Connect with us
18 de setembro de 2026

Business

Energia insuficiente faz produtor adiar investimentos e deixar atividade em Tapurah

Published

on


Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Em Tapurah, no Médio-Norte de Mato Grosso, a energia elétrica passou a ser um fator decisivo dentro das propriedades rurais. Quando a rede não acompanha a necessidade de máquinas, estruturas e sistemas de produção, investimentos são adiados, equipamentos ficam parados e atividades inteiras podem deixar de ser viáveis.

Na pecuária leiteira, o problema chegou ao ponto de contribuir para a saída de um produtor da atividade. Leandro Galvan chegou a trabalhar com 300 vacas leiteiras e produção de 2,3 mil litros de leite por dia, mas as falhas no fornecimento dificultavam a ordenha e comprometiam o funcionamento dos resfriadores.

“Chegava o momento de ordenhar uma vaca e faltar energia, principalmente na época da chuva”, lembra Leandro. Em algumas situações, conforme ele, o leite chegou a permanecer por até 12 horas sem refrigeração adequada e precisou ser descartado.

A interrupção da energia também afetava o manejo dos animais e poderia trazer consequências para a saúde do rebanho. “Se você não consegue tirar o leite no horário adequado para as vacas vai dar problema de úbere, vai dar mastite e outras doenças”, explica ao Canal Rural Mato Grosso.

Advertisement

O impacto chegava também ao patrimônio da propriedade. Uma vaca em produção representa, de acordo com Leandro, um custo de R$ 15 mil a R$ 18 mil. A soma dos problemas levou a família a abandonar a atividade. “Largamos a atividade por causa disso”, afirma.

tapurah foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Quando a infraestrutura impede o investimento

O caso de Leandro mostra o impacto da energia sobre uma atividade que já estava em funcionamento. Em outra propriedade de Tapurah, o problema aparece antes mesmo de um novo investimento começar a operar.

Gabriel Kirnev comprou equipamentos para instalar um reservatório de água e construir um barracão, mas não colocou o projeto em funcionamento porque a propriedade ainda não recebeu a ligação de energia necessária.

O material está parado há mais de um ano. Sem a estrutura, o abastecimento de água também precisa ser resolvido de forma improvisada. “A gente segue com um caminhão-pipa, buscando a água emprestada do vizinho”, conta Gabriel, que também precisa buscar água fora da propriedade para utilizar na lavoura.

A situação chama atenção pela distância relativamente curta até uma rede que poderia atender à demanda. Gabriel afirma que está próximo de um armazém com rede trifásica e que o trecho necessário para levar a energia até a propriedade é de cerca de 1,5 quilômetro. Ainda assim, recebeu uma estimativa de quase R$ 70 mil para a instalação.

O custo da extensão da rede é apenas parte do problema. Para o produtor, o maior impacto está na impossibilidade de saber quando poderá colocar em funcionamento aquilo que já comprou. Sem uma definição sobre a ligação, instalar a estrutura significaria deixar o investimento sem uso.

Advertisement

A situação interfere diretamente no planejamento da propriedade. Um sistema de armazenamento ou outros equipamentos de maior porte podem exigir energia trifásica, o que transforma a disponibilidade da rede em uma condição para decidir se o projeto será executado. “Às vezes a pessoa quer se equipar, quer começar um armazenamento e um sistema assim demanda trifásica também e aí a pessoa já pensa duas vezes”, afirma Gabriel.

A preocupação não se limita ao que ainda será instalado. Em outra propriedade, ele relata que as oscilações do fornecimento já provocam perdas frequentes. Segundo o produtor, há ocorrências em que a energia permanece interrompida por até cinco dias antes da chegada de um técnico.

Nesse cenário, equipamentos de uso cotidiano acabam danificados. Gabriel estima um gasto anual entre R$ 15 mil e R$ 20 mil com a substituição de aparelhos queimados pelas oscilações, incluindo ar-condicionado, geladeiras e freezers. “São incontáveis os materiais e eletrodoméstico que a gente acaba perdendo por conta da oscilação”, relata.

Para quem está no campo, portanto, a questão não se resume a ter ou não energia disponível. A qualidade e a estabilidade do fornecimento também entram na conta de quem avalia um novo investimento.

energia no campo foto pedro silvestre canal rural mato grosso1
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Trifásica ainda pesa no bolso do produtor

Para o presidente do Sindicato Rural de Tapurah, Dirceu Luiz Dezem, a dificuldade de acesso a uma rede trifásica de qualidade é um dos pontos que precisam ser enfrentados. Em algumas situações, o produtor precisa assumir o custo da implantação e aguardar a restituição posteriormente.

O modelo se torna mais difícil justamente para quem já tem pouca margem financeira para novos desembolsos. Com isso, propriedades permanecem utilizando redes monofásicas mesmo quando a atividade já exige uma estrutura mais robusta.

Advertisement

“Essas propriedades para fazer uma trifásica geralmente você tem que bancar e depois ser restituído pela companhia quando sobra algum dinheiro”, explica Dirceu.

A consequência ultrapassa os limites da propriedade. O fornecimento de energia interfere no funcionamento de armazéns, indústrias e estabelecimentos comerciais, todos ligados à dinâmica econômica criada pelo agronegócio.

Por isso, o dirigente defende que a solução seja tratada como uma necessidade de toda a região. “Toda a atividade precisa ter parceria, ninguém faz coisa sozinho”, afirma. Para ele, a expansão da infraestrutura precisa acompanhar o crescimento da produção.

Concessionária anuncia investimentos na rede

As reclamações dos produtores foram levadas à Energisa durante uma reunião com representantes do setor da região. A concessionária pontuou no encontro que vem ampliando a infraestrutura para atender ao aumento da demanda provocado pelo crescimento do agronegócio.

Robson Cléber Lima, coordenador da equipe de campo da empresa, afirma que ouvir os consumidores é uma forma de avaliar a qualidade do serviço em uma região onde a demanda cresce rapidamente. “Essa parcela da população tem crescido muito, então a gente tem trazido grandes projetos, trazido blocos de cargas porque todo dia cresce exponencialmente”, diz.

Advertisement

Entre as estruturas citadas pela empresa está uma nova instalação em Sorriso, destinada a ampliar a capacidade energética da região. A Energisa também informou ao setor produtivo que os investimentos previstos para 2026 nas redes de distribuição ultrapassam R$ 2 bilhões.

A empresa destacou ainda que os recursos fazem parte de um esforço para ampliar a capacidade e melhorar a qualidade do fornecimento aos consumidores. “O agro não para”, resume Robson ao explicar a pressão crescente sobre a rede.


Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.

O post Energia insuficiente faz produtor adiar investimentos e deixar atividade em Tapurah apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.

Advertisement
Continue Reading
Advertisement

Business

Acrismat promove encontros sobre gestão e eficiência na suinocultura em MT

Published

on


Foto: Reprodução/Acrismat

Suinocultores e profissionais da cadeia produtiva de Mato Grosso terão acesso a encontros gratuitos voltados à gestão, sanidade e eficiência na criação de suínos. A programação, promovida pela Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), será realizada nos dias 6 e 9 de outubro, em Lucas do Rio Verde e Rondonópolis, respectivamente.

As atividades começam às 18h, nos sindicatos rurais dos dois municípios, e são abertas a produtores, técnicos, estudantes e demais interessados na suinocultura. A proposta é levar informações técnicas às regiões produtoras e ampliar a aproximação entre a entidade e os profissionais que atuam no setor.

Entre os assuntos previstos estão o controle de micotoxinas, a redução do uso de antibióticos, a nutrição de precisão e as estratégias de manejo voltadas à sobrevivência e ao desenvolvimento dos animais. A gestão de pessoas e a liderança também fazem parte da programação.

A iniciativa ocorre em um cenário em que decisões relacionadas à alimentação, sanidade e organização das propriedades estão diretamente ligadas ao desempenho da produção. Para o presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho, os encontros devem contribuir para a troca de conhecimento e a discussão de soluções aplicáveis à rotina dos produtores.

Advertisement

“Queremos aproximar cada vez mais a Acrismat dos produtores e profissionais que constroem diariamente a suinocultura de Mato Grosso. Esses encontros são oportunidades para compartilhar conhecimento, discutir os desafios da atividade e apresentar soluções que possam ser aplicadas na rotina das propriedades”, afirma.

Programação reúne especialistas em duas regiões

A primeira edição do Encontro Regional da Suinocultura será realizada em 6 de outubro, às 18h, no Sindicato Rural de Lucas do Rio Verde. A programação inclui três palestras, com temas relacionados à gestão, aos desafios sanitários e à nutrição dos animais.

Guto Zanata, da SerHumano Profissional, ministrará a palestra “Boas Práticas de Gestão e Liderança para associados da Acrismat”. O conteúdo abordará a gestão de pessoas e a liderança como aspectos relacionados ao desempenho de propriedades e empresas do setor.

Na sequência, Marcus Rezende, da Olmix/Brasil Central, apresentará o tema “Micotoxinas 2026: o que os dados revelam e o que vem pela frente”. A discussão será direcionada às informações atuais e às perspectivas sobre as micotoxinas, que representam desafios para a produção de suínos.

Encerrando o encontro em Lucas do Rio Verde, Daniel Graciolli, da De Heus, falará sobre “GPS – Uso de Modelagem para Nutrição de Precisão no momento de crise”. A palestra tratará de ferramentas e estratégias nutricionais para apoiar a eficiência produtiva e a tomada de decisões em períodos de dificuldade.

Advertisement

Em Rondonópolis, o encontro será realizado no dia 9 de outubro, às 18h, no Sindicato Rural do município. A programação também contará com a palestra de Guto Zanata sobre boas práticas de gestão e liderança.

A segunda edição terá ainda a participação de Katiuscia Mota, da Feedis/Brasil Central, com o tema “Suinocultura com menos antibióticos: o que podemos fazer?”. A especialista abordará estratégias nutricionais para fortalecer a resistência dos animais diante dos desafios sanitários e contribuir para a redução do uso de antibióticos.

Marco Lubas, da De Heus, apresentará novamente o tema “GPS – Uso de Modelagem para Nutrição de Precisão no momento de crise”.

A programação em Rondonópolis será concluída por Bruna Alves Caetano, da Tecnomerc, com a palestra “Visão holística do especialista: compreensão fisiológica, manejo e estratégias práticas focadas na sobrevivência e no desenvolvimento de longo prazo dos suínos”.

Com os dois encontros, a Acrismat pretende ampliar o acesso a informações técnicas e incentivar a troca de experiências entre os participantes. As atividades serão gratuitas e realizadas nos sindicatos rurais de Lucas do Rio Verde e Rondonópolis.

Advertisement

Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.

O post Acrismat promove encontros sobre gestão e eficiência na suinocultura em MT apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.

Continue Reading

Agro Mato Grosso

Sapezal supera Sorriso e assume liderança do agro no Brasil

Published

on

Município de Mato Grosso alcançou R$ 8,6 bilhões em valor da produção agrícola em 2025; Estado concentra cinco cidades entre as dez primeiras e responde por quase 18% de toda a produção nacional

Mato Grosso mudou o endereço da cidade com a agricultura mais valiosa do Brasil, mas manteve a liderança dentro do próprio Estado. Depois de seis anos consecutivos no topo do ranking nacional, Sorriso caiu para a terceira posição e foi substituído por Sapezal, que alcançou R$ 8,6 bilhões em valor da produção agrícola em 2025.

Os dados fazem parte da Pesquisa da Produção Agrícola Municipal (PAM), divulgada nesta quinta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Sapezal avançou duas posições em apenas um ano. Em 2024, aparecia em terceiro lugar. No ano passado, o valor gerado pelas lavouras do município cresceu 46,6% em termos nominais, levando-o à liderança brasileira.

São Desidério, na Bahia, permaneceu na segunda colocação, com aproximadamente R$ 8,2 bilhões, enquanto Sorriso passou para terceiro, com R$ 8,16 bilhões.

A mudança não significa, porém, que a agricultura de Sorriso tenha encolhido na mesma proporção da queda no ranking. O valor da produção local avançou 13,8% em 2025. Uma alteração territorial ajuda a explicar a perda da liderança.

Advertisement

NOVO MUNICÍPIO MUDA RANKING

A instalação de Boa Esperança do Norte, oficializada em 2025, retirou áreas agrícolas que anteriormente faziam parte de Sorriso e Nova Ubiratã.

O novo município foi constituído com território formado aproximadamente por 20% de áreas anteriormente pertencentes a Sorriso e 80% de Nova Ubiratã. A partir da emancipação, a produção dessas áreas deixou de integrar as estatísticas das cidades de origem.

Segundo o IBGE, Sorriso foi o único entre os dez maiores municípios agrícolas brasileiros a apresentar redução da área plantada em 2025: queda de 9,3%.

O impacto territorial foi ainda maior em Nova Ubiratã. O município, que ocupava a oitava colocação nacional em 2024, caiu para a 20ª posição. A área plantada diminuiu 42,9%, e o valor da produção recuou nominalmente 23%, para R$ 3,5 bilhões.

Advertisement

Boa Esperança do Norte, por outro lado, já estreou no levantamento entre os gigantes da agricultura brasileira. Em seu primeiro ano nas estatísticas como município independente, registrou R$ 3 bilhões em produção agrícola, suficiente para alcançar a 25ª colocação nacional.

CINCO ENTRE OS DEZ MAIORES

Apesar das mudanças provocadas pela nova divisão territorial, Mato Grosso preservou amplo espaço no topo do ranking.

Dos dez municípios brasileiros com os maiores valores da produção agrícola em 2025, cinco são mato-grossenses. Outros três estão em Goiás e dois na Bahia.

Há ainda uma particularidade na nova líder nacional. Enquanto a soja é a cultura de maior valor em nove dos dez primeiros colocados, Sapezal tem o algodão como principal produto agrícola, seguido pela soja e pelo milho.

Advertisement

A PAM calcula o valor da produção a partir da quantidade colhida de cada produto multiplicada pelo preço médio recebido pelos produtores ao longo do ano. Os valores apresentados pelo IBGE são nominais, sem correção pela inflação.

MT CHEGA A R$ 165,6 BILHÕES

A força de Mato Grosso aparece de forma ainda mais clara quando os dados são analisados por Estado.

O valor da produção agrícola mato-grossense atingiu R$ 165,6 bilhões em 2025, crescimento nominal de 37,1% sobre o ano anterior.

Sozinho, Mato Grosso respondeu por 17,9% de toda a produção agrícola brasileira em valor. O país alcançou R$ 927,2 bilhões, alta de 18,4%.

Advertisement

Isso significa que, de cada R$ 100 gerados pela produção das lavouras brasileiras no ano passado, quase R$ 18 vieram de Mato Grosso.

Segundo o IBGE, o desempenho ocorreu em um ambiente de aumento da produção de grãos e de condições de mercado que sustentaram importantes culturas do Estado. O instituto destaca que as disputas tarifárias entre Estados Unidos e China estimularam a demanda chinesa pela soja brasileira e contribuíram para manter os preços internos da commodity.

No milho, o avanço da demanda doméstica também teve peso, impulsionado tanto pela fabricação de ração animal quanto pela expansão da utilização do cereal para a produção de etanol.

Com esse conjunto de fatores, Mato Grosso preservou a liderança brasileira no valor da produção agrícola. Sorriso perdeu o posto que ocupava havia seis anos, mas o primeiro lugar continuou em território mato-grossense — agora com Sapezal como a cidade de maior produção agrícola em valor do país.

Advertisement
Continue Reading

Business

IGC eleva projeção da produção global de grãos em 2026/27 para 2,42 bilhões de toneladas

Published

on


O Conselho Internacional de Grãos (IGC) elevou sua estimativa para a produção mundial de grãos no ciclo 2026/27 para 2,42 bilhões de toneladas, 4 milhões de toneladas acima da projeção de agosto. O ajuste foi informado em relatório divulgado no dia 18 e reflete revisões para cima nas safras de cevada e trigo, que compensaram cortes para milho e sorgo. Mesmo com a alta mensal, o volume projetado fica 3% abaixo do recorde da safra anterior.

A projeção de consumo global foi mantida em 2,44 bilhões de toneladas. Para os estoques finais, o IGC passou a projetar 608 milhões de toneladas, avanço de 2 milhões de toneladas em relação ao relatório anterior. Na comparação com o início da safra, porém, o número representa recuo de 4%.

A estimativa para o comércio global de grãos também foi mantida, em 451 milhões de toneladas. Na comparação anual, o volume projetado indica queda de 16 milhões de toneladas.

Quer ficar por dentro da previsão do tempo e dos alertas meteorológicos? Acesse a página do tempo do Canal Rural e planeje-se!

Advertisement

No mercado de soja, o IGC reduziu ligeiramente a previsão para a produção mundial em 2026/27 ante o mês anterior, em função de pequenos ajustes na América do Sul. Ainda assim, a safra da oleaginosa segue projetada em patamar recorde, com alta de 3% sobre o ciclo anterior.

As previsões de consumo total e de estoques finais de soja foram reduzidas em relação ao relatório anterior. Já a estimativa para o comércio global da oleaginosa permaneceu praticamente estável, em recorde próximo de 191 milhões de toneladas.

O IGC informou ainda que o Índice de Preços de Grãos e Oleaginosas (GOI) subiu 6% no último mês e atingiu o maior nível em três anos. Na comparação anual, o indicador acumula alta de 20%. O movimento foi puxado pelos subíndices de trigo, com avanço de 6%, soja, com 7%, milho, com 5%, e arroz, com 3%.

O novo relatório do IGC combina revisão positiva para a produção global de grãos, manutenção das projeções de consumo e comércio e avanço do índice internacional de preços, com destaque para trigo, soja, milho e arroz.

Fonte: Estadão Conteúdo

Advertisement

O post IGC eleva projeção da produção global de grãos em 2026/27 para 2,42 bilhões de toneladas apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT