Sustentabilidade
IPPA/CEPEA: Índice registra alta impulsionado pelos IPPA-Cana-Café e IPPA- Grãos – MAIS SOJA

O Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/CEPEA) registrou alta nominal de 1,53% em julho frente a junho. Segundo o Cepea, o resultado mensal foi impulsionado, sobretudo, pelas altas do IPPA-Cana-Café (6,61%) e do IPPA-Grãos (5,24%), que mais do que compensaram as quedas observadas no IPPA-Hortifrutícolas (-11,50%) e no IPPA-Pecuária (-3,00%).
De acordo com o Centro de Pesquisas, entre os produtos, destacaram-se as altas de café, arroz, milho, soja, trigo, leite, laranja e uva, enquanto cana-de-açúcar, algodão, boi gordo, frango vivo, suíno vivo, ovos, batata, tomate e banana exerceram influência baixista sobre seus respectivos grupos.
No cenário internacional, os preços dos alimentos em dólares avançaram 2,59%. Com isso, mesmo perante a valorização de 0,27% do Real frente ao dólar, os preços internacionais dos alimentos medidos em reais registraram alta de 2,32%, apontam pesquisadores do Cepea.
Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)
Autor:Cepea
Site: Cepea
Sustentabilidade
ARROZ/CEPEA: Baixa oferta sustenta cotações no RS – MAIS SOJA

A disponibilidade restrita de arroz em casca segue dando suporte às cotações no Rio Grande do Sul. Segundo o Cepea, a necessidade de compra das indústrias e as dificuldades de carregamento provocadas pelas chuvas reforçam esse cenário.
De acordo com o Centro de Pesquisas, produtores permanecem retraídos, diante da expectativa de valores mais elevados. Embora a diferença entre os preços ofertados pelos compradores e os pretendidos pelos vendedores tenha diminuído, a liquidez segue limitada. Neste cenário, algumas indústrias elevaram as ofertas de compra nos últimos dias e, em casos pontuais, chegaram a suspender temporariamente as vendas de arroz beneficiado por não conseguirem adquirir matéria-prima suficiente para atender novos pedidos.
Pesquisadores do Cepea ressaltam ainda que as chuvas dificultaram o carregamento do cereal em algumas regiões, aumentando a preferência por lotes já depositados nas unidades de beneficiamento.
Fonte: CEPEA
Autor:CEPEA
Site: CEPEA
Sustentabilidade
APROSOJA MS: EUA reduz estoques de milho e cenário pode favorecer preços em Mato Grosso do Sul – MAIS SOJA

O mercado internacional de milho ganhou um novo fator de sustentação com a divulgação do relatório WASDE de agosto, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O documento, divulgado em 12 de agosto, apresentou a estimativa de produtividade norte-americana baseada em levantamentos de campo para a safra 2026/2027 e apontou redução na produtividade, nas exportações e nos estoques finais projetados para o país.
A produtividade do milho nos Estados Unidos foi revisada de 183 para 180,7 sacas por acre entre julho e agosto. Ao mesmo tempo, a previsão de exportações subiu de 3,2 bilhões para 3,275 bilhões de bushels, enquanto os estoques finais recuaram de 1,790 bilhão para 1,653 bilhão de bushels. O preço médio recebido pelos produtores norte-americanos também foi revisado de US$ 4,40 para US$ 4,50 por bushel.
No cenário global, o estoque final de milho projetado para a safra 2026/27 caiu de 275,26 milhões para 274,66 milhões de toneladas entre os relatórios de julho e agosto. Para o Brasil, o USDA também reduziu de 11,10 milhões para 10,10 milhões de toneladas a projeção de estoques finais de milho para o próximo ciclo.
Para Mato Grosso do Sul, o cenário internacional se soma a uma oferta estadual menor. De acordo com o acompanhamento da Aprosoja/MS e do Projeto SIGA-MS, a segunda safra de milho 2025/26 tem área cultivada estimada em 2,206 milhões de hectares, aumento de 3% em relação ao ciclo anterior. Apesar da maior área, a produtividade média está estimada em 84,2 sacas por hectare, queda de 22,4%, resultando em uma produção projetada de 11,139 milhões de toneladas, 20,1% abaixo da safra anterior.
A colheita também segue em ritmo inferior ao observado no mesmo período da safra passada. No acompanhamento de 11 de agosto, o SIGA-MS registrava avanço de metade da área monitorada, 6,4 pontos percentuais abaixo do ritmo registrado no mesmo período de 2025. Chuvas irregulares, ventos fortes e ocorrências pontuais de granizo permanecem entre os principais fatores de atenção para o encerramento da colheita.
Para o analista de Economia da Aprosoja/MS, Raphael Gimenes, a combinação entre o cenário internacional e a menor oferta estadual merece atenção do produtor no momento da comercialização.
“O que temos neste momento é uma combinação de fatores que tende a dar sustentação ao mercado do milho. De um lado, o USDA reduziu os estoques projetados nos Estados Unidos e no mercado mundial. Do outro, Mato Grosso do Sul deve colher uma safra menor, enquanto a colheita ainda está em andamento. Isso não significa que os preços necessariamente vão subir, mas cria um ambiente mais favorável para a sustentação das cotações e reforça a importância de o produtor acompanhar o mercado antes de definir suas estratégias de venda.”, avalia.
Outro fator relevante para o mercado sul-mato-grossense é o crescimento da demanda interna. O informativo da Aprosoja/MS destaca a expansão da indústria de etanol de milho, que disputa a matéria-prima com o mercado exportador, enquanto o estado também enfrenta um déficit estrutural de armazenagem.
Nesse cenário, a decisão de comercialização deve considerar não apenas a cotação internacional, mas também o ritmo da colheita, a disponibilidade regional de armazenagem, a demanda das indústrias e as condições logísticas.
Soja apresenta cenário mais estável
Enquanto o milho apresenta sinais de maior sustentação, a soja segue em cenário mais equilibrado. O USDA manteve, em agosto, a projeção de 186 milhões de toneladas para a produção brasileira de soja na safra 2026/27 e de 118 milhões de toneladas para as exportações. No mercado norte-americano, a produção foi revisada de 4,475 bilhões para 4,519 bilhões de bushels, mas o aumento do esmagamento também contribuiu para absorver parte dessa oferta adicional.
Em Mato Grosso do Sul, a safra 2025/2026 de soja encerrou com produção de 16,744 milhões de toneladas, crescimento de 19,1% em relação ao ciclo anterior. A produtividade média estadual alcançou 60,40 sacas por hectare, alta de 16,6%.
De acordo com a análise da Aprosoja/MS, sem um choque de oferta no mercado internacional, brasileiro ou estadual, o comportamento dos preços da soja no curto prazo tende a depender principalmente de fatores como câmbio, frete e ritmo das compras externas, especialmente da China.
O próximo relatório WASDE do USDA está previsto para 11 de setembro. Em Mato Grosso do Sul, novas atualizações do Projeto SIGA-MS devem acompanhar o avanço e o fechamento da colheita da segunda safra de milho nas próximas semanas.
O boletim completo pode ser acessado aqui.
Autor: Aprosoja MS – Texto: Crislaine Oliveira (Comunicação Aprosoja/MS)
Sustentabilidade
Resistência de fungos a fungicidas na soja – MAIS SOJA

A resistência de patógenos a defensivos agrícolas constitui um dos principais desafios do manejo fitossanitário das culturas. Na soja, uma das culturas de maior importância econômica e extensão territorial no Brasil, as doenças de origem fúngica assumem papel central, demandando estratégias integradas de manejo e posicionamento adequado de fungicidas para preservar o potencial produtivo das lavouras.
Considerando que o desenvolvimento e o registro de defensivos, como os fungicidas, envolvem um processo longo, complexo e oneroso, preservar a eficácia das ferramentas atualmente disponíveis é fundamental para garantir a sustentabilidade e a rentabilidade da produção de soja. Nesse sentido, o manejo de doenças deve ir além da redução da incidência e severidade dos patógenos, incorporando também estratégias destinadas a retardar a seleção e o desenvolvimento de populações resistentes aos fungicidas.
Compreender os mecanismos envolvidos no desenvolvimento da resistência é, portanto, essencial para o correto posicionamento das ferramentas de manejo. A adoção de estratégias que reduzam a pressão de seleção sobre os patógenos contribui para prolongar a vida útil dos fungicidas disponíveis e preservar sua eficiência no controle das doenças ao longo das safras.
A resistência aos fungicidas pode se desenvolver de diferentes formas, resultando em dois padrões principais, a resistência qualitativa e a resistência quantitativa. A resistência qualitativa é causada por mutações pontuais no sítio de ação do fungicida, gerando altos níveis de resistência e grupos claramente distintos de isolados sensíveis e resistentes. Já a resistência quantitativa envolve múltiplos genes com efeitos parciais, levando a mudanças graduais na sensibilidade da população (FRAC-BR, 2026).
Figura 1. Padrões de resistência aos fungicidas.
Identificar o padrão de resistência pode contribuir para um melhor posicionamento de estratégias de manejo, como a alternância de mecanismos de ação e a integração de diferentes práticas de controle, contribuindo para preservar a eficácia dos fungicidas e retardar a evolução da resistência (FRAC-BR, 2026).
Diante da importância do manejo da resistência de fungos a fungicidas na soja, o Comitê de Ação à Resistência a Fungicidas (FRAC-BR) apresenta novas recomendações para o manejo de doenças na cultura. As orientações contemplam o uso de fungicidas multissítios, produtos biológicos e fungicidas pertencentes aos grupos das estrobilurinas, triazóis, triazolintionas e carboxamidas.
De modo geral, o FRAC-BR recomenda que os programas de controle de doenças na soja sejam estruturados com base em aplicações preventivas, utilizando fungicidas com diferentes modos de ação, em associação e rotação. Nesse contexto, deve-se priorizar a combinação de fungicidas multissítios com produtos de ação sítio-específica, como estrobilurinas, triazóis e carboxamidas, além da inserção de produtos biológicos nos programas de manejo.
De acordo com as orientações do FRAC, a rotação de modos de ação e de ingredientes ativos dentro de um mesmo grupo também é uma estratégia importante para reduzir a pressão de seleção sobre as populações do patógeno. O uso de fungicidas multissítios contribui para ampliar essa estratégia, especialmente quando associado a produtos de ação sítio-específica. Por outro lado, programas de aplicação iniciados de forma curativa podem favorecer a exposição contínua do patógeno aos fungicidas e aumentar a pressão de seleção sobre indivíduos menos sensíveis. Por isso, o posicionamento preventivo dos produtos deve ser priorizado.
Além do uso adequado de fungicidas, boas práticas agronômicas são fundamentais para reduzir a pressão de doenças e, consequentemente, diminuir a exposição dos patógenos aos produtos. Entre as principais medidas estão evitar semeaduras tardias, priorizar cultivares de ciclo precoce e com maior tolerância às doenças, respeitar o vazio sanitário, eliminar plantas voluntárias de soja, evitar o cultivo da oleaginosa em segunda safra e realizar o monitoramento frequente das lavouras. A integração dessas estratégias contribui para reduzir a pressão de seleção e prolongar a eficácia das ferramentas disponíveis para o manejo de doenças na cultura da soja (FRAC-BR, s.d.).
O Comitê também traz orientações específicas para os principais grupos de fungicidas utilizados no manejo fitossanitário da soja, destacando a importância da presença dos fungicidas multissítios em todas as aplicações (associados a sítio-específicos), a necessidade de se associar estrobilurinas a multissítios, triazóis, triazolintione ou carboxamidas e o limitem máximo de 2 (duas) aplicações de fungicidas do grupo das carboxamidas no ciclo de cultivo da soja. Vale destacar que visando não só uma maior performance no controle de doenças em soja como também o manejo da resistência dos fungos aos fungicidas, todo programa de controle deve ser iniciado de forma preventiva à ocorrência da doença.
Confira o documento completo com todas as recomendações para o manejo de doenças em soja clicando aqui! Para ter acesso ao Resumo das Orientações para Manejo da Resistência a Fungicidas do Grupo de Trabalho FRAC (WG) e de Fóruns de Especialistas (EF) relevantes para a Soja clique aqui!

Referências:
FRAC-BR. NOVAS RECOMENDAÇÕES PARA O MANEJO DE DOENÇAS EM SOJA. Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas, FRAC-BR, s.d. Disponível em: < https://3f2c8573-584c-4b16-985f-14dc48f9ab81.filesusr.com/ugd/6c1e70_f591d8b1a2934a109259af440b049052.pdf >, acesso em: 18/08/2026.
FRAC-BR. PADRÕES DE RESISTÊNCIA AOS FUNGICIDAS. Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas, FRAC-BR, 2026. Disponível em: < https://www.frac-br.org/post/padroes-de-resistencia-aos-fungicidas >, acesso em: 18/08/2026.
FRAC-BR. RESUMO DAS ORIENTAÇÕES PARA MANEJO DA RESISTÊNCIA A FUNGICIDAS DO GRUPO DE TRABALHO FRAC (WG) E DE FÓRUNS DE ESPECIALISTAS (EF) RELEVANTES PARA A SOJA. Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas, FRAC-BR, s.d. Disponível em: < https://3f2c8573-584c-4b16-985f-14dc48f9ab81.filesusr.com/ugd/6c1e70_58352c60ecba4a4c8c13a68aaf04cb3a.pdf >, acesso em: 18/08/2026.

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