Sustentabilidade
Ceema: Trigo dispara em Chicago ao maior valor em 3 anos, mas safra brasileira encolhe quase 28% – MAIS SOJA

O trigo viu seu preço disparar, mais uma vez, em Chicago nesta semana, com o bushel chegando a atingir a US$ 7,05, algo que não se via desde o dia 27/07/2023, ou seja, há praticamente três anos. Já na quinta-feira o mercado cedeu um pouco, fechando o dia em US$ 6,96/bushel, contra US$ 6,74 uma semana antes.
Os principais motivos são a baixa produção de trigo nos EUA, neste ano, e particularmente o retorno de conflitos bélicos mais agudos no Mar Negro, envolvendo Rússia e Ucrânia, dois importantes produtores e exportadores do cereal.
Dito isso, o trigo de inverno nos EUA, até o dia 19/07, estava com 74% da área colhida, contra 71% na média histórica. Enquanto isso, o trigo de primavera apresentava, na mesma data, 12% de suas lavouras em condições ruins a muito ruins, outras 35% estavam regulares e apenas 53% entre boas a excelentes condições.
Destaque, ainda, para o fato de que os preços de exportação do trigo russo recuaram em função dos problemas no Mar Negro e no Estreito de Ormuz devido as guerras ali existentes. Há previsões contínuas de queda nos embarques de trigo da Rússia no restante de julho, mesmo com o recuo em suas cotações. Já o preço do trigo de exportação da nova safra russa, com 12,5% de teor de proteína, para entrega FOB em agosto, subiu US$ 7,00/tonelada, atingindo a US$ 235,00/tonelada no final da semana passada, em comparação com a semana anterior. Neste caso, o agravamento das tensões bélicas na região do Mar Negro vem elevando os preços do cereal russo.
Neste sentido, a consultoria Sovecon “estimou os preços da semana passada, para o trigo da nova safra da Rússia, com 12,5% de proteína, entre US$ 238,00 e US$241,00/tonelada, em comparação com US$ 227,00 a US$ 229,00 na semana anterior. A referida agência revisou para baixo sua estimativa para as exportações de trigo em julho, com a mesma recuando 500.000 toneladas, ficando em 1,5 milhão de toneladas.”
Além disso, a colheita russa de trigo está atrasada, sendo que até o dia 17/07 a mesma atingia 15,9 milhões de toneladas, de um total esperado entre 88 e 89 milhões de toneladas.
E no Brasil os preços do trigo permaneceram entre R$ 70,00 e R$ 71,00/saco nas principais praças gaúchas e paranaenses. Neste momento existe grande preocupação com o aumento da umidade junto ao trigo do Paraná, assim como com as fortes e constantes chuvas no Rio Grande do Sul, sendo que o plantio neste estado está praticamente encerrado. Em Santa Catarina o plantio atingia a 77% da área esperada, enquanto em Goiás a colheita do cereal chegava a 40% da área cultivada e em Minas Gerais 5%. Mas no total, até o momento apenas 1,3% da área total brasileira está colhida, contra 2,5% na média para esta data.
Enfim, estimativas do analista privado Safras & Mercado são ainda piores do que as vindas da Conab. Segundo o mesmo, a área semeada com trigo, em 2026, será de apenas 1,9 milhão de hectares, recuando 20% sobre o ano passado. Com isso, a produção deverá ficar em 5,86 milhões de toneladas, caindo 27,9% sobre o colhido no ano anterior. O rendimento médio das lavouras seria de 3.073 quilos por hectare, recuando aproximadamente 10%. Um dos motivos é o agravamento da relação entre custos de produção e preços recebidos. Mas há outros fatores elencados, tais como: aumento expressivo dos fertilizantes, principalmente nitrogenados; impactos das tensões geopolíticas no Oriente Médio sobre os insumos agrícolas; preços internos pressionados pela ampla oferta internacional; concorrência crescente do trigo importado; e sucessivas safras com margens reduzidas ou negativas.
Além disso, há o alto endividamento dos produtores, muitos já inadimplentes, e a limitada cobertura do seguro agrícola, sem falar do elevado risco climático que venha acompanhando a cultura. Assim, as importações brasileiras de trigo, no próximo ano comercial, podem superar as 8 milhões de toneladas. Obviamente, isso aumenta nossa dependência para com o trigo da Argentina. Ainda segundo Safras & Mercado, no Rio Grande do Sul, hoje o principal produtor nacional de trigo, a área plantada deve ter caído 28,6%, totalizando 750.000 hectares.
A produção poderá recuar 33,3%, para 2,4 milhões de toneladas. Já no Paraná, segundo maior produtor brasileiro, a área deverá diminuir 13,5%, alcançando 740.000 hectares e sua produção está estimada em 2,2 milhões de toneladas, com recuo de 21,4%. Em Santa Catarina, o recuo será de 21,1% na produção; em São Paulo, 19%; em Minas Gerais, 40%; em Goiás e Distrito Federal, 22%; no Mato Grosso do Sul, 28,6%; e na Bahia, 16,7%. Tudo isso, sem considerar ainda as possíveis perdas climáticas que poderão se abater sobre as lavouras tritícolas.
Enfim, o Brasil importou menos trigo no primeiro semestre de 2026, atingindo a 2,77 milhões de toneladas, contra 3,57 milhões no mesmo período de 2025. Mas esse quadro deverá mudar a partir deste segundo semestre, continuando em 2027 diante do forte recuo na produção nacional do cereal na atual safra.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
Agro Mato Grosso
DIA DO AGRICULTOR: Acessa Agro lança campanha com até 60%OFF e presente no resgate!

Produtores cadastrados poderão utilizar suas SynCoins, moedas digitais do programa, em resgates com descontos de até 60%
O Acessa Agro, programa de fidelidade da Syngenta, lançou uma campanha especial em comemoração ao Dia do Agricultor, celebrado em 28 de julho. Entre os dias 27 de julho e 2 de agosto, produtores cadastrados poderão utilizar suas SynCoins, moedas digitais do programa, em resgates com descontos de até 60% em produtos selecionados voltados à atividade agrícola.
A campanha integra as iniciativas de relacionamento do programa com os produtores rurais e reforça a proposta de estar sempre ao lado de quem vive a rotina do campo, em um cenário marcado por desafios climáticos, oscilações de mercado e decisões cada vez mais estratégicas para a condução da safra.
Valorização da jornada do produtor:
A campanha deste ano adota o tema “Cada resgate é uma história”, reforçando o compromisso do Acessa Agro em ser parceiro do produtor rural em toda a sua jornada, do plantio à colheita. Mais do que um programa de fidelidade, o Acessa Agro tem orgulho de fazer parte das conquistas de quem vive o agronegócio todos os dias, acompanhando os desafios, as decisões e os resultados construídos safra após safra.
Através da iniciativa, o Acessa Agro reforça a proposta de manter um relacionamento contínuo com os agricultores, oferecendo benefícios conectados à realidade da produção rural e às demandas da operação agrícola ao longo da safra.
Descontos voltados ao agronegócio:
Durante o período da campanha, os participantes terão acesso a condições especiais em itens do catálogo relacionados à operação agrícola. Entre os destaques estão:
– Descontos de até 60% em produtos selecionados para o agronegócio;
– Presente exclusivo para resgates acima de 2 mil SynCoins;
* Consulte condições no site e aplicativo. Campanha válida de 27/08 a 02/08/2026.
A campanha é totalmente focada em produtos voltados ao agro, permitindo que os produtores utilizem suas SynCoins em itens alinhados às necessidades da atividade rural.
Como participar:
As condições da campanha são válidas exclusivamente durante o período de 27 de julho a 2 de agosto. Os produtores interessados podem consultar os produtos elegíveis, as regras de resgate e a disponibilidade dos benefícios diretamente na plataforma do Acessa Agro.
Click abaixo e acesse o link:
Sustentabilidade
Entendendo o coeficiente fitotérmico no arroz. – MAIS SOJA

O coeficiente fototérmico (Q) é calculado por meio do quociente entre a radiação solar incidente e a temperatura média do ar (Fischer, 1985). Na prática, Q integra os efeitos da radiação solar e da temperatura sobre o crescimento e o desenvolvimento (Fischer, 1985). Para calcular o Q da cultura do arroz, assume-se uma temperatura base (Tb) de 8°C. Foram relatadas relações entre o rendimento de grãos e Q durante as etapas vitais para determinar os componentes de rendimento em culturas agrícolas de trigo (Fischer, 1985) e soja (Zanon et al., 2016).
Recentemente, a Equipe FieldCrops estudou a influência da radiação solar e da temperatura na produtividade de grãos de arroz irrigado para um ambiente subtropical. Foram comparados experimentos realizados em condições potenciais, sem estresse biótico e sem restrição nutricional (círculos amarelos – Figura 1a) e experimentos que apresentavam algum tipo de limitação biótica ou abiótica (círculos azuis – Figura 1a).
Figura 1. Relação entre a produtividade de grãos de arroz irrigado e o coeficiente fototérmico (Q) entre os estádios R4 e R9 em experimentos conduzidos em condição potencial (círculo amarelo) e com alguma limitação biótica ou abiótica (círculo azul). (b) Coeficiente fototérmico (Q) entre R4 e R9 em função da data de semeadura em grupos de maturação curto (triângulos amarelos), intermédio (círculos em azul) e longo (losangos em verde).
Constatou-se que a perda de produtividade com o atraso na data de semeadura está associada a diferenças nos valores do coeficiente fototérmico nas etapas críticas de determinação dos componentes de produtividade e com a duração do ciclo de desenvolvimento; visto que os valores de Q diminuem linearmente com o atraso na data de semeadura e são maiores nos grupos de maturação (GM) média e tardia na semeadura de setembro e outubro (Figura 1B).
Neste estudo, foi possível quantificar Q por fase de desenvolvimento para saber em qual período a relação entre a radiação solar e a temperatura é mais importante. Com essa análise, constatou-se que a fase de enchimento de grãos (R4-R9) é mais sensível ao efeito do sombreamento e mais dependente da disponibilidade de radiação solar do que as fases reprodutivas (R1-R4) e vegetativa (EM-R1), respectivamente (Figura 2).

Figura 2. Relação entre a produtividade de grãos de arroz e o coeficiente fototérmico (Q) durante as fases vegetativa, reprodutiva e de enchimento de grãos sob os níveis de restrição de radiação solar de 0%, 24%, 36% e 43% durante os anos agrícolas 2017/18 e 2018/19 no Rio Grande do Sul.
Referências Bibliográficas
FISCHER, R. A. Number of kernels in wheat crops and the influence of solar radiation and temperature. Journal of Agricultural Science, v. 105, n. 2, p. 447-461, 1985. Disponível em: < https://www.cambridge.org/core/journals/journal-of-agricultural-science/article/abs/number-of-kernels-in-wheat-crops-and-the-influence-of-solar-radiation-and-temperature/80B47ABEE823AB8EA5B16671DE8CAFD8 >, acesso: 10/07/2026
MEUS, L. D. et al. Ecofisiologia do arroz visando altas produtividades. ed. 1, Santa Maria, 2021. 312p
ZANON, A. J. et al. Growth habit effect on development of modern soybean cultivars after beginning of bloom in Rio Grande do Sul. Bragantia, v. 75, n. 4, p. 446 – 458, 2016. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/brag/a/pqqrvD6LgJbBcWKhBcJdsfk/?lang=en >, acesso: 11/01/2026

Sustentabilidade
Restrição ao crédito deve dominar discussões no Congresso Andav – MAIS SOJA

Entre os dias 11 e 13 de agosto, o Transamérica Expo Center, em São Paulo, receberá mais uma edição do Congresso Andav, principal encontro da distribuição de insumos agropecuários do Brasil.
Em um momento em que o acesso ao crédito segue como um dos principais desafios para o agronegócio, especialistas apontam que a busca por soluções de financiamento e gestão de risco deve estar entre os principais temas debatidos durante o evento.
Nos últimos anos, o crédito privado ganhou ainda mais relevância no financiamento do agronegócio, impulsionando o desenvolvimento de novas soluções capazes de ampliar o acesso a recursos e oferecer maior agilidade, previsibilidade e eficiência às operações.
A TerraMagna, maior fintech de crédito para o agronegócio da América Latina, e a tmdigital, empresa do mesmo grupo especializada em gestão de risco e cobrança, estarão entre as expositoras do congresso. No estande, os especialistas das duas marcas promoverão conversas com distribuidores de insumos, cooperativas, indústrias e demais agentes do setor, sobre as principais alternativas de crédito privado para o agro, além de estratégias de gestão de risco, monitoramento e cobrança que contribuem para ampliar a segurança das operações financeiras.
A disseminação de conhecimento e o compartilhamento de boas práticas tornam-se cada vez mais relevantes para ampliar o acesso ao crédito, estimular a inovação financeira e fortalecer toda a cadeia do agronegócio.
A expectativa é que o Congresso Andav reúna, em São Paulo, mais de 15 mil participantes, entre especialistas, lideranças e representantes de empresas de todo o país, consolidando-se como um dos principais encontros do agronegócio brasileiro e reunindo mais de 250 marcas expositoras.
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