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8 de novembro de 2026

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Pesquisa com 4,5 mil profissionais revela principais riscos éticos do agronegócio

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Soja. Foto: Embrapa

O ato de manter uma conduta íntegra diante de pressões é chamado de resiliência ética no meio corporativo. Quando essa capacidade é menor, profissionais ficam mais vulneráveis a adotar atitudes condenáveis, algo que também ocorre no agronegócio em meio à pressão por produtividade, cumprimento de metas e continuidade das operações.

Esse diagnóstico é mostrado no novo recorte do Atlas PIR, estudo desenvolvido pela S2 Consultoria para mapear riscos comportamentais e éticos nas organizações.

Nesse cenário, o agronegócio registra Índice de Prontidão para Integridade e Resiliência (PIR) de 6,83, acima da média nacional de 6,75. Apesar do resultado, o setor apresenta situações em que a pressão por resultados e a necessidade de manter a operação funcionando podem fazer com que determinadas práticas inadequadas sejam incorporadas à rotina.

Para chegar ao resultado, o Atlas PIR reuniu dados de 4.541 profissionais de 54 empresas do setor, em uma base nacional com mais de 48 mil respondentes de diferentes segmentos econômicos.

“O dado mais importante do estudo é que o agronegócio apresenta boa capacidade de resistência ética, mas também um conjunto de condições que favorecem racionalizações previsíveis. O problema não nasce da intenção de cometer desvios. Ele surge quando a cobrança por resultados faz determinadas exceções parecerem naturais ou inevitáveis”, afirma a psicóloga e sócia da S2, Alessandra Costa.

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Principais desafios éticos

Entre os principais dilemas identificados pelo estudo está o vazamento de informações, que registra 21,9% de baixa resiliência ética no nível tático. O estudo indica que esses profissionais podem ter mais dificuldade para manter uma conduta ética quando estão em situações delicadas.

Nesse caso, o dilema envolve decidir entre preservar a confidencialidade de dados sobre safras, produtividade, negociações e clientes ou compartilhar informações para agilizar processos. Em cadeias produtivas conectadas, esse compartilhamento pode ser visto como uma forma de colaboração, fazendo com que o risco do comportamento pareça menor.

Na segunda posição aparecem as demonstrações fraudulentas, com 17,1% de baixa resiliência no nível tático. Conforme o estudo, a pressão por produtividade e resultados pode incentivar ajustes em indicadores, relatórios ou interpretações de desempenho para evitar impactos em metas, bônus ou contratos.

Segundo o levantamento, o risco não está necessariamente na fabricação de dados, mas na repetição de pequenos ajustes que passam a ser vistos como parte legítima da gestão.

O terceiro principal risco é o assédio moral, que registra 16,2% de baixa resiliência entre profissionais do nível operacional. O Atlas PIR aponta que ambientes marcados por forte exigência produtiva podem normalizar cobranças agressivas e outras práticas de gestão abusivas. Nesse cenário, comportamentos inadequados podem ser incorporados ao cotidiano como uma forma de garantir resultados.

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Também aparecem entre os dilemas do setor os presentes e favorecimentos, com 13,6% de baixa resiliência no nível operacional, e os conflitos de interesse, que alcançam 13,1% no nível tático. A forte dependência de relações de longo prazo, característica marcante do agronegócio, pode dificultar a percepção dos limites entre parceria, favorecimento e independência nas decisões.

Entretanto, o maior bolsão de risco do setor está no nível tático, formado por profissionais que conciliam autonomia técnica, cobrança por resultados, controle de informações e relacionamento com terceiros. De acordo com Alessandra, é nessa camada que se concentram os maiores índices de baixa resiliência para vazamento de informações, demonstrações fraudulentas, conflitos de interesse e pagamentos indevidos.

Segundo a pesquisa, esses riscos estão relacionados principalmente ao acesso a informações, à autonomia para tomar decisões e à existência de justificativas consideradas plausíveis dentro da operação.

“O estudo mostra que os desvios mais relevantes do agronegócio não costumam ocorrer de forma abrupta. Eles surgem quando a pressão sustenta determinadas decisões, a racionalização torna essas decisões aceitáveis e a confiança entre as pessoas legitima a exceção. É um processo gradual, que muitas vezes passa despercebido até se transformar em cultura”, afirma a psicóloga.

Como reduzir os riscos

Para reduzir esses riscos, a pesquisa recomenda intervenções específicas para cada nível hierárquico. Entre as medidas estão a revisão de metas e incentivos organizacionais, a criação de mecanismos de accountability para decisões críticas, protocolos formais para a circulação de informações sensíveis, treinamentos voltados à tomada de decisão sob pressão, desenvolvimento de lideranças sem coerção e monitoramento contínuo de fadiga ética nas operações.

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“O agronegócio não precisa apenas de mais controles ou mais regras. Precisa de sistemas capazes de reduzir as racionalizações que transformam pressões legítimas do negócio em permissões informais para comportamentos de risco. A prevenção mais eficaz acontece antes do desvio, quando a organização atua sobre as condições que tornam esse desvio provável”, conclui Alessandra.

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Lavouras diversificadas sofrem menos com extremos climáticos

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Análises feitas por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) no Rio Grande do Sul mostram que variar as plantações e manter o solo sempre coberto por vegetação ajuda a proteger as lavouras contra secas e enchentes, além de aumentar a produtividade. Os resultados da pesquisa foram publicados em outubro.

A pesquisa prática, desenvolvida pelo Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCARBON) da USP, comparou plantações tradicionais com áreas que usaram “plantas de cobertura”: vegetais cultivados não para a venda, mas para proteger e nutrir a terra entre uma safra e outra. Foi comprovado que isso funciona como “amortecedor biológico” para os danos na lavoura.

Enquanto o modelo tradicional sofreu com grandes quedas na colheita devido aos extremos climáticos, os agricultores que adotaram a diversificação de culturas e o uso das plantas de cobertura conseguiram colher acima da média do estado (chegando a 76% acima), com muito mais estabilidade de ano para ano.

Por outro lado, as plantações que seguiram o modelo tradicional tiveram um desempenho bem mais fraco. É o caso do cultivo contínuo de apenas um tipo de grão após o outro (a exemplo do trigo seguido pela soja) ou o uso de uma única espécie de planta para cobrir o solo.

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Nessas áreas, a colheita ficou muito próxima da média geral do estado (apenas 8% acima) e sofreu com fortes oscilações na safra colhida de um ano para o outro (entre 33% e 39% para cima ou para baixo), mostrando que o sistema simples é muito mais vulnerável às variações e surpresas do clima.

A pesquisa foi conduzida ao longo de três safras (entre os anos de 2022 e 2025) marcadas por secas e enchentes extremas. A publicação é fruto do trabalho de mestrado de Viviana Meneghini, apoiado com bolsa da Fapesp e orientado pelo professor Maurício Roberto Cherubin, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP).

Os resultados foram detalhados em artigo publicado em 22 de outubro na revista Agriculture, Ecosystems & Environment. Também foram apresentados pelo professor Maurício Cherubin em palestra ministrada durante a Fapesp Week Países Baixos.

“O estudo aponta que, para manter o solo saudável e funcional, é indispensável garantir a presença de plantas vivas e cobertura vegetal durante todo o ano”, explicou Cherubin à Agência FAPESP.

“Quando se introduz uma mistura diversificada de plantas de cobertura, é como se oferecêssemos um cardápio variado e contínuo para a terra. Isso mantém os organismos do solo ativos o ano inteiro, otimizando a ciclagem de nutrientes, a fixação biológica de nitrogênio e a disponibilização de fósforo para a cultura principal”, acrescentou o professor.

Não é só o “solo bom”

As análises mostraram que diversificar as plantações aumentou significativamente a capacidade do solo de armazenar água, independentemente da quantidade de argila presente na terra. Como explica Cherubin, vice-coordenador do CCARBON, a pesquisa comprova que reter mais água não depende apenas do tipo físico natural do terreno (se ele é mais arenoso ou argiloso, por exemplo), mas sim da “estruturação biológica” gerada pelas práticas de plantio, como o trabalho das raízes e a atividade de microrganismos.

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De acordo com o pesquisador, uma das explicações para isso é que raízes profundas de plantas usadas por agricultores como cobertura conseguem romper camadas compactadas e abrir canais biológicos no solo. Os bioporos – galerias naturais deixadas pelas raízes que se decompõem – atuam como conduítes de ar e água e como uma verdadeira fiação no solo, detalhou.

“Quando a cultura principal, como a soja ou o milho, é semeada em seguida, suas raízes encontram caminhos abertos para crescer em profundidade sem gastar energia excessiva, alcançando umidade armazenada nas camadas mais profundas durante os períodos de seca”, explicou Cherubin.

RS: área estratégica e vulnerável

De acordo com o pesquisador, a escolha do Rio Grande do Sul como campo experimental justifica-se por sua posição estratégica na agricultura brasileira e sua extrema vulnerabilidade climática. O estado responde por 8,4% da produção nacional de grãos. As lavouras de soja gaúchas ocupam 6,8 milhões de hectares, o que representa 14,4% de toda a área plantada com o grão no Brasil e equivale a 3,4% do mercado global.

No entanto, o estado tem sofrido com eventos extremos recorrentes: uma sequência de secas severas entre 2019 e 2023, enchentes históricas na safra 2023/2024 (que causaram perdas estimadas em R$ 45 bilhões apenas em lavouras de soja não colhidas) e o retorno de estiagens intensas na safra 2024/2025.

Mapa infográfico que mostra todos os municípios que participaram da pesquisa. Imagem: Viviana Meneghini et al./Agriculture, Ecosystems & Environment, adaptada por Tatiane Britto/Agência FAPESP)

Como foi feita a pesquisa:

Para mensurar as interações entre solo, práticas de manejo, produtividade e oscilações meteorológicas nas lavouras gaúchas em cenários reais de produção, os pesquisadores analisaram dados de 13 experimentos conduzidos por agricultores em propriedades comerciais distribuídas pelo estado.

Nos sistemas mais complexos analisados, os produtores combinaram espécies comerciais (soja, milho, trigo e canola) com uma rica variedade de plantas de cobertura e serviço: gramíneas (aveia-preta, aveia-branca, aveia-ucraniana, centeio, triticale e milheto), leguminosas (ervilhaca), dicotiledôneas de decomposição acelerada (trigo-mourisco) e brassicáceas (nabo-forrageiro).

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Durante três safras seguidas, os pesquisadores utilizaram dados climáticos de satélites da Nasa (a agência espacial norte-americana) para comparar o volume de chuvas nas lavouras com a média dos últimos 30 anos. O período analisado foi marcado por extremos: as safras de 2022/2023 e 2024/2025 enfrentaram secas severas, com chuvas até 54% abaixo do normal, figurando entre os anos mais secos já registrados na região. Já a safra de 2023/2024 sofreu o oposto, recebendo um volume de água 40% superior à média.

Como todas as propriedades rurais avaliadas passaram por essas mesmas condições climáticas severas ao mesmo tempo, os cientistas conseguiram isolar o clima da equação. Isso permitiu comprovar que as diferenças nos resultados das colheitas ocorreram, de fato, por conta das técnicas de plantio adotadas em cada área.

Para entender a saúde da terra, os cientistas analisaram 12 características das amostras, divididas em três grandes frentes: química, física e biológica. Na frente química, avaliaram fatores como a acidez e a capacidade da terra de segurar e entregar nutrientes às plantas. Na parte física, mediram quão compactado ou poroso o solo estava e a sua eficiência para reter água. Já na avaliação biológica, a equipe analisou a atividade de enzimas que funcionam como um “termômetro” da vida no solo, revelando se a terra está ativa e conseguindo reciclar elementos vitais, como carbono e enxofre.

Como operar frente a catástrofes climáticas

O estudo também mostrou que mesmo as práticas sustentáveis sofrem o impacto de grandes desastres. Durante as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, quase metade (44%) dos agricultores que adotavam a diversificação precisou mudar os planos. Com o solo encharcado e a colheita atrasada, eles precisaram abrir mão das plantas de cobertura e optaram por semear trigo comercial, na tentativa de recuperar o dinheiro perdido rapidamente.

Para Cherubin, essas descobertas são essenciais para garantir o futuro da chamada “agricultura de sequeiro”. aquela que depende apenas da água da chuva. Especialmente em um cenário de secas e tempestades cada vez mais frequentes. Ele explica que um solo saudável e com grande variedade de raízes funciona como um “amortecedor” natural da lavoura contra o clima. Na prática, isso acaba com a instabilidade na vida do agricultor, evitando aquela montanha-russa em que se tem uma colheita farta em um ano e perdas severas no seguinte.

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*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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Embrapa indica estratégias para adaptar cultivo de hortaliças

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Um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) propõe diretrizes para tornar o cultivo de hortaliças no Brasil mais resiliente aos impactos do El Niño. O trabalho aborda as bases fisiológicas das plantas, as vulnerabilidades produtivas e as estratégias de adaptação para a produção.

Os especialistas da Embrapa Hortaliças (DF) analisaram diversos plantios para enfrentar sequências contínuas de eventos extremos característicos do El Niño, como ondas de calor mais longas e intensas, chuvas volumosas e secas agrícolas.

A adoção das práticas propostas representa uma mudança estrutural no modo de produzir: “As recomendações propostas não devem ser enxergadas como uma opção pontual, mas sim como o início de uma transição na forma como se cultivam hortaliças no Brasil, por meio de sistemas mais resilientes e adaptados climaticamente”, sugere o pesquisador Marcos Brandão Braga.

Diagnóstico e impactos

O trabalho faz um panorama da olericultura nacional e relata que a maioria das hortaliças consumidas necessita de temperaturas amenas (18 ºC – 25 ºC), boa qualidade da água e disponibilidade hídrica, além de não tolerar excesso de chuvas e estresse hídrico.

O estudo apresenta também a caracterização meteorológica do El Niño, correlacionando os cenários de altas temperaturas com o aumento da evaporação, da demanda hídrica e da escassez de água. Essas condições elevam os riscos de salinização do solo e de surtos de pragas.

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Em contrapartida, o cenário de chuvas intensas gera encharcamento e excesso hídrico, o que compromete o desenvolvimento das raízes e o ciclo de vida das plantas, além de aumentar a incidência de doenças fúngicas e bacterianas.

Vulnerabilidade dos grupos de hortaliças

Devido às distintas exigências térmicas e hídricas das espécies vegetais, o trabalho mapeou as fragilidades específicas dos principais grupos de hortaliças:

  • Solanáceas (tomate, pimentão e batata): apresentam alta sensibilidade a temperaturas elevadas, que afetam diretamente o florescimento e a frutificação.
  • Folhosas e brássicas (alface, coentro, couve, brócolis, couve-flor e repolho): são vulneráveis pela exposição direta da área foliar ao calor extremo e à escassez de água.
  • Aliáceas (alho e cebola): apresentam forte dependência de irrigação regular e alta sensibilidade às variações de temperatura.
  • Raízes e tubérculos (cenoura, beterraba e batata-doce): desenvolvem-se no solo e dependem diretamente de estabilidade hídrica, pois o excesso ou a escassez de água compromete a formação e o crescimento das raízes.
  • Cucurbitáceas (melão, melancia, pepino, abóbora e abobrinha): necessitam de disponibilidade uniforme de água; o excesso de calor prejudica desde a germinação até o desenvolvimento dos frutos.

Estratégias de adaptação e práticas conservacionistas

Para reduzir as vulnerabilidades dos cultivos de hortaliças, os pesquisadores apontam seis eixos prioritários de atuação para os produtores:

  1. Monitoramento constante: acompanhamento do risco climático e das condições locais.
  2. Ajuste de calendário e genética: adoção de calendários agrícolas flexíveis, diversificação de culturas e uso de materiais geneticamente adaptados.
  3. Manejo integrado de recursos: gestão conjunta de água, conservação do solo e sistemas de drenagem.
  4. Manejo microclimático: proteção das lavouras para reduzir a exposição direta aos extremos térmicos.
  5. Manejo fitossanitário orientado ao risco: monitoramento e controle preventivo de pragas e doenças fortalecidos pelo diagnóstico climático.
  6. Validação de tecnologias conservacionistas: fortalecimento do cultivo mínimo e do Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH).

Braga relata que a adoção de sistemas conservacionistas reduz a temperatura e a amplitude térmica (diferença entre as temperaturas máxima e mínima registradas em um local durante um determinado período de tempo) na superfície do solo, amortece o impacto direto das gotas de chuva, favorece a infiltração de água e reduz a evaporação, o escoamento superficial e a erosão.

As diretrizes de adaptação tecnológica para a olericultura variam conforme os riscos climáticos de cada região brasileira, priorizando a irrigação localizada e o manejo da salinidade no Norte e no Nordeste, o controle de encharcamentos e doenças no Sul, e o uso de sensores de umidade, de telas anti-insetos e de cultivo protegido no Centro-Oeste e no Sudeste.

Além do El Niño: resiliência de longo prazo

Os desafios climáticos enfrentados pela olericultura superam os limites temporais de episódios isolados do El Niño, alerta o pesquisador. A combinação simultânea de calor, alta demanda evaporativa, flutuações hídricas e pressão fitossanitária exige soluções integradas.

“Por isso, a resiliência depende da integração entre genética adaptada, manejo eficiente da água, conservação e drenagem do solo, manejo do microclima, diversificação, cultivo protegido e gestão fitossanitária”, ressalta Braga.

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A estratégia de resiliência está detalhada em um estudo de autoria dos pesquisadores Marcos Brandão Braga, Samuel Cordeiro Vitor Martins e Carlos Eduardo Pacheco Lima, da Embrapa Hortaliças (Brasília, DF).

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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cartilha orienta produtores rurais sobre folgas, jornadas e mudanças nos contratos

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Organizar as escalas de trabalho, garantir duas folgas semanais aos empregados, revisar contratos e calcular os custos da nova jornada. Essas estão entre as principais orientações de uma cartilha elaborada pelo Sistema Faep para ajudar os produtores rurais a se adaptarem à escala de trabalho 5×2, que entra em vigor em 15 de dezembro de 2026.

O material, divulgado na última quarta-feira (4), apresenta 11 recomendações práticas para empregadores rurais, com foco na adequação das atividades dentro das propriedades e na prevenção de passivos trabalhistas, multas e outros prejuízos.

A mudança ocorre após a promulgação da Emenda Constitucional 141/2026, que determinou o fim da escala 6×1 e estabeleceu a redução gradual da jornada semanal, sem diminuição salarial.

Até 14 de dezembro, permanece o limite de 44 horas semanais, com uma folga por semana. A partir de 15 de dezembro, o máximo será de 42 horas, com dois dias de descanso remunerado. Em 15 de dezembro de 2027, o limite cairá para 40 horas semanais. Normas Legais+1

O que o produtor rural precisa fazer para se adaptar?

A cartilha recomenda que os empregadores comecem a reorganizar suas propriedades antes da entrada em vigor das novas regras.

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Entre as principais orientações estão:

  1. Fazer um levantamento dos empregados: identificar todos os trabalhadores, suas funções, jornadas e formas de remuneração.
  2. Mapear as atividades da propriedade: separar os serviços que precisam ser realizados diariamente daqueles que podem ser concentrados em cinco dias da semana.
  3. Reorganizar as escalas: distribuir os trabalhadores de modo a garantir duas folgas semanais para cada empregado, sem comprometer as operações.
  4. Calcular os custos: avaliar a necessidade de contratação de funcionários, mudanças nos turnos e possíveis impactos sobre a folha de pagamento.
  5. Conversar com os trabalhadores: apresentar as alterações e organizar a transição antes do prazo previsto na legislação.
  6. Formalizar as mudanças: ajustar os contratos por meio de termos aditivos, observando as regras legais e os instrumentos coletivos aplicáveis.
  7. Atualizar os registros trabalhistas: revisar a folha de pagamento e as informações do eSocial com o apoio do contador.
  8. Controlar a jornada: registrar horários de entrada, saída e descanso para comprovar o cumprimento da legislação.

O guia ressalta que o registro de ponto é obrigatório nos estabelecimentos com mais de 20 trabalhadores, mas recomenda o controle mesmo nas propriedades com equipes menores.

Como ficam a ordenha, a colheita e o trato dos animais?

Uma das principais preocupações no meio rural é a continuidade das atividades que não podem ser interrompidas, como ordenha, alimentação dos animais, irrigação, vigilância e colheitas realizadas em períodos específicos.

A nova legislação não impede que esses serviços sejam executados aos fins de semana ou em dias de descanso de outros empregados. No entanto, cada trabalhador deverá ter suas duas folgas semanais asseguradas.

Para lidar com essas situações, a cartilha apresenta duas alternativas.

A primeira é a escala de revezamento, na qual os empregados trabalham em dias diferentes, permitindo a continuidade das operações sem que um mesmo funcionário ultrapasse os limites de jornada e descanso.

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A segunda é o regime de compensação de horários, que permite reorganizar a distribuição das horas de trabalho, respeitando os requisitos legais e a necessidade de negociação coletiva nas situações previstas.

Essas alternativas podem ser utilizadas para adequar atividades contínuas às novas exigências, mas precisam observar as regras específicas de cada relação de trabalho.

Contratos e acordos coletivos também precisam ser revisados

Outra orientação da cartilha é que produtores e sindicatos rurais analisem os contratos, acordos e convenções coletivas atualmente em vigor.

As cláusulas incompatíveis com a nova jornada perderão efeito em 15 de dezembro de 2026.

Por isso, o Sistema Faep recomenda que os sindicatos patronais procurem as entidades representantes dos trabalhadores para negociar os ajustes necessários antes dessa data, sem aguardar a próxima data-base.

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Os termos aditivos aos instrumentos coletivos devem ser registrados no sistema Mediador, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

A entidade reforça que as alterações não podem resultar em redução dos salários ou dos pisos salariais dos trabalhadores.

Quais pontos ainda precisam de regulamentação?

Apesar da definição da nova jornada, a cartilha alerta que algumas situações ainda apresentam dúvidas sobre sua aplicação no meio rural.

Entre elas está a possibilidade de criação de regimes diferenciados conforme a atividade econômica, que dependerá de legislação específica.

Também existem questionamentos sobre as medidas transitórias previstas para micro e pequenas empresas, já que a norma não menciona expressamente os produtores rurais que atuam como pessoas físicas.

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Outro ponto é a compatibilidade da escala 12×36 com as novas regras, especialmente para profissionais que exercem funções de vigilância e trabalhadores contratados como caseiros.

O documento também aborda as condições aplicáveis aos chamados empregados hipersuficientes, profissionais com diploma de nível superior e remuneração igual ou superior a 2,5 vezes o teto dos benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Onde consultar a cartilha?

O presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, ressalta que o material pretende auxiliar os produtores na transição, mas não substitui uma avaliação individualizada das relações de trabalho.

“A cartilha é orientativa, ou seja, não substitui a análise de eventuais casos específicos pelo contador ou advogado. Em caso de dúvidas, o produtor pode procurar o sindicato rural local”, destaca.

O documento está disponível gratuitamente no site do Sistema Faep e reúne informações sobre jornadas, escalas, regimes de trabalho, folgas e adequações necessárias nas propriedades rurais.

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Acesse a cartilha completa sobre a escala 5×2 no campo

*Sob orientação de Hildeberto Jr.

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