Sustentabilidade
Yara aposta em fertilizantes de menor pegada de carbono para impulsionar a descarbonização da agricultura

A redução das emissões de gases de efeito estufa na agricultura passa pela transformação da produção e utilização de fertilizantes. O setor responde por cerca de 20% das emissões, enquanto os fertilizantes representam aproximadamente 11% desse total. Para enfrentar o desafio, a Yara Brasil aposta em tecnologias de menor intensidade de carbono, fontes renováveis de energia e parcerias, como apresentado durante o Fórum Planeta Campo, em São Paulo (SP).
De acordo com Francielle Bertotto, gerente de Sustentabilidade e Cadeia do Alimento da Yara Brasil, a companhia trabalha tanto na redução quantitativa quanto qualitativa da intensidade de carbono dos fertilizantes. Na Europa, por exemplo, a produção de fertilizantes nitrogenados já utiliza tecnologias desenvolvidas pela empresa para diminuir as emissões de gases de efeito estufa durante o processo industrial.
Além das soluções já implementadas, a Yara investe em novas rotas de produção, com o uso de matrizes energéticas renováveis e tecnologias adicionais. Entre as iniciativas está o portfólio Yara Climate Choice, que reúne fertilizantes com menor pegada de carbono.
Segundo Francielle, os fertilizantes de menor pegada de carbono são produzidos a partir de tecnologias que reduzem as emissões de gases de efeito estufa durante o processo de fabricação, sem comprometer a qualidade ou a eficiência dos produtos. Dessa forma, a empresa mantém os mesmos padrões de desempenho e confiabilidade, mas com um processo produtivo mais sustentável.
Impacto que chega à cadeia produtiva
A estratégia ganha relevância quando considerada a participação dos fertilizantes na pegada de carbono das culturas agrícolas destinadas à produção de biocombustíveis. Segundo a executiva, aproximadamente 30% das emissões associadas a essas culturas estão relacionadas aos fertilizantes.
Nesse cenário, reduzir a intensidade de carbono do insumo representa uma oportunidade de diminuir as emissões de toda a cadeia, especialmente em um momento em que produtores e indústrias buscam agregar valor aos produtos e atender a exigências crescentes de sustentabilidade.
A Yara também apresentou resultados de iniciativas desenvolvidas diretamente com produtores. Atualmente, os projetos da companhia envolvem mais de 50 produtores e abrangem mais de 800 hectares. Em determinadas culturas, a substituição por fertilizantes de menor pegada de carbono já proporciona reduções expressivas. No café, por exemplo, a diminuição pode chegar a 40%, enquanto, na banana, as estimativas apontam para uma redução de até 60% da pegada de carbono.
Outro exemplo é a parceria com a PepsiCo no ciclo 2025-2026. O projeto reúne seis produtores e contempla 130 hectares cultivados com batata. Entre os resultados apresentados estão um incremento médio de produtividade de 9% e uma redução de 20% na pegada de carbono por tonelada de batata colhida.
Para Francielle, a colaboração entre empresas, produtores e demais agentes da cadeia é fundamental para ampliar os resultados e acelerar a transição para uma agricultura de menor intensidade de carbono.
A executiva ressaltou que, apesar dos avanços, a descarbonização da agricultura ainda exige investimentos contínuos em inovação, novas tecnologias e fontes renováveis de energia. Segundo ela, ampliar essas soluções e fortalecer as parcerias ao longo da cadeia produtiva será fundamental para reduzir a intensidade de carbono e contribuir para um modelo de produção cada vez mais sustentável. “Temos muito a evoluir, com menor intensidade de carbono e fontes renováveis. Esse é o nosso compromisso”, concluiu Francielle.
Sustentabilidade
CEEMA: Soja em Chicago rompe piso de US$ 12,00 por bushel sob pressão de oferta nos EUA e plantio no Brasil – MAIS SOJA

Pela primeira vez, desde o dia 14/08, o primeiro mês cotado em Chicago rompe o piso dos US$ 12,00/bushel. O fato ocorreu no dia 04/11, com o bushel batendo em US$11,93, diante de um mercado sob pressão da colheita nos EUA e o bom andamento do plantio no Brasil. O fechamento desta quinta-feira (05) foi ainda mais baixo, ficando em US$ 11,81, contra US$ 12,19 uma semana antes. Por outro lado, a média de outubro fechou em US$ 12,63/bushel, sendo 3,3% menor do que a média de setembro. Em outubro do ano passado esta média havia sido de US$ 10,34/bushel.
Importante destacar que o complexo soja todo recuou fortemente nas últimas semanas. O farelo chegou a US$ 317,20/tonelada curta no dia 05/11, a mais baixa cotação desde o dia 20/08, enquanto o óleo veio a 62,24 centavos de dólar por libra-peso no mesmo dia, algo que não se via desde o dia 02/03 passado.
Dito isso, a colheita da soja nos EUA, até o dia 1º de novembro, atingia a 88% da área semeada, contra 84% na média histórica. Ao mesmo tempo, na semana encerrada em 29 de outubro, as exportações de soja estadunidense somaram 2,58 milhões de toneladas. A China foi o principal comprador, com 1,63 milhão de toneladas, ou seja, cerca de 63% do total semanal. Na sequência veio a Espanha, Vietña e Paquistão.
Por sua vez, o esmagamento de soja nos EUA, no mês de setembro, atingiu a 5,4 milhões de toneladas, sendo ele menor em 5% em relação ao processado em agosto e 3% abaixo do esmagado em setembro do ano passado. A produção de óleo de soja também caiu, ficando 6% abaixo da registrada em agosto e 4% menor do que a de agosto de 2025. Já a produção de farelo e torta de soja somou 4,19 milhões de toneladas, contra 4,66 milhões em agosto e 4,53 milhões em setembro/25. Já os estoques de óleo de soja nos EUA recuaram 16,4% em setembro, na comparação com agosto.
E no Brasil, o câmbio continuou sustentando os preços, diante do forte recuo de Chicago nas últimas semanas. Com o dólar valendo R$ 5,48, os preços da soja ficaram em R$ 138,00/saco nas principais praças gaúchas e entre R$ 132,00 e R$ 143,00/saco nas demais regiões do país.
O plantio da nova safra da oleaginosa chegou a 53% da área esperada no país no dia 29/10, contra 47% no mesmo período do ano passado (cf. AgRural). As chuvas voltaram no Centro-Oeste brasileiro, aliviando o quadro de falta de umidade. Já no Sul do Brasil é o excesso de umidade que vem freando o desenrolar do plantio da soja, mas não há, por enquanto, atraso no mesmo. Por sua vez, no Matopiba o plantio paralisou no final de outubro devido áreas muito secas, com chuvas irregulares e baixo volume.
Ao mesmo tempo, começam a surgir disparidades nas projeções do volume a ser colhido na safra de soja 2026/27. Enquanto o analista privado StoneX avança um volume de praticamente 185 milhões de toneladas, contra pouco mais de 181 milhões indicados pela Conab, o Rabobank indica uma safra de apenas 178 milhões de toneladas. Neste caso, menor do que as 180 milhões do ano passado. Segundo, ainda, esta última fonte, as exportações brasileiras de soja ficariam em 113 milhões de toneladas em 2026/27, portanto, abaixo das 117,5 milhões apontadas no final de outubro pelo adido do USDA no Brasil.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).
Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
Sustentabilidade
CEEMA: Milho em Chicago inicia novembro em recuo com avanço da colheita nos EUA e plantio no Brasil – MAIS SOJA

A cotação do bushel de milho, em Chicago, para o primeiro mês cotado, iniciou novembro em recuo. O fechamento da quinta-feira (05) ficou em US$ 4,40, contra US$ 4,51 uma semana antes. Já a média de outubro fechou em US$ 4,75/bushel, caindo 9% em relação a setembro. Em outubro de 2025 a média havia sido de US$ 4,22/bushel.
Dito isso, a colheita do cereal, nos EUA, chegou a 74% da área semeada no dia 1º de novembro, contra 77% na média. Em paralelo, as exportações dos EUA, na semana encerrada em 29/10, chegaram a 1,3 milhão de toneladas para o ano 2026/27, ficando 32% acima da média das quatro semanas anteriores. Já o volume efetivamente embarcado chegou a 552.900 toneladas na semana, ficando 57% abaixo da média das quatro semanas anteriores.
Ao mesmo tempo, o consumo de milho para a fabricação de etanol em setembro, nos EUA, recuou 9% em relação a agosto, porém, ficou 1% acima do registrado em setembro/25. O volume no mês ficou em 11,1 milhões de toneladas. Considerando todas as finalidades industriais, o consumo de milho nos EUA recuou 8% em setembro, em relação a agosto. Do volume total processado, 92,7% foi destinado à produção de álcool.
Ainda nos EUA, em todo o mês de setembro, as exportações de milho somaram 7,08 milhões de toneladas, se constituindo em volume recorde para o mês. Mas, na comparação com agosto, os embarques apresentaram redução de 4,6%. E no Brasil, os preços do milho se mantiveram relativamente estáveis. No mercado gaúcho o preço médio na semana ficou em R$ 62,83/saco, enquanto no restante do país o mesmo oscilou entre R$ 45,00 e R$ 63,00/saco.
Já o plantio da safra de verão 2026/27 alcançou a 63% da área esperada no CentroSul brasileiro, contra 59% no mesmo período do ano passado (cf. AgRural). Em todo o Brasil, o plantio da safra de verão de milho 2026/27 atingiu a 44,2% da área prevista até 30 de outubro, contra 42,5% na média (cf. Conab).

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).
Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
Sustentabilidade
Primeiro caso de ferrugem-asiática em área comercial é relatado no RS – MAIS SOJA

A ferrugem-asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi é uma das principais e mais preocupantes doenças que acometem a soja. Com potencial de causar perdas de produtividade de até 90%, e em alguns casos até mesmo comprometer a lavoura (Godoy et al., 2024). A doença é considerada policíclica e pode ocorrer em qualquer estádio do desenvolvimento da soja, desde que haja condições adequadas ao desenvolvimento do patógeno.
Além da presença do inóculo do fungo, para que ocorra a infecção da ferrugem são necessários pelo menos 6 horas de água livre na folha (molhamento foliar), e temperaturas amenas, variando entre 10°C a 26,5°C, condições essas, observadas principalmente no Sul do Brasil na presente safra, em função dos impactos do fenômeno El Niño.
Recentemente, o primeiro caso de ferrugem-asiática em área comercial de soja foi relatado em Santo Antônio das Missões no Rio Grande do Sul, em soja em estádio fenológico R1, o caso data de 31 de outubro de 2026. No Paraná, casos de ferrugem-asiática em soja voluntária já haviam sido relatados anteriormente.
Figura 1. Distribuição dos casos de ferrugem-asiática na safra 2026/2027. Atualização de 6 de novembro de 2026.
O caso acende um alerta para as lavouras da região, principalmente pela capacidade da ferrugem em dispersar os esporos do fungo pelo vento. Associado a isso, as adversidades climáticas e a alteração do regime de chuvas têm contribuído para a evolução da ferrugem-asiática, o que torna ainda mais importante intensificar o monitoramento das áreas agrícolas e as medidas de controle da doença.
Vale destacar que os sintomas podem surgir em qualquer estádio de desenvolvimento da planta, inicialmente como pequenos pontos escuros nas folhas, com formação de urédias na face inferior, que adquirem coloração castanha e liberam esporos disseminados pelo vento (Henning et al., 2014).
Figura 2. Urédias de ferrugem-asiática em soja.

Monitoramento
O monitoramento com coletores de esporos deve ser utilizado como ferramenta complementar de manejo, não substituindo a inspeção das lavouras para identificação e avaliação dos sintomas, especialmente sob condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento da doença. Os primeiros sintomas geralmente surgem no terço inferior das plantas. A avaliação deve abranger folhas dos terços inferior e médio, com o auxílio de uma lupa de bolso com aumento mínimo de 20×, observando-se principalmente a face inferior, onde se encontram as urédias do fungo (Oliveira et al., 2020).
O monitoramento deve ser realizado desde a emergência da cultura, intensificando-se próximo ao fechamento das entrelinhas e durante o florescimento, especialmente em regiões com ocorrência confirmada da doença. Em caso de dúvida, recomenda-se a utilização de câmara úmida, colocando as folhas suspeitas em um saco plástico com papel ou algodão umedecido, inflado e fechado. O material deve permanecer em ambiente fresco, à temperatura ambiente, por 12 a 24 horas, período em que podem ocorrer a formação de urédias e a liberação de uredosporos, auxiliando na confirmação do diagnóstico (Godoy et al., 2017).
Figura 3. Câmara úmida com saco plástico e papel (ou algodão) umedecido para induzir a formação das estruturas reprodutivas de Phakopsora pachyrhizi.

Você pode acompanhar as atualizações
Você pode acompanhar as atualizações do Consórcio Antiferrugem e o progresso dos casos de ocorrência da doença na safra 2026/2027 clicando aqui!

Referências:
CONSÓRCIO ANTIFERRUGEM. MAPA DA DISPERSÃO. Consórcio Antiferrugem: Parceria público-privada no combate à ferrugem asiática da soja, 2025. Disponível em: < http://www.consorcioantiferrugem.net/#/main >, acesso em: 06/11/2026.
GODOY, C. V. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA FERRUGEMASIÁTICA DA SOJA, Phakopsora pachyrhizi, NA SAFRA 2023/2024: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa Soja, Circular Técnica n. 206, 2024. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1165843/1/CT-206-Claudia-Godoy.pdf >, acesso em: 06/11/2026.
GODOY, C. V. et al. BOAS PRÁTICAS PARA O ENFRENTAMENTO DA FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA. Embrapa, Comunicado Técnico, n. 92, 2017. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1074899/1/ComTec92OL.pdf >, acesso em: 06/11/2026.
GRIGOLLI, J. F. J.; GRIGOLLI, M. M. K. MANEJO DE DOENÇAS NA CULTURA DA SOJA. Fundação MS, Tecnologia e Produção: Soja, 2017/2018, 2018. Disponível em: < https://www.fundacaoms.org.br/base/www/fundacaoms.org.br/media/attachments/303/303/5bf01cc3a7885009c9e47176f153fe5e967c6cb20f243_06-manejo-de-doencas-na-cultura-da-soja-somente-leitura.pdf >, acesso em: 06/11/2026.
HENNING, A. A. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS DE SOJA. Embrapa Soja, Documentos, n. 256, 2014. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/991687/1/Doc256OL.pdf >, acesso em: 06/11/2026.
OLIVEIRA, G. M. et al. COLETOR DE ESPOROS: DESCRIÇÃO, USO E RESULTADOS NO MANEJO DA FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA. Embrapa Soja, Circular Técnica, n. 167, 2020. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1129482/1/Circ-Tec-167.pdf >, acesso em: 06/11/2026.

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