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Uso do Pix avança 15,9% em Mato Grosso no primeiro semestre deste ano

O Pix movimentou R$ 233,46 bilhões em Mato Grosso entre janeiro e julho de 2026, segundo levantamento do Banco Central, com base nos dados de transações realizadas no Estado. O volume representa uma média mensal de R$ 33,35 bilhões e evidencia a consolidação do sistema de pagamentos instantâneos como uma importante ferramenta para a movimentação financeira de empresas, consumidores e demais agentes econômicos.
Somente em julho foram movimentados R$ 36,92 bilhões, alta de 15,98% na comparação com julho de 2025, quando o volume havia sido de R$ 31,83 bilhões. Em valores absolutos, foram R$ 5,08 bilhões a mais circulando por meio do Pix em apenas um mês.
Para o presidente do Sistema Comércio de Mato Grosso, Sebastião Gonçalves (Tião da Zaeli), o avanço demonstra não apenas a popularização do meio de pagamento, mas também a transformação dos hábitos de consumo e das relações comerciais. “O crescimento da movimentação do Pix mostra como a digitalização já faz parte da rotina da economia da população”, completa.
Ele acrescenta que para o comércio e serviços, meios de pagamento mais rápidos e acessíveis facilitam as transações, melhoram a experiência do consumidor e contribuem para dar mais agilidade aos negócios. “O volume movimentado também acompanha a dinâmica de uma economia forte, que tem no comércio, nos serviços e no agronegócio importantes motores de atividade”, afirma Sebastião.
Crescimento ao longo do ano
Os dados analisados pela Fecomércio-MT em parceria com a Fecomércio-SE, mostram uma trajetória de crescimento ao longo do primeiro semestre, com uma retração pontual em fevereiro, comportamento associado à sazonalidade do início do ano.
O movimento ganhou força em abril, quando o Estado atingiu o recorde do período, com R$ 37,81 bilhões transacionados. O resultado representou crescimento de 19,02% em relação a março.
Na avaliação do economista Márcio Rocha, a evolução mensal revela uma combinação entre sazonalidade e o próprio comportamento da economia mato-grossense. “Os números mostram uma economia com forte capacidade de movimentação financeira”, disse.
O comportamento observado entre março e abril, destaca Márcio, chama atenção porque coincide com um período de maior intensidade nas operações relacionadas ao agronegócio, especialmente comercialização, escoamento e liquidação financeira da produção. “Ao mesmo tempo, o resultado de julho, quase R$ 37 bilhões, demonstra que a movimentação permanece em um patamar elevado mesmo depois do pico registrado em abril”, explica o economista.
Agronegócio influencia ciclos de movimentação
A dinâmica do Pix em Mato Grosso também acompanha características específicas da economia estadual. O período entre março e abril costuma concentrar maior movimentação relacionada ao ciclo do agronegócio, com operações de comercialização da safra, aquisição de insumos, transporte e demais atividades que integram a cadeia produtiva.
Em abril de 2026, o volume de R$ 37,81 bilhões representou o maior valor mensal registrado no período analisado. O comportamento reforça a influência dos ciclos econômicos sobre os meios de pagamento.
“É importante observar que o Pix não deve ser analisado isoladamente como indicador de crescimento do PIB, porque movimentação financeira não é sinônimo de geração de riqueza. Entretanto, a evolução das transações é um termômetro interessante da intensidade dos fluxos financeiros e da crescente digitalização da economia”, analisa Márcio Rocha.
Além do ciclo do agronegócio, o histórico também aponta para um segundo momento de forte movimentação no final do ano. Em dezembro de 2025, por exemplo, o Pix movimentou R$ 37,16 bilhões, alta de 26,65% em relação a novembro. O resultado está associado à sazonalidade típica do período, marcada pelo pagamento do 13º salário, maior consumo das famílias e aumento das vendas de fim de ano.
PIX ganha espaço na economia
O crescimento de 15,98% entre julho de 2025 e julho de 2026 ocorre em um momento em que o Pix já deixou para trás a fase inicial de expansão e passou a integrar de forma consolidada o cotidiano de consumidores e empresas.
Para o presidente da Fecomércio-MT, a evolução reforça a necessidade de que empresas acompanhem as transformações no comportamento do consumidor. “O consumidor está cada vez mais conectado e busca praticidade, velocidade e segurança nas suas compras. O comércio precisa acompanhar essa transformação. O Pix deixou de ser apenas uma alternativa de pagamento e passou a fazer parte da estratégia de relacionamento com o cliente e da operação dos negócios. A expansão desses números mostra que a economia também está se tornando cada vez mais digital”, destaca Sebastião Gonçalves.
De janeiro a julho, a movimentação média mensal no Estado foi de R$ 33,35 bilhões. Considerando apenas os últimos quatro meses do levantamento, de abril a julho, todos os meses registraram volumes superiores a R$ 35 bilhões, indicando a manutenção das transações em um patamar elevado.
Para o economista Márcio Rocha, esse comportamento merece atenção justamente por ocorrer após a fase de adoção acelerada do PIX.
“O dado mais relevante talvez seja a capacidade de sustentação desse crescimento. O Pix já alcançou uma elevada penetração, portanto, manter uma expansão de quase 16% em 12 meses indica que o instrumento continua ganhando relevância nos fluxos financeiros. Isso está relacionado tanto à mudança estrutural nos meios de pagamento quanto ao nível de atividade econômica”, conclui Márcio.
O Sistema Comércio em Mato Grosso é filiado à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), presidida por José Roberto Tadros.
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“Ninguém precisa esperar o corpo para a lei funcionar”, diz Delegada Jannira após fala de Galvan

Candidata a deputada estadual rebate declarações de Galvan e afirma que legislação permite agir preventivamente diante de ameaças e do descumprimento de medidas protetivas
A delegada de Polícia Civil e candidata a deputada estadual pelo MDB, Jannira Laranjeira, criticou declarações do candidato ao Senado Antônio Galvan (Avante) sobre feminicídio e afirmou que o poder público possui instrumentos legais para agir antes que a violência contra a mulher termine em morte.
A manifestação ocorreu após Galvan, ao comentar casos de feminicídio em Mato Grosso, questionar se seria possível prender um homem antes da ocorrência do crime. O candidato também afirmou que não vê a mesma ênfase pública quando mulheres matam homens e defendeu que não deveria haver diferenciação entre as leis para homens e mulheres.
Com experiência na Polícia Civil, Jannira rebateu principalmente a ideia de que situações que antecedem o feminicídio seriam apenas problemas pessoais.
“Feminicídio não é um problema pessoal. É o crime mais anunciado que existe. Antes da facada, vem a ameaça de morte, vem a perseguição no ambiente de trabalho e nas redes sociais, a invasão do domicílio, a destruição de objetos e a lesão corporal”, afirmou.
A delegada destacou que a Lei Maria da Penha prevê mecanismos para atuação preventiva, inclusive a possibilidade de prisão preventiva em determinadas situações.
“Sim, dá para prender antes. Ninguém precisa esperar o corpo para a lei funcionar”, disse Jannira.
Segundo a candidata, quando uma mulher que já pediu ajuda acaba assassinada, é necessário discutir também a capacidade do Estado de protegê-la.
“Se a lei permite e a mulher morre mesmo assim, o problema não é pessoal. O problema é de um Estado que não monitora o agressor e que não responde rapidamente às denúncias e aos pedidos de socorro das mulheres”, declarou.
Jannira afirmou que sua experiência atendendo ocorrências de violência contra a mulher motivou propostas voltadas à prevenção. Entre as medidas defendidas estão o monitoramento de agressores em tempo real, ampliação do alcance de tornozeleiras eletrônicas para o interior de Mato Grosso e resposta imediata diante do descumprimento de medidas protetivas.
“Eu passei anos chegando depois, chegando na cena do crime quando já não tinha mais quem proteger. Eu cansei de chegar depois. É por isso que sou candidata a deputada estadual: para fazer o Estado chegar antes”, concluiu.
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Lei que garante amamentação durante concursos completa sete anos

Medida assegura às mães o direito de amamentar os filhos durante provas e outras etapas de concursos públicos
A lei que garante às mães o direito de amamentar seus filhos durante a realização de concursos públicos completa sete anos de aprovação. A medida é resultado de um projeto apresentado pelo então senador e atual deputado federal Zé Medeiros (PL) e sancionado em 2019 pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Lei 13.872/2019 assegura às mães com filhos de até seis meses o direito de amamentar durante provas e outras etapas de concursos públicos da administração direta e indireta da União. A candidata pode amamentar a cada duas horas, por até 30 minutos, com o tempo utilizado compensado na realização da prova.
Ao relembrar a criação da proposta, Medeiros destacou que a iniciativa surgiu de uma experiência pessoal, quando ainda era concurseiro.
“Eu era concurseiro na minha juventude e via muitas mães que, às vezes, até abandonavam o concurso porque não podiam amamentar seus filhos durante a prova. Fiz esse projeto para mudar essa realidade e ele virou lei. É uma medida que beneficia muitas mães”, afirmou.
A legislação também determina que a candidata indique um acompanhante responsável pela guarda da criança durante o concurso. O acompanhante deve permanecer em local reservado e próximo ao espaço destinado à amamentação, enquanto a mãe será acompanhada por um fiscal durante o período.
Para ter direito à medida, a candidata deve solicitar previamente a condição à organização do concurso, conforme prazo estabelecido no edital. Segundo Medeiros, a aprovação da lei representa uma mudança importante para garantir que a maternidade não seja um obstáculo à participação das mulheres em concursos públicos.
Agro Mato Grosso
MPE investiga cobrança de R$ 60 por carro em cartão-postal de Chapada

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) instaurou um inquérito civil para apurar a cobrança de uma taxa de R$ 60 por veículo para acesso ao empreendimento Morro dos Ventos, Mirante e Restaurante, em Chapada dos Guimarães (67 km de Cuiabá.
A suspeita é de que a cobrança esteja sendo feita para utilização de acesso por via pública, o que poderia configurar restrição ao livre trânsito e prática abusiva contra consumidores.
A investigação foi aberta pelo promotor de Justiça Leandro Volochko, após notícia de fato apresentada por um consumidor à Ouvidoria do MP. Segundo o relato, o estabelecimento continuaria exigindo o pagamento mesmo depois da Prefeitura de Chapada dos Guimarães apontar a possível ilegalidade da cobrança e informar a abertura de procedimento administrativo para apurar o caso.
Conforme a denúncia, o valor chegou a ser efetivamente pago pelo consumidor, que teria recebido apenas um ticket interno como comprovante da cobrança. A Prefeitura informou ao órgão ministerial que a fiscalização municipal já havia identificado a irregularidade e lavrado o Auto de Infração 015/2025, relacionado à cobrança e ao suposto impedimento ao livre trânsito em via pública.
De acordo com a Procuradoria-Geral do Município (PGM), o empreendimento apresentou defesa, que atualmente está sob análise do órgão jurídico. A administração municipal também informou ter notificado previamente o estabelecimento para que suspendesse a cobrança.
Apesar do procedimento administrativo já instaurado pela Prefeitura, o promotor considerou necessário aprofundar a apuração, diante da possível violação aos direitos dos consumidores e ao livre acesso às vias públicas. Entre as medidas determinadas, está uma visita in loco ao empreendimento para verificar se a cobrança continua sendo realizada, como ela é exigida e se existem cancelas, barreiras físicas ou outros mecanismos de controle de acesso.
Também deverão ser verificadas eventuais placas informativas no local. O MP também notificará o representante legal do Morro dos Ventos para apresentar, em até 15 dias, defesa sobre os fundamentos jurídicos da cobrança e documentos que considerar pertinentes.
Além disso, o Município de Chapada dos Guimarães deverá encaminhar ao Ministério Público, no prazo de 15 dias, cópia integral do processo administrativo. A Secretaria Municipal de Planejamento deverá informar a natureza jurídica da via utilizada para chegar ao empreendimento, apresentando mapas, memoriais descritivos e projetos aprovados.
Os Procons Municipal e Estadual também serão consultados para informar se existem reclamações, procedimentos administrativos ou autuações relacionadas à cobrança de acesso ao local.
“Nesse contexto, decido instaurar Inquérito Civil com o objetivo de apurar a possível cobrança irregular para acesso a empreendimento turístico mediante utilização de via pública, eventual restrição ao livre trânsito, possível prática abusiva nas relações de consumo e a adequação das providências adotadas pelo Poder Público Municipal”, determinou.
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