Sustentabilidade
Forrageiras: o investimento mais estratégico para agricultura moderna – MAIS SOJA

Por: Marcelo Ayres Carvalho, Pesquisador da Embrapa Cerrados
A eficiência no uso da terra e o controle dos custos de produção são fatores essenciais para a gestão das propriedades rurais. Em um cenário de variações nos preços das commodities agrícolas, do custo dos insumos e das taxas de juros, a eficiência do sistema produtivo impacta diretamente a estabilidade financeira das atividades rurais. Neste contexto, as plantas forrageiras deixam de ser apenas um componente da pecuária para assumir um papel estratégico na agricultura moderna.
Mais do que culturas de cobertura, elas contribuem para a saúde do solo, reduzem riscos de produção, aumentam a produtividade e fortalecem a rentabilidade das lavouras, especialmente em períodos de instabilidade econômica e climática.
O risco da safrinha e a armadilha do custo fixo
Historicamente, a “safrinha” de grãos (em geral, com milho ou sorgo) foi utilizada para diluir os custos fixos da propriedade. No entanto, em anos de crise financeira e instabilidade climática, essa estratégia pode se transformar em uma perigosa armadilha. Implantar uma segunda safra de grãos exige investimentos elevados em sementes, fertilizantes e defensivos. Quando o clima ou os preços forem desfavoráveis, a safrinha deixa de gerar receita e passa a representar um passivo financeiro.
A busca por eficiência operacional exige que o produtor repense o uso da terra. A exposição ao risco em janelas marginais de plantio tem levado à adoção de alternativas que demandam menor desembolso inicial e oferecem maior proteção ao sistema produtivo.
No entanto, a redução da dependência de safrinhas de alto risco não significa deixar a terra em pousio — o que seria um erro agronômico grave no Sistema Plantio Direto (SPD). A opção é a adoção de culturas que preparem o sistema para a safra principal com um custo significativamente menor.
As forrageiras como ferramentas estratégicas
O cultivo de espécies forrageiras, especialmente gramíneas e leguminosas tropicais, representa uma estratégia eficiente para aumentar a resiliência dos sistemas produtivos. Ao contrário de uma cultura de grãos, a forrageira implantada após a safra de verão, atua como um “seguro biológico”. Ela não exige os mesmos investimentos em operações agrícolas, insumos e gestão, e entrega um retorno para o sistema que poucas tecnologias conseguem superar.
As forrageiras vão além da cobertura do solo. Seus sistemas radiculares promovem descompactação, infiltração de água, oxigenação do perfil, ciclagem de nutrientes, supressão de plantas invasoras, nematoides, pragas e doenças, além de favorecer o sequestro de carbono.
Em um cenário de crise, onde o produtor precisa extrair o máximo de cada quilo de fertilizante aplicado, ter um solo estruturado e saudável é fundamental para evitar perdas de produtividade e aumento de custos de produção.
Evidências técnicas e econômicas: o valor da saúde do solo
Estudos científicos demonstram que substituir a safrinha de grãos por forrageiras melhora o desempenho do sistema produtivo. Pesquisas têm demonstrado que a soja cultivada após o uso de forrageiras apresenta um incremento médio de 15% na produtividade, o que representa cerca de 515 quilos por hectare adicionais (ou mais de 8,5 sacas por hectare). O ganho está associado à melhora dos bioindicadores da saúde do solo, com aumento da atividade enzimática e da ciclagem de nutrientes.
Do ponto de vista financeiro, o retorno sobre o investimento (ROI) é bastante expressivo. Enquanto o custo de implantação de uma cobertura forrageira varia entre US$ 9 e US$ 30 por hectare em sementes, o retorno financeiro apenas em ganho de produtividade da soja subsequente é estimado em US$ 198 por hectare.
Forrageiras, uma poupança para o solo e para o produtor
Em tempos de insumos caros, as forrageiras funcionam como uma poupança de nutrientes. Cultivares de Brachiaria recuperam potássio e fósforo das camadas profundas do solo e os devolvem à superfície por meio da biomassa. Após a dessecação da forragem, esses nutrientes são liberados de forma gradual, reduzindo a dependência imediata de fertilizantes químicos de alta solubilidade e custo elevado.
Além disso, a palhada persistente sobre o solo reduz a temperatura superficial e mantém a umidade, mitigando os efeitos do estresse hídrico — um problema recorrente que tem dizimado margens de lucro em diversas regiões.
O uso de leguminosas forrageiras contribui também para a melhoria dos atributos físicos e biológicos do solo, promovendo o aporte de nitrogênio no sistema pela fixação biológica. Estudos mostram que leguminosas forrageiras podem fixar entre 50 e mais de 250 quilos de nitrogênio por hectare ao ano.
Elas podem ser utilizadas isoladamente ou em consórcio com gramíneas. As forrageiras também podem ser pastejadas, diversificando a renda. Estudos em fazendas mostram aumento de 18% na produtividade da soja em áreas pastejadas.
Essa estratégia amplia a competitividade do produtor brasileiro. A sustentabilidade aqui não é um conceito abstrato, mas uma ferramenta de resiliência econômica que permite produzir mais com menos interferência externa.
A maturidade do sistema de produção
O crescimento do mercado de sementes forrageiras mostra que investir na saúde do solo reduz riscos e aumenta a eficiência da safra principal. A adoção de sistemas integrados – a Integração Lavoura-Pecuária (ILP) – ou o uso estratégico de forrageiras como plantas de cobertura para o sistema de plantio direto marca a maturidade do sistema de produção brasileiro.
O produtor que compreende a forrageira como um investimento em infraestrutura biológica estará, ao final dessa crise, em uma posição de liderança, com custos de produção mais baixos, solos mais férteis e uma operação significativamente menos vulnerável às oscilações climáticas e do mercado de commodities e insumos.
Sustentabilidade
SOJA/CEPEA: Demanda por soja do BR eleva prêmio de exportação e sustenta cotação interna – MAIS SOJA

O recente aumento das tensões no Oriente Médio impulsionou as cotações internacionais do petróleo, sustentando os preços internacionais da soja. No Brasil, de acordo com o Cepea, a valorização dos prêmios de exportação, somada à influência do cenário geopolítico e ao aquecimento da demanda pela oleaginosa brasileira, reforçou a alta no mercado spot.
Além disso, segundo pesquisadores do Cepea, a previsão de intensificação do fenômeno climático El Niño ao longo da safra 2026/27 vem aumentando as preocupações quanto aos possíveis impactos sobre a produção global de soja. Nesse contexto, parte dos consumidores antecipam as aquisições como estratégia de mitigação de riscos, enquanto vendedores reduzem a oferta de grandes volumes, à espera de condições mais favoráveis de comercialização.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
Sustentabilidade
MILHO/CEPEA: Com vendedores retraídos, preços sobem no Brasil – MAIS SOJA

Embora a colheita avance em todas as regiões produtoras de milho de segunda safra, o volume disponível para negócios segue limitado no mercado interno.
De acordo com o Cepea, além de a média nacional da área já colhida estar inferior à das temporadas anteriores, produtores se mantêm afastados das negociações nos últimos dias, atentos às altas nos preços internacionais, o que pode elevar a paridade de exportação. Assim, os preços do cereal subiram em boa parte das praças acompanhadas pelo Cepea.
Na ponta compradora, pesquisadores do Cepea destacam que agentes têm priorizado o consumo dos estoques em detrimento das novas efetivações. Esses consumidores acreditam que os preços possam voltar a cair assim que o volume colhido aumentar e houver necessidade de novas vendas, devido a limitações da capacidade dos armazéns ou à necessidade de caixa.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
Sustentabilidade
Ceema: Alta em Chicago e forte demanda aquecem mercado e elevam preços da soja no Brasil – MAIS SOJA

A cotação da soja, em seu primeiro mês, voltou a subir, se consolidando acima dos US$ 12,00/bushel. O fechamento desta quinta-feira (23) ficou em US$ 12,37, contra US$ 11,95 uma semana antes. Durante a semana o bushel chegou ao seu mais alto valor desde o final de maio de 2024.
Três motivos estão no centro deste novo quadro de preços: o clima nos EUA e a continuidade da especulação em torno de possíveis perdas nas lavouras de soja daquele país; a continuidade dos novos conflitos, mais agudos, entre Rússia e Ucrânia, que elevam os preços do trigo, puxando a soja, assim como mexem com o preço do gás e do petróleo; e a retomada da guerra entre Irã e EUA após o fracasso do cessarfogo recente, fato que eleva ainda mais o preço do petróleo, provocando fortes altas do óleo de soja em Chicago.
Como o farelo igualmente reagiu, o grão acabou sendo mais valorizado. De fato, o barril do Brent, petróleo que serve de referência para o mercado mundial, que estava em US$ 72,16 no dia 1º de julho, pulou 19,4% em 22 dias, atingindo a US$ 86,15 no dia 23/07. Isso levou a libra-peso do óleo de soja, em Chicago, para 75,48 centavos de dólar ainda no dia 22/07, após ter recuado para 66,74 centavos no dia 30/06. Ou seja, em 23 dias de julho o óleo ganhou 13,1% naquela bolsa. Quanto ao farelo de soja,o mesmo atingiu a US$ 331,60/tonelada curta no dia 22/07, sendo esta a mais alta cotação em quase dois meses.
Afora isso, e confirmando que, apesar de o clima mais seco, a safra estadunidense ainda caminha bem, o USDA informou que, no dia 19/07, apenas 8% das lavouras de soja estavam em condições entre ruins a muito ruins. Outras 26% estavam regulares e 66% se encontravam em condições entre boas a excelentes.
Com isso, o mercado brasileiro aqueceu, com os prêmios se mantendo elevados, ao redor de US$ 1,50/bushel e, em alguns casos, um pouco melhor, enquanto o preço no balcão, ao produtor no interior, subiu. No Rio Grande do Sul, as principais praças passaram a praticar R$ 125,00/saco, enquanto no restante do país os valores giraram entre R$ 116,00 e R$ 127,00/saco.
Dito isso, importante se faz alertar que, em Congresso da SOBER ocorrido nesta semana em Porto Alegre, pesquisadores chineses apontaram que a China espera, até 2030, reduzir em 25% sua dependência pela soja importada, e até 2050 reduzir a mesma em 50%. Já há algum tempo, neste espaço, estamos comentando esta tendência chinesa e suas razões. Se isso se confirmar, teremos uma verdadeira “revolução” na produção de soja mundial em geral e brasileira em particular, fato que poderá atingir, negativamente, muitos produtores.
Dentro de tal contexto, informações procedentes da China (cf. Alfândega local) dão conta de que as importações de soja dos EUA, por parte da China, recuaram 20,6% em junho, em comparação com junho de 2025. Recentes acordos entre os dois países indica que os chineses iriam comprar 25 milhões de toneladas de soja estadunidense, anualmente, até 2028. Porém, isso ainda precisará ser comprovado, diante das novas investidas de tarifaço de Donald Trump.
Por enquanto, tem-se que a China importou 1,27 milhão de toneladas de soja dos Estados Unidos em junho, enquanto as importações do Brasil aumentaram 13,7%, em relação ao mesmo período do ano anterior, passando de 10,62 milhões de toneladas em junho do ano passado para 12,08 milhões de toneladas em junho de 2026. O total de chegadas de soja atingiu o maior nível já registrado para o mês de junho, alcançando 13,55 milhões de toneladas, impulsionado pelos fortes suprimentos brasileiros e pelo desembaraço de cargas atrasadas nos portos. No período de janeiro a junho, as importações de soja dos Estados Unidos caíram 42,4% em relação ao ano anterior, para 9,31 milhões de toneladas, enquanto os embarques do Brasil aumentaram 9,1%, para 34,75 milhões de toneladas. De forma total, a China diminuiu 21% suas compras de soja em junho, embora tenha aumentado os volumes comprados do Brasil.
O fato é que a soja estadunidense está mais cara do que a brasileira, porém, a China continua comprando, mesmo que menos volumes, dos EUA. Na prática, “as compras são classificadas como “políticas” pelo mercado, apesar dos preços mais elevados. A China já comprou 427 navios até agora, concentrados nos embarques setembro – 15 barcos – e outubro – 27 embarcações. Do Brasil, foram adquiridos 47 navios e cinco entre Argentina, Uruguai e Canadá” (cf. Marex). Segundo ainda especialistas, no curto prazo a soja brasileira continuará mais barata que a estadunidense, ajudando nossas exportações. Espera-se que o Brasil exporte, em 2026, 113 milhões de toneladas de soja, sendo que 86 milhões deste total irá para a China, o que demonstra a nossa enorme dependência para com este mercado e o tamanho do impacto que poderemos ter nos próximos anos caso os chineses efetivamente reduzam suas importações.
Com isso, no Brasil os preços estão nos melhores níveis depois de muito tempo, o que remete a alertar os produtores para que aproveitem a oportunidade, fazendo novas médias de comercialização, caso consigam e desejem. Lembrando que a colheita nos EUA começa em outubro e, se não houver quebra de safra naquele país, haverá natural pressão baixista sobre os preços. Hoje, os preços no porto de Rio Grande já superaram os R$ 150,00/saco, tendo chegado a R$ 160,00 no dia 22/07 com entrega em novembro/26 e pagamento em maio/27 (cf. Brandalizze Consulting).

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
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