Agro Mato Grosso
Frete e portos pressionam exportações do agro e elevam custos MT

Os desafios logísticos do agronegócio brasileiro voltaram ao centro do debate nesta semana, com destaque para dois pontos críticos: o aumento expressivo das multas no transporte rodoviário de cargas e a limitação da infraestrutura portuária. Os temas foram discutidos durante reunião da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), realizada na terça-feira (5).
No transporte rodoviário, os números chamam atenção. Segundo dados apresentados pela entidade, somente em 2025 foram registrados 67 mil autos de infração relacionados ao piso mínimo do frete. Já entre janeiro e abril de 2026, esse número saltou para 161 mil autuações. A média diária chega a 1.304 multas, com projeção de alcançar 476 mil até o fim do ano.
Fiscalização eletrônica amplia multas e gera distorções
O aumento está diretamente ligado ao novo modelo de fiscalização eletrônica implantado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em 2025. O sistema cruza dados de documentos digitais das transportadoras e aplica autuações automáticas, sem análise individual dos casos.
De acordo com a CNA, esse formato tem provocado distorções, como multas duplicadas, autuações em cadeia e aumento dos custos logísticos. O descumprimento da tabela de frete pode gerar penalidades de até R$ 10 milhões, além da suspensão do registro das empresas.
Diante desse cenário, a entidade ingressou, em novembro de 2025, com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) questionando a política de piso mínimo do frete, sob o argumento de que a medida interfere no mercado e amplia os custos do setor. Em abril deste ano, a CNA também contestou a Medida Provisória 1.343/2026, que tornou obrigatório o registro de todas as operações de transporte com emissão do CIOT.
Infraestrutura portuária limita crescimento das exportações
Se no transporte rodoviário o problema está nos custos e na regulação, nos portos o gargalo é estrutural. Segundo especialistas que participaram da reunião, o Brasil opera hoje com uma defasagem estimada em 15 anos na capacidade portuária.
A limitação de espaço em terminais, a falta de berços de atracação e a estrutura tarifária considerada inadequada dificultam a operação de navios maiores, o que impacta diretamente a eficiência logística e a competitividade das exportações.
O cenário já apresenta reflexos práticos, como congestionamentos, atrasos no embarque de cargas, filas de caminhões e aumento de custos operacionais. No caso do café, por exemplo, representantes do setor apontaram que, mesmo com recordes de exportação, o desempenho logístico não acompanha o crescimento da demanda.
Competitividade em risco
Para a CNA, os gargalos logísticos — tanto no frete quanto nos portos — comprometem o potencial do agronegócio brasileiro. A entidade defende avanços estruturais, como a retomada de investimentos em terminais portuários e melhorias na regulação do transporte, como forma de reduzir custos e aumentar a eficiência.
O debate reforça que, apesar dos recordes de produção e exportação, o Brasil ainda enfrenta desafios históricos na infraestrutura, que podem limitar o crescimento do setor e reduzir sua competitividade no mercado internacional.
Agro Mato Grosso
Governo de MT e Rumo inauguram 1º trecho da Ferrovia Estadual: “MT é um exemplo do que o Brasil pode fazer”

Primeiro trecho da Ferrovia Estadual foi entregue em Dom Aquino e avança na integração logística da produção de Mato Grosso ao país
O Governo de Mato Grosso e a Rumo inauguraram, neste sábado (20), o primeiro trecho da 1ª Ferrovia Estadual de Mato Grosso. São 162 quilômetros de extensão, ligando Rondonópolis ao novo terminal ferroviário instalado na BR-070, em Dom Aquino, com investimento de R$ 5 bilhões nesta primeira etapa.
Considerada a maior ferrovia em execução no Brasil, o projeto terá 740 quilômetros de extensão quando concluído, conectando Rondonópolis a Lucas do Rio Verde, passando por 16 municípios mato-grossenses e com ramal previsto para Cuiabá.
Durante a entrega, o governador Otaviano Pivetta destacou o papel do Governo de Mato Grosso na criação das condições para o desenvolvimento econômico do Estado.
“Mato Grosso é um exemplo do que o Brasil pode fazer. Enquanto a Rumo construiu 162 quilômetros de ferrovia, nós vamos concluir mais de 7 mil quilômetros de asfalto novo nas rodovias estaduais até o final do ano. Investimos R$ 28 bilhões em infraestrutura para melhorar a vida do nosso povo”, afirmou.
Ele também ressaltou os avanços fiscais e institucionais do Estado nos últimos anos. “Recebemos um Estado considerado insolvente e hoje Mato Grosso tem nota triplo A há três anos. Saímos das últimas posições na educação e hoje estamos entre os melhores do país. Quando o governo faz o dever de casa, o desenvolvimento acontece”, completou.
O presidente da Rumo, Pedro Palma, destacou a construção conjunta do projeto. “A visão de futuro é importante, mas ela não basta. É preciso conhecimento, parceria e coragem para transformar projetos em realidade. O modelo criado por Mato Grosso foi fundamental para que esse investimento saísse do papel e chegasse até aqui”, destacou.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, destacou a importância da ferrovia para a competitividade da produção brasileira. “Essa ferrovia liga Mato Grosso ao Porto de Santos, reduzindo custos logísticos e aumentando a competitividade da produção brasileira. A ferrovia melhora o transporte, ajuda o meio ambiente, reduz custos e impulsiona o desenvolvimento econômico do país”, disse.
O presidente do conselho de administração da Cosan, Rubens Ometto, ressaltou o impacto da integração logística. “É uma parceria que mostra o que o Brasil é capaz de fazer quando iniciativa privada e poder público trabalham juntos. Esse projeto conecta a produção de Mato Grosso ao Porto de Santos e ao mundo. É a verdadeira ferrovia do grão, que também traz fertilizantes, exporta algodão e movimenta a indústria do etanol. Essa entrega representa muito mais do que novos trilhos, gera empregos e cria condições para que as pessoas construam aqui as suas vidas”, pontuou.
O ministro dos Transportes, George Santoro, parabenizou os envolvidos. “Essa obra representa um avanço importante para a logística do país e para o setor produtivo”, disse.
Terminal Ferroviário
As obras tiveram início em novembro de 2022 e mobilizaram mais de 65 empresas contratadas e cerca de 5 mil trabalhadores. Somente na construção do terminal, foram gerados mais de 800 empregos diretos e indiretos.
Para o prefeito de Dom Aquino, Carlim Amarelo, a chegada da ferrovia representa uma transformação regional. “Estamos diante de uma obra que fortalece Mato Grosso e muda a história da nossa região. Dom Aquino passa a integrar uma importante rota logística nacional, ampliando oportunidades para produtores, empresas e para toda a população”, afirmou.
A cerimônia contou com a presença de autoridades federais, estaduais e municipais, entre elas senadores, deputados federais, deputados estaduais, prefeitos da região, empresários, representantes do setor produtivo e outras lideranças.
Agro Mato Grosso
Elefanta Baby chega a santuário em MT após dois anos de espera

Animal viveu por décadas em cativeiro e agora inicia processo de adaptação em área destinada à recuperação de elefantes resgatados.
A elefanta Baby chegou ao Santuário de Elefantes Brasil, em Chapada dos Guimarães, a 65 km de Cuiabá, marcando o fim de uma longa espera iniciada após o encerramento das atividades do zoológico do Parque Beto Carrero World, em Santa Catarina.
O transporte do animal foi realizado por uma equipe especializada e acompanhado por veterinários e tratadores ao longo de todo o percurso. A chegada representa um novo capítulo na vida da elefanta, que agora passará por um período de adaptação antes de explorar áreas maiores do santuário.

Baby passou anos da vida vivendo em um circo e agora chega ao Santuário. — Foto: Santuário dos Elefantes Brasil
Baby viveu grande parte da vida em cativeiro e foi transferida para o espaço de conservação após anos sob cuidados humanos. Desde o fechamento do zoológico, em 2024, instituições e especialistas trabalhavam para viabilizar sua mudança para um local mais adequado às necessidades da espécie.
De acordo com o santuário, a elefanta permanecerá inicialmente em uma área preparada para recebê-la com segurança. Durante os primeiros dias, a equipe técnica acompanhará seu comportamento, alimentação e condições de saúde para garantir uma transição tranquila.
O que é o Santuário de Elefantes Brasil?
O Santuário de Elefantes Brasil é o único da América Latina dedicado exclusivamente ao acolhimento de elefantes que viveram em zoológicos, circos ou outras situações de cativeiro. O local oferece amplas áreas naturais para que os animais recuperem comportamentos típicos da espécie e tenham mais autonomia.
A expectativa dos responsáveis é que, gradualmente, Baby se adapte ao novo ambiente e possa desfrutar de uma rotina mais próxima daquela encontrada na natureza. O processo, no entanto, será conduzido respeitando o ritmo do animal.
Com a chegada da elefanta, o santuário amplia o grupo de animais acolhidos e reforça seu trabalho voltado ao bem-estar e à recuperação física e emocional de elefantes resgatados em diferentes regiões do país.
Agro Mato Grosso
Gasolina com 32% de etanol será aprovada na quarta-feira (24), diz Alckmin

Mudança deve ser aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética, segundo o vice-presidente. O governo cita que o objetivo é reduzir o preço do combustível e tornar país autossuficiente no abastecimento.
A mistura de etanol na gasolina deve subir de 30% (E30) para 32% (E32) a partir da próxima quarta-feira (24), com a aprovação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). O anúncio foi feito pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin em visita a Mato Grosso, neste sábado (20).
De acordo com Alckmin, o aumento da proporção de etanol no combustível deve ter impacto direto na redução do preço da gasolina, além de trazer benefícios ambientais e estimular o setor agroindustrial brasileiro.
“Tem muito etanol de milho. [O país] produz o etanol e produz o DDG (Grãos Secos de Destilaria). Então, quarta-feira passa a gasolina que tinha 27,5% de etanol e passou para 30%, agora passa para 32%. Isso ajuda a gasolina a ficar mais barata, polui menos o meio ambiente e estimula a agricultura e a agroindústria que vai fazer etanol combustível e vai fazer para ração animal”, disse.
Segundo o governo federal, a mudança pode reduzir em cerca de 500 milhões de litros por mês a necessidade de importação de gasolina. O volume seria suficiente para eliminar a dependência externa do país no abastecimento do combustível, colocando o Brasil em condição de autossuficiência.
Em abril deste ano, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, informou que a medida terá caráter excepcional e temporário, com vigência inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada por igual período mediante decisão do CNPE.
A proposta, segundo o governo, deve melhorar a logística do setor, liberando infraestrutura atualmente utilizada para importação de gasolina e aumentando a eficiência na distribuição de outros derivados, como o diesel.
A medida integra as diretrizes da Lei do Combustível do Futuro, marco regulatório voltado à ampliação do uso de energias renováveis e à redução das emissões no setor de transportes. Em agosto de 2025, a mesma política elevou o percentual de etanol na gasolina de 27,5% para os atuais 30%.
Produção de etanol de milho
A produção de etanol de milho no Brasil é um dos pilares da expansão dos biocombustíveis no país. A perspectiva de produção é de aproximadamente 9 bilhões de litros, representando mais de 25% do total de etanol produzido no Brasil, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica).
O Centro-Oeste é o grande motor da produção, com destaque para Mato Grosso que é o maior produtor de etanol de milho do Brasil, concentrando sozinho cerca de 70% de toda a oferta nacional. Em seguida está Goiás e Mato Grosso do Sul.
Na safra mais recente, a produção estadual atingiu a marca histórica de 5,6 bilhões de litros de etanol, com projeções apontando para um salto superior a 16% em novos ciclos.
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