Sustentabilidade
Ceema: Soja recua em Chicago com clima favorável nos EUA e China no radar; prêmios sustentam preços no Brasil – MAIS SOJA

A cotação da soja, para o primeiro mês cotado, viveu uma semana de baixas nestes primeiros dias de agosto. O retorno das chuvas nas regiões produtoras dos EUA e a nova possibilidade de cessar-fogo entre EUA e Irã, além da confirmação de que a safra continua positiva na América do Norte, trouxeram o mercado para baixo desde o final de julho. Com isso, o bushel da oleaginosa veio a US$ 11,57 no fechamento desta quinta-feira (06), após US$ 11,51 na véspera, contra US$ 11,77 uma semana antes.
Por sua vez, a média do mês de julho fechou em US$ 11,96/bushel, com aumento de 6,2% sobre a média de junho. Um ano atrás, a média de julho/25 foi de US$ 10,09/bushel. Enquanto o mercado espera o novo relatório de oferta e demanda do USDA, previsto para o dia 12/08, ele acompanha a evolução das lavouras estadunidenses, pois o clima continua como elemento central, já que a colheita nos EUA se dará a partir de meados de outubro. Neste sentido, até o dia 02/08, 63% das lavouras de soja estadunidense estavam em condições entre boas a excelentes, outros 28% regulares e apenas 9% ruins a muito ruins.
Lembrando que, em 2025, nesta mesma época, 69% das lavouras estavam em condições entre boas a excelentes. Por outro lado, 88% das lavouras já estavam em fase de floração, contra 84% na média para esta época. A formação de vagens alcançava 62% das lavouras, contra 47% na semana anterior e 55% na média.
Em paralelo, a China voltou a realizar compras de soja nos EUA, dentro do acordo bilateral feito entre os dois países. A empresa estatal Sinograin estaria leiloando uma média de 500.000 toneladas de soja importada visando abrir espaço em seus estoques oficiais para as novas compras. Lembramos que o acordo entre os dois países dá conta de que a China compraria 25 milhões de toneladas de soja estadunidense, anualmente, até 2028. Em tal contexto, é possível que a demanda por soja brasileira diminua devido aos leilões da Sinograin, pois algumas indústrias chinesas de esmagamento podem optar por comprar da estatal.
Esse comportamento da estatal chinesa deve continuar já que há previsão de encontro dos presidentes dos EUA e da China, em setembro, para nova rodada de negociações comerciais. Por enquanto, as recentes compras chinesas foram feitas por compradores do governo, já que importadores comerciais, que normalmente representam cerca de dois terços do total das exportações de soja dos EUA para a China, continuaram comprando da América do Sul (cf. comerciantes chineses). Pelo sim ou pelo não, o fato é que os embarques brasileiros para a China permanecem mais baratos do que os embarques dos EUA.
E no Brasil, os preços recuaram um pouco, com praças gaúchas trabalhando ao redor de R$ 123,00/saco no balcão, enquanto no restante do país os preços oscilaram entre R$ 120,00 e R$ 126,00/saco nas diferentes praças pesquisadas.
Dito isso, a futura safra de soja 2026/27, cujo plantio apenas se inicia no próximo mês de setembro, está projetada, inicialmente, em 183,1 milhões de toneladas, com leve aumento sobre o colhido neste último ano. Este crescimento se deve ao aumento de 0,76% previsto para a área a ser semeada, com a mesma passando a 49,5 milhões de hectares.
Em clima normal, a produtividade média poderá atingir a 3.700 quilos/hectare (cf. StoneX). A questão será combinar com o clima para que tais projeções se concretizem. Por outro lado, diante do forte recuo em Chicago e de um câmbio relativamente estável, ao redor de R$ 5,10 por dólar, o que vem segurando os preços nacionais da soja são os prêmios elevados para a oleaginosa disponível. Os mesmos continuam no melhor momento do ano, girando entre US$ 1,40 e US$ 1,60/bushel, porém, o ritmo de negócios, neste início de agosto, diminuiu em relação a julho. Assim, os produtores que ainda possuem soja, necessitando de caixa, estão realizando negócios (cf. Brandalizze Consulting).
Enfim, se o clima continuar positivo nos EUA, durante o mês de agosto, não se descarta novas baixas em Chicago. Diante disso, o que favorecerá o mercado será a manutenção das compras chinesas, o que ainda não é uma certeza, apesar dos sinais positivos dos últimos dias.
Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).
Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
Sustentabilidade
Quais são as principais práticas de manejo que aumentam a produtividade da soja em terras baixas? – MAIS SOJA

A soja ocupa cada vez mais espaço nas terras baixas do Rio Grande do Sul (RS), nós últimos anos cerca de 60% das áreas de arroz realizam rotação com soja (IRGA, 2023, Ribas et al., 2021) isso como consequência do aumento nos custos de produção do arroz junto ao aumento da pressão de plantas daninhas, embora a rotação com soja em áreas de arroz seja uma alternativa para diminuir os custos de produção e a pressão de plantas daninhas (principalmente arroz vermelho, capim arroz e entre outros) nas lavouras tradicionalmente destinadas para a produção de arroz, tem se observado que a produtividade da soja ainda permanece em níveis considerados baixos (aprox. 3.0 ton ha-1), sendo tanto fatores ambientais (como disponibilidade hídrica) ou de manejo os que geram essas baixas produtividades (Tagliapietra et al., 2021).
Pesquisadores da Equipe FieldCrops, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), publicaram na Agronomy Journal um estudo que avaliou 240 lavouras comerciais de soja em terras baixas do Rio Grande do Sul, ao longo de seis safras (2015/16 a 2021/22). O objetivo foi identificar quais práticas de manejo explicam as diferenças de produtividade entre áreas de alta e baixa performance.
Para avaliar a influência combinada entre diversos fatores de manejo na produtividade da soja, aplicaram a análise não paramétrica conhecida como árvore de regressão, o qual identifica de forma hierárquica as relações entre as diferentes variáveis analisadas. A análise mostrou que o grupo de maturação foi o fator que mais explicou a variabilidade da produtividade, seguido de data de semeadura, fósforo, potássio e presença de camada compactada (Figura 1).

Figura 1. Análise de árvore de regressão mostrando os principais fatores que explicam a variabilidade da produtividade da soja. Cada nó terminal exibe a produtividade média (Mg ha-1) e a porcentagem de observações de campo que ele representa. Os painéis (A) e (C) mostram a classificação dos grupos de alta produtividade (HY – Alta produtividade) e baixa produtividade (LY, Baixa produtividade), enquanto os painéis (B) e (D) apresentam a importância relativa de cada variável na explicação da variação da produtividade. DOY (dia do ano).
Além disso, os resultados mostraram que áreas corrigidas com calcário apresentam produtividade superior, aprofundado mais, conseguimos que calagens anuais produziram maiores rendimentos do que aplicações realizadas em intervalos maiores (Figura 2), o que se explica devido a que aplicações cada ano mantem o pH do solo adequado, aumentando a disponibilidade de nutrientes, a eficiência dos fertilizantes e ajudando no ótimo desenvolvimento e crescimento de raízes.

Figura 2. Efeitos nas produtividades de soja e arroz em áreas de terras baixas do Rio Grande do Sul. (A) Comparação da produtividade da soja entre lavouras com e sem aplicação de calcário. (B) Produtividade da soja em diferentes intervalos de tempo desde a última aplicação de calcário. Letras diferentes indicam diferenças estatisticamente significativas (teste de Tukey, p < 0,05).

Referências bibliográficas.
IRGA. Soja em rotação com arroz. 2023. Disponível em: < https://irga.rs.gov.br/soja >, acesso: 01/07/2026
RIBAS, G. G. et al. Assessing yield and economic impact of introducing soybean to the lowland rice system in southern Brazil. Agricultural Systems, v. 188, p. 103036, 2021. Disponível em: < https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0308521X20308970?via%3Dihub >, acceso: 01/07/2026
TAGLIAPIETRA, E. L. et al. Biophysical and management factors causing yield gap in soybean in the subtropics of Brazil. Agronomy Journal, v. 113, n. 2, p. 1882–1894, 2021. Disponível em: < https://acsess.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/agj2.20586 >, acesso: 05/07/2026
TAGLIAPIETRA, E. L. et al. Key management practices driving soybean yield variability in lowland fields of southern Brazil. Agronomy Journal, v. 118, n. 2, 2026. Disponível em: < https://acsess.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1002/agj2.70334 >, acesso: 30/06/2026

Sustentabilidade
Ceema/Milho: Chicago recua sob pressão do clima nos EUA e avanço da safrinha trava negócios no Brasil – MAIS SOJA

O primeiro mês cotado para o milho, em Chicago, igualmente recuou neste início de agosto, com o bushel do cereal atingindo a US$ 4,39 no fechamento da quinta-feira (06), após US$ 4,36 na véspera, contra US$ 4,45 uma semana antes. A média de julho ficou em US$ 4,44/bushel, com aumento de 6,5% sobre a média de junho. Um ano atrás, em julho/25, a média do bushel de milho havia sido de US$ 4,06.
Dito isso, a qualidade das lavouras estadunidenses do cereal recuou, chegando no dia 02/08 a 61% da totalidade entre boas a muito boas. Enquanto isso, as lavouras em condições entre ruins a muito ruins atingiam a 14% do total e outras 25% se apresentavam regulares. Naquela data, 90% das lavouras estavam em fase de pendoamento, contra a média de 87%. Por enquanto, com a melhoria do clima, o mercado espera uma safra cheia nos EUA, com a colheita se iniciando ainda em setembro.
Outro fator que ajudou ao recuo das cotações do milho veio do forte recuo dos preços mundiais do petróleo a partir da possibilidade de um acordo de paz entre Irã e EUA. Dito isso, assim como na soja, o clima no Meio Oeste estadunidense continuará sendo um fator importante para direcionar as cotações em Chicago.
E aqui no Brasil, os preços pouco têm se alterado, com ao saco de 60 quilos oscilando entre R$ 44,00 e R$ 62,00, sendo que no Rio Grande do Sul o valor de R$ 58,00 se tornou uma constante nas principais praças. Segundo o Cepea, o acumulado de julho mostrou o indicador dos preços do milho em avanço de 3% no país.
A pressão da colheita da safrinha se faz sentir neste momento de forma intensa. Neste sentido, no dia 30/07 a mesma havia alcançado a 69% da área cultivada no Centro-Sul do Brasil, contra 60% uma semana antes e 81% um ano atrás. Já em termos de produção, a estimativa atual, segundo a iniciativa privada, é de um volume ao redor de 110,5 milhões de toneladas para a safrinha, contra 113,2 milhões no ano anterior, enquanto a produção total do cereal no país chegaria a 142,8 milhões de toneladas, contra 141,2 milhões no ano anterior. Vale destacar que existem controvérsias entre os diferentes analistas, mas os volumes estimados têm ficado em torno destes números.
Diante disso, os compradores seguem retraídos, acompanhando o avanço da colheita da segunda safra, e o aumento da disponibilidade do cereal. Com isso, os negócios seguem bastante limitados.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).
Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
Agro Mato Grosso
Bianca Guimarães reforça equipe de biológicos da Corteva

Agrônoma passa a responder pelo desenvolvimento de mercado e pela estratégia de marketing do portfólio de biológicos em MG
A Corteva Agriscience nomeou a engenheira agrônoma Bianca Guimarães para o cargo de Market Development Leader – Biologicals. Baseada em Uberaba (MG), a profissional passa a atuar no desenvolvimento de mercado do portfólio de produtos biológicos da companhia em Minas Gerais.
Entre suas atribuições estão a definição da estratégia de marketing para a área de biológicos, o posicionamento e a gestão do ciclo de vida dos produtos, a elaboração de estratégias de acesso ao mercado, a identificação de oportunidades para expansão do portfólio e o relacionamento com parceiros estratégicos. Também será responsável por representar a empresa em eventos e fóruns técnicos.
Bianca chega à Corteva após passagem pela Vitales Brasil, onde exerceu a função de coordenadora de Marketing e P&D. Na empresa, participou da revisão estratégica do portfólio de biológicos, conduzindo análises de investimentos, planejamento de portfólio, precificação, previsão de demanda, suprimentos e processos regulatórios.
A executiva iniciou sua trajetória profissional na Juliagro, atuando como pesquisadora em nematologia e fitopatologia de solo, com foco em ensaios de campo e laboratório para registro de defensivos químicos e produtos biológicos.
Formada em Agronomia pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), também concluiu mestrado em Agronomia na mesma instituição, com ênfase em nematologia agrícola.
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