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Brasil adere a programa de pesquisa para agricultura sustentável da OCDE

O governo brasileiro formalizou a adesão ao Programa de Pesquisa Cooperativa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para Agricultura e Sistemas Alimentares Sustentáveis, conforme informou o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em nota.
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A carta de adesão foi entregue durante reunião na sede da organização, em Paris, ocorrida na última sexta-feira (24), com a participação do secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luís Rua, e do representante do Brasil junto às Organizações Internacionais Econômicas em Paris, o embaixador Sarquis J. B. Sarquis.
Pela OCDE, participaram o secretário-geral adjunto, Yasushi Masaki, e a diretora de Comércio e Agricultura, Marion Jansen.
Segundo a pasta, a entrada do Brasil no programa reforça a contribuição do país em pesquisa agropecuária, especialmente em agricultura tropical.
“O Brasil conta com uma rede de instituições de pesquisa, universidades e centros de excelência, com destaque para a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), cuja atuação tem sido parte central dos ganhos de produtividade e sustentabilidade da agricultura nacional. A participação no programa permitirá ao Brasil ampliar sua presença nas discussões da OCDE sobre agricultura, segurança alimentar, sustentabilidade e inovação”, disse o ministério na nota.
Há expectativa de que a adesão gere redução de custos de cooperação internacional, com acesso à rede de intercâmbio científico, bolsas de pesquisa, conferências, workshops e simpósios apoiados pelo programa.
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Safra de grãos 2025/26 é estimada em 361,7 milhões de toneladas pela Conab

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou em 361,7 milhões de toneladas a produção brasileira de grãos na safra 2025/26. O volume representa crescimento de 2,6% em relação à temporada anterior e avanço de 0,3% frente ao levantamento de agosto. Os dados constam no 12º Levantamento do Boletim da Safra de Grãos, publicado nesta terça-feira (15).
Segundo a Conab, a área plantada no país deve atingir 83,5 milhões de hectares, alta de 1,7% na comparação com o ciclo 2024/25. Os maiores avanços ocorreram na soja, com incorporação de 1,3 milhão de hectares, no milho, com aumento de 762,5 mil hectares, e no sorgo, que registrou expansão de 32,9%.
Entre as principais culturas, a soja deve alcançar 180,4 milhões de toneladas, com crescimento de 5,2% sobre a safra anterior. A área plantada da oleaginosa avança 2,7% e a produtividade sobe 2,5%. A estatal também projeta exportações recordes de 116,2 milhões de toneladas.
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No milho, a produção total foi estimada em 144 milhões de toneladas, alta de 2%. A primeira safra registra produtividade recorde de 7.191 kg por hectare, enquanto a segunda safra deve somar 112,1 milhões de toneladas. Já o algodão tem previsão de 4,14 milhões de toneladas, maior volume da série histórica, com produtividade de 2.053 kg por hectare de pluma.
Em direção oposta, arroz, feijão e trigo recuam na comparação anual. O arroz foi projetado em 11,08 milhões de toneladas, queda de 13,2%, com retração de 14% na área plantada. O feijão deve somar 2,95 milhões de toneladas, recuo de 3,6%, mesmo com rendimento médio de 1.161 kg por hectare. O trigo apresenta a maior queda entre as culturas, de 27,1%, para 5,74 milhões de toneladas, e as importações do cereal estão estimadas em 7,06 milhões de toneladas.
No clima, agosto teve volumes de chuva acima de 90 milímetros na Região Sul, no sul de São Paulo e no litoral do Nordeste. No Centro-Oeste, Norte e interior nordestino, os acumulados ficaram abaixo de 40 milímetros. A Conab informou que o tempo seco favoreceu a colheita no Centro-Oeste e no Sudeste, enquanto o excesso de chuva afetou pontualmente lavouras de trigo no Sul.
Para os próximos meses, a previsão climática indica chuvas abaixo da média em grande parte do Norte e do Nordeste e volumes acima da média na Região Sul, com risco de excesso hídrico em áreas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. De acordo com a Conab, esse cenário está associado à persistência do El Niño entre setembro e novembro.
Fonte: gov.br
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‘Ano que vem será melhor’, crença do produtor pode dificultar sucesso da RJ, diz advogada

O momento em que o pedido de recuperação judicial de um produtor rural chega ao Judiciário é tão relevante quanto o tamanho da dívida. Essa é a análise da advogada Renata Abalém, especializada em Direito do Agronegócio.
Ela ressalta que em atividades sujeitas a ciclos de safra, necessidade constante de financiamento e compromissos assumidos antes da geração da receita, a deterioração financeira costuma deixar sinais muito antes de a operação se tornar inviável.
Para a advogada, o problema é que, especialmente nas estruturas familiares, reconhecer os sinais de que o negócio “não anda bem das pernas” pode significar admitir que uma atividade construída ao longo de gerações precisa ser revista.
“A crise não vem de uma vez. A escassez do crédito também não. No caso do agro, estima-se que, ao menos três anos antes do ponto sem volta, o produtor já começa a perceber os sinais de não recuperabilidade, até porque a atividade é cíclica e minimamente previsível. Por óbvio que os eventos não previsíveis agravam e antecipam a crise, mas, pelo que tenho acompanhado ao longo dos anos, a falta de planejamento e antecipação do diagnóstico é causa preponderante da dificuldade em reorganizar a atividade como um todo”, afirma Renata.
Aumento nos pedidos de recuperação judicial
O Brasil registrou 474 pedidos de recuperação judicial ligados ao agro no primeiro trimestre de 2026, alta de 21,9% em relação aos 389 casos do mesmo período do ano passado, conforme dados da Serasa Experian.
Entre os produtores rurais pessoa jurídica, o crescimento foi ainda maior: 73,5%, passando de 113 para 196 solicitações. Já no universo dos agricultores pessoa física, pequenos proprietários responderam por 44 pedidos e médios por outros 37 no período.
A advogada salienta que a incapacidade de diagnosticar a situação e demorar na busca pela resolução do problema traz situações ainda mais delicadas quando se tratam de pequenos e médios produtores. Isso porque a gestão financeira costuma conviver com relações familiares, patrimônio, tradição e identidade pessoal, o que pode dificultar decisões como venda de ativos, renegociação antecipada, revisão da estrutura de crédito ou procura por assessoria jurídica antes da perda de liquidez.
Para Renata, a expectativa de que uma safra futura seja suficiente para recompor as perdas pode consumir justamente o período em que ainda existiriam alternativas à judicialização.
“É muito difícil para o pequeno ou médio produtor ter um olhar técnico, financeiro e jurídico sobre a sua atividade, que na maioria das vezes está na sua história há gerações. A crença de que ‘vai dar certo’, ‘ano que vem será melhor’, ‘na próxima safra resolvemos’ é o maior entrave para um diagnóstico precoce e para se traçar estratégias jurídicas de sucesso”, comenta.
Assim, quem olha para a atividade com olhar técnico e longe de paixão acaba por ter mais condições de traçar planejamento e estratégias realmente efetivas.
Problema se estende por toda a cadeia
O efeito de uma atividade agropecuária em apuros tende a ser mais relevante em municípios cuja força econômica está intimamente ligada à produção rural.
Quando um produtor reduz compras, atrasa pagamentos ou interrompe investimentos, o impacto pode chegar a revendas de insumos, transportadores, armazenadores, oficinas, prestadores de serviços e fornecedores que dependem do mesmo ciclo de produção.
“A saída judicial não atinge somente produtores rurais, mas empresas de apoio direto ao agronegócio, como armazéns gerais e holdings familiares ligadas à atividade rural, impactando de fornecedores locais a prestadores de serviços. Não é possível olhar para o agro problemático sem observar os problemas que dele orbitam”, pontua Renata.
Nesse contexto, a advogada salienta que a recuperação judicial pode preservar uma operação economicamente viável ao permitir a reorganização de determinadas obrigações, mas sua capacidade de cumprir esse papel depende das condições existentes no momento do pedido.
Desta forma, se o produtor já perdeu capital de giro, deteriorou a relação com fornecedores e comprometeu sua capacidade de financiar uma nova safra, o processo judicial passa a enfrentar uma limitação prática: suspender ou reorganizar dívidas não gera, por si só, os recursos necessários para continuar produzindo.
“Quanto mais tardio o pedido e mais fragilizada a relação com fornecedores no momento do protocolo da recuperação judicial, menor a chance de ela efetivamente sustentar a continuidade da produção e maior o risco de o instrumento se tornar apenas uma sobrevida temporária, sem resolver de fato o problema estrutural que levou à crise”, afirma a advogada.
Por isso, conforme a especialista, a discussão sobre recuperação judicial no campo precisa começar antes do processo. A avaliação deve considerar a capacidade futura de geração de caixa, o capital necessário para manter a atividade, o nível de comprometimento das receitas e as alternativas disponíveis para reorganizar as obrigações.
“A recuperação judicial deve servir para preservar a atividade, mas precisa ser intentada antes que o produtor tenha esgotado o capital de giro necessário para continuar plantando ou operando. É preciso olhar com tecnicidade e dureza para o binômio necessidade e efetividade. E esse momento é o quanto antes: ontem, mês passado, ano passado”, conclui.
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Colheita de café arábica atinge 99% na área da Expocacer

A colheita de café arábica no Cerrado Mineiro alcançou 99% na área de atuação da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer) até sexta-feira (11). Segundo a cooperativa, cerca de 90% da produção já foi beneficiada, com rendimento médio de 455 litros por saca de 60 quilos beneficiada. O encerramento dos trabalhos ocorre em ritmo mais lento nesta etapa final, com poucas áreas ainda em finalização.
A Expocacer informou que a maior parte das propriedades monitoradas já concluiu a colheita. Em 2025, as operações haviam sido encerradas neste mesmo período.
De acordo com os técnicos de campo da cooperativa, cerca de 30% do volume total da safra corresponde ao café de chão, dos quais aproximadamente 80% já foram recolhidos. O índice médio de catação está em torno de 21%, influenciado principalmente pela maior participação desse café.
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O avanço da colheita foi interrompido entre os dias 5 e 9 de setembro por causa das chuvas, que elevaram a umidade do solo e inviabilizaram o tráfego de máquinas e as operações mecanizadas.
Na avaliação da cooperativa, uma nova florada já foi observada no Cerrado Mineiro e corresponde, em média, a 33% do potencial total de floração. Nas lavouras de carga baixa ou safra zero, a intensidade e a uniformidade foram maiores. Já nas áreas com cargas produtivas elevadas, a florada teve menor intensidade.
Os técnicos apontam que a continuidade das precipitações poderá favorecer a abertura de outra florada, também com potencial médio de 33%, enquanto o restante deverá ocorrer entre outubro e novembro. Como essas primeiras floradas ocorreram de forma precoce, a recomendação é adiantar o planejamento dos manejos nutricionais, com atenção à distribuição de corretivos e ao início das adubações. Também foi indicada a intensificação do monitoramento da broca-do-café e o acompanhamento da desuniformidade de maturação na próxima safra.
Em Patrocínio (MG), o acumulado de chuva em setembro chegou a 43,1 milímetros até o dia 11, acima dos 35,9 mm registrados no mesmo período da safra 2025/26. A previsão para os próximos dias indica baixos volumes de precipitação e manutenção da irregularidade das chuvas, com oscilação de temperaturas.
Segundo a Expocacer, a reta final da colheita no Cerrado Mineiro coincide com o retorno das chuvas e com a antecipação da florada, cenário que amplia a necessidade de acompanhamento meteorológico e de planejamento das operações agrícolas nas lavouras de café.
Fonte: Estadão Conteúdo
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