que podem integrar o manejo da praga. Essa prática proporciona proteção inicial às plantas, contribuindo para o estabelecimento da lavoura e para a redução dos danos associados à transmissão dos enfezamentos. Além disso, o tratamento de sementes pode ampliar a janela de proteção inicial da cultura, favorecendo o planejamento e o posicionamento das aplicações foliares subsequentes.

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O tratamento de sementes deve ser realizado com inseticidas registrados e específicos para essa finalidade. De ação sistêmica, esses produtos são liberados no solo após a semeadura, sendo absorvidos pelas raízes durante o desenvolvimento inicial da planta e posteriormente translocados pelo sistema vascular para diferentes tecidos, incluindo raízes, colmo e folhas, proporcionando proteção inicial contra insetos.

Conforme destacado por Maneira (2021), o tratamento de sementes de milho com inseticidas, especialmente aqueles pertencentes ao grupo dos neonicotinoides, pode contribuir para a proteção inicial da cultura contra a cigarrinha-do-milho, com destaque para a eficiência e o efeito residual do imidacloprido. Entre os principais grupos químicos com produtos registrados no MAPA para o controle de Dalbulus maidis na cultura do milho estão carbamatos, piretróides e neonicotinóides, devendo-se observar, para cada produto, a indicação de cultura, alvo biológico e modalidade de aplicação constante no registro.

Além da escolha de um inseticida eficiente para o tratamento de sementes do milho, é importante considerar que o período de proteção proporcionado por essa modalidade de aplicação é limitado e pode variar conforme o produto, as condições ambientais e a pressão da praga. De modo geral, para fins de manejo, considera-se que o efeito residual dos inseticidas aplicados via tratamento de sementes se estende, em média, por 10 a 15 dias após a emergência da cultura. A partir desse período, aplicações de inseticidas em pós-emergência podem ser necessárias para manter a proteção das plantas, especialmente sob elevada pressão da cigarrinha-do-milho.

Em situações de alta infestação, a rápida capacidade de multiplicação e o curto ciclo de desenvolvimento da cigarrinha-do-milho exigem maior atenção ao monitoramento e ao intervalo entre aplicações. Nesses casos, as pulverizações podem ser realizadas em intervalos de 5 a 7 dias, conforme a ocorrência da praga, a eficiência e o residual do inseticida utilizado e as condições da lavoura. Embora apresente período de proteção limitado, o tratamento de sementes constitui uma importante ferramenta para o manejo inicial da cigarrinha-do-milho, contribuindo para a proteção das plantas nos primeiros estádios de desenvolvimento e para a redução dos riscos associados à transmissão dos enfezamentos.


Veja mais: Redução da produtividade da soja causada pelo milho tiguera



Referências:

COTA, L. V. et al. MANEJO DA CIGARRINHA E ENFEZAMENTOS NA CULTURA DO MKILHO. Embrapa milho e Sorgo, 2021. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1130346/manejo-da-cigarrinha-e-enfezamentos-na-cultura-do-milho >, acesso em: 14/09/2026.

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MANEIRA, R. FERRAMENTAS PARA O CONTROLE DA CIGARRINHA-DO-MILHO. Informativo Técnico Nortox, 2021. Disponível em :< https://portal-api.nortox.com.br:3000/technical-information/file/25516c6b-edba-47ce-ba1f-4d3d3dcea4e3.pdf >, acesso em: 14/09/2026.

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Sustentabilidade

Deral projeta safra de soja 2026/27 do Paraná em 22,748 milhões de toneladas, alta de 4% – MAIS SOJA

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O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, estimou, em seu relatório mensal de outubro, que a produção da safra de soja 2026/27 no Paraná deve atingir 22,7484 milhões de toneladas, crescimento de 4% em relação às 21,8016 milhões de toneladas projetadas para 2025/26.

A área plantada foi estimada em 5,7433 milhões de hectares, praticamente estável frente aos 5,7344 milhões de hectares de 2025/26. A produtividade média é projetada em 3.961 quilos por hectare, acima dos 3.802 quilos por hectare estimados para a temporada 2025/26.

Autor/Fonte: Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Agência Safras)

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Sustentabilidade

Plantio de soja alcança 10% da área no RS, mas chuvas e frio limitam avanço

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A semeadura da soja no Rio Grande do Sul alcançou 10% da área projetada, com os trabalhos mais avançados na porção Oeste do estado, segundo relatório semanal da Emater-RS, divulgado nesta quinta-feira (29). As lavouras já implantadas estão em fase de emergência e desenvolvimento vegetativo.

O avanço do plantio ocorre de forma irregular, condicionado pela elevada umidade do solo, pelas baixas temperaturas e pela reduzida luminosidade. Essas condições restringem as janelas de operação no campo e podem comprometer o estabelecimento da cultura em áreas encharcadas.

Apesar da lentidão inicial em parte do estado, as lavouras implantadas apresentam emergência satisfatória e estandes uniformes.

“A evolução da semeadura ainda depende da ocorrência de condições adequadas de trafegabilidade e umidade do solo”, destaca a Emater-RS.

A Emater/RS-Ascar estima o plantio de 6.645.384 hectares de soja no Rio Grande do Sul, com produtividade projetada em 3.183 quilos por hectare.

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Preços da soja no RS

Na comercialização, o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar indica estabilidade no valor médio da soja no estado, que permaneceu em R$ 138 por saca.

Na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, a soja disponível é cotada a R$ 144 por saca.

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Sustentabilidade

Raízes profundas aumentam a resiliência da soja aos efeitos do El Niño – MAIS SOJA

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As adversidades climáticas, especialmente aquelas relacionadas à distribuição e ao volume das precipitações, elevam os riscos associados ao cultivo de culturas de sequeiro, como a soja. Esses efeitos podem ser ainda mais expressivos sob a influência dos fenômenos que compõem o ENSO (El Niño-Oscilação Sul), capazes de alterar os padrões de chuva em diferentes regiões do Brasil.

Na safra 2026/27, a ocorrência de um El Niño de forte intensidade tem preocupado os agricultores brasileiros, reforçando a necessidade de planejamento e cautela na implantação e condução das lavouras de soja. No Brasil, o fenômeno está associado à tendência de redução das chuvas nas regiões Norte e Nordeste, além da porção norte das regiões Centro-Oeste e Sudeste, aumentando a frequência de períodos de estiagem. Esse cenário pode comprometer o desenvolvimento das lavouras e a disponibilidade hídrica, elevando o risco de perdas de produtividade, especialmente em sistemas de sequeiro (INMET, 2026).

As alterações nos padrões de precipitação podem resultar em perdas expressivas de produtividade, sobretudo quando os períodos de estiagem coincidem com fases críticas do desenvolvimento das culturas. Segundo o INMET (2026), sob influência do El Niño, a probabilidade de produtividades abaixo da média pode chegar a 80% para o trigo e a 60% para a aveia, dependendo da região de cultivo.

Em contrapartida, o El Niño costuma favorecer o aumento das precipitações na Região Sul do Brasil. Embora esse cenário geralmente reduza o risco de déficit hídrico, o excesso e a persistência das chuvas podem dificultar a implantação das lavouras, limitar a realização de práticas culturais e comprometer o desenvolvimento das plantas. Dessa forma, os impactos do fenômeno variam conforme a região, exigindo estratégias de manejo adaptadas às condições climáticas predominantes.

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Entre as principais estratégias para mitigar os efeitos do El Niño sobre a produtividade da soja, destacam-se o ajuste da época de semeadura e o manejo voltado ao aprofundamento e à melhor distribuição das raízes no perfil do solo. Essas práticas contribuem para reduzir a exposição das plantas a períodos de déficit hídrico nas fases mais sensíveis do ciclo e aumentar sua capacidade de explorar a água armazenada nas camadas mais profundas do solo. A adoção dessas estratégias é especialmente importante nas regiões em que o fenômeno tende a reduzir o volume de chuvas.

Uma análise desenvolvida pela equipe FieldCrops demonstrou que lavouras com raízes bem distribuídas ao longo do perfil do solo conseguem explorar a água disponível em camadas mais profundas, contribuindo para reduzir os impactos da estiagem. Em contrapartida, lavouras com maior concentração de raízes nas camadas superficiais tendem a apresentar perdas de produtividade mais expressivas sob condições de déficit hídrico (Ordoñez, 2026).

Figura 1. Relação entre a produtividade da soja e a distribuição das raízes da planta no perfil do solo.
Fonte: Equipe FieldCrops

Corroborando essas informações, Battisti e Sentelhas (2017) observaram que o aumento da profundidade máxima das raízes, em relação à profundidade de referência de 0,6 m, proporcionou ganhos expressivos de produtividade da soja, especialmente em regiões com maior risco de déficit hídrico. Os incrementos variaram de 210 a 1.260 kg ha⁻¹, conforme a região de cultivo e a suscetibilidade à deficiência hídrica (Debiasi; Franchini; Balbinot Junior, 2026).

Figura 2. Ganho de produtividade da soja para diferentes simulações de profundidade máxima de crescimento radicular, sendo para Cruz Alta/RS em uma condição de risco de déficit hídrico moderado, em Tapurah/MT para uma condição de risco de déficit hídrico baixo, e para a média geral de 24 localidades com diferentes níveis de risco por déficit hídrico em várias regiões sojícolas do Brasil. Foram utilizados dados climáticos dos anos de 1965 a 2016. Os incrementos de produtividade da soja foram calculados em comparação à produtividade modelada para 60 cm de profundidade máxima radicular.
Adaptado: Battisti e Sentelhas (2017), apud. Debiasi; Franchini; Balbinot Junior (2026)

Esses resultados reforçam a importância de favorecer o aprofundamento e a distribuição das raízes da soja ao longo do perfil do solo como estratégia para aumentar a capacidade das plantas de acessar a água disponível e mitigar os efeitos do déficit hídrico. Essa característica ganha ainda mais relevância em safras sob influência dos fenômenos ENSO, como El Niño e La Niña, especialmente nas regiões em que esses fenômenos favorecem a redução do volume e a irregularidade das precipitações, contribuindo para aumentar a resiliência das lavouras e reduzir os riscos de perdas de produtividade.



Referências:

BATTISTI, R.; SENTELHAS, P. C. IMPROVEMENT OF SOYBEAN RESILIENCE TO DROUGHT THROUGH DEEP ROOT SYSTEM IN BRAZIL. Agronomy Journal, 2017. Disponível em: < https://acsess.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.2134/agronj2017.01.0023 >, acesso em: 29/10/2026.

DEBIAISI, H.; FRANCHINI, J. C.; BALBINOT JUNIOR, A. A. MANEJO DO SOLO PARA REDUZIR PERDAS POR SECA NA SOJA. Embrapa Soja, Tópicos agronômicos sobre enfrentamento da seca na soja, Cap. 5, 2026. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1187158/1/DOC-486.pdf >, acesso em: 29/10/2026.

INMET. PREVISÃO DE EL NIÑO EM 2026 E POSSÍVEIS IMPACTOS NA AGRICULTURA. Instituto Nacional de Meteorologia, 2026. Disponível em: < https://portal.inmet.gov.br/uploads/notastecnicas/Nota-T%C3%A9cnica.pdf >, acesso em: 29/10/2026.

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ORDOÑEZ, M. A. G. O QUE O PRODUTOR PODE FAZER PARA SER MAIS RESILIENTE À SECA PENSANDO NO “SUPER EL NIÑO” DA PRÓXIMA SAFRA? Mais Soja, 2026. Disponível em: < https://maissoja.com.br/o-que-o-produtor-pode-fazer-para-ser-mais-resiliente-a-seca-pensando-no-super-el-nino-da-proxima-safra/ >, acesso em: 29/10/2026.



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