Sustentabilidade
Produção de soja e milho muda perfil da mão de obra no campo em Mato Grosso do Sul – MAIS SOJA

Mato Grosso do Sul registrou 16,7 milhões de toneladas de soja e 11,1 milhões de toneladas de milho na safra 2025/2026. O avanço da produção ocorre junto a mudanças no mercado de trabalho rural, com redução da quantidade de pessoas ocupadas diretamente nas lavouras e aumento da participação de atividades relacionadas à agroindústria, aos agrosserviços e ao suporte técnico.
Os dados do Boletim Mercado de Trabalho do Agronegócio Brasileiro, elaborado pelo Cepea em parceria com a CNA, mostram que o agronegócio brasileiro empregou 28,40 milhões de pessoas em 2025, maior patamar da série histórica iniciada em 2012. O número representa 26,3% da população ocupada no país e corresponde a um aumento de 601.806 trabalhadores em relação a 2024.
Enquanto a agroindústria teve aumento de 1,4% nas contratações e os agrosserviços cresceram 6,1%, o segmento primário recuou 1,1%, com redução de 87.378 trabalhadores.
Na agricultura, a soja registrou queda de 6,9% na população ocupada, equivalente a 31.987 pessoas. No milho, a redução foi de 10%, ou 43.087 trabalhadores.
Segundo o analista de Economia da Aprosoja/MS, Raphael Gimenes, os dados refletem a tecnificação no campo.
“No caso da soja e do milho, a mecanização e a automação reduzem determinadas atividades manuais. Ao mesmo tempo, a cadeia produtiva mantém demanda por trabalhadores em áreas como agroindústria, agrosserviços, assistência técnica, logística, manutenção e operação de máquinas”.
Em Mato Grosso do Sul, a produção de soja e milho tem participação na economia estadual e nas exportações. Em 2025, o complexo soja respondeu por US$ 2,94 bilhões dos US$ 10,1 bilhões exportados pelo agronegócio do Estado.
Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que reúne informações sobre admissões e desligamentos de trabalhadores com carteira assinada, também mostram esse movimento no Estado.
Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com saldo positivo de 19.756 empregos formais. A agropecuária respondeu por 1.256 vagas, enquanto construção civil, serviços, indústria e comércio apresentaram saldos superiores.
Os dados também apresentam variações relacionadas ao calendário agrícola. Em abril de 2026, a agropecuária registrou saldo negativo de 115 vagas no Estado. Em agosto de 2025, o setor teve saldo negativo de 175 vagas, período que coincidiu com o vazio sanitário da soja.
Com o encerramento do vazio sanitário em 15 de setembro e a liberação do plantio a partir de 16 de setembro, a demanda por mão de obra relacionada à soja volta a acompanhar o calendário da nova safra.
Remuneração
Um levantamento da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) apresenta diferenças de remuneração conforme o nível de escolaridade dos trabalhadores da agropecuária.
Nos municípios analisados, mulheres com ensino superior completo apresentaram remuneração média de R$ 5.138,46, enquanto aquelas com ensino médio tiveram média de R$ 2.378,29. Os dados são referentes ao levantamento realizado com base em informações da Rais e do Caged de 2021.
“A tecnologia aumenta a necessidade de trabalhadores preparados para operar máquinas, utilizar ferramentas digitais e atuar em atividades de gestão e suporte à produção. A qualificação passa a fazer parte da estrutura necessária para acompanhar as mudanças na agricultura”, finaliza Raphael.
O estudo completo pode ser acessado aqui.
Fonte: Assessoria de imprensa
Sustentabilidade
A importância do trigo tropical e os desafios do manejo da brusone – MAIS SOJA

Angelo Aparecido Barbosa Sussel, pesquisador da Embrapa Cerrados
Jorge Henrique Chagas, pesquisador da Embrapa Trigo
O trigo ocupa posição estratégica na agricultura brasileira, tanto pela importância econômica quanto pelo papel que pode desempenhar na diversificação dos sistemas de produção, na segurança alimentar e na utilização mais eficiente das áreas agrícolas durante diferentes épocas do ano. Historicamente, a produção brasileira de trigo esteve concentrada nas regiões Sul e Sudeste, onde as condições climáticas favorecem o desenvolvimento da cultura. Entretanto, os avanços no melhoramento genético, no conhecimento dos ambientes de produção e no desenvolvimento de sistemas de manejo adaptados às condições tropicais vêm permitindo a expansão da cultura para regiões anteriormente consideradas marginais ao cultivo de trigo.
Nesse contexto, o trigo tropical representa uma das principais oportunidades de expansão da triticultura brasileira. A região Centro-Oeste e determinadas áreas do Sudeste, especialmente de Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal, apresentam condições que permitem a produção de trigo com elevado potencial produtivo, desde que sejam utilizadas cultivares adaptadas, épocas de semeadura adequadas e estratégias de manejo compatíveis com as condições climáticas locais. A própria Embrapa destaca o potencial do trigo de sequeiro no Brasil Central, associando a expansão da cultura ao desenvolvimento de cultivares com maior tolerância à deficiência hídrica e resistência à brusone, principal doença que acomete os trigais da região.
A expansão do trigo para o ambiente tropical não deve, entretanto, ser entendida como uma simples transferência do modelo de produção utilizado no Sul do Brasil. O ambiente tropical apresenta características próprias, especialmente relacionadas à temperatura, à disponibilidade hídrica e à ocorrência de doenças. Por isso, o sucesso da cultura depende de uma combinação entre genética, época de semeadura, disponibilidade de água, fertilidade do solo e manejo fitossanitário.
Uma das principais ferramentas para mitigar riscos é o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). Mais do que uma tabela de datas, o Zarc é um guia estratégico que cruza dados de clima, solo, ciclo da cultivar e probabilidade de eventos adversos. A indicação das janelas de plantio, atualizadas periodicamente pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), ajuda a proteger a lavoura nas fases mais sensíveis: espigamento, florescimento e enchimento de grãos.
O produtor deve considerar que não existe uma única época ideal de semeadura. A janela recomendada depende do município, do sistema de cultivo, do tipo de solo, da cultivar e, em muitos casos, do sistema irrigado ou de sequeiro. A documentação técnica do Mapa destaca que, no ambiente tropical, deficiência hídrica e excesso de calor estão entre os principais fatores limitantes e que, do ponto de vista fitossanitário, a brusone constitui um dos principais problemas para a produção de trigo no Centro do Brasil, tanto em sistemas de sequeiro quanto irrigado. Não basta escolher uma cultivar produtiva. É necessário posicioná-la em uma época em que as condições climáticas sejam menos favoráveis aos principais estresses da cultura.
Entre as doenças que podem comprometer a produção de trigo no ambiente tropical, a brusone ocupa posição de destaque. A brusone pode ocorrer nas folhas, causando lesões que reduzem a área fotossinteticamente ativa, mas seu impacto econômico mais grave está associado à infecção das espigas (Figura 1). Quando a doença atinge o ráquis (eixo da espiga) ou regiões próximas ao ponto de inserção das espiguetas, pode ocorrer interrupção do fluxo de água e fotoassimilados (nutrientes gerados na fotossíntese) para a parte superior da espiga. Como consequência, as espiguetas podem apresentar grãos chochos ou ausência de formação de grãos. Outra condição que tem sido observada é a infecção na base do colmo, matando a planta, principalmente na cultivares com maior suscetibilidade (Figura 2).
O manejo da brusone precise ser pensado em duas dimensões complementares: proteção da parte aérea e proteção da espiga. A proteção durante o período vegetativo tanto protege o trigo de manchas foliares como reduz o potencial de inóculo da brusone para o período de espigamento. A proteção durante o período de espigamento e florescimento deve ser considerada uma das principais prioridades do manejo, especialmente quando as condições ambientais favorecem a infecção da doença.
No trigo de sequeiro, a ocorrência de chuvas durante fases críticas da cultura pode criar períodos de molhamento foliar e elevar a umidade dentro do dossel (massa foliar), favorecendo a infecção e a disseminação do patógeno. Por essa razão, a escolha da época de semeadura é uma ferramenta de controle de doenças tão importante quanto a aplicação de fungicidas. A estratégia é procurar evitar que o período de maior suscetibilidade da cultura coincida com condições ambientais altamente favoráveis ao desenvolvimento da doença.
No trigo irrigado, por outro lado, o produtor consegue controlar melhor a disponibilidade de água e evitar situações de deficiência hídrica severa. Isso reduz um dos principais riscos do trigo tropical e normalmente permite maior estabilidade produtiva. Entretanto, irrigação não significa ausência de risco de brusone. A irrigação pode, inclusive, aumentar a duração dos períodos de molhamento quando manejada de maneira inadequada. Assim, o sistema irrigado exige planejamento cuidadoso do momento e da quantidade de água aplicada, evitando excesso de umidade.
A safra de 2026 merece atenção especial. No acompanhamento das lavouras de trigo tropical realizado neste ano, tem sido observada maior ocorrência de brusone inclusive em áreas irrigadas, situação que chama a atenção porque, normalmente, o sistema irrigado apresenta menor risco da doença quando comparado ao trigo de sequeiro.
Contudo, dados das estações meteorológicas do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), localizadas no Distrito Federal e em Cristalina (GO), registraram os menores somatórios de horas de temperatura mínima abaixo de 15 °C para o período de maio a agosto de 2026 dos últimos oito anos, o que indica um final de outono e início de inverno mais quente que a média do mesmo período (Figura 3). As temperaturas máximas deste ano também estão se comportando com valores superiores às médias do período (Figura 4), da mesma forma que a quantidade de horas com chuva (Figura 5). Essa condição de maior calor, associada à elevação da umidade relativa provocada pela irrigação por aspersão, permite gerar as condições favoráveis à manutenção do patógeno e à ocorrência de epidemias de brusone em trigo irrigado, principalmente nas cultivares de maior suscetibilidade, reduzindo a vantagem fitossanitária normalmente associada ao cultivo nesse sistema.
É importante, contudo, interpretar essa observação com cautela. A relação entre clima e brusone não depende exclusivamente da precipitação acumulada ou da temperatura média. O desenvolvimento da doença é resultado da interação entre temperatura, umidade, duração do molhamento, chuva, estádio fenológico (fase de desenvolvimento da planta), suscetibilidade da cultivar e presença de inóculo. Assim, o comportamento observado em 2026 deve ser considerado um importante sinal de alerta, e não simplesmente atribuído à irrigação. A documentação do Zarc para o Distrito Federal já reconhece que a brusone é um dos principais problemas fitossanitários do trigo no ambiente tropical, tanto no cultivo irrigado quanto no de sequeiro.
Também é fundamental a compreensão de que o controle da brusone não deve depender exclusivamente de fungicidas. O manejo mais eficiente começa antes da semeadura e envolve uma sequência de decisões. A primeira é a escolha da cultivar. Cultivares com maior resistência ou menor suscetibilidade à brusone podem apresentar vantagem significativa em ambientes de maior risco. Entretanto, resistência genética não deve ser considerada uma proteção absoluta, pois o desempenho das cultivares pode variar conforme o ambiente e a pressão da doença.
A segunda é a época de semeadura. O posicionamento da cultura dentro da janela recomendada pelo Zarc deve procurar reduzir a coincidência entre os estádios críticos do trigo e os períodos de maior risco climático. Em publicações técnicas da Embrapa para trigo irrigado no Cerrado, por exemplo, recomenda-se atenção à época de semeadura e destaca-se a importância de evitar períodos que aumentem a probabilidade de ocorrência de brusone.
A terceira é o monitoramento da lavoura. O produtor deve acompanhar especialmente as condições ambientais e a evolução da doença nas folhas antes do espigamento. A presença de sintomas foliares próximos à entrada no período reprodutivo deve aumentar o nível de atenção para a proteção das espigas.
A quarta é o manejo racional da irrigação. A água deve ser utilizada para atender às necessidades da cultura, mas evitando criar condições desnecessariamente favoráveis ao desenvolvimento de doenças. O momento, a lâmina e a frequência das irrigações devem ser definidos considerando o solo, a evapotranspiração, o estádio da cultura e a previsão meteorológica.
Finalmente, o controle químico deve ser integrado às demais medidas. A eficiência dos fungicidas depende do produto, da dose, da tecnologia de aplicação, do momento da aplicação, da cobertura das plantas e da sensibilidade do patógeno. No caso da brusone da espiga, o posicionamento da aplicação é especialmente importante, pois uma aplicação muito antecipada ou muito tardia pode apresentar eficiência inferior à desejada.
A experiência de 2026 reforça uma mensagem fundamental: mesmo quando o produtor dispõe de irrigação e reduz o risco de deficiência hídrica, o ambiente continua determinando a ocorrência das doenças. A produção de trigo tropical, portanto, deve ser encarada como um sistema em que clima, planta, patógeno e manejo estão permanentemente interligados.
Fonte: Embrapa
Autor:Núcleo de Comunicação Organizacional (NCO) Embrapa Cerrados
Site: Embrapa
Sustentabilidade
Indústria do trigo e autoridades debatem gargalos de fronteira para destravar comércio entre Brasil e Paraguai – MAIS SOJA

Buscando soluções para minimizar os gargalos logísticos e a necessidade de garantir o abastecimento da indústria moageira nacional, a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) promoveu, entre os dias 1º e 3 de setembro, o Giro Abitrigo – Paraguai. A iniciativa reuniu mais de 45 representantes de moinhos e de outros elos da cadeia do grão brasileiro para uma expedição que expôs desafios operacionais críticos, gerados, principalmente, pela burocracia na fronteira entre os dois países.
Durante os três dias, a comitiva conheceu a infraestrutura de transporte na região, com a visita ao Terminal Multilog, no Brasil, e à Algesa, no país vizinho. O grupo também visitou campos de trigo na região de Santa Rita, onde realizou uma visita técnica às lavouras locais e conheceu de perto o padrão de cultivo e os cuidados sanitários aplicados na produção do trigo paraguaio. O Giro ainda visitou a Cooperativa Colonias Unidas, em Obligado, para conhecer o programa de multiplicação de variedades e as tecnologias aplicadas na garantia de qualidade do grão, e o campo experimental da Cámara Paraguaya de Exportadores y Comercializadores de Cereales y Oleaginosas (CAPECO) e da Genética Vegetal del Paraguay S.A. (GENEPAR), onde acompanhou pesquisas e ensaios com novas variedades agrícolas voltadas a atender às exigências operacionais dos moinhos brasileiros.
No último dia do Giro, o grupo se reuniu com autoridades do Ministério da Agricultura do Brasil, do Ministério da Agricultura do Paraguai, da Receita Federal e agentes do comércio exterior para um encontro em que o gargalo logístico foi o tema central. Durante os debates, o setor industrial apontou que a simplificação dos trâmites aduaneiros no porto seco da Algesa e no Terminal Multilog é fundamental para destravar o potencial de trocas comerciais na região de fronteira.
“Colocamos um grande desafio para esse grupo, que é a redução do chamado custo fronteira, hoje uma grande barreira para o estímulo desse comércio. Segundo os operadores locais, estamos falando de quase 20 dólares por tonelada em custos operacionais de travessia. Trata-se de um valor expressivo dentro da precificação do mercado internacional do trigo, e qualquer melhoria operacional trará um estímulo imediato ao comércio entre Paraguai e Brasil”, apontou o superintendente da Abitrigo, Eduardo Assêncio.
A urgência em otimizar o fluxo de importação ganha força diante de uma mudança estrutural no campo no Sul do Brasil. No Paraná, principal estado produtor, a migração de produtores para culturas alternativas de maior valor agregado vem reduzindo a área destinada ao cereal na safrinha. A estimativa da indústria é que o mercado paranaense precise importar entre 1,5 milhão e 1,7 milhão de toneladas de trigo no ciclo de 2027, posicionando o Paraguai como o fornecedor natural para suprir essa demanda no Sul e no Sudeste.
Boa qualidade e investimentos no trigo paraguaio
Do lado paraguaio, a resposta da cadeia produtiva envolve investimentos diretos em tecnologia e melhoramento genético para expandir a oferta e atender aos padrões exigidos pelos moinhos brasileiros.
“Tivemos a honra de receber a comitiva da Abitrigo, que esteve aqui com a intenção de conhecer nossas lavouras e de comprar nosso excedente exportável. Estamos trabalhando para retomar o patamar de 600 mil hectares de área cultivada com trigo no Paraguai”, afirmou o presidente da Cámara Paraguaya de Exportadores y Comercializadores de Cereales y Oleaginosas, José Berea.
A qualidade do grão paraguaio é apontada pela indústria como um diferencial técnico decisivo. Pela sua composição e força de glúten, o cereal importado do país vizinho atua como um melhorador de farinha para os moinhos paranaenses e paulistas, complementando a produção local, porém as questões burocráticas ainda dificultam as transações comerciais.
“Compramos trigo paraguaio, mas foi a primeira vez que cruzei a fronteira para ir até os campos, conversar com produtores e com os desenvolvedores de genética. Enfrentamos certa burocracia na importação e vemos que a questão logística é um gargalo, mas aqui entendemos cada limitação, que nem sempre é apenas burocrática, mas envolve a logística e acertos entre os dois países”, avaliou o diretor de Originação e Financeiro da S.A. Moageira & Agrícola Irati, André Vosnika.
“É muito enriquecedor esse tipo de experiência, de poder entender os problemas que eles enfrentam versus os nossos. Para nós, principalmente do Paraná, o Paraguai é um fornecedor importante de trigo, e essa visita enriqueceu bastante o nosso conhecimento”, destacou o presidente do Conselho na Infasa e Belarina, Arnei Antônio Frasson.
Para o superintendente da Abitrigo, a aproximação direta entre industriais, produtores e órgãos governamentais abriu caminho para um novo ciclo de cooperação bilateral no mercado de grãos.
“O Giro Abitrigo superou as expectativas da organização e dos participantes. Conseguimos transmitir aos produtores e exportadores paraguaios as reais necessidades do mercado brasileiro, encontrando um setor altamente receptivo e empenhado em aprimorar suas entregas. A expectativa é que os alinhamentos operacionais e institucionais promovidos durante a expedição tragam resultados concretos para a cadeia do trigo em curto e médio prazo”, concluiu Assêncio.
Sobre a Abitrigo
A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) representa as empresas moageiras responsáveis pela produção de farinha e derivados utilizados na fabricação de alimentos essenciais, como pães, massas e biscoitos. A entidade acompanha o mercado e atua na interlocução com os setores público e privado em temas relacionados ao abastecimento, custos e competitividade da cadeia do trigo.
Com atuação técnica e institucional, a Abitrigo monitora o cenário nacional e internacional, produz análises e contribui para o debate sobre políticas agrícolas, comércio exterior e logística, com foco na segurança do abastecimento e no acesso da população a produtos básicos da alimentação.
Fonte: Assessoria de imprensa
Sustentabilidade
Análise climática e prognósticos para setembro, outubro e novembro/26 – MAIS SOJA

Análise climática de agosto
Em agosto de 2026, as chuvas foram acima de 90 mm na Região Sul, sul de São Paulo e na faixa litorânea da Região Nordeste, mantendo a umidade no solo com índices satisfatórios. Em grande parte do Centro-Oeste, do centro-norte de Minas Gerais, do interior do Nordeste, do leste do Amazonas, de Roraima, do Tocantins e grande parte do Pará, foram registrados acumulados mensais inferiores a 40 mm, resultando em menores teores de armazenamento de água no solo.
Na Região Nordeste, as chuvas se concentraram no litoral leste, com totais acima de 90 mm, desde o Rio Grande do Norte até Alagoas. Em parte destas áreas, o armazenamento de água no solo se manteve favorável, beneficiando o milho terceira safra. Já no semiárido e demais áreas do Sealba e Matopiba, os valores não ultrapassaram os 40 mm, ocorrendo a redução dos índices de umidade do solo. Nas áreas de final de ciclo, o tempo seco favoreceu a maturação e a colheita das lavouras. Maiores volumes de chuva, na Região Centro-Oeste, foram registrados somente no sul de Mato Grosso do Sul, com acumulados acima de 40 mm. Nas demais áreas, foram registrados baixos volumes e em algumas localidades não houve registro de precipitação.
O predomínio de tempo seco reduziu a umidade do solo e favoreceu o avanço da colheita de algodão, milho segunda safra, feijão terceira safra e trigo. Na Região Sudeste, as chuvas foram mais significativas no sul e leste da região, com volumes acima de 40 mm. Já no norte de São Paulo e em grande parte de Minas Gerais, registraram menos de 30 mm. As condições de tempo mais seco vêm favorecendo o andamento da colheita de culturas como
milho, algodão, trigo e feijão.
Na Região Sul, os volumes de chuva foram superiores a 150 mm no leste dos três estados, mas, principalmente, na parte sul do Rio Grande do Sul, onde os acumulados do mês ultrapassaram os 250 mm. Este cenário manteve os índices de umidade do solo elevados, porém o excesso hídrico prejudicou pontualmente a cultura de trigo, favorecendo a ocorrência de doenças fúngicas. No restante da região, os acumulados de chuva variaram entre 70 mm e 100 mm, exceto no noroeste do Paraná, onde as chuvas foram inferiores a 40 mm.
Em agosto, as temperaturas máximas permaneceram acima de 30 °C nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Os maiores valores ficaram acima de 36 °C em áreas do Tocantins, Mato Grosso, Goiás, Piauí e Maranhão. As menores máximas ocorreram, principalmente, na Região Sul e em áreas do leste das Regiões Sudeste e Nordeste.
Em relação às temperaturas mínimas, os valores superaram os 18 °C nas Regiões Norte e Nordeste, bem como em parte da Região Centro-Oeste. Nas Regiões Sul e Sudeste, as mínimas ficaram abaixo de 16 °C, refletindo em condições mais amenas. Os menores valores, entre 6 °C e 12 °C, ocorreram, principalmente, nas áreas serranas das Regiões Sudeste e Sul, associados à atuação de massas de ar frio. Houve registro de episódios de geadas, principalmente, no Rio Grande do Sul.
1.2. CONDIÇÕES OCEÂNICAS RECENTES E TENDÊNCIA
Na figura abaixo, observa-se a anomalia da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) no período de 16 a 31 de agosto de 2026. Nesse intervalo, foram registrados valores acima de 2°C ao longo da faixa longitudinal compreendida desde a costa oeste da América do Sul até os 180°, indicando temperaturas acima da média climatológica. As águas mais aquecidas concentraram-se entre 80°W e 120°W, onde as anomalias foram acima de 3 °C. Ao analisar especificamente as anomalias médias diárias de TSM na região do Niño 3.4, delimitada entre 170°W e 120°W, verificaram-se valores positivos e acima 2°C durante agosto, sinalizando a persistência das condições de El Niño.

A análise do modelo de previsão do ENOS (El Niño – Oscilação Sul), realizada pelo Instituto Internacional de Pesquisa em Clima (IRI), aponta para a persistência das condições de El Niño, fase quente, durante o trimestre setembro, outubro e novembro de 2026.

3. PROGNÓSTICO CLIMÁTICO PARA O BRASIL – PERÍODO SETEMBRO, OUTUBRO E NOVEMBRO DE 2026
As previsões climáticas para os próximos três meses, de acordo com o modelo do INMET, são apresentadas na figura abaixo. O modelo indica predomínio de chuvas abaixo da média em grande parte das Regiões Norte e Nordeste. As chuvas acima da média são previstas para a Região Sul, além de áreas do oeste e sul da Região Centro-Oeste e parte sul da Região Sudeste.
Analisando separadamente cada região do país, a previsão indica chuvas abaixo da média em grande parte da Região Norte, o que poderá contribuir para a redução dos índices de umidade no solo. Por outro lado, são previstas chuvas acima da média no oeste da Amazônia, favorecendo a manutenção de índices mais elevados de umidade do solo nessa área.
Na maior parte da Região Nordeste, a previsão indica chuvas abaixo da média, o que deverá contribuir para a redução dos índices de umidade do solo. Ressalta-se, contudo, que a estação chuvosa na faixa leste da região se aproxima do fim, sendo esperada uma redução natural dos volumes de chuva nos próximos meses, característica do período de transição para a estação seca.
Para a Região Centro-Oeste, a previsão indica irregularidade das chuvas, com predomínio de chuvas próximas e acima da média, exceto em áreas do norte e nordeste de Mato Grosso, norte de Goiás e Distrito Federal, onde os volumes de chuva podem ficar abaixo da média, principalmente, em outubro e novembro.
Na Região Sudeste, a tendência é de chuvas abaixo da média no centronorte de Minas Gerais, Espírito Santo e norte do Rio de Janeiro. No sul de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, bem como em grande parte de São Paulo, são previstos volumes de chuva próximos e acima da média.
Na Região Sul, a previsão indica chuvas acima da média ao longo do trimestre. De modo geral, os níveis de umidade no solo deverão permanecer adequados para o desenvolvimento das culturas. No entanto, a persistência de eventos de chuva poderá favorecer a ocorrência de excesso hídrico em áreas das porções central e oeste do Rio Grande do Sul, bem como no oeste de Santa Catarina, principalmente, em outubro.
As temperaturas médias do ar devem permanecer acima da média histórica em grande parte do país. Valores superiores a 27 °C são previstos em grande parte das Regiões Norte e Nordeste. Na Região Centro-Oeste, os valores devem variar entre 25 °C e 27 °C, assim como no oeste de São Paulo e norte de Minas Gerais. Em áreas do sul de Minas Gerais, leste de São Paulo e grande parte da Região Sul, são previstas temperaturas mais amenas e inferiores a 22 °C. Destacam-se, ainda, que as áreas de maior altitude da Região Sul podem ter temperaturas abaixo de 15 °C, especialmente, em setembro.
Mais detalhes sobre prognóstico e monitoramento climático podem ser vistos na opção CLIMA do menu principal do site do Inmet.
Fonte: Conab

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