Sustentabilidade
Resistência de fungos a fungicidas na soja – MAIS SOJA

A resistência de patógenos a defensivos agrícolas constitui um dos principais desafios do manejo fitossanitário das culturas. Na soja, uma das culturas de maior importância econômica e extensão territorial no Brasil, as doenças de origem fúngica assumem papel central, demandando estratégias integradas de manejo e posicionamento adequado de fungicidas para preservar o potencial produtivo das lavouras.
Considerando que o desenvolvimento e o registro de defensivos, como os fungicidas, envolvem um processo longo, complexo e oneroso, preservar a eficácia das ferramentas atualmente disponíveis é fundamental para garantir a sustentabilidade e a rentabilidade da produção de soja. Nesse sentido, o manejo de doenças deve ir além da redução da incidência e severidade dos patógenos, incorporando também estratégias destinadas a retardar a seleção e o desenvolvimento de populações resistentes aos fungicidas.
Compreender os mecanismos envolvidos no desenvolvimento da resistência é, portanto, essencial para o correto posicionamento das ferramentas de manejo. A adoção de estratégias que reduzam a pressão de seleção sobre os patógenos contribui para prolongar a vida útil dos fungicidas disponíveis e preservar sua eficiência no controle das doenças ao longo das safras.
A resistência aos fungicidas pode se desenvolver de diferentes formas, resultando em dois padrões principais, a resistência qualitativa e a resistência quantitativa. A resistência qualitativa é causada por mutações pontuais no sítio de ação do fungicida, gerando altos níveis de resistência e grupos claramente distintos de isolados sensíveis e resistentes. Já a resistência quantitativa envolve múltiplos genes com efeitos parciais, levando a mudanças graduais na sensibilidade da população (FRAC-BR, 2026).
Figura 1. Padrões de resistência aos fungicidas.
Identificar o padrão de resistência pode contribuir para um melhor posicionamento de estratégias de manejo, como a alternância de mecanismos de ação e a integração de diferentes práticas de controle, contribuindo para preservar a eficácia dos fungicidas e retardar a evolução da resistência (FRAC-BR, 2026).
Diante da importância do manejo da resistência de fungos a fungicidas na soja, o Comitê de Ação à Resistência a Fungicidas (FRAC-BR) apresenta novas recomendações para o manejo de doenças na cultura. As orientações contemplam o uso de fungicidas multissítios, produtos biológicos e fungicidas pertencentes aos grupos das estrobilurinas, triazóis, triazolintionas e carboxamidas.
De modo geral, o FRAC-BR recomenda que os programas de controle de doenças na soja sejam estruturados com base em aplicações preventivas, utilizando fungicidas com diferentes modos de ação, em associação e rotação. Nesse contexto, deve-se priorizar a combinação de fungicidas multissítios com produtos de ação sítio-específica, como estrobilurinas, triazóis e carboxamidas, além da inserção de produtos biológicos nos programas de manejo.
De acordo com as orientações do FRAC, a rotação de modos de ação e de ingredientes ativos dentro de um mesmo grupo também é uma estratégia importante para reduzir a pressão de seleção sobre as populações do patógeno. O uso de fungicidas multissítios contribui para ampliar essa estratégia, especialmente quando associado a produtos de ação sítio-específica. Por outro lado, programas de aplicação iniciados de forma curativa podem favorecer a exposição contínua do patógeno aos fungicidas e aumentar a pressão de seleção sobre indivíduos menos sensíveis. Por isso, o posicionamento preventivo dos produtos deve ser priorizado.
Além do uso adequado de fungicidas, boas práticas agronômicas são fundamentais para reduzir a pressão de doenças e, consequentemente, diminuir a exposição dos patógenos aos produtos. Entre as principais medidas estão evitar semeaduras tardias, priorizar cultivares de ciclo precoce e com maior tolerância às doenças, respeitar o vazio sanitário, eliminar plantas voluntárias de soja, evitar o cultivo da oleaginosa em segunda safra e realizar o monitoramento frequente das lavouras. A integração dessas estratégias contribui para reduzir a pressão de seleção e prolongar a eficácia das ferramentas disponíveis para o manejo de doenças na cultura da soja (FRAC-BR, s.d.).
O Comitê também traz orientações específicas para os principais grupos de fungicidas utilizados no manejo fitossanitário da soja, destacando a importância da presença dos fungicidas multissítios em todas as aplicações (associados a sítio-específicos), a necessidade de se associar estrobilurinas a multissítios, triazóis, triazolintione ou carboxamidas e o limitem máximo de 2 (duas) aplicações de fungicidas do grupo das carboxamidas no ciclo de cultivo da soja. Vale destacar que visando não só uma maior performance no controle de doenças em soja como também o manejo da resistência dos fungos aos fungicidas, todo programa de controle deve ser iniciado de forma preventiva à ocorrência da doença.
Confira o documento completo com todas as recomendações para o manejo de doenças em soja clicando aqui! Para ter acesso ao Resumo das Orientações para Manejo da Resistência a Fungicidas do Grupo de Trabalho FRAC (WG) e de Fóruns de Especialistas (EF) relevantes para a Soja clique aqui!

Referências:
FRAC-BR. NOVAS RECOMENDAÇÕES PARA O MANEJO DE DOENÇAS EM SOJA. Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas, FRAC-BR, s.d. Disponível em: < https://3f2c8573-584c-4b16-985f-14dc48f9ab81.filesusr.com/ugd/6c1e70_f591d8b1a2934a109259af440b049052.pdf >, acesso em: 18/08/2026.
FRAC-BR. PADRÕES DE RESISTÊNCIA AOS FUNGICIDAS. Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas, FRAC-BR, 2026. Disponível em: < https://www.frac-br.org/post/padroes-de-resistencia-aos-fungicidas >, acesso em: 18/08/2026.
FRAC-BR. RESUMO DAS ORIENTAÇÕES PARA MANEJO DA RESISTÊNCIA A FUNGICIDAS DO GRUPO DE TRABALHO FRAC (WG) E DE FÓRUNS DE ESPECIALISTAS (EF) RELEVANTES PARA A SOJA. Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas, FRAC-BR, s.d. Disponível em: < https://3f2c8573-584c-4b16-985f-14dc48f9ab81.filesusr.com/ugd/6c1e70_58352c60ecba4a4c8c13a68aaf04cb3a.pdf >, acesso em: 18/08/2026.

Sustentabilidade
Manutenção de máquinas agrícolas: o insumo silencioso que protege a rentabilidade da safra – MAIS SOJA

A janela de plantio e colheita no agronegócio moderno não tolera amadorismo ou improvisos. Quando um trator ou uma colheitadeira para de forma inesperada no meio da operação, o prejuízo financeiro raramente se limita à nota fiscal da peça de reposição ou às horas do mecânico. O custo real, aquele que verdadeiramente corrói a margem do produtor rural, está no tempo perdido, na janela operacional perdida e, nos cenários mais severos, na perda direta de produtividade por hectare. É precisamente por essa razão que a manutenção preventiva de máquinas agrícolas deixou de ser uma simples rotina de oficina para se consolidar como uma ferramenta crucial de gestão e rentabilidade no campo.
Historicamente, o cuidado com a frota dependia quase exclusivamente de duas variáveis: a contagem do horímetro e a sensibilidade do operador. Embora essenciais, esses fatores isolados já não atendem às exigências de uma agricultura de precisão que busca eficiência máxima a cada hectare. A grande virada de chave do setor reside na transformação digital do maquinário agrícola. A telemetria e o avanço da conectividade embarcada mudaram drasticamente esse panorama, permitindo que a saúde dos equipamentos seja monitorada continuamente e em tempo real.
Na prática diária, essa evolução tecnológica redefiniu a dinâmica de trabalho nas propriedades. Acompanhar parâmetros cruciais como consumo de combustível, temperatura, alertas do sistema e códigos de falha em tempo real dá ao produtor o poder da previsibilidade. Antecipar-se a um dano grave significa agendar uma intervenção em momentos de pausa estratégica, e não ser surpreendido no pico do trabalho. Além disso, quando o atendimento em campo se faz indispensável, a concessionária já desloca a equipe técnica com o diagnóstico prévio e as peças corretas em mãos, reduzindo drasticamente o tempo de máquina parada.
Essa mudança de paradigma transforma também a relação entre o produtor, as concessionárias e os fabricantes. O pós-venda, tradicionalmente reativo e acionado apenas diante da quebra, passa a atuar como um consultor proativo de produtividade. Serviços de monitoramento remoto, alertas preditivos e inteligência de dados não apenas protegem o investimento do produtor, mas também geram um modelo de negócios mais sólido e rentável para a rede de distribuição. Em um ecossistema onde o tempo é o insumo mais valioso do agricultor, a manutenção inteligente e antecipada do maquinário deixa de ser um centro de custo e assume seu verdadeiro papel: o de guardião do resultado da safra.
Micael Duarte é Engenheiro Agrícola formado pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e possui ampla experiência com máquinas agrícolas. É especializado em análise de mercado, prospecção de novos clientes e suporte técnico-comercial, com foco em colheitadeiras. Atualmente é Analista de Inovação Sênior na YANMAR Brasil, onde também já ocupou os cargos de Analista de Vendas Júnior e Assistente de Vendas – Desenvolvimento de Novos Produtos. Em sua trajetória profissional, reúne passagens pela Agrológica (Empresa Júnior da UNICAMP), CNPq (como bolsista de iniciação científica) e Toyota do Brasil.
Fonte: Assessoria de imprensa
Sustentabilidade
Mercado de fertilizantes aumenta pressão sobre os custos da soja – MAIS SOJA

Com a safra de soja 2026/2027 sendo semeada em Mato Grosso do Sul, o mercado de fertilizantes continua no radar do produtor pelos reflexos que pode gerar sobre os custos e, consequentemente, sobre a margem de lucro.
No acumulado de janeiro a julho de 2026, o Brasil importou 22,4 milhões de toneladas de fertilizantes, volume 7,4% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. Mesmo com a redução na quantidade, o país desembolsou US$ 8,8 bilhões, alta de 8%. Isso significa que o Brasil está adquirindo menos fertilizantes e pagando mais pelo produto.
“O ponto central não é apenas a redução do volume importado, mas o aumento do desembolso para adquirir o fertilizante. Quando o Brasil importa menos e paga mais, temos um sinal de deterioração das condições de oferta que pode ser incorporado ao custo de produção da soja e pressionar a margem do produtor”, aponta o analista de Economia Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho.
O Brasil é dependente das importações para atender à demanda interna por fertilizantes. Entre 2021 e 2025, o volume importado permaneceu próximo de 40 milhões de toneladas por ano. Em 2025, foram 45,48 milhões de toneladas, alta de 2,8% em relação ao ano anterior.
“O cenário de 2026, entretanto, ocorre em meio a novos fatores de pressão sobre a oferta. O início de um novo conflito no Oriente Médio afetou regiões produtoras e rotas de comércio, enquanto a continuidade do conflito entre Rússia e Ucrânia mantém impactos sobre o mercado internacional de fertilizantes”.
Segundo o Boletim de Fertilizantes de agosto de 2026, o volume acumulado de fertilizantes importados pelo Brasil estava 13,5% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. Em Mato Grosso do Sul, a redução chegou a 24,1%.
“A dependência externa faz com que o custo do fertilizante esteja sujeito a variáveis que não são controladas pelo produtor, como conflitos geopolíticos, disponibilidade nos países fornecedores, restrições comerciais e frete internacional. Essa exposição aumenta a volatilidade do custo e dificulta a formação de uma expectativa mais precisa de margem”.
A vulnerabilidade brasileira é observada nos três principais grupos de nutrientes utilizados na agricultura: nitrogênio, fósforo e potássio.
O nitrogênio apresentou a maior variação negativa nas importações brasileiras na comparação entre 2025 e 2026, com déficit de 17,2% no acumulado analisado.
No mercado de potássio, porém, a concentração dos fornecedores representa um ponto adicional de atenção. Rússia e Canadá responderam juntos por cerca de 82% das importações brasileiras de fertilizantes potássicos em 2025.
Ao mesmo tempo, o Brasil possui participação inferior a 1% da produção mundial de potássio, o que evidencia a dependência do mercado externo para atender ao consumo nacional.
Diante da concentração da oferta, a busca por fornecedores alternativos aparece como uma das estratégias para reduzir a exposição do Brasil às oscilações do mercado internacional.
O levantamento da Aprosoja/MS mostra que países como China, Índia e Estados Unidos estão entre os grandes produtores mundiais de nitrogenados, mas possuem participação reduzida nas importações brasileiras. Isso indica a existência de potenciais alternativas, embora a disponibilidade para exportação e as condições comerciais precisem ser avaliadas.
A diversificação, no entanto, não depende apenas da existência de produção. É necessário considerar o excedente disponível em cada país, sua demanda interna, capacidade de exportação, preços e custos logísticos para que uma nova origem seja efetivamente competitiva para o mercado brasileiro.
Fonte: Aprosoja/MS
Autor:Crislaine Oliveira (Comunicação Aprosoja/MS)
Site: Aprosoja MS
Sustentabilidade
Soja avança no Pará e Tocantins e recua em Minas Gerais, aponta Serasa – MAIS SOJA

A área cultivada com soja aumentou cerca de 175 mil hectares no Pará e Tocantins na safra 2025/26, enquanto recuou aproximadamente 85 mil hectares em Minas Gerais, segundo levantamento da Serasa Experian.
No Pará, a área cresceu cerca de 100 mil hectares, para 1,3 milhão de hectares, enquanto no Tocantins houve avanço de 75 mil hectares, para 1,7 milhão de hectares. Em Minas Gerais, a área recuou para aproximadamente 2,75 milhões de hectares, registrando o segundo ano consecutivo de queda.
A expansão da soja nas últimas seis safras chegou a 92,7% no Pará, com acréscimo de cerca de 620 mil hectares, e a 44,4% no Tocantins, com aumento de aproximadamente 530 mil hectares. Em Minas Gerais, apesar do crescimento acumulado de 23,2% no período, a área caiu cerca de 5% desde a safra 2023/24.
O levantamento aponta que a retração da soja em Minas Gerais ocorreu simultaneamente ao avanço do milho de primeira safra. A área cultivada com o cereal aumentou cerca de 95 mil hectares, para aproximadamente 500 mil hectares em 2025/26.
O estudo também identificou cerca de 211 mil hectares de soja em imóveis com registros de supressão de vegetação considerados em critérios socioambientais do Manual de Crédito Rural (MCR). Desse total, aproximadamente 113 mil hectares estão no Tocantins, 70 mil no Pará e 28 mil em Minas Gerais.
Segundo a Serasa Experian, o indicador não caracteriza, isoladamente, irregularidade ambiental. O mapeamento é realizado com imagens de satélite e técnicas de geoprocessamento para acompanhar a expansão, retração e distribuição das culturas.
As informações são da assessoria de comunicação da Serasa.
Fonte: Agência Safras
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