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5 de novembro de 2026

Sustentabilidade

Casa John Deere chega a Ribeirão Preto – MAIS SOJA

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A John Deere apresenta ao público da Agrishow 2026 mais de 20 lançamentos e um portfólio com mais de 25 equipamentos, tecnologias e soluções, consolidando um dos maiores ciclos de inovação da companhia no Brasil. As novidades contemplam diferentes perfis de produtores e etapas da operação, com foco em produtividade, eficiência operacional e conectividade.

Os principais destaques da Casa John Deere em Ribeirão Preto são as novas colhedoras de cana-de-açúcar CH7 e CH9; as plantadeiras PL1200 e DB transportável; os pulverizadores e distribuidores de nutrientes sólidos da série 400R; e a colheitadeira S4, preparada para trabalhar em terrenos acidentados e áreas com espaço de manobra reduzido; além de soluções para propriedades de menor porte, como a família de tratores 5M, o trator 3041E e o pulverizador 1025E.

“Mais do que ampliar o portfólio, esses lançamentos mostram como o agro brasileiro está avançando em direção a operações cada vez mais conectadas, eficientes e orientadas por dados. Nosso foco é democratizar a tecnologia e entregar soluções que se integrem à realidade de todos os tipos de produtor. Precisamos apoiar as tomadas de decisão ao longo de toda a jornada no campo”, explica Rodrigo Bonato, vice-presidente de Vendas e Marketing da John Deere para a América Latina.

Plantio: eficiência e precisão

A principal novidade é a plantadeira DB Transportável, que reduz em mais de 90% o tempo de preparação para deslocamentos entre fazendas, ampliando a eficiência logística durante a janela de plantio. Ou seja, um processo que antes levava dois dias agora pode ser concluído em duas horas. Com sistema de fechamento que atinge 3,2 metros de largura, o equipamento aumenta a agilidade logística e preserva a janela ideal de plantio.

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Já a linha 1200 FT amplia o acesso ao plantio de alta performance em pequenas e médias propriedades, com versões de 12 a 17 linhas e foco na adaptação a diferentes condições de
terreno.

No setor sucroenergético, a John Deere introduz uma nova solução que usa visão computacional para ajudar o cliente a monitorar cada linha plantada. A novidade documenta a taxa de cana distribuída e as falhas em tempo real, permitindo correções imediatas durante a operação. Trata-se do ExactStandTM, sistema instalado em plantadeira de cana-de-açúcar, com lançamento comercial previsto para 2027.

Pulverização: mais precisão e economia de insumos

A evolução do portfólio de pulverização começa com a série 400R, fabricada em Catalão (GO). Os modelos 430R, 440R e 400R ND trazem uma nova arquitetura eletrônica, motores
de 285 a 300 hp, barras de até 40 metros e melhorias que reduzem o tempo de abastecimento e ajustes operacionais.

Entre os diferenciais estão:

  • Redução de até 10% no tempo de abastecimento;
  • Até 50% menos tempo em ajustes e configurações;
  • Sistema CommandDriveTM, que pode gerar até 7% de economia de combustível;
  • Conectividade ampliada via satélite (JDLinkTM Boost).

O principal destaque é o sistema de pulverização inteligente da John Deere, o See & SprayTM, que pulveriza apenas onde há plantas daninhas. A tecnologia pode gerar:

  • Economia média de 50% em defensivos;
  • Potencial de até 93% de redução no uso de insumos;
  • Maior precisão nas aplicações, com ganhos em sustentabilidade.

O portfólio inclui ainda o distribuidor de nutrientes 400R DN, o pulverizador 230M com nova barra de 30 metros e soluções voltadas a pequenas propriedades e hortifrúti.

Colheita: automação e ganho de produtividade

Na colheita de grãos, a John Deere apresenta uma solução para auxiliar os produtores a ampliar a eficiência operacional. A nova plataforma de milho CR os ajuda a acompanhar o crescimento do etanol de milho no Brasil, com ajustes automáticos em tempo real. A solução reforça o papel da cultura como vetor estratégico para a produção de biocombustíveis no país.

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Outro lançamento é a colheitadeira S4, nova referência de qualidade dos grãos colhidos na categoria. O equipamento combina versatilidade e facilidade de operação, destacando-se pelo melhor desempenho em terrenos acidentados e áreas com menor espaço de manobra.

A solução também conta com a tecnologia Machine Sync, que garante sincronismo de velocidade e direção entre a colheitadeira e o trator de transbordo. As soluções se somam ao portfólio de colheitadeiras inteligentes da marca, com tecnologias de automação que podem proporcionar:

  • Até 20% mais produtividade;
  • Grãos com qualidade 10% maior;
  • Redução de 10% em perdas na colheita.
  • Cana-de-açúcar: nova geração com foco em eficiência e custo operacional

As colhedoras CH7 e CH9 representam um dos principais avanços da companhia para o setor sucroenergético, com melhorias que impactam diretamente a produtividade, qualidade da colheita e custo operacional.

Entre os principais destaques está o novo sistema de limpeza, projetado para operar com menores rotações do extrator primário e reduzir a presença de impurezas vegetais na cana colhida. Testes em condições representativas apontam:

  • Até 20% menos impurezas vegetais, sem aumento de perdas;
  • Maior ATR (Açúcares Totais Recuperáveis), indicador que mede o potencial de produção de açúcar e etanol da matéria-prima;
  • Mais valor entregue à usina e ganhos logísticos.

A eficiência energética também é um dos pilares da geração. As melhorias no sistema hidráulico, no conjunto de tração e no próprio sistema de limpeza permitem uma redução de até 10% no consumo de combustível por tonelada colhida no modelo CH7, impactando diretamente o custo operacional. Outro diferencial está nos recursos de ajuste remoto, que permitem envio de parâmetros diretamente à máquina via John Deere Operations CenterTM, plataforma digital de gestão agrícola da companhia que centraliza dados da operação, máquinas e lavouras, permitindo monitoramento, planejamento e tomada de decisão à distância. Isso favorece:

  • Padronização de configurações entre diferentes frentes de colheita;
  • Melhor performance operacional;
  • Respostas mais rápidas às mudanças de condição do canavial.
Robustez e versatilidade

A linha de tratores 5M, produzida no Brasil e adaptada às condições da agricultura nacional, chega com modelos entre 85 e 120 cv, combinando robustez, conectividade e foco em custo operacional.

Já a fim de ampliar as opções para propriedades que demandam versatilidade, baixo custo operacional e dimensões mais compactas, a John Deere apresenta o trator 3041E. Com foco na pecuária, a série de forrageiras F8 traz avanços em qualidade de silagem e eficiência na alimentação do rebanho.

Construção

Na Casa John Deere em Ribeirão Preto, os equipamentos de Construção são apresentados com foco em produtividade, eficiência e menor custo operacional. A retroescavadeira 310 P se destaca pela economia de combustível e redução de custos de manutenção. Com um motor de 4,5 litros que opera com menor rotação e maior eficiência, a solução permite o monitoramento em tempo real do consumo e do desempenho, antecipando falhas e otimizando a operação.

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A motoniveladora 672 P combina alta potência, com até 250 hp, e precisão no nivelamento. É indicada também para o setor sucroenergético, onde atua na manutenção de carreadores, preparo de áreas e suporte à logística da colheita de cana, com recursos que automatizam o controle da lâmina, mantêm a inclinação desejada e reduzem o esforço do operador.

A escavadeira 130 P entrega ciclos mais rápidos e maior eficiência energética, com até 10% de economia de combustível. O equipamento conta com maior durabilidade dos componentes, o que reduz paradas para manutenção e aumenta a disponibilidade, enquanto a conectividade permite acompanhamento remoto e tomada de decisão mais ágil.

Já a pá-carregadeira 444 G alia versatilidade e alto desempenho. Com caçamba de até 1,9 m3 e alta capacidade de desagregação, é uma solução que entrega mais força para penetrar e soltar materiais compactados com facilidade. Isso resulta em ciclos mais rápidos
e maior produtividade, além de consumo até 18% mais eficiente e adaptação a diferentes implementos. Todos os equipamentos também são integrados ao John Deere Operations CenterTM.

Agricultura de precisão e conectividade

A John Deere amplia o acesso à tecnologia com o portfólio de Pacotes de Atualização, os Precision UpgradesTM, que permite modernizar máquinas em operação com soluções de conectividade, automação e agricultura de precisão. As soluções aumentam a eficiência, reduzem custos e ampliam a conectividade, permitindo que produtores adotem tecnologias avançadas em diferentes tipos de operação. São destaques na feira:

  • Pacote Essencial para Culturas Especiais: desenvolvido para culturas de alto valor, o conjunto contempla receptor, monitor e modem – que pode ser transferido entre diferentes máquinas na frota. O modelo funciona por meio de uma licença anual recorrente, reduzindo o investimento inicial e facilitando o acesso à agricultura de precisão em propriedades de diferentes perfis. A solução opera em conjunto com um sistema que ajusta automaticamente as doses de insumos em tempo real e aciona seções conforme a necessidade, evitando sobreposições, otimizando o uso de produtos e ampliando a astreabilidade das operações.
  • Pacote Essencial com piloto automático ATU 300: oferece mais precisão na condução, melhora a qualidade das atividades e reduz o cansaço do operador. Também contribui para reduzir a compactação do solo e aumentar a eficiência ao longo da safra.
  • 2100 MaxEmergeTM 5e: pacote de atualização voltado ao plantio, integrado ao sistema de Pressão Pneumática Ativa nas Linhas (APDF, em inglês). A solução garante precisão na deposição de sementes e consistência na profundidade de semeadura, com alto desempenho em velocidades de até 10 km/h. O desligamento linha a linha pode gerar até 7% de economia de sementes, enquanto o desligamento de até oito seções proporciona até 6% de economia de fertilizantes.
  • JDLinkTM Boost: solução de conectividade via satélite que amplia o acesso a dados em tempo real, monitoramento remoto das operações e suporte à tomada de decisão mesmo em regiões com pouca cobertura celular.
  • See & SprayTM Select: sistema de pulverização inteligente da John Deere que aplica herbicida apenas onde há a necessidade. Amplia a gama de equipamentos compatíveis e passa a estar disponível para mais opções de barras.
Banco John Deere

Durante a Agrishow, as soluções da John Deere podem ser acessadas com condições especiais por meio do Banco John Deere, que oferece linhas de financiamento voltadas à aquisição de equipamentos, adoção de tecnologias e serviços.

Na área agrícola, os destaques incluem linhas do Plano Safra 25/26, com opções como Pronaf, Moderfrota e financiamento em dólar, atendendo diferentes perfis de produtores e necessidades operacionais.

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Para o segmento de construção, há condições específicas como taxa zero em até 12 vezes e linhas via BNDES Mais Inovação, além de opções em moeda estrangeira. As ofertas também contemplam soluções de Pós-Vendas e modernização tecnológica, com condições facilitadas para peças, serviços e Pacotes de Atualização, ampliando o acesso às tecnologias mais avançadas da companhia.

Consórcio Nacional John Deere

Em parceria com a Randon Consórcios, o Consórcio Nacional John Deere é uma opção econômica, segura e flexível para a compra de máquinas e equipamentos da marca. A modalidade permite parcelar 100% do valor do bem, escolher o crédito desejado e, após a contemplação, definir qual equipamento adquirir, com pagamento à vista por meio da carta de crédito.

Os planos atendem toda a linha John Deere e oferecem liberdade na escolha de parcelas e prazos. Mais informações e simulações estão disponíveis, clicando aqui.

Sobre a John Deere

Não importa se você nunca dirigiu um trator, cortou a grama ou operou uma escavadeira. Com o papel de ajudar a produzir alimentos, fibras, energia e infraestrutura, a John Deere trabalha para cada pessoa no planeta. Tudo começou há quase 200 anos, com um arado de aço autolimpante. Hoje, a John Deere impulsiona a inovação nos setores de agricultura, construção, florestal, jardinagem, sistemas de energia e muito mais. Para mais informações
sobre a Deere & Company, acesse clicando aqui.

Fonte: Assessoria de imprensa

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Sustentabilidade

Semeadura do arroz irrigado alcança 75,70% da área prevista no Rio Grande do Sul. – MAIS SOJA

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A semeadura do arroz irrigado para a Safra 2026/27 avança no Rio Grande do Sul. Conforme levantamento atualizado em 5 de novembro, 652.207,5 hectares já foram semeados, o equivalente a 75,70% da intenção de semeadura prevista para o ciclo, de 861.778,96 hectares.

Entre as regiões produtoras, a Zona Sul soma 98,7% da área prevista semeada. Na sequência, a Fronteira Oeste registra 92,54% da área prevista.

Nas demais regiões, a Campanha contabiliza 65,51% da intenção regional, enquanto a Planície Costeira Externa registra 64,10%. A Planície Costeira Interna soma 63,02% da área prevista, e a Região Central registra 45,58% da intenção regional.

O acompanhamento da evolução da semeadura é realizado por meio de levantamentos periódicos das equipes regionais, com consolidação dos dados pela Diretoria de Assistência Técnica e Extensão Rural (Dater) do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). As informações permitem monitorar o andamento das operações de campo nas principais regiões produtoras do Estado ao longo da safra.

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Fonte: IRGA



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Sustentabilidade

Para 2026/27, Rabobank projeta estabilidade na área plantada de soja do Brasil – MAIS SOJA

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Embora 2026 tenha sido um ano de margens mais apertadas para os produtores de grãos no Brasil, a cadeia da soja deverá encerrar a temporada com volumes recordes. A combinação de uma safra excepcional com uma demanda global ainda robusta sustentou exportações e processamento doméstico em níveis historicamente elevados.

Na safra 2025/26, a área plantada com soja no Brasil avançou para aproximadamente 49 milhões de hectares, mesmo diante de juros elevados e condições de crédito mais restritivas. Somada a uma produtividade acima da tendência, essa expansão levou a produção a cerca de 182 milhões de toneladas, um novo recorde para o país. A produção acima das expectativas iniciais trouxe algum alívio à rentabilidade dos produtores, mas foi insuficiente para compensar integralmente a deterioração das margens em relação ao que se projetava no início da safra.

O desempenho excepcional não ficou restrito à produção. As exportações brasileiras de soja em grão caminham para atingir 114 milhões de toneladas, favorecidas principalmente pela menor presença dos Estados Unidos no mercado chinês. Com os embarques norte-americanos para a China limitados a aproximadamente 12 milhões de toneladas entre setembro de 2025 e agosto de 2026, os compradores chineses ampliaram sua dependência da oferta sul-americana. Esse movimento sustentou a demanda pelo produto brasileiro e contribuiu para a valorização dos prêmios de exportação ao longo dos meses.

No mercado doméstico, a indústria processadora também operou em ritmo recorde. O esmagamento deverá alcançar 63 milhões de toneladas, sustentado pelas margens robustas observadas sobretudo ao longo do primeiro semestre.

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A valorização do petróleo, em meio à persistência das tensões geopolíticas, estimulou a demanda por óleo vegetal e fortaleceu a rentabilidade do setor. Embora o adiamento da implementação da mistura obrigatória B16 tenha reduzido parte do otimismo inicial, as margens permaneceram historicamente atrativas durante boa parte do ano. Esse cenário começou a perder força na segunda metade da temporada, à medida que a recuperação dos prêmios de exportação intensificou a competição pela matéria-prima.

Apesar desse ambiente favorável do lado da demanda, a evolução dos preços foi bastante distinta quando observada em dólares e em reais. Entre janeiro e outubro de 2026, as cotações da soja na CBOT avançaram cerca de 15%, enquanto os preços em reais registraram alta de apenas 1%. A principal explicação para essa divergência foi a valorização do real frente ao dólar, que limitou a transmissão da recuperação das cotações internacionais para os preços domésticos. Esse movimento contribuiu para manter a rentabilidade do produtor brasileiro mais pressionada, mesmo em um contexto de melhora dos preços internacionais.

Para a safra 2026/27, o RaboResearch projeta estabilidade na área plantada de soja, em torno de 49 milhões de hectares. Após os resultados excepcionais da temporada anterior, a expectativa é de retorno da produtividade para níveis mais próximos da tendência, levando a produção brasileira a aproximadamente 178 milhões de toneladas, o segundo maior volume da série histórica. Embora os elevados custos financeiros continuem pressionando os produtores que ainda atravessam um processo de desalavancagem, a soja preserva sua atratividade relativa e deverá seguir como a principal opção de cultivo em grande parte das regiões agrícolas do país.

As informações são do Rabobank – RaboResearch Food and Agribusiness – Novembro 2026.

Fonte: Agência Safras

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FONTE

Autor:Revisão: Rodrigo Ramos (rodrigo@safras.com.br) / Agência Safras

Site: Agência Safras

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Sustentabilidade

Bioinsumos, drones e controle biológico fortalecem a produção de algodão no semiárido – MAIS SOJA

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Tecnologias apresentadas na ExpoCariri 2026 buscam reduzir perdas provocadas pela seca e pelas pragas, ampliar a eficiência do manejo e tornar a cotonicultura mais sustentável. O uso de bioinsumos, o controle biológico de pragas e as tecnologias de agricultura de precisão estão entre as estratégias para aumentar a resiliência e a sustentabilidade da produção de algodão no semiárido brasileiro. Esses temas foram apresentados por pesquisadores da Embrapa durante a ExpoCariri 2026, realizada em 30 de outubro, no Ceará, em uma programação voltada ao fortalecimento da cadeia produtiva do algodão e à difusão de tecnologias para pequenos, médios e grandes produtores.

As apresentações abordaram alternativas para enfrentar dois dos principais desafios da cotonicultura na região: a irregularidade das chuvas, associada às altas temperaturas, e a pressão de insetos-praga, especialmente o bicudo-do-algodoeiro. A proposta é integrar conhecimentos sobre solo, plantas e organismos benéficos, combinando práticas de manejo, biotecnologia e ferramentas digitais para reduzir perdas e melhorar o aproveitamento dos recursos disponíveis.

O pesquisador Paulo Barroso, da Embrapa Algodão, destacou que a biodiversidade presente no solo e nas plantas representa uma importante fonte de soluções para a agricultura. Segundo ele, os bioinsumos são produtos, processos ou tecnologias de origem biológica que incluem microrganismos, macrorganismos e substâncias produzidas por seres vivos, capazes de favorecer o desenvolvimento das plantas e contribuir para o controle de pragas e doenças.

O pesquisador explicou que o solo abriga milhares de espécies de microrganismos e pequenos organismos que interagem entre si e desempenham funções essenciais para o equilíbrio dos sistemas produtivos. Bactérias que fixam nitrogênio, fungos que controlam insetos e organismos que disponibilizam nutrientes são exemplos de recursos biológicos que podem ser incorporados ao manejo agrícola.

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“Quanto mais próximo a gente conseguir chegar com boas produtividades de um ambiente natural, melhor vai ser para o meio ambiente e maior sustentabilidade a gente vai ter”, ressaltou Barroso. Para ele, a agricultura precisa aproveitar a biodiversidade existente para reduzir os impactos ambientais sem comprometer a produtividade necessária ao abastecimento de alimentos e à produção de fibras.

Projeto CaatÁgua busca microrganismos adaptados à seca

Uma das iniciativas apresentadas foi o projeto CaatÁgua, desenvolvido com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em parceria com a Rede Borborema de Agroecologia e três unidades da Embrapa: Algodão, Recursos Genéticos e Biotecnologia e Meio Ambiente.

A pesquisa busca identificar bactérias associadas a plantas da Caatinga, especialmente cactáceas e algodoeiros mocó e herbáceo, capazes de ajudar as culturas agrícolas a enfrentar o estresse hídrico. A estratégia considera que os microrganismos presentes nas raízes e no solo próximo a elas, região conhecida como rizosfera, podem contribuir para a adaptação das plantas às condições ambientais adversas.

De acordo com Barroso, dezenas de bactérias das centenas inicialmente isoladas apresentaram resultados promissores em experimentos com tomateiro. Sob estresse hídrico moderado, plantas inoculadas mantiveram o turgor, enquanto aquelas sem inoculação apresentaram murcha. O processo de seleção das melhores bactérias continua com experimentos em casa de vegetação e deverão orientar novas etapas de seleção e testes em outras culturas e condições de campo.

A equipe também investiga fungos entomopatogênicos, capazes de infectar e matar insetos, para desenvolver alternativas de controle do bicudo-do-algodoeiro. Em testes de laboratório, isolados de Metarhizium da coleção da Embrapa apresentaram mortalidade superior a 80% dos insetos expostos ao fungo. O desafio agora é aprimorar as estratégias para que os organismos entrem em contato com a praga nas condições de cultivo.

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Barroso explicou que o desenvolvimento de novos bioinsumos exige avaliações de eficácia e segurança para as pessoas e o meio ambiente, além de procedimentos para obtenção de registro. A expectativa apresentada é que soluções para o controle do bicudo, incluindo alternativas biológicas, possam estar disponíveis em um horizonte de três a seis anos, dependendo dos resultados das pesquisas e dos processos regulatórios.

O pesquisador também chamou a atenção para os cuidados necessários na produção de bioinsumos nas propriedades rurais, modalidade conhecida como on-farm. Embora a legislação permita essa produção, o processo exige conhecimento técnico, infraestrutura e controle de qualidade para evitar contaminações por microrganismos patogênicos e assegurar a concentração adequada dos organismos desejados.

Auras contribui para a tolerância das plantas ao estresse climático

Outro destaque da programação foi a tecnologia Auras, desenvolvida pela Embrapa em parceria com a empresa NOOA e apresentada por Lucas Carvalho, representante da empresa. O produto utiliza a bactéria Priestia aryabhattai, anteriormente classificada como Bacillus aryabhattai, isolada no contexto de pesquisas sobre a adaptação de plantas da Caatinga às condições de seca.

A bactéria apresenta mais de 126 genes relacionados à resposta ao estresse abiótico. Aplicada às sementes ou no sulco de plantio, ela atua em associação com as raízes e contribui para o desenvolvimento radicular, a retenção de água nos tecidos vegetais, a ativação de enzimas antioxidantes e a disponibilização de nutrientes.

“Segundo Lucas Carvalho, a tecnologia procura ampliar a capacidade de resposta das plantas diante de condições adversas, como deficiência hídrica, temperaturas elevadas e excesso de água. A associação entre a planta e os microrganismos benéficos pode ajudar a preservar as estruturas celulares durante o estresse e favorecer a retomada do crescimento quando as condições ambientais melhoram.

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Na cultura do algodão, a resposta média de proteção produtiva apresentada foi de aproximadamente 18 arrobas por hectare em condições de estresse. A recomendação de uso informada é de 200 mililitros por hectare no sulco de plantio ou quatro mililitros por quilo de sementes. O produto também apresenta resultados em soja e milho.

O palestrante ressaltou que o produtor não consegue controlar o clima, mas pode preparar melhor a lavoura para enfrentar suas variações. Nesse sentido, o manejo biológico complementa o melhoramento genético e as práticas agronômicas, ajudando a reduzir perdas de produtividade. O palestrante ressaltou que o produtor não consegue controlar o clima, mas pode preparar melhor a lavoura para enfrentar suas variações. Nesse sentido, o manejo biológico complementa o melhoramento genético e as práticas agronômicas, ajudando a reduzir perdas de produtividade.

Manejo integrado busca reduzir perdas com o bicudo

O manejo integrado de pragas (MIP) foi apresentado pelo pesquisador Fábio Aquino de Albuquerque, da Embrapa Algodão, que chamou a atenção para a importância de combinar diferentes estratégias de controle. O algodoeiro pode abrigar cerca de 30 espécies de insetos, mas aproximadamente meia dúzia representa ameaça econômica relevante nas condições brasileiras.

Entre elas está o bicudo-do-algodoeiro, praga que se estabeleceu no País na década de 1980 e teve papel importante na enorme redução da área de algodão no Nordeste. Altamente adaptado à cultura, o inseto pode permanecer em plantas voluntárias e áreas antigas de algodão, mesmo depois de muitos anos sem cultivo comercial.

Para Albuquerque, uma das medidas mais importantes e econômicas de prevenção é o vazio sanitário, período em que não deve haver plantas vivas de algodão nas áreas de produção. A eliminação de rebrotas e plantas remanescentes interrompe a disponibilidade de alimento e locais de reprodução para o bicudo, reduzindo a população da praga entre as safras.

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Experimentos apresentados pelo pesquisador demonstraram a importância dessa prática. Em uma área na qual foi simulada a ausência do vazio sanitário, permitindo a rebrota de plantas podadas, a infestação inicial de bicudos chegou a aproximadamente 40% na primeira amostragem. Isso ocorre porque plantas adultas rebrotam rapidamente e voltam a emitir estruturas reprodutivas, oferecendo condições para a multiplicação do inseto.

O pesquisador também destacou a importância de preservar inimigos naturais presentes no ambiente, como parasitoides e predadores. Entre os organismos de interesse estão Bracon vulgaris e Catolaccus grandis, este último associado à tecnologia de controle biológico conhecida como Jaliscoa.

Outro desafio é a resistência de insetos às tecnologias de controle. Albuquerque observou que o uso intensivo de cultivares com tecnologia Bt, sem áreas de refúgio adequadas, contribuiu para aumentar a pressão de seleção sobre populações de lagartas. Em algumas regiões produtoras, isso tem levado à necessidade de cinco a oito aplicações de inseticidas para o controle dessas pragas, em particular de Spodoptera.

A orientação é que o controle químico seja utilizado de forma racional, somente quando o monitoramento indicar que a população da praga atingiu o nível de controle, evitando pulverizações preventivas sucessivas que podem prejudicar organismos benéficos e provocar desequilíbrios no ambiente.

Drones ampliam eficiência do controle biológico

O pesquisador Tardelly de Andrade Lima, doutorando da Embrapa, apresentou tecnologias de drones para diferentes operações agrícolas, com destaque para a liberação de macrorganismos utilizados no controle biológico. Além dos equipamentos de imageamento e dos drones de pulverização, a Embrapa trabalha com uma tecnologia específica para dispersar insetos benéficos nas lavouras.

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O sistema utiliza pequenos tubetes para acondicionar os organismos e realizar a liberação durante o voo. A tecnologia permite distribuir parasitoides e outros agentes de controle biológico sem a necessidade de deslocamento manual de trabalhadores por toda a área cultivada.

Segundo Lima, com o equipamento é possível cobrir um hectare em aproximadamente oito minutos, reduzindo o tempo e o esforço operacional. Entre os organismos que podem ser liberados estão Jaliscoa grandis, utilizada no controle do bicudo, e espécies de Trichogramma, empregadas contra lagartas.

Para o controle do bicudo, a recomendação apresentada considera a liberação de aproximadamente 730 parasitoides por hectare. Cada tubete contém 30 indivíduos, sendo necessários cerca de 25 tubetes para cobrir um hectare. As liberações devem começar com o aparecimento dos primeiros botões florais, antes que a população da praga alcance o nível de controle.

O pesquisador também explicou que drones multiespectrais podem auxiliar no monitoramento das lavouras. Por meio de índices de vegetação, como o NDVI e o NDRE, é possível identificar diferenças de vigor e localizar áreas com possíveis problemas, como falhas no desenvolvimento, ataques de insetos ou doenças.

Esses mapas não identificam necessariamente a causa da anomalia, mas ajudam a direcionar as equipes de campo para os pontos que precisam de avaliação. Com isso, o monitoramento se torna mais eficiente e permite intervenções localizadas e oportunas.

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Tecnologias voltadas também à agricultura familiar

A adaptação das tecnologias à realidade dos pequenos produtores foi um dos pontos destacados durante a programação. Lima apresentou resultados de pesquisas para reduzir os custos de produção de parasitoides, substituindo materiais importados por alternativas mais acessíveis e reutilizáveis.

Em um dos experimentos, a substituição de um material utilizado na criação dos insetos permitiu reduzir custos e ampliar a capacidade de produção. Com uma equipe de duas pessoas, foi possível produzir cerca de 2.500 parasitoides por semana, segundo os dados apresentados.

O pesquisador Paulo Barroso também ressaltou que o Campo Experimental da Embrapa em Barbalha deverá funcionar como polo de testes e validação de tecnologias para a agricultura familiar, incluindo soluções para o controle do bicudo e para a tolerância das plantas à seca.

A integração entre bioinsumos, monitoramento por drones, controle biológico e práticas culturais representa um caminho para tornar a cotonicultura mais eficiente e menos dependente de aplicações sucessivas de produtos químicos. A expectativa é que a aproximação entre pesquisa, produtores e parceiros regionais contribua para ampliar o acesso às inovações e fortalecer a produção de algodão no semiárido.

Fonte: Embrapa

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FONTE

Autor:Cristina Tordin (MTb 28.499/SP) Embrapa Meio Ambiente

Site: Embrapa

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