Sustentabilidade
Efeitos do El Niño na produtividade de Soja, Milho, Arroz e Feijão – MAIS SOJA

O fenômeno ENOS (El Niño-Oscilação Sul) exerce influência significativa sobre as condições climáticas, afetando, consequentemente, o crescimento, o desenvolvimento e a produtividade das culturas agrícolas. A fase El Niño corresponde aos períodos em que as águas do Oceano Pacífico Equatorial apresentam temperaturas acima da média histórica, enquanto a fase La Niña ocorre quando essas temperaturas ficam abaixo da média. As alterações na temperatura do Pacífico Equatorial provocam impactos em escala global sobre os padrões de circulação atmosférica, o transporte de umidade, a temperatura e a distribuição das precipitações (INPE/CPTEC, 2024).
Para a safra 2026/2027, a predominância do fenômeno El Niño reforça a necessidade de adoção de estratégias de manejo capazes de reduzir seus impactos sobre a produção agrícola. No Brasil, os efeitos do fenômeno variam regionalmente e, em geral, apresentam comportamento oposto entre o Norte e o Sul do País. Enquanto o El Niño tende a aumentar o risco de redução das chuvas na faixa norte das regiões Norte e Nordeste, no Sul há maior propensão à ocorrência de volumes elevados de precipitação (INMET, 2026).
Considerando esse cenário, a Embrapa desenvolveu orientações específicas para reduzir os impactos do El Niño no Sul do Brasil, levando em conta as particularidades das diferentes culturas e sistemas de produção. Essas recomendações podem ser acessadas clicando aqui!. Os efeitos do fenômeno, entretanto, não são uniformes entre as culturas e regiões. Conforme demonstrado por Miro (2026), os impactos negativos sobre a produtividade concentram-se principalmente em culturas de sequeiro, com destaque para arroz e feijão nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, enquanto soja e milho não apresentam perdas de produtividade claramente associadas ao El Niño.
Ao avaliar os efeitos das diferentes fases do ENOS sobre o rendimento médio das culturas de soja, milho, arroz e feijão no Brasil, entre 1990 e 2024, Miro (2026) identificou respostas distintas entre regiões e culturas. No Sul, por exemplo, a ocorrência de La Niña está associada à redução relativa do rendimento do milho, resultado compatível com as estiagens que frequentemente atingem a região durante essa fase do fenômeno. O arroz, por ser cultivado predominantemente sob irrigação, apresenta resposta menos negativa, evidenciando a maior vulnerabilidade das culturas de sequeiro às alterações no regime de chuvas.
Em contrapartida, durante os anos de El Niño, as maiores variações relativas de rendimento são observadas nas regiões Norte e Nordeste, sobretudo nas culturas de arroz, milho e feijão (Figura 1). Esses resultados evidenciam que os impactos do ENOS sobre a agricultura brasileira dependem não apenas da fase do fenômeno, mas também da região, da cultura e do sistema de produção adotado, reforçando a importância do planejamento antecipado e da adoção de estratégias de manejo adaptadas às condições climáticas esperadas.
Figura 1. Variação diferencial do rendimento em anos de El Niño e La Niña, por região e cultura, em relação a anos neutros e ao Sudeste. As barras horizontais representam intervalos de confiança de 95%, com erros-padrão de Conley (200 km).

Em síntese, a análise de Miro (2026) reforça a concentração dos impactos negativos do El Niño sobre as culturas de arroz e feijão nas regiões Norte e Nordeste. Em anos sob influência do fenômeno, os rendimentos dessas culturas apresentam desempenho inferior ao observado em anos neutros e, no caso do Nordeste, também em relação ao Sudeste. Na região, estima-se uma redução de aproximadamente 11% no rendimento do arroz e de 6% no feijão. No Norte, os efeitos também são negativos, com recuos relativos de cerca de 4% para o arroz e 6% para o feijão. Por outro lado, soja e milho não apresentam perdas de produtividade claramente associadas ao El Niño, possivelmente em razão da maior concentração em áreas tecnificadas e de diferentes regimes pluviométricos. Os resultados reforçam, portanto, a importância da adoção de medidas preventivas de manejo, especialmente em áreas com histórico de perdas relacionadas à influência do fenômeno.
Figura 2. Variação diferencial do rendimento em anos de El Niño, por região e cultura, em relação a anos neutros e ao Sudeste. Tons de vermelho indicam perdas relativas e tons de azul indicam ganhos relativos. O Sudeste, em cinza, é a região de referência.

Confira o estudo completo desenvolvido por Miro (2026) clicando aqui!
Referências:
INMET. EL NIÑO EM 2026? Instituto Nacional de Meteorologia, 2026. Disponível em: < https://portal.inmet.gov.br/noticias/el-ni%25C3%25B1o-em-2026 >, acesso em: 19/08/2026.
INPE; CPTEC. CONDIÇÕES ATUAIS DO ENOS: NEUTRALIDADE. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, 2024. Disponível em: < http://enos.cptec.inpe.br/ >, acesso em: 19/08/2026.
MIRO, V. H. EFEITOS DO EL NIÑO NA PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA BRASILEIRA. Prisma, LABDEA, UFC, 2026. Disponível em: < https://labdea.ufc.br/wp-content/uploads/2026/06/prisma-01.pdf >, acesso em: 19/08/2026.

Agro Mato Grosso
UPL obtém registro de novo inseticida para soja, milho e algodão

Sucessor utiliza tecnologia de formulação desenvolvida pela empresa e promete ação rápida contra percevejos e bicudo-do-algodoeiro
A UPL Brasil obteve o registro de Sucessor, novo inseticida destinado às culturas de soja, milho e algodão. O produto incorpora a tecnologia Blast, desenvolvida pela companhia, que permite combinar ingredientes ativos originalmente incompatíveis em uma mesma formulação.
Segundo a UPL, a tecnologia possibilita uma nova alternativa para o manejo do complexo de percevejos nas culturas de soja e milho e do bicudo-do-algodoeiro. Entre os principais diferenciais do produto está a velocidade de ação. Em testes realizados a campo no Brasil, a empresa observou a eliminação dos alvos, em média, entre 30 minutos e uma hora após a aplicação.
Além do efeito de choque, Sucessor combina velocidade de ação com efeito residual e consistência de controle, segundo a companhia. O produto também pode ser aplicado por via aérea, conforme as orientações estabelecidas em bula.
Para Cristiano Figueiredo, CEO da UPL Brasil, o desenvolvimento do inseticida representa um avanço na tecnologia de formulação. “A ciência aplicada ao desenvolvimento dessa solução transformadora possibilita avançar em uma fronteira da tecnologia de formulação e transformar conhecimento em uma opção real para o manejo de insetos de alto impacto em culturas estratégicas para o Brasil”, afirma.
O lançamento amplia o portfólio da UPL voltado ao controle de insetos de importância agrícola e faz parte da estratégia da empresa de desenvolver ferramentas de manejo para diferentes sistemas produtivos.
De acordo com Figueiredo, o desenvolvimento do produto também considerou as demandas apresentadas pelos produtores. “O produto resulta de pesquisas orientadas pela escuta dos produtores rurais, o que nos permite compreender melhor suas dores e os desafios do campo, direcionando nossos esforços para necessidades reais”, conclui.
Sustentabilidade
ARROZ/CEPEA: Baixa oferta sustenta cotações no RS – MAIS SOJA

A disponibilidade restrita de arroz em casca segue dando suporte às cotações no Rio Grande do Sul. Segundo o Cepea, a necessidade de compra das indústrias e as dificuldades de carregamento provocadas pelas chuvas reforçam esse cenário.
De acordo com o Centro de Pesquisas, produtores permanecem retraídos, diante da expectativa de valores mais elevados. Embora a diferença entre os preços ofertados pelos compradores e os pretendidos pelos vendedores tenha diminuído, a liquidez segue limitada. Neste cenário, algumas indústrias elevaram as ofertas de compra nos últimos dias e, em casos pontuais, chegaram a suspender temporariamente as vendas de arroz beneficiado por não conseguirem adquirir matéria-prima suficiente para atender novos pedidos.
Pesquisadores do Cepea ressaltam ainda que as chuvas dificultaram o carregamento do cereal em algumas regiões, aumentando a preferência por lotes já depositados nas unidades de beneficiamento.
Fonte: CEPEA
Autor:CEPEA
Site: CEPEA
Sustentabilidade
IPPA/CEPEA: Índice registra alta impulsionado pelos IPPA-Cana-Café e IPPA- Grãos – MAIS SOJA

O Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/CEPEA) registrou alta nominal de 1,53% em julho frente a junho. Segundo o Cepea, o resultado mensal foi impulsionado, sobretudo, pelas altas do IPPA-Cana-Café (6,61%) e do IPPA-Grãos (5,24%), que mais do que compensaram as quedas observadas no IPPA-Hortifrutícolas (-11,50%) e no IPPA-Pecuária (-3,00%).
De acordo com o Centro de Pesquisas, entre os produtos, destacaram-se as altas de café, arroz, milho, soja, trigo, leite, laranja e uva, enquanto cana-de-açúcar, algodão, boi gordo, frango vivo, suíno vivo, ovos, batata, tomate e banana exerceram influência baixista sobre seus respectivos grupos.
No cenário internacional, os preços dos alimentos em dólares avançaram 2,59%. Com isso, mesmo perante a valorização de 0,27% do Real frente ao dólar, os preços internacionais dos alimentos medidos em reais registraram alta de 2,32%, apontam pesquisadores do Cepea.
Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)
Autor:Cepea
Site: Cepea
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