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22 de setembro de 2026

Agro Mato Grosso

Milho bate recorde em MT e soja segue sob influência do clima

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Imea projeta produção histórica de milho e acompanha impactos das altas temperaturas sobre a safra dos EUA

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou novos relatórios de mercado para soja e milho, destacando o avanço da demanda doméstica pelo cereal em Mato Grosso e a atenção do mercado internacional às condições climáticas nos Estados Unidos, fator que segue influenciando as perspectivas para a soja.

No caso da soja, o Imea ressalta que as altas temperaturas registradas nas últimas semanas nos Estados Unidos anteciparam a floração das lavouras na região do Corn Belt, reduzindo a classificação das áreas consideradas em boas ou excelentes condições. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), esse índice passou de 70,25% no mesmo período de 2025 para 64,25% neste ano.

Apesar da deterioração das condições das lavouras, as projeções permanecem positivas. O relatório WASDE mantém a expectativa de uma safra recorde de 131,6 milhões de toneladas, 1,2 milhão de toneladas acima da estimativa divulgada no mês anterior. Ainda assim, agosto é considerado um período decisivo para a definição do potencial produtivo da soja norte-americana, mantendo o clima no centro das atenções do mercado.

Em Mato Grosso, a saca de soja encerrou a semana cotada, em média, a R$ 122,88, valorização de 0,99% em relação à semana anterior, sustentada pela menor oferta do grão no estado. Em sentido oposto, os contratos da oleaginosa na Bolsa de Chicago recuaram 3,51%, pressionados pela queda das cotações do petróleo Brent. Já o óleo de soja registrou valorização semanal de 0,91%, alcançando média de R$ 5.964,49 por tonelada, impulsionado pela demanda externa.

Margem de esmagamento diminui

O Imea também aponta que a alta no preço da soja reduziu a rentabilidade da indústria de esmagamento em julho. A cotação média da saca atingiu R$ 116,74, maior valor registrado em 2026 até o momento, com alta de 9,49% frente a junho e de 3,91% na comparação anual.

Como consequência, a margem bruta de esmagamento caiu 20,52% em relação ao mês anterior, encerrando julho em R$ 435,43 por tonelada. Embora os preços do farelo e do óleo tenham avançado 4,46% e 0,22%, respectivamente, os reajustes não foram suficientes para compensar o aumento do custo da matéria-prima.

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Segundo o Instituto, a menor disponibilidade de soja durante a entressafra deve manter os preços elevados no estado. Caso os coprodutos não acompanhem esse movimento, a tendência é de continuidade da pressão sobre as margens da indústria.

Demanda por milho cresce com expansão do etanol

No mercado de milho, o Imea revisou para cima a demanda pela safra 2024/25 em Mato Grosso, estimada agora em 54,98 milhões de toneladas, avanço mensal de 0,85%. O principal fator foi o aumento do consumo pelas usinas de etanol de milho, o que reduziu a projeção dos estoques finais para 974,03 mil toneladas, queda de 32,14% em relação à estimativa anterior.

Para a safra 2025/26, o Instituto projeta continuidade da expansão do consumo interno. A demanda doméstica foi estimada em 22,10 milhões de toneladas, crescimento de 9,12% sobre o ciclo anterior, também impulsionada pela ampliação da capacidade industrial das usinas de etanol.

Além disso, a menor oferta em outros estados deve elevar o consumo interestadual para 11 milhões de toneladas, aumento de 6,18%. Em contrapartida, as exportações foram projetadas em 24,10 milhões de toneladas, redução anual de 1,09%, refletindo a maior absorção da produção pelo mercado interno.

No mercado, os contratos do milho na CME Group recuaram 2,04% na semana, encerrando cotados a US$ 4,49 por bushel, diante das expectativas de ampla oferta global favorecida pelas boas condições das lavouras norte-americanas. Na B3, o cereal fechou a R$ 69,71 por saca, baixa semanal de 0,41%, acompanhando o avanço da colheita no Brasil.

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Produção recorde em Mato Grosso

O Imea consolidou a área cultivada de milho da safra 2025/26 em Mato Grosso em 7,43 milhões de hectares, aumento de 2,41% sobre a temporada anterior e 7,53% acima da média dos últimos cinco anos. O volume representa a segunda maior área da série histórica do Instituto, atrás apenas da safra 2022/23.

A produtividade foi estimada em 128,67 sacas por hectare, praticamente estável em relação ao levantamento anterior. Segundo o Instituto, as boas condições climáticas ao longo do ciclo, especialmente a distribuição favorável das chuvas, sustentaram o elevado potencial produtivo.

Com isso, a produção estadual foi projetada em 57,39 milhões de toneladas, alta de 3,53% frente à safra passada e 23,85% acima da média dos últimos cinco anos, estabelecendo um novo recorde para a série histórica do Imea.

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Agro Mato Grosso

Entenda por que os combustíveis estão mais caros em Mato Grosso

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Quem abasteceu o carro nas últimas semanas percebeu que os combustíveis ficaram mais caros em Mato Grosso. Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis de Mato Grosso (Sindipetróleo-MT), a alta ocorre em meio à pressão sobre diferentes etapas da cadeia de abastecimento, influenciada pelo preço do petróleo, pelos custos do etanol e por dificuldades no fornecimento de diesel.

Os principais fatores apontados pelo setor são:

  • Disparada do barril de petróleo no mercado internacional, afetando diretamente os custos na origem;
  • Encerramento da safra de cana-de-açúcar no Sudeste, aliado ao aumento do preço do açúcar no mercado externo, o que pressiona os custos do etanol;
  • Aumento do percentual obrigatório de etanol na gasolina A;
  • Redução drástica das importações de óleo diesel, gerando gargalos severos no suprimento nacional.

O movimento também aparece nos dados mais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Entre 13 e 19 de setembro, a média em Cuiabá do litro da gasolina comum chegou a R$ 6,97etanol ficou na média de R$ 4,17 na capital, enquanto o diesel S-10 pode ser encontrado por R$ 7,57.

Mas por que o preço aumenta nas bombas?

1. Alta do petróleo no mercado internacional

Segundo o sindicato, o preço do petróleo é um dos principais componentes da formação dos preços dos combustíveis. Quando as cotações internacionais sobem, os custos de aquisição e importação de derivados também podem aumentar.

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No caso do diesel, a pressão tem sido maior. Segundo dados divulgados pela ANP, o preço do produto avançou na última semana pesquisada para R$ 6,65 na média nacional.

2. Etanol mais caro pressiona a gasolina

Outro fator apontado pelo Sindipetróleo-MT é o preço do etanol. O biocombustível é utilizado na composição da gasolina vendida nos postos e, por isso, alterações no preço do etanol podem influenciar o custo da gasolina.

Desde 1º de agosto, a gasolina comercializada no país passou a ter 32% de etanol na mistura, contra 30% anteriormente. Em setembro, o governo autorizou o início dos testes para aumentar a mistura de etanol na gasolina comum, chegando a 35%

O sindicato também aponta o encerramento da safra de cana-de-açúcar no Sudeste e a valorização do açúcar no mercado externo como fatores que pressionam os custos do etanol.

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3. Diesel e dificuldades de abastecimento

O Sindipetróleo-MT afirmou ainda que houve redução nas importações de óleo diesel, provocando dificuldades no suprimento e restrições no atendimento de pedidos às distribuidoras.

🔎 O diesel é especialmente importante para Mato Grosso, onde é utilizado em larga escala no transporte de cargas e nas atividades do agronegócio.

4. Quem define o preço na bomba?

preço pago pelo consumidor não é formado apenas pelo valor cobrado pelo produtor ou importador. A cadeia envolve diferentes etapas, como produção ou importação, refino, distribuição, transporte e revenda.

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O Sindipetróleo-MT apontou que os postos não são responsáveis pela formação dos preços e atuam como o último elo da cadeia, repassando os custos recebidos das distribuidoras.

5. O que diz o Sindipetróleo-MT?

Em nota divulgada nesta semana, o sindicato afirmou que os aumentos recebidos pelos postos são consequência de fatores que ocorrem antes da chegada do combustível à revenda.

A entidade também criticou cobranças direcionadas exclusivamente aos postos durante o período eleitoral e defendeu que eventuais fiscalizações sobre a formação de preços alcancem todos os elos da cadeia.

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Agro Mato Grosso

MT responde por 15,6% do Valor Bruto da Produção Agropecuária do país

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Estimativa do Mapa aponta VBP de R$ 218,2 bilhões para Mato Grosso; soja, milho e pecuária estão entre os principais componentes do resultado nacional

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Agro Mato Grosso

Resistência de Diabrotica virgifera reduz eficácia do refúgio no milho Bt

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Estudo aponta herança não recessiva da resistência a Gpp34/Tpp35Ab1 e custos de aptidão na praga

A resistência de Diabrotica virgifera virgifera ao milho Bt que expressa as proteínas Gpp34/Tpp35Ab1 é herdada de forma não recessiva. Segundo os autores, isso provavelmente reduz a capacidade da estratégia de refúgio de retardar a evolução da resistência e aumenta o risco de que ela ocorra. Pesquisadores da Iowa State University e do USDA-ARS avaliaram duas linhagens de laboratório, DBQ e WAT, derivadas de populações de campo com resistência evoluída e comparadas com uma linhagem suscetível de fundo genético semelhante.

Os valores de dominância genética (h) foram de 0,76 na DBQ e de 0,72 na WAT. Em ambas as linhagens, os heterozigotos sobreviveram no milho Bt significativamente mais que os suscetíveis, embora menos que no milho não Bt. A WAT apresentou resistência completa, sem diferença significativa de sobrevivência entre milho Bt e não Bt, enquanto a DBQ apresentou resistência incompleta. As razões de resistência foram de 124 para a WAT e de 38 para a DBQ.

O trabalho também identificou custos de aptidão associados à resistência, medidos em milho não Bt e em indivíduos homozigotos resistentes. Os percentuais abaixo são reduções relativas em comparação com a linhagem suscetível. Na DBQ, as fêmeas produziram 44,4% menos ovos viáveis (efeito significativo, mas de margem estreita: P = 0,044 em teste unicaudal), e nenhum outro custo foi detectado.

Na WAT, a sobrevivência até a fase adulta foi 17,1% menor, o desenvolvimento durou 2,81% mais e a largura da cápsula cefálica (indicador de tamanho corporal) foi 0,81% menor. Esses custos podem contrabalançar em parte o efeito da herança não recessiva, ao selecionar contra os alelos de resistência na ausência de pressão do milho Bt. Os autores ressalvam, porém, que os custos, sozinhos, podem não garantir um atraso duradouro da resistência sem refúgios maiores e manejo integrado.

Para reduzir o risco de evolução da resistência, os autores apontam refúgios maiores e abordagens de manejo mais diversificadas. Em locais onde a resistência a Gpp34/Tpp35Ab1 ainda não está amplamente disseminada, a rotação de culturas e o plantio de milho não Bt também podem aumentar a proporção de insetos suscetíveis na população e retardar a evolução da resistência (doi 10.1002/ps.71301).

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Agro MT