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“Ninguém precisa esperar o corpo para a lei funcionar”, diz Delegada Jannira após fala de Galvan

Candidata a deputada estadual rebate declarações de Galvan e afirma que legislação permite agir preventivamente diante de ameaças e do descumprimento de medidas protetivas
A delegada de Polícia Civil e candidata a deputada estadual pelo MDB, Jannira Laranjeira, criticou declarações do candidato ao Senado Antônio Galvan (Avante) sobre feminicídio e afirmou que o poder público possui instrumentos legais para agir antes que a violência contra a mulher termine em morte.
A manifestação ocorreu após Galvan, ao comentar casos de feminicídio em Mato Grosso, questionar se seria possível prender um homem antes da ocorrência do crime. O candidato também afirmou que não vê a mesma ênfase pública quando mulheres matam homens e defendeu que não deveria haver diferenciação entre as leis para homens e mulheres.
Com experiência na Polícia Civil, Jannira rebateu principalmente a ideia de que situações que antecedem o feminicídio seriam apenas problemas pessoais.
“Feminicídio não é um problema pessoal. É o crime mais anunciado que existe. Antes da facada, vem a ameaça de morte, vem a perseguição no ambiente de trabalho e nas redes sociais, a invasão do domicílio, a destruição de objetos e a lesão corporal”, afirmou.
A delegada destacou que a Lei Maria da Penha prevê mecanismos para atuação preventiva, inclusive a possibilidade de prisão preventiva em determinadas situações.
“Sim, dá para prender antes. Ninguém precisa esperar o corpo para a lei funcionar”, disse Jannira.
Segundo a candidata, quando uma mulher que já pediu ajuda acaba assassinada, é necessário discutir também a capacidade do Estado de protegê-la.
“Se a lei permite e a mulher morre mesmo assim, o problema não é pessoal. O problema é de um Estado que não monitora o agressor e que não responde rapidamente às denúncias e aos pedidos de socorro das mulheres”, declarou.
Jannira afirmou que sua experiência atendendo ocorrências de violência contra a mulher motivou propostas voltadas à prevenção. Entre as medidas defendidas estão o monitoramento de agressores em tempo real, ampliação do alcance de tornozeleiras eletrônicas para o interior de Mato Grosso e resposta imediata diante do descumprimento de medidas protetivas.
“Eu passei anos chegando depois, chegando na cena do crime quando já não tinha mais quem proteger. Eu cansei de chegar depois. É por isso que sou candidata a deputada estadual: para fazer o Estado chegar antes”, concluiu.
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Lei que garante amamentação durante concursos completa sete anos

Medida assegura às mães o direito de amamentar os filhos durante provas e outras etapas de concursos públicos
A lei que garante às mães o direito de amamentar seus filhos durante a realização de concursos públicos completa sete anos de aprovação. A medida é resultado de um projeto apresentado pelo então senador e atual deputado federal Zé Medeiros (PL) e sancionado em 2019 pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Lei 13.872/2019 assegura às mães com filhos de até seis meses o direito de amamentar durante provas e outras etapas de concursos públicos da administração direta e indireta da União. A candidata pode amamentar a cada duas horas, por até 30 minutos, com o tempo utilizado compensado na realização da prova.
Ao relembrar a criação da proposta, Medeiros destacou que a iniciativa surgiu de uma experiência pessoal, quando ainda era concurseiro.
“Eu era concurseiro na minha juventude e via muitas mães que, às vezes, até abandonavam o concurso porque não podiam amamentar seus filhos durante a prova. Fiz esse projeto para mudar essa realidade e ele virou lei. É uma medida que beneficia muitas mães”, afirmou.
A legislação também determina que a candidata indique um acompanhante responsável pela guarda da criança durante o concurso. O acompanhante deve permanecer em local reservado e próximo ao espaço destinado à amamentação, enquanto a mãe será acompanhada por um fiscal durante o período.
Para ter direito à medida, a candidata deve solicitar previamente a condição à organização do concurso, conforme prazo estabelecido no edital. Segundo Medeiros, a aprovação da lei representa uma mudança importante para garantir que a maternidade não seja um obstáculo à participação das mulheres em concursos públicos.
Agro Mato Grosso
MPE investiga cobrança de R$ 60 por carro em cartão-postal de Chapada

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) instaurou um inquérito civil para apurar a cobrança de uma taxa de R$ 60 por veículo para acesso ao empreendimento Morro dos Ventos, Mirante e Restaurante, em Chapada dos Guimarães (67 km de Cuiabá.
A suspeita é de que a cobrança esteja sendo feita para utilização de acesso por via pública, o que poderia configurar restrição ao livre trânsito e prática abusiva contra consumidores.
A investigação foi aberta pelo promotor de Justiça Leandro Volochko, após notícia de fato apresentada por um consumidor à Ouvidoria do MP. Segundo o relato, o estabelecimento continuaria exigindo o pagamento mesmo depois da Prefeitura de Chapada dos Guimarães apontar a possível ilegalidade da cobrança e informar a abertura de procedimento administrativo para apurar o caso.
Conforme a denúncia, o valor chegou a ser efetivamente pago pelo consumidor, que teria recebido apenas um ticket interno como comprovante da cobrança. A Prefeitura informou ao órgão ministerial que a fiscalização municipal já havia identificado a irregularidade e lavrado o Auto de Infração 015/2025, relacionado à cobrança e ao suposto impedimento ao livre trânsito em via pública.
De acordo com a Procuradoria-Geral do Município (PGM), o empreendimento apresentou defesa, que atualmente está sob análise do órgão jurídico. A administração municipal também informou ter notificado previamente o estabelecimento para que suspendesse a cobrança.
Apesar do procedimento administrativo já instaurado pela Prefeitura, o promotor considerou necessário aprofundar a apuração, diante da possível violação aos direitos dos consumidores e ao livre acesso às vias públicas. Entre as medidas determinadas, está uma visita in loco ao empreendimento para verificar se a cobrança continua sendo realizada, como ela é exigida e se existem cancelas, barreiras físicas ou outros mecanismos de controle de acesso.
Também deverão ser verificadas eventuais placas informativas no local. O MP também notificará o representante legal do Morro dos Ventos para apresentar, em até 15 dias, defesa sobre os fundamentos jurídicos da cobrança e documentos que considerar pertinentes.
Além disso, o Município de Chapada dos Guimarães deverá encaminhar ao Ministério Público, no prazo de 15 dias, cópia integral do processo administrativo. A Secretaria Municipal de Planejamento deverá informar a natureza jurídica da via utilizada para chegar ao empreendimento, apresentando mapas, memoriais descritivos e projetos aprovados.
Os Procons Municipal e Estadual também serão consultados para informar se existem reclamações, procedimentos administrativos ou autuações relacionadas à cobrança de acesso ao local.
“Nesse contexto, decido instaurar Inquérito Civil com o objetivo de apurar a possível cobrança irregular para acesso a empreendimento turístico mediante utilização de via pública, eventual restrição ao livre trânsito, possível prática abusiva nas relações de consumo e a adequação das providências adotadas pelo Poder Público Municipal”, determinou.
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Estúdio Municipal Mestre Bolinha conclui primeiras gravações de artistas selecionados em Cuiabá

Iniciativa da Prefeitura já finalizou o trabalho de 15 dos 59 contemplados pelo edital, oferecendo estrutura profissional gratuita para músicos de diferentes gêneros e trayetórias
O Estúdio Municipal Mestre Bolinha já concluiu a produção e a gravação dos trabalhos de 15 dos 59 artistas selecionados pela Prefeitura de Cuiabá. As atividades começaram na semana seguinte à reunião de lançamento do projeto, realizada em 3 de junho, e marcam o avanço de uma iniciativa inédita no município, criada para ampliar o acesso dos músicos locais a uma estrutura profissional e fortalecer a produção autoral.
O projeto é executado pela Secretaria Municipal de Cultura e integra as políticas públicas de fomento à cultura. O Edital nº 02/2026 recebeu mais de 90 inscrições. Os contemplados foram definidos a partir de critérios como qualidade técnica e artística, adequação à proposta do estúdio, viabilidade de execução e clareza da proposta musical, respeitando a capacidade operacional do espaço.
Segundo o prefeito Abilio Brunini, os primeiros trabalhos demonstram que o estúdio começa a cumprir a finalidade para a qual foi criado. “Estamos oferecendo estrutura para que o talento cuiabano seja registrado com qualidade, ganhe visibilidade e possa chegar a públicos cada vez maiores”, afirmou. O secretário municipal de Cultura, Johnny Everson, ressaltou que o atendimento continuará até alcançar todos os contemplados, com organização, qualidade técnica e respeito à diversidade da produção cultural.
O processo começa com a gravação de uma guia, geralmente em voz e violão, a partir da qual são definidas referências, sonoridades e possibilidades de arranjo. O produtor musical e técnico de áudio Alisson Luís, conhecido como ShowCuia, acompanha o desenvolvimento até as etapas de mixagem, que envolve o equilíbrio dos elementos sonoros, e masterização, responsável pelo acabamento final. Segundo ele, as primeiras produções incluem música regional, gospel, funk, trap, rasqueado, lambadão, pagode, samba e rock.
Entre os primeiros participantes está a banda cuiabana Sem Diagnóstico, que retomou as atividades com uma nova formação após cerca de 20 anos de trajetória. Para a vocalista Manu Almeida, o acesso gratuito ao estúdio possibilitou recuperar composições que estavam guardadas por falta de recursos para gravá-las. “Isso nos fez acreditar na gente. Foi um incentivo para querer fazer mais”, relatou a artista, que pretende lançar as músicas nas plataformas digitais.
O projeto também abriu as portas do estúdio para quem vivencia a primeira experiência de gravação profissional. É o caso do autônomo Adilson Vieira, de 41 anos, que voltou a se dedicar à música após enfrentar acidentes e problemas pessoais. Inscrito pela esposa enquanto ainda estava hospitalizado, ele transformou uma de suas composições em uma faixa produzida. “É uma grande oportunidade e a realização de um sonho para quem está começando, quer gravar, mas não tem condições”, disse.
Diretor do Núcleo de Música da Secretaria Municipal de Cultura, Neto Moraes avalia que as primeiras gravações revelaram artistas e diferentes expressões musicais ainda pouco conhecidos na cidade. Após a conclusão dos 59 trabalhos, a Secretaria estuda novos desdobramentos para apoiar a inserção dos participantes no mercado, incluindo a possibilidade de promover eventos nos quais eles possam apresentar ao público as músicas produzidas no Estúdio Mestre Bolinha.
Com Prefeitura de Cuiabá
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