Agro Mato Grosso
Milho bate recorde em MT e soja segue sob influência do clima

Imea projeta produção histórica de milho e acompanha impactos das altas temperaturas sobre a safra dos EUA
O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou novos relatórios de mercado para soja e milho, destacando o avanço da demanda doméstica pelo cereal em Mato Grosso e a atenção do mercado internacional às condições climáticas nos Estados Unidos, fator que segue influenciando as perspectivas para a soja.
No caso da soja, o Imea ressalta que as altas temperaturas registradas nas últimas semanas nos Estados Unidos anteciparam a floração das lavouras na região do Corn Belt, reduzindo a classificação das áreas consideradas em boas ou excelentes condições. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), esse índice passou de 70,25% no mesmo período de 2025 para 64,25% neste ano.
Apesar da deterioração das condições das lavouras, as projeções permanecem positivas. O relatório WASDE mantém a expectativa de uma safra recorde de 131,6 milhões de toneladas, 1,2 milhão de toneladas acima da estimativa divulgada no mês anterior. Ainda assim, agosto é considerado um período decisivo para a definição do potencial produtivo da soja norte-americana, mantendo o clima no centro das atenções do mercado.
Em Mato Grosso, a saca de soja encerrou a semana cotada, em média, a R$ 122,88, valorização de 0,99% em relação à semana anterior, sustentada pela menor oferta do grão no estado. Em sentido oposto, os contratos da oleaginosa na Bolsa de Chicago recuaram 3,51%, pressionados pela queda das cotações do petróleo Brent. Já o óleo de soja registrou valorização semanal de 0,91%, alcançando média de R$ 5.964,49 por tonelada, impulsionado pela demanda externa.
Margem de esmagamento diminui
O Imea também aponta que a alta no preço da soja reduziu a rentabilidade da indústria de esmagamento em julho. A cotação média da saca atingiu R$ 116,74, maior valor registrado em 2026 até o momento, com alta de 9,49% frente a junho e de 3,91% na comparação anual.
Como consequência, a margem bruta de esmagamento caiu 20,52% em relação ao mês anterior, encerrando julho em R$ 435,43 por tonelada. Embora os preços do farelo e do óleo tenham avançado 4,46% e 0,22%, respectivamente, os reajustes não foram suficientes para compensar o aumento do custo da matéria-prima.
Segundo o Instituto, a menor disponibilidade de soja durante a entressafra deve manter os preços elevados no estado. Caso os coprodutos não acompanhem esse movimento, a tendência é de continuidade da pressão sobre as margens da indústria.
Demanda por milho cresce com expansão do etanol
No mercado de milho, o Imea revisou para cima a demanda pela safra 2024/25 em Mato Grosso, estimada agora em 54,98 milhões de toneladas, avanço mensal de 0,85%. O principal fator foi o aumento do consumo pelas usinas de etanol de milho, o que reduziu a projeção dos estoques finais para 974,03 mil toneladas, queda de 32,14% em relação à estimativa anterior.
Para a safra 2025/26, o Instituto projeta continuidade da expansão do consumo interno. A demanda doméstica foi estimada em 22,10 milhões de toneladas, crescimento de 9,12% sobre o ciclo anterior, também impulsionada pela ampliação da capacidade industrial das usinas de etanol.
Além disso, a menor oferta em outros estados deve elevar o consumo interestadual para 11 milhões de toneladas, aumento de 6,18%. Em contrapartida, as exportações foram projetadas em 24,10 milhões de toneladas, redução anual de 1,09%, refletindo a maior absorção da produção pelo mercado interno.
No mercado, os contratos do milho na CME Group recuaram 2,04% na semana, encerrando cotados a US$ 4,49 por bushel, diante das expectativas de ampla oferta global favorecida pelas boas condições das lavouras norte-americanas. Na B3, o cereal fechou a R$ 69,71 por saca, baixa semanal de 0,41%, acompanhando o avanço da colheita no Brasil.

Produção recorde em Mato Grosso
O Imea consolidou a área cultivada de milho da safra 2025/26 em Mato Grosso em 7,43 milhões de hectares, aumento de 2,41% sobre a temporada anterior e 7,53% acima da média dos últimos cinco anos. O volume representa a segunda maior área da série histórica do Instituto, atrás apenas da safra 2022/23.
A produtividade foi estimada em 128,67 sacas por hectare, praticamente estável em relação ao levantamento anterior. Segundo o Instituto, as boas condições climáticas ao longo do ciclo, especialmente a distribuição favorável das chuvas, sustentaram o elevado potencial produtivo.
Com isso, a produção estadual foi projetada em 57,39 milhões de toneladas, alta de 3,53% frente à safra passada e 23,85% acima da média dos últimos cinco anos, estabelecendo um novo recorde para a série histórica do Imea.
Agro Mato Grosso
MT tem segundo início de safra mais seco em 27 anos e acende alerta para produção de soja

Chuvas ficaram 33% abaixo da média histórica entre setembro e outubro. Entidade alerta que lavouras já sentem os efeitos da falta de umidade, apesar do avanço do plantio.
Mato Grosso enfrenta o segundo início de safra mais seco dos últimos 27 anos, e a falta de chuva já preocupa produtores de soja. Entre 1º de setembro e 27 de outubro, o estado registrou 186 milímetros de precipitação, volume 33% menor que a média histórica para o período, de acordo com um levantamento da EnsoAg/SmartCampo, feito com dados da NASA e divulgado pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT).
O cenário coloca em dúvida as projeções mais otimistas para a safra 2026/2027. Mesmo com o plantio avançando, produtores relatam lavouras afetadas pela baixa umidade do solo, principalmente em regiões do Oeste e Médio-Norte do estado.
A situação é mais preocupante na região dos Parecis. Em Campos de Júlio, por exemplo, foram registrados apenas 89 milímetros de chuva nos 30 dias analisados, quantidade 56% abaixo do esperado. Brasnorte, Comodoro e Sapezal também tiveram volumes bem inferiores à média histórica.
O levantamento aponta ainda que 22 dos 23 municípios avaliados tiveram menos chuva que o esperado. Em 66% do território mato-grossense, o volume de precipitação ficou pelo menos 25% abaixo do padrão histórico.
Além da pouca chuva, as temperaturas elevadas e a distribuição irregular das precipitações aumentam o risco de prejuízos ao desenvolvimento das plantas.
Segundo o presidente da Aprosoja-MT, Lucas Costa Beber, algumas lavouras semeadas mais cedo já chegaram à fase reprodutiva e começam a sentir os efeitos da falta de água. Ele alerta que o avanço do plantio não significa que a produção esteja garantida.
As chuvas registradas entre 28 de outubro e 1º de novembro trouxeram um pouco de alívio, mas ainda ficaram 22% abaixo da média esperada para o período. A entidade também aponta possíveis dificuldades no controle de plantas daninhas e pragas, o que pode exigir mudanças no manejo e aumentar os custos de produção.
Apesar das preocupações, ainda não é possível calcular eventuais perdas na safra. A avaliação é de que as estimativas de uma produção elevada precisam ser confirmadas conforme o desenvolvimento das lavouras nas próximas semanas.
Agro Mato Grosso
Novas espécies de cogumelos raros são descobertas em Mato Grosso

Quatro novas espécies de cogumelos foram achadas na região de Alta Floresta e Novo Mundo, em Mato Grosso, por uma pesquisadora alemã em parceria com uma brasileira.
A Amazônia é reconhecida pela imensa variedade de espécies que abriga, mas ainda guarda muitas formas de vida desconhecidas pela ciência. Entre elas, estão quatro novas espécies de cogumelos identificadas nos municípios de Alta Floresta e Novo Mundo, em Mato Grosso. A identificação foi realizada em um estudo liderado pela pesquisadora Juli Simon Cardoso, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
🔍A descoberta foi publicada em um artigo científico na revista Phytotaxa, que apresenta os estudos realizados para identificar as quatro novas espécies de cogumelos do gênero Hygrocybe. Os fungos foram coletados em trilhas da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPNs) Cristalino, no norte de Mato Grosso, na região da Amazônia meridional.
O estudo faz parte do Projeto Fungos do Cristalino, uma parceria entre a Fundação Ecológica Cristalino (FEC), o Laboratório de Micologia da UFSC.
🧐🔍O começo da descoberta
Segundo Juli, a descoberta começou na própria Amazônia, quando a parataxonomista alemã Susanne Sourell, especialista na identificação de espécies em campo, visitava a região e publicava fotos de diferentes cogumelos nas redes sociais. A partir dessas publicações, ela entrou em contato com Juli, que é especialista no gênero. As duas passaram a conversar sobre as características dos exemplares.
“Todo mundo dizia: ‘nunca vi, espécie nova’. Ela descobriu que eu trabalhava com Hygrocybe e começou a conversar comigo”, contou.
A partir da suspeita de que poderiam ser espécies desconhecidas, os pesquisadores do Projeto Fungos do Cristalino realizaram duas etapas de identificação. A primeira foi a descrição morfológica, que consiste em medir e detalhar as características do cogumelo, incluindo suas estruturas microscópicas. Em seguida, foi feita a análise do DNA, para comparar o material genético dos exemplares com o de espécies semelhantes.
“A gente pega um pedacinho do DNA do fungo e compara com o de fungos parecidos. Se o resultado for muito parecido, é a mesma espécie. Se não, pode ser uma espécie diferente”, explicou.
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Além das espécies em tons esverdeados, outros dois cogumelos dos Hygrocybe vinaceosquamulosa e Hygrocybe pegleri foram identificados. — Foto: Susanne Sourell
Duas das quatro espécies foram encontradas apenas nas áreas onde foram descobertas, o que indica uma distribuição geográfica bastante restrita. Essa característica, de acordo com a bióloga, reforça a importância da conservação das Reservas Cristalino e dos ambientes naturais da Amazônia meridional.
“Pesquisei em muitos lugares e nunca vi tanto cogumelo quanto lá”, disse.
🍄🌱 A importância dos fungos
Os fungos pertencem ao Reino Fungi, um grupo de organismos com características próprias, diferentes das plantas e dos animais. Apesar de sua importância para a natureza, ainda são pouco conhecidos pela ciência. Estima-se que apenas cerca de 5% das espécies de fungos existentes no planeta tenham sido identificadas e descritas.
Esses organismos desempenham funções essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas. Eles decompõem folhas, galhos e outros restos orgânicos, devolvendo nutrientes ao solo. Também ajudam as plantas a absorver água e minerais, contribuem para o armazenamento de carbono no solo e servem de alimento para diferentes organismos.
Conheça os quatro novos cogumelos descobertos
| Espécie | Como identificar | Onde e quando foi localizada |
| Hygrocybe cristalinoensis | É totalmente verde, do chapéu ao pé, com bordas brancas e franjas. | Trilha do Francisco, em 2019. |
| Hygrocybe viridilacerata | Também é verde, mas o chapéu se abre e fica rasgado, formando uma estrela. | Trilha do Francisco, em 2018. |
| Hygrocybe pegleri | Tem o maior pé entre as quatro espécies, com mais de 10 centímetros, e chapéu com escamas marrons. | Trilha da Castanheira, em 2019. |
| Hygrocybe vinaceosquamulosa | Tem o chapéu coberto de pequenas escamas, com tons que variam entre rosa e roxo. | Trilha da Castanheira, em 2019. |
*Sob supervisão de Kessillen Lopes.
Agro Mato Grosso
MT intensifica combate ao bicudo na reta final da safra de algodão

Com o beneficiamento do algodão entrando na reta final em Mato Grosso, a atenção do setor produtivo se volta para o controle do bicudo-do-algodoeiro. Na última semana de outubro, a incidência da praga aumentou na maioria das regiões do estado, segundo levantamento do IMAmt, braço técnico da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), em parceria com o Imea.
O cenário levou a Ampa a reforçar o alerta aos agricultores sobre a necessidade de manter as medidas de combate ao inseto mesmo durante o desenvolvimento da soja. As tigueras, plantas voluntárias de algodão que nascem entre as lavouras de grãos, servem de abrigo e alimento para o bicudo. Por isso, a recomendação é eliminar esses focos imediatamente, manter as armadilhas ativas e recorrer à aplicação de inseticidas quando necessário.
Nas unidades de beneficiamento, os trabalhos também se aproximam da conclusão. A maior parte das algodoeiras já processou entre 65% e 80% da produção, enquanto algumas instalações da região Centro-Leste atingiram 97% do volume previsto.
Plantio da soja chega a 89%
Paralelamente aos cuidados fitossanitários, Mato Grosso se aproxima da conclusão da semeadura da soja 2026/27. Até 30 de outubro, a operação havia alcançado 89,05% da área estimada, favorecida pelo retorno das chuvas em regiões que enfrentavam maior irregularidade climática, como o Noroeste do estado.
Com as lavouras apresentando bom desenvolvimento, o ritmo da semeadura contribui para o planejamento da próxima etapa do calendário agrícola. A conclusão dos trabalhos dentro do período adequado é importante para assegurar condições mais favoráveis ao cultivo do milho e do algodão de segunda safra no início do próximo ano.
O processamento da fibra, a proximidade do fim da semeadura e a vigilância contra o bicudo marcam a transição entre as etapas da produção agrícola em Mato Grosso. Nesse período, o cumprimento das recomendações fitossanitárias e a atenção aos prazos de cultivo são fundamentais para preservar o potencial produtivo da próxima temporada.
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