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27 de julho de 2026

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Plataforma mapeia javalis e apoia combate à espécie invasora em MS

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Foto: Reprodução.

Considerada uma das pragas mais graves do agronegócio, a proliferação de javalis tem gerado apreensão entre os produtores nas últimas semanas. Os animais adultos, que podem alcançar até 200 quilos, destroem patrimônios, atingem ativos biológicos, ameaçam a fauna nativa e colocam trabalhadores em risco.

Sem predadores naturais e com alta capacidade de adaptação, essa espécie também cruza com porcos domésticos, formando os chamados ‘javaporcos’. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, a presença dessas espécies é ampla e crescente.

Pensando nisso, a Associação dos Produtores de Soja do estado (Aprosoja/MS), com recursos do Fundems e em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), criou uma ferramenta de geotecnologia que transforma registros feitos em campo em inteligência territorial para rastrear a presença das espécies invasoras. 

O objetivo é gerar dados que subsidiem ações de manejo e orientem gestores e produtores sobre a situação dos javalis e javaporcos em Mato Grosso do Sul.

Região Sul concentra mais registros

Na última atualização do sistema, 291 javalis e javaporcos já haviam sido identificados. 

Segundo a Aprosoja, embora ainda seja necessário ampliar a participação dos usuários para obter um retrato ainda mais preciso, as informações atuais indicam que a região Sul concentra o maior número de registros validados, com 158 javalis e 14 javaporcos observados nas regiões de Dourados, Antônio João e Rio Brilhante. 

Imagens da região de Rio Brilhante (MS). Foto: Divulgação/Aprosoja MS.

“Em pouco mais de um mês de funcionamento, o painel já confirma um problema que os produtores rurais enfrentam há muitos anos. O número não chega a surpreender, mas evidencia a dimensão do problema. A perspectiva é que esse quantitativo aumente nos próximos meses, à medida que mais produtores e técnicos passem a utilizar a plataforma”, explica a analista de geoprocessamento da Aprosoja/MS, Staël Ribeiro.

Imagem da região de Sonora (MS). Foto: Divulgação/AproSoja MS.

Em relação à dispersão, Ribeiro explica que a presença do porco feral (Sus scrofa) é considerada generalizada no estado, com registros distribuídos em diferentes regiões. “No entanto, a intensidade das ocorrências varia conforme fatores como disponibilidade de alimento, abrigo e proximidade de áreas agrícolas e de produção animal”.

Talhão aberto por javalis em Sonora (MS). Foto: Divulgação/AproSoja MS.

Como funciona a validação dos registros

De acordo com a Aprosoja, o processo de validação dos dados segue um fluxo rigoroso de governança. Após o envio do registro pelo produtor rural ou técnico (clique aqui para acessar o formulário), a informação não é incorporada automaticamente ao sistema. Inicialmente, ela permanece em uma etapa de triagem e somente é validada após análise da equipe técnica da entidade.

Assim, para evitar registros duplicados ou inconsistências geográficas, o sistema cruza as coordenadas obtidas pelo GPS do dispositivo com as informações da propriedade e do município informados no formulário. Além disso, os técnicos realizam verificações manuais para identificar possíveis duplicidades e garantir a qualidade dos dados. 

Mapa com dados do registro e localização dos bandos de javalis e javaporcos em MS (Foto: Divulgação Aprosoja/MS).

Segundo Staël Ribeiro, a identificação correta das espécies é assegurada pela exigência de evidências, como fotografias ou vídeos dos animais, pegadas ou danos causados. 

“Esse material permite que os analistas confirmem as características do animal e diferenciem javalis e javaporcos de espécies nativas, como o cateto e a queixada, garantindo maior confiabilidade aos registros”.

Nas redes sociais, a Aprosoja/MS fez um vídeo explicando o passo a passo de como preencher o formulário da plataforma de forma rápida e correta. Confira:

Para o poder público e os órgãos de defesa sanitária, as informações permitem direcionar ações de monitoramento, controle e vigilância para as áreas mais críticas, contribuindo para a otimização de recursos e para o aumento da eficiência das medidas adotadas. 

“Além disso, os dados podem subsidiar estratégias de prevenção de riscos sanitários e de mitigação dos prejuízos causados à produção agropecuária”, finaliza Ribeiro. 

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FAO mantém Brasil fora do Mapa da Fome e destaca agricultura familiar

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A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) confirmou, nesta terça-feira (21), em Roma, que o Brasil segue fora do Mapa da Fome da ONU. Segundo a edição 2026 do relatório "O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo (SOFI)", a prevalência de subnutrição no país permaneceu abaixo de 2,5% da população, patamar usado pelo organismo para essa classificação.

O relatório tem como tema o financiamento da nutrição e o acesso a dietas saudáveis. No caso brasileiro, os dados também mostram avanço no acesso econômico da população a uma alimentação saudável. Entre 2021 e 2025, a proporção de brasileiros sem condições financeiras de adquirir uma dieta saudável caiu de 31,2% para 21,1%. Em números absolutos, o contingente recuou de 65,3 milhões para 44,8 milhões de pessoas, o que representa cerca de 20 milhões de brasileiros a mais com condições de acesso a esse tipo de alimentação no período.

A FAO define alimentação saudável como aquela que promove saúde, crescimento, desenvolvimento e bem-estar, além de prevenir deficiências nutricionais, doenças crônicas e doenças transmitidas por alimentos. Para isso, a dieta deve ser adequada, equilibrada, diversificada e moderada, com segurança dos alimentos como requisito indispensável.

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A experiência brasileira foi apresentada como exemplo de abordagem integrada, com políticas de proteção social, fortalecimento da agricultura familiar e ampliação do acesso a alimentos saudáveis. Segundo a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli, o combate à fome depende da prioridade dada a políticas de redução da pobreza e da desigualdade.

Durante a apresentação, o papel da agricultura familiar foi apontado como estratégico na produção de alimentos saudáveis e na construção de sistemas agroalimentares mais sustentáveis. As políticas do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) incluem ampliação do crédito rural, assistência técnica, inovação, acesso aos mercados, além de investimentos em bioinsumos, pesquisa e sistemas agroflorestais.

O relatório também destacou a participação das mulheres rurais em espaços produtivos voltados à diversificação da alimentação, geração de renda e fortalecimento da autonomia econômica.

Na avaliação apresentada em Roma, o conjunto de políticas públicas brasileiras foi reconhecido pela FAO como referência na articulação entre produção de alimentos, acesso econômico da população e segurança alimentar.

Fonte: gov.br

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Temporais no noroeste paulista mobilizam ajuda e atingem áreas rurais

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A Defesa Civil estadual reforçou o atendimento aos municípios atingidos pelo temporal de sexta-feira (24) no noroeste de São Paulo. A operação concentrou apoio em Dumont, Guariba, Pradópolis, Ribeirão Preto e Taquaritinga, com envio de itens de ajuda humanitária, telhas e caminhões-pipa. Na área rural, técnicos estaduais identificaram danos em lavouras, pomares, estufas e estruturas produtivas.

Segundo o governo estadual, cerca de 11,5 mil itens foram distribuídos para apoio aos moradores afetados. A quarta remessa de ajuda humanitária incluiu cestas básicas, colchões, cobertores, água potável e outros materiais destinados à cidade de Dumont.

A operação também enviou 6 mil telhas para recuperação emergencial de residências danificadas e disponibilizou 11 caminhões-pipa para reforçar o abastecimento de água nos municípios atendidos.

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Nas cidades de Dumont, Guariba, Pradópolis, Ribeirão Preto e Taquaritinga, o temporal provocou quedas de árvores, destelhamentos, interrupções no fornecimento de energia e danos em residências. Quatro municípios da região decretaram situação de emergência.

No campo, técnicos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento estadual apontaram Taquaritinga como o município com mais impactos na área rural. Foram registrados prejuízos em estufas, lavouras, pomares e estruturas de propriedades rurais. Também houve danos em canaviais, estoques de amendoim e estruturas produtivas nas regiões de Ribeirão Preto e Jaboticabal.

Em Ribeirão Preto, a prefeitura estima em R$ 21,15 milhões os custos já registrados com limpeza emergencial, remoção de resíduos, recolhimento de massa verde, lavagem de vias, praças e áreas públicas, além de corte, poda, destocamento de árvores, extração de troncos e desobstrução de vias públicas. O município encaminhou à Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil pedido de reconhecimento de situação de emergência e apoio financeiro para a reconstrução.

De acordo com a prefeitura, os pedidos incluem recursos para recuperação de moradias atingidas, reconstrução da infraestrutura urbana, recuperação de equipamentos públicos, apoio à rede de energia elétrica e restabelecimento dos serviços municipais. Na cidade, a estimativa é de centenas de árvores derrubadas, destelhamentos, interrupção de energia, comprometimento do abastecimento de água, interdições viárias, danos em equipamentos públicos e uma vítima fatal.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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Pesquisa amplia potencial de fungo contra uma das doenças mais destrutivas da agricultura

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Foto: Renata Gava/Embrapa

Cientistas da Embrapa Meio Ambiente (SP) descobriram que ajustes simples no cultivo do fungo Clonostachys rosea aumentam seu potencial no controle biológico da podridão cinzenta, doença que afeta mais de 200 culturas agrícolas.

O microrganismo atua como um “guarda-costas” natural das plantas: combate patógenos, insetos e nematoides. O avanço pode contribuir para o desenvolvimento de biopesticidas mais sustentáveis, ampliando as alternativas de controle biológico na agricultura.

Esses ajustes envolvem duas mudanças no cultivo do fungo: a quantidade de ar e a proporção entre carbono e nitrogênio presentes no meio onde ele se desenvolve. Os pesquisadores observaram que o controle dessas condições aumenta a produção de estruturas reprodutivas e de resistência do microrganismo, que posteriormente podem ser transformadas em produtos para controle biológico.

De acordo com Gabriel Mascarin, a podridão cinzenta, causada pelo fungo Botrytis cinerea, está entre as doenças mais problemáticas para a agricultura. Além da quantidade de espécies de plantas afetadas, provoca prejuízos tanto no campo quanto após a colheita.

“A busca por alternativas ao uso intensivo de defensivos químicos inclui o uso de fungos benéficos como o Clonostachys rosea, que consegue atacar outros fungos nocivos, estimular mecanismos naturais de defesa das plantas e produzir substâncias capazes de inibir patógenos”, explica o pesquisador.

Segundo Wagner Bettiol, a equipe investigou como a aeração (disponibilidade de ar) no cultivo e a relação entre carbono e nitrogênio poderiam influenciar a produção de dois tipos importantes de estruturas do fungo: os conídios, que funcionam como esporos responsáveis pela reprodução, e os microscleródios, estruturas resistentes capazes de sobreviver em condições adversas.

“Variamos a entrada de ar e comparamos diferentes composições nutricionais para avaliar a produção de cada tipo de estrutura, além dos compostos metabólitos produzidos pelo fungo durante o crescimento”, complementa Bettiol.

O que a pesquisa descobriu

Os resultados indicam que a maior disponibilidade de oxigênio aumentou significativamente a produção dessas estruturas, especialmente dos microscleródios.

Os cientistas observaram ainda que a proporção mais alta entre carbono e nitrogênio favoreceu a produção de conídios quando havia boa circulação de ar. Os microscleródios apareceram apenas em meios com menor proporção de carbono em relação ao nitrogênio e a maior aeração também ampliou a formação dessas estruturas resistentes.

Para Marcia Assalin, a descoberta pode ter aplicação prática importante. Os pesquisadores transformaram as diferentes estruturas produzidas pelo fungo, além dos líquidos resultantes do cultivo, em pequenos grânulos capazes de ser misturados à água e aplicados de forma semelhante a produtos agrícolas convencionais.

Esses materiais foram testados em tomate-cereja exposto ao fungo causador da podridão cinzenta. Todos os preparos fúngicos avaliados reduziram a incidência da doença.

Além disso, análises químicas identificaram compostos conhecidos como sorbicilinoides entre as principais substâncias produzidas pelo fungo durante a fermentação. Esses compostos naturais possuem ação antifúngica e podem explicar parte da proteção observada nos tomates contra a doença.

Próximos passos

Apesar dos resultados promissores, ainda serão necessários testes em condições mais próximas da realidade agrícola, incluindo escalonamento industrial do bioprocesso fermentativo e formulação; avaliações em estufas e lavouras comerciais; testes em diferentes temperaturas e níveis de umidade; estudos sobre armazenamento e validade dos produtos; análises de segurança para alimentos; comparações de custo e desempenho em relação a soluções já existentes.

Segundo Nilce Kobori, professora do curso de Engenharia Agronômica do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFaj), caso os resultados sejam confirmados em escala comercial, a tecnologia poderá diminuir a dependência de fungicidas sintéticos em momentos críticos como transporte e armazenamento de frutas sensíveis à podridão cinzenta, como tomate, morango, cereja e uva.

A pesquisadora destaca ainda que a combinação entre estruturas vivas do fungo e compostos antifúngicos produzidos naturalmente pode criar uma estratégia dupla de combate às doenças, aumentando a eficiência do controle.

A pesquisa representa mais um avanço na aproximação entre ciência e aplicação prática. O potencial já aparece nos testes experimentais, mas o impacto em larga escala ainda dependerá das próximas etapas de validação em condições comerciais.

O trabalho apresenta uma contribuição prática e científica: demonstra que controlar a aeração e a relação entre carbono e nitrogênio em cultivo submerso de Clonostachys rosea altera de modo previsível a produção de propágulos úteis e que esses materiais, somados aos metabólitos do cultivo, reduzem a incidência de podridão cinzenta em tomate-cereja em testes experimentais.

O estudo acelera a ponte entre pesquisa e aplicação, mas ainda depende de escalonamento, testes de segurança e validação em condições comerciais.

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