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Energia insuficiente faz produtor adiar investimentos e deixar atividade em Tapurah

Em Tapurah, no Médio-Norte de Mato Grosso, a energia elétrica passou a ser um fator decisivo dentro das propriedades rurais. Quando a rede não acompanha a necessidade de máquinas, estruturas e sistemas de produção, investimentos são adiados, equipamentos ficam parados e atividades inteiras podem deixar de ser viáveis.
Na pecuária leiteira, o problema chegou ao ponto de contribuir para a saída de um produtor da atividade. Leandro Galvan chegou a trabalhar com 300 vacas leiteiras e produção de 2,3 mil litros de leite por dia, mas as falhas no fornecimento dificultavam a ordenha e comprometiam o funcionamento dos resfriadores.
“Chegava o momento de ordenhar uma vaca e faltar energia, principalmente na época da chuva”, lembra Leandro. Em algumas situações, conforme ele, o leite chegou a permanecer por até 12 horas sem refrigeração adequada e precisou ser descartado.
A interrupção da energia também afetava o manejo dos animais e poderia trazer consequências para a saúde do rebanho. “Se você não consegue tirar o leite no horário adequado para as vacas vai dar problema de úbere, vai dar mastite e outras doenças”, explica ao Canal Rural Mato Grosso.
O impacto chegava também ao patrimônio da propriedade. Uma vaca em produção representa, de acordo com Leandro, um custo de R$ 15 mil a R$ 18 mil. A soma dos problemas levou a família a abandonar a atividade. “Largamos a atividade por causa disso”, afirma.
Quando a infraestrutura impede o investimento
O caso de Leandro mostra o impacto da energia sobre uma atividade que já estava em funcionamento. Em outra propriedade de Tapurah, o problema aparece antes mesmo de um novo investimento começar a operar.
Gabriel Kirnev comprou equipamentos para instalar um reservatório de água e construir um barracão, mas não colocou o projeto em funcionamento porque a propriedade ainda não recebeu a ligação de energia necessária.
O material está parado há mais de um ano. Sem a estrutura, o abastecimento de água também precisa ser resolvido de forma improvisada. “A gente segue com um caminhão-pipa, buscando a água emprestada do vizinho”, conta Gabriel, que também precisa buscar água fora da propriedade para utilizar na lavoura.
A situação chama atenção pela distância relativamente curta até uma rede que poderia atender à demanda. Gabriel afirma que está próximo de um armazém com rede trifásica e que o trecho necessário para levar a energia até a propriedade é de cerca de 1,5 quilômetro. Ainda assim, recebeu uma estimativa de quase R$ 70 mil para a instalação.
O custo da extensão da rede é apenas parte do problema. Para o produtor, o maior impacto está na impossibilidade de saber quando poderá colocar em funcionamento aquilo que já comprou. Sem uma definição sobre a ligação, instalar a estrutura significaria deixar o investimento sem uso.
A situação interfere diretamente no planejamento da propriedade. Um sistema de armazenamento ou outros equipamentos de maior porte podem exigir energia trifásica, o que transforma a disponibilidade da rede em uma condição para decidir se o projeto será executado. “Às vezes a pessoa quer se equipar, quer começar um armazenamento e um sistema assim demanda trifásica também e aí a pessoa já pensa duas vezes”, afirma Gabriel.
A preocupação não se limita ao que ainda será instalado. Em outra propriedade, ele relata que as oscilações do fornecimento já provocam perdas frequentes. Segundo o produtor, há ocorrências em que a energia permanece interrompida por até cinco dias antes da chegada de um técnico.
Nesse cenário, equipamentos de uso cotidiano acabam danificados. Gabriel estima um gasto anual entre R$ 15 mil e R$ 20 mil com a substituição de aparelhos queimados pelas oscilações, incluindo ar-condicionado, geladeiras e freezers. “São incontáveis os materiais e eletrodoméstico que a gente acaba perdendo por conta da oscilação”, relata.
Para quem está no campo, portanto, a questão não se resume a ter ou não energia disponível. A qualidade e a estabilidade do fornecimento também entram na conta de quem avalia um novo investimento.
Trifásica ainda pesa no bolso do produtor
Para o presidente do Sindicato Rural de Tapurah, Dirceu Luiz Dezem, a dificuldade de acesso a uma rede trifásica de qualidade é um dos pontos que precisam ser enfrentados. Em algumas situações, o produtor precisa assumir o custo da implantação e aguardar a restituição posteriormente.
O modelo se torna mais difícil justamente para quem já tem pouca margem financeira para novos desembolsos. Com isso, propriedades permanecem utilizando redes monofásicas mesmo quando a atividade já exige uma estrutura mais robusta.
“Essas propriedades para fazer uma trifásica geralmente você tem que bancar e depois ser restituído pela companhia quando sobra algum dinheiro”, explica Dirceu.
A consequência ultrapassa os limites da propriedade. O fornecimento de energia interfere no funcionamento de armazéns, indústrias e estabelecimentos comerciais, todos ligados à dinâmica econômica criada pelo agronegócio.
Por isso, o dirigente defende que a solução seja tratada como uma necessidade de toda a região. “Toda a atividade precisa ter parceria, ninguém faz coisa sozinho”, afirma. Para ele, a expansão da infraestrutura precisa acompanhar o crescimento da produção.
Concessionária anuncia investimentos na rede
As reclamações dos produtores foram levadas à Energisa durante uma reunião com representantes do setor da região. A concessionária pontuou no encontro que vem ampliando a infraestrutura para atender ao aumento da demanda provocado pelo crescimento do agronegócio.
Robson Cléber Lima, coordenador da equipe de campo da empresa, afirma que ouvir os consumidores é uma forma de avaliar a qualidade do serviço em uma região onde a demanda cresce rapidamente. “Essa parcela da população tem crescido muito, então a gente tem trazido grandes projetos, trazido blocos de cargas porque todo dia cresce exponencialmente”, diz.
Entre as estruturas citadas pela empresa está uma nova instalação em Sorriso, destinada a ampliar a capacidade energética da região. A Energisa também informou ao setor produtivo que os investimentos previstos para 2026 nas redes de distribuição ultrapassam R$ 2 bilhões.
A empresa destacou ainda que os recursos fazem parte de um esforço para ampliar a capacidade e melhorar a qualidade do fornecimento aos consumidores. “O agro não para”, resume Robson ao explicar a pressão crescente sobre a rede.
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Conab recebe propostas para credenciamento de armazéns até dezembro de 2026

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) recebe até 31 de dezembro de 2026 propostas de credenciamento de empresas interessadas em prestar serviços de armazenagem de produtos e embalagens ligados a estoques públicos e programas governamentais. O chamamento tem abrangência nacional, com entrega da documentação nas superintendências regionais indicadas no edital.
Podem participar pessoas jurídicas especializadas em armazenagem, desde que a unidade esteja inscrita no Cadastro Nacional de Unidades Armazenadoras de Produtos Agrícolas e com situação cadastral efetivada. As propostas devem ser entregues de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h, em envelope lacrado e identificado com o número do chamamento público, nome do interessado, endereço e Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ).
O documento de proposta precisa ser preenchido, datado e assinado pelo representante legal da empresa, sem emendas, rasuras ou entrelinhas. Entre os documentos exigidos estão registros da empresa, inscrição estadual, contrato social ou documento equivalente, comprovantes relacionados ao imóvel, regulamento interno do armazém, certidões e documentos do fiel depositário e do responsável técnico, quando aplicável.
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O edital estabelece exigências técnicas para as instalações. As unidades devem contar com acesso compatível com o transporte dos produtos, balança com aferição vigente, equipamento de medição de umidade, itens de segurança e meios para controle de pragas. Armazéns a granel, convencionais e frigoríficos têm requisitos específicos para estrutura, equipamentos e forma de armazenamento.
A Conab fará a análise das propostas e dos documentos e realizará vistoria prévia nos armazéns. A habilitação dependerá da verificação documental e das condições das instalações. A relação das unidades credenciadas será publicada no portal da companhia. As empresas não habilitadas receberão comunicação por e-mail com as razões da decisão.
As empresas com pedido recusado poderão apresentar recurso por escrito em até dez dias úteis a partir do recebimento da comunicação. Para as habilitadas, a assinatura do contrato de depósito deverá ocorrer em até 30 dias corridos após a comunicação de habilitação. O credenciamento terá validade de 12 meses a partir da assinatura do contrato, com possibilidade de prorrogação por interesse da Conab até 60 meses. O credenciamento, no entanto, não garante contratação nem recebimento de produtos para armazenagem.
Fonte: gov.br
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Embrapa Florestas é designada centro de referência da FAO

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) designou a Embrapa Florestas como Centro de Referência em Florestas Plantadas. O anúncio foi feito na sexta-feira (2), durante a 10ª Semana Mundial das Florestas e a 28ª Sessão do Comitê de Florestas da FAO, em Roma. Segundo a entidade, trata-se do primeiro centro de referência da FAO para florestas plantadas no mundo.
A designação tem como objetivo aproveitar conhecimentos científicos, técnicos e de políticas reconhecidos no setor florestal. De acordo com a FAO, as instituições com esse status colaboram na troca de conhecimento em áreas específicas, com assessoria técnica, dados, pesquisas, treinamento, transferência de tecnologia e outras formas de apoio aos Estados-Membros.
No caso da Embrapa Florestas, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a atuação será voltada ao desenvolvimento de florestas plantadas produtivas, resilientes e de baixa emissão de carbono, integradas a sistemas agropecuários, além do atendimento a demandas de cooperação internacional.
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Segundo dados da FAO de 2025, as florestas plantadas ocupam cerca de 304 milhões de hectares no mundo, dos quais 157 milhões de hectares correspondem a plantações florestais intensivas, predominantemente destinadas à produção. A China concentra a maior área, seguida por Estados Unidos, Rússia, Canadá, Índia, Brasil, Japão e Suécia.
No Brasil, dados do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) indicam cerca de 10,4 milhões de hectares de florestas plantadas. Eucalipto e pinus lideram entre as espécies cultivadas, além de araucária, acácia, seringueira, erva-mate, teca, paricá, mogno-africano, castanha-do-brasil e cedro-australiano.
Entre as competências do centro de referência estão silvicultura e manejo florestal sustentável, sistemas integrados, melhoramento genético, sanidade florestal e controle biológico de pragas, métricas de carbono e mitigação de gases de efeito estufa (GEE), além de bioeconomia florestal e química verde.
Segundo a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, a designação funciona como um selo de excelência e amplia a capacidade de cooperação do país em capacitação técnica, intercâmbio de conhecimento e projetos conjuntos com a FAO. O centro de referência vai operar sob demanda e mediante captação conjunta de recursos em diferentes frentes de atuação.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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El Niño muito forte eleva risco para plantio no Centro-Oeste e no Matopiba

A perspectiva de um El Niño de intensidade muito forte entre outubro e dezembro pode limitar a implantação das lavouras em partes do Centro-Oeste e do Matopiba, enquanto o Sul deve registrar chuvas acima da média, com maior pressão de doenças. A avaliação foi apresentada nesta terça-feira (6) por Alexandre Stadser, assessor de agronegócios do Banco do Brasil em Canoinhas (SC), durante transmissão do BBCast Agro sobre a safra de verão 2026/27.
Segundo Stadser, o Painel El Niño 2026-2027, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e por outras seis instituições federais, indica 95% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro. A previsão também aponta persistência até o início de 2027.
O boletim citado pelo assessor alerta para intensificação da seca e do risco de fogo no centro-norte do País. A configuração climática favorece chuvas acima da média no Sul e em partes do Sudeste, enquanto Norte, Nordeste e grande parte do Centro-Oeste devem ter precipitações abaixo da média. As temperaturas devem ficar acima da média na maior parte do Brasil, com maior destaque para Centro-Oeste e Sudeste.
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Para outubro, a previsão indica chuva acima do normal no Sul, em Mato Grosso do Sul, em São Paulo, no Rio de Janeiro e no sudeste de Minas Gerais. Já áreas do Norte, do Nordeste e do Centro-Oeste devem registrar volumes abaixo do normal.
No Centro-Oeste, as chuvas devem ser irregulares, com reflexo sobre o avanço da semeadura. Stadser afirmou que Mato Grosso do Sul apresenta perspectivas mais favoráveis para o início da safra, enquanto Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal podem enfrentar limitações para a semeadura por baixa umidade do solo.
No Matopiba, que reúne áreas agrícolas de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, o cenário de precipitações abaixo da média exige atenção para o estabelecimento das lavouras de verão. Segundo Stadser, a menor disponibilidade hídrica poderá elevar a necessidade de irrigação e aumentar a pressão sobre os recursos hídricos.
No Sul, a expectativa é de chuvas acima da média, com reposição hídrica para lavouras e pastagens. Em contrapartida, o excesso de umidade pode elevar o risco de doenças fúngicas, dificultar operações de campo e manter a atenção para cheias localizadas. No Norte, a combinação de chuva reduzida e calor mais intenso tende a elevar a demanda hídrica das culturas e a limitar a umidade disponível no solo, enquanto o tempo mais seco pode favorecer operações de campo e colheita.
O quadro projetado para o El Niño entre outubro e dezembro desenha condições distintas entre as regiões produtoras, com restrição hídrica em parte do Centro-Oeste, do Matopiba e do Norte, e excesso de chuva no Sul durante o início da safra de verão 2026/27.
Fonte: Estadão Conteúdo
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