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12 de junho de 2026

Sustentabilidade

Ceema/Unijuí: Pressão em Chicago e expectativa pela safrinha estabilizam preços do milho no Brasil – MAIS SOJA

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As cotações do milho, em Chicago, igualmente voltaram a recuar nesta semana, atingindo a US$ 4,17/bushel no dia 05/06, a mais baixa cotação desde o dia 15/10/2025. Já o fechamento da quinta-feira (11) foi ainda pior, ficando em US$ 4,11/bushel, contra US$ 4,23 uma semana antes. Pesou para isso o relatório de oferta e demanda do USDA, anunciado neste dia 11.

O mesmo indicou, para o milho, no novo ano de 2026/27, os seguintes principais números:

  1. A produção estadunidense de milho foi mantida em 406,3 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais estão estimados em 49,8 milhões;
  2. A produção mundial de milho foi aumentada para 1,3 bilhão de toneladas, enquanto os estoques finais mundiais ficam estimados em 281,2 milhões, ganhando quase 4 milhões sobre o relatório de maio;
  3. A produção brasileira e argentina ficariam em 139 e 55 milhões de toneladas respectivamente;
  4. O Brasil deverá exportar 44 milhões de toneladas de milho no ano comercial indicado, contra 80 milhões por parte dos EUA e 38 milhões de toneladas da Argentina;
  5. O preço médio ao produtor estadunidense do cereal, em 2026/27, está projetado em US$ 4,40/bushel.

Dito isso, o plantio do milho nos EUA atingiu a 97% da área no dia 07/06, contra a média de 96% para a data. Por sua vez, 67% das lavouras estavam entre boas a excelentes, contra 71% na mesma época do ano passado. Outras 27% estavam regulares e 6% entre ruins a muito ruins.

E no Brasil os preços se estabilizaram, com as principais praças gaúchas mantendo os R$ 58,00/saco, enquanto no restante do país os preços oscilaram entre R$ 42,00 e R$ 60,00/saco, dependendo da região.

Vale destacar que os compradores estão relativamente afastados do mercado físico de pronta entrega, pois estão estocados para o consumo de curto prazo e na expectativa da entrada da nova safrinha. Além disso, o recuo nos preços internacionais do milho ajudam para esta tomada de decisão, pois pressionam para baixo os preços internos do cereal. Já pelo lado dos vendedores, quem não precisa fazer caixa ou liberar armazéns, tenta segurar as vendas esperando melhoria dos preços nos meses futuros diante da expectativa de uma safrinha menor. Enquanto isso, a colheita da safrinha, até o dia 04/06, teria chegado a 4,4% da área no Centro-Sul brasileiro, com a expectativa de colheira final em 108,2 milhões de toneladas para a safrinha (cf. AgRural).

Somando este volume ao que espera a Conab para a primeira e terceira safras, o país chegaria a uma produção total de 139,9 milhões de toneladas. A colheita da safrinha, em todo o Brasil, atingia a 3% da área no dia 05/06 (cf. Conab).

Particularmente no Mato Grosso, o maior produtor nacional de milho, a colheita chegava a 5,8% da área no dia 05/06, contra a média histórica de 6,8% nesta data. A produção mato-grossense é esperada em 53,4 milhões de toneladas (cf. Imea). Diante de tal quadro, por enquanto os preços do milho tentam se ajustar, também sob pressão da maior competitividade do produto argentino (cf. Cepea).

Enfim, as exportações brasileiras de milho, nos primeiros quatro dias úteis de junho, atingiram a 126.062 toneladas, representando 34% de tudo o que foi exportado em junho do ano passado. A média diária foi 70,6% superior à média de todo o mês de junho de 2025.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).


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Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ

Site: Ceema/Unijuí

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Ceema/Unijuí: Soja despenca em Chicago com avanço da safra nos EUA, mas câmbio segura preços no Brasil – MAIS SOJA

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As cotações da soja, em Chicago, despencaram mais uma vez nesta semana, com o bushel chegando a atingir US$ 11,13 no dia 09/06, a mais baixa cotação, para o primeiro mês cotado, desde o início de fevereiro passado. O farelo igualmente recuou, chegando a US$ 301,10/tonelada curta no mesmo dia, enquanto o óleo de soja recuou para 74,12 centavos de dólar por libra-peso ainda no dia 05/06.

Posteriormente, o mercado melhorou um pouco, com o fechamento da quinta-feira (11) ficando em US$ 11,15/bushel, porém, não o suficiente para chegar aos US$ 11,28 de uma semana antes. Esse movimento, mesmo com a continuidade das tensões no Oriente Médio, ocorreu diante do bom andamento da nova safra nos EUA e na expectativa do relatório de oferta e demanda do USDA, anunciado neste dia 11/06.

O referido relatório apontou, para a safra 2026/27, os seguintes principais números:

  1. Foi mantida a estimativa de produção nos EUA em 120,7 milhões de toneladas e os estoques finais naquele país em 8,4 milhões;
  2. A produção mundial foi fixada em 441,3 milhões de toneladas, praticamente sem alterações em relação a maio, assim como os estoques finais mundiais, que ficaram em 124,9 milhões de toneladas;
  3. A produção estimada para o Brasil e a Argentina ficou em 186 e 50 milhões de toneladas respectivamente;
  4. As importações da China também foram mantidas, neste caso em 114 milhões de toneladas;
  5. O preço médio ao produtor de soja estadunidense, para 2026/27, está projetado em US$ 11,40/bushel.

Por sua vez, o plantio da nova safra de soja estadunidense alcançava 92% da área esperada no dia 07/06, contra 88% na média. Ao mesmo tempo, houve pequeno recuo no percentual das lavouras em condições entre boas a excelentes, com as mesmas passando de 66% para 65% na mesma data. Em condições regulares havia 29% e entre ruins a muito ruins apenas 6%.

Já pelo lado da demanda, as importações chinesas de soja recuaram 15,3% em maio, comparativamente com maio do ano passado, porém, o volume foi o terceiro maior registrado para o mês na história destas compras. O total ficou em 11,8 milhões de toneladas, contra 13,9 milhões um ano antes. Nos primeiros cinco meses do ano a China recebeu 36,9 milhões de toneladas de soja, com recuo de 0,4% sobre o mesmo período do ano anterior. Por sua vez, o Brasil exportou 14,8 milhões de toneladas de soja em maio, sendo a China o maior comprador.

De forma geral, o mercado espera que a China compre mais soja dos EUA daqui em diante, após as negociações com os EUA em meados de maio. Todavia, até o momento, os chineses não realizaram grandes compras neste mercado.

No Brasil, mesmo com o recuo em Chicago, a desvalorização do Real para R$ 5,17 por dólar durante a semana permitiu uma pequena melhoria nos preços internos da soja, com as principais praças gaúchas voltando a R$ 115,00/saco, enquanto no restante do país os valores oscilaram entre R$ 101,00 e R$ 115,00/saco.

Dito isso, espera-se exportações de 14,4 milhões de toneladas de soja em junho, contra 13,8 milhões no mesmo mês do ano passado. A expectativa é que o Brasil exporte 72,9 milhões de toneladas de soja no primeiro semestre de 2026. Já os embarques de farelo de soja devem alcançar 2,3 milhões de toneladas em junho (cf. Anec).

Enfim, o Sistema Famato informou que o vazio sanitário da soja começou dia 08/06 no Mato Grosso e irá até o dia 07/09. Durante esse período é proibida a existência de plantas vivas em lavouras, margens de rodovias, áreas de armazenamento e demais locais onde possa haver germinação espontânea.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).


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Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ

Site: Ceema/Unijuí

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Ceema/Unijuí: Com safra velha escassa, preço do trigo avança no Brasil apesar de oscilações em Chicago – MAIS SOJA

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Trigo: O primeiro mês cotado confirmou o recuo em seus valores, iniciado no final da semana anterior, chegando a US$ 5,80/bushel no dia 05/06. Posteriormente, houve pequena melhora, diante dos números provenientes do novo relatório de oferta e demanda do USDA, com o fechamento da quinta-feira (11) ficando em US$ 5,86/bushel, contra US$ 5,81 uma semana antes.

O relatório do USDA, para o ano 2026/27, indicou o seguinte:

  1. A produção dos EUA foi reduzida em cerca de 500.000 toneladas, ficando estimada, agora, em 42 milhões de toneladas;
  2. Os estoques finais dos EUA recuam na mesma dimensão, ficando em 20,2 milhões de toneladas;
  3. A produção mundial de trigo alcançaria 820,1 milhões de toneladas, ganhando um milhão sobre maio, porém, abaixo das 844,4 milhões do ano anterior;
  4. Já os estoques finais estadunidenses do cereal ficam estimados em 275,4 milhões de toneladas;
  5. A produção da Argentina alcançaria 21 milhões de toneladas e a do Brasil 6,7 milhões;
  6. O Brasil deverá importar 7,2 milhões de toneladas de trigo e exportar 2 milhões;
  7. O preço médio ao produtor estadunidense de trigo, no novo ano comercial, ficaria em US$ 6,00/bushel, contra US$ 6,50 projetado em maio.

De forma geral, o mercado mundial do trigo busca estabilizar nos atuais níveis, diante do avanço da colheita nos EUA e outros países do Hemisfério Norte.

Já no Brasil, os preços continuaram subindo. No Rio Grande do Sul o saco de trigo de qualidade superior variou entre R$ 69,00 e R$ 70,00 na semana, enquanto no Paraná os mesmos se mantiveram em R$ 70,00. Isso se dá pela baixa oferta do produto oriundo da safra velha. Por outro lado, os moinhos encontram dificuldades para repassar tais preços diante da impossibilidade em aumentar os preços da farinha ao consumidor final.

Assim, no Paraná as indicações de compra dos moinhos têm girado entre R$ 1.370,00 e R$ 1.400,00/tonelada CIF, enquanto vendedores trabalham com valores entre R$ 1.400,00 e R$ 1.450,00/tonelada FOB. O mercado acompanha o novo plantio, onde uma forte redução de área é esperada, assim como o comportamento do clima sobre as regiões produtoras. Neste contexto, o plantio nacional teria atingido a 45,3% do total previsto para este ano, contra a média de 44,7%. Até o último dia cinco de junho o plantio já havia sido concluído em São Paulo e Mato Grosso do Sul, seguidos por Goiás e Minas Gerais (99%), Paraná (67%), Bahia (60%), Rio Grande do Sul (13%) e Santa Catarina (2,4%). Das áreas semeadas, 19,3% estavam germinadas (cf. Conab).

Enfim, o trigo argentino continua sendo a referência para as importações brasileiras, pois o vizinho país é o nosso principal fornecedor. As indicações FOB para embarques em julho permaneceram em US$ 245,00 por tonelada, para o trigo com 11% de proteína, enquanto o Brasil já teria importado 4,49 milhões de toneladas entre agosto/25 e os primeiros dias de junho/26. Este volume está abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior, que foi de 5,33 milhões. Por sua vez, os estados brasileiros que mais importaram foram: Ceará, com 963.700 toneladas (21,5%); São Paulo, com 941.300 toneladas (21,0%); Bahia, com 633.400 toneladas (14,1%); e Pernambuco, com 575.900 toneladas (12,8%). Enquanto isso, entre abril e junho do corrente ano, 85,7% das importações vieram da Argentina, ou seja, 1,01 milhão de toneladas.

Os outros fornecedores foram a Rússia, com 30.100 toneladas; Turquia, com 26.000 toneladas; e Uruguai, com 9.500 toneladas. “Enquanto a oferta da safra velha continuar limitada e a nova colheita ainda não ganhar ritmo, o mercado tende a permanecer sustentado, embora sem força suficiente para acelerar o volume de negociações. O comportamento da moagem, da demanda por farinha e da evolução da nova safra serão os principais fatores a definir a direção dos preços do trigo no segundo semestre” (cf. Safras & Mercado).

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).


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Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ

Site: Ceema/Unijuí

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Zoneamento Agrícola de Risco Climático: uma nova abordagem – MAIS SOJA

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Por Décio Luiz Gazzoni. Engenheiro agrônomo, membro do CCAS (Conselho Científico Agro Sustentável) e da Academia Brasileira de Ciência Agronômica (ABCA) e José Renato Bouças Farias, engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Soja

A agricultura é, por definição, uma atividade de risco. Nenhum outro setor da economia depende tanto das condições do tempo e do clima quanto o campo. Secas, veranicos, geadas, chuvas na colheita, excesso hídrico e temperaturas extremas podem comprometer meses ou anos de trabalho, em poucos dias.

Nesse contexto, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) – regulamentado pelo Decreto 9.841/2019 e gerenciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – constitui uma das principais ferramentas de gestão de risco da agropecuária brasileira. Ele define regiões e períodos de semeadura associados ao menor risco climático para cada cultura agrícola,  servindo como base legal para políticas públicas, como crédito rural e seguro agrícola. Seu objetivo é melhorar a qualidade e a disponibilidade de dados sobre riscos agroclimáticos no Brasil e quantificar e delimitar o risco no tempo e no espaço.  Dessa forma, auxilia a definição de espécies, cultivares e sistemas de produção mais adequados às diferentes condições edafoclimáticas do país.

O ZARC-NM é uma evolução do conceito e da metodologia do ZARC, incorporando os níveis de manejo do solo como variável determinante do risco hídrico das lavouras. Os resultados experimentais da Embrapa mostram que a disponibilidade hídrica – consequentemente o risco climático – são diretamente impactados pelo manejo agrícola. Destarte, não se trata apenas de uma ferramenta técnica, constitui-se em um instrumento de governança da política agrícola. Os programas públicos de gestão de risco — PSR e Proagro — utilizam recursos do erário, e sua eficiência depende diretamente da qualidade das informações sobre o risco real de cada lavoura. É a aplicação do conhecimento agronômico para proteger o produtor rural e os contribuintes brasileiros.

O risco hídrico e a capacidade de água disponível

O ZARC-NM foi estudado e desenvolvido a partir de um princípio agronômico fundamental: em lavouras de sequeiro, a água disponível para as culturas provém das chuvas e da reserva disponibilizada pelo solo. As chuvas são imprevisíveis e altamente variáveis entre safras e regiões. O que o produtor pode controlar é o volume de água que o solo é capaz de disponibilizar para as raízes, a denominada Capacidade de Água Disponível (CAD).

A CAD é calculada a partir de dois fatores: a Água Disponível do solo (AD, em mm/cm (água/solo), que depende da textura do perfil) e a profundidade efetiva do sistema radicular (Ze). A relação entre esses fatores pode ser expressa pela equação:

CAD = AD × Ze

Embora matematicamente simples, essa relação tem implicações práticas profundas. Um solo argiloso com 78% de argila, por exemplo, tem AD naturalmente elevada, mas se o sistema radicular for raso (Ze de apenas 40 cm, como pode ocorrer em solos compactados ou com saturação de alumínio elevada), a CAD resultante pode ser menor do que a de um solo arenoso com apenas 13% de argila, desde que esse último solo tenha raízes chegando a 100 cm de profundidade. Esse é o ponto central do ZARC-NM: o manejo do solo determina quanto das reservas hídricas a planta efetivamente pode acessar.

Níveis de Manejo e profundidade radicular

A metodologia do ZARC-NM classifica as lavouras em quatro Níveis de Manejo (NM), definidos a partir do histórico e da qualidade das práticas conservacionistas adotadas. Os indicadores avaliados incluem o tempo sem revolvimento do solo, a cobertura com palhada em pré-semeadura, a saturação por bases e por alumínio em subsuperfície, o teor de cálcio entre 20 e 40 cm de profundidade, e a diversidade de culturas nos últimos três anos agrícolas. Cada indicador recebe uma pontuação e o conjunto determina o NM final da área. A classificação segue regras metodológicas detalhadas na chamada “Proposta 17”, desenvolvida pela Embrapa, a qual combina critérios mínimos e médias ponderadas para evitar que uma única prática ruim ou uma única prática excelente distorça a classificação geral.

A profundidade efetiva do sistema radicular associada a cada nível de manejo foi determinada experimentalmente. No NM1, adota-se Ze de 40 cm; no NM2, 60 cm; no NM3, 80 cm; e no NM4, 100 cm. Essas valores correspondem a medições de campo em experimentos de longa duração conduzidos pela Embrapa, e refletem o efeito acumulado de práticas como plantio direto contínuo, diversificação de culturas, calagem em profundidade e uso de plantas de cobertura com alto potencial de enraizamento, como a Brachiaria ruziziensis.

Classes de AD e a nova lógica de classificação dos solos

Outro elemento metodológico relevante do ZARC-NM é a nova classificação de solos por classes de AD. O sistema anterior do ZARC reconhecia três tipos de solo, em função basicamente dos teores de argila. Para a cultura da soja, por exemplo, eram considerados os solos Tipo 1 com CAD de referência de 35 mm, Tipo 2 (CAD = 55 mm), e Tipo 3 (CAD = 75 mm). A partir de 2023, essa classificação foi substituída por seis classes de AD (AD1 a AD6), estimadas por funções de pedotransferência que consideram os teores de argila, silte e areia. Assim, refletem com maior precisão a variabilidade real dos solos brasileiros. Os valores de referência de AD variam de 0,40 mm/cm (AD1, solos muito arenosos) até 1,59 mm/cm (AD6, solos muito argilosos e bem estruturados). Combinadas com as quatro profundidades radiculares dos NMs, essas classes geram uma matriz de CADs que vai de apenas 16 mm (AD1 + NM1) até 159 mm (AD6 + NM4) — uma amplitude que reflete, com precisão agronômica, o enorme espectro de resiliência hídrica presente nas lavouras brasileiras.

Para fins operacionais, os valores de CAD foram reagrupados em 10 classes de solos, cada uma com um valor de referência central (de 20 mm a 207 mm), que alimentam o modelo de balanço hídrico usado para calcular o Índice de Satisfação da Necessidade de Água (ISNA) de cada decêndio de semeadura. Esse índice, calculado como a razão entre a evapotranspiração real (ETr) e a máxima (ETm), é o parâmetro que determina se uma janela de semeadura é classificada como de baixo, médio ou alto risco climático.

Impactos agronômicos e regionais

A adoção do ZARC-NM reduz os riscos climáticos para os produtores brasileiros. Aplicando-se os conceitos do ZARC-NM em algumas regiões produtoras de soja, percebe-se a predominância do NM2, embora muitas áreas permaneçam classificadas em NM1 em diversas regiões no Brasil. No noroeste do Paraná, estado com tradição consolidada em plantio direto e rotação de culturas, os resultados indicam que 53% dos talhões de soja são classificados em NM2, 26% em NM3, 15% em NM1 e apenas 6% em NM4. Esse perfil reflete o avanço das boas práticas conservacionistas, mas também o espaço ainda existente para evolução. No sudoeste do Mato Grosso do Sul, a situação é mais desafiadora: 40% das áreas encontram-se em NM1, 42% em NM2, 16% em NM3 e apenas 2% em NM4. Esse diagnóstico regional é fundamental para orientar políticas de extensão rural e crédito agrícola diferenciado, fomentando a adoção de boas práticas agrícolas e, consequentemente, a maior sustentabilidade dos sistemas produtivos de grãos.

Apesar da complexidade metodológica envolvida, os pesquisadores elaboraram um aplicativo muito intuitivo e fácil de operar pelo produtor rural. Trata-se do ZARC Plantio Certo, disponível nas lojas nas versões iOS e Android, congregando previsão do tempo, imagens de satélite, mapas de precipitação e dados históricos de produtividade municipal.

Validação a campo, em diferentes locais e safras

A robustez científica do ZARC-NM foi demonstrada em um experimento de longa duração conduzido em Dourados (MS), abrangendo 25 safras de soja entre 1998/99 e 2021/22. Os resultados, apresentados no XXIII Congresso Brasileiro de Agrometeorologia em 2025, demonstraram que a produtividade relativa estimada pelo modelo aumenta sistematicamente com o nível de manejo. Em média, as produtividades relativas corresponderam a 44% do potencial produtivo em NM1, 56% no NM2, 67% no NM3 e 79% no NM4. A diferença de 35 pontos percentuais entre NM1 e NM4, consistente ao longo de mais de duas décadas e safras, sob condições climáticas muito distintas, valida empiricamente o que os modelos matemáticos projetaram.

Algumas safras ilustram com particular clareza o papel do manejo. Em 2021/22 — ano de seca intensa no Paraná e Mato Grosso do Sul — a produtividade relativa estimada para áreas classificadas em NM1 foi de apenas 8%, enquanto áreas em NM4 atingiram 78%. Em 2007/08, outra safra com forte déficit hídrico, os valores foram de 45% e 89%, respectivamente. Em cenários de estresse hídrico extremo, o NM não é apenas um indicador de eficiência agronômica, mas também um fator de sobrevivência econômica da propriedade, a diferença entre o sucesso e a falência!

Implicações para a política agrícola

A nova versão (ZARC-NM) produz implicações relevantes na política agrícola brasileira. Numa segunda fase do Projeto Piloto para a cultura da soja, agora para os estados do PR, MS, SC e RS, o Programa de Subvenção ao Seguro Rural (PSR) passou a vincular o percentual de subvenção do seguro rural ao nível de manejo adotado pelo produtor. Desta forma, lavouras classificadas em NM1 recebem subvenção de 20%, enquanto áreas classificadas em NM4 podem alcançar até 40%. A lógica é objetiva: quem protege o solo, conserva recursos hídricos e fixa carbono merece mais apoio público. Trata-se, portanto, de um incentivo econômico às boas práticas agronômicas.

Ao incorporar o nível de manejo na definição do risco climático, o ZARC-NM permite que o Estado aloque subvenções de forma mais justa e eficiente, recompensando quem investe em sustentabilidade e onera menos o sistema de seguros. O resultado esperado é um ciclo virtuoso: mais incentivo às boas práticas agrícolas, menor sinistralidade, maior estabilidade de produção e maior sustentabilidade do agronegócio brasileiro no longo prazo.

Em maio de 2026, a Academia Brasileira de Ciência Agronômica promoveu um webinário para apresentar a proposta, as bases e os resultados de validação do ZARC-NM, que passa de uma fase de testes para aplicação em larga escala na cultura da soja, já na safra 2026/27. Aos interessados em aprofundar o conhecimento sobre o tema, recomenda-se assistir o referido webinário, disponível em youtu.be/Bj2Q7AZ9_RU ou e na página da ABCA (abcagro.org.br/comunicacao/noticia/100056)

Fonte: Assessoria de imprensa


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